terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Amor e ódio: uma Patrícia entre aranhas e querosene.

Como dito no outro post, o episódio da Dona aranha precisava de um espaço só pra ele. E cá estamos nós [eu, você e a porra da imagem da aranha que nunca mais abandonou minha cachola]...
Estava eu, lépida e faceira, depois de um dia cansativo de faxina na casa nova [lembrando a dica utilíssima de contratar alguém pra limpar antes de você se mudar] entrando em minha casa cheirosa, e eis que, ao fechar a porta, com meu pacotinho mágico do China'box na mão, dou de cara com uma aranha. Não, não era APENAS uma mísera aranha! Era um monstro! Enquanto eu fiquei paralisada, ela, como se brincasse de quempiscaporúltimo comigo, continuou calmamente no canto da porta [Tenho uma leve desconfiança de que ela suspeitou desde o início que eu não seria forte o suficiente pra enfrentá-la].
Surtei e saí correndo de pijamas para a rua. Pânico. Essa é a palavra que melhor expressa o que senti. Nunca havia visto um bicho daquele porte e espécie assim, tão de perto. E, afirmando minha heterossexualidade [porque quem gosta de rock das aranhas é o Raulzito], corri pra longe da bicha. Pra minha sorte, os vizinhos estavam fazendo um churrasco [digo sorte, porque já era 11 da noite!], e eu, despudoradamente, apertei o interfone, e, num misto de choro e cara de pelamordedeusalguémmesocorre, pedi pra me ajudarem. O casal foi, pacientemente [e com certeza putos!], até minha casa. E, antes que algum filhodumaégua diga que era frescura, até o machão [estilo souforteetequebroacara] do vizinho comentou sobre o tamanho avantajado da tal aranha. Muitos obrigadas depois, fechei a porta e tentei comer. Quá! Nem o biscoitinho da sorte desceu direito [e eu AMO biscoito da sorte!]. Liguei pro Felipe [que mora na quadra de cima] e pedi desesperadamente pra ele me deixar dormir lá. Ainda em estado de choque, usei o ouvido do Fê e do Ricardo [Muitíssimo obrigada meninos!] e fui dormir acabada, e derrotada mais uma vez, só que nesse turno, pelo cansaço.
No outro dia fui apresentada ao querosene. Logo nos tornamos amigos íntimos [Pra quem não sabe, assim como eu há duas semanas atrás, o querosene afasta qualquer tipo de "animal" que possua respiração epitelial. Em especial, as aranhas]. No primeiro dia joguei querosene em tudo. Na cobrinha que coloquei no vão da porta. Em um pano que coloquei na janela [porque estava com um vão]. No chão. Nas janelas. Resultado: a casa estava fedendo a querosene, e eu acho que meu sono não foi apenas fruto do cansaço, mas da combinação casa fechada+cheiro de querosene no nível 10+fumaça de cigarro.
Até hoje tenho pesadelos com aranhas [e decidi nunca mais assistir Harry Potter e a Câmara Secreta] . E, apesar de viverem dizendo que faz mal, o Sr. Querosene vive ali, do ladinho da porta, perto de uma vassoura que mora na minha sala agora. Porque, podem me chamar de fresca, neurótica ou seja lá o que for. Mas eu me sinto mais segura assim [apesar de olhar pro vão da porta de meia em meia hora quando estou na sala].
Então, as "lições" que aprendi e que posso repassar são [prestando um serviço de utilidade privada, que deveriam ter prestado a mim!] : a) se for morar em Curitiba, detetize a casa com o veneno "Fortis" [e façam-me o favor de pagar pela propaganda, carcamanos! Nem que seja com um vidrinho de veneno!] antes de se mudar. O trem mata tudo que é inseto, em especial as aranhas marrons, e dura por 3 meses; b) se for morar no térreo, ou em áreas que possuam muito "verde" [a.k.a. mato no qual tem uma porção de bichos!], tenha na porta uma "cobrinha" [vendida em lojas de 1,99] embebida com querosene. Porque além de afastar a bicharada, evita a entrada de poeira e sujeira; c) Tenha sempre um amigo que more por perto, caso você tenha um surto no meio da noite e precise correr pra casa de alguém; d) Não more no térreo. Eu jurava que ia ser lindo ter um quintalzinho só pra mim, depois de morar um ano em apartamento no 2° andar, mas quer saber?! Acho que queria voltar a subir escada! Mas isso é assunto pra outro post!

Ps: vou aproveitar o post pra agradecer as visitas e os comentários. Obrigada minha gente!!! Se não fosse por vocês, meus textos não teriam a menor vida!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Por entre aranhas, descobertas e felicidade (a.k.a. a odisséia de morar sozinha)

Pela inatividade do blog, muitas pessoas devem ter previsto que já me mudei. E, ao contrário das previsões dos pais de santo do Globo Esporte, essa está certa.
Uma semana e meia de casa nova. Não vou completar duas porque estarei no colo de papai e comendo a comida de mamãe. Sim! Eu sou uma mulher independente e blábláblá, mas o santo aqui é de barro meu filho!
O dia da mudança foi melhor do que eu imaginava. [Dica: se for mulher, finja que é frágil, e não sabe fazer coisas como instalar o chuveiro ou trocar lâmpadas. Os caras da mudança ficarão com dó e farão pra você! Logo, poupará trabalho] [E se for homem? Se vira malandro! Achou que só porque pode fazer xixi em pé o resto da vida é fácil?!].
Estranhei o novo cafofo no primeiro dia. Tanto que nem uma garrafa de vinho conseguiu me derrubar (se bem que, em situações normais também não derrubaria).
E com o nascer do sol, veio a tarefa mais dura: a primeira limpeza. Se eu soubesse que a casa estaria imunda [não, eu não disse suja, eu disse IMUNDA!] teria contratado alguém pra limpar [Dica: guarde uns trocados e pague alguém pra limpar o lugar antes de se mudar. Porque ficar movendo os móveis enquanto limpa não é lá muito agradável!].
Depois da casa limpa e arrumada, fui, lépida e faceira, pedir China'n box e assistir The Big Bang Theory [que merece um post só pra ele de tão bom que é!]. E, junto com a comida, recebo companhia [não,infelizmente não foi um entregador multi-uso], uma aranha gigante na entrada da minha porta! Em uma reação absolutamente hetero, fugi da tal e fui pedir ajuda aos vizinhos [Sim! De pijama! Uma cena linda que também merece um post individual.] [Dica: se for morar em Curitiba, detetize a casa antes de se mudar. Afinal de contas, as aranhas marrons são um patrimônio da cidade, mas, ao contrário dos prédios, essas podem ser exterminadas sem dó nem piedade!].
Após o pânico, eu e a casa nos entendemos. Ela já tem até meu cheiro: fumaça de cigarro+fumaça de incenso+querosene [que será devidamente explicado no post sobre a Dona Aranha, que, ao invés de subir pela parede entrou foi pela porta mesmo!]. E descobri que quando se mora sozinho a audição melhora em níveis absurdos. E com ela as neuroses de achar que o canto dos passarinhos [que há tempos eu não ouvia] é barulho de rato.
No fim das contas [e bota contas nisso! Prepare seu bolso caso queira desfrutar de sua própria companhia! Porque eu descobri o quanto sou cara!], estou feliz... Nos próximos posts conto os pormenores e pormaiores...
Por ora, termino com uma música que se encaixa perfeitamente neste meu momento:

"Quem foi que disse, que é impossível ser feliz sozinho?
Vivo tranquilo, a liberdade é que me faz carinho.
No meu caminho, não tem pedras nem espinhos.
Eu durmo sereno e acordo com o canto dos passarinhos."
(Marisa Monte - Satisfeito - Do cd Infinito Particular)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Amor não tem sexo. [Tudo de Blog]

Se hoje eu precisar de um abraço amigo, daqueles que preenchem o coração de amor e esperança, com certeza será um abraço forte de ursos meninos. A grande maioria das pessoas que escolhi para serem minha segunda família é formada por garotos. Não sei se pelo meu jeito molecanãotônemaí de ser, ou pela minha falta de habilidade em manter amizade com mulheres [porque, contando com mamãe, não "encho nem uma mão" com amigas mulheres].
Não concordo quando dizem que é impossível amizade entre homens e mulheres. E isso com conhecimento de causa! Não foi uma só vez que eu e meus amigos já dormimos juntos, todos num mesmo colchão, de pijamas nada apresentáveis; e nunca senti nenhuma mão indevida passear pelo meu corpinho. Além do quê, eles sempre dizem que eu não conto como mulher, assim como pra mim, eles não contam como homens. Isso porque nós não somos um corpo uns pros outros, mas sim uma alma, e almas são assexuadas...
Amor de verdade não tem sexo... E, no fim das contas, o que mais são os amigos do que a extensão do nosso amor?

[Pauta para o Tudo de Blog]

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Yo no creo en brujas, pero que las hay las hay"

Eu sou uma pessoa racional. Pra mim, tudo na vida pode ser compreendido através de encadeamentos lógicos, ou explicado pelas leis da física e da matemática. Mas também tenho um espírito oras! E, apesar de não pertencer a nenhuma religião institucionalizada, tenho lá minhas crenças e fé...
E vez ou outra gosto de "brincar" nesses oráculos internéticos, apesar de saber que a chance de eles "acertarem" é a mesma de eu acertar na megasena (tudo explicado pela teoria dos números, claro). Mas parece que há dias que, só pra me zoar, eles resolvem falar exatamente o que eu preciso ou quero ler... Como esse aí embaixo, que tirei hoje...
"Nossa, que grande mudança no seu horizonte! O que será? Carro novo, casa nova, cobertor de orelha novo? Acho que você vai querer mudar tudo isso, porque vejo dinheiro no banco. Sim, você está prestes a ganhar uma bolada. E não tem nada a ver com a mega-sena: o dinheiro vem porque você trabalhou direitinho. Talentosa, você, hein? Agora, que tal usar este talento para melhorar um pouco o setor emocional? Querida, sua vida amorosa parece um filme de terror, cruzes! Agora vá e ache um bom moço, rápido (enquanto você ainda é jovem e bonita)."
Tirando a parte do dinheiro no banco, o tal do Mico da Sorte acertou em cheio!
Claro que não devemos basear nossa vidas nesse tipo de "instrumento"; mas que, vez em quando, é divertido, isso é...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Escolha mudar!

Hoje ficou pronto o contrato do meu apartamento novo. E, se tudo correr bem, quinta-feira estarei de "mala e cuia" em um novo chão. Não nego que hoje me bateu um medo, e com ele algumas neuras [tão comuns à minha mente perturbada]. Mas vou, de peito aberto, assumir minha escolha. Também não nego que já começo a sentir saudades de tudo aqui...
Lembro-me, de mais de um ano atrás, eu e Thon fazendo planos pra nossa mudança pra cá. Lembro-me de nossas risadas, de nossos sonhos, de nossos medos. Lembro-me de nossa primeira noite no desconhecido sem luz. E de nosso primeiro mês nas ruas frias de Curitiba. Lembro-me da chegada de Cacau. Lembro-me de sentir quase que a mesma coisa que sinto agora; uma mistura de alegria e tristeza tão intensa, que não se sabe onde começa uma e a outra termina. Ou talvez elas só existam juntas, sem começos ou fins...
Fizemos nossa escolha naquele junho, e estou fazendo a minha neste dezembro. Como se a vontade tomasse conta e fizesse tudo por si...
Escolhi mudar. E dessa vez não foi apenas a disposição dos móveis do quarto [que eu mudo a cada 15 dias]. Mudar o teto. Os hábitos. Os sons. As saudades. Não vou dizer que mudar seja uma escolha fácil, mas muitas vezes é a escolha que pode nos fazer mais feliz. E é por isso que batalhamos todos esses dias de meudeus...Para sermos felizes, primeiro conosco mesmos, pra poder depois, com o sorriso aberto, ser feliz ao lado de quem nos faz bem. Embora esse "ao lado" tenha significado "distante" no meu cotidiano presente. Mas distante de corpo, e não de alma. Alma essa que, assim como ficou em grande parte em Campo Grande, também vai ficar um pedaço aqui, nesse lugar no qual [ao lado daqueles que me deram força pra continuar] eu redescobri a mim mesma.
Não sei se essa "eu" que tenho descoberto é a melhor de mim. Me sinto desconhecida. Me sinto despedaçada. Me sinto uma folha de papel em branco...
E você, se quiser, escolha mudar! Mude essa cara triste por um sorriso largo de saber que a vida é um caminho sem fim de aprendizados. Mude essa vontade de não sair de seu quarto por um passeio pelas ruas cheias de desconhecidos que mudam a cada piscar de olhos. Mude aquilo que não lhe faz bem. Porque, embora sempre tenhamos pedaços de nossas almas guardados [nem tão de difícil acesso quanto Lord Voldemort], é com o pedaço que nos sobra que devemos conviver e aprender todos os dias...

[Esse post ficou meio saudoso... Mas logo começam os posts das novas aventuras em terras desconhecidas].

Playlist: Telegrama - Zeca Baleiro

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