quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Há uma tempestade lá fora, e você nem olha pela janela...

Meus queridos. Este post é pra atualizar as informações sobre a Campanha de Solidariedade em prol de Santa Catarina. Peço, mais uma vez, e quantas forem necessárias, que todos os leitores desse blog possam colaborar também. Divulguem em seus blogs. Façam suas doações. Porque sim, é muito bonito viver discursando a respeito da "paz mundial" e do quanto você gostaria de ajudar o mundo, ou sobre quanto você sente muito que há pessoas sofrendo na África. Mas, não é nada honesto que, diante da tempestade que abate os catarinenses, nós fiquemos no conforto de nossos computadores e não olhemos pela janela.
Quem for de Curitiba, além dos postos nos Corpos de Bombeiros, pode fazer sua doação na UTFPR. [amanhã mesmo vou lá levar a minha]. Nas entradas da universidade há caixas disponíveis. E se você souber de mais algum lugar, por favor, poste aqui.
'Bora deixar de demagogia barata e arregaçar as mangas de verdade!
Abaixo uma imagem retirada do Blog do Avaí [bem vindos à 1° divisão!], com mais informações.




Uma pequeno gesto de solidariedade o/

Hoje li nos blogs de Daniel Perrone e Alexandre Inagaki a respeito do que está acontecendo em Santa Catarina, e as formas pelas quais podemos ajudar (ao menos um pouco) a amenizar a grande perda do povo catarinense. Eu me sinto muito impotente diante de situações como essa. Além de parecer ter levado um soco no estômago, me sinto consternada pelas pessoas que estão vivendo momentos pelos quais eu nunca gostaria de passar. Peço licença aos blogueiros para pegar emprestados o texto de Tainha, as informações do Perrone e a imagem de Alexandre para fazer minha parte também.

"Santa Catarina sofre neste momento com uma de suas piores catástrofes naturais de todos os tempos. As chuvas intensas que castigaram o Estado nos últimos dias provocaram tragédias em diversos municípios provocando até o momento 84 mortes e aproximadamente 54 mil desabrigados de acordo com as últimas estatísticas. O momento é de união, independente de religião, classe social, raça ou mesmo paixão futebolística. As pessoas atingidas pelos estragos causados em decorrência das fortes chuvas assolam o Estado carecem de nossa ajuda, e é neste momento que devemos acreditar na solidariedade entre os brasileiros. Somos todos os irmãos, e como uma grande família, devemos nos ajudar. A Defesa Civil de Santa Catarina abriu duas contas bancárias para receber doações em dinheiro para ajudar as vítimas. É o único modo de quem está distante de ajudar. Quem for ajudar pode dor dinheiro, fazer doação de roupa, comida, colchão, cobertores e etc."

Abaixo os locais e formas de colaborar com esta causa:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta corrente 80.000-7

Besc
Agência 068-0
Conta Corrente 80.000-0.

Segue a lista dos locais de arrecadações:

Em Florianópolis:

Assembléia Legislativa de Santa Catarina
Centro Cívico - Centro

Procon Municipal de Florianópolis
Rua Deodoro, 209 - Centro

Portal Turístico de Florianópolis
Cabeceira continental das ponte Pedro Ivo Campos

Hall da Reitoria da UFSC
Campus Universitário da UFSC - Trindade

Centro de Cultura e Eventos da UFSC
Campus Universitário da UFSC - Trindade

Escola Básica Municipal Osmar Cunha
Travessa Virgílio Várzea - Canasvieiras

Centro Comunitário do Rio Tavares
SC-406, próximo ao Trevo do Campeche - Rio Tavares

Paraná:

As doações pessoais podem ser feitas nos quartéis do Corpo de Bombeiros e para as doações de grande porte deve-se entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 199.

Espero que aqueles que lerem possam colaboram também. Seja em forma de doações ou na divulgação através do blog. E, apesar de saber que não poderemos apagar a dor daqueles que estão sofrendo, ao menos estaremos ajudando a torná-la menos insuportável...

Ajude você também!



terça-feira, 25 de novembro de 2008

Futebol e brasileiros...

Eu estava decidida a ir dormir e encerrar minha segunda-feira. Mas ao ler alguns fóruns de discussão e blogs, não me contive. As palavras ficaram nas pontas dos dedos loucas pra ganharem o mundo. E cá estou eu.
Há pessoas que detestam futebol. Algumas com argumentos plausíveis e bem fundamentados; outras, pela simples arte de odiar; outras ainda pelo trauma de serem sempre as últimas a serem escolhidas pros times da escola. Eu amo futebol. Mas essa não é bem a discussão que queria fazer aqui. Quem me conhece sabe que sou são paulina fervorosa. Inclusive, já escrevi posts sobre meu relacionamento com o São Paulo. Sou tão apaixonada pelo time, que, como bem reparado por um colega, já não falo mais "o São Paulo ganhou, ou o São Paulo perdeu"; mas sim "nós ganhamos ou nós perdemos". Como se fôssemos indissociáveis.
Nos últimos 3 meses, o SPFC passou alvo de chacota por parte dos adversários, a líder do Campeonato Brasileiro. Há 3 meses não perdemos uma partida. Há 3 meses os torcedores que estavam tristes e cabisbaixos, tem ao menos um motivo pra sorrir na segunda. Há 3 meses os jogadores e o Muricy buscam forças diárias pra se superar cada vez mais.
Só que, desde que o São Paulo ultrapassou o Grêmio e se estabilizou na liderança, as "teorias da conspiração" começaram. Primeiro com a matéria maldosa e parcial da Sra. Globo a respeito dos erros da arbitragem no Campeonato Brasileiro; depois com a matéria ridícula sobre as previsões de tarólogos e pais de santo sobre o final do campeonato [Sim! Botaram deus na roda!]. E advinhem quem sempre sai perdendo nessa visão míope?! Pois é exatamente aquele que todos acreditam estar sendo beneficiado.
Sim!!! O São Paulo é sempre beneficiado! Beneficiado pelo ótimo técnico, beneficiado pela melhor estrutura de clubes do país, beneficiado pela força e garra dos jogadores, beneficiado pela torcida. Olhando por esse ângulo, sim, o São Paulo é o mais beneficiado dentre todos os outros times do campeonato. Quanto ao "favorecimento" da arbitragem, as pessoas que disseram que não houve falta no 1° gol do São Paulo contra o Vasco, são as mesmas que disseram que no jogo contra o Figueira, o Borges estava impedido no último gol. Ou seja, pessoas que ou não entendem de futebol, ou não tem argumentos, ou gostam mesmo é de cornetar.
E o que me irrita profundamente, é você ver que todo o trabalho feito pelo São Paulo [de oferecer estrutura, de fazer um bom planejamento] é esquecido e distorcido pela falta de argumentos e pela apelação. O São Paulo pode não ter o time mais brilhante do país, mas assim como um empresa, sabe como administrar as peças que tem. Só que a maioria dos outros perdedores [ops! torcedores] não entende que é esse diferencial que faz com que estejamos no topo do Brasileirão 08 [e fez com que ganhássemos os 2 campeonatos anteriores]. Não! Para eles, somos os bambis que só estão onde estão, porque gastamos muito dinheiro comprando a arbitragem. Para eles, devemos morrer e sermos expulsos do campeonato do ano que vem [ou, como sugestão de um róseo, "o São Paulo deveria começar com -15". Quá!].
O único problema é que brasileiros não são assim apenas quando se trata de futebol. Em nosso país, não se reconhece as boas qualidades que o próximo possui; mas se procura encontrar, mesmo que em falácias, motivos para não reconhecer que essas qualidades são frutos de esforço e trabalho. Essas são as mesmas pessoas que acham justo criar cotas para mascarar nosso pífio sistema educacional; são as mesmas que defendem as bolsas-auxilio, pra disfarçar a incompetência de nossos governantes; as mesmas que afirmam não terem conseguido um emprego melhor pois foram desfavorecidos pelo sistema. São as pessoa que, ao invés de lavar a sujeira, passam um paninho com Veja na consciência e sentem-se limpos.
E a esse tipo de pessoa, minha única resposta e atitude é o silêncio. É claro que a galhofa faz parte do bom futebol. Claro que se pode [e deve!] zoar os adversários. Senão, qual seria a graça da Segunda Divisão? No entanto, deve-se entender que galhofa não quer dizer falta de discernimento.
Ao contrário de alguns torcedores, ainda não nos considero campeões. Estou inquieta esperando o jogo de domingo, para então poder gritar, a plenos pulmões, "é campeão!" [Hexacampeão, aliás!]. Mas não quero gritar nos ouvidos alheios. Até porque essa será uma conquista nossa, e não dos adversários. Será uma conquista de trabalho e suor, e não de disfarces e declarações maldosas.
E acredito que é assim que os brasileiros deveriam se sentir ao conseguir um emprego, uma vaga na universidade, ou o suado salário no fim do mês: como uma conquista de seu próprio suor e trabalho, e não como resultado do (des)favorecimento de outrem...

Enfim... Desabafo feito. Ao som de Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa.


domingo, 23 de novembro de 2008

Selo Presentinho...


Este post é pra agradecer e compartilhar... Primeiro agradecer a fofura da Tatah Santini que me presenteou com esse selinho lindo!
E como o melhor de receber presentes é poder compartilhá-los, abaixo a lista com os 15 blogs agraciados com o presentinho (escolhidos por terem textos bacanas e pela assiduidade com que eu os leio). Espero que gostem.
o/

Mundo da Lua
Crônicas de uma vida desesperada
Guindaste
Hialoplasma
Bichinhos de Jardim
Liber
Ciranda Eterna
Uma dama não comenta
Cala a boca que eu tô falando
Liliane Prata
Kit básico da mulher moderna
Meninas de 30

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fogo!!! (Extra)

Extra!!! Extra!!!
Agora a pouco, estava eu sentada em minha cama contemplando minha cafeteira nova, toda moderninha (que é pra minha casa nova, mas isso merece outro post), quando ouço uns gritos. Na minha vizinhança isso é normal, afinal de contas, logo ao lado tem um prédio cheio de adolescentes e um boteco logo embaixo. Ao ir fumar um cigarro na janela, percebo que os gritos não eram os de sempre, e, ao olhar pra cima, vejo uma fumaça negra infinita. E logo em seguida um clarão. E logo em seguida a sirene do caminhão de bombeiros.
É meus caros, estava acontecendo um incêndio no prédio ao lado do ao lado do meu. Meu primeiro incêndio. Descemos (eu+Cacau+mais os vizinhos), um pouco pela curiosidade inerente a todo brasileiro que se preze, um pouco pelo medo. Ao chegar em frente ao prédio, me deparei com algo que, por só ter visto em filmes, até hoje não me era tão real: o telhado do prédio em chamas, e chamas tão altas e tão fortes que era como se a natureza estivesse mostrando a língua e urrando "I win!".
Era terrível ver o desespero no rosto das pessoas! E ao mesmo tempo eu comecei a pensar que isso pode acontecer a qualquer um; a mim, a você, ao vizinho do lado... Minha angústia aumentava na proporção em que eu via dezenas de bombeiros parados porque não havia água no caminhão. PUTAQUEOPARIU! Pra que diabos serve um caminhão de bombeiros sem a porra da água?! E enquanto eles va-ga-ro-sa-men-te decidiam o que fazer, o fogo, em contrapartida, numa velocidade acelerada, devorava a estrutura do prédio, e logo, do teto passou para o andar de baixo.
Eu mal conseguia piscar, de tão vidrada que fiquei ao presenciar o trabalho humano sendo devorado pelas labaredas. E, ao mesmo tempo que a dança das salamandras me pareceu linda, fiquei pensando na dona da lojinha que fica no térreo do prédio e na senhora que mora no andar de cima. Essas pessoas colocaram as cabeças no travesseiro essa noite, agradecidas por mais um dia que haviam vivido; só não sabiam elas, que o dia ainda não havia acabado...
Pode parecer materialista demais, mas fiquei imaginando que, tudo aquilo que elas construiíam, todas as suas lembranças, toda a matéria que lhes expressava a alma, foi engolida pelo fogo e se tornou cinza. E ao ver a imagem da mulher que mora(va) no andar de cima, andando de um lado ao outro da rua, vestida apenas com seu pijama e suas lágrimas, não pude deixar de pensar no que a angustiava mais... Se era o fato de sua vida quase ter sido levada pelas chamas, ou por todos os seus pertences não mais existirem.
E então meu lado cínico resolveu dar as caras. Se ao dormir você resolve não vestir roupa nenhuma (o que eu acho difícil no frio de Curitiba coldcity), o que diabos você faz ao perceber que sua casa está, literalmente, pegando fogo? Então fiquei imaginando a reação que eu teria... O que eu "salvaria" do fogo? Será que eu conseguiria sair, sabendo que metade de mim ficaria pra trás? É claro que é radical pensar assim, mas hoje cheguei à conclusão de que já não sei mais ser sem ter... E acredito que a maioria esmagadora de nós é assim. O que seria de mim sem meus livros, minhas roupas, meu computador, meus sapatos, minha família, meus amigos?! Seria apenas um pedaço dessa colcha de retalhos que construo a cada acordar...
Afinal de contas, somos aquilo que temos e temos aquilo que somos...
E me parece que o poema "Metade", de Osvaldo Montenegro, cai como uma luva para terminar essas minhas palavras carregadas de angústia, alívio, tristeza, e alegria... Porque, no final de contas, somos todos repletos de metades...

Metade (Osvaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

[Playlist: o barulho dos caminhões de bombeiro]

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um novo vício...

Hoje tive que admitir pra mim mesma: adquiri um novo vício! Como se já não bastasse o cigarro, o café, o miojo de talharim, a farinha láctea e dormir! E o pior é que os vícios sempre começam devagarinho... Você vai lá, experimenta, e quando vê "adeusvida" sem ele... E que inferno a vida sem eles! Fico imaginando como é a vida de um dependente químico de narcóticos... Deve ser mais ou menos como a dependente espiritual que vos fala... É claro que eu não tenho o plus de acabar com a minha vida em um período de tempo tão curto [afinal de contas, como dizem as más línguas, o cigarro mata aos poucos]. Não! Eu nunca usei nenhum tipo de substância ilícita com poderes psicotrópicos... Por quê? Porque já tenho vícios o suficiente para sustentar... E, como se não bastasse, agora mais um!
Antes, eu apenas escrevia no blog, e lia um ou outro blog de pessoas que comentavam... Hoje, eu leio, diariamente, quase 20 blogs! E, não satisfeita, ainda vou na seção de favoritos deles, a procura de mais e mais!!! E nem pensar em entrar na internet e não passar nos blogs... Ah não!
É incrível como esse veículo de comunicação passou de "querido diário" para um mural enorme e variado de opiniões sobre tudo... E há tanta coisa bacana pra ler...
Enfim... Se me dão licensa, ainda tenho uns blogs pra ler.

[Playlist: Doris Day - Whatever will be]

Tempo, tempo, mano velho...

Pois bem... Lá se vão 6 dias desde que postei dizendo que iria começar a fazer posts "diários". Ao olhar para o post achei que tivesse escrito ontem; ao olhar para a data, quase que caio de minha cadeira (a.k.a. lugar no qual eu passo mais da metade do dia). Como assim já se passaram 6 dias?! Ou pior: "como diabos eu não vi esses dias passarem?!". Começo a acreditar na história de que, depois dos 20, o tempo não passa, voa! E, pensando bem, até que, aliando a teoria da relatividade do mestre Einstein com as minhas teorias e constatações cotidianas, dá até pra tentar olhar pra isso de uma forma compreensível (ps: não digo mais que posso "explicar" nada! Depois do mestrado, eu descobri que, no máximo, posso compreender...Quem sabe no doutorado eu aprenda a explicar, ou não...).
No época em que frequentamos a escola, as aulas tomam a manhã toda, e parece que o tempo, de pura filhadaputagem, resolve passar beeeeem devagarinho. Bom, só aí já foi uma manhã que parece que durou um dia todo. Ao chegar em casa, fulana conversa com ciclana sobre o menino que vai ver no sábado: "Ai! Hoje ainda é segunda! Eu não vou aguentar de ansiedade pra conhecer o Zé!" [adoro nomear personagens fictícios de Zé!]. Logo, a semana que, durante as manhãs, já se arrasta, parece que nunca vai chegar, ainda mais com a mãe de fulana ameaçando não deixá-la sair no sábado se ela não se comportar (ôÔô semana longa!). Ou então dá "aquela coceira" de "Ai! Eu quero taaaanto fazer 18 anos logo!". No fim das contas, o tempo parece se arrastar aos olhos de um adolescente, que anseia por sua liberdade que virá (pensa ele, em sua vã juventude) com a famigerada maioridade...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Todo dia ela não faz tudo sempre igual...

Resolvi "inaugurar" mais uma seção aqui no blog... Porque andei pensando que sinto falta dos meus diários, e que minha memória está cada vez mais preguiçosa (as más línguas dizem que é culpa da idade xD). Então vou fazer meio que um relato dos meus dias, um pouco pra ter "com quem conversar", e um pouco pra ter um backup de memória =)
Mas não se preocupem, vou tentar ser o menos "querido diário" possível...

E queria aproveitar e agradecer as visitas e os comentários das pessoas queridas que têm passado por aqui... Obrigada! Vocês fazem os meus textos terem mais vida =)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O que você vai ser quando você crescer?

Lembro-me de uma pequena gorduchinha branquela dizendo: "Quando crescer quero ser professora!". Isso foi há 22 anos. E sim, eu me lembro disso. Até porque a tal gorduchinha sou eu, que, aos 4 anos, época em que começava a aprender que aqueles desenhos estranhos que não tinham cor, se juntos, formavam palavras, que juntas eram aquilo que a gente falava [graças aos pais dedicados que, mesmo cansados, liam e lhe mostravam os livrinhos da Disney, e ouviam atédizerchega as benditas da fitinhas que os acompanhavam]; pois foi quando a menina com os pés tortos e o sorriso escondido resolveu que, se era tão maravilhoso aprender, ela também queria ensinar...
Hoje, enquanto escutava Tchaikovski e lia "Ciência como Vocação" (de Max Weber), meus olhos marejaram e minha pele arrepiou. Foi então que me dei conta de que eu sabia já, desde pequenina, o que eu queria ser quando crescesse, mas que havia levado mais de um quarto de século pra acreditar. Quem me conhece sabe que minha paixão pelas palavras é infinita... E já foram inúmeras as vezes em que as palavras saídas de uma pena (de galhofa ou não) fizeram meu coração de gengibre derreter feito manteiga em pão de mãe quentinho saído do forno...
Mas desta vez não foram só as palavras... Weber escreve absurdamente bem! E eu amo o Lago dos Cisnes... E não sei se foi a combinação das palavras belas de Weber, mais as lembranças que Tchaikovski me traz da infância... Mas sei que, como num trailer, me lembrei do momento que contei ao iniciar essa escrivinhação...
Weber fala sobre a vocação do cientista. Mas não do cientista louco que fica trancado em um laboratório; ele fala do indivíduo que ama o conhecimento, e que busca perguntas mais do que respostas. E a cada um de seus parágrafos, em que ele ia descrevendo os mitos que tanto admiro (Goethe, Einstein, Aristóteles, Da Vinci...), eu ia me encontrando. E então percebi que o que eu sempre quis ser (e que de alguma maneira sempre fui) foi cientista; uma pessoa que busca o conhecimento a cada abrir e fechar de olhos. E não há gesto mais justo do que aquele que tem em suas mãos o conhecimento o espalhe para os demais. E então ele fala sobre a vocação de ser mestre...
Este ano completei 10 anos de magistério. Me lembro como se fosse agora, da primeira vez que entrei em uma sala de aula. Uma moleca de 16 anos com medo do desconhecido. E durante esses 10 anos fui aprendendo, e continuo aprendendo com os melhores...
E então me lembrei dos tantos mestres que já passaram e continuam passando pelo meu caminho. Minha primeira professora (Tia Regina), da qual lembro do sorriso como se o tivesse visto hoje; Antônia, que me ensinou que a Gramática não era apenas um amontoado de palavras sem cabimento; Lourdes, que me enveredou de vez pelo mundo mágico das palavras; Edson, que me mostrou que a matemática e a física não eram apenas números feitos pra enlouquecer; Magister Horácio, que além de me ensinar Latim me ensinou muito da vida; Mária Adélia, que me ensinou que o mundo literário era maior e mais profundo que podia supôr minha vã juventude; Regina, que me ensinou que uma verdadeira professora se faz de palavras e gestos; minha orientadora Marilda, com a qual, todos os dias, aprendo lições valiosas sobre como ser uma cientista...E agora que vejo o rosto de todos eles, reconheço o mesmo sorriso, de quem, mesmo sem saber, torna o mundo mais simples e bonito...
E esse sorriso me fez lembrar do sorriso de meus dois maiores mestres: seu Gilberto e dona Maria... Lembro do sorriso de minha mãe, ainda menina, me mostrando os livros e me contando um pouco sobre o mundo... Lembro do sorriso de meu pai, moleque, todo domingo, me levando a banca de jornal pra comprar gibis, ainda que eu só entendesse as figuras... Lembro do sorriso deles quando aprendi a ler as primeiras palavras... E pensar que, na época destas lembranças, eles tinham a idade que tenho hoje; e mesmo sem saber quem diabos era Weber, já sabiam muito bem o que era ser mestre...
Acho que acabei me perdendo em meio a tantos sorrisos e lembranças... Mas já não me assusto mais com o desconhecido que é estar perdida, porque agora eu sei bem o que eu quero ser quando crescer...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Por trás do desconhecido...

Segunda-feira, 7 da manhã. O céu amanheceu mais nublado que o usual em Curitiba city. Da janela do meu quarto, de onde eu geralmente tenho a impressão de ver o infinito, hoje só me é possível enxergar até o Arena; depois disso, só o cinza e o desconhecido... E enquanto eu fumava meu Marlboro matutino e tomava minha xícara de café de bom dia, fiquei pensando se todos os nossos relacionamentos não seriam assim, matutinamente nublados...
Talvez todas as vezes em que iniciamos um relacionamento [seja ele com uma pessoa que possua o fenótipo perfeito pra se tornar um caso de weekend; seja com uma pessoa que irá se tornar a melhor amiga da vida; seja com o velhinho da banca de jornal que, daqui a um mês, vai saber que meu "bom dia" quer dizer "um marlboro vermelho maço, por favor!"; seja com a pessoa com a qual iremos ter hipotéticos filhos; seja conosco mesmos...] são como esta manhã nublada que vejo de minha janela. Nunca sabemos o que virá do primeiro sorriso em diante. É possível que o sol apareça, e nos mostre que ainda há muitos sorrisos por virem; assim como é possível que o desconhecido permaneça, e que esse início encerre em si seu próprio fim.
Todos os dias quando acordo, ao me olhar no espelho, sorrio para um novo começo. É como se ali, diante de meus olhos, pairasse a névoa que esconde o desconhecido. Talvez se passe um mês, e mude o dono da banca de jornal; talvez aquela pessoa que parecia minha amiga pra sempre, se torne irreconhecivel; talvez o caso do fim de semana se torne aquele com o qual teremos filhos reais; talvez eu me olhe no espelho e não saiba mais quem sou...
Não há certezas em relacionamentos. Apenas saberemos o que há por vir se acreditarmos que por trás da neblina surgirá o sol. Pode ser que ele não apareça, nos deixando com a impressão de que tudo ao nosso redor é cinza. Mas se não olharmos pela janela, depois do começo, nunca saberemos o que virá.
Acho que, apesar de em muitas manhãs o sol não aparecer, e muitos relacionamentos terminarem na hora exata em que começam, não podemos desistir de abrir a janela e olhar além. Pois a cada dia em que abrimos os olhos, começamos um novo relacionamento, e esse é o mais duradouro e imprevisível de todos...nosso relacionamento com a vida.
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