sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O que você vai ser quando você crescer?

Lembro-me de uma pequena gorduchinha branquela dizendo: "Quando crescer quero ser professora!". Isso foi há 22 anos. E sim, eu me lembro disso. Até porque a tal gorduchinha sou eu, que, aos 4 anos, época em que começava a aprender que aqueles desenhos estranhos que não tinham cor, se juntos, formavam palavras, que juntas eram aquilo que a gente falava [graças aos pais dedicados que, mesmo cansados, liam e lhe mostravam os livrinhos da Disney, e ouviam atédizerchega as benditas da fitinhas que os acompanhavam]; pois foi quando a menina com os pés tortos e o sorriso escondido resolveu que, se era tão maravilhoso aprender, ela também queria ensinar...
Hoje, enquanto escutava Tchaikovski e lia "Ciência como Vocação" (de Max Weber), meus olhos marejaram e minha pele arrepiou. Foi então que me dei conta de que eu sabia já, desde pequenina, o que eu queria ser quando crescesse, mas que havia levado mais de um quarto de século pra acreditar. Quem me conhece sabe que minha paixão pelas palavras é infinita... E já foram inúmeras as vezes em que as palavras saídas de uma pena (de galhofa ou não) fizeram meu coração de gengibre derreter feito manteiga em pão de mãe quentinho saído do forno...
Mas desta vez não foram só as palavras... Weber escreve absurdamente bem! E eu amo o Lago dos Cisnes... E não sei se foi a combinação das palavras belas de Weber, mais as lembranças que Tchaikovski me traz da infância... Mas sei que, como num trailer, me lembrei do momento que contei ao iniciar essa escrivinhação...
Weber fala sobre a vocação do cientista. Mas não do cientista louco que fica trancado em um laboratório; ele fala do indivíduo que ama o conhecimento, e que busca perguntas mais do que respostas. E a cada um de seus parágrafos, em que ele ia descrevendo os mitos que tanto admiro (Goethe, Einstein, Aristóteles, Da Vinci...), eu ia me encontrando. E então percebi que o que eu sempre quis ser (e que de alguma maneira sempre fui) foi cientista; uma pessoa que busca o conhecimento a cada abrir e fechar de olhos. E não há gesto mais justo do que aquele que tem em suas mãos o conhecimento o espalhe para os demais. E então ele fala sobre a vocação de ser mestre...
Este ano completei 10 anos de magistério. Me lembro como se fosse agora, da primeira vez que entrei em uma sala de aula. Uma moleca de 16 anos com medo do desconhecido. E durante esses 10 anos fui aprendendo, e continuo aprendendo com os melhores...
E então me lembrei dos tantos mestres que já passaram e continuam passando pelo meu caminho. Minha primeira professora (Tia Regina), da qual lembro do sorriso como se o tivesse visto hoje; Antônia, que me ensinou que a Gramática não era apenas um amontoado de palavras sem cabimento; Lourdes, que me enveredou de vez pelo mundo mágico das palavras; Edson, que me mostrou que a matemática e a física não eram apenas números feitos pra enlouquecer; Magister Horácio, que além de me ensinar Latim me ensinou muito da vida; Mária Adélia, que me ensinou que o mundo literário era maior e mais profundo que podia supôr minha vã juventude; Regina, que me ensinou que uma verdadeira professora se faz de palavras e gestos; minha orientadora Marilda, com a qual, todos os dias, aprendo lições valiosas sobre como ser uma cientista...E agora que vejo o rosto de todos eles, reconheço o mesmo sorriso, de quem, mesmo sem saber, torna o mundo mais simples e bonito...
E esse sorriso me fez lembrar do sorriso de meus dois maiores mestres: seu Gilberto e dona Maria... Lembro do sorriso de minha mãe, ainda menina, me mostrando os livros e me contando um pouco sobre o mundo... Lembro do sorriso de meu pai, moleque, todo domingo, me levando a banca de jornal pra comprar gibis, ainda que eu só entendesse as figuras... Lembro do sorriso deles quando aprendi a ler as primeiras palavras... E pensar que, na época destas lembranças, eles tinham a idade que tenho hoje; e mesmo sem saber quem diabos era Weber, já sabiam muito bem o que era ser mestre...
Acho que acabei me perdendo em meio a tantos sorrisos e lembranças... Mas já não me assusto mais com o desconhecido que é estar perdida, porque agora eu sei bem o que eu quero ser quando crescer...

3 comentários:

  1. nossa qnto tempo nuumvinha aki :)
    essa pergunta neh, nossa me perguntavam direto antes do fundamental aaahaahuahu eram pais, primos mais velhos,ttios,profs kk e tinha dias q nem eu sabia o q era ser alguem auhuhauh

    bejoo

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  2. Eu tb sei! E é, em parte, graças à você! E a minha certeza cresce a cada dia, Patty, precisa ver... Certeza, planos, sonhos, idéias.. Mal posso esperar até que chegue 2010...
    Aliás, cadê você??? Cansou de me escrever né?! Mas saiba que sinto muita falta de sua letrinha, MESMO! E mais falta ainda de saber como andam as coisas por aí...Não liga se tou falando demais, é tudo culpa de Lorelai Gilmore...
    Bjão, se cuida,
    Dona Lua.
    *

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  3. "Por favor, salvem a professorinha..."
    rs... Paty, adivinha o que eu tenho na minha mão: tem capa dura, vermelha, escerito por um russo doido, com o título "fraterno" escrito em dourado, edição de luxo de 1970 da Abril e eu tinha te prometido de presente... ;)

    Quando vier pra São Paulo me avisa !!! (pedrodrudi@hotmail.com)

    Bjão.


    Http://necrofobia.zip.net

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