terça-feira, 31 de março de 2009

Viva a diferença... [Ou uhum, senta lá...]

Já me cansei desse discurssozinho politicamente correto de "viva a diferença!". Tantas vezes usado pra falar sobre opções, sejam elas sexuais, religiosas, políticas ou cor do cabelo. E são sempre os mais hipócritas, do tipo fuifeitonomoldedocomercialdaDoriana, os primeiros a falarem sobre valorização das diferenças, e também os primeiros a não aceitarem alguém por não ter semelhanças com seu narciso.
Hoje li num tópico da comunidade Curitiba para não-curitibanos, um cidadão execrando as pessoas que não são de Curitiba, mas resolveram adotá-la como terra natal. O comentário do ser foi tão infeliz, mas tão infeliz, que me provocou arrepios de raiva! Putaqueopariu, mano! Qual é o problema das pessoas que não aceitam a diversidade, pura e simplesmente? Como aqueles filhosdeumaputa dos Testemunhas de Jeová, que resolvem bater a sua porta no domingo de manhã [parece que escolhem o dia da ressaca mais braba], pois juram que têm a obrigação de evangelizar sua pobre alma. Ah! Vá pro diabo que o carregue! Se eu quiser ser evangelizada [depois de um traumatismo craniano, talvez] eu vou, por livreeespontânea vontade, até um igreja, ou um centro de macumba, whatever... Não preciso de um desocupado batendo na porta da minha casa com a desculpa de que quer trazer cristo até mim, mas na verdade quer mesmo é vender aquela porra daquela revistinha!
Outra coisa que me deixa puta são os evangelizadores da vida alheia. Esses dias fui comprar cigarro, e um velhota que estava atrás, e não tinha diabo nenhum a ver com a história, veio me dar sermão, dizendo que cigarro faz mal, que deixa cheiro ruim, que ela vive falando isso pros filhos dela que são fumantes, blábláblá. Putaqueopariu bicho! Eu sou fumante há 9 anos, será que eu não sei que cigarro faz mal?! Se continuo é porque quero, e ninguém tem nada a ver com isso [vide esse post antes de falar alguma coisa sobre fumantes]. E se ela não consegue convencer nem os próprios filhos, por que demônios vem encher a minha paciência?! Bicho, "prefiro ter um filho VIADO do que ter um filho velha!" [Salve seu Lili!]
E ainda tem aqueles que querem te tirar do fardo horrível da solteirice. "COMO ASSIM você não tem namorado?!"; "Mas como você mora sozinha, sem ninguém por perto?!". Ah pronto! Como se o fato de eu não ter namorado fizesse de mim uma pobre coitada, que espera a morte silenciosa, enquanto toma conta do gato. Eu não tenho gato, cacete! E não preciso da dó de alguém por uma coisa que não me faz sentir dó de mim mesma! Não tenho namorado. Ponto. Vou fazer o quê? Chorar todos os dias assistindo soapopera?! Eu não! Vou é cuidar da minha vida, que ganho mais.
E se algum estrupício vier me dizer que esse post é devido a TPM, que vá pros quintosdosinfernos! TPM é uma doença séria, com alterações hormonais cujo desequilíbrio causa uma série de desconfortos para uma mulher. Agora o caboclo acha que não, que se uma mulher não dá sorrisinho e o chama de benzinho, ou 'tá com TPM ou é mal comida.
Já não basta eu ter que conviver com o fato de que não sou modelete-atriz-da-globo? Já não chega eu ter que aceitar que sou nerdpracaralho, e que a maioria dos homens não suporta isso? Já não chega a discriminação com meu cabelo curto, [que é curto porque eu sou preguiçosa]? Agora tenho que aturar discriminação de gay também? "Como assim você é hetero?! Todos somos gays lá no fundo." No seu fundo eu não sei, agora no meu não tem nada de gay, minha filha! A que ponto chegamos minha gente, eu ser julgada porque sou hetero?! Não são eles que vivem dizendo o quanto é ruim ser discriminado pela escolha sexual?! Meu, prefiro ter um filho viado do que ter um filho que acha que todo mundo tem que ser gay!
Sei que nossas vidas não devem ser guiadas pela opinião de todo mundo. Que muitas vezes devemos não dar ouvidos às balelas que nos falam. Que devemos sim ser felizes como somos, e que nossa liberdade termina no exato momento em que começa a do próximo. Mas tem hora que evangelização demais cansa. Torra minha paciência. Acaba com meu bom/mau humor...
É nessas horas que me reconheço no Seu Lili. Orra bicho, prefiro ter um filho VIADO do que um filho evangelizador. E tenho dito!

Ps: Pra quem não conhece o Seu Lili, AQUI um de seus mais célebres trabalhos. Corre lá porque é bom demais!!!
Ps2: Sorry àqueles que não estão acostumados, pela quantidade de "palavras de baixo calão". Sinto dizer que nem sempre sou poesia. Na verdade, na maioria das vezes, estou mais pra acidez e ironia machadiana do que pra poesia de Drummond...

Companhia musical: Iron Maiden

domingo, 29 de março de 2009

Dizem que saudade dói... Mas em mim ela reverbera...

Há muito venho pensando no que significa a saudade. É quase que um consenso que ela é a ausência daquilo que gostamos, ou que um dia tivemos. Mas o quê explica a saudade daquilo que nunca presenciamos?! Ou então a saudade daquela pessoa a quem nunca olhamos nos olhos? Pra mim saudade não é a ausência de algo ou alguém... É sim uma presença pela metade. Carregamos uma metade conosco de tudo o que nos faz bem: nossos bons momentos, nossos amigos, nossa família, nossos amores, nossas lembranças... A outra metade fica no tempo, perdida num espaço que não é o nosso... E é a ausência dessa outra metade que nos faz suspirar, olhar pro infinito, sentir o coração de gengibre apertado...
Desde que me mudei pra Curitiba, a saudade se tornou minha companheira inseparável. Todo dia me dá bomdia e boanoite. Me faz ficar com os olhos marejados e com a alma tristonha. Mas, quando me dou conta que, se sinto saudade é porque o sentimento é bom, troco a tristeza por borboletas, e sorrio sozinha me dando conta de como é bom poder lembrar dos meus avós acariciando meus cabelos; dos meus pais orgulhosos na minha formatura; dos primeiros passos da Gigi; dos abraços dos amigos; das flores que recebo virtualmente toda semana; do café da mãe; das festas em que ficávamos tão bêbados a ponto de esquecermos que o mundo pode ser ruim; da primeira vez em que pisei no Morumbi...
E enquanto vou lembrando desses bons momentos, vejo que a saudade não dói mais... Ela só substitui o que falta. Como se, pra que não ficasse um espaço vazio, ela preenchesse com um pouco de lembrança. Há coisas que nos lembramos com saudade e que não voltam mais, como meus primeiros passos, meu primeiro vídeo-game, meu primeiro livro... Mas há tantas outras que ainda estão por vir: como o café da mãe e o sorriso largo do pai nas próximas férias; os próximos passos da Gigi; o afago dos avós em meus cabelos no próximo natal; as rosas virtuais na próxima semana; as festas em que eu e meus amigos ficaremos tão bêbados que esqueceremos que a distância nos separa...
Ainda bem que sentimos saudades. Em mim ela reverbera os bons momentos... E em você?

Companhia musical: The way you look tonight - Sinatra


Parabéns, Curitiba!!!


Hoje é aniversário de Curitiba. E eu, como moradora já há quase dois anos da cidade, me senti impelida a parabenizá-la!
Desde que cheguei aqui, em um primeiro de setembro gelado, só tenho sido bem tratada pela cidade e por seus habitantes. Ainda não consegui ver a tal "frieza" do povo curitibano, pois sempre fui tratada com muito carinho e educação por aqueles com os quais convivi. Pode ter sido "sorte", como teimam em dizer alguns anti-curitibanos, mas me sinto feliz por ter essa sorte. A cidade tem problemas sim, mas qual espaço desse país, por menor que seja, não tem problemas? Moramos no Brasil, e o substantivo problema não é opcional, mas obrigatório.
Aqui, nas calçadas tortas de paralelepípedo, dei um novo rumo a minha vida. Me senti sozinha, é claro, mas como não me sentiria se deixei mais da metade do meu coração de gengibre em outro lugar?
Fato é que Curitiba me ajudou a crescer. E, apesar de ser uma mera estrangeira nesse mundo tão diferente, já me sinto parte da paisagem da cidade. Claro que meu sotaque não me deixa mentir, e dizer que nasci pra essas bandas. Mas se não nasci, devo dizer que renasci...
Por esses, e tantos outros motivos, parabenizo essa cidade que me acolheu de braços abertos [como a mãe da imagem do Jardim Botânico]! Que venham mais 316 anos. E que eu ainda possa fazer parte de muitos de seus aniversários...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Meu reino pela invenção do teletransporte!

Eu não tenho carta de motorista. Um tanto por pânico de dirigir [que acho que nunca vai passar], um tanto por preguiça. E o resto por pavor do trânsito caótico que se instalou nesse mundo. Como alternativa de transporte me restam a velha e boa caminhada e o ônibus [até porque minha descoordenação pra andar de bicicleta é absurdamente ridícula!].
Sempre gostei de caminhar. Ainda mais depois que vim morar em Curitiba. Logo que cheguei, com milhares de currículos embaixo do braço, saía serelepe o dia todo prestando atenção nas construções antigas, nos parques, na arquitetura... E como aqui é praticamente impossível andar de salto [graças ao "charme" das calçadas de paralelepípedos], eu e meu tênis nos divertimos bastante nos passeios pela cidade.
Mas depois que mudei do centro pro Bacacheri [um bairro sossegado e cercado de parques], tive que adquirir o hábito de "andar" de ônibus. O transporte urbano daqui é muito eficiente. Nunca se espera muito tempo. Há os tubos, que protegem do vento, da chuva e do frio, a passagem é relativamente barata [levando em consideração que em Campo Grande, que é bem menor, a passagem é mais cara]. Ou seja, é um sistema que funciona. Mas, de uns tempos pra cá, ambos esses meios de transporte tem se tornado bem odiosos.
Já não tenho como caminhar lépida e faceira olhando as construções, senão corro o risco de ser assaltada, já que Curitiba cresce a passos gigantes, e com esse crescimento a população de pessoas de má índole cresce junto... O jeito é andar bem rápido e segurando a bolsa fulltime, afinal de contas, bobeoudançou, mermão!
Quanto ao ônibus. Ômeupai! Por que as pessoas insistem em ser tão brutamontes?! Por quê?! Eu sei que elas passaram o dia trabalhando, estão cansadas e querem chegar logo em casa. Mas, precisa cotovelar, passar por cima?! Precisa minha gente?! Sem contar no tipo de gente que não foi apresentado ao banho e ao desodorante. Ou então aos de tamanho GG, que ocupam o espaço de 2 pessoas de uma vez só... Ora bolas!
Ontem fui ao estágio e não sei o que foi pior. Andar desviando dos hippies e afins na Eufrásio Correia [a.k.a praça em frente ao Shopping Estação]. Ou tentar me manter intacta dentro do Bi-Articulado. Cheguei em casa tão exausta, mas tão exausta, que me joguei na cama e sonhei com o bendito dia em que alguém inventará o teletransporte [Se o The Big Bang Theory durar umas 10 temporadas, é capaz do Sheldon inventar =)]...
Sei que esse dia está longe, e parece até irreal. Mas acho que está mais próximo do que o dia em que as pessoas serão mais educadas, ou então os moradores de rua e os hippies serão extintos da face da terra [se bem que acho que esses trastes vão acabar restando junto com as baratas, no fins dos tempos...].

Companhia musical: Pé na porta, soco na cara - Matanza

quinta-feira, 26 de março de 2009

A linha e os retalhos.

A linha que costura minha colcha de retalhos está fraca. Já não sabe mais como juntar os pedaços de sonhos espalhados pelo chão. Olha. Respira. Olha. Olha. Olha. E não consegue sequer levantar as mãos para o céu. Anda pensando em pedir ao Sr. Tempo que lhe dê umas férias. Reza para que o Tic Tac do relógio fure seu dedo em sua máquina de fiar e durma por longos anos. Só não quer que o tal do príncipe apareça. Tem medo de que ele roube o castelo e a deixe só.
A linha que juntava meus retalhos não quer ver o sol. Diz que ele a lembra que há uma vida por trás da ilusão das sombras. Uma vida que ela tem medo de enfrentar. Ela teme que seus pontos não resistam ao nascer da manhã. Agitada tenta dormir para apagar os erros da costura.
A mão que empunha a agulha e a linha já não quer mais abrir os olhos. Se quer apenas só. "Longe do estéril turbilhão da rua". Longe dos sorrisos. Distante de tudo o que ela pensava ter deixado para trás, mas que volta sempre quando ela vê sua imagem pálida no espelho.
A mão que beijava meus retalhos de sonhos pede desculpas pela ausência. Diz que vai se retirar do tempo. Pedir ao vento que leve suas lágrimas embora. Buscar o brilho que perdeu em outra face.
Os retalhos por enquanto ficam assim: deitados sobre um chão de estrelas tortas. Esperando que uma tal de Sra. Vida sorria e os convide pra dançar.

Patrícia Pirota março/2007

quarta-feira, 25 de março de 2009

A arte da gentileza

Hoje, ao contrário de tantos outros dias ranzinzas e comuns, me vi cercada de gentilezas. Fui dar meu passeio semanal no sacolão, me abastecer de frutas e verduras [e granola]. As mocinhas de lá estavam todaprosa, com sorrisos abertos, e ainda elogiaram minha carteira [supermega amarela]. Sai toda feliz, afinal de contas, quem não gosta de ser tratada com alegria?!
Qual não foi minha surpresa, ao esperar pra atravessar a rua, pois estava vindo um carro, e o motorista, gentilmente, parou, e, com um sorriso, disse que eu podia passar primeiro. Agradeci e continuei o caminho pra casa, lépida e faceira.
Ao passar ao lado de dois moçoilos, eles sorriem pra mim e, do além, soltam essa: "boa tarde gatinha!". E não! Não eram os pedreiros da obra ao lado.
Quando passei na padaria pra comprar meu marlborovermelhomaço diário, a atendente me dá um boatarde com um sorriso tão, mas tão aberto e sincero, que comecei a achar que estava numa das aventuras do Carrol [que aliás, estou relendo, mas isso fica pra outro post]...
Pras criaturas que devem estar imaginando que saí de casa de decote e minissaia, a resposta é não. Saí com minha graça habitual; calça jeans que comprei quando tinha uns 6 quilos a mais [logo, está enooorme], havaianas velhodeguerra e camiseta desbotada de banda. O único acessório diferente foi meu sorriso.
Quando cheguei em casa, fiquei pensando que eu não deveria ter estranhado tanta gentileza. Isso deveria ser habitual. As pessoas se cumprimentarem com sorriso. Fazerem gracejos. Mas, infelizmente, em nosso cotidiano cinza, as gentilezas são cada vez mais artigo raro.
Mesmo assim, espero que haja mais dias como esse em nosso caminho de tijolos nem sempre amarelos... E que a fina arte da gentileza não se torne apenas mais um item da coleção de "nos velhos tempos"...

Companhia musical: Gentileza - Marisa Monte [Do cd Memórias, Crônicas e Declarações de amor]

segunda-feira, 23 de março de 2009

Exclusividade feminina.

Hoje acordei com dores. Muitas. Gigantescas. Daquelas em que a única coisa que me resta é enfiar a cabeça embaixo do travesseiro e esperar que o tempo resolva passar rápido, pra que a dor acabe logo. Exclusividade feminina, meu bem! Nasça com o genótipo feminino e ganhe vários pacotes de autalização do sistema grátis!
Eu odeio quando as pessoas usam a TPM, ou então a maldita expressão "ela está naqueles dias", pra justificar qualquer ato feminino que seja considerado não muito"doce e amigável como uma personagem de filme da disney"!!! Vá pro inferno! Aliás, se torne mulher, e você conhecerá o inferno!
Acorde de manhã [e especialmente numa manhã em que você tem que ir pra faculdade, ao mercado, arrumar sua mudança e ler os textos da faculdade] e sinta sua pernas uns 5 quilos mais pesadas cada uma, com a bonificação de dores em seus ossos. Como se não fosse o bastante, em sua região abdominal, sinta uma luta de macaquinhos se estapeando. E, como se não fosse o bastante, sinta sua cabeça com mais dores do que ressaca de uísque barato.
Pois é. Isso é o que as mulheres passam todo maldito mês! E alguém ainda tem a pachorra de me falar que é frescura!!!
Claro que os machos de plantão reivindicam o inferno que eles passam nesse período também. Mas, vocês, garotos abençoados, podem se afastar e voltar só quando a situação tiver melhorado [o que eu acho uma atitude deveras inteligente]. Então não reclamem! Assim como o "sistema macho" vem com o pacote de atualizações original de fábrica, o "sistema fêmea" também vem. E é como promoção de mercado, "pague 1 leve 2". Comprou o pacote, agora se vira caboclo!
Não estou de modo nenhum defendendo mulheres ou homens. Pra mim, socialmente, somos todos iguais sim... Mas, esse inferno mensal é uma exclusividade absolutamente feminina...

Especialmente destilado para o Tudo de Blog: TPM!!! Vamos falar dessa "bendita" coisa que tira muita gente do sério!

Companhia musical: Sympathy for the Devil - Rolling Stones

sábado, 21 de março de 2009

Solidão com trilha sonora...

Dizem por aí que vivemos na era da informação. Que nunca houve tanta comunicação entre pessoas. Que a globalização nos tornou mais próximos dos distantes. Mas, sempre que me aventuro na selva de pedra, tenho a impressão de que nunca estivemos tão sozinhos...
Depois do advento do mp3, e dos celulares com rádio, é raro ver uma pessoa sem um fone no ouvido. Eu mesma não saio de casa sem meu mp3 no último, me salvando de qualquer barulho não convidado. E ontem, passeando de ônibus [porque me parece um tanto quanto estranho dizer que "ando" de ônibus...], percebi que aqueles ao meu lado já não me importavam; e que eu também não importava para eles... Todos com sua trilha sonora preferida, imersos em sua própria solidão...
Hoje é raro encontrar pessoas de mãos dadas, borboleteando pelas ruas, conversando amenidades... Estamos sempre correndo, ou pro trabalho, ou pra escola, ou de bandidos... Não paramos mais, nem na rua, nem em casa. Nosso corpo cansa, e o cérebro continua ali, maquinando. Já não consigo chegar em casa e relaxar...Aliás, já não sei o que é isso há um bom tempo... Sempre tem alguma coisa pra arrumar, limpar, estudar, ler, assistir...
Agora à noite caiu uma chuva do cão. E, que dúvida?!, bem na hora em que tinha acabado de sair de casa... Cheguei na casa dos meninos encharcada, e com a certeza eterna de que Murphy jurou me acompanhar pra todoosempreamém! Depois de vários raios e trovões, adeus energia elétrica. Me bateu um desespero, uma inquietação... Como é que diabos vou ficar sem luz?! Eu não sei mais viver sem energia elétrica! Dependo dela tanto quanto de água [menos do que café e cigarro, claro...].
Parei pra pensar que nos cercamos cada dia mais de coisas que desviem a atenção de nós mesmos. Não sabemos mais apenas sentar e olhar para o céu., ou então sentar e desfrutar da companhia de alguém.. Sempre temos aquele trabalho pra entregar, aquela roupa pra lavar, aquela conta pra pagar... E vamos indo no piloto automático, até deussabe onde... Sinto falta de sentar na calçada e ficar olhando o pôr-do-sol. Sem nenhum fone. Sem nenhuma armadura. Just myself e a trilha do silêncio, que pode ser tão doce quanto uma sonata de Beethoven...

Companhia musical: Los Hermanos


quinta-feira, 19 de março de 2009

Quem mandou bancar a mulherzinha...

Imagine você acordar de manhã, ir ao banheiro e, ao apertar o botão da Hydra ele cair no chão e a descarga nunca mais parar de funcionar. Daí começa a escorrer água sabedeus de qual inferno, e inunda o banheiro. Esse foi meu bom dia! Juro que pensei em concertar sozinha, mas depois de desentupir a pia, enfrentar as aranhas e pintar paredes e rodapés, decidi que era hora de me dar o direito de ser um pouco mulherzinha. Liguei pra um encanador cujo telefone estava na lista [e enquanto esperava, não pude deixar de pensar o quanto seria bem ruim se o cara fosse um assassino ou bandido... Já parou pra pensar em quantas vezes a gente já chamou esse tipo de gente pelo telefone sem nem saber a procedência?! O tal do deus protege os bêbados E os burros...], e, depois de umas torcidinhas, uns barulinhos de chave inglesa, uma sujeira do cão e um rejunte singelo, minha carteira ficou órfã de 50 contos. Putaqueopariu! 50 contos?! [além de eles ficarem fazendo cara feia só porque eu 'tava escutando Black Sabbath! E porque moro sozinha! Elaiá essa discriminação...]. Mas... Fazer o quê?! Quem mandou bancar a mulherzinha... Bem feito, mané!

Companhia musical: Adoniran Barbosa

quarta-feira, 18 de março de 2009

Outono em Curitiba...

Ontem o Outono deu seus primeiros suspiros em Curitiba city... Ao acordar de manhã senti o vento geladinho e presenciei a brincadeira de esconde-esconde entre o sol e as nuvens. À noite, um friozinho aconchegante com cara de "vem pra cama, vem" veio me dar boa noite, e acabou me convencendo.
Confesso que logo que cheguei por aqui [numa noite em que fazia 5°, by the way] achei que não fosse me acostumar com o frio. Mas, esse verão em Curitiba estava parecendo uma filial de Cuiabá! Um sol ardidaço. Um calor infernal. O cérebro ficava até meio mole... E a preguiça tomava conta do meu corpo cansado de tentar se adaptar à temperatura externa. Todo dia eu rezava por uma brisa gelada. Por um céu nublado. Por sombra e água fresca.
E eis que o outono se aproxima, e vem me dar de presente esse clima "europeu" de ser daqui. As manhãs cinzas. As tardes geladas. O conforto do cobertor. A necessidade de usar cachecóis [que estão todos tristes e abandonados no guarda-roupa].
Acho até que num dia desses me animo a ir andar no parque, só pra ver as folhas caindo... Pra ficar só com meus pensamentos...Pra namorar o pôr-do-sol cor-de-rosa.
Dizem que no inverno as pessoas parecem mais "chiques", mais bonitas. Pois pra mim, no outono, as pessoas parecem mais amenas, mais brilhantes. Não sei se pela falta de sol, mas me parece que a luz de cada um aparece mais...É como se no outono deixássemos as coisas que já não nos servem mais caírem, pra então germinar sentimentos melhores.
Sinto saudade [mesmo que seja uma saudade platônica] do tempo em que as estações e as mudanças da natureza significavam mais do que datas no calendário... Afinal de contas, todos nós temos nossas estações. E, em harmonia com a estação natural, meu outono também começou. Ameno e brilhante...Enfeitado com cachecóis e sorrisos ao pôr-do-sol...

Companhia musical: Sinatra, o bom e charmoso Sinatra.

terça-feira, 17 de março de 2009

As paredes e o passado...

Hoje terminei de pintar as paredes do quarto. Quando vi o apartamento pela primeira vez, as paredes eram brancas; assim como o rodapé, meio encardidinho. Qual não foi minha surpresa ao abrir a porta pra colocar as tranqueiras na mudança e dar de cara com um salmãocodecasadevó. Surtei! E nunca quis passar muito tempo no quarto [que é imenso! Com quase 30 m²]. Até porque depois que minha cama mofou, e eu a coloquei na sala como sofá, acostumei a dormir com a tv ligada.
Mas num surto de façavocêmesmo, decidi que ia pintar as paredes de branco de novo. E passar uma tinta naqueles rodapés absurdamente encardidos... Ontem começamos [eu, Ricardo e Felipe que, além de amigos, são meus maridos de aluguel =)]. E amanhã vou limpar o chão e acomodar minhas tranqueiras no quarto novo.
Ficou incrível!!! É impressionante como uma simples latinha de tinta pode transformar a fera em bela. As paredes brancas deixaram o quarto mais claro e mais amplo. E o rodapé marrom barroco [isso mesmo! O nome da tinta é "marrom barroco". Porque eu sou chique, bem!] ficou com cara de novo e limpo...
Enquanto pintava, vagarosamente e com cuidado [lemas da boa pintura], fiquei pensando que as paredes talvez fossem como meu passado... Há alguns acontecimentos, e algumas pessoas ,que um dia fizeram parte dele, mas que hoje, ou não significam mais nada, ou me trazem lembranças dolorosas; exatamente como aquela maldita parede salmão! E assim como não gosto de remoer o passado, também não gostava nadanada daquela cor, logo as paredes brancas, novinhas.
Não que o salmão, ou as pessoas, nunca estivessem estado em minha vida. Estiveram e se foram. E eu me dou o direito de não olhar mais para eles. Reconheço que existiram. E admito que a vida é bem melhor assim, com as paredes novas e o passado esquecido...
Afinal de contas, nossa vida é como uma casa [nem tão engraçada quanto a de Vinícius, às vezes...], que vamos construindo com nossas mãos e experiências... E minha experiência me diz que parede salmão nunca mais!!!

sábado, 14 de março de 2009

Baú do Tempo

Introdução desnecessária

Essas são algumas escrivinhações sem propósito, mas que se fazem necessárias por minha alma sedenta de caminhos. Talvez aqui eu encontre algum ponto de onde eu não tenha, ainda, olhado minha alma.

Num dia como esse, onde o ar parece pouco demais para respirar a plenitude dos olhos, me sinto só. Sarcástica e ironicamente só...
Não quero que esse comentário renda olhares de compaixão de sua parte, leitor, pois essa solidão que me toma conta é produto meu, preciosamente meu.
Nos últimos tempos, que não julgo necessário datar, a solidão, que antes era refúgio de minha agitada sociedade, passou a ser cotidiana. E como todo cotidianismo, passou a incomodar minhas veias. Cada hora que passa sinto que sorrateiramente o tédio vai se apoderando de meus poucos suspiros.Ah, o tédio! Só ele é capaz de produzir devassidões e intolerâncias, visto que não há nada mais a fazer diante do tédio que praticar maldades insanas.
Olho para a janela (suja por todos os pensamentos vãos que tive) e tento entender o motivo de ainda não ter levantado. Vão-se lá umas três horas de luta com a preguiça, até conseguir atinar-me a levantar da cama.
Todos os pensamentos que me ocorrem nesse tempo de ócio me são preciosos, deles eu recorto minhas ilusões, que quase nunca chegam a tornarem-se fatos, mas sempre ficam arquivadas no subsolo de meus desejos.
O dia se mostra tão receptivo a pessoas cujos olhos são alegres, que acabo por ficar com náuseas. Arrasto meus pés até o destino de sempre. Sempre as mesmas pessoas, o mesmo banco... embora tenha mudado a cor recentemente, o verde das paredes acaba por me deixar inquieta, a busca de esperanças que não estão ao meu alcance de meu querer... O mesmo café, o mesmo olhar vazio, os mesmos "tudo bem?" sem propósito.
Há que se perguntar o porquê de minha religiosa ida a um lugar que já não me apraz...E em busca de alguma explicação me perco nos caminhos de minha memória...
No início eu era apenas uma incógnita volante, que não pertencia a uma matriz, mas transitava por todas. As palavras jorravam de minhas artérias, e eu as colocava para fora para que não me afogassem... Eram tantas e de irracionalidade desmedida, que por muito tempo me vi num mundo surreal. Tudo me parecia normal, até mesmo minha loucura anunciada.
Já deves estar bocejando, crendo que esta é apenas mais um narrativa fantástica, da qual muitas já entreteram tua ignorância. Mas não, caro estranho. Por mais infeliz que seja a realidade, esta não é uma narrativa poeana e maravilhosa.
Com o ir dos tempos, também se foram minhas palavras, meus companheiros de então e minha insanidade. Tornei-me então uma incógnita fixa, sempre a espreitar e recusar qualquer manifestação de proximidade. Tudo continuou o mesmo... Ao contrário de quando era apenas uma moldura na parede descascada, passei a ser uma tela colorida. Sempre notada como um animal de circo... Incomodava-me a posição de ser um mito, um objeto de estudo e admiração (ou repudia).
Formou-se aqui, uma personagem que acabou por fugir do meu alcance. Todos os meus medos, minhas angústias, minhas maldades mais obscuras, moldaram esta persona. Tão diferente de tudo e todos. Tão segura do alto de suas inseguranças. Tão paradoxal que chegava a encantar. Elogios lhe eram cotidianos, e mais uma vez a representação do todo dia lhe incomodava deveras.
Processou todos os seus conhecimentos em retóricas que lhe permitissem afugentar as pessoas. Destilava sabedoria com a mesma normalidade de quem pede pão de manhã. Sorria com desdém a todos que não preenchessem seus caprichos infundados. Trocou a bebida, mas o conteúdo era o mesmo: insatisfação...
Pois bem...Esse resumo mostra o quanto minhas faces se fragmentaram por esse período. Hoje me encontro no mesmo lugar, sem devaneios a busca de explicações. Apenas procurando paixões em cada olhar incompreensível, inatingível.
Em meu subsolo (recentemente descoberto) continuo escondendo minhas verdades. Talvez tão minuciosamente guardadas, que me é árduo escavá-las e levá-las ao topo.
Apesar de não lhe indagar, ou colocá-lo na parede a busca de opiniões, gostaria de lhe pedir que olhasse suas paredes, caro estranho. Olhe-as e veja se não há nenhuma passagem secreta para o seu subsolo. Caso o encontres, verás que maldades e utopias nos são semelhantes, e já não acharás enfadonho passar os olhos por estas linhas que escrevi em ato de desespero. Desespero em busca de uma identidade, que talvez tenha deixado seus estilhaços em tuas entranhas.
Se "eu é, realmente, um outro", somos todos o mesmo. O mesmo desejo de ser o infinito, que não busca tempos ou respostas, mas que apenas encerra-se em seu baú, contemplando o fim.
Patrícia Pirota 2005

quarta-feira, 11 de março de 2009

Liberté, Igualité, Fraternité - uma eterna ilusão.

Já parou pra pensar o quanto o lema da Revolução Francesa é absolutamente irreal? Depois que os franceses gritaram a plenos pulmões que o mundo deveria ser mais fraterno, que as pessoas deveriam ser todas iguais e que a liberdade era um direito de qualquer humano que respirasse, todas as nações tomaram essa utopia como verdade. Como se a pílula mágica funcionasse pra amenizar a triste verdade de que nada está salvo, e que as revoluções só serviram mesmo pra aumentar as páginas dos livros de história...
Reza a constituição que todo cidadão tem o direito de ir e vir. Que tem a liberdade de tomar suas próprias decisões. Que qualquer um é igual perante a lei. Balela!
Eu tenho o direito de ir e não saber se virei. De andar na rua com medo de não voltar. De não saber se ao acordar ainda terei minha casa [pela qual trabalho feito um cão pra conseguir] intacta. Posso, perante a lei, caminhar por ruas lotadas de pedintes, de escatologias, de sujeira e miséria material e espiritual.
Outra falácia muito bem contada é essa tal de igualdade. Igualdade o cacete! Se somos todos iguais, por que determinadas "raças" tem cotas em universidades? Se somos todos iguais, por que tenho que dar meu lugar no ônibus pra um idoso rabugento? Se somos todos iguais, por que os índios têm prioridade de atendimento em hospitais? [Por isso gosto de matemática. Aquilo que é igual não tem uma linha sequer de exceção. Ou é igual ou não. Period!].
E onde diabos está a tal da fraternidade? Será que fugiu dos impostos? Será que se escondeu em algum paraíso fiscal? Essa parábola de amar ao próximo como a si mesmo é coisa do maior best seller de todos os tempos, e só. Somos, todos nós da raça humana, egoístas por natureza. Queremos o nosso bem, e daqueles aos quais amamos. Ou você, quando reza seja pra qual deus for, pede proteção pra uma criança da África? Eu não. Eu peço pra que um filhodaputa não resolva me dar um tiro na cabeça só porque não tenho dinheiro. Ora bolas!
O pior é que ainda continuamos acreditando nessas balelas que foram espalhadas a séculos atrás. Por que somos bons? Nem a pau! Acreditamos porque temos que nos apegar a alguma coisa. Seja a um santo, a uma figa, ao amor, a um livro ou a falácias. Necessitamos de crença, embora saibamos, lá no fundo, que não há salvação, nem aqui, nem depois [até porque, sinto informar, mas não existe depois].
Não que eu queira ter uma visão pessimista do mundo [coisa difícil pra uma discípula de Adorno e Nietzche]. Mas ele não anda me dando muita escolha...
O jeito é tomar um placebo vez ou outra. Porque senão, a vida que já não tem lá muito sentido, vai ter tanto valor quanto os ideais de liberdade...nenhum.

Ps: sim! Nesse dia eu estava cínica e incrédula. Mas tenho tomado doses diárias de placebo. E escutado Frank Sinatra =)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fim de férias: a ressurreição.

Cansada pra diabo, dormi como uma pedra na casa dos meninos (Obrigadíssima de novo meus salvadores da pátria!!!). No outro dia, às 6 da matina, levanto com a esperança de ter tido um pesadelo. Mas, o beliscão veio em forma de mofo e sol. Em casa, coloquei os cobertores no sol, arrumei um pouco de livros nas prateleiras e fui pro centro porque tinha infinitas coisas pra fazer. Camelei horrores num sol ardido do inferno. Fiz a matrícula do mestrado, e fui atrás de um jarra pra cafeteira (da amiga que morava comigo. Porque, antes de sair do outro apartamento, a criatura aqui, de tanto beber café, rachou a jarra). Andei, e andei, e andei e nada de jarra. Meudeus! Como é difícil achar esse trem! E nada de achar a maldita. Mas, pelo menos, descobri o telefone do fabricante (que, é claro, só vai abrir depois do carnaval! Que dúvida né!).
Passeei pelas lojas de 1,99, minha "renner" depois que passei a morar sozinha. Parece que quanto mais você vai nessas lojas, mais brotam coisas "úteis" pra comprar... Pior que loja de sapatos!
À noite, fui pra casa dos guris de novo (porque com tanta coisa pra fazer, não tive tempo de limpar o caos). Assistimos uma versão de Alice no país das maravilhas de 1998. Minha gente!!! Que filme drogado! Eu amo Alice, e acho o Carrol bem drogadinho ("in a good way"). Mas esse filme superou até as viagens psicodélicas do Pink Floyd. Passem longe, de verdade!
Domingão com sol a pino, 'bora aproveitar pra trabalhar. E trabalhar de verdade! Suei feito um peão de obra. Levei umas duas horas pra tirar o bolor da cama (Santo aspirador de pó! Seja louvado!). E, mesmo assim, não ficou aqueeeela brastemp... O colchão (que já tinha uns 20 anos) (Pois é...Não é lá muito recomendado ficar com um colchão tanto tempo viu. Dizem que eles têm vida útil. O meu tinha era vida inútil dentro) foi parcialmente salvo pela capa (vagabunda) que estava nele. Os travesseiros (também relíquias) foram direto pro lixo.
Resolvi aproveitar a cama (que já estava meio torta e rangendo) e transformar num sofá pra sala. Não ia conseguir dormir nela lembrando do mofo. Mas como sofá ficou uma beleza. No fim das contas, o quarto ficou vaziovazio, 'tadinho... Mas logo compro uma cama nova (e sem mofo) pra preenchê-lo...
Depois de um dia inteiro de trampo, a casa 'tá impecavelmente limpa (e devidamente banhada de querosene). Meus livros todos bonitinhos na casinha nova. E, no fim das contas, a cama bem na frente do pc ficou perfeita pra assistir filme.
A pia ainda 'tá lá, a preguiçosa. Mas amanhã tasco-lhe Diabo Verde e quero ver se ela não funciona!
O saldo de perdidos foi grande... Mas o saldo de ganhados também. Vovó me deu um forninho. Mamãe uma sanduicheira. As férias me deram 6 quilos. E todo esse caos me deu uns bons tapas de realidade.
Aliás! Consegui enfrentar as aranhas! Apareceu uma desavisada na minha pia, e foi morta sem dó nem piedade (claro que após um pequeno surto de pânico. Porque não é tão fácil assim deixar essas raízes de mulherzinha pra trás).
E depois de uns tombos, veio minha ressurreição. Juro que achei que não fosse sobreviver. Que tive vontade de nem desfazer as malas e voltar correndo pra casa da mãe. De amaldiçoar a vida. Mas, ao invés de tudo isso, dei risada. Porque uma das coisas que nos torna felizes e reais é a capacidade de rir de nossos próprios tropeços. E tive que, de uma vez por todas, assumir que sou uma solteira que mora sozinha. Agora sem choro nem vela, mas com a fita amarela guardada, porque o santo é de barro...

domingo, 8 de março de 2009

Férias parte III: o inferno

E lá se foram as férias! Não pude ver a maioria dos meus amigos (que devem estar me escomungando até agora. Desculpa minha gente!!!). Não deu tempo de ajudar a mãe a arrumar a casa toda. Não consegui matar toda a saudade (ai que vontade de meter um tiro de 12 no meio da cabeça dessa maldita!). E devia ter percebido que, com o fim das férias, o apocalipse se aproximava.
Comprei a passagem de volta para às 19h. Fiquei sentada no chão da rodoviária com singelas 6 malas (porque toda vez que vou pra casa dos pais, volto com uma mini mudança), morta de vontade de ir ao banheiro, mas sem coragem de deixar as malas sozinhas. Com medo das figuras dantescas que habitam a rodoviária. Louca pra ver o jogo do São Paulo na Libertadores (sorte que o celular tem radinho!). Triste pra cacete por ter que ficar mais meses a fio longe dos meus pais. E, pra completar, o ônibus só deu o ar da graça às 21:30h. Putaqueopariu! Se eu tivesse atrasado um minuto sequer, teria perdido o ônibus. Mas o diabo pode me fazer ficar esperando mais de duas horas!
Entrei puta no ônibus. E, quando olho pro lado, decubro que duas irmãs (no alto de seus hábitos brancos e esquisitos) vão viajar do meu lado. Elaiá! Mas, ao contrário do que eu esperava, rezas e recitações da bíblia, as criaturas passaram a viagem falando o quanto estavam estressadas (desde quando freira se estressa?!) ou que fulano não fazia as coisas direito e ciclano devia receber umas chamadas. Veja só! Se nem as criaturas que, supostamente, são de deus estão isentas de falar mal da vida alheia; quem dirá nós, pobres mortais que não usamos aquela roupa horrorosa!
Depois de 20h de viagem (porque no meio do caminho teve passageiro que comprou passagem errada e chamou a polícia; ou então almoço de meia hora que durou uma. Essas coisas tão normais nesse paísdemeudeus...) cheguei numa Curitiba quente pra cacete. Um sol de rachar, e eu com 6 malas pra carregar (e ninguém pra me ajudar ou com alguma delas, ou comigo mesma). Chego em casa e ligo pros meninos trazerem minha chave. E ligo. E ligo. E ninguém atende. E fico eu, na calçada, com todas as malas, com uma sede do cão, sem conseguir falar com eles (Dica: nunca deixe sua única cópia da chave com seus amigos. Celulares não são fontes confiáveis. Além do que, isso é estupidez) (Sim! Eu sou estúpida!).
Enfim, consigo falar com o Fê e ele me traz a chave. Ómeusantoeinstein! Antes não tivesse trazido!!! Minha varanda parecia de casa abandonada (com razão, já que a abandonei 2 meses). Mato crescendo por todos os vãos mal feitos do chão. Bitucas de cigarro que algum vizinho feliz jogou. Palitos de picolé que o moleque do andar de cima tem prazer em jogar. Mas ela estava perfeita perto do que encontrei quando abri a porta. A sala estava com, pelo menos, uns 2 dedos de poeira. Sem contar as caixas de livro no chão (que não havia tido tempo de arrumar).
Quem dera eu tivesse parado na sala! Ao abrir a porta do banheiro, descubro um cemitério de invertebrados. Baratas, aranhas, insetos que até agora não consegui chamar pelo nome (acho estranho matar um bicho ao qual não fui apresentada...). Sem contar o cheiro agradável. Ao dar uns 5 passos até a cozinha, descubro que a porra da pia entupiu. E pior! Que deixei pó de café na cafeteira. Resultado: o filtro criou bolor. Putaquepariu! Logo a minha fonte de sobrevivência!!! (Dica 1 - verifique a cafeteira antes de viajar. Dica 2 - se, como eu, esqueceu de checar a dita, lave-a com detergente e deixe de molho na água fervida).
Mas, quando achei que não podia ficar pior (nunca pense isso! Sempre pode, e vai, ficar pior!), ao abrir a porta do quarto a única coisa que pude fazer foi sentar e chorar. Sabe cheiro de mofo? Acrescente 3 dedos de poeira, algumas dezenas de insetos, eleve a N+1, e voi lá! Esse era meu quarto. Meus travesseiros, a colcha, o colchão, a cama, o tapete, TUDO EMBOLORADO!!! Sem contar a bota de couro, o All Star preto, uns 2 casacos, umas 2 calças, e calcinhas que estavam penduradas atrás da porta.
Curitiba já é normalmente úmida. E como em janeiro choveu dia sim dia também, meu quarto (todo fechado) se transformou numa grande estufa para procriação de mofos e bolores. Mas também! Só a idiota aqui pra pensar que ia ficar 2 meses fora e a casa não iria se revoltar!
(Dica: NUNCA! MAS NUNCA MESMO! Deixe sua casa por mais de 1 mês fechada. Quando chegar, você vai ser recepcionado por incontáveis tipos de vidas e de mortes).
A minha sorte (porque eu sempre guardo um pouco de sorte no cofrinho) é que a casa do Ricardo e do Felipe fica a menos de uma quadra daqui. E, assim como no episódio da Dona Aranha, corri pra lá.
E então, cansada de levar tombos nessa porra de escada, consegui a redenção na terra mesmo, que é lugar de gente viva.
Mas isso fica pra próxima parte, que vem logo em seguida...

sábado, 7 de março de 2009

No escurinho do cinema [não anônimos s/a]

Há muita coisa nessa minha vida da qual eu me envergonho. E tantas outras nas vidas alheias também... Já senti muita raiva e engoli a seco, sem coragem de destilar o fel que descia vagarosamente pela minha garganta. Amigos da onça. Impunidades. Grosserias. Falta de educação. Falta de vergonha na cara. Todas as coisas contra as quais eu quis gritar e não o fiz. E se hoje eu pudesse fazê-lo anonimamente, não o faria. Por quê? Porque seriam só palavras. Fatos. Sentimentos. Todos sem nome. E sem o meu nome, eles já não seriam meus. Assim, prefiro escrever e falar apenas quando sei que meu nome arcará com as consequências. Apenas as palavras que me representarão a alma. Todas devidamente não-anônimas. Afinal de contas, eu gosto do escurinho do cinema pra fingir que sou a Jolie. Mas prefiro os holofotes pra assumir quem sou.

Destilado especialmente para o Tudo de Blog [O que você postaria anonimamente? Ou: o que vc tem muita vontade de escrever (seja para desabafar, mandar recado para alguém, etc) no seu blog, mas não gostaria de ser identificada(o)?]

Férias parte II: o purgatório.

Como o que é bom nessa vida (nem a própria, inclusive) não dura pra sempre, levei um puta tombo na escada do céu, e fui parar no purgatório.
Campo Grande é, normalmente, quente. É muito raro, inclusive no inverno, que a temperatura seja menor que 30 graus. E nesse verão (como se fosse pessoal) a maldita empacou nos 40. Eu acordava com calor. Tomva banho, e assim que desligava o chuveiro, já estava suando em bicas. Nem ventilador dava conta, e muito menos o tímido vento que fazia, incapaz de mexer uma folhinha da floresta que minha mãe cultiva.
Moro em Curitiba há mais de 1 ano. Onde a temperatura (quando não está de congelar os ossos) é agradável (sem contar, é claro, o fenômeno conhecido por aqui como "as 4 estações no mesmo dia"). Resultado: fui nocauteada pelo calor de CG! Quando levantava do sofá, deitava na rede. Levantava me arrastando da rede pra ir pra cadeira. E a romaria se repetia dia após dia. Não conseguia nem pensar direito de tanto calor; o que foi extremamente ruim, já que no mestrado férias não são sinônimo de descanso, e eu tinha um artigo pra entregar e toneladas de coisas pra ler... Sem contar que devo ter pego uma virose, que além de dores monstruosas me trouxe a incapacidade de fazer qualquer coisa que não fosse ficar deitada.
Lembra da história da aranha? Pois então! Jurava que se eu saísse de Curitiba, ia deixar a maldita pra trás. Mas quá! Ela é igual a problema, não adianta fugir que o infeliz te persegue! Por falta de uma ou duas aranhas, na casa dos meus pais tinha, pelo menos, umas 50. Sem contar os outros bichos que vinham de brinde: baratas, pernilongos e besouros. Chegou uma hora em que cansei de contar e subir na cadeira por causa deles. E decidi que ia parar com essa frescura de mulherzinha e mostrar pros filhosdaputa quem é que manda!
E janeiro foi se arrastando entre as poucas sombras. Quando vi, já era fevereiro e me restava muitos amigos queridos pra ver, e pouco tempo. Mas, mais triste que não poder ver os amigos, foi ver uma querida tia sofrendo com o diabo do câncer. Uma mulher tão bacana, sempre tão querida e forte; de repente fica abatida e imóvel diante de um inimigo tão cruel. Quanto Tia Nadir faleceu, senti um misto de tristeza e alívio. Tristeza pelo mundo ficar sem uma pessoa tão valiosa. E alívio, por saber que ela não sofreria mais.
Mal sabia que agora o sofrimento (guardadas as devidas proporções) seria nosso. Tão repentinamente quanto a chuva aparece em meio ao sol em Curitiba, meus pais tiveram que se mudar da casa onde moravam. E lá vamos nós pra mais uma mudança (que eu me lembre, foram pelo menos uma 20!). Minha mãe tem 28 anos de casada e 3 filhas. Agora imagina o quanto de coisa não tinha acumulada naquela casa! Depois de muito serviço braçal e cansaço, pudemos enfim sentar na sala e aproveitar a casa nova; que, no fim das contas era melhor do que a outra!
Maaaaas, de tão cansada que fiquei, acabei escorregando mais um degrau da escada, e fui parar de cabeça no inferno. Só que isso é história pra outro capítulo...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Férias parte I: o céu

Uma das coisas mais bacanas de se morar longe da família é ir visitá-la nas férias. Parece que toda aquela saudade que ficou escondida no meio do trabalho, das preocupações e da roupa pra lavar aparece com força total assim que pegamos o ônibus direto pros braços de papai e mamãe. E como a viagem daqui de Curitiba até Campo Grande demora singelas 16 horas, a saudade vira um Gremilin: é só adicionar água e pronto, a maldita dobra de tamanho!
Outra coisa que se percebe nas férias é que casa de mãe é inigualável (embora o certo fosse a gente descobrir isso antes de sair dela! O que, diga-se de passagem, nos pouparia várias estdas no inferno). O café é mais gostoso. O sofá mais macio. As roupas de cama mais cheirosas. Sem falar no velho arroz com feijão que só ela sabe fazer (desconfio que esse seja um dom dado apenas no momento do parto). De tardezinha é a vez de matar a saudade do pai. Beber uma cerveja, papear, falar da vida. À noite é tão bom ter alguém pra dar boa noite, que você fica até impaciente esperando a hora de ir dormir!
Nessas férias fui apresentada a duas maldições: a tv a cabo e ao seu companheiro inseparável, o controle remoto. Foram incontáveis as madrugadas passadas na companhia de seriados, programas de comportamento, campeonatos de pôquer, NBA. Sem contar os maiores responsáveis por mais da metade dos meus 6 quilos ganhos: os salgadinhos noturnos.
Pra completar os quilos, e a felicidade, chega o Natal na casa dos avós. E junto com ele as lembranças de como é bom ter uma avó pra abraçar e um avô pra acariciar os cabelos brancos...
Ah como é bom passar a manhã conversando com a mãe. A tarde brincando com a irmãzinha. E a noite conversando com o pai e assistindo a novela todo mundo junto, só pra falar mal da vida fictícia alheia.
Chega domingão, e a dona mãe faz meu prato favorito: nhoque. Como feito uma glutona e me jogo no sofá pra ver futebol. Logo chega o aniversário da Gigi (11 anos já, meudeus!). E como manda nossa tradição, passo a tarde com ela jogando na Playland. Depois o bolo que chega de surpresa. E a sensação de que a vida inteira podia ser aquele momento.
Mas, como diria o mestre Vinícius, "tristeza não tem fim, felicidade sim". E é aí que entra a parte 2 dessas férias. Mas essa depois eu conto. Deixa eu aproveitar as lembranças boas antes que o purgatório comece.

Ps: Minha gente! Desculpa o super sumiço... Tudo será devidamente explicado nos próximos posts... Senta que lá vem história =)
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