domingo, 23 de março de 2008

Patrícia (Caetano Veloso)


Patrícia
Caetano Veloso


"Quero, quero ser chamada de querida
Quero, quero esquecer o dissabor
Sonho, sonho com as venturas desta vida
Sonho, sonho com as delícias do amor
Falam que eu sou bela Patrícia
Sempre a despertar loucas paixões
Dizem que meus olhos quando olham têm também malícia
Que com meu sorriso provocante eu conquisto os corações
Mas bem sei que sou triste Patrícia
Com a alma cheia de amargor
Pois ainda estou a esperar de alguém, sincero amor"

sábado, 22 de março de 2008

Longe de nossos pais...

Imagine que um dia você acorda e não está mais em sua cama. Olha para o lado e não vê a boba da sua irmã. Volta sua cabeça para o teto e não vê as estrelinhas que brilham no escuro, que deram um trabalho do inferno para serem colocadas. Você levanta e vê que sua mãe não está lavando roupa, ou reclamando da bagunça do quarto. Aliás, você percebe que não há mais quarto, e que seu pai não está mais deitado no sofá, até porque não há mais sofá. Não!Isso não é um pesadelo, ou então parte de um filme daqueles em que as pessoas trocam de identidade. Isso é o primeiro dia de uma nova vida, longe das asas da família.
Engraçado... Quando eu era mais nova (numa época nem tão distante assim), vivia imaginando como seria bom ter uma casa só minha, ter “independência” (sonho de todo aborrecente do início dos anos 90), arrumar as coisas do jeito que eu queria. Casar não estava nos meus planos, tampouco comprar uma bicicleta, porque detesto aquilo, mas morar sozinha sempre esteve...
Hoje estou olhando pra uma sala só minha, de uma janela só minha, e com uma solidão que é só minha também. Parece que ainda vejo o rostinho da minha irmã rindo da minha cara de boba. Ou então ouço as risadas italianas escandalosas de meu pai. Ou sinto o olhar de “aiaiai, o que é que essa menina vai fazer agora?!” da minha mãe. Mesmo tão longe, eles ainda estão aqui, bem pertinho.
Eu sei que a gente vive tentando disfarçar o amor, principalmente pela família, como se fosse proibido, ou fizesse com que a gente fosse menos interessante, menos “cool”. Sabe-se lá quem foi o idiota que começou tudo isso. Mas o fez muito mal feito. Não fique você aí, sentado nessa cadeirinha que seu pai comprou, pensando que é muito fácil viver longe de nossos pais. E não falo da parte de lavar, passar e cozinhar não! Isso dá pra tirar de letra! Eu falo é do vazio, da saudade, da vontade de dizer tudo o que nunca se teve coragem, porque sim! Nós somos covardes! E vivemos querendo esconder o que carregamos na alma!
Mas... Agora eu tenho que ir. Vou ter de deixar a saudade escondidinha aqui no canto, porque a roupa me chama, e, assim como minha mãe, ela não sossega enquanto não faço o que ela quer...

Patrícia Pirota set./07

Admirável mundo novo


Confesso que não sou A MAIS viciada em internet. Não sou do tipo que passa todas as suas horas livres (e aquelas que, supostamente, não deveriam ser livres) em frente do monitor. Sim! Eu aproveito todos os recursos bacanas que ela oferece, mas sem esquecer do mundo real. Tenho e-mail e msn, mas não abro mão de trocar longas cartas com meus amigos. Tenho fotolog, mas adoro meus porta-retratos na cabeceira da cama. Tenho blogs, mas sempre carrego na bolsa meu caderninho de escrivinhações. Pesquiso o mundo no Google, mas sempre que posso vou passear na biblioteca.
É claro que a Dona Internet deixa a vida mais rápida e fácil, mas às vezes prefiro o "slow mode". Se ela acabasse amanhã, eu não estaria no time dos surtados, sentados em frente do pc, rezando pra que tudo seja apenas um pesadelo. Eu estaria sentada lá no boteco, jogando conversa fora e dicutindo as idéias do papel impresso,isso sim!
Um mundo sem internet...Esse sim seria um admirável mundo novo...

Texto especialmente escrito para o Tudo de Blog (Capricho)
Pauta: Como seria o mundo sem internet?
Publicado na Capricho ed.1042 =)

Planeta Terror (Robert Rodriguez)




Trash! Essa talvez seja a palavra que melhor define o filme "Planeta Terror", com direção e roteiro assinados por Robert Rodriguez. Mas não é um trash de "filmemalfeitoprachocarocinema", ah não! É um trash plasticamente bonito (se isso é possível? Claro que é! Vide Cães de Aluguel). Talvez eu seja um pouco suspeita pra falar de um filme com "os dedos" do Tarantino, mas o filme é realmente muito bom!


O roteiro foi muito bem escrito, com uma linha de (des)continuidade na medida certa. Com falas sarcásticas e irônicas jorrando da boca de todos os personagens, assim como o sangue. Não é nem um pouco "politicamente correto", mas que se dane! Já existem milhares de filmes "pénosacopoliticamentecorretos" por aí.


A produção do filme é impecável, feita pela dupla Rodriguez+Tarantino. Os efeitos de edição são ótimos, fazendo com que o filme pareça um rolo de filme antigo, como as velhas sessões de cinema noir nas saudaosas Grindhouses americanas. E a trilha sonora, criada pelo próprio Robert Rodriguez , é muito boa.


O casal de anti heróis da trama é ótimo! Cherry ( Rose McGowan ) é agressivamente bela. E El Wray ( Freddy Rodríguez ) é uma delícia! Ele transpira o velho charme insubordinado dos bons maus mocinhos. (Sorry meninos! Mas eu sou mulher, e não posso deixar de tecer esse tipo de comentário).


Confesso que tive vontade de vomitar umas três vezes, porque o filme tem umas cenas REALMENTE nojentas! Maaaas, são ossos do ofício. Não se pode ver um filme de morte+sangue+destruição em massa sem correr o risco de ficar um pouco enojado com umas duas ou três cenas de vísceras em decomposição.


Planeta Terror não é um filme filosófico, que tem a intenção de questionar os conceitos humanos. E é ótimo que não seja, porque do contrário, seria tão chato como uma produção hollywoodiana sobre guerras (vide Pearl Harbor e toda aquela encheção de saco humanista). Se você quiser, pode até pensar que é uma demonstração do que pode acontecer com a humanidade depois do combo poder+armas químicas, mas, por essa ótica, o filme não tem graça.Tampouco pela ótica do "rebeldesquerendochocaroparaísodamoralidade edosbonscostumes", porque é clichê demais!


A melhor ótica é a do entretenimento sem pudor, no qual um litro de sangue derramado não significa a morte humana, mas a morte da convencioinal crença de que a vida é um conto de fadas colorido. No caso de Planeta Terror, a vida é toda colorida de vermelho, que para Kielowski representa a fraternidade, e para Robert Rodriguez é só a diversão de transpassar o rotineiro preto e branco do cinema.




Informações técnicas gentilmente "cedidas" por www.adorocinema.com
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