sábado, 26 de janeiro de 2008

"Dinheiro na mão é vendaval..."



Não, dinheiro não compra felicidade...Mas compra meus livros, meus cds, meus filmes... Muita gente por aí despreza o conceito de que com o dinheiro podemos ser felizes sim, afinal de contas ele é o que paga nosso suor...
Não gosto desse estilo São Franscisco, que vive pregando que o consumismo nos leva pra longe do bem, do Senhor ou do que diabos quer que seja (mas lá no fundo sonha em ganhar na
MegaSena). Isso é hipocrisia! Todos nós gostamos de consumir. Quem não gosta de gastar dinheiro que atire o primeiro cartão de crédito! Mas o bom senso é sempre uma boa pedida. Eu não preciso de muita grana pra ser feliz, só o suficiente pra poder manter meus luxos (porque,
infelizmente, no Brasil, cultura é artigo de luxo)...

Como diria o sábio Paulinho da Viola, "dinheiro na mão e vendaval, dinheiro na mão é solução, e solidão"... A moeda tem dois lados, nós só precisamos escolher um que nos faça bem...

Especial para o TUDO DE BLOG
Pauta: Dinheiro compra felicidade?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Meus ombros já não suportam o mundo...


Hoje li na revista Época (de outubro de 2007) um artigo sobre a ligação entre raiva e problemas do coração. Dentre os vários exemplos, a revista tomava como principal o de uma mãe americana, que em princípio foi condenada à prisão perpétua pela morte de seus dois filhos. Após anos de processo, a pena foi revista e a mãe, justamente liberta, mas, depois de tudo o que passou durante esse tempo, ela se tornou fragilizada, talvez até menos humana, se pensarmos que humano é aquele capaz de racionalizar, e, nas palavras de seu próprio médico, "morreu por causa de um coração partido". Durante muito tempo, coração partido era sinônimo de poemas de amor, hoje é cognato de esgotamento, da correria, do medo, do atual bichodemuitascabeças que é o estresse. O mundo ficou tão grande, mas tão grande, que Drummmond já não pode nos dizer que nossos "ombros suportam o mundo", porque, infelizmente, ele já não pesa mais como a singela mão de uma criança. Isso me faz pensar o quanto Drummond conseguiu sentir o nosso futuro, quase como uma previsão. Ou será que isso que chamamos de futuro é apenas um frustrado alongamento de um passado? É difícil ver que já não se pode mais olhar o horizonte, a não ser pela tela do computador. Que já não se pode mais caminhar calmamente, a não ser em uma esteira dentro de casa. Que não se pode mais conjugar o verbo confiar com tanta frequência. Que a vida se tornou uma batalha. O engraçado, é que quando comecei a escrever esse texto, eu ia falar do quanto certas coisas me irritam, como pessoas que passam quase que toda sua (in)existência reclamando da vida e das outras pessoas, formando então um maldito círculo vicioso. Ia falar também sobre como esses rompantes de raiva, segundo os senhores médicos, são cruciais para fulminar ataques cardíacos. Como deveríamos ser mais pacientes. Respirar mais, falar menos. Sorrir mais, resmungar menos. Viver mais, morrer menos.Ia falar também que todo dia tento não ver o mundo ao meu redor, procurando dentro de mim um mundo só meu, mas tomando o máximo de cuidado pra não "cutucar" uma personalidade esquizofrênica que, por acaso, possa estar dormindo dentro de mim, aí, já viu. Ia falar também de situações cotidianas, que me fazem querer arrancar os cabelos. Mas, sem avisar, Drummond me segredou ao ouvido coisas maiores, e que me fizeram esquecer da mesquinhez da qual é feita essa vida de amarguras. Então parei pra pensar na notícia que li sobre uma menina de cinco anos (pasmem!) que foi violentada e estuprada; ou então das várias garotas que foram encarceradas na mesma cela que homens; ou no "incidente" da Fonte Nova. Porque diabos eles insistem em chamar de "incidente" sendo que aquilo foi uma puta duma tragédia causada, mais uma vez, pela total indiferença dos responsáveis pelos órgãos públicos, pois não direi mais que esses cidadãos que não merecem, sequer, que eu me retire da minha casa para dizer "não vou dar meu voto para ninguém", também não merecem que eu me refira a eles como pessoas que fazem política. Pois a boa e velha política está enterrada, junto com os velhos filósofos e a boa cultura. Mas enfim...Quase que me perco, nesse mar de sensações no qual mergulho toda vez que penso nisso. E este "nisso" quer dizer tudo o que se passa diante da minha janela, da sua tv, do nosso lado na rua. E ao pensar em tudo isso, minha implicância fica pequena, e já não fico mais aborrecida com as pessoas. Fico é tomada por uma tristeza sem tamanho, o que, talvez, não deixe de ser também um "coração partido". E só pra fazer jus àquele que esteve ao meu lado (ou que sempre está) enquanto meus dedos batiam os pregos de minhas idéias, vai o poema de Drummond do qual falei no 2° parágrafo:


Os ombros suportam o mundo (do livro Alguma Poesia)

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás
Ficaste sozinho, a luz apagou-se
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

"Quem tem medo de Virgínia Woolf?"




Quem tem medo de Virginia Woolf?
Direção: Mike Nichols


(Informações técnicas gentilmente cedidas por www.adorocinema.com)


A primeira vez que assisti "Quem tem medo de Virginia Woolf?", eu devia ter uns 13 anos, naqueles velhos Corujões, que vez ou outra nos brindavam com boas safras do cinema. Mesmo com a ingenuidade e ignorância características dessa idade, achei um ótimo filme, que talvez precisasse de cores, já que adolescentes vêem o mundo colorido. Hoje, 12 anos depois, já enxergando o mundo quase que numa escala esmaecida de cinza, continuo com a mesma opinião de que é um filme ótimo, mas desta vez as cores não fizeram diferença alguma.

Talvez porque os olhos de Ms. Taylor (como é chamada nos créditos) brilham de tal forma, mesmo que na película esmaecida, ou porque quando Martha e George discutem parece que todo o mundo, de repente, se torna vermelho, ou pelo brilhante roteiro, que consegue colocar cor em cada palavra que sai, ora gritada, ora sussurrada, da boca das personagens.Martha e George são um casal típico da época, e por que não, de todas as épocas. Ele, professor universitário, ela filha do dono da universidade (que aliás, de tal atual se assemelha à historieta da novelinha das 8!). Ambos paradoxais ao ponto de serem complementares. Martha, um poço de desmesuras, arrebatadora, desmedida. George, reflexo da calma e de uma certa indiferença com o mundo. Elizabeth Taylor é um absurdo em frente às câmeras. O que me trás certa nostalgia, de pensar que não há mais, exceto a boa e velha Meryl Streep, atrizes que sejam capazes de preencher completamente o espaço da tela, fazendo com que sintamos que elas estão ao nosso lado, nos contando tudo pessoalmente, como se estivéssemos tomando café juntas.

Ao passar por todas as transformações, Martha nos mostra como o ser humano é capaz de, em segundos, passar de bela a fera, ou de doce a amargo. Mesmo Martha sendo o que muitos críticos chamariam de antagonista, não há como se manter imune a ela, especialmente quando, ao resolver "virar o jogo", George lhe faz chorar. E essas lágrimas nos fazem esquecer todas as maldades que vimos durante todo o filme, como se representassem a queda da ilusão de uma vida toda.

Richard Burton é incrível. Tornou-se um dos atores dos quais quero assistir toda a filmografia. Ele consegue ser irônico sem o mínimo de esforço, como se tivesse nascido exatamente para isso. E é absurda a transformação pela qual seu personagem, George, passa. Como se, durante todo o filme estivéssemos diante de duas pessoas, e não apenas de um pobre marido humilhado pela esposa. Até porque George não aceita essa condição, ele refuta o fato de ter que, sempre, estar errado ou certo, e acaba por brincar com as verdades e mentiras da vida.

Gente!E que povo que bebe!Elaiá!Eles não largam aqueles copos e garrafas por nada neste mundo!Como se o álcool fosse ar, sem o qual eles não respirariam. É bom avisar, porque vai que algum ex-alcóolatra resolve assistir o filme e volta a encher a cara, depois diz que a culpa é minha. Porque ver o filme, e não se imaginar bebendo, ou beber de fato, é um verdadeiro martírio, assim como assistir Constantine, em que o maldito do Keanu Reeves não tira aquele cigarro da boca, e não ter vontade de fumar.

Enfim..."Quem tem medo de Virginia Woolf?" se tornou um de meus filmes favoritos. Não sei se pelo roteiro brilhante, que consegue explorar tão bem as minúcias do comportamento humano, fazendo com que a catarse, velho conceito de nosso mais velho ainda Aristóteles, nos tome conta de forma quase brutal. Ou se pela atuação de Taylor e Burton, que fazem com que nos sintamos próximos de toda a situação pela qual estão passando, como se fôssemos também convidados para sua reunião íntima.Imagino que a maioria daqueles que lerão esse pseudoartigoresenha já tenha visto o filme, ou ao menos jura que já viu, porque, reformulando o que disse Ítalo Calvino, ninguém nunca está "vendo" um clássico, as pessoas estão sempre "REvendo", o que me parece insensato, hoje, depois de pensar sobre as palavras do mestre italiano, e de sentir o peso do meu um quarto de século sobre minha cachola. Porque cada vez que assistimos um filme, é como se o estivéssemos vendo pela primeira vez, especialmente quando são bons filmes, daqueles que não é exclusivamente o final que nos importa, mas todos os detalhes, os personagens, o filme como um conjunto. A partir de hoje não REvejo mais filmes, eu os assisto, como se jamais os tivesse visto, cheia das surpresas de toda primeira vez. E que primeira vez esta com "Quem tem medo de Virginia Woolf?" hum...Ufa...Me sinto sem ar, de tão bom. E, embora seja infame, vocês vão me dar licença, porque, depois dessa, preciso de um cigarro...Au revoir...

Ora bolas!


Pensamentos aleatórios, vontade de mandar tudo à putaquepariu!, raiva do governo, do aquecimento global, da igreja católica, do cristo, vontade de chorar. Ora bolas! Aqui é o espaço, literal, pra meter a boca, e com vontade, que é mais gostoso!

Start me up


E pode botar o fonezinho do ouvido e bora falar de música! Por essas bandas do blog vou fazer um "apanhado" (que é mais legal que pseudosartigosresenhas) sobre o que ando ouvindo. Como sempre, uma mistura de novos e velhos, mais velhos do que novos eu confesso. Porque no que diz respeito a música e literatura gosto mais daqueles que, em sua grande maioria, já estão lá, queitinhos e desintegradinhos no túmulo...

Era uma vez...


Neste canto aqui, falarei sobre a minha arte maior, a que mais me é querida, talvez por estar presente em todas as outras: a Literatura. Há muito considerada a "arte da palavra", pra mim Literatura é a arte da vida, da apreensão desta de forma que ela seja repassada, por longos e longos tempos. Há quem diga que uma imagem valha mais do que mil palavras. Por mim pode até valer, mas ao menos as palavras são de graça! Brincadeiras a parte, quero falar de Literatura não como coisachata, que meus alunos diziam ser na escola. Mas como o que ela realmente é, a expressão de sua cultura, do povo pelo qual é produzida. Como uma verdadeira, ora mais refinada, ora mais desbocada, contação de histórias. Talvez aqui, que me é terreno mais conhecido, eu fale sobre alguma característica técnica, mas apenas como forma de ilustrar, sem nenhuma pretensão de ser articulista de jornal, apenas com a intenção de não deixar a escritora Patrícia morrer. E qualquer coisa, podem meter a boca, que eu deixo.

(Des)estrelando


Serão feitas análises, ou seriam resenhas? Ou artigos? Ou impressões? Enfim...Falarei sobre os filmes que assisto, ora novinhos em folha, ora tão amarelados quanto velhos pergaminhos, mas todos com sabor de novo. Não quero ser uma grande crítica de cinema, até porque isso faz com que a arte acabe perdendo a graça. Vou, graças ao inventor da liberdade de expressão (que pelo que andei sabendo anda sendo perseguida novamente hum!elaiá!), apenas dizer o que vejo, o que penso, o que sinto, quando fico em frente a uma tela. E vocês, se quiserem, compartilhem comigo do direito de expressão e metam a boca, dizendo o que acham.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Sobre nós.

Hoje, mais de um ano depois do início do Ainda MininaMá, me dei conta de que nunca tinha nos apresentado. No início, era apenas Patrícia Pirota, mas me senti muito sozinha sem meu eu-lírico mais querido, a MininaMá. E como dito no título, uma vez MininaMá, sempre MininaMá.

Quando criei o blog, o fiz na tentativa de dar um lugar pras minhas palavras passearem. Fiquei com dó das bichinhas, que viviam presas nos meus cadernos e na minha cachola.

No início, ele era quase todo feito de textos do Tudo de Blog, blog da revista Capricho, do qual participo há 3 anos. O TDB me ajudou muito a entender como escrever em um blog; e o principal, como escrever muito em poucas palavras. Além disso, também me trouxe leitoras, e me fez ver que eu não precisava escrever pro outro e me esquecer de mim, mas sim escrever pra mim lembrando do outro.

Com o passar do tempo fui desenvolvendo um jeito de escrever meu, sempre falando sobre tudo, sempre falando sobre o meu mundo.

E então foi chegando mais gente, e a prosa foi ficando mais gostosa, porque passei a conversar com as pessoas, ao invés de conversar com a tela. E como eu gosto de conhecer todas essas pessoas que passam pela minha sala.

No fundo, sei que meus leitores/amigos são a razão de ser do Ainda MininaMá. Porque não saberia mais escrever só pra mim, só pra posteridade. Preciso, e como preciso, dos olhos inteligentes que passeiam por minhas linhas; que completam meus espaços; que colorem os meus brancos.

Hoje, depois de 1 ano e meio, o blog é um samba do crioulo doido. Tem de tudo, quase como aqueles bulichos do interior, em que a gente encontra desde maria-mole com balão até fumo de rolo. E por que ele tem de tudo? Porque eu não saberia escolher só um aspecto da minha vida pra decorar minha sala. Não sou do tipo que escolhe só uma cor de almofada. Preciso de todas.

Na barra lateral, em DA SÉRIE, dá pra ver que aqui você vai encontrar de tudo. E se não encontrar, trás pra cá sua opinião, sua contribuição, seu pitaco. Porque esse não é um blog de uma pessoa só. É uma sala daquelas de mãe, no almoço de domingo, que cabe todo mundo, e onde qualquer pessoa com um sorriso no rosto é bem-vinda!

Eu tenho o costume de trocar as coisas de lugar, então, não estranhe a constante mudança do cafofo.

Por falar em "eu"... Eu sou a Patrícia Pirota. Nasci há quase 27 anos, lá em Dourados, cidade do interiorrrr de Mato Grosso do Sul. Mas foi em Campo Grande, a capital, que cresci. Lá me formei em Letras, pela UFMS, e fui professora por 8 anos. Também fui produtora cultural, jogadora de futebol, atriz e cantora. Só não aprendi a assoviar e chupar cana ao mesmo tempo...

Já viajei muito por esse país, e acabei parando em Curitiba. Hoje sou mestranda/bolsista da CAPES do Mestrado em Tecnologia da UTFPR. Estudo Literatura e História em Quadrinhos. E a cada dia me divirto e aprendo mais.

Moro sozinha. Na verdade, moro com as minhas plantas, que já formam um time de futebol. [tenho 12 tipos de almas verdes espalhadas pela casa] Saí da casa dos pais em setembro de 2007, e desde então tenho aprendido e sofrido muito. Já dei muita risada de mim mesma. Já chorei horrores. Mas o mais importante é que vivi e continuo vivendo muito, na esperança de deixar minha assinatura nesse mundo.

Do que eu mais gosto? De prosear. Tomar aquele café fresquinho, acender meu MarlboroVermelhoMaço, e prosear sem tempo pra acabar.

Por falar em prosear, deixa eu ir ali passar um café. Enquanto isso, sente aí na rede e fique à vontade.


Ah! Essa aí de cima sou eu! E se quiser conhecer a nossa sala, é só dar uma olhadinha nesse post AQUI.
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