quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os sonhadores [Bernardo Bertolucci]


O nome de Bertolucci já seria o suficiente pra afirmar que este é um ótimo filme. Responsável pela obra-prima "O último tango em paris" (1972), Bernardo é um diretor fascinante. E em "Os Sonhadores", seu amor e dedicação à sétima arte são visíveis e apaixonantes.
O tema central do filme é o próprio cinema, uma metalinguagem digna de admiração. O filme se passa no ano de 1968, na França. Uma época em que a revolução estudantil atingia seu auge, e onde os valores sociais estavam sendo postos à prova e revigorados.
Mas não é só do cinema, respirado a cada fotograma, que se compõe o filme. A paixão humana, a política e as discussões intelectuais também fazem parte desse jogo de advinhações.
Há quem diga que o filme é apenas um "tango" jovem e despreparado. Outros afirmam ser mera pornografia juvenil.
Eu me deleito com a forma passional com que Bertolucci conseguiu mostrar os desejos e as aspirações humanas.

Matthew (Michael Pitt) poderia ser visto como apenas mais um garoto americano que vai ter suas bases intelectuais na aclamada Paris. Um tanto quanto ingênuo e apolítico, Matthew é apaixonado por cinema, e frequenta com bastante fervor a Cinemateca Francesa. E é lá, numa das cenas mais plasticamente belas do filme, que ele conhece Isabelle (Eva Green). (Tenho que abrir um grande parenteses para falar da atuação dessa menina. Eva Green é dona de uma beleza grega. Diante das câmeras, suas expressões assumem dimensões inimagináveis. Seu olhar é tão sensual quanto sua paixão pelo cinema.Com certeza, uma das novas boas promessas para o cinema atual.)
Em meio a toda a polvorosa em que se encontrava a Cinemateca, [o filme tem início durante os protestos pela expulsão de Henri Langlois do comando da Cinemateca Francesa pelo recém-instituido Ministro da Cultura do governo De Gaulle, Andre Malraux] Matthew, Isabelle e Theo (Louis Garrel) se encontram uns nos outros.
Isabelle e Theo são irmãos, que alimentam uma incestuosidade abstrata. Por muitos, a forma com que Bertolucci pintou o relacionamento dos irmãos foi chocante, mas, no filme eles são como Apolo e Diana: metades complementares.
Convidado a passar uma temporada na casa dos irmãos, Matthew é introduzido num mundo a parte, uma ilha dos desejos. Lá, eles têm conversas acaloradas sobre literatura, artes e política ; ao mesmo tempo em que compartilham seus desejos tanto do corpo quanto da alma.
Uma das grandes alusões de Bertolucci a seu amor pelo cinema é a brincadeira feita pelas personagens, "qual é o filme?". Um deles "encena" uma pequena cena e o outro tem que advinhar de qual filme ela faz parte. Nesses momentos, podemos ver cenas de clássicos, sendo rememoradas por Bernardo.
É incrível como Bertolucci consegue poetizar o sexo. Mesmo sendo não-convencional o propósito, a maneira como foi retratado é passional e bela. Quando nos deparamos com cenas que, na mão de outros diretores poderiam ser apenas sexo animal, também encontramos identificação com nossos próprios desejos. Não só os desejos da carne, mas, os mais bem tratados por Bertolucci, os desejos da alma.
Assista. Mas não vá para a frente da tv com a alma suja de pensamentos vãos. Nem com a idéia de que é um filme sobre sexo barato.
Dispa-se de seus preconceitos tolos, afinal, mais dia ou todo dia, todos somos "vouyeres" da vida.

3 comentários:

  1. Assistirei! Valeu pela dica ^^
    bjos e bom feriado

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  2. PERFEITO, ESSE POST E O ANTERIOR
    FELIZ OUTONO E UM BJ

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  3. Depois desta mega dica, não tem como não assistir! x)

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