sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

"Quem tem medo de Virgínia Woolf?"




Quem tem medo de Virginia Woolf?
Direção: Mike Nichols


(Informações técnicas gentilmente cedidas por www.adorocinema.com)


A primeira vez que assisti "Quem tem medo de Virginia Woolf?", eu devia ter uns 13 anos, naqueles velhos Corujões, que vez ou outra nos brindavam com boas safras do cinema. Mesmo com a ingenuidade e ignorância características dessa idade, achei um ótimo filme, que talvez precisasse de cores, já que adolescentes vêem o mundo colorido. Hoje, 12 anos depois, já enxergando o mundo quase que numa escala esmaecida de cinza, continuo com a mesma opinião de que é um filme ótimo, mas desta vez as cores não fizeram diferença alguma.

Talvez porque os olhos de Ms. Taylor (como é chamada nos créditos) brilham de tal forma, mesmo que na película esmaecida, ou porque quando Martha e George discutem parece que todo o mundo, de repente, se torna vermelho, ou pelo brilhante roteiro, que consegue colocar cor em cada palavra que sai, ora gritada, ora sussurrada, da boca das personagens.Martha e George são um casal típico da época, e por que não, de todas as épocas. Ele, professor universitário, ela filha do dono da universidade (que aliás, de tal atual se assemelha à historieta da novelinha das 8!). Ambos paradoxais ao ponto de serem complementares. Martha, um poço de desmesuras, arrebatadora, desmedida. George, reflexo da calma e de uma certa indiferença com o mundo. Elizabeth Taylor é um absurdo em frente às câmeras. O que me trás certa nostalgia, de pensar que não há mais, exceto a boa e velha Meryl Streep, atrizes que sejam capazes de preencher completamente o espaço da tela, fazendo com que sintamos que elas estão ao nosso lado, nos contando tudo pessoalmente, como se estivéssemos tomando café juntas.

Ao passar por todas as transformações, Martha nos mostra como o ser humano é capaz de, em segundos, passar de bela a fera, ou de doce a amargo. Mesmo Martha sendo o que muitos críticos chamariam de antagonista, não há como se manter imune a ela, especialmente quando, ao resolver "virar o jogo", George lhe faz chorar. E essas lágrimas nos fazem esquecer todas as maldades que vimos durante todo o filme, como se representassem a queda da ilusão de uma vida toda.

Richard Burton é incrível. Tornou-se um dos atores dos quais quero assistir toda a filmografia. Ele consegue ser irônico sem o mínimo de esforço, como se tivesse nascido exatamente para isso. E é absurda a transformação pela qual seu personagem, George, passa. Como se, durante todo o filme estivéssemos diante de duas pessoas, e não apenas de um pobre marido humilhado pela esposa. Até porque George não aceita essa condição, ele refuta o fato de ter que, sempre, estar errado ou certo, e acaba por brincar com as verdades e mentiras da vida.

Gente!E que povo que bebe!Elaiá!Eles não largam aqueles copos e garrafas por nada neste mundo!Como se o álcool fosse ar, sem o qual eles não respirariam. É bom avisar, porque vai que algum ex-alcóolatra resolve assistir o filme e volta a encher a cara, depois diz que a culpa é minha. Porque ver o filme, e não se imaginar bebendo, ou beber de fato, é um verdadeiro martírio, assim como assistir Constantine, em que o maldito do Keanu Reeves não tira aquele cigarro da boca, e não ter vontade de fumar.

Enfim..."Quem tem medo de Virginia Woolf?" se tornou um de meus filmes favoritos. Não sei se pelo roteiro brilhante, que consegue explorar tão bem as minúcias do comportamento humano, fazendo com que a catarse, velho conceito de nosso mais velho ainda Aristóteles, nos tome conta de forma quase brutal. Ou se pela atuação de Taylor e Burton, que fazem com que nos sintamos próximos de toda a situação pela qual estão passando, como se fôssemos também convidados para sua reunião íntima.Imagino que a maioria daqueles que lerão esse pseudoartigoresenha já tenha visto o filme, ou ao menos jura que já viu, porque, reformulando o que disse Ítalo Calvino, ninguém nunca está "vendo" um clássico, as pessoas estão sempre "REvendo", o que me parece insensato, hoje, depois de pensar sobre as palavras do mestre italiano, e de sentir o peso do meu um quarto de século sobre minha cachola. Porque cada vez que assistimos um filme, é como se o estivéssemos vendo pela primeira vez, especialmente quando são bons filmes, daqueles que não é exclusivamente o final que nos importa, mas todos os detalhes, os personagens, o filme como um conjunto. A partir de hoje não REvejo mais filmes, eu os assisto, como se jamais os tivesse visto, cheia das surpresas de toda primeira vez. E que primeira vez esta com "Quem tem medo de Virginia Woolf?" hum...Ufa...Me sinto sem ar, de tão bom. E, embora seja infame, vocês vão me dar licença, porque, depois dessa, preciso de um cigarro...Au revoir...

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