terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Amor e ódio: uma Patrícia entre aranhas e querosene.

Como dito no outro post, o episódio da Dona aranha precisava de um espaço só pra ele. E cá estamos nós [eu, você e a porra da imagem da aranha que nunca mais abandonou minha cachola]...
Estava eu, lépida e faceira, depois de um dia cansativo de faxina na casa nova [lembrando a dica utilíssima de contratar alguém pra limpar antes de você se mudar] entrando em minha casa cheirosa, e eis que, ao fechar a porta, com meu pacotinho mágico do China'box na mão, dou de cara com uma aranha. Não, não era APENAS uma mísera aranha! Era um monstro! Enquanto eu fiquei paralisada, ela, como se brincasse de quempiscaporúltimo comigo, continuou calmamente no canto da porta [Tenho uma leve desconfiança de que ela suspeitou desde o início que eu não seria forte o suficiente pra enfrentá-la].
Surtei e saí correndo de pijamas para a rua. Pânico. Essa é a palavra que melhor expressa o que senti. Nunca havia visto um bicho daquele porte e espécie assim, tão de perto. E, afirmando minha heterossexualidade [porque quem gosta de rock das aranhas é o Raulzito], corri pra longe da bicha. Pra minha sorte, os vizinhos estavam fazendo um churrasco [digo sorte, porque já era 11 da noite!], e eu, despudoradamente, apertei o interfone, e, num misto de choro e cara de pelamordedeusalguémmesocorre, pedi pra me ajudarem. O casal foi, pacientemente [e com certeza putos!], até minha casa. E, antes que algum filhodumaégua diga que era frescura, até o machão [estilo souforteetequebroacara] do vizinho comentou sobre o tamanho avantajado da tal aranha. Muitos obrigadas depois, fechei a porta e tentei comer. Quá! Nem o biscoitinho da sorte desceu direito [e eu AMO biscoito da sorte!]. Liguei pro Felipe [que mora na quadra de cima] e pedi desesperadamente pra ele me deixar dormir lá. Ainda em estado de choque, usei o ouvido do Fê e do Ricardo [Muitíssimo obrigada meninos!] e fui dormir acabada, e derrotada mais uma vez, só que nesse turno, pelo cansaço.
No outro dia fui apresentada ao querosene. Logo nos tornamos amigos íntimos [Pra quem não sabe, assim como eu há duas semanas atrás, o querosene afasta qualquer tipo de "animal" que possua respiração epitelial. Em especial, as aranhas]. No primeiro dia joguei querosene em tudo. Na cobrinha que coloquei no vão da porta. Em um pano que coloquei na janela [porque estava com um vão]. No chão. Nas janelas. Resultado: a casa estava fedendo a querosene, e eu acho que meu sono não foi apenas fruto do cansaço, mas da combinação casa fechada+cheiro de querosene no nível 10+fumaça de cigarro.
Até hoje tenho pesadelos com aranhas [e decidi nunca mais assistir Harry Potter e a Câmara Secreta] . E, apesar de viverem dizendo que faz mal, o Sr. Querosene vive ali, do ladinho da porta, perto de uma vassoura que mora na minha sala agora. Porque, podem me chamar de fresca, neurótica ou seja lá o que for. Mas eu me sinto mais segura assim [apesar de olhar pro vão da porta de meia em meia hora quando estou na sala].
Então, as "lições" que aprendi e que posso repassar são [prestando um serviço de utilidade privada, que deveriam ter prestado a mim!] : a) se for morar em Curitiba, detetize a casa com o veneno "Fortis" [e façam-me o favor de pagar pela propaganda, carcamanos! Nem que seja com um vidrinho de veneno!] antes de se mudar. O trem mata tudo que é inseto, em especial as aranhas marrons, e dura por 3 meses; b) se for morar no térreo, ou em áreas que possuam muito "verde" [a.k.a. mato no qual tem uma porção de bichos!], tenha na porta uma "cobrinha" [vendida em lojas de 1,99] embebida com querosene. Porque além de afastar a bicharada, evita a entrada de poeira e sujeira; c) Tenha sempre um amigo que more por perto, caso você tenha um surto no meio da noite e precise correr pra casa de alguém; d) Não more no térreo. Eu jurava que ia ser lindo ter um quintalzinho só pra mim, depois de morar um ano em apartamento no 2° andar, mas quer saber?! Acho que queria voltar a subir escada! Mas isso é assunto pra outro post!

Ps: vou aproveitar o post pra agradecer as visitas e os comentários. Obrigada minha gente!!! Se não fosse por vocês, meus textos não teriam a menor vida!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Por entre aranhas, descobertas e felicidade (a.k.a. a odisséia de morar sozinha)

Pela inatividade do blog, muitas pessoas devem ter previsto que já me mudei. E, ao contrário das previsões dos pais de santo do Globo Esporte, essa está certa.
Uma semana e meia de casa nova. Não vou completar duas porque estarei no colo de papai e comendo a comida de mamãe. Sim! Eu sou uma mulher independente e blábláblá, mas o santo aqui é de barro meu filho!
O dia da mudança foi melhor do que eu imaginava. [Dica: se for mulher, finja que é frágil, e não sabe fazer coisas como instalar o chuveiro ou trocar lâmpadas. Os caras da mudança ficarão com dó e farão pra você! Logo, poupará trabalho] [E se for homem? Se vira malandro! Achou que só porque pode fazer xixi em pé o resto da vida é fácil?!].
Estranhei o novo cafofo no primeiro dia. Tanto que nem uma garrafa de vinho conseguiu me derrubar (se bem que, em situações normais também não derrubaria).
E com o nascer do sol, veio a tarefa mais dura: a primeira limpeza. Se eu soubesse que a casa estaria imunda [não, eu não disse suja, eu disse IMUNDA!] teria contratado alguém pra limpar [Dica: guarde uns trocados e pague alguém pra limpar o lugar antes de se mudar. Porque ficar movendo os móveis enquanto limpa não é lá muito agradável!].
Depois da casa limpa e arrumada, fui, lépida e faceira, pedir China'n box e assistir The Big Bang Theory [que merece um post só pra ele de tão bom que é!]. E, junto com a comida, recebo companhia [não,infelizmente não foi um entregador multi-uso], uma aranha gigante na entrada da minha porta! Em uma reação absolutamente hetero, fugi da tal e fui pedir ajuda aos vizinhos [Sim! De pijama! Uma cena linda que também merece um post individual.] [Dica: se for morar em Curitiba, detetize a casa antes de se mudar. Afinal de contas, as aranhas marrons são um patrimônio da cidade, mas, ao contrário dos prédios, essas podem ser exterminadas sem dó nem piedade!].
Após o pânico, eu e a casa nos entendemos. Ela já tem até meu cheiro: fumaça de cigarro+fumaça de incenso+querosene [que será devidamente explicado no post sobre a Dona Aranha, que, ao invés de subir pela parede entrou foi pela porta mesmo!]. E descobri que quando se mora sozinho a audição melhora em níveis absurdos. E com ela as neuroses de achar que o canto dos passarinhos [que há tempos eu não ouvia] é barulho de rato.
No fim das contas [e bota contas nisso! Prepare seu bolso caso queira desfrutar de sua própria companhia! Porque eu descobri o quanto sou cara!], estou feliz... Nos próximos posts conto os pormenores e pormaiores...
Por ora, termino com uma música que se encaixa perfeitamente neste meu momento:

"Quem foi que disse, que é impossível ser feliz sozinho?
Vivo tranquilo, a liberdade é que me faz carinho.
No meu caminho, não tem pedras nem espinhos.
Eu durmo sereno e acordo com o canto dos passarinhos."
(Marisa Monte - Satisfeito - Do cd Infinito Particular)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Amor não tem sexo. [Tudo de Blog]

Se hoje eu precisar de um abraço amigo, daqueles que preenchem o coração de amor e esperança, com certeza será um abraço forte de ursos meninos. A grande maioria das pessoas que escolhi para serem minha segunda família é formada por garotos. Não sei se pelo meu jeito molecanãotônemaí de ser, ou pela minha falta de habilidade em manter amizade com mulheres [porque, contando com mamãe, não "encho nem uma mão" com amigas mulheres].
Não concordo quando dizem que é impossível amizade entre homens e mulheres. E isso com conhecimento de causa! Não foi uma só vez que eu e meus amigos já dormimos juntos, todos num mesmo colchão, de pijamas nada apresentáveis; e nunca senti nenhuma mão indevida passear pelo meu corpinho. Além do quê, eles sempre dizem que eu não conto como mulher, assim como pra mim, eles não contam como homens. Isso porque nós não somos um corpo uns pros outros, mas sim uma alma, e almas são assexuadas...
Amor de verdade não tem sexo... E, no fim das contas, o que mais são os amigos do que a extensão do nosso amor?

[Pauta para o Tudo de Blog]

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Yo no creo en brujas, pero que las hay las hay"

Eu sou uma pessoa racional. Pra mim, tudo na vida pode ser compreendido através de encadeamentos lógicos, ou explicado pelas leis da física e da matemática. Mas também tenho um espírito oras! E, apesar de não pertencer a nenhuma religião institucionalizada, tenho lá minhas crenças e fé...
E vez ou outra gosto de "brincar" nesses oráculos internéticos, apesar de saber que a chance de eles "acertarem" é a mesma de eu acertar na megasena (tudo explicado pela teoria dos números, claro). Mas parece que há dias que, só pra me zoar, eles resolvem falar exatamente o que eu preciso ou quero ler... Como esse aí embaixo, que tirei hoje...
"Nossa, que grande mudança no seu horizonte! O que será? Carro novo, casa nova, cobertor de orelha novo? Acho que você vai querer mudar tudo isso, porque vejo dinheiro no banco. Sim, você está prestes a ganhar uma bolada. E não tem nada a ver com a mega-sena: o dinheiro vem porque você trabalhou direitinho. Talentosa, você, hein? Agora, que tal usar este talento para melhorar um pouco o setor emocional? Querida, sua vida amorosa parece um filme de terror, cruzes! Agora vá e ache um bom moço, rápido (enquanto você ainda é jovem e bonita)."
Tirando a parte do dinheiro no banco, o tal do Mico da Sorte acertou em cheio!
Claro que não devemos basear nossa vidas nesse tipo de "instrumento"; mas que, vez em quando, é divertido, isso é...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Escolha mudar!

Hoje ficou pronto o contrato do meu apartamento novo. E, se tudo correr bem, quinta-feira estarei de "mala e cuia" em um novo chão. Não nego que hoje me bateu um medo, e com ele algumas neuras [tão comuns à minha mente perturbada]. Mas vou, de peito aberto, assumir minha escolha. Também não nego que já começo a sentir saudades de tudo aqui...
Lembro-me, de mais de um ano atrás, eu e Thon fazendo planos pra nossa mudança pra cá. Lembro-me de nossas risadas, de nossos sonhos, de nossos medos. Lembro-me de nossa primeira noite no desconhecido sem luz. E de nosso primeiro mês nas ruas frias de Curitiba. Lembro-me da chegada de Cacau. Lembro-me de sentir quase que a mesma coisa que sinto agora; uma mistura de alegria e tristeza tão intensa, que não se sabe onde começa uma e a outra termina. Ou talvez elas só existam juntas, sem começos ou fins...
Fizemos nossa escolha naquele junho, e estou fazendo a minha neste dezembro. Como se a vontade tomasse conta e fizesse tudo por si...
Escolhi mudar. E dessa vez não foi apenas a disposição dos móveis do quarto [que eu mudo a cada 15 dias]. Mudar o teto. Os hábitos. Os sons. As saudades. Não vou dizer que mudar seja uma escolha fácil, mas muitas vezes é a escolha que pode nos fazer mais feliz. E é por isso que batalhamos todos esses dias de meudeus...Para sermos felizes, primeiro conosco mesmos, pra poder depois, com o sorriso aberto, ser feliz ao lado de quem nos faz bem. Embora esse "ao lado" tenha significado "distante" no meu cotidiano presente. Mas distante de corpo, e não de alma. Alma essa que, assim como ficou em grande parte em Campo Grande, também vai ficar um pedaço aqui, nesse lugar no qual [ao lado daqueles que me deram força pra continuar] eu redescobri a mim mesma.
Não sei se essa "eu" que tenho descoberto é a melhor de mim. Me sinto desconhecida. Me sinto despedaçada. Me sinto uma folha de papel em branco...
E você, se quiser, escolha mudar! Mude essa cara triste por um sorriso largo de saber que a vida é um caminho sem fim de aprendizados. Mude essa vontade de não sair de seu quarto por um passeio pelas ruas cheias de desconhecidos que mudam a cada piscar de olhos. Mude aquilo que não lhe faz bem. Porque, embora sempre tenhamos pedaços de nossas almas guardados [nem tão de difícil acesso quanto Lord Voldemort], é com o pedaço que nos sobra que devemos conviver e aprender todos os dias...

[Esse post ficou meio saudoso... Mas logo começam os posts das novas aventuras em terras desconhecidas].

Playlist: Telegrama - Zeca Baleiro

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Há uma tempestade lá fora, e você nem olha pela janela...

Meus queridos. Este post é pra atualizar as informações sobre a Campanha de Solidariedade em prol de Santa Catarina. Peço, mais uma vez, e quantas forem necessárias, que todos os leitores desse blog possam colaborar também. Divulguem em seus blogs. Façam suas doações. Porque sim, é muito bonito viver discursando a respeito da "paz mundial" e do quanto você gostaria de ajudar o mundo, ou sobre quanto você sente muito que há pessoas sofrendo na África. Mas, não é nada honesto que, diante da tempestade que abate os catarinenses, nós fiquemos no conforto de nossos computadores e não olhemos pela janela.
Quem for de Curitiba, além dos postos nos Corpos de Bombeiros, pode fazer sua doação na UTFPR. [amanhã mesmo vou lá levar a minha]. Nas entradas da universidade há caixas disponíveis. E se você souber de mais algum lugar, por favor, poste aqui.
'Bora deixar de demagogia barata e arregaçar as mangas de verdade!
Abaixo uma imagem retirada do Blog do Avaí [bem vindos à 1° divisão!], com mais informações.




Uma pequeno gesto de solidariedade o/

Hoje li nos blogs de Daniel Perrone e Alexandre Inagaki a respeito do que está acontecendo em Santa Catarina, e as formas pelas quais podemos ajudar (ao menos um pouco) a amenizar a grande perda do povo catarinense. Eu me sinto muito impotente diante de situações como essa. Além de parecer ter levado um soco no estômago, me sinto consternada pelas pessoas que estão vivendo momentos pelos quais eu nunca gostaria de passar. Peço licença aos blogueiros para pegar emprestados o texto de Tainha, as informações do Perrone e a imagem de Alexandre para fazer minha parte também.

"Santa Catarina sofre neste momento com uma de suas piores catástrofes naturais de todos os tempos. As chuvas intensas que castigaram o Estado nos últimos dias provocaram tragédias em diversos municípios provocando até o momento 84 mortes e aproximadamente 54 mil desabrigados de acordo com as últimas estatísticas. O momento é de união, independente de religião, classe social, raça ou mesmo paixão futebolística. As pessoas atingidas pelos estragos causados em decorrência das fortes chuvas assolam o Estado carecem de nossa ajuda, e é neste momento que devemos acreditar na solidariedade entre os brasileiros. Somos todos os irmãos, e como uma grande família, devemos nos ajudar. A Defesa Civil de Santa Catarina abriu duas contas bancárias para receber doações em dinheiro para ajudar as vítimas. É o único modo de quem está distante de ajudar. Quem for ajudar pode dor dinheiro, fazer doação de roupa, comida, colchão, cobertores e etc."

Abaixo os locais e formas de colaborar com esta causa:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta corrente 80.000-7

Besc
Agência 068-0
Conta Corrente 80.000-0.

Segue a lista dos locais de arrecadações:

Em Florianópolis:

Assembléia Legislativa de Santa Catarina
Centro Cívico - Centro

Procon Municipal de Florianópolis
Rua Deodoro, 209 - Centro

Portal Turístico de Florianópolis
Cabeceira continental das ponte Pedro Ivo Campos

Hall da Reitoria da UFSC
Campus Universitário da UFSC - Trindade

Centro de Cultura e Eventos da UFSC
Campus Universitário da UFSC - Trindade

Escola Básica Municipal Osmar Cunha
Travessa Virgílio Várzea - Canasvieiras

Centro Comunitário do Rio Tavares
SC-406, próximo ao Trevo do Campeche - Rio Tavares

Paraná:

As doações pessoais podem ser feitas nos quartéis do Corpo de Bombeiros e para as doações de grande porte deve-se entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 199.

Espero que aqueles que lerem possam colaboram também. Seja em forma de doações ou na divulgação através do blog. E, apesar de saber que não poderemos apagar a dor daqueles que estão sofrendo, ao menos estaremos ajudando a torná-la menos insuportável...

Ajude você também!



terça-feira, 25 de novembro de 2008

Futebol e brasileiros...

Eu estava decidida a ir dormir e encerrar minha segunda-feira. Mas ao ler alguns fóruns de discussão e blogs, não me contive. As palavras ficaram nas pontas dos dedos loucas pra ganharem o mundo. E cá estou eu.
Há pessoas que detestam futebol. Algumas com argumentos plausíveis e bem fundamentados; outras, pela simples arte de odiar; outras ainda pelo trauma de serem sempre as últimas a serem escolhidas pros times da escola. Eu amo futebol. Mas essa não é bem a discussão que queria fazer aqui. Quem me conhece sabe que sou são paulina fervorosa. Inclusive, já escrevi posts sobre meu relacionamento com o São Paulo. Sou tão apaixonada pelo time, que, como bem reparado por um colega, já não falo mais "o São Paulo ganhou, ou o São Paulo perdeu"; mas sim "nós ganhamos ou nós perdemos". Como se fôssemos indissociáveis.
Nos últimos 3 meses, o SPFC passou alvo de chacota por parte dos adversários, a líder do Campeonato Brasileiro. Há 3 meses não perdemos uma partida. Há 3 meses os torcedores que estavam tristes e cabisbaixos, tem ao menos um motivo pra sorrir na segunda. Há 3 meses os jogadores e o Muricy buscam forças diárias pra se superar cada vez mais.
Só que, desde que o São Paulo ultrapassou o Grêmio e se estabilizou na liderança, as "teorias da conspiração" começaram. Primeiro com a matéria maldosa e parcial da Sra. Globo a respeito dos erros da arbitragem no Campeonato Brasileiro; depois com a matéria ridícula sobre as previsões de tarólogos e pais de santo sobre o final do campeonato [Sim! Botaram deus na roda!]. E advinhem quem sempre sai perdendo nessa visão míope?! Pois é exatamente aquele que todos acreditam estar sendo beneficiado.
Sim!!! O São Paulo é sempre beneficiado! Beneficiado pelo ótimo técnico, beneficiado pela melhor estrutura de clubes do país, beneficiado pela força e garra dos jogadores, beneficiado pela torcida. Olhando por esse ângulo, sim, o São Paulo é o mais beneficiado dentre todos os outros times do campeonato. Quanto ao "favorecimento" da arbitragem, as pessoas que disseram que não houve falta no 1° gol do São Paulo contra o Vasco, são as mesmas que disseram que no jogo contra o Figueira, o Borges estava impedido no último gol. Ou seja, pessoas que ou não entendem de futebol, ou não tem argumentos, ou gostam mesmo é de cornetar.
E o que me irrita profundamente, é você ver que todo o trabalho feito pelo São Paulo [de oferecer estrutura, de fazer um bom planejamento] é esquecido e distorcido pela falta de argumentos e pela apelação. O São Paulo pode não ter o time mais brilhante do país, mas assim como um empresa, sabe como administrar as peças que tem. Só que a maioria dos outros perdedores [ops! torcedores] não entende que é esse diferencial que faz com que estejamos no topo do Brasileirão 08 [e fez com que ganhássemos os 2 campeonatos anteriores]. Não! Para eles, somos os bambis que só estão onde estão, porque gastamos muito dinheiro comprando a arbitragem. Para eles, devemos morrer e sermos expulsos do campeonato do ano que vem [ou, como sugestão de um róseo, "o São Paulo deveria começar com -15". Quá!].
O único problema é que brasileiros não são assim apenas quando se trata de futebol. Em nosso país, não se reconhece as boas qualidades que o próximo possui; mas se procura encontrar, mesmo que em falácias, motivos para não reconhecer que essas qualidades são frutos de esforço e trabalho. Essas são as mesmas pessoas que acham justo criar cotas para mascarar nosso pífio sistema educacional; são as mesmas que defendem as bolsas-auxilio, pra disfarçar a incompetência de nossos governantes; as mesmas que afirmam não terem conseguido um emprego melhor pois foram desfavorecidos pelo sistema. São as pessoa que, ao invés de lavar a sujeira, passam um paninho com Veja na consciência e sentem-se limpos.
E a esse tipo de pessoa, minha única resposta e atitude é o silêncio. É claro que a galhofa faz parte do bom futebol. Claro que se pode [e deve!] zoar os adversários. Senão, qual seria a graça da Segunda Divisão? No entanto, deve-se entender que galhofa não quer dizer falta de discernimento.
Ao contrário de alguns torcedores, ainda não nos considero campeões. Estou inquieta esperando o jogo de domingo, para então poder gritar, a plenos pulmões, "é campeão!" [Hexacampeão, aliás!]. Mas não quero gritar nos ouvidos alheios. Até porque essa será uma conquista nossa, e não dos adversários. Será uma conquista de trabalho e suor, e não de disfarces e declarações maldosas.
E acredito que é assim que os brasileiros deveriam se sentir ao conseguir um emprego, uma vaga na universidade, ou o suado salário no fim do mês: como uma conquista de seu próprio suor e trabalho, e não como resultado do (des)favorecimento de outrem...

Enfim... Desabafo feito. Ao som de Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa.


domingo, 23 de novembro de 2008

Selo Presentinho...


Este post é pra agradecer e compartilhar... Primeiro agradecer a fofura da Tatah Santini que me presenteou com esse selinho lindo!
E como o melhor de receber presentes é poder compartilhá-los, abaixo a lista com os 15 blogs agraciados com o presentinho (escolhidos por terem textos bacanas e pela assiduidade com que eu os leio). Espero que gostem.
o/

Mundo da Lua
Crônicas de uma vida desesperada
Guindaste
Hialoplasma
Bichinhos de Jardim
Liber
Ciranda Eterna
Uma dama não comenta
Cala a boca que eu tô falando
Liliane Prata
Kit básico da mulher moderna
Meninas de 30

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fogo!!! (Extra)

Extra!!! Extra!!!
Agora a pouco, estava eu sentada em minha cama contemplando minha cafeteira nova, toda moderninha (que é pra minha casa nova, mas isso merece outro post), quando ouço uns gritos. Na minha vizinhança isso é normal, afinal de contas, logo ao lado tem um prédio cheio de adolescentes e um boteco logo embaixo. Ao ir fumar um cigarro na janela, percebo que os gritos não eram os de sempre, e, ao olhar pra cima, vejo uma fumaça negra infinita. E logo em seguida um clarão. E logo em seguida a sirene do caminhão de bombeiros.
É meus caros, estava acontecendo um incêndio no prédio ao lado do ao lado do meu. Meu primeiro incêndio. Descemos (eu+Cacau+mais os vizinhos), um pouco pela curiosidade inerente a todo brasileiro que se preze, um pouco pelo medo. Ao chegar em frente ao prédio, me deparei com algo que, por só ter visto em filmes, até hoje não me era tão real: o telhado do prédio em chamas, e chamas tão altas e tão fortes que era como se a natureza estivesse mostrando a língua e urrando "I win!".
Era terrível ver o desespero no rosto das pessoas! E ao mesmo tempo eu comecei a pensar que isso pode acontecer a qualquer um; a mim, a você, ao vizinho do lado... Minha angústia aumentava na proporção em que eu via dezenas de bombeiros parados porque não havia água no caminhão. PUTAQUEOPARIU! Pra que diabos serve um caminhão de bombeiros sem a porra da água?! E enquanto eles va-ga-ro-sa-men-te decidiam o que fazer, o fogo, em contrapartida, numa velocidade acelerada, devorava a estrutura do prédio, e logo, do teto passou para o andar de baixo.
Eu mal conseguia piscar, de tão vidrada que fiquei ao presenciar o trabalho humano sendo devorado pelas labaredas. E, ao mesmo tempo que a dança das salamandras me pareceu linda, fiquei pensando na dona da lojinha que fica no térreo do prédio e na senhora que mora no andar de cima. Essas pessoas colocaram as cabeças no travesseiro essa noite, agradecidas por mais um dia que haviam vivido; só não sabiam elas, que o dia ainda não havia acabado...
Pode parecer materialista demais, mas fiquei imaginando que, tudo aquilo que elas construiíam, todas as suas lembranças, toda a matéria que lhes expressava a alma, foi engolida pelo fogo e se tornou cinza. E ao ver a imagem da mulher que mora(va) no andar de cima, andando de um lado ao outro da rua, vestida apenas com seu pijama e suas lágrimas, não pude deixar de pensar no que a angustiava mais... Se era o fato de sua vida quase ter sido levada pelas chamas, ou por todos os seus pertences não mais existirem.
E então meu lado cínico resolveu dar as caras. Se ao dormir você resolve não vestir roupa nenhuma (o que eu acho difícil no frio de Curitiba coldcity), o que diabos você faz ao perceber que sua casa está, literalmente, pegando fogo? Então fiquei imaginando a reação que eu teria... O que eu "salvaria" do fogo? Será que eu conseguiria sair, sabendo que metade de mim ficaria pra trás? É claro que é radical pensar assim, mas hoje cheguei à conclusão de que já não sei mais ser sem ter... E acredito que a maioria esmagadora de nós é assim. O que seria de mim sem meus livros, minhas roupas, meu computador, meus sapatos, minha família, meus amigos?! Seria apenas um pedaço dessa colcha de retalhos que construo a cada acordar...
Afinal de contas, somos aquilo que temos e temos aquilo que somos...
E me parece que o poema "Metade", de Osvaldo Montenegro, cai como uma luva para terminar essas minhas palavras carregadas de angústia, alívio, tristeza, e alegria... Porque, no final de contas, somos todos repletos de metades...

Metade (Osvaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

[Playlist: o barulho dos caminhões de bombeiro]

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um novo vício...

Hoje tive que admitir pra mim mesma: adquiri um novo vício! Como se já não bastasse o cigarro, o café, o miojo de talharim, a farinha láctea e dormir! E o pior é que os vícios sempre começam devagarinho... Você vai lá, experimenta, e quando vê "adeusvida" sem ele... E que inferno a vida sem eles! Fico imaginando como é a vida de um dependente químico de narcóticos... Deve ser mais ou menos como a dependente espiritual que vos fala... É claro que eu não tenho o plus de acabar com a minha vida em um período de tempo tão curto [afinal de contas, como dizem as más línguas, o cigarro mata aos poucos]. Não! Eu nunca usei nenhum tipo de substância ilícita com poderes psicotrópicos... Por quê? Porque já tenho vícios o suficiente para sustentar... E, como se não bastasse, agora mais um!
Antes, eu apenas escrevia no blog, e lia um ou outro blog de pessoas que comentavam... Hoje, eu leio, diariamente, quase 20 blogs! E, não satisfeita, ainda vou na seção de favoritos deles, a procura de mais e mais!!! E nem pensar em entrar na internet e não passar nos blogs... Ah não!
É incrível como esse veículo de comunicação passou de "querido diário" para um mural enorme e variado de opiniões sobre tudo... E há tanta coisa bacana pra ler...
Enfim... Se me dão licensa, ainda tenho uns blogs pra ler.

[Playlist: Doris Day - Whatever will be]

Tempo, tempo, mano velho...

Pois bem... Lá se vão 6 dias desde que postei dizendo que iria começar a fazer posts "diários". Ao olhar para o post achei que tivesse escrito ontem; ao olhar para a data, quase que caio de minha cadeira (a.k.a. lugar no qual eu passo mais da metade do dia). Como assim já se passaram 6 dias?! Ou pior: "como diabos eu não vi esses dias passarem?!". Começo a acreditar na história de que, depois dos 20, o tempo não passa, voa! E, pensando bem, até que, aliando a teoria da relatividade do mestre Einstein com as minhas teorias e constatações cotidianas, dá até pra tentar olhar pra isso de uma forma compreensível (ps: não digo mais que posso "explicar" nada! Depois do mestrado, eu descobri que, no máximo, posso compreender...Quem sabe no doutorado eu aprenda a explicar, ou não...).
No época em que frequentamos a escola, as aulas tomam a manhã toda, e parece que o tempo, de pura filhadaputagem, resolve passar beeeeem devagarinho. Bom, só aí já foi uma manhã que parece que durou um dia todo. Ao chegar em casa, fulana conversa com ciclana sobre o menino que vai ver no sábado: "Ai! Hoje ainda é segunda! Eu não vou aguentar de ansiedade pra conhecer o Zé!" [adoro nomear personagens fictícios de Zé!]. Logo, a semana que, durante as manhãs, já se arrasta, parece que nunca vai chegar, ainda mais com a mãe de fulana ameaçando não deixá-la sair no sábado se ela não se comportar (ôÔô semana longa!). Ou então dá "aquela coceira" de "Ai! Eu quero taaaanto fazer 18 anos logo!". No fim das contas, o tempo parece se arrastar aos olhos de um adolescente, que anseia por sua liberdade que virá (pensa ele, em sua vã juventude) com a famigerada maioridade...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Todo dia ela não faz tudo sempre igual...

Resolvi "inaugurar" mais uma seção aqui no blog... Porque andei pensando que sinto falta dos meus diários, e que minha memória está cada vez mais preguiçosa (as más línguas dizem que é culpa da idade xD). Então vou fazer meio que um relato dos meus dias, um pouco pra ter "com quem conversar", e um pouco pra ter um backup de memória =)
Mas não se preocupem, vou tentar ser o menos "querido diário" possível...

E queria aproveitar e agradecer as visitas e os comentários das pessoas queridas que têm passado por aqui... Obrigada! Vocês fazem os meus textos terem mais vida =)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O que você vai ser quando você crescer?

Lembro-me de uma pequena gorduchinha branquela dizendo: "Quando crescer quero ser professora!". Isso foi há 22 anos. E sim, eu me lembro disso. Até porque a tal gorduchinha sou eu, que, aos 4 anos, época em que começava a aprender que aqueles desenhos estranhos que não tinham cor, se juntos, formavam palavras, que juntas eram aquilo que a gente falava [graças aos pais dedicados que, mesmo cansados, liam e lhe mostravam os livrinhos da Disney, e ouviam atédizerchega as benditas da fitinhas que os acompanhavam]; pois foi quando a menina com os pés tortos e o sorriso escondido resolveu que, se era tão maravilhoso aprender, ela também queria ensinar...
Hoje, enquanto escutava Tchaikovski e lia "Ciência como Vocação" (de Max Weber), meus olhos marejaram e minha pele arrepiou. Foi então que me dei conta de que eu sabia já, desde pequenina, o que eu queria ser quando crescesse, mas que havia levado mais de um quarto de século pra acreditar. Quem me conhece sabe que minha paixão pelas palavras é infinita... E já foram inúmeras as vezes em que as palavras saídas de uma pena (de galhofa ou não) fizeram meu coração de gengibre derreter feito manteiga em pão de mãe quentinho saído do forno...
Mas desta vez não foram só as palavras... Weber escreve absurdamente bem! E eu amo o Lago dos Cisnes... E não sei se foi a combinação das palavras belas de Weber, mais as lembranças que Tchaikovski me traz da infância... Mas sei que, como num trailer, me lembrei do momento que contei ao iniciar essa escrivinhação...
Weber fala sobre a vocação do cientista. Mas não do cientista louco que fica trancado em um laboratório; ele fala do indivíduo que ama o conhecimento, e que busca perguntas mais do que respostas. E a cada um de seus parágrafos, em que ele ia descrevendo os mitos que tanto admiro (Goethe, Einstein, Aristóteles, Da Vinci...), eu ia me encontrando. E então percebi que o que eu sempre quis ser (e que de alguma maneira sempre fui) foi cientista; uma pessoa que busca o conhecimento a cada abrir e fechar de olhos. E não há gesto mais justo do que aquele que tem em suas mãos o conhecimento o espalhe para os demais. E então ele fala sobre a vocação de ser mestre...
Este ano completei 10 anos de magistério. Me lembro como se fosse agora, da primeira vez que entrei em uma sala de aula. Uma moleca de 16 anos com medo do desconhecido. E durante esses 10 anos fui aprendendo, e continuo aprendendo com os melhores...
E então me lembrei dos tantos mestres que já passaram e continuam passando pelo meu caminho. Minha primeira professora (Tia Regina), da qual lembro do sorriso como se o tivesse visto hoje; Antônia, que me ensinou que a Gramática não era apenas um amontoado de palavras sem cabimento; Lourdes, que me enveredou de vez pelo mundo mágico das palavras; Edson, que me mostrou que a matemática e a física não eram apenas números feitos pra enlouquecer; Magister Horácio, que além de me ensinar Latim me ensinou muito da vida; Mária Adélia, que me ensinou que o mundo literário era maior e mais profundo que podia supôr minha vã juventude; Regina, que me ensinou que uma verdadeira professora se faz de palavras e gestos; minha orientadora Marilda, com a qual, todos os dias, aprendo lições valiosas sobre como ser uma cientista...E agora que vejo o rosto de todos eles, reconheço o mesmo sorriso, de quem, mesmo sem saber, torna o mundo mais simples e bonito...
E esse sorriso me fez lembrar do sorriso de meus dois maiores mestres: seu Gilberto e dona Maria... Lembro do sorriso de minha mãe, ainda menina, me mostrando os livros e me contando um pouco sobre o mundo... Lembro do sorriso de meu pai, moleque, todo domingo, me levando a banca de jornal pra comprar gibis, ainda que eu só entendesse as figuras... Lembro do sorriso deles quando aprendi a ler as primeiras palavras... E pensar que, na época destas lembranças, eles tinham a idade que tenho hoje; e mesmo sem saber quem diabos era Weber, já sabiam muito bem o que era ser mestre...
Acho que acabei me perdendo em meio a tantos sorrisos e lembranças... Mas já não me assusto mais com o desconhecido que é estar perdida, porque agora eu sei bem o que eu quero ser quando crescer...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Por trás do desconhecido...

Segunda-feira, 7 da manhã. O céu amanheceu mais nublado que o usual em Curitiba city. Da janela do meu quarto, de onde eu geralmente tenho a impressão de ver o infinito, hoje só me é possível enxergar até o Arena; depois disso, só o cinza e o desconhecido... E enquanto eu fumava meu Marlboro matutino e tomava minha xícara de café de bom dia, fiquei pensando se todos os nossos relacionamentos não seriam assim, matutinamente nublados...
Talvez todas as vezes em que iniciamos um relacionamento [seja ele com uma pessoa que possua o fenótipo perfeito pra se tornar um caso de weekend; seja com uma pessoa que irá se tornar a melhor amiga da vida; seja com o velhinho da banca de jornal que, daqui a um mês, vai saber que meu "bom dia" quer dizer "um marlboro vermelho maço, por favor!"; seja com a pessoa com a qual iremos ter hipotéticos filhos; seja conosco mesmos...] são como esta manhã nublada que vejo de minha janela. Nunca sabemos o que virá do primeiro sorriso em diante. É possível que o sol apareça, e nos mostre que ainda há muitos sorrisos por virem; assim como é possível que o desconhecido permaneça, e que esse início encerre em si seu próprio fim.
Todos os dias quando acordo, ao me olhar no espelho, sorrio para um novo começo. É como se ali, diante de meus olhos, pairasse a névoa que esconde o desconhecido. Talvez se passe um mês, e mude o dono da banca de jornal; talvez aquela pessoa que parecia minha amiga pra sempre, se torne irreconhecivel; talvez o caso do fim de semana se torne aquele com o qual teremos filhos reais; talvez eu me olhe no espelho e não saiba mais quem sou...
Não há certezas em relacionamentos. Apenas saberemos o que há por vir se acreditarmos que por trás da neblina surgirá o sol. Pode ser que ele não apareça, nos deixando com a impressão de que tudo ao nosso redor é cinza. Mas se não olharmos pela janela, depois do começo, nunca saberemos o que virá.
Acho que, apesar de em muitas manhãs o sol não aparecer, e muitos relacionamentos terminarem na hora exata em que começam, não podemos desistir de abrir a janela e olhar além. Pois a cada dia em que abrimos os olhos, começamos um novo relacionamento, e esse é o mais duradouro e imprevisível de todos...nosso relacionamento com a vida.

domingo, 12 de outubro de 2008

Perdões e esquecimentos

Não acredito em perdões. Muitos acham que todas as pessoas do mundo merecem ser perdoadas. Eu não. Se você gosta de alguém não há porque lhe fazer o mal. É um princípio tão simples, tão bonito. Aprendi desde cedo a não fazer aos outros o que eu não gostaria que fizessem comigo. E sempre esperei que os outros agissem da mesma forma. Hoje, depois de alguns bons anos aprendendo o quão diferentes são as pessoas, sei que por muitas vezes erramos, e que devemos assumir nossos erros sim. Mas isso não quer dizer que o próximo deva sempre “passar a mão em nossa cabeça”; até porque seria hipocrisia por demais dizer que, depois de todo choro e toda raiva, tudo passou, como uma tempestade que se transforma em arco-íris. Acho que o que não tem perdão acaba sendo esquecido. Mas esquecer não é perdoar. Na maioria das vezes, apenas deixamos que a dor caia no esquecimento, para que nosso coração não endureça, e para que a vida não seja uma lista sem fim de perdões...

Post para o Tudo de Blog [pauta: Perdão tem Limite?]

sábado, 11 de outubro de 2008

E lá se foi mais uma volta em torno do sol...

"A gente não faz aniversários. Os aniversários é que vão fazendo a gente. E depois, lentamente, desfazendo. [...] Até uma certa idade se faz festa por um ano a mais, depois de uma certa idade se faz festa por um ano a menos, mas aí a festa é pra disfarçar." (Luis Fernando Veríssimo) (Gloss out/08)

Dez de outubro de 1982. Dourados-MS. 6:20h da manhã. Foi quando dei meu primeiro grito e senti pela primeira vez o vento batendo em meu rosto. Hoje, 26 anos e muitos gritos e ventos depois, parece que a vida já não é mais a mesma. Parece que a cada dia em que abro meus olhos, o sol (que aqui em Curitiba city tem sido cada vez mais raro) já não é o mesmo. O ar já não é o mesmo. Eu já não sou a mesma. Somos todos frutos de nossos dias. Aniversariamos todos os dias em que deixamos o ar entrar em nossos pulmões (o meu, pobrezinho, cada dia mais castigado). Sexta-feira completei 26 anos. Não fiz festa, com bolo e chapeuzinho e amigos. Não abri presentes. Não cantei parabéns. Vivi mais um dia normal (ou ao menos o mais normal possível). Fui ao cinema, ver Mr. De Niro e Mr. Al Pacino na mesma tela. Fui a um buteco pé sujo encher a cara e jogar sinuca. Fiquei relembrando a vida losernerdmodeon com Aris. E assim celebrei mais uma volta completa de minha alma em torno do sol.
Senti falta de abraços amigos. Senti falta da cara da mãe me observando e pensando "foi daqui de dentro que isso saiu". Senti falta do pai me chamando de velha. Senti falta do sorriso da Gi. Senti faltas que não podem ser mais preenchidas. Mas ao mesmo tempo vi que a gente vai preenchendo como dá. De que adianta não olhar pro lado e ver que sempre há o que aprender, e do que sorrir...
Ainda não senti o "peso da idade"...Talvez porque ela vá se estilhaçando ao longo dos dias... A cada segundo eu vou aniversariando e celebrando o fato de poder abrir os olhos e enxergar além das janelas...
Foi sim, um feliz aniversário... E espero que os fragmentos de aniversário também sejam felizes. Afinal de contas, estar viva já me é o melhor presente de todos...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vida é luta!

Lembro de um professor de Física que sempre dizia que quando queremos uma coisa o universo conspira a nosso favor...É claro que não é tudo tão simples, como "pregam" os livros de auto-ajuda (que falo, aliás, sem conhecimento de causa, já que nunca li um inteiro)... Sei que não é só querer, e esperar na fila do "fast-dream", e pronto, já vem tudo acompanhado de fritas... Mas também não gosto do cinismo daqueles que acreditam que está tudo perdido e ficam espalhando por aí sua cretinice de achar que só sua vida é difícil., e que só sua cabeça que tem problemas. Talvez eu já tenha tido esses momentos (de cínica e cretina) (aliás, acho que todo ser humano tem esses momentos vez ou outra), mas resolvi que era muito cansativo viver me arrastando, com aquela eterna cara de "ó céus, ó vida"... Assim como acho cansativo viver como Pollyana... O equilíbrio é sempre a melhor atitude...Afinal, a beleza é feita de harmonia...
No fim das contas, como muito bem escreveu o velho e querido Machado (que há 100 anos nos deixou na saudade), "Vida é luta! Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal" (in: Memórias Póstumas de Brás Cubas). E é assim que há muito venho encarando a vida, como uma luta sem fim... Contra a maldade do próximo, contra a tristeza nossa de cada dia, contra a vontade de desistir de lutar... Prefiro morrer como aqueles 300 de Esparta, que mesmo contra todo o exército do mundo, morreram com o orgulho que só é inerente àquele que luta por si...
Enfim...Se você faz parte dos cretinos de que falei, o problema é seu! Você pode escolher entre aceitar aquilo que você mesmo fez (porque, queiramos ou não, a vida é feita de escolhas, nossas próprias escolhas, diga-se de passagem) ou fugir de si mesmo. Mas, como diria Virginia Woolf (sábia demente), "não se pode ter paz fugindo da vida"...

Texto postado para o Tudo de Blog [pauta:viciados em drama]

terça-feira, 30 de setembro de 2008

"Uma caixa"

"Uma caixa. Um espaço vazio que possui tampa e no qual você pode guardar tudo. Nele talvez caibam todos os seus sonhos. Seus desejos. Suas frustrações. Suas palavras. Seus medos. Suas misérias. Seus sucessos. Suas lágrimas. Sua realidade. Seu suor. Suas noites não dormidas. Seus sonos. Seus muitos pares de sapatos. Seus espelhos. Seu coração. Sua alma.
A tal caixa dei o nome de Vida."
Para muitos a vida é apenas uma palavra, que passa pela janela. Que pega carona nos ônibus lotados de manhã. Que lhe lembra de que há contas a pagar. Para tantos outros talvez ela seja um estado de espírito. Ou então um estado de aceitação.
É necessário se estar vivo para aprender? Ou é necessário que a vida deixe de existir, em algum ponto, em algum momento, para que aprendamos?
"Minha vida é uma caixa. Escolhi assim, afinal, a cada segundo em que o tempo escorre belo e grotesco de minhas mãos, tenho que fazer uma escolha."
Será que a vida é uma escolha? Será que preciso mesmo escolher estar viva? Ou isto apenas me acontece ao abrir os olhos pela manhã e ver que tudo continua ali, do mesmo jeito que deixei? Ou a vida é apenas uma ilusão, que nos contaram no meio das muitas histórias de dormir?
"Minha caixa é grande. Algumas partes coloridas,vivas. Outras em preto e branco mesmo."
Viver é apenas uma doação? Vivemos por quem? Para nós? Para outros? Para saudar o universo que espera que continuemos sua desevolução?
A partir de qual ínfimo momento deixamos a palavra de lado e passamos a conjugar o verbo? A vida fica ali quietinha, sentada de castigo, até que empunhemos o tal do "viver" e saiamos porta a fora com o pulmão cheio de ar para gritar aos quatro ventos que não se está além.
"Acho que hoje percebi um furo em minha caixa. Não sei o que pode passar por ali. Para fora, talvez eu perca alguma coisa. Para dentro, talvez eu ganhe o que nunca tive."
Caixas. Palavras. Verbos. Nada disso existiria se eu não tivesse aberto meus olhos hoje pela manhã e sentido o ar entrar. Talvez se ontem eu tivesse decidido não dormir por apenas 8 horas, mas por mais tempo do que qualquer maquininha possa contar.
Mas não há que se encontrar paz fora da vida. Mesmo que seja necessária uma escolha. Que ela seja a de continuar guardando tudo em uma caixa.

Abril/2007

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

The Cleaners ( "Open your eyes and your heart, look around")


Essa não é a primeira vez que falo do The Cleaners , e espero (muito muito mesmo) que não seja a última! Embora eu tenha esse meu jeito rocknrollviolentstormmodeon de ser, eu não consigo me conter quando ouço The Cleaners. Me torno uma brisa calma e suave, assim como as músicas deles chegam aos meus (já cansados, admito...) tímpanos... Eu poderia compará-los a outras bandas, com relação à proximidade do som ou ao conteúdo das letras; mas não é a partir de comparações que vejo o The Cleaners; como eles próprios disseram no myspace, "para a música ser música, ela deve ser natural, sem regras, sem preocupações se irá ou não vender, apenas ser tocada, ouvida e apreciada". Talvez seja isso que torne o The Cleaners tão bom de escutar; a não- pretensão acaba tomando o lugar de escalas e notas e contratempos; e isso faz com que Rodrigo, Joseph, Rodrigo e Duka falem através de seus instrumentos; e a voz dos quatro é tão harmoniosa e limpa que seria impossível pensar em um nome mais perfeito...
Abaixo alguns "esboços" sobre as músicas disponíveis no Myspace. Leia e me faça o favor de ir até lá! Vale muito a pena; é como se o mundo parasse e você ficasse ali, com os olhos fechados, sentindo o vento bater no seu rosto e todos os pensamentos ruins indo embora...

Me lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi "To grow old" ; e lembro exatamente da sensação que tive, até porque é a mesma que tenho agora, quando a ouço novamente. Essa música é daquelas que, mesmo que se passem anos, ao ouvi-la você consegue sentir os mesmos suspiros, a mesma sensação de que o tempo pára quando ela invade seus ouvidos. A letra e a melodia (tão raro de se poder usar a palavra melodia nas músicas de hoje, que me sinto feliz de poder usá-la com propriedade) de "To grow old" são como um início de namoro adolescente, quando você vai descobrindo aos poucos que as mãos se encaixam, que os sorrisos se tocam, e que os olhos se transformam em palavras. Uma pena que a música acabe (assim como os namoros de adolescente); mas eu sempre aperto o botão mágico de tocar de novo, e é como se fosse a primeira vez...

"The Unhappiness of Smile Plant" é uma delícia! As guitarras certinhas de Zé e Rodrigo, numa distorção melódica linda. A voz de Rodrigo doce e suave, como que suspirando ... A bateria de Duka bem compassada, marcando a cadência. O baixo do Rodrigo calmo, mas presente, como que pra fechar o ritmo. Além do que a letra é super bem escrita, e melancólica na medida certa.

"Love yourself" começa com um diálogo entre as guitarras que me faz ter vontade de levantar da cadeira e sair passeando e cantarolando "come on, open your hearts"... A bateria é muito bem marcada, sem agressividade, na medida certa. O baixo dá a "liga" entre as guitarras (aliás, o solo é ótimo!) e a bateria; e o vocal fecha tudo com a marca do The Cleaners: ser rockn roll sem ser inaudível. Ser alternativo sem ser chato. Ser original sem ser pretensioso.

Eu amo a "Coffee and Laughs"! O início é tão bom, mas tão bom, que sempre volto ao começo umas duas vezes antes de ouvir a música toda. A letra é linda! Emocional sem ser piegas. Aliás, uma das coisas que os caras fazem bem é usar o inglês como língua principal. As frases todas se encaixam perfeitamente, sem serem forçadas, mostrando que não é porque nosso vernáculo é o português que não podemos ser tão bons em outras línguas. E o The Cleaners consegue ser bom.

Anyway ... Melhor do que ler, é ir até lá e deixar que a arte do The Cleaners envolva o seu ar.
Ps: abaixo uma entrevista feita com os caras, que também está diponível no Myspace.


sete - entrevista#1 - the cleaners from sete músicas on Vimeo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Medo do escuro

(Ps:leia ouvindo Fake Plastic Trees, do Radiohead, mas mantenha os objetos cortantes beeem longe)

Sabe quando você acorda (ou continua acordado...enfim...você entendeu né!) com aquela angústia absurda, e com o passado teimando em ficar assoprando no seu ouvido? Pois é...Estou assim... Nem posso dizer que acordei assim, até porque já são três da manhã. E nem que vou dormir assim, porque definitivamente não vou dormir...
Mas estou assim...Fuçando meus subsolos, tentando achar alguma coisa que olhe pra mim e diga "Não esquenta não! Você tem muitas coisas boas do que se orgulhar!". Tá...Ahã...
Não quero que essa escrivinhação tome um rumo depressivo(ps: até porque se isso acontecer, danou-se!Acabaram meus valiuns...), mas quero compartilhar com você sobre nosso passado.
"Mas eu não tenho nada a ver com o SEU passado!", você pode estar gritando e quase fechando a tela, mas peraí! Você também viu a Xuxa (por si só um bom motivo pra anos de terapia), usou cabelo Xororó (terapia até a próxima encarnação!) e comeu Lolo e Chiclets(ufa!por esse não vamos a terapia...mas pela quantidade que eu comi, dá-lhe dentista!).
"Tá!E o que que tudo isso tem a ver com o título?". Bom...Um bom artista sempre coloca os títulos diametralmente opostos a sua obra (ps:caso você não tenha entendido, significa nada a ver com o que foi criado tá)... Mas na verdade, eu acho que eu tava falando sobre o passado né? Ou era sobre a angústia?
Ah!Enfim... O que na verdade tomou conta de mim hoje foi o medo do escuro (arrá!pra ninguém dizer que não tem nada a ver com o título!Vai que você tá lendo isso numa segunda...Aí já viu né...Mau humor na certa!) (ps:hoje é segunda!!!argh!). O medo de mexer no escuro do meu passado...
Tantas coisas que foram deixadas pra trás(e que eu jurava que ficassem todas embaixo da cama, pra sempre...), e que parece que perderam o valor. Aqui eu não falo só dos discos do Menudo, dos gibis da Disney, e dos Legos (ps:quem nunca perdeu uma peça de Lego que atire o primeiro Playmobil!). Falo também de um pouco de nós...Sim, eu sei que isso faz parte da formação da personalidade e blábláblá...Mas, onde diabos foi parar aquele sorriso bobo quando eu via uma borboleta amarela? (ps:por falar nisso, se alguém encontrar uma borboleta amarela, diz que estou com saudades!Elas nunca mais apareceram...). Ou então aquelas bochechas vermelhas quando alguém me elogiava? E os príncipes encantados então?! (lálálá...tudo bem, nessa admito que forcei...mas se até a trouxa da Cinderela tinha um, porque eu não podia querer também?!).
Pois é...Acho que minha memória anda super lotada, e que acabei por deletar alguns arquivos sem querer, ou nem prestar atenção...
Mas...O que me faz parar pra pensar nisso, é que o tal do Seu Tempo sem-vergonha tá andando muito apressadinho ultimamente... Ainda lembro de quando o chato do Galvão gritou "é tetra!", e esse mês o Brasil já tá tentando o Hexa!(ps:pra você que é nerd anti-social, tetra e hexa são apenas prefixos de derivados de carbonos cíclicos; afinal, se você ainda não sabe o que raios é o tal "hexa", deve viver dentro de um laboratório pesquisando benzenos),(ps2: pra você que é social, não tente entender o que eu disse aos anti...isso não é coisa de gente normal tá...).
Hoje um aluno me perguntou o que significava "nostalgia". Dei a definição clássica de dicionário (afinal de contas sou uma professora de português né!), mas agora acho que deveria dizer outra coisa. Deveria ter dito que nostalgia é você fechar os olhos e lembrar do seu bambolê, e jurar que ele está agora na sua cintura. Ou então lembrar daqueles arranhões de subir na árvore pra pegar goiaba(embora eu nunca tenha subido em árvore pra pegar goiaba!pois é...primeiro porque nunca gostei de goiaba.segundo porque eu era gordinha demais pra subir em árvores...). Ou lembrar com saudade da farinha e da tinta que jogaram na sua cabeça no dia da matrícula na faculdade(malditos veteranos!).
Taí...A palavra certa é saudade...Talvez hoje eu esteja com saudade. Dizem que saudade dói. Mas em mim ela reverbera.
E quando ela cai em mim, lembro do escuro do meu futuro. Que, assim como o passado, tá escondido em algum canto. Mais um retrato em branco e preto da minha vida.
Estou com medo de sonhar acordada, mas até que ia ser bom acordar com um ursinho carinhoso nos braços, aquele cheirinho de novo inundando meus pulmões (que naquela época não tinham nenhum pinguinho de monóxido de carbono, pobrezinhos) e todas as páginas do meu diário branquinhas, prontas pra guardarem minhas recordações.
Por falar nisso, onde raios será que eu enfiei meus diários?!

Patrícia Pirota julho/2006

Da série: Resgatando o blog perdido...

Dia desses me deu saudades do meu outro blog. Lembro-me de tê-lo deixado para trás e vir, liberta (ou ao menos pensando estar liberta), iniciar mais um. Fui ler alguns textos antigos, e resolvi postá-los por aqui, meio que como um "resgate nostálgico"...
Talvez seja porque meu aniversário se aproxima, ou porque aquele "eu-lírico" que escrevia por mim foi-se embora mesmo...
Enfim...Que se inicie mais uma nova fase, mas sempre lembrando das antigas =]
Ou, como afirmou brilhantemente o apocalíptico Adorno, "o salto para o futuro, passando por cima do presente, aterrisa no passado" (1996, p.42).

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Tropa de Elite


Há mais ou menos duas horas atrás, eu não sabia quase nada sobre o filme Tropa de Elite. Me recusei a ler qualquer coisa, ou então a assistir o filme nesse quase um ano depois do lançamento. Pois bem, há meia hora atrás, depois de os créditos darem o filme como acabado, Tropa de Elite estava, definitivamente, infiltrado em minhas veias. Não sabia o que era sentir tanta adrenalina correndo em meu sangue desde meu querido Poderoso Chefão. Sei que já é meio tarde pra falar sobre o filme; mas essa é minha espécie de catarse...Talvez eu não consiga "sepultar" esse arrepio que ainda me corre, e essa sensação de vermelho nos olhos, mas ao menos, não vou pedir pra sair sem mais nem menos...
Primeiro preciso confessar minha, sem fundamento e pedante, necessidade de cultura que não seja de massa (como se isso ainda fosse possível!). Muitas vezes eu me pego sendo uma discípula de Adorno, criticando a indústria cultural, sem notar que nossos tempos são outros, e que as discussões pedem outras visões...Em parte devo esse novo aprendizado ao mestrado (e a minha, sempre incrível, orientadora), a outra parte devo a vida, que está sempre me ensinando que o caminho nunca é linear...
Mas, voltando ao motivo deste post. O filme, enquanto cinema (que já é uma discussão meio caduca, mas vá lá), é muito bem feito. Os quesitos como fotografia e direção de arte foram primorosamente executados (se é que cabe essa palavra aqui) pela equipe de direção. Sem contar no roteiro, que é ótimo! Bem amarrado, sequenciado, bem escrito. E a citação ao mestre Foucault, e todo seu engendramento das microorganizações de poder (quem puder ler "Vigiar e Punir", leia! É lindo!). Só não gostei da qualidade do áudio, que, como na maioria dos filmes nacionais, peca.
Por falar em filmes nacionais, sempre tive outro "problema" com relação a eles; não gosto dessa necessidade de se afirmar a brasilidade, na qual a maioria das obras de nosso cinema envereda. Essa característica de estereotipar, de escancarar uma "possível realidade brasileira". E isso eu não vi em Tropa de Elite. Vi sim um recorte da realidade, muito bem ambientado, e muito bem trabalhado. Claro que há os palavrões (execrados por parte do público), característica mor de nossa sétima arte; mas dentro do universo de Tropa de Elite, acho que eles cabem, e não são usados como forma de agressão, mas como complemento da linguagem.
O que mais me fez laurear o filme foi a atuação de Wagner Moura. Tanto que, assim que entrei no msn, minha "frase de pára-choque" se tornou "Quando crescer, eu quero ser o Capitão Nascimento!". Com o perdão da palavra, mas PUTAQUEOPARIU! Há muito tempo que eu não via um personagem tão bem trabalhado, tão absurdamente próximo da realidade e ao mesmo tempo tão ficcional; tão genuíno, talvez essa seja a palavra. Os últimos atores que me fizeram sentir isso (essa dor correndo nas veias, essa violência fazendo parte de mim), foram os "padrinhos" Brando+Pacino+De Niro...
É um filme incrível! E agora sinto vontade de não ter levado um ano pra saber disso...Mas, acho que, talvez, há um ano atrás, eu não estivesse pronta. Talvez eu não pudesse ter "cumprido a missão" e tivesse "pedido pra sair". Enfim...Tropa de Elite ganhou uma fã tardia. E eu ganhei adrenalina suficiente pras próximas semanas...

PS: informações técnicas sobre o filme, gentilmente cedidas por http://www.adorocinema.com.br/filmes/tropa-de-elite/tropa-de-elite.asp

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A dois bruxos, com amor...













A um bruxo, com amor
(Carlos Drummond de Andrade)

"Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa
... a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar."

Uma pequena homenagem a dois grandes mestres: Drummond e Machado.
SALVE MAGISTERS!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A grandeza de um ano...

Hoje (1° de setembro de 2008) faz um ano que pisei pela primeira vez nas calçadas tortas de Curitiba. Há pouco, enquanto observava o pôr-do-sol, (que hoje está azul e rosa, calmo e melancólico como uma Bossa Nova) me lembrei daquele 1° de setembro, no qual a neblina e o frio me impediam de enxergar a próxima quadra. Pode parecer bobo, mas sinto como se o tempo destes dois dias indicassem meu estado de espírito. Naquele sábado eu chegava em Curitiba cheia de medos, de ansiedades, de rascunhos de sonhos. Meu futuro era como aquele céu, nublado, à espera de um novo dia.
Não posso negar que Curitiba City me recebeu de braços abertos. Apesar de seu ar frio, e da lenda das pessoas hostis, encontrei entre os paralelepípedos (além de muitas pedras) uma resposta no meio do caminho. Quando vim pra cá só pensava em mudar. Sabia que havia algo de errado em minha vida, e sabia que tinha que ir embora. Só não sabia o que estava errado, e nem como eu consertaria. E no fim das contas, depois do nevoeiro encontrei as respostas.
Depois de muito choro, de muita saudade, de muito "I want my mamy!", me sinto uma pessoa feliz. Feliz porque encontrei um caminho, porque consegui descobrir e consertar o que estava errado, porque consegui me encontrar comigo mesma.
Talvez eu tivesse encontrado todas as respostas no conforto da minha família (que é o que mais me faz falta, e, que no fundo, é o que mais me dá força); talvez eu não precisasse ter deixado grandes amigos pra trás; talvez eu não precisasse saber o que é solidão. Mas foram esses talvez que me fizeram crescer. Hoje, mais do que há um ano atrás, sei o que é crescer...
Claro que não fiz isso sozinha. Se não fosse a companhia do Thon e da Cacau. As ligações semanais de papai e mamãe e Gigi. As conversas no msn com os pedaços distantes. A insistência da Magali em me fazer sorrir. As cartas carinhosas recebidas, quando o Correio "gentilmente " não estava em greve. As viagens, mesmo que curtas, pra dar um abraço na família e reabastecer as forças. O sorriso da minha orientadora do mestrado. As conversas nerds e interessantíssimas com a galera do mestrado. Tudo isso foi essencial pra que eu crescesse, e para que hoje, um ano depois da chegada, eu possa dizer que não sou a mesma, que cresci e me sinto bem assim crescida.
Não foi fácil; e sei que o próximo ano também não será. Como sei que haverá mais perguntas e mais respostas pra procurar. Mas é assim que nos tornamos fortes. Como diria o genial Coringa (em Batman - O Cavaleiro das Trevas), "O que não nos mata ,nos torna mais estranhos". Naquele dia, há um ano atrás, quando eu via Campo Grande ficar pequena e distante, minha vontade de voltar era maior que a de continuar. Se não fosse a presença de meus pais, que vieram até aqui dar os primeiros passos comigo, numa cidade até então estranha, talvez eu não tivesse conseguido. E se não fosse sua presença constante, através de todos os meios de comunicação possíveis, talvez eu não tivesse caminhado tanto.
Mais uma vez tenho que citar Machado: "Vida é luta!Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal!", pois desde que cheguei aqui, esse pedaço de genialidade do Bruxo do Cosme Velho me acompanha e me protege de tentar desistir.
Ao som de Beatles termino essa divagação. Que talvez não tenha relevância pra quem lê, mas que reflete a alma de quem escreve.


Ps: Seu Gilberto e Dona Maria (e maninhas), se não fosse por vocês eu não teria e não seria nada. Obrigada! Amo vocês!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cigarro, evangelizações e tolerância zero...

"Arte de Fumar
Desconfia dos que não fumam:
esses não têm vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar"
Mário Quintana

E essa é uma maneira minha de dizer que tenho o direito a minhas próprias escolhas. Inclusive a de fumar. Tenho me irritado deveras com toda essa "caça às bruxas" que tem sido feita com os fumantes. É cartaz, é propaganda (que, aliás, é coisa do demo!), é gente falando, é lei contra, é político querendo "banir fumante", é um circo...Do qual eu não quero ser a palhaça...
As pessoas devem entender que, como cidadã, eu tenho meus direitos (assim como não nego meus deveres). E um dos meus direitos mais queridos é o tal do "ir e vir". Não quero ser tratada como uma "criminosa", como uma "marginal". Eu sou apenas uma viciada. E o pior! Numa "droga" lícita, pela qual eu pago impostos absurdos!
O governo (e os antitabagistas doinferno!) alega que o custo com a saúde pública destinado aos fumantes é muito grande! Ora bolas! O imposto que eu pago cobre umas três vezes esse custo! E isso contando só o imposto do cigarro, porque se for falar do resto, como vi uma vez na internet, "Mãos ao alto!Isso é um imposto!".
Quantos são os argumentos dos não-fumantes evangelizadores...a)"Fumar polui o ar": você anda de carro? Seu carro polui muito mais o ar do que minha carteira de cigarro! b)"Odeio fumaça de cigarro":eu faço o máximo possível pra ser uma "fumante educada"...Não fumo perto das pessoas ou em ambientes fechados. Não "solto fumaça" na cara das pessoas na rua. E se formos partir pro "eu odeio", eu odeio evangelização, seja ela de qual tipo for. Odeio poluição sonora. c)"Você está fazendo mal pra sua saúde": pois bem, é a MINHA saúde!E dela cuido (ou não) eu! Porque não vão fazer campanha contra o consumo de gordura?! Isso também faz mal pra saúde; é capaz de matar de infarto anos-luz mais rápido que o cigarro. d)"Você vai morrer cedo": e quem me garante que você não?!
É claro que a maioria destes "contrargumentos" são tolerância zero, mas não consigo imaginar outro modo de reagir quando as pessoas atacam a minha pessoa. "Eu falo isso porque quero o seu bem!". QUÁ! Se você quer o meu "bem" mental, então não fale...
Não faço apologia ao cigarro. Assim como procuro não fazer apologia a nada...Apenas defendo o meu direito de expressão. E minhas escolhas são uma forma de eu me reinventar. Não nego que já quis parar de fumar. Que já tentei e não consegui. "Ah!Mas você não teve força de vontade!" Força de vontade é a putaqueopariu! Além do vício químico (que te faz ter crises de abstinência, que não desejo pra ninguém! A não ser, talvez, pra quem diz que "só falta força de vontade!"), existe toda a construção de vida. Você já se imaginou se alguém dissesse pra você: "A partir de hoje você não anda mais de carro" (supondo que você faça isso todo dia, claro)?!E aí mermão?! Você ia ter que se destituir de parte de você; de hábitos; de hábitos ligados aos hábitos. Reinventar a você mesmo.
Isso também teria que me acontecer se eu parasse de fumar... Teria que me reinventar...E quer saber?!, eu não estou a fim de me reinventar agora. E aqui eu sei que virão milhares e nilhares de "argumentos evangelizadores". Façamos assim, eu fico com meu cigarro, e você com sua muleta escolhida...Afinal de contas, todos temos nossas "muletas", nossas "válvulas de escape"... E como sempre desejamos nos individuar, não generalizemos... O velho e bom "cada um com seu cada qual" é sempre bem vindo...

Agora se me dão licença...Vou ali fumar um cigarro e já volto =)


Robin Hood e desejos...

Era uma vez uma menina que não baixava nada da internet. Preferia o cd, o dvd, tudo ali, materializado em suas mãozinhas (nas quais não cabia o mundo). Eis que ela se transformou; deu lugar a uma menina que adora procurar raridades (novidades) na internet, e não se incomoda mais em baixar o seriado favorito que ainda não chegou no Brasil. Eu sou totalmente contra a pirataria. Aquela que burla as leis; que não paga imposto; que é o tal emprego com "jeitinho brasileiro". Essa pirataria pra mim não tem o glamour dos velhos piratas (e nem o charme do Johnny Deep). Já o download da internet eu vejo como um típico Robin Hood, que compartilha, que divide... É claro que o download na internet tem consequências na indústria da música e do cinema; mas quem gosta mesmo, jamais vai deixar de querer o "desejo materializado". E na guerra entre piratas e "robinhoods", eu fico com aquele que, mesmo com a fama de ladrão, queria mesmo é se divertir e divertir o próximo...

Post para o Tudo de Blog.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Um dia feliz...


Contrariando o tal do JotaQuest (que, por sinal, eu DE-TES-TO), um dia feliz não tem sido muito raro pelas bandas da minha vida...Desde o dia em que coloquei meus pezinhos no calor de CampomatoGrande, até hoje, a felicidade só tem aumentado; e espero que, ao mesnos desta vez, mestre Vinícius esteja errado, e que a minha felicidade não tenha fim...
Hoje, ao estar no meio de pessoas divertidíssimas discutindo História em Quadrinhos como se fosse a coisa mais importante do mundo (e é! ao menos no nosso mundo!), e de perceber o quanto tenho a agradecer (o que me lembra meu "discurso" de não mais reclamar da vida!), não pude tirar o sorriso do rosto... Em muitos momentos desta vidademeudeus achei que não iria chegar o dia em que eu estaria fazendo o que gosto, perto de pessoas que gosto e ganhando dinheiro pra isso...Pois é...E não é que esse dia chegou?! Estou estudando o que gosto, cercada de pessoas incríveis, que a cada dia que passa me surpreendem mais, e sem ter a necessidade de me matar de trabalhar...Não que eu não gostasse do tempo em que dava aula, e que, também, estava rodeada de pessoas incríveis...Essas pessoas ainda me acompanham, mesmo que na saudade...
Enfim...Essa semana foi linda (como diria Caetano, ou não), e sinto que ainda há muitas e melhores por vir... Lembro de um professor de Física que tive que sempre dizia que quando queremos uma coisa o universo conspira a nosso favor...É claro que não é tudo tão simples, como "pregam" os livros de auto-ajuda ( que falo, aliás, sem conhecimento de causa, já que nunca li um inteiro)...Não é só querer, e esperar na fila do "fast-dream"...Mas também não gosto do cinismo daqueles que acreditam que está tudo perdido e ficam espalhando sua cretinice de achar que só sua vida é difícil por aí...Talvez eu já tenha tido esses momentos (de cínica e cretina), mas resolvi que era muito cansativo viver me arrastando, com aquela cara de "ó céus, ó vida"...Assim como acho cansativo viver como Pollyana...O equilíbrio é sempre a melhor atitude...Afinal, a beleza é feita de harmonia...
Não estou rindo para o mundo, mas estou aqui, com esse sorriso de satisfação que teima em não me deixar... No fim das contas, como muito bem escreveu o velho e querido Machado (que há 100 anos nos deixou na saudade), "Vida é luta! Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal" (in: Memórias Póstumas de Brás Cubas). E é assim que há muito venho encarando a vida, como uma luta sem fim... Contra a maldade do próximo, contra a tristeza nossa, contra a vontade de desistir de lutar... Prefiro morrer como aqueles 300 de Esparta (Se você não viu o filme e nem leu os quadrinhos vá ver, pelamordedeus!), que mesmo contra todo o exército do mundo, morreram com o orgulho que só é inerente àquele que luta por si...
Enfim...Se você faz parte dos cretinos de que falei, o problema é seu! Você pode escolher entre aceitar aquilo que você mesmo fez (porque, no final, a vida é feita de escolhas, nossas escolhas, diga-se de passagem) ou fugir de si mesmo(a). Mas, como diria Virginia Woolf (sábia demente), "não se pode ter paz fugindo da vida"...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Aprendizados, saudades e férias...


E acabaram-se minhas férias... Foram lindas, e, como todo bom descanso que se preze, duraram menos do que eu gostaria... Não apenas pelo fato de ficar longe dos estudos (até porque eles me acompanharam, os safados), mas por poder me transportar pra um outro mundo, um mundo cheio de cores...
Há muito tempo eu não tinha férias escolares (afinal de contas, terminei a faculdade há alguns bons anos); e eu nunca havia tido ESSAS férias; de viajar, estar com a família, sentir a brisa batendo deitada na rede, comer "tranqueiras" o tempo todo... Posso dizer, com a mais absoluta certeza (se é que há algum absoluto nesta vida), que essas foram as melhores férias do mundo! Exceto por alguns "senões" (mas sempre haverão advérbios condicionais)... Provavelmente eu não saberia "eleger" o melhor momento...Porque, tirando a partida (na qual me senti aquelas adolescentes que estão indo embora do país; com a parte do choro e tudo), todos foram os melhores...
Já aprendi muita coisa nessa vida, e sei que ainda há uma imensidade do tamanho do número real do PI pra aprender, mas duas coisas foram essenciais nesses últimos tempos... I - Minha família é a melhor parte de mim. Engraçado que, quando adolescentes, tratamos a família como um erro na nossa vida, como algo a ser suportado... Hoje (alguns "poucos" anos passada minha aborrecência), descobri que papai+mamãe+irmãs não são um erro, mas o único acerto... São o único apoio que não tem data de validade. São a única risada sincera. São a personificação do amor incondicional. E passar esses 18 dias ao lado do "meu sangue" só me fez perceber que tudo isso é verdade...
Outra coisa que aprendi (na marra, eu assumo, já que sou brasileira) é a não reclamar mais da vida... Olhando pra mim, e pro meu redor, vejo que sou uma pessoa feliz. Que tenho tanto a agradecer (à deusa, ao deuss, aos meus pais,aos meus amigos), que seria uma atitude muito pífia da minha parte gastar meu tempo reclamando. Sim...Já passei por fases em que o céu estava sempre coberto por aquela nuvenzinha de desenho animado; e não!, não vou me tornar a Pollyana (se você não sabe quem é a Pollyana, pergunta pro Google!)... Só aprendi que há coisas mais importantes pra fazer do que reclamar... E que a nossa vida é um produto daquilo que fazemos (ou fizemos)...
Enfim...Não quero reclamar do fim das férias... Quero lembrar do quanto foi bom tê-las... E sei que essa saudade que me dói agora é por conta do quanto fui feliz... Saudade essa que se tornou minha amigavelhadeguerra... E novas férias hão de vir...Com mais aprendizados, e mais saudades...afinal, a saudade não é a ausência do que amamos, mas a presença de amor...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Férias!

Yeah!Estou de férias (desde 11/07, na verdade)!Por isso o sumiço da vida internética...
Semana que vem, depois de recarregadas as baterias e compradas algumas extras, volto aqui com as novidades e as velhidades...
o/

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amizade...


Muitas coisas se passam pela minha cabeça e pelo meu coração de gengibre neste momento... Agora sinto um misto de alívio (por ter terminado o artigo!), indignação (por ter terminado o artigo! e ele não ter ficado tão bom quanto deveria) e agradecimento... Desses milhares de sentimentos que se apossaram de mim, uma frase de uma amiga muito querida faz todo o sentido...

"Amizade não requer apenas presença de corpo; requer, principalmente, presença de espírito" (Luana Rodrigues)


E ela faz toda a diferença nesta madrugada fria, de 0 grau (não!você não leu errado! É ZERO GRAU mesmo!). Na qual eu não precisei de gelo pra que meu vinho ficasse gelado, e na qual eu não precisei de corpo pra me sentir abraçada pelo espírito que só os melhores amigos (DO MUNDO!) possuem.

Obrigada Aris. E se eu ainda não disse que te amo hoje...AMO VOCÊ!


It's all folks...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Godfather...


É estranha esta dificuldade que tenho de não conseguir falar de coisas que gosto demais... Nas resenhas de livros e filmes que faço, estão filmes que eu gosto, que acho bons (alguns não), mas não há nenhum que faça parte de mim... Sabe-se lá porque isso acontece. Mas...hoje vou quebrar a regra! Ou não. Até porque isso aqui não será uma resenha...Está mais pra uma "história de amor"...=) Enfim.

Provavelmente todos aqueles que passarem por este blog conhecem a Trilogia Godfather. Talvez nem todos tenham assistido os três filmes. Ou assistiram há algum tempo e não se lembram. O fato é que todos saberão da existência de Don Corleone.
A primeira vez que assisti O Poderoso Chefão eu devia ter uns 10 anos. E foi logo minha segunda paixão (porque a 1° foi o São Paulo, aos 8...). Me lembro de ficar horas divagando sobre os personagens do filme, e outras tantas horas sonhando em fazer parte de uma família de mafiosos. Mais especificamente em ser mulher de um Corleone. Pois é minha gente... Enquanto a maioria das meninas nesta época sonhava em ser bailarina e casar com um dos caras do Menudo, eu queria mesmo é ser da Máfia... Ou você achou que essa minha personalidade perturbada é recente?! Quá.
Este pra mim não é apenas um filme (ou no caso três), é uma lição de vida... E é impressionante que cada vez que assisto (e já foram muitas e muitas vezes) (só depois que comprei o box em 2006 foram pelo menos umas 4) rio, choro,me emociono, fico puta, nas mesmas cenas....Como se o fato de já tê-las visto não tirasse sua magia...
Hoje resolvi ter uma overdose de Godfather, e assisti os três (não que eu não tenha trabalho a fazer...mas sabe aquela velha história de um pouco de ócio criativo, pois então...). Quase me ajoelhei na presença de Don Vito, bati palmas pra fortaleza que se tornou o Michael, e sorri em todas as vezes que o Vicenzo entrava em cena. Sem contar na morte final (ps: se você nunca viu o filme, o problema é seu! Porque eu vou falar do filme todo, inclusive do final!), em que eu me acabo de chorar, como se fosse minha família. Como seu eu estivesse perdendo minha filha, como se Mary representasse a morte de um sonho...

É incrível também que toda vez que assisto (principlamente a Parte III), me dá uma vontade enorme de ir pra Itália. Passear pelas minha origens. E me dá saudades da minha família... Aquele bando de carcamano reunido no almoço de domingo, em volta de uma travessa de macarrão...Saudades...

Ah!E eu cheguei à conclusão de que meu "tipo de beleza" é todo by Poderoso Chefão... Daria meu reino agora por um "De Niro ano 1975 sem arranhões" (e se vier com o moicano do Taxi Driver, o reino aumenta!), ou então um "Andy Garcia ano 1990 cheio de atitude"... Até um "Al Pacino ano 1975" é considerável...Enfim...Tirando o Johny Deep (qualquer ano e com qualquer arranhão!), os homens que considero os mais bonitos no mundo (e os quais eu pediria a mão em casamento, mesmo sendo avessa a esse tipo de tortura) são do Poderoso Chefão. Eu sei, eu sei...O que é que você tem a ver com isso né (especialmente se for homem)? Sorry guys... Ao menos vocês já sabem se têm chances ou não (hauahuahauha).

Uma das lições que aprendi nessa obra prima (além de que, se bobear, a gente acaba indo dormir com os peixes xD) é de que família não é aquela ligada pelo sangue, mas sim a que é ligada pelo respeito e pela confiança. Por isso que muitos de meus amigos são muito mais minha família ( e teriam a vida protegida se eu fosse mafiosa) do que muitos tios de 7° grau... Ah...Aprendi também que "aquele que depende de pessoas, depende de sombras", tudo bem que é uma frase de um dos inimigos do clã Corleone (Don Luchesi, GodFather III), mas achei uma frase sensata e real...

Enfim...Se você nunca assistiu ao Poderoso Chefão, faça-me o favor de assistir assim que possível! Afinal de contas, The Godfather sempre saber retribuir um favor...=) Capisce?!


sábado, 14 de junho de 2008

Uma semana e tanto...


Essa semana foi um misto de tristeza+cansaço+alívio+alegria... Cansaço pelos milhões de livros do mestrado que tive que ler... Alívio pelo fim da matéria matadora de segunda-feira, que quase me enlouqueceu... E tristeza...bom, tristeza de saudades...de solidão...de perguntas sem resposta...

Não...Eu não tenho essas crises de "meudeushjédiadosnamoradoseeunãotenhoum!"...Porque se eu tivesse essas bobeiras, todos os anos seria a mesma lenga lenga...Afinal de contas, nunca tenho namorados em datas comerciais...E em datas não comerciais também...=) Mas isso é assunto pra outro post...

Tenho estado bastante cansada...e me faz muita falta sair com os amigos, sentar num buteco e falar amenidades... Me faz falta rir com meus amigos...Rir com meus pais...Abraçar a Gigi...Muita coisa anda me fazendo falta...Às vezes sinto falta de mim mesma...Chego a entrar em estado de "tristezamodeon", e não querer olhar o mundo ao meu redor...

Mas a vida é uma montanha russa eterna...Numa hora você está prestes a cair no choro, querendo desesperadamente um abraço, e na outra está sorrindo. Só sinto muita falta de ter abraços quando preciso, e alguém pra sorrir comigo...Mas enfim...

A semana também foi de alegrias...Alegria de ver Mr. Harrison Ford em plena forma no papel do querido Indiana Jones (sim!eu fui assistir o filme no cinema! E foi ótimo!). Alegria de ver meu São Paulo ganhar de 4x2 do Flamengo em pleno Maracanã. Alegria de falar ao telefone com meus pais. Alegria de aprender a usar o tal skype e ficar falando besteira full time com meus amigos de longe. Alegria de começar um novo projeto.Alegria de estar viva, e saber que não importa o tamanho da tristeza e nem o quê ou quem a causa, mas sempre haverá alegria o suficiente vinda de algum lugar de dentro de você que o fará ver que, apesar de tudo, e às vezes quase todos, a vida é bonita...

E agora eu preciso deixar todos esses sentimentos (sejam eles bons ou ruins) na tela, e voltar pros estudos. Porque não importa o quanto eu esteja alegre ou triste, o mestrado não me deixa sozinha...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mestres...


No último mês, não tive tempo pra pensar em mim... Passei, no mínimo 12 horas por dia com os olhos grudados nos livros. E as outras horas (em que poderia estar descansando, cozinhando, essas coisas que a gente faz de vez em quando) pensando na quantidade de livros que ainda restam ser lidos. Desde meu último ano do Ensino Médio ( bolsista de escola particular e pré-vestibulanda) que não estudava tanto, a ponto de achar que nunca mais iria fazer outra coisa da vida...Mas estou feliz....
O Mestrado é um mundo totalmente novo...Especialmente pra mim, formada em Letras e Mestranda em Tecnologia (todos os dias dou graças aos deuses pelos meus genes nerds...). Tenho que ler milhares de caras que nunca ouvi falar, e além de ter que entendê-los (o que eu acho é que nem os próprios se entediam...), tenho também que ter opinião crítica sobre tudo!Fazer Mestrado é como se aventurar em terras desconhecidas, lugares escondidos dentro de você mesma. Como um labirinto no qual se vai encontrando peças esquecidas. A cada dia que passa me sinto só mais uma tentando entender o que os outros descobriram antes de mim. Mas estou feliz...
Estou feliz porque faço parte de uma parcela ínfima diante da imensidão de analfabetos do mundo. Feliz porque posso estudar História em Quadrinhos (que é meu objeto de estudo), e me divertir com isso. Feliz porque minha orientadora é uma pessoa incrível, que emana luz cada vez que sorri. E mais feliz por ser motivo de orgulho pros meus pais, que sempre fizeram "dastripasocoração" (como diria minha mãe) pra me dar a melhor educação do mundo. Às vezes, eu só queria que eles soubessem que a melhor educação que recebi na vida, não foi nos bancos de qualquer escola...mas sim dentro de casa, cada vez que meus velhos sorriem e demonstram seu amor. E se, daqui a um ano e meio, eu vier a ser chamada de mestra, passo meu título para eles, Dona Maria e Seu Gilberto; porque eles sim são meus verdadeiros mestres...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

'Bora dar uma mãozinha pro planeta...


Pode parecer discurso de modinha, mas o assunto é sério... Embora toda essa história de meio ambiente+sustentabilidade+sacolas retornáveis esteja pipocando na mídia, não é de hoje que se tenta alertar as pessoas de que nosso mundinho está indo pro beleléu. Eu não sou a maaaaais ecológica do mundo, mas desde sempre procurei alternativas pra passar uma borracha nos erros que venho cometendo com o planeta. Esses dias estava borboleteando pela net, e encontrei essa matéria bem bacana sobre atitudes humanamente possíveis pra ajudar o meio ambiente, da repórter Carol Costa (que tem um blog no site da revista Bons Fluidos). O link vai logo aí abaixo, e também a lista feita por ela com 10 hábitos que podem ser mudados pra dar uma mão pro planeta.

Enfim, pode parecer uma chatice gente falando disso o tempo todo...Mas, assim como não custa nada reafirmar o discurso, também não é tão difícil fazer parte dele...


10 hábitos:

01. Tirar os aparelhos do stand by
02. Utilizar os dois lados do papel
03. Não pegar sacolas plásticas
04. Separar e reciclar o lixo
05. Usar produtos de limpeza biodegradáveis
06. Fazer uma composteira
07. Reutilizar água da máquina de lavar
08. Consumir menos
09. Não comer carne
10. Deixar o carro em casa
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...