quinta-feira, 26 de março de 2009

A linha e os retalhos.

A linha que costura minha colcha de retalhos está fraca. Já não sabe mais como juntar os pedaços de sonhos espalhados pelo chão. Olha. Respira. Olha. Olha. Olha. E não consegue sequer levantar as mãos para o céu. Anda pensando em pedir ao Sr. Tempo que lhe dê umas férias. Reza para que o Tic Tac do relógio fure seu dedo em sua máquina de fiar e durma por longos anos. Só não quer que o tal do príncipe apareça. Tem medo de que ele roube o castelo e a deixe só.
A linha que juntava meus retalhos não quer ver o sol. Diz que ele a lembra que há uma vida por trás da ilusão das sombras. Uma vida que ela tem medo de enfrentar. Ela teme que seus pontos não resistam ao nascer da manhã. Agitada tenta dormir para apagar os erros da costura.
A mão que empunha a agulha e a linha já não quer mais abrir os olhos. Se quer apenas só. "Longe do estéril turbilhão da rua". Longe dos sorrisos. Distante de tudo o que ela pensava ter deixado para trás, mas que volta sempre quando ela vê sua imagem pálida no espelho.
A mão que beijava meus retalhos de sonhos pede desculpas pela ausência. Diz que vai se retirar do tempo. Pedir ao vento que leve suas lágrimas embora. Buscar o brilho que perdeu em outra face.
Os retalhos por enquanto ficam assim: deitados sobre um chão de estrelas tortas. Esperando que uma tal de Sra. Vida sorria e os convide pra dançar.

Patrícia Pirota março/2007

2 comentários:

  1. Nossa, muuuuuuito lindo. Amo textos assim!

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  2. beeem criativo .
    Beeem denotativo ;D
    também gosto de textos assim .

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