terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Promoção Vi por aí.

Companhia Musical
Heartbreaker - Grand Funk Railroad
Crossroads - Cream (1968)
Little green bag - George Baker
Free Bird - Lynyrd Skynyrd

Companhia Literária
"Na vida, quem perde o telhado, ganha em troca as estrelas" [Tom Zé]

Companhia Quadrinística
Quino. Fonte: Toda Mafalda

Eita que a blogosfera está em festa! Quantos aniversários a serem comemorados! E quantos presentes a serem dados e ganhados. Fico feliz por estarmos todas comemorando juntas, afinal de contas, alegria compartilhada é sempre maior e mais gostosa.

Fui presenteada pela bicha vó, Dolly, do MaryaMariah, com a oportunidade de participar da promoção de aniversário do blog Vi por aí, da Jô. Fiquei toda prosa, e vim aqui correndo participar. As regras vão logo abaixo. E se você quiser participar também, corre AQUI, ó, que o presente é uma lindeza sem tamanho!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A pessoa certa... Será?

Companhia Musical
Do fundo do meu coração - Erasmo Carlos e Fernanda Takai [Programa Som Brasil.]
Sentado a beira do caminho - Erasmo Carlos e Fernanda Takai [Programa Som Brasil.]
Homenagem a Elvis Presley - Erasmo e Roberto Carlos [1977]
Olha - Erasmo e Chico Buarque
A carta - Erasmo e Renato Russo

Companhia Literária
"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina [...]. Ou quando começa: certo susto na boca do estômago" [Caio Fernando Abreu in Os sapatinhos vermelhos]

Companhia Quadrinística

Fábio Moon e Gabriel Bá. Fonte: 10 Pãezinhos


Há algum tempo, a Verônica Cobas, do Criative-se, fez um post delicioso [o que, na verdade, configura como pleonasmo, já que todos os posts da Vê são deliciosos] sobre tipos de mulheres e de homens. Não vou aqui reproduzir o post. Faça um favor a você mesma, e leia AQUI.

Comentei no post, tentando dar uma resposta para a pergunta da Vê [o que acham atraente em um homem ou no seu homem?]. Mas a bendita continuou a rondar meus pensamentos, e hoje, depois de um bom jogo de futebol, uma boa crônica da Martha Medeiros, uma boa xícara de café e um mau Marlboro, me sinto compelida a responder mais extensa e intensamente à pergunta...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mãe e Pai na escola? Por favor!

Companhia Musical
Lanterna dos Afogados - Paralamas do Sucesso
Perdendo os dentes - Pato Fu
Gentileza - Marisa Monte
Pro dia nascer feliz - Barão Vermelho
Toda forma de amor - Lulu Santos

Companhia Literária
"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra." [Rubem Alves in A alegria de ensinar]


Hoje, enquanto tomava o café, tive uma alegria muito grande ao ler um post. Mas logo depois da alegria, entrei num estado de reflexão necessário. E como a tagarela aqui não consegue guardar as coisas pra si, vim aqui dividir isso com você.

O post ao qual me refiro é esse AQUI, publicado pela Claudinha, do Feito a mão. Nele, a Claudinha relata sobre as atividades que já realizou na escola de suas pequenas. Não vou contar tudo sobre ele porque o bom mesmo é ir até lá conferir. Ainda mais com as fotos daquelas coisas fofas!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Livros e uma nova paixão.


Companhia Musical
Blue Moon - Ella Fitzgerald
As time goes by - Frank Sinatra
Blues boys tune - B.B. King
Groaning blues - Eric Clapton
Killing me softly - The Fugees
Companhia Literária
"Planejar a vida, ao contrário do que muitos pensam, não é uma forma de evitar emoção. É uma forma de deixar a porta aberta para que ela não precise arrombar você" [Martha Medeiros in Sur-pre-sa!]

Estava eu entrando no "corredor lavagem cerebral" do mercado para pagar a compra semanal de domingo quando... [Oi? Você não sabe o que é o "corredor lavagem cerebral"? É aquela maldição de corredor cheio de tranqueiras calóricas e caras que os supermercados fazem questão de colocar no caminho dos caixas de 30 unidades, pra que, sem que você se dê conta, acabe comprando o que não precisa] olhei um livro perdido no meio de revistas que falavam de assuntos tão importantes quanto a cor do vestido da fulana, ou o casamento do ciclano.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

E pro Bicha Fêmea TUDO!!!

Companhia Musical [escolhida em homenagem à Lidi]

Sina - Djavan e Caetano

Mestre-sala das marés - Elis Regina
O bêbado e a equilibrista - Elis Regina
Ladeira - Orquestra Contemporânea de Olinda
Anunciação - Alceu Valença

Companhia Literária
"Todos nós estamos na sarjeta. Mas alguns de nós olham para as estrelas" [Oscar Wilde]

Lá fora a chuva cai com gosto. Enquanto estou cá, pensando em como participar de uma festa. Oi? Que festa? Mas rapaz! Ontem, 22 de novembro, o Bicha Fêmea fez um aninho. O blog que nos proporciona tanto prazer e aprendizado, sempre com imagens gostosas de ver e textos deliciosos de saborear. É com muito prazer que eu comemoro esse primeiro aniversário do Bicha, e que espero do fundo do meu coração de gengibre que ainda haja muitos e muitos a serem comemorados.

Me lembro do dia em que conheci a Lidi. Assim, de cara, já me afeiçoei com a criatura. E essa afeição se transformou num bem querer tão grande, que hoje, quando penso na Bicha, é como se ela estivesse aqui, bem pertinho de mim... Coisas da vida e dessa tão viva blogosfera...

E por falar em blogosfera, o post de hoje faz parte de uma blogagem coletiva proposta pela bonita, em ocasião do aniversário. Ela quer que falemos sobre nossa experiência com a blogosfera, assim, como um convite pra entrar nessa festa tão gostosa. Quer participar? Corre AQUI que ainda dá tempo!

Agora 'bora lá pro post...

Era uma vez, uma mocinha de 12 anos que adorava as aulas de Português. Sua professora, Antônia, sempre incentivava os alunos a lerem e escreverem. Um dia, como avaliação bimestral, a professora propôs que os alunos criassem um caderno, com textos e ilustrações criados pelos próprios alunos. Cada texto teria que começar com uma letra do alfabeto, e as ilustrações deveriam ter relação com o tema do texto.

A mocinha é a estrupícia aqui, e a partir desse criativo exercício proposto por uma das pessoas mais influentes na minha vida, comecei a escrever e nunca mais parei. Sempre tive diários e cadernos com escritos meus. Me iniciei na poesia, e só comecei meu namoro com a prosa há 3 anos. Coincidentemente, comecei a escrever prosa quando pensei em criar meu primeiro blog, o MininaMá. Logo no começo, eu pensava no blog como um caderno virtual, pra guardar meu textos. Nem pensava em o que os leitores iriam achar, até porque os poucos leitores que eu tinha eram amigos para os quais eu passava o link, e, provavelmente por conta da amizade, me visitavam vez ou outra.

Depois de um ano de blog, em 2007, fui escolhida pra participar do grupo de blogueiras do Tudo de Blog [TDB], uma iniciativa da revista Capricho, do qual faço parte até hoje. O TDB me fez pensar em muitas coisas a respeito do blog, em especial sobre o formato dos textos. Como cada semana nós tínhamos uma pauta a ser seguida, e um número de caracteres máximos (1200), eu precisava revisar melhor o texto, pensar em que iria ler. Além do que, toda quinzena, 3 textos eram escolhidos para serem publicados na revista, então, além da qualidade, o texto tinha que ter adequação editorial.

A experiência com o TDB me fez aprender muita coisa. Mas chegou um momento em que o blog tinha apenas textos para a revista. Além disso, quando vim pra Curitiba, em 2007, atravessei uma crise existencial. Dessas, que fazem a gente rever valores, conceitos, e blábláblá... Foi quando decidi que não queria mais ser a MininaMá. Achei que era hora de deixar a personagem pra trás e tentar ser mais adulta, afinal de contas, eu tinha completado 25 anos.

Foi quando criei o Patrícia Pirota, e passei a escrever mais prosa. Além disso, o exercício de escrever me trouxe também maturidade literária, e pude ir experimentando, até encontrar um estilo só meu. Atravessando outra crise de identidade, dessa vez aos 26, encasquetei que o blog precisava de outra identidade, e foi quando ressucitei a MininaMá, e foi então que nasceu o Ainda MininaMá. E parece que a danada, além de novas idéias, me trouxe leitores também.

Além dos leitores da Capricho, passei a ter a visita de outras pessoas, e me animei pra deixar o blog cada vez melhor. Foi quando conheci a Isabela Kastruppi, dona do lindo Arrumadíssimo, minha madrinha na blogosfera. Depois que a Isa me "apresentou" pra suas leitoras, [nesse texto AQUI] conheci minha segunda madrinha bloguística, a bicha fêmea mais querida, Lidiane Vasconcelos. Ao ser convidada pra escrever um texto pro Bicha [esse AQUI, ó], comecei a interagir com as leitoras de lá, que se tornaram leitoras de cá, e das quais me tornei amigas.

Acredito que a blogosfera é muito mais do que várias janelas abertas, com cada um gritando suas palavras. Além da informação, temos acesso a pedaços vivos de experiência, e podemos criar vínculos, diálogos, amigos...

No fim das contas, o blog se tornou um pedaço da minha vida. Um pedaço muito querido, cheio de gente que admiro e quero bem por demais. Descobri que minhas palavras podem me levar pra perto de outras pessoas, as quais posso trazer pra perto de mim através de suas palavras. O blog me trouxe amigas, mas amigas de verdade, daquelas que a gente escuta os conselhos, sente saudade, imagina o sorriso, e morre de vontade de abraçar. Ter um blog, e, mais do que isso, interagir com outros blogs, é viver o que há de melhor dentro desse emaranhado de teias que é o mundo virtual, e, sem sair de casa, poder ter a companhia de pessoas e idéias inestimáveis...


Mais uma vez, PARABÉNS PRO BICHA FÊMEA! \o/

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E a vencedora da promoção é... [e otras cositas más]

Companhia Musical
De volta pro meu aconchego - Dominguinhos e Elba Ramalho
Tocando em Frente - Almir Sater
Chalana - Almir Sater
Trem do Pantanal - O Bando do Velho Jack
A volta do bohemio - Bebados Habilidosos

Companhia Literária
"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito." [Machado de Assis in Verba Testamentária]

Eu sei, eu sei! Onde já se viu ficar tanto tempo sem dar notícias! E o pior! Não ter revelado o resultado da promoção antes. Tsctsc, estrupícia... Mas deixa eu começar a explicar? Ou melhor, contar...

Logo depois de ter escrito o último post, liguei pra Dona Mãe. E como não poderia ser diferente, ela ficou numa alegria sem tamanho de saber que a filha má e pródiga voltaria pra suas raízes. Papai e irmãs também. E eu também, por que não?

Vou te confessar que foi difícil tomar essa decisão. Mas depois de ler todos os comentários carinhosos e cheios de desejos de felicidade e apoio que me foram abraçados [porque, no fundo, é como se os comentários deixados por você aqui fossem um grande abraço], abracei também minha decisão, e descobri que ela foi sim, a mehor que eu poderia ter tomado.

Mas então por que você não veio aqui correndo contar isso pra gente, estrupícia?! Você me pergunta. Ah... É aí que entra a vida, essa coisa mutante, que não pede licença pra se transformar e correr de um lugar pro outro. Na semana passada aconteceu o III Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, aqui na UTFPR, como eu havia comentado. Pois bem, eu sou bolsista, e bolsista tem que trabalhar. Nada mais justo, aliás. E além de ter que ajudar na organização do evento, eu tinha 3 artigos pra apresentar, em 3 grupos temáticos [conhecidos também como GTs] diferentes. Não, meu bem, você não leu errado. A insana pessoa aqui apresentou TRÊS artigos.

E apresentar artigo é como se colocar em um palco, pronta para receber tanto críticas como elogios. E mesmo a mais desinibida das pessoas não está imune ao medo de ter sua cria rejeitada. Ainda mais depois dos fatídicos episódios do último congresso [Oi? Você ainda não era frequentador do cafofo naquela época? É só conferir AQUI ó]. Mas meus medos acabaram sendo dissipados, e as apresentações foram maravilhosas. Recebi dicas incríveis pra continuar o trabalho. Vi a surpresa nos olhos dos ouvintes, que, atônitos, descobriam que História em Quadrinhos pode ser estudada dentro da academia. E senti um orgulho danado das 3 crias que foram apresentadas à sociedade científica.

Mas a rotina da semana que passou me tirou o chão. Saia de casa todo dia às 7 da manhã e voltava às 10 da noite. Depois de um dia andando de lá pra cá, e ouvindo incontáveis apresentações, chegava em casa com o corpo e a alma em estado de lowbatery. Pra quem ainda não sabe, há 2 anos eu sou estudante em tempo integral. E no último ano fui estudante em cárcere privado. Como não tinha mais créditos para cumprir, passava meus dias, noites e madrugadas em casa, às voltas com meus livros e meus escritos. Tinha me esquecido de como é passar o dia fora de casa...

Sem contar que Curitiba resolveu ficar nuts de uma vez por todas! O sol anda brilhando mais do que os olhos de um recém apaixonado, e o calor facilmente chega a 30 graus. Ah! Mas isso é normal, rapaz! Você pode me dizer. Sim, isso era normal quando eu morava em Campo Grande, cuja temperatura MÉDIA é 35 graus. Mas aqui, onde a média fica em 15 graus... Aiaiai...

Agora me diz uma coisa... Como é que você consegue dar conta de tudo, hein?! Todos os dias quando chegava em casa moída, ficava pensando em você, que trabalha fora, tem marido, filhos, casa , blog e vida... E tentava imaginar como é que você dá conta do recado...

Passado o Simpósio, veio mais uma mudança. Há algum tempo eu estava pensando em trocar o Don Corleone [que, pra quem não sabe, era meu computador] por um notebook. E depois que decidi voltar pra casa dos pais, isso seria necessário, porque lá não tem muito espaço, e Don Corleone acabaria sendo estragado na mundança. Afinal, acho difícil que ele saísse ileso de 1100 quilômetros de "passeio". Pois bem, num ato impensado, achei o telefone de um rapaz que queria trocar um note por um desktop. É esse mesmo! Pensei comigo. E eis que Don Corleone foi levado de minha vida...

Confesso que chorei. E depois ri de mim mesma, ao sentir falta de um objeto inanimado. Mas fiquei imaginando o quanto nossa vida é permeada, e muitas vezes até ditada, por objetos. No fim das contas, eles se tornam parte de nós, como um membro sobressalente, ligado em alguma porta USB virtual. E agora, no lugar de Corleone, está a Mafalda. Sim! Esse é o nome do meu notebook. Quem disse que eu não posso colocar nome de mulher em um computador? Mafalda não é tão potente quanto Don Corleone, mas, que há de se fazer? Ganha-se em um aspecto e perde-se em outro. A vida é assim, né não?

Oi? Ah sim! A ganhadora do sorteio! Péra lá, que isso vou deixar pro final do texto, pra fazer mais um pouquinho de suspense...

Antes, deixa eu te contar uma coisa muito boa? Essa semana, a Luma, do Luz de Luma, deu essa entrevista AQUI . Não é segredo que eu considero a Luma um dos nomes mais importantes de nossa blogosfera, e que a admiro como pessoa e como escritora. E não é que a bonita me deu um presente! Sim, um presente! Quando perguntada sobre quais blogues desconhecidos ela indicaria, a danada deu o nome do cafofo [e, merecidamente, também citou nosso querido Bicha Fêmea]. Eu não me contive de alegria! Luma, muito muito obrigada! Me sinto muito honrada sempre que você cita o Ainda MininaMá, e muito mais de poder fazer parte da sua vida virtual, e ter você fazendo parte da minha. Você ainda não conhece a Luma? Mas rapaz! Corre lá, criatura. AQUI, ó. Mas cuidado! Uma vez presente na festa da Luma, você nunca mais conseguirá sair...

Deixa eu aproveitar, e dar parabéns pra Luma, ainda que atrasado! Feliz Aniversário, minha querida! Que essa volta de sua alma em torno do sol  lhe traga muitas realizações, sorrisos, e lhe dê motivos pra continuar vivendo muito, melhor, e sempre!!!

Agora, eu quero agradecer e ao mesmo tempo pedir desculpas. Agradecer os comentários e a presença de novas carinhas aqui no cafofo. Sejam todos muito bem-vindos! E peço desculpas pelo sumiço daqui e de sua casa também. Não consegui, bonita, dar conta de tudo. Ainda mais agora, com a dissertação presente em minha vida dia e noite, acordada e dormindo. Mas eu prometo que vou fazer um curso de como fazer tudoaomesmotempoagora, e não sumir mais de nossa blogosfera.

Agora, o momento esperado. Antes de revelar a ganhadora, preciso agradecer. Muito obrigada a todos aqueles que participaram da promoção. E não só participaram, mas abriram seu coração pra ela. No fim das contas, percebi que a proposta da promoção se tornou um exercício, e fiquei muito feliz ao ver que foi um bom e saudável exercício. Assim que conseguir, faço um post com os nomes e os links de todos que participaram.

Sobre o sorteio... Fiz daqueles de papelzinho, bem à moda antiga mesmo. Quando abri o papelzinho me coloquei a rir. Muita gente vai achar que é balela o resultado, mas eu juro que foi o primeiro papel que peguei! Não tenho fotos, mas tenho testemunhas! Fiz minha vizinha "presenciar" o sorteio, mesmo a coitada não entendendo muito bem o que eu estava fazendo...

Como eu havia dito, gostaria de dar um prêmio para cada uma das almas que por aqui passeiam. Mas esse não será o último sorteio! Já estou programando um para o Natal, e muitos para o ano que vem. Então, quem não ganhou dessa vez, pode ficar tranquilo, que haverá muitas outras oportunidades.

Oi? Ah sim...A vencedora. A dona vencedora é uma fêmea, sim. Aliás, é uma Bicha Fêmea... Uma das pessoas mais queridas que já tive a oportunidade de conhecer, mesmo que esse conhecer seja virtual... Já deu pra perceber que a ganhadora é a Lidiane Vasconcelos, do Bicha Fêmea, não deu? Por isso disse no início que achariam que o resultado era balela. Ô mulher de sorte, viu! Parabéns, Lidi! Logologo seu presente chegará pelas mãos do correio...

E por enquanto é isso, meus amores... Para aquelas pessoas queridas que se preocuparam comigo, estou bem, viu. Feliz como há muito não ficava. Cheia de sonhos, planos [e coisas pra fazer, é claro]... E morta de vontade de voltar logo pro colo da dona mãe e do dono pai... E depois de alguns sábios conselhos que recebi, descobri que não há nada de vergonhoso em voltar pra debaixo das asas deles. Afinal de contas, não é muito melhor estar feliz lá, do que triste aqui?

O mundo tem exigido demais da gente, não tem não? Precisamos ser super-mulheres, sempre prontas pra enfrentar o mundo com nossas botas lustrosas e nosso cinto apertado. Somos obrigadas a ser independentes, a gritar ao mundo o quanto somos capazes. Mas...Capazes de quê? Penso que a única capacidade que devemos conservar sempre é a de ser feliz [e a de se adaptar, pois, como diria o velho e querido Darwin, o mundo é daqueles que conseguem se adaptar]...

Agora, você vai me dar licença, porque eu tenho muito cafofo bacana pra visitar, uma dissertação pra terminar, e uma vida inteira pra viver...

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre lágrimas, medos e escolhas...

Companhia Musical
Olha - Chico Buarque e Erasmo Carlos
Roda viva - Chico Buarque e MPB4
Sei lá  - Chico Buarque,Tom Jobim e Miucha
O mundo é um moinho - Cartola e seu pai
Samba da Benção - Vinicius e Toquinho

Companhia Literária
"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu" [Chico Buarque in Roda Viva]

"Depois da chegada vem sempre a partida/Porque não há nada sem separação" [Vinicíus e Toquinho in Sei Lá]


Você deve estar se perguntando onde demônios a estrupícia dona deste blog se meteu, e com razão, já que faz uma semana que ela não dá as caras. E eu sou obrigada a admitir que a dona moça se meteu no meio de um furacão, daqueles que passam, arrancam os telhados e as estruturas; daqueles que impedem que se enxergue algo além do caos; daqueles que não deixam que o sol nos abrace e aqueça o frio que a alma sente.

Primeiro veio o trabalho. Muito. Acumulado. Exaustivo. De horas e horas em frente ao computador, amaldiçoando os inventores do pacote Office. Foram horas fazendo listas no Excell, apresentações no PowerPoint, textos no Word. Por quê? Pra quê?você me pergunta. Na semana que vem a UTFPR irá promover o III Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, um evento importantíssimo na área, e para o qual eu estou, e estarei, trabalhando. Aliás, quem for de Curitiba, e tiver interesse, acesse esse site AQUI, ó, pra ter informações sobre as datas e horários.

Mas não pense que estou reclamando de ter que trabalhar não, viu. Estou é feliz pra diabo de poder contribuir com a instituição que me faz tão bem, que me ajudou a crescer não só como profissional, mas também como pessoa. Fico feliz de honrar a minha bolsa em prol da divulgação de uma área tão importante, e que ainda tem tanto a evoluir. A parte do trabalho é bacana, o problema são os programas do inferno!

Bicho! Eu prefiro ter um filho VIADO do que um filho PowerPoint! Estava eu, quebrando a cabeça pra transformar meus 3 artigos em 3 apresentações dessa maldição [Oi? Pois é, rapaz! Vou apresentar 3 trabalhos em um mesmo congresso. Bacana, né? Meu Lattes está todo prosa...], mas ela me tirou do sério! Ai que saudade que eu sinto do retroprojetor, viu. Era tãããão mais fácil... Mas, fazer o quê?! Lutei com o bicho até o fim, e terminei.

Mas o furacão não foi trazido pelo trabalho, não... Ele veio de dentro, assim, como uma lava de vulcão adormecida, pronta pra pegar todo o vilarejo de surpresa...

Quem é cliente assíduo desta saleta já conhece meu problema com as aranhas. Sabe que sou aracnofóbica. E por favor, não confunda fobia com frescura... Frescura eu tenho quando vejo uma barata. Daí me permito ser mulherzinha e subo na cadeira. Fobia eu tenho quando vejo um aracnídeo. Sabe o que é fobia? É quando seu coração acelera, você começa a chorar, sente suas pernas presas ao chão, sente falta de ar, e um enorme sentimento de incapacidade. Isso é fobia. E é isso que eu sinto cada vez que vejo uma aranha.

Pois bem, só essa semana foram 5. CINCO! E a de hoje foi a campeã. Morta [graças ao veneno] ela tinha o diâmetro da palma da minha mão. Agora imagine a bicha viva? Imaginou? Pois bem... Essa é a imagem que tenho todos os dias quando fecho os olhos pra dormir. Há um ano, desde que uma dessas resolveu entrar sem ser convidada em minha casa. Há dias em que fico tão apavorada, normalmente quando elas aparecem, que tenho medo de dormir, porque pra isso tenho que fechar os olhos.

Você deve estar se perguntando por que existem tantos bichos assim no meu cafofo. Falta de limpeza não é, porque elas só vêm quando eu limpo a casa. De verdade! Acho que elas ficam doidonas com o cheiro do desinfetante, só pode! Deve dar barato nas malditas! Há uma bruxa a quem admiro muito que diz que aranhas são sinal de boa sorte. Eu até tento pensar assim, mas, olha, não é fácil não, viu nego! E a única explicação razoável pra existência permanente delas é que na rua de trás existe um miniecossistema, logo, elas se procriam lá. Agora, por que elas escolhem justo a MINHA casa? Ah... Sabedeusquenasceuantes!

Mas é só por causa das bichinhas que você está assim, estrupícia? Você me pergunta... E eu sou obrigada a dizer Senta, que lá vem história... Sabe quando a gente vai chegando ao fim de alguma coisa? Não dá aquela sensação de "E agora, José?"? Não dá uma angústia, um medo, uma sensação de impossibilidade? Uma necessidade de escolhar um caminho, acompanhada de um tremendo medo de escolhar o caminho errado? Escolher deveria ser sinônimo de abdicar. Afinal de contas, quando se escolhe um caminho, se abdica de tantos outros...

Tomar uma decisão significa chamar a responsabilidade do último pênalti da final de uma Copa do Mundo. E a gente não quer fazer igual ao Roberto Baggio, quer? A gente quer poder fazer uma escolha e seguir, de mãos dadas com ela, em paz. Mas isso só acontece em filme enlatado. A vida, assim como a verdadeira arte, não aceita finais felizes. Afinal de contas, se o contrário fosse, o final da vida não seria a morte, seria?

Você deve estar pensando no que aconteceu com a mulher que há poucos posts estava exaltando a vida, e sorrindo sem motivos. Ela continua aqui, não se engane! Não ache que isso é um ataque de pessimismo sem cura! Não! Isso é uma forma de tentar entender que a vida vale cada segundo, e que de nada adianta remoer as escolhas que não foram feitas. Um dia pode ser uma vida inteira!

Dois gênios da literatura já haviam descoberto isso quando escreveram Ms. Dalloway [Virginia Woolf] e Ulysses [James Joice]. Pra quem não conhece as obras, ambas retratam as 24 horas de um dia na vida de algumas personagens. Ao dizer que o livro todo se passa em apenas um dia, pode-se ter a [falsa] impressão de que é muito pouco. Mas não! Basta ler qualquer um desses livros pra se dar conta do quanto de vida cabe em um dia!

Nós somos uma colcha de retalhos, onde cada retalho é feito de um dia de nossa vida. Imagina se pararmos pra observar apenas os retalhos que já costuramos? Acabaríamos nos esquecendo de costurar os que estamos vivendo. Assim, no final, a colcha acabaria incompleta, esfarrapada. Os retalhos antigos estariam gastos, de tanto serem remexidos, e os retalhos novos estariam mal costurados...

E assim como no livro dos gênios, minha vida coube toda no dia de hoje. Desde o encontro com a aranha na porta logo pela manhã, até a constatação de que se eu fosse menos humana, talvez eu conseguisse errar menos. Hoje tive uma conversa muito triste com um amigo. Um amigo de uma vida toda, que, por conta da falta de palavras, se tornou um motivo pra que as lágrimas saíssem pra passear de meus olhos. Como naquelas brincadeiras em que a gente coloca os dominós uns atrás dos outros, sem tentar derrubar, nós acabamos tropeçando em um e derrubamos os outros. Hoje eu parendi que o amor também está nas palavras.... Por um engano meu. Por um erro de tradução. Por uma frase elíptica, acabei sofrendo pela perda, e fazendo com que ele também sofresse. Por calar ao invés de falar, nos magoamos. E um amor tão grande acabou se tornando um piano de cauda a ser carregado...

E depois de ver que uma escolha errada me roubou uma amizade importante, o medo me deu um abraço de urso, e não me soltou mais. Nem a voz do Bonito ao telefone conseguiu tirar de mim aquele nó na garganta de quem sabe que tantos erros foram cometidos, e que nenhum deles pode ser apagado. E como em uma bola de neve, todos os erros dançam cirandinha em minha frente...

E no meio da roda, vendo todos os anéis que haviam sido quebrados, não pude deixar de chorar. E como rezam as lendas, esse choro me lavou a alma. E então pude enxergar além do furacão. E então fazer uma escolha. E por saber o quanto você se importa comigo, e por me importar muito com a sua opinião também, vou lhe contar minha escolha. Ainda que ela não esteja concretizada, pois depende de outras pessoas, mas eu já a abracei e peguei pelas mãos.

Em setembro agora completei dois anos morando em Curitiba. E em dezembro faz um ano que moro só, neste cafofo. Foram dois anos completamente diferentes. No primeiro, fui anestesiada pela novidade, pela descoberta. No segundo, fui atingida pela dor e pelo aprendizado. Estou a alguns meses de terminar o mestrado, e sinto como se minha tarefa em Curitiba estivesse cumprida. Sinto que está na hora de deixar a casinha de bonecas pra trás e voltar pro meu interior. Sinto que preciso recarregar minhas bateria ao lado de minhas raízes...

Ao mesmo tempo, olho ao meu redor e vejo que se voltar, vou deixar pra trás tudo o que construí aqui. Não tenho certeza se meu caso com a cidade já acabou. Não sei se vou conseguir me adaptar à vida antiga. Fico me perguntando se voltar a morar com meus pais não seria retroceder... Fico com medo de me contradizer, pois havia dito que não voltaria mais pra lá. Mas, se até o Excelentíssimo líder do PT retirou o que disse, por que eu, mera estrupícia civil, não posso voltar atrás, né não?

Como bem disseram Vinicius e Toquinho "Depois da chegada vem sempre a partida/Porque não há nada sem separação"...

No fim das contas, não voltarei pra mesma vida, assim como não voltarei a mesma. Será uma nova vida. Uma nova escolha. Com alguns retalhos antigos, mas que merecem uma linha mais bonita... E nesse momento, depois de um dia inteiro em minha vida, depois de uma madrugada em claro, me sinto bem em minha própria pele.

Mesmo que eu tenha cometido erros, ainda que eu não tenha feitos todas as escolhas possíveis, fiz as escolhas certas. Como descobrimos, eu e um amigo, certa vez, não existe escolha errada, todas as escolhas que fazemos são certas, porque são nossas...

Me lembro bem de um amigo, a quem não vejo há muito tempo, que sempre dizia  [citando alguém que não me lembro agora] que "no final tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou ao final". E sabe que o bêbado tinha razão? Todos os nossos momentos têm um final, e nem sempre o certo é o melhor, é só o certo. Pra quem ou sob que ponto de vista,  aí já são outros quinhentos. É certo, é nosso.

E não é que no final do texto, tudo deu certo, rapaz?


*******
Patrícia está esperando amanhecer pra ligar pros pais e avisar que resolveu voltar pra casa deles. Já consegue ver o sorriso dos velhos e  o abraço que espera o retorno da filha pródiga.

Patrícia queria muito dar um abraço no Bonito, e agradecer pelo sorriso, ainda que distante. [E nem adianta me perguntar quem é o tal Bonito, que não revelo nem sob tortura!]

Ah sim! Ela jura que hoje vai fazer o sorteio da promoção. E pede desculpas pelo mistério. Mas, ó, cá entre nós [você e o Narrador  estrupício aqui] ela está é com medo de desapontar os outros leitores que não ganharam o prêmio. Mas sabe que você vai entender se não ganhar, não vai?

Ela não sabe como será o amanhã, mas pede que quem souber não diga. Quer descobrir com sua própria humanidade, que pode ser sim, cheia de erros, mas que também é feita de muitos sorrisos de aprendizado.


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sábado, 31 de outubro de 2009

Samba do crioulo doido com crise de abstinência...

Companhia Musical

Seven Nation Army - White Stripes
Are you gonna be my girl - Jet
Dreams - Cranberries
Losing my religion - REM
Gospel - Raul Seixas [música inédita, produzida por Mazolla]

Companhia Literária
"Ouvir ou ler sem refletir é uma ocupação inútil" [Confúcio]


Nessa vida a gente se acostuma com tudo. Seja com o sol quente na moleira, seja com o frio de congelar a alma, seja com as novas tecnologias que nos batem à porta todos os dias. E às vezes, esse "acostumar-se" acaba se tornando parte integrante de nossa existência. Como um vício. Como um membro virtual do nosso corpo.

Eu já havia experimentado uma crise de abstinência profunda quando o Don Corleone resolveu ir parar na UTI. Então, anteontem, justo no meu horário sagrado de assistir TV, eis que a estrupícia não funciona. Corro pra internet, e onde ela está? Telefone? Morreu também.

Quem é cliente NET sabe que quando um dos serviços dá pau, os outros resolvem dar também, talvez como forma de solidariedade. Só os atendentes não sabem ser solidários. Ao contrário, acho mesmo é que eles se divertem quando alguém liga lá desesperado pela falta de contato com o mundo. Afinal de contas, sem televisão, telefone e internet, como diabos  a gente vai se comunicar com o resto do mundo?

E depois de apertar zilhões de números malditos, você ouve da atendente que, TALVEZ, o técnico vá a sua casa no dia seguinte. O grande problema é que ela fala isso às 8 horas da noite. Sendo você uma pessoa notívaga, como vai se virar até as 3 da manhã?

Claro, sempre sobram os livros [que se amontoam aqui na cadeira, esperando para serem lidos]. Oi? Ah, sim... Pra algumas pessoas sobra a opção de dormir mais cedo, mas não pra estrupícia aqui, que se entope de cafeína o dia todo.

Depois de ler um livro, olho pro relógio e vejo que ainda é meia-noite. Vou sedenta à procura de um cigarro [Oxalá que ainda tinha cigarro!]. Olho pro maldito modem e ele ainda está lá, morto. Tento lembrar de como era a vida sem tv e internet, mas não consigo. Minha memória se recusa. Sinais primáros da abstinência: você não consegue se lembrar como era a vida antes da "substância" entrar em sua vida...

Decido então fazer umas posições de yoga. Nada. Respiração, então. Nada. Contar carneirinhos. Nem fodendo. Lá pelas tantas, meu corpo resolve colaborar e dorme. Ao abrir os olhos pela manhã, a primeira coisa que penso é se já consertaram o problema. Corro até o modem e vejo todas as luzes acesas. Viva! Saio dançando pela sala, e depois do café, volto a fazer parte do mundo...

Você já pensou como seria sua vida sem os meios de comunicação? Já imaginou se, de uma hora pra outra, ficasse sem rádio, sem tv, sem internet, sem jornal? Melhor não pensar, né não?

Então vamos aproveitar esse meio de comunicação tão querido, e 'bora pro nosso samba do crioulo doido...

TOP 5

Músicas que dão vontade de dançar

Sabe quando toca uma música, e quase que imediatamente você já começa a balançar os pés ou a cabeça? Me parece que existem músicas que foram feitas especialmente pra nos fazer ter vontade de dançar. Quase como um convite. Então, já que nos fizeram o convite, 'bora pra nossa lista?

Tenho - Sidney Magal [Sempre que ouço essa música, esqueço os protocolos do bom comportamento e exorcizo todos os bons costumes ensinados pelos manuais de "boa mocinha" da Emily Post...]

Mamãe Oxum - Zeca Baleiro [Quando ouço essa música, o santo, literalmente, baixa em mim. Danço sem vergonha, entrando em contato com o universo].

Kilometro 11 - Dino Rocha e Renato Borguetti [Eita chamamé dos bons! Ele me lembra de quando eu era bem pequena, e meu avó dançava comigo no colo...]

Feira de Mangaio - Clara Nunes e Sivuca [Esse 'rastapé é tão gostoso, que dá vontade de dançar até raiar o dia...]

Lenço - Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela [Não tem como ficar quietinho com esses mestres do samba, tem?]


Filmes Década de 20


Em meio a um misto de medo e admiração pelo progresso,o cinema entrou na vida da sociedade. E logo lançou seu encanto sobre todos. Hoje, não há uma só pessoa que não tenha, pelo menos, um filme como referência de vida, tamanho é o poder da Sétima Arte.

E pra homenagear esse veículo de comunicação tão especial, vou começcar uma série com o Top5 por décadas. A década de hoje é a de 1920, com suas produções em preto e branco, com seu cinema mudo, e com os clássicos europeus.

'Bora lá?

O cão andaluz - (França 1929) direção de Luiz Buñuel e roteiro de Salvador Dali [A máxima expressão cinematográfica do Surrealismo. Esse curta consegue fazer com que, em apenas 16 minutos, diante do silêncio, nos rendamos à arte surreal...]

Nosferatu - (Alemanha 1922) direção de F.W. Murnau [Um dos ícones do expressionismo alemão, e um dos melhores filmes de terror de todos os tempos.]

O Encouraçado Potenkim - (Rússia 1925) direção de Eisenstein [Um dos mais brilhantes diretores de todos os tempos! O cara que revolucionou a estética do cinema, em um filme que retrata a frieza e crueldade russa]

Outubro - (Rússia 1927) direção de Eisenstein [Mais uma obra prima do gênio]

O garoto - (Estados Unidos 1921) direção de Charles Chaplin [Não podia faltar Chaplin, né! Além da presença do mestre, o filme consegue ser divertido e emocionante ao mesmo tempo...]


Livros para ler em viagens

Me parece muito conveniente que em qualquer aeroporto haja uma livraria. Afinal de contas, antes da invenção do notebook e do WiFi, o que se fazia parar encarar o tempo de espera? Ainda hoje se vê muita gente lendo nos saguões de aeroportos e rodoviárias, e algumas poucas almas tentando ler durante as viagens.

Toda vez que vou pra casa dos pais, minha bolsa vai lotada de livros. Até porque são singelas 16 horas de viagem de ônibus. Claro que, quando as companhias de avião decidem colaborar, vou voando, mas nem sempre é o caso...

E como aguentar tudo isso sem uma boa seleção de Mp3 e um bom livro? Impossível, né não? E minha leitura preferida em viagens são as histórias em quadrinhos. Além do fato de ser mais fácil "seguir o raciocínio", pois as frases não estão todas grudadas umas nas outras, é muuuito mais divertido.

'Bora pra lista? [Ps: nos nomes dos quadrinhos, vou colocar os links que levam até páginas que os disponibilizam online, caso alguém não conheça e se interesse]

Mafalda - Quino [Quem me conhece sabe que Mafalda é minha vida! E que eu quero ser como ela quando crescer...]

Garfield - Jim Davis [Impossível não se reconhecer, pelo menos um pouquinho, com o gato mais sem-vergonha da história dos quadrinhos]

Calvin e Haroldo - Bill Watterson [O par perfeito pra Mafalda!]

Peanuts - Schulz [A turma mais fofa e inteligente dos quadrinhos americanos] 

Malvados - André Dahmer [Eu não me canso de dizer que o Dahmer é o cara! Com uma idéia simples, conseguiu fazer um trabalho genial!]


Faça parte do TOP5 você também! É só fazer sua listinha que você vem parar aqui!

Google Desktop

E o Google, a cada dia que passa, nos torna mais dependentes de suas invenções. Uma das mais novas [aberta ao público, pois o Google Wave ainda é relegado a um grupo VIP] é o Google Desktop. Com essa ferramenta, você pode buscar arquivos dentro do seu próprio computador, igualzinho a ferramenta que busca informações pela web.

É bem bacana pra quem tem muitos arquivos espalhados em várias pastas. É só clicar na barrinha que, automaticamente, ele acha o documento pra você. Quase como um mordomo da informática!

Além disso, junto com a ferramenta de busca, o Google disponibiliza uma barra lateral, bem parecida com a que vem instalada no Windows Vista. Mas é claro que a do Google é mais legal, e tem muito mais gadjets. Pra quem já conhece o IGoogle [a página personalizada da página principal do Google], fica super fácil de mexer.

Quer dar uma olhadinha? AQUI, ó. Tudo explicadinho... Oi? Não, infelizmente não ganhei jabá pra fazer a propaganda... Mas sabe como é, né. Coisa boa a gente propaga...

Improváveis

Numa andança pelo youtube [outro site do inferno, que vicia e não tem volta!], encontrei alguns vídeos do espetáculo Improvável, criado pelos Barbichas, um trio de humor que tem ganhado notoriedade na TV pela participação no programa Quinta Categoria, da MTV.

Baseado no humor de improviso, o espetáculo é cheio de piadas espontâneas e situações "improváveis". Vale a pena visitar o site dos caras AQUI, ó. Mas já vou avisando que você vai ficar cansado de tanto rir, porque os caras são bons de verdade!


Vale a pena ler

O Blog dos Quadrinhos, da autoria de Paulo Ramos, além de agradar os viciados na 9° arte, também agrada aqueles que não sabem tanto assim sobre o assunto. Com posts curtos, Paulo Ramos fala dos lançamentos de revistas, dos eventos sobre quadrinhos, e tudo o mais que envolva esse mundo tão bacana, inclusive as atuais polêmicas, sobre as censuras feitas a algumas obras.

Vale a pena ler, se você não conhece, se conhece um pouco, ou se conhece muito. Porque o Blog dos Quadrinhos não usa uma linguagem que exclua aqueles que não respiram os ares desse mundo tão diverso. Ao contrário, é acessível e tem uma redação muito clara e gostosa de ler.

Se interessou? Clica AQUI, ó. E divirta-se!


Política, pra quê te quero?!

*E eis que se consolidou o que todos já imaginavam: PT e PMDB irão unir suas forças na eleição do ano que vem. O "Batman" da dupla já está escolhido, afinal de contas, não é novidade que a candidata da "Situação" [não é estranho se referir ao PT como um partido que não seja o da oposição?!] é a Dona Dilma. Agora só falta o velho Coronel indicar um nome da sua tropa de choque. Já imaginou se resolvem colocar o Collor como o Robin dessa dupla?! Haja óleo de peroba pra passar nas máscaras da nova união...

* Hugo Chaves afirmou que seu "coração" diz que a atual ministra-chefe da Casa Civil chegará à Presidência do Brasil" [Fonte: G1]. Ainda na mesma entrevista, o venezuelano exaltou as qualidades revolucionárias da Ministra e pediu apoio do povo chileno a ela. Primeiro: Desde quando o Chaves tem coração?! E depois, como os venezuelanos vão apoiar a dita cuja? Censurando nosso meios de comunicação? Eu sabia que essa "amizade" do Lula com os hermanos estava pra lá de esquisita... TscTsc...

*Essa semana, em uma palestra para catadores de papel, Lula criticou a imprensa, a chamando de "elite pedante" e disse que já não há mais os ditos formadores de opinião, pois "hoje o povo tem sua própria opinião"  [Fonte: O Globo}. Ah, 'tá bom! E que opinião é essa? A opinião que o governo faz com que tenham, distribuindo bolsasesmola? Vindo de um homem que diz que os jornais lhe dão azia, esse tipo de declaração não é de se espantar...

* "Quando você está lidando com gente anormal, e o bandido é anormal, nós somos o normal. Um bandido não é normal. Achar que é fácil enfrentar uma quadrilha organizada é ilusão, é difícil, é preciso investimento na inteligência", afirmou [o Presidente Lula], depois de inaugurar obras na Vila Olímpica da Mangueira [Fonte: Folha de São Paulo]. Dessa vez eu concordo com o Presidente, afinal de contas, há quanto tempo o povo tenta enfrentar a quadrilha organizada da política e não consegue vencê-la? Corrupto também é bandido, e, sob a ótica do Excelentíssimo, é anormal. E se já é difícil derrotar os "anormais" do tráfico, que dirá os anormais do Congresso...


Esporte

*O Campeonato Brasileiro está pegando fogo! "Nunca na história deste país" houve tanta disputa entre os líderes. As torcidas vão em peso aos estádios. Os times consideram cada jogo como uma final. Mas apesar de todas essas vantagens, tem gente querendo acabar com os pontos corridos e voltar a era do mata-mata...

Adivinha quem é? Mas é claro! Globo e Corínthians! Quem mais poderia ser?! Não vejo sequer uma explicação plausível que seja pra voltar ao formato mata-mata. Os pontos corridos incentivam os clubes a planejarem diariamente, além de serem muito mais emocionantes que o formato antigo...

Será que o grande problema dos pontos corridos é o São Paulo? Afinal de contas, muita gente afirmou "na surdina" que esse ano iria fazer de tudo para que o São Paulo não ganhasse o campeonato. E mesmo com erros grosseiros da arbitragem e com todo mundo contra, estamos lá, no topo.

Se vamos ganhar ou não, isso só dá pra saber na última rodada. Mas parece que o pessoal que só conseguiu ganhar um Brasileiro por pontos corridos quando comprou todos os árbitros não está muito contente em não estar no topo... E quem será seu torcedor mais ilustre? Lálálá...

Fofocas e tirações de sarro a parte, espero que a Globo retome a consciência e deixe tudo como está. Afinal de contas, em time que está ganhando não se mexe, né não?


Palavras Alheias pra terminar

Em alguns posts anteriores, ao invés de escritores e livros, o Palavras Alheias teve a presença de Histórias em Quadrinhos. Para quem é novo no blog, e não sabe, a minha dissertação de mestrado é sobre histórias em quadrinhos. E a cada dia me esforço mais pra mostrar que os quadrinhos não são apenas uma "subleitura", ou então leitura pra criança.

E só pra corroborar com minha afirmação, o Palavras Alheias de hoje é do mestre Will Eisner. Não há um quadrinhófilo que não reconheça o Eisner como mestre. Por quê? Além de ser um dos artistas mais geniais de todos os tempos, ele também ajudou a divulgar e desmistificar as HQs. Os quadrinhos de Eisner são pura arte. Com um desenho lindo e um roteiro inteligentíssimo. O cara é tão importante que uma das maiores premiações de quadrinhos leva seu nome, o Will Eisner Award.

Quer saber mais sobre ele? AQUI, ó. Um site em inglês dedicado ao mestre. E abaixo um quadrinho de sua genialidade...




Só lembrando que hoje é o último dia da promoção "27 motivos pra sorrir"! Ainda não participou? Clica AQUI, ó. Amanhã farei o sorteio e divulgarei a ganhadora!

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Democracia obrigatória.

Companhia Musical
Brasil - Cazuza e Gal Costa
Que país é este? - Legião Urbana
Roots Blood Roots - Sepultura e Luciano Pavaroti

Apesar de você - Chico Buarque
Meu caro amigo - Chico Buarque

Companhia Literária
"Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as objeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade." [Nelson Rodrigues]


Primeiro fomos descobertos. Não literalmente, é claro, visto que os indios já estavam todos desnudos quando os portugueses por aqui se atracaram. Depois de muito tempo sendo depósito de seres humanos indesejáveis, e colônia de férias da monarquia portuguesa, nos tornamos uma República. Veja só, estamos progredindo! Não somos mais governados por um rei adolescente!

Em 15 de novembro de 1889, graças a um golpe militar [não, não tem nada a ver com o golpe que tirou o poder do sósia do Professor Girafales!], foi proclamada a República no Brasil. Uma das promessas do novo regime era dar mais liberdade e autonomia de voto às províncias. Pois bem... E você que achava que não cumprir promessa era coisa de político contemporâneo. Quá!

Com a República nos tornamos o país do futuro. Sabe-se lá se é futuro do presente, do pretérito, imperfeito, mais-que-perfeito, ou, no caso do telemarketing, futuro do gerúndio. E foi aí que nosso povo mostrou todo o seu poder de fogo. Ao se darem conta de que o fim da monarquia não significava o fim das injustiças, a parte marginal da sociedade decidiu lutar. Com unhas, dentes, armas, facões... Foram intermináveis e sangrentas batalhas, que tiveram em seu saldo muitos mortos e nenhuma mudança por parte do governo [Oi? É verdade, isso lembra a guerra do tráfico no Rio...].

No meio das cinzas de tantos cadáveres, surgiu Getúlio Vargas. O homem do povo. O homem do futuro. Uma coisa não se pode reclamar do governo de Getúlio: a de que o homem cumpria suas promessas. Exilar aqueles que são contra o governo? Done. Torturar, prender e matar qualquer cidadão com um mínimo de capacidade crítica? Done. Ludibriar os pobres, prometendo um futuro melhor e cheio de progresso? Done.

A herança de Getúlio continuou firme e forte no Regime Militar. E num dia nublado de 1985, Sarney assumiu a presidência do país. Mal esperou fecharem o caixão de Tancredo, e já estava lá, no Palácio da Alvorada, procurando lugar para enfiar sua família. Quanta ironia que um dos filhos do Coronelismo fosse nosso primeiro presidente civil...

Apesar de todos considerarem os anos 80 como a década perdida [e de eu discordar disso veementemente], foi nos anos 80 que a sociedade brasileira esboçou sinais de sanidade. O movimento Diretas Já tomou conta das ruas, e fez com que as eleições passassem a ser democráticas, e a Constituição fosse promulgada.

Em 1989, exatos  100 anos depois da Proclamação da República, o país todo foi às urnas para eleger o primeiro presidente verdadeiramente fruto da democracia. Estavam todos eufóricos, sentindo-se cidadãos em seu pleno exercício. E eis que o fruto apodreceu. Antes de completar meio mandato, Collor viu-se chutado da presidência. Mais uma vez o povo tinha tomado as ruas. As mesmas ruas que hoje são palco de tiroteios, assassinatos, assaltos, crackolândias, naquela época foram o lugar de jovens que acreditavam que sua voz tinha força o suficiente para mudar o país.

A história que contei até aqui é velha conhecida de todos. A muitos foi ensinada nos bancos da escola, e, talvez, em boa parte esquecida. Outros a viram de suas janelas, com seus próprios olhos, com suas próprias lágrimas. Eu mesma a vi através dos livros, das fotos; ouvi da boca daqueles que lá estiveram.

Mas o que isso tem a ver comigo? Afinal de contas, isso é passado, já foi!, você pode estar se perguntando. E é exatamente nesse ponto que quero prosear com você. Muitos de nós não pudemos participar da construção do passado de nosso país. Mas se hoje estamos aqui, sossegadinhos, em frente de nossos computadores, é graças àqueles que, com suas mãos, construíram nossa história.

Mas a ditadura passou!, você pode estar pensando. Sim, aquela ditadura "pé na porta e soco na cara" passou. Aquela ditadura escancarada, que batia em quem não queria ouvir está, sim, presa nos livros. Mas a ditadura moderna continua aqui, bem na frente de nossos narizes. Afinal de contas, você nunca se perguntou por que o voto é obrigatório se o pais é democrático? Ora, se algo é obrigatório imediatamente perde sua democracia!

Todos os nossos representantes governamentais enchem a boca pra falar da nossa democracia; enquanto isso seus acessores estão fazendo contato com os pobres pra garantir que seu voto seja depositado na urna. Dizem os governantes que a população tem o direito de participar das decisões parlamentares, enquanto que em nosso congresso e senado, diariamente, são votadas leis e projetos sem que nenhum  de nós tenha sido questionado e informado a respeito [Ou você sabia que está para ser aprovado um projeto que institui o Dia do Corínthians?!].

Dizem que somos livres para ir e vir, e que a liberdade de imprensa deve ser preservada. Mas não nos dão escolha ao instituirem a Propaganda Eleitoral Obrigatória. Mais uma vez, se é obrigatório não é democrático! Eu não sou contra a propaganda dos candidatos. Ao contrário, sou daqueles que assistem as propagandas por interesse, e, principalmente, por divertimento. Mas não concordo com o fato de obrigarem as pessoas a assistirem. No fundo acho que é só uma iniciativa dos partidos para que as pessoas gastem menos energia elétrica, afinal de contas, a maioria desliga a tv quando começa a propaganda eleitoral.

Você pode estar pensando "Mas o quê diabos eu tenho a ver com isso?!", e quase fechando a página, assim como faz com a tv. Mas espere só um pouquinho, por favor. Imagine se as pessoas que saíram nas ruas no Diretas Já pensassem o mesmo que você. Imagine se eles não se mobilizassem para que hoje pudéssemos ter uma pseudo-democracia. Pois é... Se eles não tivessem achado que era com eles, nós não estaríamos aqui exercendo nossa liberdade de expressão.

Quando você, em dia de eleição, vota em branco ou anula seu voto, ao mesmo tempo você está se esquecendo da quantidade de pessoas que já morreram em nome da democracia. Você está abdicando de um de seus mais preciosos direitos enquanto cidadão civil. Você está assinando o atestado de que o país pra você pouco importa.

Pode parecer chato demais pensar nisso meses antes das eleições. Pode parecer inútil discutir política, afinal de contas, "o país não tem mais jeito mesmo". Mas muitas vezes a gente se esquece de que os filhosdaputa que estão gastando nosso dinheiro, foram colocados lá, não pelos votos que compraram das pobres almas  analfabetas que precisam de um saco de feijão, mas pelo voto nulo, cheio de descaso, de um de nós, alfabetizados.

Não é preciso fazer parte de um partido político [aliás, o melhor é NÃO fazer parte] para fazer parte da política do país. Somos obrigados a votar, sim. Mas não somos obrigados a fechar os olhos pra patifaria que reina em nosso circo. Os políticos, parlapatões que são, ficam felizes quando um de nós troca o canal da vida, e, ao invés de assistir a Tv Senado, prefere assistir A Fazenda.

Por isso, cabe a nós, eu, você e o restante dos letrados, fazer parte da nossa política, e honrar os nossos mortos. Porque daqui a 100 anos, algum jovem vai ler nos livros aquilo que fizemos, e você não quer que no lugar de fatos e atos de bravura eles encontrem apenas uma folha em branco, quer?


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobre o tempo e presentes!

Companhia Musical
Que pena - Jorge Ben Jor
Tenha dó - Los Hermanos
Ladeira - Orquestra Contemporânea de Olinda
Meu carnaval - Filho dos Livres
Fita amarela - Orquestra Imperial

Companhia Literária
"É preciso ter força para rir, relaxar e ser leve. A tragédia é ridícula" (Frida Kahlo)

Estava aqui, tentando fazer com que minha agenda de compromissos não me estrangulasse, quando percebi que meu último post foi há uma semana. UMA SEMANA! Mas o quê diabos eu fiz em uma semana que não tive tempo pra postar um texto sequer?! Será que caí em um buraco negro? Será que fui raptada e não lembro? Será que...

Não... A única explicação é a de que eu não consigo mais gerenciar meu tempo. O estrupício se tornou areia que me escorre por entre os dedos sem que eu consiga  segurá-lo. E me resta apenas a terrível sensação de dever descumprido...

Fico me perguntando o que seria de mim se tivesse marido e filhos... Vejo tantas mulheres que conseguem trabalhar, cuidar de seus filhos, estar ao lado do maridão, cuidar da casa, cuidar de si mesma.... Ufa! Só de pensar já cansei!

E eu? Ah, eu mal consigo cuidar do Mestrado. E pra falar a verdade, há muito que não sei o que é cuidar de mim...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Samba do crioulo doido com café fresquinho...

Companhia Musical [Especial Duetos]

Só louco - Dorival Caymmi e Renato Russo
Pagu - Rita Lee e Zélia Duncan
O que será - Chico Buarque e Roberto Carlos
Pout-pourri de samba - Paulinho da Viola e Clara Nunes
Encontro - Adoniran Barbosa e Elis Regina

Companhia Literária
"Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."
(Carlos Drummond de Andrade in Os ombros suportam o mundo)


Eu já falei diversas vezes sobre meu relacionamento com a blogosfera. Foi através dela que conheci pessoas que hoje me são muito queridas e importantes. Foi através desse cafofo aqui, no qual sempre insisto para que você fique à vontade, que criei laços de amizade com pessoas de todas as partes desse mundo. E a cada dia que passa, me encanto mais com a possibilidade de compartilhar minha vida com você.

No fundo, descobri que não foram só minhas palavras que foram pegas pelas mãos e convidadas para passear em outros olhos. A cada comentário que leio, a cada blog que visito, tenho a nítida impressão de que eu também sou convidada a passear em outras vidas. E já não sei mais viver sem a presença, ainda que abstrata das suas palavras.

Afinal de contas, nossos substantivos abstratos são aqueles que nos acompanham mais do que os concretos. A alegria, o carinho, a saudade, a tristeza, o amor, todos moram no mundo da abstração, e penso que, por isso mesmo, têm mais vida em cada um de nós.

Por falar em abstrato, o Seu Narrador está até agora pulando de alegria com a manifestação de vocês, para que ele não fosse demitido. Pediu para agradecer a cada um que o defendeu. Eu não retirei a advertência. Mas dei a ele um pouco mais de liberdade. Não muita, senão ele, fanfarrão que só, se aproveita!

E eu também quero agradecer, por você vir até aqui e deixar um pouquinho de você, e levar um pouquinho de mim. E como forma de agradecimento, vou ali lhe passar um café,. Enquanto isso, você fica aí, deitadinho na rede, em companhia do meu Crioulo Doido.

'Bora lá?


TOP5

Músicas para ver o pôr-do-sol

É tão gostoso sentar numa cadeira confortável,  ou deitar em uma rede, e observar o pôr-do-sol, né não? É como se a gente fosse convidado pra testemunhar o passar do tempo, mas através de um filtro colorido. Eu sei que nessa nossa vida louca, a gente não tem lá muito tempo pra parar e ver as coisas simples e eternas da natureza.

Mas você não acha que vezououtra é bom parar um pouquinho, e se encantar com o laranja, que vai ficando cor de rosa, e logo se veste de azul? Seja na companhia do amado, ou na companhia de si mesmo? E como nossa vida sempre tem trilha sonora, 'bora pra nossa listinha?

1. Moon River - Frank Sinatra [Ah...Eu até suspiro quando penso no velho Sinatra...]

2. La vie en rose - Edith Piaf [Tenho cá pra mim que essa música foi criada sob  o pôr do sol]

3. As rosas não falam - Cartola [Talvez as rosas, assim como as estrelas de Olavo Bilac, falem para aqueles que as queiram escutar...]

4. Somewhere over the rainbow - Eric Clapton [Com essa música, eu sempre enxergo um arco-íris ao longe...]

5. Relicário - Cássia Eller e Nando Reis [A dupla que une força e delicadeza. Calor e beleza.]


Melhores adaptações de livros para o cinema

Eu sei que muita gente torce o nariz para filmes baseados em livros. Mas, no calor da admiração literária, a gente se esquece que são duas linguagens diferentes, e acaba querendo que o filme seja mais fiel ao livro do que a Gaviões ao Curíntia.

No fim das contas, acredito que, ao transformar um livro em linguagem cinematográfica, o diretor tem que criar uma nova história, sem se esquecer daquela na qual ele se baseou. Pra mim, os melhores filmes baseados em livros são aqueles que dão novas cores à velha história.  E pra você?

1. Trilogia O Poderoso Chefão - direção de Francis Ford Coppola  baseado no livro homônimo de Mário Puzzo [Aqui, além da genialidade do próprio Copolla, os filmes contaram com o roteiro do Mario Puzzo. Assim, seria impossível errar. E eu já falei dele AQUI, ó].

2. As Horas - direção de Stephen Daldry baseado no livro homônimo de Michael Cunningham [Tanto o livro quanto o filme são maravilhosos! Já falei desse filme AQUI, ó.]

3. Quem tem medo de Virgínia Wolf - direção de Mike Nickols baseado na peça teatral homônima de Edward Albee [Perfeição. Talvez seja essa a palavra que melhor define esse filme. Elizabeth Taylor em uma de suas mais incríveis atuações. E eu já falei dele AQUI, ó].

4. V de Vingança - direção dos Irmãos Wachovski [os mesmos de Matrix], baseado na Graphic Novel homônima de Alan Moore e David Loyd [Uma das melhores adaptações de HQ, ever! E eu ja falei dele AQUI, ó].

5. Harry Potter e a Pedra Filosofal - direção de Chris Columbus, baseado no livro homônimo de J.K. Rowling. [Pra mim, o melhor filme da série. Retratou com primazia o universo potteriano].

ATUALIZANDO
[Como muito bem lembrou o Sr. Edgar (ou como prefiro chamá-lo, Degu), um grande amigo meu,  e parceiro no blog Página 17, eu não incluí na lista dois filmes incríveis e pelos quais eu sou apaixonada! Mas esse é um dos problemas de se fazer um Top5, né não? Então, aproveitando a deixa do Degu:

Alta Fidelidade - direção de Stephen Frears baseado no livro homônimo de Nick Hornby [Eu AMO tanto o filme quanto o livro! E foi daí que partiu meu vício em Top5! Além do que, tenho um tombo por John Cuzac... E a trilha sonora do filme é genial!]

Clube da Luta - direção de David Fincher baseado no livro homônimo de Chuck Palaniuck [Como no caso anterior, eu sou apaixonada tanto pelo livro quanto pelo filme... Como não gostar de um filme no qual Brad Pitt, além de ser a delícia de sempre, atua como um ator de verdade? Sem contar o gênio que é o Edward Norton... E toda a violência gratuita, é claro]

Ufa... 'Brigadão, Degu! Não tem como deixar esses dois de fora, né... Devo ter esquecido por causa da paixão. Afinal de contas, essa dona moça deixa a gente avoado...]


Livros para ler deitado no parque

Se tem uma coisa boa nesta cidade gelada são os parques, bosques e afins verdes. E como é bom esticar um paninho na grama, e ficar lá, lendo, sossegada, tomando um pouquinho de sol.

Tenho cá pra mim, que os melhores livros pra se ler na companhia da natureza são os livros de poesia. Deve ser porque a poesia cria formas sob o sol, enquanto a prosa precisa do cimento e das paredes pra fazer viver suas personagens.

Por isso, ao invés de livros específicos, vou fazer uma lista apenas com nomes de escritores, porque pra mim, qualquer livro deles é perfeito pra ler sentado sob a árvore, e, quem sabe, sonhar com o país das maravilhas e o coelhinho branco...

1. Fernando Pessoa [O maior dos poetas de Portugal, que de tão grande precisou dividir-se em heterônimos. É também o poeta da metafísica presente em cada folha das sábias árvores]

2. Carlos Drummond de Andrade [O Itabirano que conquistou o mundo com suas palavras simples, com seu gesto doce, e com seu coração no qual cabe o mundo]

3. Mário Quintana [O fazedor de sorrisos é perfeito praqueles momentos em que o mundo se torna cinza demais]

4. Manoel de Barros [O poeta do desfazer poético dá vida às pedras, às árvores e aos meus sonhos]

5. Manoel Bandeira [Manoel consegue nos levar do riso doce à triste solidão como quem nos conduz em uma valsinha...]


Faça você também seu Top5! Além de divertido, você pode ser linkado aqui!


Vale a pena ler

Me lembro do dia em que descobri o Manual do cafajeste (para mulheres). Me senti como se tivesse encontrado o sapato perfeito, que é lindo e não me aperta os dedos. O blog é composto de histórias e dicas do Cafa, autor e personagem. A linguagem que ele usa é bem informal, e por isso mesmo, muito próxima da realidade.

Mas já vou avisando que é capaz de muita gente achar o blog machista e ultrajante. Pois há a presença de alguns estereótipos velhos conhecidos nossos. Além disso, é a visão de um homem macho que está impressa em cada palavra. Os textos do Cafa se assemelham mais a Nelson Rodrigues do que a Vinícius de Moraes. Ainda assim, é uma leitura sempre divertida, e, por que não, cheia de aprendizados sobr eo mundo masculino.


Uma outra Patrícia Pirota?!

Tenho o costume de, vez ou outra, pesquisar o nome da minha estrupícia pessoa no Google. Pra quê? Humana curiosidade, meu caro. Mas sempre me assustei com a quantidade de links que estão espalhados na blogosfera. Além disso, através do LiveFedjti [um ícone que fica lálálá embaixo, no blog, e que me diz como as pessoas vieram parar aqui], percebi que havia muita gente pesquisando meu nome.

Sem conseguir encontrar uma explicação razoável, afinal de contas, não sou tão conhecida assim [embora meus credores digam o contrário], foi com surpresa que encontrei uma outra Patrícia Pirotta, mas essa, com dois Ts. A mulher é uma artista plástica argentina talentosíssima, e, possivelmente faz parte da minha família, já que o escrivão cortou um T do meu nome na certidão.

Então, se você veio parar aqui no meu cafofo procurando a Patricia Pirotta, artista de verdade, o lugar certo é esse AQUI, ó. E se você ficou curioso em saber quem é a outra Patrícia, faça uma visitinha. As artes dela merecem...


Política, pra quê te quero?!

*Ao ler a notícia de que o Sr. Obama havia ganhado o Nobel da Paz, fiquei um tanto quanto desnorteada. Achei que havia perdido uma grande façanha do presidente americano, mas descobri que não. Acredito que esse foi um Nobel político; um Nobel do tipo "olha lá o que você vai aprontar, meu filho!". Ao darem o prêmio ao líder da nação americana, a ONU também lhe dá uma responsabilidade, afinal de contas, um homem que tem um Nobel no currículo não se arriscará a manchá-lo com guerras pra conquista do mundo. Esse não foi um prêmio merecido, mas sim um prêmio estratégico. Mais ou menos como no War, naquela velha tática de "Se você não me atacar aqui, eu não te ataco aí"...


* Apesar de ser notícia que já embrulhou os peixes, não posso deixar de comentar sobre o Blog do Palácio do Planalto. Tudo bem que o pessoal do governo decidiu "ficar mais próximo" do seu eleitorado, e invadiu a internet. Mas alguém tinha que avisar aos editores do blog que uma das principais características desse meio de comunicação é a troca de opiniões e comentários. Pra quê demônios serve um blog no qual não podemos comentar?!

Há uma parte em que o leitor pode dar sua sugestão ou fazer sua crítica, mas, sinceramente, não é a mesma coisa. Se fosse apenas pra divulgar a parte maquiada do Governo, que criassem um domínio próprio. Mas, se decidiram criar um blog, que respeitassem suas características. Será que a falta de espaço pros comentários é medo de ter a verdade jogada na cara?!


* Por que diabos os estrupícios parlamentares ainda referem-se uns aos outros como Vossa Excelência? A tradição, o decoro e a educação já foram, há muito, enterrados em nossa política. Então, por que não usar um sinônimo? Penso que corruptosemvergonhaladrãoadinfinitum cairia como uma luva de pelica...


* Com exceção de PSDB, PMDB e DEM, os demais partidos políticos cobram taxas mensais (que variam entre 6% e 20% do salário) de seus afiliados. E depois os sujos da política têm a pachorra de reclamar dos mal-lavados das igrejas universais. TscTsc...


* Alguém me diz quando é que vão tirar o dublê do Professor Girafales da nossa embaixada em Honduras?!


Andam falando por aí...

E 'bora criar mais um espaço no nosso Samba... Nesse aqui, vou colocar frases ou acontecimentos desse mundo afora... Fofoca? Capaz! Só um update da vida alheia, oras...

Ah, sim! Antes que eu me esqueça! Essa seção não tem a intenção de ridicularizar ou ofender nenhuma das pessoas citadas. Afinal de contas, se elas vieram parar aqui, é porque já fizeram isso sozinhas...

* "A castanha do Pará é um ingrediente da nossa [pausa...] fauna" (Ana Maria Braga em seu programa matinal) - Isso quer dizer que a Arara é um animal da nossa flora?! E que eu aprendi tudo errado na escola? Tsctsc...

* "Meu grande presidente Lulinha, paz e amor" (Carlos Minc, no Programa do Jô de 15/10, referindo-se a uma foto do Presidente Lula) - É impressionante... Cada vez que eu acho que o Minc já atingiu o limite, ele me surpreende mais ainda. Veja lá se isso são modos de um Ministro falar, rapaz!

* "Lula já qualificou os jornais de 'capengas', [...] e disse que não tem o hábito de ler jornais porque lhe dá azia. 'Faz mal ao fígado', explicou" (Revista Istó É 23/09/2009 Ed. 2080) - Mas isso é que é exemplo de governante, não é? Que coisa bonita uma pessoa que lidera um país afirmar que os jornais lhe dão azia. Melhor que isso, só o excelentíssimo Presidente do Senado afirmando em plena rede nacional (no Programa Canal Livre, da Band) que jamais processou um jornal.


Esporte

* E as Olimpíadas de 2016 são nossas! Parabéns Rio de Janeiro! Fico feliz que, enfim, o COI tenha dado uma chance para a América do Sul. Mas, apesar de acreditar que os jogos olímpicos irão gerar empregos, incentivos e melhorias na cidade do Rio, não há como deixar de pensar na quantidade de bilhões que serão desviados; na quantidade de turistas sendo roubados, ou ganhando de presente uma bala perdida...

Infelizmente, mesmo quando é dada uma notícia boa, os brasileiros (ao menos aqueles com um mínimo de senso crítico) não conseguem deixar de pensar nos problemas embutidos nessa notícia... Mas, 'bora esperar pra ver...

* O Campeonato Brasileiro continua acirrado. Mas, hoje não vou falar sobre os times, e sim sobre as figuras que têm aterrorizado e enfeiado os jogos: os excelentíssimos juízes e bandeirinhas, ou como são, carinhosamente, conhecidos pelas torcidas: filhoda*. Já faz muito tempo que não vejo um jogo no qual ninguém reclama do trio de arbitragem. Muitas vezes as reclamações são exageradas, isso é verdade. Mas o que dizer sobre a arbitragem de Cruzeiro x Palmeiras, pela 25° rodada do campeonato?! Que porra foi aquela?!

Eu sempre disse que um time não pode colocar a culpa de sua derrota no árbitro, mas, veja bem... Os erros que andam acontecendo em nossos gramados são inaceitáveis! E mais inaceitável ainda é alguns comentaristas da tv quererem justificar os erros do colegas e dizerem que assim como os jogadores erram, os árbitros também têm o direito de errar.

Ah! Vá pro inferno! Pra mim, jogador não tem o direito de errar, não senhor. Recebe salário pra quê, meu filho?! Pra brincar de decorar o campo? Treina todo dia pra quê? Pra manter a barriguinha sarada?! O cacete! É claro que devemos relevar alguns erros, e nos darmos conta de que jogadores são humanos, mas, ainda assim, é difícil de engolir...

Agora, árbitro errar é normal? Só no Brasil, mesmo. Quando acontece um erro bizonho, o cara não prejudica só um time, mas também toda a estrutura de um campeonato! "Ah, mas os times prejudicados em um jogo são favorecidos em outro!". E daí, porra?! O certo é não haver erro. Nem pra um lado, nem pro outro. Nossa arbitragem já se tornou política. E sinto ter que admitir que, assim como o congresso, também no futebol tudo sempre vai acabar em pizza...


Palavras Alheias pra terminar

Sempre acreditei que os autores estrangeiros também deveriam ser estudados em nossas escolas. Quando era professora de Literatura, fazia o possível para apresentar alguns dos grandes nomes da literatura mundial aos meus alunos. Não por desprezar a nossa literatura, de modo algum. Mas por acreditar que ao se conhecer a Literatura de um país, também se entra em contato com a sua cultura.

E o Palavras Alheias de hoje é de um desses gênios que falam uma língua diferente da nossa. Edgar Alan Poe  é considerado um dos pais do conto moderno. Sua narrativa cheia de símbolos e entrelinhas conseguiu introduzir o fantástico e o terror na literatura americana de forma a nos dar arrepios de medo e ao mesmo tempo sorrisos de gozo.

Como não admirar o homem que imortalizou o Corvo e seu "Nevermore", e que transformou um gato no motivo de loucura e morte de uma família? Pra quem gosta de ficção soturna e cheia de mistérios, Poe é mais do que uma boa pedida, é a melhor de todas as pedidas! AQUI, um site em inglês sobre o gênio. E abaixo uma pequena mostra de sua aterrorizante universalidade...

"E ela continuava a sorrir, sorria sempre, sem um queixume, porque via que o pintor (que gozava de grande nomeada) tirava do seu trabalho um fervoroso e ardente prazer e se empenhava dia e noite em pintá-la, a ela que tanto o amava e que dia a dia mais desalentada e mais fraca ia ficando. E, verdade seja dita, aqueles que contemplaram o retrato falaram da sua semelhança com palavras ardentes, como de um poderosa maravilha, - prova não só do talento do pintor como do seu profundo amor por aquela que tão maravilhosamente pintara. Mas por fim, à medida que o trabalho se aproximava da sua conclusão, ninguém mais foi autorizado na torre, porque o pintor enlouquecera com o ardor do seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o rosto da esposa. E não via que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces daquela que posava junto a ele." (Edgar Alan Poe in O retrato oval)


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Retalhos de carne, osso, imaginação e palavras...

Companhia Musical
Diz que fui por aí - Fernanda Takai
Hoje eu tô sozinha - Ana Carolina
Esquadros - Adriana Calcanhoto
Gracias a la vida - Mercedes Sosa [Gracias por todo, Mercedes!]
Hoje eu quero sair só - Lenine

Companhia Literária
"Dá-me a tua mão desconhecida que a vida está me doendo e eu não sei como falar - a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas." (Clarice Lispector in A Paixão segundo GH)

Patrícia acordou com o barulho da criança do segundo andar batucando na sua janela. Tentou fingir que era um sonho, voltar pro sono e dar uns tabefes no moleque espírito de porco, mas era tarde demais. Se arrastou até a cozinha e colocou a água pra ferver. Ao se olhar no espelho, tentou encontrar algum traço dos 27 anos recém completados.

Nada. Nem uma ruguinha. Nem um fio branco. Começo a desconfiar que o mais difícil de se acreditar na idade que se tem é quando se olha pra dentro. Daí sim, se enxerga o caminho percorrido, as lembranças, as lágrimas, os sorrisos... E as pessoas. Afinal de contas, o que seria de todo esse caminho sem outras pessoas com as quais compartilhar? Mas chega de filosofia logo cedo, né minha filha!

Patrícia faz o café, acende um cigarro, e admira a rosa que ganhou de aniversário enquanto tenta espantar o resto de sono que ainda teima em ficar grudado em seus olhos. Percebe que o sol resolveu dar o ar da graça, mas fica com preguiça de lavar a montanha de roupa que mora no banheiro.

Preguiça o escambau, seu sacripantas! Mas eu vou te contar, viu! Foi só as pessoas elogiarem esse narrador de araque, que agora ele acha que pode falar o que der na telha! Veja só... Você que não se aprume não, meu filho! Se continuar bancando o engraçadinho te mando pro Senado! Com protesto e tudo!

Tudo bem. Esse humilde narrador pede desc...

Ah sim! Antes que eu me esqueça! A Patrícia não vai lavar a roupa porque tem toneladas de coisas pra ler! E, embora muita gente ache que estudante é vagabundo, essa vida dá um trabalho do cão! "Ai, mas você não faz nada, só estuda?" Queria ver o estrupício que tem a pachorra de falar isso passar 16 horas sentado, lendo um monte de coisas que se misturam na cachola e ainda conseguir ter opinião crítica sobre tudo! Pronto... Pode continuar...

Como eu ia dizendo, antes de minha honorável senhora dar sua opinião, este humilde narrador pede sinceras desculpas, e promete que irá se colocar em seu devido lugar.

Cri cri cri...

Uai! Cadê você, seu mané?! Tem que continuar a história, oras! Elaiá... Não se fazem mais narradores como antigamente...

Patrícia senta-se em frente a Don Corleone e sente um aperto no coração de gengibre ao lembrar de quando ele ficou mais de um mês no conserto. Abre sua ToDo list, e lembra que tem reunião com sua orientadora. Depois de mais um café e um cigarro, abre seu blog e fica toda prosa com os comentários tão queridos que recebeu.

Ela imagina o que seria da sua vida sem o blog, e, principalmente sem as pessoas que passam por ele. Imagina que se sentiria sozinha por demais sem ter com quem dividir suas loucuras, suas idéias, seus sorrisos, suas lágrimas. Agradece pela presença de cada um dos pares de olhos que passeiam pelo Ainda MininaMá, e fica feliz por eles não a deixarem sentir-se solitária...

Que barulho é esse? Ops! Oi estõmago! Você vive, estrupício? Oi? 'Tá com fome? Vai fazer comida então, oras!

Patrícia não percebeu, mas anda falando bastante com coisas inanimadas. Na verdade, ela tem feito bastante uso da Prosopopéia. Afinal de contas, ela é a Dona Prosopopéia. Oi? Não entendeu? Pois então, não sei se posso contar essas histórias de antigamente, vai que ela fica mal humorada de novo. Melhor perguntar pra ela...

Perguntar o quê, criatura impertinente?! Ah sim... Sobre a história da prosopopéia. Então, isso aconteceu há alguns bons anos, quando... Putaqueopariu! Esqueci o arroz no fogo!

Patrícia conseguiu salvar o arroz a tempo. Mas a fome era tanta que se esqueceu de continuar a história. Outra hora eu a lembro de contar, 'tá? Enquanto isso, deixa eu  aproveitar que ela está distraída, e agradecer às pessoas que me defenderam da última vez em que ela ameaçou me despedir. Muito obrigado!

Agora me bateu uma preguiiiiiça... Por que diabos a gente sempre fica com preguiça depois que come? 'Tá, eu sei que é graças à energia que o corpo gasta pra digerir, e blábláblá. Mas, na hora, dá uma vontade de pensar que é apenas uma vontade divina de nos mandar tirar uma boa soneca. Pena que o maldito do meu cérebro não aceita essa desculpa, e me obriga a continuar acordada e trabalhando.

Depois de lavar a louça [e cantar como uma desvairada], Patrícia vai à caça de alguma roupa descente que esteja limpa.

Ó! Eu escutei sobre o "cantar feito uma desvairada", viu estrupício! Canto mesmo, e daí?! É bom cantar enquanto faço meus trabalhos de amélia, porque, quando vejo, já acabei. E 'tá difícil achar alguma roupa limpa com a qual eu tenha coragem de sair pra rua. Maldito tempo de Curitiba! É... Depois que embarquei nessa onda de não consumismo, fiquei cada vez com menos roupas. Tirando as que mofaram, e as que ficam grandes, não me sobra quase nada...

E essa blusinha rosa que você ganhou da sua irmã?

Oxê! Mas agora vai me dar conselhos sobre moda também, mermão?! Olha lá hein... Não quero usar essa blusa! Aliás, não quero usar blusa nenhuma! Queria saber o que aconteceu com todo o meu estilo... Será que deixei ele em alguma caixa perdida na mudança de Campo Grande pra cá?! Antes eu me arrumava, e até podia ser considerada exemplo de quem se veste bem. Hoje, é só jeans, casaco e tênis. Tudo liso, sem graça, sem cor, sem identidade... Ai meu deus! O que que eu faço?! Como eu descubro o que quero vestir sem antes descobrir quem sou?!

Patrícia desiste de tentar se entender, antes que acabe se atrasando. Coloca o mesmo trio jeans+All Star+casaco de sempre, e evita se olhar no espelho. Sabe que está na hora de mudar o estilo de roupa, afinal de contas, uma quase balzaquiana não pode andar por aí assim. Ou será que pode? Quer saber, eu acho que pode, contanto que ela se sinta bem. Mas nem vou entrar em detalhes, porque ela já está atrasada, e vai acabar não me esperan... Ou, me espera! Tenho que ir com você também!

Então anda logo! 'Bora pro martírio de pegar ônibus. Sorte a sua que, apesar de ser onipresente, você não é feito de matéria, logo, não é obrigado a se sentir como uma sardinha dentro do ônibus...

Patrícia desce do ônibus e a primeira coisa que vê são os hippies que ficam em frente ao tubo.

Ai que saudade do Higienismo, meu pai...

Sobe os três andares até a sala na qual vai encontrar sua orientadora. Ao ouvir Rosa Morena no fone, ela sorri. Sente-se feliz em rever a orientadora. Agradece por ter a sorte de não ter uma desorientadora. Afinal de contas, a sua é seu rumo, e não o contrário. Sempre com seus sorrisos , idéias geniais, e sabedoria, mostra a Patrícia que a pesquisa é como um parque de diversões. Que pode, ora ou outra, dar um susto; mas que, no fundo, é feita de descobertas e alegrias constantes...

Patrícia tenta conter a alegria quando recebe uma barra de chocolate da Orientadora, de presente de dia das crianças. Se sente criança de novo. Se sente querida. Depois de mais de hora conversando sobre as novas leituras, os rumos da pesquisa, os prazos. Depois de tantos livros indicados pra ler, e tanto aprendizado, as duas se despedem. Patrícia resolve encontrar um companheiro pro seu presente, e vai até às Americanas comprar um dvd.

Deixa eu ver... Eu preciso de um filme que não tenha sangue, nem morte, nem violência, nem máfia. Afinal de contas, TODOS os meus filmes são assim. Menos o Sociedade dos Poetas Mortos. Mas mesmo esse tem uma cena de morte. Ai senhor... Hum... Não... Não... Não... Que porra é essa de Sertanejo Universitário?! NÃO! Olha! Os Intocáveis por apenas 13 contos! Ai eu quero! Maaaas, era pra eu comprar alguma coisa leve. Uma comédia romântica, ou alguma coisa assim.

Mas eu não posso deixar Os Intocáveis aqui, sozinho! Tudo bem, é cheio de sangue, máfia, morte; mas o figurino é todo feito pelo Armani! E eu adoro homem de Armani... Sem contar a trilha sonora do Moricone. E a direção do Brian de Palma. E o Sean Connery perfeito. E o De Niro como Al Capone. E o Andy Garcia novinho, com aquela cara de carcamano. E o Kevin Costner lindo! Ah, que se danem as comédias românticas! Você vai fazer companhia pros outros filmes sangrentos que tenho em casa. Decidido!

Patrícia decide não usar os fones no caminho de volta pra casa. Quer ouvir os barulhos da vida que se passa do lado de fora de sua playlist. Mas a medida em que vai ouvindo as histórias de falsidade ("Ai! Eu falei com a X hoje, mas eu odeio aquela menina! Ela podia ser despedida!"), de tristeza ("Pois é... Meu marido está há uma semana no corredor do hospital sem ser atendido"), de traição ("Você acredita que aquele vagabundo saiu com ela, e na minha frente ainda?!"), Patrícia se dá conta de que há histórias por demais nessa tela viva, e que gostaria de mudar de canal...

Ao chegar no portão de casa, despede-se das vidas que conheceu no ônibus, e se prepara pra viver a sua. Antes de entrar em casa, dá boa noite a suas plantas. Ao abrir a porta e olhar o vazio da sala, sente-se só. Lembra das férias nas casas dos pais. Sente falta de ter alguém pra conversar, pra dividir as coisas boas, as histórias que viu nas ruas. Mas sabe que esse é o preço que tem a pagar. E aceita pagá-lo, mas não sem um nozinho na garganta...

Vai até a cozinha, esquenta a comida do almoço, e resolve se deliciar com o filme fresquinho trazido pra casa. Depois de um prato de comida quentinha, um copo de suco de uva, e um pedaço de chocolate, se deita no sofá pra continuar assistindo o filme. Acende um cigarro, e imagina o quanto sua vida seria triste se não tivesse tantas pessoas a povoá-la. Seja as de verdade ou de mentira...

Depois do filme entra no msn pra uma conversa com a mãe. As duas conversam como se não tivessem passado 20 dias conversando dia e noite. Patrícia também encontra um amigo de longa data, por quem tem muito carinho e a quem não vê há muito tempo. Matam a saudade, lembram dos velhos tempos, fazem planos. Sorri ao se dar conta do paradoxo de chamar de meu pequeno um homem de mais de 1,90 de altura. Fica feliz por não terem perdido o amor, mesmo com a distância e o tempo tendo-os afastado...

Encontra também um Bonito (Eu sei, eu sei... Todo mundo quer saber quem é o tal bonito! Mas se eu contar, a chefe me mata! Ou pior! Me manda pro Senado! Então, se quiser saber quem é o cidadão, pergunte pra ela!), e eles conversam sobre tantas coisas que ela nem vê o tempo passar...

Já era uma da manhã quando Patrícia se despediu de todos e desligou o computador. Ao deitar em sua rede (nova, ganhada do avô), já não achou sua sala tão vazia. Também percebeu que a solidão diminuira, e que a saudade se transformou num sentimento morno. Ao deitar em sua cama, e se cobrir com a colcha de retalhos feita pela mãe, pensou o quanto a vida é feita por pequenos retalhos. Alguns são invisíveis, mas se fazem sentir. Alguns estão um tanto descosturados. Outros são tão coloridos. Enquanto outros um tanto esmaecidos... Sabe que cada pessoa que conhece costura um pedacinho de retalho. E ainda que quem o costurou já não esteja mais ali pra remendar a linha que se soltou, o retalho continua pra contar a história.

Ainda bem que é assim... Que minha vida seja repleta de pequenos detalhes e lembranças, cada um costurado de uma cor e por um par de mãos... Que sejam mãos de carne, osso, imaginação ou palavras... Contanto que se unam às minhas...

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Meus amores! Quero agradecer imensamente todos os desejos de felicidade e os parabéns! Muito, muito obrigada mesmo!

Agradeço também a participação na promoção! Fiquei muito feliz em saber que muita gente gostou, e ficou feliz em participar. Sei que 27 é muito pouco, mas acho que isso é bom pra vermos o quanto somos felizes, mesmo que, às vezes, não nos demos conta, né não?

Oi? Você não sabe sobre a promoção?! Ô rapaz! Clica AQUI, ó! E participe!


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

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