domingo, 19 de abril de 2009

A grama do vizinho nem sempre é mais verdinha...

Desde quando mudei aqui pra casinha, tenho tido muitos e muitos contratempos. Desde a Dona Aranha [que parece ter virado Gremilin porque nunca para de aparecer] até o Sr. Mofo. Passando pelo fato de eu ser a única do prédio sem interfone até terem cortado minha luz porque os vizinhos espíritodeporco devolveram minhas correspondências ao Correio por não terem se dado conta de que havia um ser morando aqui.
Já houve dias em que sentei e chorei alto, de raiva, de decepção, de solidão. Meu apartamento é uma gambiarra só, porque fica nos fundos do prédio, e deve ter sido construído pra "aproveitar espaço"; um espaço mínimo, diga-se de passagem, já que o trem tem 2 metros de altura só [ou seja, arrumar namorado alto nem pensar!] [E coitado do senhor meu pai quando vier me visitar, vai sair cheio de calos na cabeça!]. Além de só metade ficar "pra cima" da calçada, quase um subsolo de Dostoiévski.
Mas a casinha tem uma varanda enorme e cheia de espaço. Tem os cômodos grandes. É perto de meus amigossalvadoresdapátria e de meus novos tios adotivos. O aluguel é super barato, levando em conta os preços astronômicos de Curitiba. E eu me sinto em casa aqui. Quando passo porta a dentro e me jogo na rede sinto como se estivesse protegida [e é claro que o Morteim e o querosene ficam ao meu lado, só pra aumentar a proteção].
Ao lado da casinha tem um apê que também foi construído pra aproveitar espaço. Só que ele é todo reformadinho, com o piso de azulejo, a pintura em dia e tem interfone. Sempre olhava pra ele e ficava querendo que o meu fosse daquele jeito também... Mas, depois que comecei a conversar com a vizinha [que é a única que sorri pra mim, além dos queridos velhinhos que moram no apartamento de cima] percebi que eu estava no céu. A casa da vizinha, além das aranhas características do prédio, é cheia de baratas e vez ou outra é visitada por ratos. Além disso, toda vez que chove horrores, a sala da pobre mulher fica inundada. E lá o mofo não é resultado de uma viagem, mas é semanal.
Depois que ela me contou tudo isso, jurei que nunca mais ia reclamar da minha casa! Mesmo hoje, quando fui limpar a cozinha e achei duas aranhas mortas, agradeci porque não eram ratos! E apesar de tudo, depois de ter pintado as paredes, arrumado os móveis e deixado ela com a minha cara, nem parece mais tão ruim... Além do que, aqui não entram nem baratas nem ratos. E estou começando a achar que vou ter que adotar as aranhas, porque elas me amam!
A gente nunca está contente. Sempre quer perder uns três quilos. Ter o cabelo mais sedoso. Ter uma casa melhor. Um emprego mais rentável. Um namorado mais bonito. Estamos sempre à busca de mais e melhores coisas pra nossa vida. E isso é bom! Nos impede de estagnar e ficarmos conformados. Devemos sempre querer o máximo que somos capazes de conseguir.
Mas muitas vezes é preciso que sejamos capazes de nos sentir felizes com pequenas coisas. De nos alegrar pelo fato de haver sol. Por podermos sorrir, apesar desse mundo filhodumaputa no qual vivemos. Não que devamos ser uma réplica da Pollyana [já disse por aqui que tenho medo de gente que sorri a vida inteira!]. Mas não custa nada dar uma chance pro nosso quintal. Afinal de contas, nem sempre a casa do vizinho é melhor que a nossa.

Ps: Isa, eu juro que essa semana posto fotos da rede =)

Companhia musical: Paulinho da Viola e Marisa Monte

Em tempo (post scriptum): Depois de escrever o post, recebi um e-mail me dizendo que meu artigo foi aceito pra um congresso que eu quero muuuuito participar. O que me deixou absurdamente feliz! Em contrapartida, meu time perdeu. E quem me conhece sabe que isso me afeta em proporções gigantescas. Mas, a alegria do congresso encobre um pouco da tristeza da derrota. E assim é a vida... Uma montanha russa cheia de altos e baixos. O bom é que sempre há aquele friozinho na barriga, nos mostrando que o que vale a pena mesmo é estar vivo.

Ps2: Parabéns aos torcedores e jogadores do Corínthians! Jogaram bem e mereceram ganhar.
Àqueles que pretendem me cornetar, lembrem-se que, enquanto nós erguíamos mais uma taça do brasileiro, vocês choravam pela ida pra Segundona. E lembrem-se também que esse blog é minha casa, e não terei pudor nenhum em mandá-los pra putaqueopariu caso me encham a paciência!

6 comentários:

  1. Olha, vou ser sincera.. prefiro mil vezes os ratos... eu tenho horros de aranha.. pode ser aquelas miúdas, inofensivas, já faço escândalo.. mas não é frescura, pavor mesmo.. fobia total!!! acho que se eu ver aquelas de filme, nussa, desmaio... aki em casa as baratas dominam, resultado da região mesmo, pq já tentamos td [menos o principal, q é detetizar], mas eu gosto da minha casa [apesar de querer uma própria e privada]... vou mudar td, pintura, móveis... só espero convencer meu pai disso.. kakakakaka
    bjsss

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  2. Realmente Pirota, esses aracnídeos te amam !
    Aah, talvez nem goste de saber ... Mas, tô lendo Pollyanna .
    Que esse espacinho novo aí seja bom pra você !
    Sou torcedora do Corinthians e fiquei imensamente feliz por eles .
    um beeeijo grande pra você, Pirota !

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  3. Olá...post muito bacana, enqto lia, me sentia sentado numa cadeira tomando um cházin com lareira e neve do lado de fora....muito aconchegante seu blog.
    Parabens! BjAõ!!!

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  4. A grama do vizinhu pode ser mais verde...mas se olharmos pra nossa e cuidarmos, com certeza, vai virar um jardinzão!!! :P

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  5. Queridíssima, você como sempre com um texto sensível e profundo. Lindo!! Realmente sempre achamos que a grama do vizinho é mais verde e estamos sempre buscando mais e mais. E nessa busca constante e frenética por vezes acabamos esquecendo de valorizar os pequenos prazeres da vida, como deitar numa rede, tomar um banho quentinho, assistir um filme, conversar com amigos e tantas outras coisas.
    Esse texto me fez refletir. Parabéns pelo seu talento único com as palavras escritas.
    Super beijo da amiga Isa

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