terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre tristezas e surpresas cotidianas...

É engraçado o quanto a roda da vida nos supreende diariamente... Hoje, depois de espernear pra acordar, graças ao frio, à falta de sol e à chuva, meu dia se arrastou meio cinzento, meio preguiçoso. Passei a manhã toda lutando contra a vontade de voltar pra cama e a preguiça de ler as toneladas de coisas que tenho pra fichar. E dá-lhe chuva! Aquela chuva fininha, molhabobo, que não sabe se vai ou se fica, e perfeita pra me deixar de mau humor! À tarde tive que me esforçar horrores pra sair de casa, pois precisava fazer a matrícula trimestral do mestrado, e entregar o relatório. E assim que coloquei os pezinhos pra fora de casa, começou o pesadelo!
Pegar ônibus tem se tornado uma das coisas que mais odeio na vida! Acima até do Jota Quest! É sempre a mesma coisa. Pouco lugar e muita gente. Falta educação. Sobra gente que não sabe o que é banho ou desodorante. O motorista com o pé de chumbo. O trânsito caótico. O malabarismo de tentar não cair cada vez que o estrupício faz uma curva. As pessoas tentando quebrar a lei da física de que um mesmo espaço não pode ser ocupado por mais de um corpo. E hoje, pra coroar o dia, o ônibus foi invadido por uma cambada de adolescentes malditos, que cantavam em coro uma porra de um rap, ou um grito de guerra, ou qualquer coisa inaudível e incompreensível! E alto! Como se todo mundo fosse obrigado a escutar! Nem meu metal no último volume tocado em meus fones de ouvido salvadoresdapátria conseguia esconder o barulho! E na hora de descer do ônibus, então?! É um empurraempurra, cotovelada pra lá, trombadas pra cá... E quando desço do ônibus, naquela porra daquela chuva do inferno, sou abordada por um hippie! O encardido queria porque queria que eu comprasse uma maldição de uma pulseirinha, Dá uma forcinha aí! Pra ajudar na comida, mina! Ajudar na comida é o caralho! Vai trabalhar, vagabundo! [já diria Chico Buarque] Bicho! Eu prefiro ter um filho viado do que um filho hippie sujo! Eu preciso parar de estudar quadrinhos e começar a desenvolver um projeto de teletransporte logologo... Antes que eu compre uma 12 e saia explodindo miolos por aí...
Cheguei na faculdade super em cima da hora! Corri 3 andares de escadas, e cheguei na secretaria ofegante. E então descubro que tirei B em uma matéria. Justo a matéria em que a professora havia elogiado meu projeto, e dito que estava ótimo. Pra, no final, me dar um cacete de um B! E é claro que a perfeccionista nerd aqui não aceitou isso muito bem! Eu nunca me permiti ficar satisfeita com nada menos do que dez! Aliás, desde pequena, quando tirava 9, ou 9,5 meu pai me dizia que eu não devia me contentar, e que, se era capaz de tirar 9,5 também era capaz de tirar 10. E sim! Eu chorava quando tirava 9 nas provas da escola! [aliás, logo esse passado nerdloserquelanchavaescondidanobanheiro vira um post...]
Saí da faculdade num misto de tristeza e raiva, meio desorientada, até. E então resolvi tomar um café. Sentei no Kauf [um dos únicos lugares em que os fumantes não foram banidos ainda], e ao olhar ao redor, observei vários grupos de pessoas conversando, sorrindo, interagindo umas com as outras... E eu ali, na companhia de meus fones de ouvido, meu café e meu cigarro. Me bateu uma solidão...
Não que eu nunca saia sozinha. Aliás, adoro sair sozinha! Sentar num café, num banco de praça, ou num boteco, e desfrutar de minha própria companhia. Da qual eu gosto muito, por sinal. Mas é difícil se estar sozinha quando se deseja a companhia de alguém. É triste ter que conversar consigo mesmo, quando se quer compartilhar sorrisos e lágrimas. É triste não ter aquela pessoa em específico, da qual você queria tanto um abraço, que seria perfeita pra te fazer esquecer a nota ruim, o ônibus do inferno, e te faria sorrir...
Mas a roda da vida gira numa velocidade impressionante... Do nada, um amigo do mestrado estava passando em frente ao café, me viu e resolveu tomar café também. E logo começamos a dar risada. Um tempo depois, mais um amigo querido nos encontrou. E, graças ao sr. acaso, ganhei companhia; não a pela qual eu suspirava, mas a do número certinho da qual precisava! E, depois de mais de hora de conversas sobre a filosofia da vida, sobre o quanto Anjos e Demônios é um filme terrível, sobre qual personagem de quadrinhos nós gostaríamos de ser, sobre como o amor pode ser um câncer [by Liber], sobre como eu gostaria de casar com o Tony Stark [Homem de Ferro], sobre tantas coisas interessantes e divertidas... Depois dessa hora, já até havia esquecido que um pouco antes eu estava prestes a sentir pena de mim mesma. E, mesmo sem saber, meus amigos me salvaram.
Voltei pra casa, num ônibus menos lotado, mas não menos cheio de gente mal educada. E, como não pude dar minha caminhada diária graças a dona chuva, botei um sambinha pra tocar e fui dançar, lépida e faceira. Se alguém olhasse pela janela, pensaria que ali estava uma louca. E não chego a discordar, na verdade. Minha loucura por vezes pode ser minha salvação. E depois do sambinha, do banho quente e da sopa, me senti melhor. Não menos saudosa, admito. Porque é difícil se acostumar com a falta. Há pessoas que preenchem os nossos dias, que preenchem a nossa vida, e a falta delas traz consigo uma sensação de impotência, uma sensação de metade.
Sempre fui mimada pela presença das pessoas que amo. Sempre tive muitos amigos a minha volta. Muitas pessoas que me faziam sorrir pelo simples fato de sorrirem pra mim. E é difícil estar longe disso. É difícil contornar a distância. É difícil não poder contar mais com a presença de algumas dessas pessoas; algumas porque decidiram se afastar por livre e espontânea vontade, algumas que foram afastadas pela distância e pelo tempo... É difícil não ver mais certos sorrisos. É sim dificil, mas não é impossível.!A gente vai se acostumando, e como eu disse certa vez, transformando a saudade em borboletas ou em estrelas...
O que importa é saber que a vida está em constante mutação. E de que de nada adianta nos rendermos às lágrimas, ou então ficarmos amuados em um canto escuro quando as coisas não acontecem do jeito que gostaríamos. Não adianta se perder em lamentos e lamúrios sem fim. Há que se viver muito, e da melhor maneira possível. Mesmo com faltas a serem preenchidas. Mesmo com filhadaputagens a serem superadas. Mesmo com tristezas que nos marejem os olhos. Afinal de contas, essa vida é uma batalha, que só estará perdida quando esse coração de gengibre aqui parar de bater.

Companhia musical: o querido, charmoso e companheiro de todas as horas, Frank Sinatra.

Crianças Desaparecidas [Blogagem Coletiva]

Na semana passada fiz um post a respeito da Erotização Infantil, e, depois disso, resolvi que iria participar de todas as blogagens coletivas propostas pelo Diga não à erotização infantil. Creio que de nada adianta ficarmos apenas reclamando do quão ruim nosso mundo se tornou, do quanto é difícil viver, e de como as coisas vão de mal a pior. Reclamar não leva a lugar nenhum. Por isso decidi ajudar da maneira que posso, usando o meu blog como veículo de informação. Tornando mais forte o grito de revolta, e tentando ajudar a minimizar o sofrimento de pais e crianças.
Hoje o post é a respeito do Dia Internacional da Criança Desaparecida, que foi ontem, 25 de maio [mas, por problemas técnicos não pude postar]. E uma das mobilizações deste ano é a criação do Alerta Âmber no Brasil. É absurda a quantidade de crianças desaparecidas em nosso país! A cada dia, mais e mais pais são separados de seus filhos, e mais e mais crianças são privadas de terem o amor de seus pais. No blog Diga não à erotização infantil você pode encontrar toda a história, as informações e os meios pelos quais também pode ajudar nessa causa. Além disso, diariamente são postadas informações importantes sobre o que está acontecendo em relação às crianças. Ele já se tornou uma leitura diária pra mim, e espero que pra você também!
E 'bora todo mundo ajudar nessa causa tão importante! Se tiver blog, divulgue as informações, faça posts a respeito. Se não tiver blog, fique de olho em outras formas pelas quais você pode ajudar. Vamos todos nos mobilizar, e dar uma mãozinha pra esse mundo se tornar melhor!

Companhia Musical: O Caderno - Toquinho e Paulinho da Viola

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aleatoriedades de uma segunda-feira chuvosa...

Tenho me esforçado bastante pra fazer as pazes com a Dona Segunda-feira. O problema é acordar e dar de cara com chuva a lá fora. Aquela chuva fininha, quase depressiva, que traz consigo um clima meio melancólico, meio euvoumejogarnosofáenãosairnuncamais... Mas, não posso me dar ao luxo de me jogar no sofá. Primeiro, porque não tenho sofá. Segundo porque é dia de labuta, e tenho uma dissertação pra escrever. E só pra desanuviar o clima, aqui vão umas pequenas aleatoriedades. Uma descoberta, um comentário de futebol, um comentário de notícia, duas novidades do blog e uma citação de genialidade alheia...
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A descoberta: Acabei de entrar em um site que acredito que vá se tornar um vício diário. É o Labuat, uma invenção genial! Enquanto toca uma música fofa, você pode ir "pintando" a música com o mouse, fazendo movimentos. No final, dá pra ver o vídeo de sua pintura, e mandar o resultado pra quem quiser. É lindo! E traz uma paz de espírito indescritível! Corre lá e experimenta! E depois vem aqui me contar como foi!
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Futebol: E lá veio mais um empate do São Paulo que temos que engolir a seco! O São Paulo, nos últimos anos, está parecendo aqueles alunos do fundão, que são razoavelmente inteligentes, mas não se esforçam nada o ano todo. Daí, nos exames finais, vão lá, tiram dez em tudo, e passam de ano. Mas, assim como o aluno, o São Paulo está me irritando! Porra! Eu quero um time descente o ano todo, que tire dez o ano todo! Não sou daqueles torcedores raivosos, que depois de uma derrota xinga até a última geração. Mas também não vou ficar batendo palmas pra um timezinho meia boca.
Sobre o jogo de ontem... Eu não pude ver o jogo na íntegra, porque não passou na tv aberta. Então assisti SantosxFluminense, enquanto ouvia PalmeirasxSão Paulo no radinho [um dia ainda faço um post sobre a arte de ouvir jogo no radinho], e depois vi os melhores momentos pela internet. Sim, eu sou apaixonada por futebol, assisto qualquer jogo, mesmo que não seja do meu time. Aliás, deu gosto de ver o Santos jogar. Um time conciso, rápido e eficiente. Bem diferente do São Paulo de hoje. Devo bater palmas pro Marcos, o goleiraço do Palmeiras. O cara é, hoje, o melhor goleiro do Brasil! Salvou o gol do Palmeiras por diversas vezes, e não tem nem como ficar puta pelo empate, porque a muralha Marcos se destacou. E por falar em destaque, parabéns Denis! O moleque entrou debaixo de uma pressão filhadumaputa e deu conta do recado! Pode ser cedo demais pra ter esperanças, mas me parece que o substituto de nosso capitão Rogério já deu as caras.
E pra mostrar que, acima da paixão pelo São Paulo, sou uma futebolista racional, houve pênalti no lance do Palmeiras sim. O seu juiz errou. E é claro que o Luxemburgo vai ficar reclamando disso o resto do ano. E eu não tenho a menor dúvida de que se a gente ganhar o Brasileiro de novo [não custa ter esperança né!], esse pênalti ainda nos será jogado na cara.
Ps: Alegria de pobre dura pouco! Depois de eu ter pulado de alegria quando o Galvão parou de narrar os jogos no Brasil, agora sou obrigada a aturar o pedante do Kléber Machado! Será que ninguém avisou pra ele o quanto ele é chato?! Além disso, eu não entendo essa mania irritante da Globo de explicar as regras de futebol no meio do jogo. A premissa maior é de que quem assiste futebol entende as regras e o jogo. Eu não preciso de um mané me dizendo que a regra é clara! Ou será que eles acham que os telespectadores do jogo são os mesmos que assistem Ana Maria Braga?! Ninguém merece, viu!
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A notícia: Nesse fim de semana, li uma notícia sobre um marido que matou a mulher a tesouradas [isso mesmo, TESOURADAS!], em uma universidade de Santos. Eu já havia prometido que não iria mais ler jornal, afinal de contas, cada letra é um pingo de sangue. Mas não me contenho, e me deparo com isso. Alguém me explica onde esse diabo desse mundo vai parar?!
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Novidade1: começo hoje a sessão Samba do Crioulo Doido. Nela vou escrever novidades que encontro pela internet, comentários de notícias, indicações de livros, sites, músicas, achados da vida...
Novidade2: Reza a lenda, que o que é bom deve ser copiado. Pois bem, depois de ler muitos blogs, notei que algumas blogueiras amigas [Como a Lidiane e a Dolly] respondem os comentários em seu próprio post. Achei muito prático e útil, porque assim o post acaba se tornando um diálogo contextualizado. A partir de agora adotarei essa técnica. E peço licença ao ser que começou com isso, que, infelizmente, não sei quem é... Claro que não vou deixar de comentar nos blogs alheios, porque isso é uma das maiores diversões do meu dia [logo faço um post sobre a fina arte de deixar comentários em blogs, viu Lidi].
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E pra terminar o post de um modo mais leve, vou deixar aqui uma genialidade do querido Drummond. Pra quem gosta, há um site com muitos poemas dele, o Memória Viva, alguns com áudio, declamados pelos próprio escritor, ou por alguns atores, como Paulo Autran [que eu acho divino declamando poesia!]. Visito esse site diariamente, como se fosse aquelas caixinhas com frases pra alegrar o dia. E, todo dia, o velho Drummmond consegue retirar qualquer pedra de meu caminho...
Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

[Esse poema cai como uma luva cada vez que uma ausência e uma falta me atingem o peito. Cada vez que eu tento preencher o vazio deixado por alguém... Como agora... E o mais engraçado é que quando escrevi esse POST sobre saudade, ainda não tinha conhecido esse poema... Pra ver como Drummmond me influencia mesmo sem que eu saiba].

Companhia Musical: Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor / Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa [Álbum Coleção Bis]

domingo, 24 de maio de 2009

Bye bye sedentarismo!

Essta semana tomei uma decisão muito importante nessa minha vida de cão: deixar de ser uma vampira sedentária! E dessa vez é sério! Desde domingo passado parei de ir dormir quando o sol está raiando e acordar perto da hora em que ele se põe. Você deve estar se perguntando: Mas o quê diabos essa menina faz que pode dormir e acordar nesse tipo de horário?! Devo dizer que tenho o melhor emprego do mundo! Sou mestranda/bolsista [da generosa e querida Capes] em fase final de dissertação. O que significa que sou paga pra fazer as duas coisas que mais gosto no mundo: ler e escrever. E como o senhor meu cérebro se rebela contra a luz solar, trabalhava durante as noites e madrugadas. Mas, [in]felizmente, já não sou uma mocinha que acabou de entrar pra faculdade e ainda tem a saúde novinha em folha, pronta pra ser devorada pelos maus hábitos da vida adulta. Sou uma quase balzaca, fumante, bebente e sem vergonha na cara!
O pior é lembrar da minha supersaudávelquaseirritante adolescência. Até meu primeiro ano da faculdade, eu era uma atleta. Sim! Daquelas que treina 6 horas por dia, não fuma, não bebe e se alimenta corretamente. Era integrante de seleções da cidade, das escolas, de faculdades. Metade do dia era dedicado aos livros e a outra metade à bola [Joguei Futebol semi-profissional por 10 anos. E basquete estudantil por 9]. Mas assim que botei os pezinhos na faculdade, troquei a bola pela cachaça e pelo cigarro. Troquei a boa alimentação por salgados gordurosos. Troquei o leite pelo café. Troquei as noites de sono por bares. Troquei uma vida por uma sobrevida sedentária. E então me tornei professora. Dando aulas em 3 períodos. A desculpa perfeita pro sedentarismo. Ah! Eu não tenho tempo. E fui levando essa desculpa com a barriga [cada vez maior, diga-se de passagem]...
Até essa semana! Quando parei pra pensar que o único exercício que faço é ser amélia, e que daqui uns dias as células do meu corpo já não se renovarão mais tão rapidamente. E então levei um susto! Resolvi criar o meu S.A. [Sedentários Anônimos], e tentar o tal do um dia de cada vez. A primeira medida foi dormir e acordar cedo. No domingo foi um martírio! Na segunda já foi mais tranquilo. Na terça levantei assim que o despertador tocou. E hoje nem precisei de despertador! Sem contar que, ao disciplinar o corpo pra acordar, ele também se disciplina pra dormir. Ou seja, deu meia-noite a máquina pára e não tem outro jeito senão deitar.
A segunda medida foi a reeducação alimentar. Não que eu comesse muita tranqueira. Na verdade, não como nada de tranqueiras! E doces só passam pela minha boca lá de vez em quando... Mas eu tinha o péssimo hábito de só comer uma vez por dia. Lá pelas 7 da noite me dava fome, eu comia feito uma pedreirinha, e pronto. Agora estou me disciplinando a comer as tais 5 refeições diárias. No domingo não consegui. Na segunda tomei café da manhã meio obrigada, mas almocei e jantei no horário certo. Na terça, já acordei com fome. E ela se repetiu nos horários do almoço e do jantar. E hoje o organismo já estava totalmente habituado às tais 5 refeições.
A terceira e mais difícil de todas foi a de caminhar uma hora por dia. No primeiro dia parecia que tinha levado uma surra! Mas hoje nem doía mais nada! Aliás, depois de caminhar, meu corpo produziu adrenalina que é uma beleza! E parecia que eu tinha tomado uma injeção de ânimo.
Ainda é muito cedo pra eu afirmar que não vou mais sucumbir à tentação dos maus hábitos. Mas estou certa que dessa vez não me deixarei abater tão cedo! E, no fundo, essa coisa de vida saudável está até me ajudando nos estudos. Já que fico mais feliz, mais bem disposta e com o cérebro menos cansado. Sei que sou uma privilegiada, por poder fazer meus próprios horários. Mas acredito que mesmo quem tem os horários contadinhos, deveria repensar seus hábitos, também. Dormir bem, se alimentar de forma saudável, caminhar ao invés de dirigir, tomar bastante água. Tudo isso não é só balela de academias e revistas de saúde.
A gente se ocupa tanto do que está a nossa volta, que acaba, por vezes demais, se esquecendo do mais importante: de nós mesmos. Nunca sobra tempo pra dar uma voltinha na rua, ou pra passar um hidratante, ou pra sentar, esticar as pernas e comer uma maçã. Há sempre o trabalho, a família, os afazeres de casa, o cursinho, a faculdade, os namorados... E acabamos acordando correndo, almoçando em frente da televisão, deixando o esmalte descascado, a barba por fazer...
Não estou dizendo que devemos mandar tudo a putaqueopariu e ficarmos o dia todo com as pernas pro ar. Mas acho que não custa nada dar uma esticadinha nas pobrezinhas assim que se chega em casa. Dar aquela respirada e descansar nem que seja por cinco minutinhos. Ou então ir naquele parque perto de casa no fim de semana, pra sentar na grama e tomar sol. Ou trocar aquele salgado do lanche corrido da tarde por uma banana. Digo isso porque pra mim deu certo. Hoje posso afirmar que estou bem mais feliz, bem disposta e menos cansada do que há 8 dias atrás. É claaaaaro que não vou me tornar uma ratinha de academia! Afinal de contas, já gasto meu tempo sendo rata de biblioteca. Assim como também não vou parar de fumar, tomar café e beber; do contrário seria saudável demais, e meu corpo poderia achar muito estranho e parar de vez! [Mas sou obrigada a confessar que estou gostando dessa tal vida saudável...]

E vocês, também são casados com o sedentarismo? Ou têm uma vida saudável? Conta pra mim vai...

Companhia musical: Feijoada Completa [álbum] - Chico Buarque

sexta-feira, 22 de maio de 2009

É Mato Grosso do SUL, estrupício!

Muita gente sabe que moro em Curitiba, mas poucas pessoas sabem que nasci no interior de Mato Grosso do Sul [mais precisamente em Dourados], e que cresci em Campo Grande. Apesar de ter cara de paulista e sotaque de mineira [um fenômeno que não consigo explicar]. Desde que cheguei nesta cidade, tenho tido muito trabalho pra explicar de onde vim. É sempre o mesmo diálogo: -De onde você é? - De Mato Grosso do Sul. - Ah! Eu conheço alguém que mora em Cuiabá. Lá é quente, né? - É. Mas eu não sou de Mato Grosso. Sou de Mato Grosso do Sul. - Mas não é tudo a mesma coisa? Porra! Nem uma multidão de japoneses é tudo a mesma coisa!!! Se tem nomes diferentes, é porque são lugares diferentes! Mas não adianta tentar explicar. A falta de noção geográfica das pessoas está arraigada por demais pra ser dissipada...
Eu sempre tento ser educada, sorrio quando acham que sou de Cuiabá, e saio balançando a cabeça, tentando entender qual é a dificuldade de se entender a diferença. E o pior é que não pára [o meu só vai perder o acento em 2012! Tenho escrito!] por aí! Pra maioria das pessoas, o nordeste se resume à Bahia. Isso quando não há aqueles que acham que de Brasília pra cima é tudo Norte, e que de São Paulo pra baixo é tudo sul. Essas pessoas não tiveram aula de geografia não, cacete?! Ou será que se recusam a aceitar que as divisões geográficas estão aí por um motivo que não cabe a eles questionar?
Também não é muito raro encontrar criaturas que acham que a capital do Brasil é Buenos Aires. Não! Isso não é uma piada de loira. Já ouvi muitos de meus alunos dizendo isso, ou então que a capital de nosso país é o Rio de Janeiro. O que que se vai fazer? "Vai matar?! Não! Tem que inducar, tem que iscrarecê!" [Pra quem não conhece Terça Insana, vale a pena dar uma olhada nessa personagem AQUI].
O que fico me perguntando é se os brasileiros não acabaram estigmatizando o próprio país, assim como o fazem os países do lado de cima da linha do Equador com relação ao Brasil. A maioria dos europeus e americanos jura de pé junto que em nosso país só existe samba, mato, mulher pelada, cachaça e futebol. A eles não interessa saber que a Paraíba fica no Nordeste, e que Nordeste não é sinônimo apenas de Lampião e Maria Bonita, ou de seca. Enquanto nós aprendemos na escola quais foram as principais revoluções mundiais, quais são as capitais dos países europeus, somos privados de entender por inteiro nossa própria história. Quando diabos vão parar de ensinar a versão "Globo" do "descobrimento" do Brasil? Quando os professores de História vão parar de tentar tornar seus alunos discípulos do marxismo e do petismo?! Quando eu vou encontrar um aluno que saiba todas as capitais dos estados brasileiros? Ou um adulto que não confunda Mato Grosso com Mato Grosso do sul?!
A maioria dos brasileiros sonha em conhecer a Europa, a Disney, mas não tem noção do que se passa pras outras bandas de nosso país. Acredita piamente nos esteriótipos criados pelas novelas globais, e a partir daí acha que todo mundo é igual a esse ou aquele personagem. A maioria se esquece que não há uma identidade brasileira, mas muitas. E que todas têm o mesmo nível de importância.
Fico me questionando se é necessário desafirmar uma outra cultura para conseguir afirmação para sua própria... Ou se é necessário todo esse bairrismo que encontramos espalhado pelo país. Não é raro encontrar um curitibano que acredite que a presença de pessoas de outros estados estraga a cidade, a torna pior. Como se o espaço da cidade fosse privado, e devesse ser ocupado apenas por aqueles que nesse espaço nasceram. E sei que isso não existe apenas aqui. É como se não fosse necessária a aceitação do próximo mais. Como se o local de nascimento determinasse o local de morte... Acho justo que alguém queira sair do local onde nasceu, especialmente se ali não há algo que o posso ajudar a crescer, a se desenvolver. E não vejo porque eu não posso me mudar de cidade e tentar crescer profissionalmente em outro lugar.
Sabedeus quando é que esse tipo de preconceito irá mudar. Se é que um dia irá mudar. Até lá vou ser obrigada a escutar: Ah! Você é do Mato Grosso? Eu conheço alguém em Rondonópolis! É quente lá, né? Só que vai chegar uma hora em que perderei a educação e responderei É Mato Grosso do SUL, cacete!

E vocês, também já tiveram que explicar de onde são? Já escutaram um estrupício declarando que a capital de nosso país é Buenos Aires? Conta pra mim, vai...

Companhia musical: Almir Sater ao vivo - Almir Sater

quinta-feira, 21 de maio de 2009

É o tempo...

Eu já falei por aqui que odeio médicos! Geralmente a gente vai lá, tranquilo ['tadinho...Tão triste sem o trema...], e sai com uma virose. Porque nenhuma doença mais é chamada pelo nome, nessa vida. Agora é tudo virose. Depois dos remédios genéricos, também temos as doenças genéricas... Mas, depois daquele tempo todo doente, resolvi que ia dar uma passadinha no posto de saúde. Só pra dar uma checada [e também porque minha mãe não ia sair do meu pé enquanto eu não fosse! E mesmo morando longe, e podendo mentir pra dona Maria que tinha ido, é feio mentir pra mãe! Mesmo em minha idade...] Marquei uma consulta, e é claro que só tinha vaga pra dali uma semana!
Chegou o dia da consulta. Pra minha surpresa, não esperei muito tempo, e logo meu nome foi gritado pela dona médica. Uma oriental [loira!] rápida e nervosa. Entrei na saleta, dei boa tarde, perguntei se ela estava bem, e a mulher nem se dignou a me olhar nos olhos. Perguntou qual era meu problema. Eu lhe contei a respeito da gripe, que tinha constantes dores de cabeça, que estava me sentindo cansada por demais [fato extremamente fora do comum, já que não faço porra nenhuma que envolva esforço físico. Exceto, é claro, minhas atividades de amélia]. Ela mediu minha pressão. Colocou o estetoscópio em meu pulmão, me mandou respirar fundo. Deu uma passada de olho em meus olhos. E disse: "Você está ótima! Sua pressão está normal. Seu pulmão está ótimo! [Velho! Eu sou fumante há 9 anos! E meu pulmão está em perfeito estado! O coitado deve ser feito do mesmo "material" do rabo da lagartixa! Deu algum problema, regenera, e 'tá novo!] Você está coradinha [Quem já me viu de perto sabe que de corada eu não tenho é nada! Sou praticamente um fantasma de tão branca!] e saudável". Depois do susto inicial, perguntei a respeito das dores de garganta eventuais, do nariz trancado e das dores de cabeça. Ela, sem olhar pra mim, enquanto surrava o teclado [porque aquilo, em nenhuma hipótese, pode ser chamado de digitação], me disse que era o tempo. - Mas, dona médica... - Não se preocupe! É o tempo! - Mas eu não preciso de nenhum remédio? Nenhum exame? - Não! Isso é só por causa do tempo. -Mas a senhora não acha que seria bom se eu fizesse um exame de sangue, ou uma radiografia? - Se você insiste, vou te dar a guia e você marca lá na frente.
Saí do consultório atônita! Não sabia que os médicos haviam adquirido poderes de advinhação!!! Como assim a malacabada me manda pra casa sem nenhum diagnóstico descente? Ah! É o tempo! É o tempo o cacete!!! Eu passei mais de um mês com a saúde fodida, e a estrupícia tem a pachorra de me dizer que é o tempo?! Além de tudo, quando fui marcar os exames, a dona secretária me disse que meu nome ficaria na fila de espera. Quando perguntei qual o tempo aproximado de espera, ela disse Mais ou menos 2 meses. Putaqueopariu bicho!!! Esperar dois meses por um diabo de uma radiografia?! E se fosse sério?! Eu perguntei o que aconteceria se eu morresse e não pudesse comparecer. E ela me repondeu que eu deveria mandar alguém avisar pra que fosse cancelado o exame, caso contrário meu cadastro seria bloqueado. Ora bolas!!!
É por essas, e tantas outras, que pretendo não colocar meus pés num posto de saúde tão cedo! Acho um descaso absurdo! A infraestrutura deixa a desejar. Os funcionários são mal qualificados [a moça que me atendeu no balcão mal sabia mexer no programa do computador! Além de ser leeeeerda...]. Os médicos sempre reclamam que ganham mal, e por isso atendem todo mundo correndo. E o que me dá mais raiva é pensar na quantidade de pessoas que dependem do serviço de saúde pública. Imaginar quantas pessoas, nesse exato minuto, estão morrendo por falta de atendimento, ou pela greve de funcionários. Eu quero é saber pra onde vão os impostos que pagamos? Proraioqueoparta, só se for!!!
Eu agradeço aos deuses por ter uma saúde quase de ferro, apesar de toda essa vida desregrada que levo [que na verdade, está mudando, mas isso é assunto pra outro post]. Porque se tivesse que depender do SUS, já teria morrido, como tantos outros cidadãos... E o que mais me deixa triste é saber que isso não mudará tão cedo, se é que um dia irá mudar! O jeito é tomar vergonha na cara e fazer um plano de saúde. Ou então acender uma vela pra cada santo pra não ficar doente. Porque senão, vou ter que ir ao médico pra ouvir ele dizer que meu problema é o tempo. É claro que meu problema é o tempo!!! O tempo que gasto dentro de uma porra de um posto de saúde! O tempo que espero nas filas pra marcar uma consulta pra dali a um mês. O tempo que passo tentando entender porque esse país é uma esbórnia...

E vocês, já tiveram experiências ruins com o SUS também? Ou têm um plano de saúde descente e nunca precisaram passar por isso?

Companhia musical: Construção [álbum] - Chico Buarque

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Memê e selinho [Minhas plantinhas]

Aiai... Fico tão feliz quando ganho presentinhos... Dessa vez vou postar um Memê que ganhei da Debbys, do Debbys Mello, e um selinho que ganhei da Bê, do Addicte and Available. 'Brigadão pela lembrança, meninas!
O memê, ganhado da Debbys, é o seguinte:
- Vá à pasta de fotos do seu computador;
- Vá à sexta foto da pasta de fotos do seu computador;
- Coloque essa foto no blog e escreva alguma coisa sobre;
- Convide 6 amigos para participarem e fazerem o mesmo.
Um dos grandes problemas de eu participar desse Memê, é que eu não tenho UMA pasta de fotos. Eu divido minhas fotos por acontecimentos, datas, pessoas, lugares... Então fui na primeira pasta, que tem as fotos de minha casinha, e a sexta foto é essa aqui:
É a foto do lugar onde ficam minhas plantinhas, na varanda da casinha [Sim! Essa é a cama que mofou nas férias. Acabei aproveitando e fazendo ela de porta-plantas. Só que ela 'tá ficando pequena já...]. Da esquerda pra direita, eu vos apresento: Hortelã, Alecrim, Manjericão Roxo, um raminho de Arruda, Espada de São Jorge, Dália e Manjericão. Aí estão faltando minhas novas meninas, que são um vasinho de Arruda, um de Menta e um de Mirra [Sim! Eu tenho um pé de Mirra!]. Além do que, essas que estão aí já dobraram de tamanho. Lá no fundo, na janela, ficam um caldeirãozinho que era da bisavó e uma casinha de caracol, daquelas que a gente coloca no ouvido e ouve o barulho do mar, que ganhei do vô. Minhas plantas são meu xodó. Aprendi essa paixão com a Dona mãe, que tem praticamente uma floresta em casa! A maioria uso pra fazer chá e temperar a comida. E é incrível como tudo que eu planto cresce que é uma beleza! Além disso, eu converso e águo elas todas manhã. Afinal de contas, as meninas também precisam de carinho...
E o Memê vai para: Isa, do Arrumadíssimo; Lidi, do Bicha Fêmea; Dolly, do MaryaMariah; Karol, do A Dona do Mundo; Renan, do Pato de Botas; Bê, do Addicted and Available.

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As regras do selinho, que ganhei da Bê, são: escrever uma lista com 8 características suas, convidar 8 parceiros de blogs amigos para responder.
Listinha: Nerd, Organizada, Sincera, Urtigona, Crítica, Espírito de Porco, Nerd [é que sou muuuuito nerd!], Carinhosa como um urso.

E os convidados são: Debbys, do Debbys Mello; Isa, do Arrumadíssimo; Lidi, do Bicha Fêmea; Dolly, do MaryaMariah; Karol, do A Dona do Mundo; Renan, do Pato de Botas.

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É isso...Espero que os indicados gostem e participem... E, se alguém que não está com o nome na listinha, quiser participar, fique à vontade!

Companhia Musical: Acústico MTV 2003 - Zeca Pagodinho.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Diga não à erotização infantil! [Blogagem coletiva]


Essa aí ao lado sou eu, aos 4 anos. Sorrindo da vida, porque tinha uma infância saudável. Quando criança, podia brincar de boneca, brincar na areia, podia ler livros com figuras... Tive avós que me acariciavam a cabeça até que eu pegasse no sono. Tive pais que me davam o máximo de carinho, cuidado e amor do mundo. Quando criança soube o que era felicidade, amor, família. Fui ensinada a ser uma pessoa descente, com sonhos, educação e respeito. Tive pais que me levavam pelas mãos antes de eu aprender a andar. E que, mesmo depois de meus primeiros passos, continuaram a segurar em minhas mãos para que eu não caísse frente às dificuldades do mundo. Eu tive uma infância saudável e feliz. E hoje, graças a todo o carinho, amor e educação que recebi, me considero uma pessoa feliz. Não fossem meus pais e avós, é bem provável que hoje eu não estivesse aqui, escrevendo essas palavras pelas quais vocês passam os olhos...
Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e á Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. E descobri no blog da Lidi, o Bicha Fêmea, a respeito da campanha Diga não à erotização infantil. Resolvi participar também, porque acho que a blogosfera não é feita apenas para que falemos sobre nós, mas também para ajudarmos o próximo, pra aderir a grandes causas, pra fazer um pouco de nossa parte pelo bem desse mundo.
A cada dia que passa, mais e mais crianças perdem o direito de desfrutar de sua infância. Isso graças à pedofilia, à exploração e ao abuso sexual. É triste ver meninas, que deveriam estar fazendo comidinha com terra no quintal de casa, andando semi-nuas pelas ruas, trocando pedaços de sua infância por míseros reais. É triste ver adultos abusando desses pequenos corpos, que nada sabem ainda sobre sexualidade. É triste ver estrupícios manipulando fotos de crianças e divulgando-as em sites de pedofilia. E é mais triste saber que o que se tem feito a respeito é muito pouco.
É preciso que os adultos responsáveis zelem o máximo possível por seus pequenos, afinal de contas, o exemplo e o cuidado devem vir dos pais. E mesmo nós, adultos sem filhos, podemos fazer nossa parte sempre! Denunciando, olhando cuidadosamente, ajudando a sociedade a se tornar menos perigosa pra essas pequenas criaturas que merecem ter sua infância conservada. Afinal de contas, hoje em dia é tão difícil ser criança. Tem que ficar cercado por muros, grades, paredes. Elas já não podem mais soltar pipa na rua. Brincar de bola na rua, pega-pega...
E você, se tiver blog, 'bora participar dessa campanha também! Não custa nada, e, quanto mais vozes gritarem, mais fácil fica de sermos ouvidos...

Companhia musical: Aquarela - Toquinho.

O fim das desventuras em série...

Resolvi juntar os dois dias num post só. Assim acaba logo a odisséia... E 'bora começar do começo. Que, aliás, foi às 6 da manhã! Como a primeira conferência só começaria às 8:30h, coloquei o despertador pras 8h, porque o pensionato era pertinho da UEL. Quem dera se eu tivesse sido acordada pelo despertador! Às 6 da matina a cambada começou a acordar. E dá-lhe bater porta, acender luz, andar de um lado pro outro, conversar alto. Logo, adeus sono! Fiquei lá, esperando os estrupícios saírem pra eu ir tomar café. E o meu mau humor matinal que já é grande, só aumentou. Além do que, ao levantar, eu tinha a nítida sensação de ter levado uma surra daquelas bem dadas, de tanto que meu corpo doía de cansaço...
Pra variar, a conferência começou com, pelo menos, uma hora de atraso. Mas, dessa vez, o atraso valeu a pena. A primeira era de um dos motivos pelo qual havia me dignado a ir ao congresso, a palesta da Dra. Ana Cláudia Oliveira. Isso sim é apresentação! Eu precisava ter mais uns dois braços pra dar conta de tanta informação que saia da boca da mulher. Simples, pontual, apaixonada pelo que estava falando. Além do que, os estudos dela são parte importante da minha dissertação. Pena que acabou. E logo vieram mais leituras... Ô povo que gosta de ler...
Mas, pra aliviar a decepção da leitura, logo avistei minha querida orientadora, que foi pra assistir as conferências da quarta. Acabou a conferência e fomos almoçar. Acho que desde as férias na casa da mãe que eu não almoçava no horário certo em dois dias seguidos. Sabe que até me senti saudável? [e resolvi tentar isso mais dias...]
Contei pra orientadora sobre o ocorrido da terça e ela ficou estupefada! 'Tadinha! Até ficou se culpando por ter me mandado ir pro congresso... Bom, depois do almoço, e de uma conversa ótima com a dona orientadora, 'bora pras palestras da tarde.
Eu anotei o nome de, pelo menos, uns dois doutores que nunca mais quero ouvir falar na vida!!! Um, por ser muito chato, e fazer com que, de uma vez só, Saussere, Greimas e mais uma porrada de semioticistas e linguísticos se revirassem na tumba! Outro por ser muito esquisito! Mas, fiquei impressionada com o quanto um dos componentes da mesa era bonito. Pode parecer preconceito, mas nunca havia visto um Phd tão novo e tão bonito! Jurava que isso fosse lenda...
De tardezinha, começaram a distribuir os certificados. E advinha quem não tinha um?! É claro que sou eu, né! Meu certificado, assim como as programações, saíram no nome de minha orientadora. Ou seja, certificado só daqui umas semanas, e pelo correio... Mas, no fim das contas, acabei virando a celebridade do congresso. As pessoas passaram a me chamar pelo nome, umas até mais íntimas, me chamavam de Patty. Já havia se espalhado a história de terça, e que eu era a doida que estuda história em quadrinhos. Até o professor coordenador do evento veio me pedir desculpas, e dizer que iria falar com a tal senhora, colocando-a em seu lugar. Eu pedi que não o fizesse. Afinal de contas, já havia passado, e eu havia sobrevivido. Não havia necessidade nenhuma de fazer a mulher passar por uma situação tão ruim quanto a que eu passei... Além do que, eu sempre levo muito em conta a tal da máxima "não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem a você".
No final, acabei conhecendo um contato de uma Dra. que trabalha com Machado de Assis em Curitiba, e que será deveras útil pra minha dissertação. Voltei pro pensionato, louca pra dormir e tentar me acalmar pra apresentação do outro dia. Só que quarta é dia de jogo, e os estrupícios que normalmente são barulhentos, conseguiram a façanha de se multiplicar em 100! Ou seja, dormir nem pensar né!
Acordei na quinta sem tantas dores, mas com um frio do cão! Porque é claro que Londrina não ia me deixar sair de lá sem passar frio. E dá-lhe chuva! [Há muitas coisas que eu odeio nesse mundo. Mas uma das principais é andar na chuva!] Cheguei na UEL quase enxarcada, e as conferências [que dúvida!] começaram atrasadas novamente. E como se pra coroar o evento, conseguiram ser piores que todas as outras!!! Primeiro a decepção, com uma Dra. que escreve livros ótimos, mas que não desgrudou os olhos do papel e leu durante a sua uma hora de apresentação. E então veio a cereja do bolo: um conferencista metido a descolado, falando palavrões durante sua palestra, e que, outofnowhere, solta o comentário [e eu cito] "Eu adoro Caras! Acho que todo mundo tinha que ler! Aliás, eu sigo a vida da Adriane Galisteu pela revista!". Me levantei e saí. Como assim um cientista faz apologia ao uso de drogas?! É claro que todos nós lemos revistas populares, e temos nossos passatempos, mas é necessário que um Dr. confesse isso em uma conferência?! Na minha humilde opinião não. Eu mereço?! Mereço sair de Curitiba pra ouvir um ser falando que Caras é bom?! Devo merecer, só pode...
O bom de ter me ausentado da palestra foi que acabei conversando com o tal Phd bonitão, que, além de bonito, é inteligente e gente boa! Me deu várias dicas de livros, e ainda discutiu quadrinhos comigo, coisa rara nessse mundo acadêmico. [um dia ainda faço um post sobre o preconceito contra os quadrinhos...].
Chegava a hora de minha apresentação... E advinha quem é que não tinha o nome na programação ainda?! Pois é... Qual não foi minha surpresa ao ver que na mesa de comunicação em que fui apresentar havia 14 pessoas assistindo. Pode parecer pouco, mas, devido ao histórico do congresso, isso era quase uma multidão! Os outros apresentadores falaram sobre coisas super bacanas, como as relações entre caricatura, cartoons e política. E todos ficaram muito atentos à minha apresentação. Além de anotarem o que eu estava falando! Ora, uma das melhores sensações de quem apresenta alguma coisa é ver que os ouvintes estão anotando suas palavras. E dessa vez ninguém me interrompeu. E o computador também não travou. Além disso, um Dr. ficou bastante interassado na pesquisa, e disse que iria entrar em contato comigo [Vai que eu já consigo uma vaga no doutorado?!]. No fim das contas, foi até bom a dona senhora ter feito o que fez...
À tardezinha a chuva cessou, e fomos [eu e as meninas de João Pessoa] dar um passeio pela UEL, que é linda, isso tenho que admitir... E , numa grata surpresa, o encerramento do congresso contou com a participação de um grupo de samba formado por mulheres, a maioria senhoras professoras da universidade. Incrível a qulidade do som! Se alguém de Londrina estiver lendo, procure pelo grupo Entretantas. É de encher os ouvidos, de tão bom!
No fim das contas, saímos felizes do congresso. Mesmo depois de tantas presepadas. Fiz contatos, fiz amigos, e ganhei muitas histórias pra contar... Parecia que até o céu estava sorrindo... Maaaaas, não pensem vocês que a história acabou bem! Estamos falando do ser da nuvenzinha cinza!
Fomos pro pensionato pegar nossas coisas. Nos despedimos da dona, muito querida sim, mas que passou meia-hora nos contado sobre sua história com deus e a Igreja Universal [quem me conhece sabe bem minha opinião sobre instituições como essa!]. E então fez-se a hora de dar adeus a Londrina. Chegamos na rodoviária, me despedi das meninas, e entrei em meu ônibus cheiroso e quentinho. Só que havia um senhor sentado em minha poltrona. Muito educado, pediu desculpas e saiu. Só que, ao olhar em sua passagem, descobriu que o número da poltrona era o mesmo que o meu. Fomos então ver qual era o problema. Com o senhor não havia problema nenhum, a passagem dele estava correta...
Mas é claro que o problema tinha que ser comigo! Minha passagem estava marcada pro dia anterior!!! Ou seja, eu devia ter pego o ônibus na quarta! Putaqueopariu!!! Como eu não percebi isso, cacete?! Mas os caras da Viação Garcia foram super bacanas. Tentaram me arrumar um lugar no leito, mas ele estava lotado. E então me conseguiram um lugar que estava sobrando no executivo, que saía no mesmo horário. Se fosse qualquer outra empresa, teria me feito pagar uma nova passagem, e ficar esperando o próximo ônibus. Mas eles não! Ainda me pediram desculpa por não conseguirem me colocar no leito. Isso sim é que é serviço, viu!!!
Agora, pra quem imaginou que eu tive uma viagem tranquila, pode ir perdendo as esperanças... O único lugar vago no outro ônibus era a poltrona 40. A última poltrona, bem ao lado do banheiro e do trem de água. Devo dizer que esse lugar não tem o cheiro muito agradável. Mas, como se fosse uma brincadeira do mundo comigo, o cheiro da senhorita que estava na poltrona ao lado da minha, conseguia ser pior do que o que vinha do banheiro [Acho que banho ali passou longe!]. Além disso, a minha poltrona não deitava, logo, passei a viagem sentada em 90°. Ah! E nas duas poltronas da frente, havia um a casal e um edredon. Os estrupícios resolveram deitar suas poltronas ao máximo, sem deixar espaço pras minhas pernas, que tiveram que ficar no corredor, e apanhar toda vez que alguém abria a porra da porta do banheiro. E, como se pra coroar tudo, o referido casal resolveu que não tinha problema fazer sexo no ônibus, afinal de contas, eles tinham um edredon! E ali, rezando pra que meu nariz entupisse, pra que eu não sentisse o cheiro ruim ao meu lado... Que, de repente eu ficasse surda, pra não ouvir os gemidos do casal da frente, ou o choro da porra da criança do lado... Ali, naquele lugar feito pra pagar pecados, eu chorei de raiva! Sabe aquelas lágrimas mornas que vão saindo sem pedir licença? Ali, no escuro e no frio, eu chorei por tudo o que me havia acontecido durante aqueles três dias de situações surreais...
O cansaço me venceu e acabei dormindo durante toda a viagem. Acordei em Curitiba. Minha terra prometida. Num frio de 6° graus, Curitiba me recebeu de braços abertos. Maaaas, antes de achar que tudo terminou bem, 'bora pra última presepada. Ao pegar o táxi pra voltar pra casa, o lazarento do taxista não sabia como chegar na minha casa. Como assim um filhodumaputa de um cara que leva pessoas pela cidade não sabe onde fica minha casa?! Percebi, depois de um tempo, que o caboclo queria era me passar a perna. E fui indicando o caminho. Senão, eu teria dado um bom passeio pela cidade...
E por fim cheguei a minha casinha... Intacta, quentinha, e morta de saudades da dona... Falei com minhas plantinhas, que estavam até murchinhas de saudade. Fiz meu café. Deitei em minha rede. E sorri. Afinal de contas, a vida é feita de histórias. Às vezes alegres, às vezes tristes. E, no meu caso, sempre engraçadas. De nada adianta amaldiçoar a vida por coisas que nos acontecem. O melhor é sempre tirar lições. Transformá-las em boas histórias de natal. Ou então em posts de blog...

Companhia Musical: O mundo é um moinho / Preciso de encontrar - Cartola

Minha gente! Desculpa o sumiço... Mas, depois de tudo isso, eu precisava de um descanso. Além do que, minha casa estava um caos, e o cesto de roupa transbordando. E o fim de semana foi recheado de histórias pra contar... Que é claro, compartilharei com vocês logo logo... Como disse um amigo meu, quando eu reclamei que minha vida é um amontoado de acontecimentos surreais, "Ah Patty! Isso só acontece pra você ter o que escrever no blog!". E sabe que ele tem alguma razão... =)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Terça disfarçada de segunda-feira [a.k.a o início da odisséia!]

Pois cá estou eu, como prometido, pra contar sobre a viagem. Infelizmente não sou o Kerouac, que, além de escrever melhor, tinha mais aventuras pra contar. As minhas são só fatos cotidianos. Se bem que, só do meu cotidiano mesmo, porque parece que tem coisa que só acontece comigo! E 'bora lá pras pataquadas...
Vou dividir em 3 dias. Primeiro porque há muuuuito o que contar. Segundo, porque sempre gostei do formato folhetim. Terceiro, porque assim vocês vem me fazer companhia mais vezes!
Saí de Curitiba na segunda-feira, no ônibus das 23:59h. E, acreditem ou não, o ônibus saiu pontualmente no horário! Além do que, me deram uma caixinha com lanche, e havia travesseiro e edredon, ambos limpíssimos e cheirosos. Eu gosto de descer o pau quando algum serviço não é bom, mas também gosto de elogiar serviços bem feitos. O transporte que peguei foi da Viação Garcia [que, infelizmente, não faz viagens pra Campo Grande]. Os funcionários são educadíssimos, o serviço de primeira e a pontualidade britânica! Então, se puderem escolher o ônibus leito dessa viação, o façam. Selo MininaMá de qualidade [e ainda tem mais coisas boas pra falar sobre os caras, mas isso é no final da viagem].
Cheguei em Londrina às 6 da manhã. Peguei um táxi pra ir pra pousada na qual havia reservado lugar. E não é que o estrupício do taxista queria me passar a perna?! Discretamente, o caboclo colocou bandeira 2, sendo que após as 6 da manhã a bandeira é 1. Quando perguntei a respeito, ele se fez de desentendido e trocou. Veja só! Se eu não presto atenção, o filhodumaputa já ia me roubar uns bons centavos! Ainda bem que eu sempre faço questão de mostrar que, apesar de ser "de fora", eu conheço a cidade. Nunca deixe um taxista achar que você está perdido, senão, os estrupícios se aproveitam mesmo!
Cheguei à pousada, que logo descobri ser um pensionato. Êlaiá! Aquele monte de universitários barulhentos, cheios de energia, falando como se tivessem uma porra de um amplificador na goela! Mas a dona do lugar é uma querida! [Se alguém um dia for pra Londrina, e quiser um lugar bem baratinho pra ficar, com uma dona queridíssima, vá à Pousada Igapó. Mas, fiquem avisados da cambulha de jovens abastecidos com pilha energizer!].
Deixei as malas na beliche [fazia sééééculos que não dormia em uma beliche!], e fui pra UEL. No caminho já comecei a me arrepender da mala que havia feito. Como o site de previsão do tempo me disse que estava frio e chovendo na semana anterior, coloquei um monte de blusas de lã na mochila, e só umas duas camisetas. ["Prefiro ter um filho viado do que um filho que trabalha no serviço de meteorologia!"] Mas eu havia me esquecido que Londrina tem um clima lazarento! De manhã faz uma névoa e um friozinho, e de tarde o sol vem que vem faceiro! E dá-lhe sol na moleira! E a criatura aqui com blusa de manga comprida preta! Chegou na hora do almoço, e eu já estava assando!!!
Cheguei na UEL às 8 em ponto, pois a programação dizia que o evento começaria às 8, e eu não gosto de me atrasar. Pois bem... A porra da primeira conferência só começou às 10 da manhã! Além disso, foi realizada por uma doutora colombiana, cujo sotaque era praticamente incompreensível, e que era como música de ninar aos meus ouvidos. Passei o tempo todo lutando
contra o cansaço, o sono e a vontade de voltar pra casa!
Congressos são sempre bons pra intercâmbio de culturas, pra se fazer contatos, e, quando se dá sorte, fazer amigos. E não é que pelo menos nisso eu tive sorte? Conheci 4 moçoilas de João Pessoa, das quais duas estavam na mesma pousada que eu. E uma de Araraquara. Inteligentíssimas, divertidas e companheiras.
Chegou a tarde, e se aproximava a hora de minha apresentação. Às 3 da tarde eu já havia tomado 2 litros de café. Contadinhos. E tinha a sensação de ter esquecido todo o conteúdo do artigo. Então descobri que meu nome não estava na programação. Por quê? Porque colocaram só o nome de minha orientadora. Afinal de contas, pra quê diabos eu preciso ter meu nome na MINHA apresentação, não é mesmo? Ou seja, ninguém sabia quem era Patrícia Pirota! [pelo menos até à terça, mas isso fica pro próximo post].
No horário, fomos pra mesa de comunicação [fomos pois a moça de Araraquara estava na mesma mesa que eu]. Chegando lá, havia 4 pessoas, entre elas, duas senhoras que iriam apresentar também. É claro que eu não esperava uma multidão de ouvintes pra uma mesa intitulada Imagem e Literatura, mas, putaqueopariu, duas pessoas?! A senhorinha começou as apresentações, com uma fala sobre estrelas [bem pouco científica, em minha opinião, mas...]. Logo depois, uma Doutora apresentou correndo, gabando-se que havia conhecido Drummond, Tarsila, Mário, e tantos outros. E, enquanto eu me contorcia de inveja, ficava imaginando quando é que ela começaria a falar sobre a metodologia de pesquisa. Fato é que falou bem pouco e saiu correndo, sem ficar para a minha apresentação.
E então o ser aqui foi apresentar. Coloquei o cd com a apresentação no notebook e ele travou. Enquanto tentava manter a calma e consertar o computador, ia falando sobre a pesquisa. E, depois de longos 5 minutos de inferno, a senhora [que apresentou primeiro] levanta a voz, sem pedir licença, e diz [e eu cito]: "Ah! Deixa isso pra lá! Sua apresentação é irrelevante mesmo. E se alguém quiser pode ver depois no cd dos Anais, não tem importância nenhuma se você não apresentar". Na hora me subiu o sangue, e, se eu tivesse porte de arma, seria menos uma filhadaputa no mundo! Mas, como eu tenho sangue frio de assassina, apenas sentei em minha cadeira para esperar a apresentação de Magna [a amiga de Araraquara]. Ela estava falando sobre o trabalho de doutorado, uma pesquisa bem bacana, bem fundamentada e original, quando, depois de 10 minutos, a mesma senhora a interrompe e diz [e eu cito]: "Olha! Eu sei que a discussão deve ser no final, mas eu 'tô com pressa e quero ir embora, por isso vou falar logo. [e não, ela não pediu licença para falar] Você tem muito o que aprender ainda sobre isso que está falando, e não pode sair por aí falando sobre coisas que não sabe. [...] Agora vamos todos embora!". Ela e os outros dois ouvintes, que então descobri serem seus acompanhantes, pegaram seus materiais e sairam, sem pedir desculpas pela interrupção, sem dar tchau, sem educação total! Bicho, prefiro ter um filho VIADO do que um filho velha!!! Ficamos eu e Magna ali, olhando uma pra outra, atônitas. Gente, como assim alguém da academia se presta a tomar uma atitude dessas?! Como um cientista, que deveria estar aberto para compartilhar dos trabalhos de seus colegas, pode dizer que alguém é irrelevante?! Ficamos chocadas, mas, aparentemente, não tanto quanto as outras pessoas...
Quando contei o ocorrido pros alunos organizadores do congresso, eles esbugalharam os olhos, e uma das meninas quase chorou, 'tadinha. Perguntou se eu estava bem, se eles podiam fazer alguma coisa, e disse que não sabia como eu não havia chorado, ou então feito um escândalo com a coordenação. Eu agradeci a preocupação, e disse que apenas gostaria de apresentar o trabalho em outra mesa, porque eu não havia viajado 6 horas pra ficar à toa em Londrina [até porque não tem porra nenhuma pra se fazer em Londrina!]. Também disse que não iria adiantar eu ter feito um escândalo, primeiro porque eles não haviam tido culpa, segundo porque faz mal pro coração [como eu sou fumante, é capaz de eu ter um infarto se começar a ficar muito estressada! E eu ainda tenho muito trabalho pra dar a este mundo!]. Ela remarcou minha apresentação e pediu milhares de desculpas.
Depois fomos pra conferência da noite, e eis que a dona Doutora começou a ler seu artigo numa voz monótona. Gente! Qual é o propósito de se sair lá da putaqueopariu pra ir ler um texto em um congresso nacional?! Eu sei ler, caralho!!! Não preciso que alguém leia pra mim já há 22 anos [porque mamãe me ensinou a ler aos 4]! E o pior é que você chega cheia de expectativa, pensando em o quanto vai aprender com a fala de uma pessoa que estudou mais que você. Você chega até a respeitá-la! Daí vem a estrupícia e lê a porra do artigo! Acho isso uma falta de respeito! Os outros senhores doutores que leram também que me desculpem. Admito que os textos sejam bem escritos e contenham informações válidas, mas não se viaja tantos quilômetros pra assistir alguém lendo! Uma conferência, palestra, whatever, parte do princípio que a pessoa que irá se pronunciar dará suas impressões, teorias, de forma interativa, olhando nos olhos dos espectadores, que esperam, ansiosos, por um pouco mais de conhecimento! E não sentar, pregar os olhos no papel e ler, sem ao menos se dar conta das outras pessoas! [Eu, que sou uma mera mestranda, apresento sem ler, dando outras visões a respeito do texto...]
No fim das contas, estávamos todas esgotadíssimas e putas com toda a desorganização [eu estava fedendo, graças à minha blusa preta e ao calor do cacete!]... Acabamos indo embora antes de a palestra terminar. Chegamos no pensionato esgotadíssimas, com dores em todas as partes do corpo, como se tivéssemos levado uma surra, depois de passar o dia inteirinho na universidade, depois de ter passado a noite viajando... Tomei aquele banho que lava até a alma, e fui dormir. Ao menos tentar, porque, aparentemente, mesmo tendo que acordar às 6 da matina, aqueles estrupícios daqueles estudantes não dormem antes da meia-noite. E também não sossegam o facho! Mas, uma hora meu corpo se rendeu a Morpheu, que me fez companhia, e me embalou até o outro dia...

Não percam as cenas do próximo capítulo! ;)

Companhia musical: Tiro ao Álvaro - Adoniran Barbosa

Minha gente! 'Brigada pelas boas-vindas! Também senti horrores de saudades disto aqui, e de vocês!

Ps: Graças ao comentário de minha orientadora, resolvi criar mais uma "seção" de textos, a As aventuras de Patrícia no país da nuvem cinza. Afinal de contas, só comigo pra acontecer tanta coisa errada assim! Então essa seção vai ficar pras presepadas dessa minha vida de cão... E, é claro, pras risadas de vocês!

"Na vida, quem perde o telhado, ganha em troca as estrelas" [Tom Zé]

Voltei, minha gente! Acabei de chegar de uma viagem que me deu muitas e muitas histórias pra contar. A maioria tão trágica, que a única coisa que me resta é dar risada até doer a barriga. Como diz minha querida orientadora, eu tenho uma daquelas nuvenzinhas cinzas e chuvosas de cartoon que me acompanham eternamente. Mas, como não sou boba, sempre arrumo um guarda-chuva emprestado!
O congresso foi um desastre! Mas, em todos os momentos tentei levar na esportiva, e acabei rindo horrores de todos os acontecidos... Além do que, ganhei companhias pra rir, e isso é sempre bom. Mas conto tudo no próximo post, então, preparem-se pra sentar, porque virão muitas histórias...
Por agora, quero agradecer os comentários no último post, me desejando sorte e sucesso. Olhem, a sorte acho que passou muito longe do ser aqui, mas o sucesso acabou vindo, de uma forma um tanto quanto desajeitada, mas veio. 'Brigadão pelo carinho!
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Vou aproveitar o post pra divulgar dois selinhos que ganhei da fofa da Debbys, do Debbys Mello. 'Brigadão, meu bem!!! Fico muito feliz de ser lembrada por você, viu!!!
'Bora pra eles.

Regras:
-Dizer o blog que te indicou logo abaixo do selo.
-4 coisas que você mais gosta: Cor, Animal, Comida, Bebida.
-2 defeitos e 2 qualidades suas.
-Indicar 6 blogs para passar o selo e avisá-los.

1. Eu gosto de ver o mundo colorido. Tanto que minha casa é o sambadocrioulodoido em termos de cores. Mas gosto muito muito de amarelo.
2. Devo ser uma das poucas pessoas nessse mundo que não gosta de animais. Tenho um certo problema com os bichinhos. Prefiro minhas plantas.
3. Meus hábitos alimentares não são uma prioridade. Tanto que pra mim, café é comida, já que é o que mais consumo durante o dia. Mas não há nada melhor nesse mundo do que o arroz e feijão da Dona mãe!
4. Eu sou uma bebente assumida. Adoro cerveja, tanto quanto um bardo! E gosto mesmo é de Brahma. Além disso, não bebo refrigerante, já transcendi essa necessidade...
5. Acho complicado colocar defeitos em qualidades em listas, mas, vou tentar. Defeitos: sou a mais urtigona do mundo, e não só de manhã; tenho uma tendência a desaparecer vezemquando, sumindo do mundo sem deixar rastro. Qualidades: sou companheira até debaixo d'água, daquelas do praoquederevier, não meço esforços pra com aqueles que amo; não desconto minha TPM no próximo, consigo controlá-la pra mim, porque acho que os outros não merecem ser açoitados pelo meu mau humor.

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Regras:
- Indique suas 5 músicas preferidas (o nome da música e de quem canta).
- Indique as 5 pessoas mais loucas que fazem parte da sua vida.
- Indique 5 blogs que você acha que merecem esse selo.
- Avise os presenteados.

I - 1. Moon River - Frank Sinatra
2. I'm your captain/Closer to home - Grand Funk Railroad
3. Trem das onze - Adoniran Barbosa
4. O mundo é assim - Velha Guarda da Portela
5. Mercedita - Qualquer versão.
[É claro que foi um sacrifíco danado fazer uma lista só com 5 né!!!]
II - No fim das contas, acho que todas as pessoas que passaram pela minha vida são loucas. Afinal de contas, ficar por muito tempo em minha presença não deve ser tarefa fácil. Mas devo especial referência a Dona Mãe, ao Paizão, a Gigi [a melhor irmã do mundo!], a Dona Vó, e ao Vô. Porque eles já me aturam a mais tempo do que eu mesma...
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Vou quebrar a regra [reza a lenda que ela nasceu para ser quebrada], e deixar os selinhos disponíveis praquelas pessoas que quiserem pegar. Muitos de meus leitores e blogueiros parceiros merecem! EAlém do que, hoje não estou muito boa pra escolhas. Sintam-se à vontade, meus queridos!!!

Companhia musical: Velha Guarda da Portela

Logo logo vem o post com as histórias da viagem. Deixa só eu tomar mais café e um banho de sal grosso, porque a energia da pessoa aqui está totalmente descarregada...

domingo, 10 de maio de 2009

Uma MininaMá com o coração de gengibre.

Esse post é uma parte de minha história. Tivesse eu o dom de desenhar, faria uma história em quadrinhos. Mas como não tenho, 'bora de palavras mesmo, que com elas eu me entendo na maior parte do tempo... Resolvi, apesar de achar que o mistério dá uma graça a mais pra vida, desvendar o caso da MininaMá e seu coração de gengibre. Muita gente me pergunta da origem do MininaMá, assim como do coração de gengibre. Pois bem, hoje acordei com o eu-lírico da MininaBoa e resolvi contar...
Esse ano a MininaMá completa 9 anos. Quase uma mocinha já! Ela nasceu numa conversa dos áureos tempos do Mirc [porque além de nerd eu sou velha!], em que um amigo me disse que eu era uma "menininha muito má" [sem nenhuma conotação pornográfica, please!]. Como eu precisava de um nick novo, acabei adotando o Patty Menininha Má, que logo virou Minina Má [com I mesmo]. E a coisa foi tomando proporções fora do meu alcance. Houve um tempo em que poucas pessoas me conheciam pelo nome que papai e mamãe me deram. Sabiam quem era a Patty Minina Má, mas não faziam idéia [com acento até o último dia!] de quem era a tal Patrícia Pirota. E então chegou o tempo do Fotolog, do Blog, do Orkut, e a MininaMá cresceu e se espalhou. Nunca tive a intenção de fazer pose de "revoltadinha". Eu apenas me vi assim, sem esforço, vestindo a MininaMá todo dia. Afinal de contas, ela me caiu como uma luva...
Há sempre os que dizem que de má eu não tenho nada. Ou então que eu nem sou tão má assim. Mas o fato é que o que era pra ser uma brincadeira, virou coisa séria. Tão séria que, mesmo tendo tentado despedir a MininaMá, ela acabou voltando [por isso o blog se chamar Ainda MininaMá]. E se alguém ainda têm dúvidas sobre a verdade a respeito do "má", é só perguntar pros meus velhos amigos, aqueles que já me viram sem qualquer disfarce ou máscara. Ou então, ler o diálogo abaixo, entre dois de meus melhores amigos em uma festa na qual estávamos há alguns anos atrás, na qual eles estavam falando sobre mim [na minha presença, é claro! Porque amigo que é amigo não elogia pelas costas!]:
Super: A Patty come Ursinhos Carinhosos no café da manhã!
Aris: E ela ainda fura os olhos deles pra colocar mostarda!
Não é qualquer um que é capaz de furar os olhos de Ursinhos Carinhosos pra colocar mostarda. Mas eu sou... O que não quer dizer que eu não tenha coração, oras! E é aí que entra o meu coração de gengibre!
Aqueles que conhecem o blog [ou a blogueira] há algum tempo, já devem estar familiarizados com a expressão "coração de gengibre". Mas nunca cheguei a dizer por aqui de onde veio, tampouco o porquê da expressão. Conheci o termo há um bom tempo em uma comunidade do orkut de nome homônimo. E desde que bati o olho, já tomei pra mim! Modifiquei um pouco o sentido da expressão, que, inicialmente idealizada pelo dono era:
"Jack Estripador, em suas cirúrgicas incisões, desviscerou mais de 5 mulheres em Whitechapel, revelando ao mundo suas mais íntimas entranhas. Percy Wetmore eletrocutou impiedosamente diversas vítimas inocentes, em seus ataques de egocentrismo. A Madrasta Má deixava Cinderela sem comida, até que ela acabasse de contar todas as gotas do seu chuveiro. Adivinha o que eles têm em comum."
Achei tão divertida a definição! E desde então passei a, veementemente, acreditar que meu coração é de gengibre. Ora, gengibre é um trem amargo do cão! Mas apenas se for consumido sozinho! No entanto, se colocado na comida dá um gosto bom pra diabo! Além do que, se adicionar pinga e canela, resulta em quentão, uma bebida boa e que esquenta horrores!
Dando uma passeada no deusgoogle, e procurando pelo termo, encontrei 13 resultados pra pesquisa "coração de gengibre". Desses, 10 estão ligados a minha insana pessoa. E o engraçado, é que acabou virando meio que minha marca registrada, afinal de contas, é claro que a MininaMá tem o coração de gengibre! E foi ficando... Outras pessoas se identificaram, e tomaram pra si também a expressão. E no fim das contas, ambas as expressões tornaram-se indissociáveis...
E essa é a história da Dona MininaMá. É claaaaaro que eu ocultei os detalhes sórdidos, afinal de contas, isso não é horário pra contar essas coisas! Mas, em resumo de vestibular, essa é uma parte minha. A parte que destila fel, que se revolta com as filhadaputagens do mundo, que bebe mais que um Opala 6canecos, que fuma mais que uma caipora, que fala mais palavrão do que torcedor em dia de jogo, que tem uma lista de ex-namorados que, possivelmente, a queimariam numa fogueira... Mas é só uma parte da pessoa que sou. A outra parte se emociona ao ver estrelas, chora de saudades da mãe, do pai e da irmãzinha, sorri com os sorrisos alheios, abraça os amigos como se o mundo fosse acabar, conversa com as plantas [isso é loucura? Claro que não! Pergunte pras minhas plantas! Elas respondem, eu juro!], se apaixona por filmes, por livros, por músicas, pelo São Paulo, por pessoas, pela vida. E ambas as partes formam essa que vos fala. Numa desarmonia absoluta. Na qual me sinto confortável. Como diria Gullar, "metade de mim é todo mundo"...

Companhia Musical: Metade - Oswaldo Montenegro

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Meus amores! Aproveito pra parabenizar a todas as mães que lêem meu blog e as mães dos leitores! Queria ter feito um post sobre isso, mas a saudade da Dona Mãe, e a tristeza de não tê-la por perto, não me deixaram. Feliz Dia das Mães, seres mais do que especiais!
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Aproveito também pra avisar que o blog vair ficar inativo até sexta-feira [e é claro que sentirei uma falta absurda de vocês!] . A blogueira aqui vai viajar pra apresentar um artigo do mestrado em um congresso em Londrina. Pleeeeease! Desejem-me sorte?! Estou nervosa horrores [e não devia, já que sou professora!]! Mas prometo que vou sobreviver e voltar aqui pra contar todas as aventuras, viu!

sábado, 9 de maio de 2009

Presentinhos e desejos...

Eba! Ganhei mais presentinho! Dessa vez foi da Dolly, do MaryaMariah. Um blog de uma mulher inteligente e cheia de dicas úteis e imagens lindas. 'Brigadão Dolly! Foi um prazer conhecer você e seu espaço!
REGRINHAS

1-A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
2 - É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas, não importando o que seja, é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.
3 – Ao finalizar deve convidar oito parceiros de blogs.
4 – E finalmente, deixar se possível um comentário para quem o convidou e informar os convidados.

'Bora pra listinha...Sei não se vou conseguir fazer caber o meu mundo de desejos em 8. Mas deixa eu tentar...
1. Fazer um Doutorado e, pelo menos, um PHD.
2. Terminar de escrever e conseguir alguém pra publicar meu livro.
3. Mochilar pela Europa, e conhecer principalmente Rússia, Irlanda, Itália, Portugal, Grécia e França.
4. Ir a uma ensaio no barracão da Velha Guarda da Portela, com direito a conhecer Paulinho da Viola, Monarco, Marisa Monte e Zeca Pagodinho.
5. Assistir uma final de Libertadores do Morumbi e conhecer o Rogério Ceni.
6. Comprar uma chácara pra Dona mãe e pro paizão.
7. Poder, um dia, responder que minha profissão é ser escritora.
8. Ir pra Las Vegas.

E os presentinhos vão para: Isa, do Arrumadíssimo; Lidiane, do Bicha Fêmea; Debbys, do Debbys Melo; Karol, do A dona do mundo; Hazel, do Casa Claridade; Rubby, do Meu canto, Minha prosa; Renan, do Pato de Botas; Zinha, do Os diários são ocultos.

Ps: Se alguém que não estiver na listinha, quiser publicar o selinho e participar, fique à vontade! Meus leitores merecem!

Companhia musical: Volta meu amor - Velha Guarda da Portela/Marisa Monte

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ensaboa Patrícia ensaboa... [a.k.a. Quanto menos matéria melhor]

Depois de ter ficado doente, quase louca pra terminar o artigo pra enviar pro congresso, ficado doente de novo, sentido saudade até doer, escrito páginas da dissertação, e mais páginas do meu projeto de livro, [de tanto as pessoas dizerem que tenho "veia de escritora" decidi acreditar e botar a mão na massa!] resolvi, bravamente, lavar minha roupa! Foi difícil encontrar o cesto de roupa suja em meio a tanta roupa. O pobrezinho estava lá, escondido, sufocado, pedindo arrego já! Mas também, a criatura do inferno aqui passou 17 dias sem lavar a roupa! Se eu anotei na agenda o último dia que lavei a roupa? Sim, porque eu sou doente por anotações. [Yeap! I'm a freak!]
E toca separar a roupa. Primeiro em tipos [lençóis, toalhas, camisetas, jeans e afins]. Depois separa por cor. E então começa a cantar a musiquinha do Cartola [Ensaboa mulata ensaboa, ensaboa, 'tô ensaboando! 'Tô lavando a minha roupa...] e 'bora pro tanque. E é tanque mesmo, minha gente. Não tem nada de máquina de lavar aqui em casa não. Tem é dois super baldes. E muita força no bracinho! E dois varais bem grandes. No fim das contas é bom, porque, além de não gastar energia elétrica, eu faço um exercício capaz de fortalecer até os músculos que eu não tenho!
É claro que não consegui lavar tudo ontem e hoje. E é capaz de, com esse tempinho simpático que faz em Curitiba, eu só conseguir terminar de lavar no domingo! Bem feito! Quem mandou deixar acumular! [Isso seria exatamente o que a senhora minha mãe diria se lesse esse post!].
Mas, eu não falei das minhas aventuras de amélia apenas pra tomar o precioso tempo de vocês... Queria mesmo é discutir outro assunto: o consumismo e a necessidade de acumular coisas que o ser humano [essa que vos fala em particular] tem. Porque não vá pensando que depois desse tempo sem lavar roupa meu guarda-roupa ficou vazio, não! O coitadinho até ficou mais feliz de não estar tão abarrotado! E, se eu quisesse, poderia ficar mais um mês [por baixo] sem lavar nenhuma peça, que ainda teria roupa limpa pra cada dia! Isso porque, nos últimos dois anos, andei tendo umas crises de harekrishna, e me desfiz de várias peças. Além é claro, daquelas que mofaram, e que eu não consegui recuperar...
Lembro que antigamente, era quase que rotina comprar uma roupa por semana. Isso quando não eram 3, 4. Fora os sapatos. Nos quais eu incluía uma coleção de 14 pares de All Star. Porra, eu só tenho dois pés! Pra quê diabos eu precisava de 14 pares de All Star?! Isso sem contar os outros 20 pares de sapatos diversos e minha coleção de 5 Havaianas! Além, é claro, de minha coleção de camisetas de banda, que chegava à incrível marca de 60 [35 das quais, pretas]. Minha mãe quase me matava quando eu chegava em casa com mais uma sacola. Patrícia! Mais roupa?! Daqui uns dias você vai ter que alugar uma casa só pras suas roupas, seus sapatos e seus livros [que, na época, contabilizavam 543 edições].
Só me dei conta da quantidade de coisas que eu havia acumulado em 24 anos de vida quando fui arrumar minha mudança pra Curitiba. E essa foi minha primeira experiência com o tal do desapego material. E sabe que gostei?! De lá pra cá, cada dia que passa pratico mais a arte de me desapegar das coisas. Como todo mês eu faço uma faxina no guarda-roupa, daquelas de tirar toda a roupa de dentro, limpar, arejar, e arrumar tudo novamente [Se você não faz isso, é bom começar a fazer! Dê uma olhadinha nesse post da Dollystar sobre o assunto, super bacana], todo mês acabo tirando coisas de dentro dele e reciclando [doando pra quem precisa]. Além disso, evito, sob pena de tortura, passeios despretenciosos em lojas caso eu não esteja realmente necessitando de alguma coisa.
Acabei me questionando sobre essa necessidade de se acumular tanta matéria na vida. Será que somos tão complexos a ponto de necessitarmos de 50 pares de sapatos [for the record, hoje eu tenho 15 pares, apenas] [Quando parei de dar aula. antes de me mudar, sorteei vários pares de All Star e camisetas de banda entre meus alunos. Além de tornar a mudança mais leve, fiz os bichinhos felizes que só!] ? Será que precisamos, como Lord Voldemort, criar horcruxes pra tornarmos nossa alma imortal [Oi? Perdeu a referência? Vide Harry Potter]? Não que eu acredite que uma pessoa não pode ser feliz acumulando roupas, sapatos e afins. Isso seria hipocrisia, já que sou uma dessas pessoas. Apenas fico pensando a respeito dessa necessidade. O consumo se tornou algo tão arraigado em nós, seres do século passado [afinal de contas, nascemos no século XX], que é provável que já não consigamos mais viver sem ele. Precisamos, desenfreadamente, colocar nossos cartões, já tão abatidinhos, pra trabalhar diariamente. E isso ficou tão automático quanto beber água [que, aliás, é um hábito que certas pessoas exercem menos do que comprar. E faz mal, viu!]. Sempre temos muitos sonhos de consumo, aquela TV nova, aquele sapato da última estação, aquele celular super moderno que só falta fazer café. E, muitas vezes, esquecemos dos sonhos mais banais, como um dia inteiro pra ficar de pernas pro ar, ou pra ir ao parque respirar ar puro, ou sentar com os amigos pra botar a conversa em dia. Afinal de contas, sempre reclamamos que nos falta tempo pra vida. Mas é incrível como muitos de nós encontram tempo pra ficar enfurnado em um shopping consumindo...
É claro que eu não vou abolir o consumo da minha vida, isso seria impossível. Pois até no fim da vida precisamos consumir espaço pra passar dessa pra outra. Mas venho me esforçando pra tirá-lo do topo de minha lista de prioridades, lugar em que esteve em muitos dos meus anos. Não que eu tenha me tornado uma ecochata e blábláblá... Só acho que depois de um certo tempo [não necessariamente uma certa idade, já que a idade cronológica muitas vezes não é compatível com a idade da alma], passei a dar mais valor pras coisas impalpáveis, pra coisas que o dinheiro não compra [E é claro que para todas as outras, existe Qualquercard!]. Não vou negar que ao passar por uma loja de sapatos meus olhos brilham mais do que os de uma criança na frente de um Nintendo Wii [aliás, meus olhos também brilham na frente de um Wii]. Mas já não tenho aquele sentimento de Se eu não tiver isso agora, minha vida não fará mais sentido! Tenho tentado dar um sentido menos material a essa bagunça toda que é minha existência. Tenho convivido mais comigo mesma, e menos com as vendedoras da Renner [que já ganhou horrores de dinheiros com a consumista aqui!]. Além do que, preciso começar a pensar nessa coisa toda de poupar dinheiro, que antes eu achava uma balela. Mas, se eu passar dos 50 [um fato honroso com meus hábitos suuuper saudáveis], não estou muito a fim de depender do governo pra comprar meus remédios... Aliás, a idéia de depender do governo me dá arrepios maiores que aquelas malditas sandálias crocks! Não sei se vou conseguir, e também me reservo o direito de ter recaídas, mas que seria uma boa, isso seria...
Ps: Isso era uma pauta do TDB. Mas como ando sendo atropelada pela vida, não deu tempo de fazer. Nath, chefinha querida, desculpa!!!

E vocês, também têm essa veia consumista desenfreada? Ou consomem com moderação? O que acham de tudo isso? Conta pra mim, vai...

Quem ainda não viu meu post no Bicha Fêmea, corre lá! Aproveita e passeia pelo blog todo da Lidiane que é muito bom!!!

Ah! Vou aproveitar aqui e agradecer todos os comentários feitos lá e cá. E também a presença de novas leitoras. É com muito prazer que as recebo aqui no cafofo, viu! Além, é claro, das antigas [e dos antigos], que a cada dia que passa, se tornam mais do que leitoras[es], acabam virando amigas[os]! Bjo procês!

Companhia Musical: Dinheiro na mão é vendaval - Paulinho da Viola

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Bicha Fêmea Convidada

Minha gente, estou aqui, lépida e faceira, cheia de orgulho, pra dizer que a fofa da Lidiane publicou um post meu lá no Bicha Fêmea!
Vão lá ver! E aproveitem pra conferir o resto do blog, que é super bacana. Cheio de assuntos diversos, muitas dicas úteis e do carisma da queridíssima Lidiane!
[Lidiane, mais uma vez obrigada, meu bem!]

terça-feira, 5 de maio de 2009

Estrelas e pessoas...

Hoje, ao voltar pra casa, estava comentando que nunca havia visto estrelas no céu de Curitiba. Vez ou outra via um pontinho luminoso, mas logo percebia que era um satélite. E uma das coisas que mais tenho saudade de Campo Grande é o fato de que as estrelas sempre estão lá a brilhar, prontas para serem admiradas. E eis que ao olhar pra cima, pra admirar a lua [essa sim está sempre presente por aqui], vejo uma estrela, e depois outra e depois todas as constelações que costumava ver. E a cada vez que apontava para uma e ia nomeando-a, meu sorriso ia ficando maior. Não sei se é pela estação, mas o céu parecia mais baixo, quase tocável. E as estrelas estavam lá, brilhando. Vim pra casa faceira, e parei por uns instantes na varanda pra ficar olhando pro céu.
Me ocorreu o quanto é bom, mesmo não as vendo tanto quanto gostaria, saber que elas estão ali, e vez ou outra mostrarão sua carinha luminosa pra mim. Então parei pra pensar em pessoas. Essa semana tenho lembrado de gente que já passou em minha vida há muito tempo. Algumas que apenas passaram e seguiram seu caminho. Outras que passaram e continuam trilhando o mesmo caminho que eu, mesmo que distantes. Percebi que é impossível apagar alguém de nosso passado, por mais que sua lembrança seja dolorida. E mesmo se tivéssemos um método como o de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, não tenho lá muita certeza do quanto seria válido.
Embora muitas pessoas tenham passado pelo meu caminho de tijolos amarelos e tenham seguido o seu próprio, eu não posso apagar os momentos em que trilhamos o caminho juntos. Por mais que tentemos colocá-los em gavetas, e trancá-los, hora ou outra eles se soltam e aparecem em nossos olhos. Ser decepcionado faz parte do jogo que é o relacionamento entre pessoas. Não há garantia de que iremos ganhar sempre. Na verdade, mesmo que perdendo a companhia, sempre ganhamos histórias...
Sinto falta de muitas sensações que já me acompanharam. Sinto falta de minha inocência na infância, que foi substituída pela doçura na adolescência, que, por sua vez, foi substituída pelo cinismo adulto. Assim como sinto falta de sorrisos que jamais darei ou verei novamente, porque fazem parte de um outro tempo, seja ele recente ou distante.
As pessoas, assim como as estrelas, nem sempre estarão visíveis. Elas podem se ausentar por um longo tempo, ou até mesmo ir habitar outra galáxia. Mas isso não faz com que elas desapareçam de nossa vida. Podemos apenas guardar a lembrança de seus sorrisos, ou das lágrimas que nos deixaram. Resta a nós escolher qual o melhor a ser lembrado.
Perder alguém, seja pela inevitabilidade da morte ou da condição de que as pessoas seguem caminhos diferentes na maioria das vezes, não significa que iremos perder a nós mesmos. Perdemos sim um pedaço nosso, que foi construído junto com o outro, mas ainda nos restam os demais pedaços, que ali estavam antes de tudo acontecer. E isso é o suficiente para que possamos nos reerguer e voltar a caminhar.
Amanhã eu posso não ter a oportunidade de ver as estrelas novamente. Mas não é por isso que hoje não irei olhá-las. Na verdade, é pelo fato de não saber se elas estarão ali amanhã, que hoje as observei com mais vontade, com mais amor. Muitas vezes, se nos dermos conta de que talvez amanhã não vejamos a nós próprios no espelho, podemos fazer o dia de hoje valer mais a pena. Se nos dermos conta de que a pessoa que estamos acostumados a ver, a conversar, a abraçar, talvez não esteja amanhã conosco, podemos aproveitar ainda mais a companhia dela, numa tentativa de preencher agora o vazio que possa vir a existir...
Não podemos voltar atrás e apagar pessoas e memórias de nossa vida, dando assim um novo início a nossa história. Mas podemos, a partir de agora, criar um novo final recheado de estrelas, se quisermos...

Companhia musical: The Cientist - Coldplay

Minha vida tem trilha sonora...

Depois do post presentinho, fiquei pensando em quão dependente sou de música. Desde criança, tinha a necessidade de ter alguém ali, cantando pra mim. Ou então algo que ditasse o ritmo do que eu estava fazendo. Além do que, há sempre aquelas músicas especiais, que nos trazem lembranças de uma pessoa em particular, de um momento, de um lugar. Meu olfato não é lá essas coisas, por isso não associo nada com o cheiro. Mas minha audição, essa é uma beleza! Ainda mais depois que vim morar sozinha. Tenho cá pra mim que uma aranha radiotiva me picou e me deu o super-poder da audição, porque hoje em dia sou capaz de escutar até as folhas rolando na calçada...
E é engraçado o quanto a música determina algumas coisas em nossa vida. Em algumas fases, a música acaba ditando o estilo de nossa roupa, nosso cabelo, como são nossos amigos. Na adolescência em especial. Me lembro de ter uns 14 anos, e viver com camisas pretas enormes de bandas de metal e calças rasgadas. Pra alegria da minha mãe, logo recobrei a sanidade. Mas nunca deixei de me vestir e ter uma atitude meio rockn roll...
Além do que, é raro os aficcionados por música conversarem com pessoas que não escutem as mesmas coisas que eles. Confesso que já tive essa época de "Ah! Você ouve sertanejo? Então nem vou me dignar a falar com você". Mas passou. Acho que a adultescência nos traz o bom senso de não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou ouvem, mas sim pelo que fazem e falam...
E como eu disse que tenho trilha sonora pra cada situação do dia, 'bora pra uns Top5 [Porque eu adoro Alta Fidelidade!] de músicas e artistas especiais pra cada situação.
Pra acordar: Hino do São Paulo - Andreas Kisser [é a música do meu despertador] / Tema de O Poderoso Chefão [música do segundo despertador] / Anarchy in the UK - Sex Pistols / Roadhouse of blues - The Doors / Time Machine - Grand Funk Railroad

Pra estudar: Nona Sinfonia - Beethoven / Episode [álbum] - Stratovarius / Carry on - Angra / The Number of the beast [álbum] - Iron Maiden

Pra ficar jogada na rede: Frank Sinatra / Velha Guarda da Portela / Marisa Monte [Cd Universo ao meu redor] / Paulinho da Viola / Cartola

Pra fazer aquela faxina: Zeca Pagodinho / Velha Guarda da Portela / Adoniran Barbosa / Carlos Gardel / The Blues Brothers

Pra ouvir a qualquer hora do dia em qualquer estado emocional: O Bando do Velho Jack / Beethoven / Grand Funk Railroad / Velha Guarda da Portela / Frank Sinatra

Pra ouvir quando bate a saudade da terrinha [e do pai e da mãe]: Almir Sater / Raul Barboza / Frida [trilha sonora] / Fábio Júnior / Trilha Sonora Poderoso Chefão

Pra ouvir quando preciso daquele gás: Are you gonna be my girl - Jet / Seven Nation Arm - The White Stripes / Pé na porta e soco na cara - Matanza / Iron Man - Black Sabbat / Trilha Sonora Pulp Fiction

E a lista pode continuar por horas e horas. Que o diga os meus muitos gigas de música no computador, que embalam cada pensamento que tenho durante o dia. Minha vida precisa de trilha sonora. Como se a música me fizesse companhia. Como se a melodia fosse embalando cada passo que dou nesses meus dias nublados. Claro que algumas dessas trilhas vão mudando a cada semana, ou a cada mês. Até porque há tanta coisa bacana pra escutar... Mas meus passos nunca deixam de ter um ritmo que os ditem...

E vocês, também colocam trilha sonora na vida? Tem aquela música especial? Ou só ouve mesmo o que toca no rádio?

Companhia musical: Por una cabeza - Carlos Gardel
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