domingo, 12 de outubro de 2008

Perdões e esquecimentos

Não acredito em perdões. Muitos acham que todas as pessoas do mundo merecem ser perdoadas. Eu não. Se você gosta de alguém não há porque lhe fazer o mal. É um princípio tão simples, tão bonito. Aprendi desde cedo a não fazer aos outros o que eu não gostaria que fizessem comigo. E sempre esperei que os outros agissem da mesma forma. Hoje, depois de alguns bons anos aprendendo o quão diferentes são as pessoas, sei que por muitas vezes erramos, e que devemos assumir nossos erros sim. Mas isso não quer dizer que o próximo deva sempre “passar a mão em nossa cabeça”; até porque seria hipocrisia por demais dizer que, depois de todo choro e toda raiva, tudo passou, como uma tempestade que se transforma em arco-íris. Acho que o que não tem perdão acaba sendo esquecido. Mas esquecer não é perdoar. Na maioria das vezes, apenas deixamos que a dor caia no esquecimento, para que nosso coração não endureça, e para que a vida não seja uma lista sem fim de perdões...

Post para o Tudo de Blog [pauta: Perdão tem Limite?]

sábado, 11 de outubro de 2008

E lá se foi mais uma volta em torno do sol...

"A gente não faz aniversários. Os aniversários é que vão fazendo a gente. E depois, lentamente, desfazendo. [...] Até uma certa idade se faz festa por um ano a mais, depois de uma certa idade se faz festa por um ano a menos, mas aí a festa é pra disfarçar." (Luis Fernando Veríssimo) (Gloss out/08)

Dez de outubro de 1982. Dourados-MS. 6:20h da manhã. Foi quando dei meu primeiro grito e senti pela primeira vez o vento batendo em meu rosto. Hoje, 26 anos e muitos gritos e ventos depois, parece que a vida já não é mais a mesma. Parece que a cada dia em que abro meus olhos, o sol (que aqui em Curitiba city tem sido cada vez mais raro) já não é o mesmo. O ar já não é o mesmo. Eu já não sou a mesma. Somos todos frutos de nossos dias. Aniversariamos todos os dias em que deixamos o ar entrar em nossos pulmões (o meu, pobrezinho, cada dia mais castigado). Sexta-feira completei 26 anos. Não fiz festa, com bolo e chapeuzinho e amigos. Não abri presentes. Não cantei parabéns. Vivi mais um dia normal (ou ao menos o mais normal possível). Fui ao cinema, ver Mr. De Niro e Mr. Al Pacino na mesma tela. Fui a um buteco pé sujo encher a cara e jogar sinuca. Fiquei relembrando a vida losernerdmodeon com Aris. E assim celebrei mais uma volta completa de minha alma em torno do sol.
Senti falta de abraços amigos. Senti falta da cara da mãe me observando e pensando "foi daqui de dentro que isso saiu". Senti falta do pai me chamando de velha. Senti falta do sorriso da Gi. Senti faltas que não podem ser mais preenchidas. Mas ao mesmo tempo vi que a gente vai preenchendo como dá. De que adianta não olhar pro lado e ver que sempre há o que aprender, e do que sorrir...
Ainda não senti o "peso da idade"...Talvez porque ela vá se estilhaçando ao longo dos dias... A cada segundo eu vou aniversariando e celebrando o fato de poder abrir os olhos e enxergar além das janelas...
Foi sim, um feliz aniversário... E espero que os fragmentos de aniversário também sejam felizes. Afinal de contas, estar viva já me é o melhor presente de todos...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vida é luta!

Lembro de um professor de Física que sempre dizia que quando queremos uma coisa o universo conspira a nosso favor...É claro que não é tudo tão simples, como "pregam" os livros de auto-ajuda (que falo, aliás, sem conhecimento de causa, já que nunca li um inteiro)... Sei que não é só querer, e esperar na fila do "fast-dream", e pronto, já vem tudo acompanhado de fritas... Mas também não gosto do cinismo daqueles que acreditam que está tudo perdido e ficam espalhando por aí sua cretinice de achar que só sua vida é difícil., e que só sua cabeça que tem problemas. Talvez eu já tenha tido esses momentos (de cínica e cretina) (aliás, acho que todo ser humano tem esses momentos vez ou outra), mas resolvi que era muito cansativo viver me arrastando, com aquela eterna cara de "ó céus, ó vida"... Assim como acho cansativo viver como Pollyana... O equilíbrio é sempre a melhor atitude...Afinal, a beleza é feita de harmonia...
No fim das contas, como muito bem escreveu o velho e querido Machado (que há 100 anos nos deixou na saudade), "Vida é luta! Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal" (in: Memórias Póstumas de Brás Cubas). E é assim que há muito venho encarando a vida, como uma luta sem fim... Contra a maldade do próximo, contra a tristeza nossa de cada dia, contra a vontade de desistir de lutar... Prefiro morrer como aqueles 300 de Esparta, que mesmo contra todo o exército do mundo, morreram com o orgulho que só é inerente àquele que luta por si...
Enfim...Se você faz parte dos cretinos de que falei, o problema é seu! Você pode escolher entre aceitar aquilo que você mesmo fez (porque, queiramos ou não, a vida é feita de escolhas, nossas próprias escolhas, diga-se de passagem) ou fugir de si mesmo. Mas, como diria Virginia Woolf (sábia demente), "não se pode ter paz fugindo da vida"...

Texto postado para o Tudo de Blog [pauta:viciados em drama]
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