sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ensaboa Patrícia ensaboa... [a.k.a. Quanto menos matéria melhor]

Depois de ter ficado doente, quase louca pra terminar o artigo pra enviar pro congresso, ficado doente de novo, sentido saudade até doer, escrito páginas da dissertação, e mais páginas do meu projeto de livro, [de tanto as pessoas dizerem que tenho "veia de escritora" decidi acreditar e botar a mão na massa!] resolvi, bravamente, lavar minha roupa! Foi difícil encontrar o cesto de roupa suja em meio a tanta roupa. O pobrezinho estava lá, escondido, sufocado, pedindo arrego já! Mas também, a criatura do inferno aqui passou 17 dias sem lavar a roupa! Se eu anotei na agenda o último dia que lavei a roupa? Sim, porque eu sou doente por anotações. [Yeap! I'm a freak!]
E toca separar a roupa. Primeiro em tipos [lençóis, toalhas, camisetas, jeans e afins]. Depois separa por cor. E então começa a cantar a musiquinha do Cartola [Ensaboa mulata ensaboa, ensaboa, 'tô ensaboando! 'Tô lavando a minha roupa...] e 'bora pro tanque. E é tanque mesmo, minha gente. Não tem nada de máquina de lavar aqui em casa não. Tem é dois super baldes. E muita força no bracinho! E dois varais bem grandes. No fim das contas é bom, porque, além de não gastar energia elétrica, eu faço um exercício capaz de fortalecer até os músculos que eu não tenho!
É claro que não consegui lavar tudo ontem e hoje. E é capaz de, com esse tempinho simpático que faz em Curitiba, eu só conseguir terminar de lavar no domingo! Bem feito! Quem mandou deixar acumular! [Isso seria exatamente o que a senhora minha mãe diria se lesse esse post!].
Mas, eu não falei das minhas aventuras de amélia apenas pra tomar o precioso tempo de vocês... Queria mesmo é discutir outro assunto: o consumismo e a necessidade de acumular coisas que o ser humano [essa que vos fala em particular] tem. Porque não vá pensando que depois desse tempo sem lavar roupa meu guarda-roupa ficou vazio, não! O coitadinho até ficou mais feliz de não estar tão abarrotado! E, se eu quisesse, poderia ficar mais um mês [por baixo] sem lavar nenhuma peça, que ainda teria roupa limpa pra cada dia! Isso porque, nos últimos dois anos, andei tendo umas crises de harekrishna, e me desfiz de várias peças. Além é claro, daquelas que mofaram, e que eu não consegui recuperar...
Lembro que antigamente, era quase que rotina comprar uma roupa por semana. Isso quando não eram 3, 4. Fora os sapatos. Nos quais eu incluía uma coleção de 14 pares de All Star. Porra, eu só tenho dois pés! Pra quê diabos eu precisava de 14 pares de All Star?! Isso sem contar os outros 20 pares de sapatos diversos e minha coleção de 5 Havaianas! Além, é claro, de minha coleção de camisetas de banda, que chegava à incrível marca de 60 [35 das quais, pretas]. Minha mãe quase me matava quando eu chegava em casa com mais uma sacola. Patrícia! Mais roupa?! Daqui uns dias você vai ter que alugar uma casa só pras suas roupas, seus sapatos e seus livros [que, na época, contabilizavam 543 edições].
Só me dei conta da quantidade de coisas que eu havia acumulado em 24 anos de vida quando fui arrumar minha mudança pra Curitiba. E essa foi minha primeira experiência com o tal do desapego material. E sabe que gostei?! De lá pra cá, cada dia que passa pratico mais a arte de me desapegar das coisas. Como todo mês eu faço uma faxina no guarda-roupa, daquelas de tirar toda a roupa de dentro, limpar, arejar, e arrumar tudo novamente [Se você não faz isso, é bom começar a fazer! Dê uma olhadinha nesse post da Dollystar sobre o assunto, super bacana], todo mês acabo tirando coisas de dentro dele e reciclando [doando pra quem precisa]. Além disso, evito, sob pena de tortura, passeios despretenciosos em lojas caso eu não esteja realmente necessitando de alguma coisa.
Acabei me questionando sobre essa necessidade de se acumular tanta matéria na vida. Será que somos tão complexos a ponto de necessitarmos de 50 pares de sapatos [for the record, hoje eu tenho 15 pares, apenas] [Quando parei de dar aula. antes de me mudar, sorteei vários pares de All Star e camisetas de banda entre meus alunos. Além de tornar a mudança mais leve, fiz os bichinhos felizes que só!] ? Será que precisamos, como Lord Voldemort, criar horcruxes pra tornarmos nossa alma imortal [Oi? Perdeu a referência? Vide Harry Potter]? Não que eu acredite que uma pessoa não pode ser feliz acumulando roupas, sapatos e afins. Isso seria hipocrisia, já que sou uma dessas pessoas. Apenas fico pensando a respeito dessa necessidade. O consumo se tornou algo tão arraigado em nós, seres do século passado [afinal de contas, nascemos no século XX], que é provável que já não consigamos mais viver sem ele. Precisamos, desenfreadamente, colocar nossos cartões, já tão abatidinhos, pra trabalhar diariamente. E isso ficou tão automático quanto beber água [que, aliás, é um hábito que certas pessoas exercem menos do que comprar. E faz mal, viu!]. Sempre temos muitos sonhos de consumo, aquela TV nova, aquele sapato da última estação, aquele celular super moderno que só falta fazer café. E, muitas vezes, esquecemos dos sonhos mais banais, como um dia inteiro pra ficar de pernas pro ar, ou pra ir ao parque respirar ar puro, ou sentar com os amigos pra botar a conversa em dia. Afinal de contas, sempre reclamamos que nos falta tempo pra vida. Mas é incrível como muitos de nós encontram tempo pra ficar enfurnado em um shopping consumindo...
É claro que eu não vou abolir o consumo da minha vida, isso seria impossível. Pois até no fim da vida precisamos consumir espaço pra passar dessa pra outra. Mas venho me esforçando pra tirá-lo do topo de minha lista de prioridades, lugar em que esteve em muitos dos meus anos. Não que eu tenha me tornado uma ecochata e blábláblá... Só acho que depois de um certo tempo [não necessariamente uma certa idade, já que a idade cronológica muitas vezes não é compatível com a idade da alma], passei a dar mais valor pras coisas impalpáveis, pra coisas que o dinheiro não compra [E é claro que para todas as outras, existe Qualquercard!]. Não vou negar que ao passar por uma loja de sapatos meus olhos brilham mais do que os de uma criança na frente de um Nintendo Wii [aliás, meus olhos também brilham na frente de um Wii]. Mas já não tenho aquele sentimento de Se eu não tiver isso agora, minha vida não fará mais sentido! Tenho tentado dar um sentido menos material a essa bagunça toda que é minha existência. Tenho convivido mais comigo mesma, e menos com as vendedoras da Renner [que já ganhou horrores de dinheiros com a consumista aqui!]. Além do que, preciso começar a pensar nessa coisa toda de poupar dinheiro, que antes eu achava uma balela. Mas, se eu passar dos 50 [um fato honroso com meus hábitos suuuper saudáveis], não estou muito a fim de depender do governo pra comprar meus remédios... Aliás, a idéia de depender do governo me dá arrepios maiores que aquelas malditas sandálias crocks! Não sei se vou conseguir, e também me reservo o direito de ter recaídas, mas que seria uma boa, isso seria...
Ps: Isso era uma pauta do TDB. Mas como ando sendo atropelada pela vida, não deu tempo de fazer. Nath, chefinha querida, desculpa!!!

E vocês, também têm essa veia consumista desenfreada? Ou consomem com moderação? O que acham de tudo isso? Conta pra mim, vai...

Quem ainda não viu meu post no Bicha Fêmea, corre lá! Aproveita e passeia pelo blog todo da Lidiane que é muito bom!!!

Ah! Vou aproveitar aqui e agradecer todos os comentários feitos lá e cá. E também a presença de novas leitoras. É com muito prazer que as recebo aqui no cafofo, viu! Além, é claro, das antigas [e dos antigos], que a cada dia que passa, se tornam mais do que leitoras[es], acabam virando amigas[os]! Bjo procês!

Companhia Musical: Dinheiro na mão é vendaval - Paulinho da Viola

8 comentários:

  1. "A gente vai embora e não leva nada" = clichê = verdade...
    mas quem consegue se libertar totalmente dos hábitos consumistas? eu não!
    é camiseta, CD, disco, tênis, instrumento!
    Cada dia a gente encontra algo novo que dá aquele aperto no peito e faz os olhos brilharem...
    Você sabe do meu problema com sebos, se eu tivesse dinheiro extra com frequência, teria mais LPs do que cachorros! huheue...
    Mas é assim, né!?
    Cada um consome quando pode, poupa quando consegue.
    Beijo Paty, minha leitora número 1 ^^ (e mesmo que não fosse a única, continuaria sendo a #1)

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  2. Está é a Patricia que tive a honra de conhecer no Bicha Fêmea.Lendo esse seu post de hoje confirmo meu comentário feito lá no bicha ..a mulher chega, assume a tribuna e manda o recado, com inúmeras entre linhas e sem se perder no contexto...para quem entende,esse equilibrio é para poucos, e você é dotada deste dom! Mah muié, falar de consumismo é terrivel!!!! Todas nós temos fases de consumismo e muitas, " tadinhas" rolam dívidas e dívidas por conta do " estar na moda"..Acho que o importante não é o " estar" ou "seguir" a moda, o importante é FAZER a moda com as peças que temos em nossos guarda-roupas. Claro que não são eternas, claro que sapatos gastam, claro que temos inverno e verão mas temos que ter equilibrio! Em tempos idos, cheguei a ter 70 pares de sapatos e na hora de doá-los era um drama, porque era muito apegada a tudo. Ai, a mamma me ensinou, quando de meu primeiro emprego, que eu deveria ter um guarda-roupa básico e assim me levou para comprá-las (meu primeiro crediário) e tudo nos trinques. Dois chemisiers, 1 conjunto da Korrigan que nem sei se existe ainda, 1 blaiser, 2 conjuntinhos twin set em cashemere..e dai minhas amigas, mais umas duas calças que eu tinha e partir para a criatividade!!!!
    Sempre odiei a modinha básica que todos usam, sempre tive meu prórpio estilo que mantenho até hoje. Acho que a mulher elegante se compõe com foulards, seja na cintura ou no pescoço, faz composição de cores já que hoje tudo é permitido em matéria de moda e bolsa??? não tive e mantenho até hoje o hábito de usar a bolsa que me agrada, nada de combinar bolsinha e sapatinho.
    Dizem que aquilo que temos no guarda-roupa e que usamos somente uma vez no ano, pode ser dispensável e aderi a esse pensamento. Agora, sempre pequei com roupas de inverno! Manteaux, blaisers, muito tricot(feito por mim) e que no ano seguinte, eu desmanchava, fazia as meadas, tingia com a cor da moda e tecia novamente seguindo a tendência...
    Essas foram as minhas manias, esse é meu estilo: priorizei mais passeios, viagens, restaurantes etc
    Super beijo menina!!! amei te conhecer
    Dolly

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  3. Querida, em primeiro lugar quero dizer que fiquei muuuuito feliz em saber do livro. Você tem o dom mesmo, nasceu para nos encantar com os seus maravilhosos textos. Já posso até te ver na lista dos mais vendidos ahahahahah! Vou querer uma dedicatória bem especial, tá? E não perderei a badalada noite de autógrafos por nada! Rs. Quanto ao post, eu não sou nada consumista. Pelo contrário, tenho mania de dar tudo que é meu. É mania meeesmo kkkkkkk. Meu armário eu tenho até vergonha de mostrar, de tão pouca roupa que tem. Mas me sinto feliz assim, pois uso tudo que tenho. E sei que tenho o suficiente! Acho mesmo que menos é mais.Ah, parabéns pelos seus dotes de amélia. Tenho pânico de lavar roupa, ainda mais sem uma máquina, rs.
    Beijos e mais uma vez parabéns!

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  4. Oi!!!!
    Primeiro queria dizer que fiquei felizinha de saber que você vai escrever um livro. Torço por você. Alguma dúvida que eu vá garantir o meu exemplar? Ahhh, bom. ;)

    Menina, quando li que você passou 17 dias sem lavar roupa, pensei: eita bichinha para ter roupa! Fosse eu? Tava lascada e nua! É que, respondendo a sua pergunta, não tenho veia consumista não. Lembra da minha irmã, a que disse que perdi? Bom, ela se chama Vania. Vania sim, é que era consumista. E sabe o que ela me dizia? “Lidi, tu é muito anti-chique! Compra muito pouco”...kkkkkk... vai ver que sim. Acho que sou um E.T sabe, Patrícia?! Tenho até “gastura” de ir ao shopping comprar roupa. Perco a paciência fácil fácil quando, na primeira prova, a roupa não dá ou não fica legal. Para eveitar esse estresse (que só a mulher mais anormal do mundo, que sou eu, sente) só vou ás compras quando realmente preciso. E ás vezes “empurro” com a barriga e postergo. Creia!

    Agora, fala sério: qual a chance de você adquirir uma máquina de lavar? Mulher! Lavar roupa no punho né mole, não!? :o Tu és corajosa, hein?????

    Sobre o que comentou no Bicha, digo que aquele espaço é seu! Mas se quer responder ás meninas nos blogs delas, vai lá... o teu post deu o que falar. E que bom que foi assim!!!!

    PS.: Coloquei o som do Paulinho da Viola agora para escutar, inspirada em você... eheheheh

    Beijos!

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  5. Sério que vc tem tanta roupa assim? Se eu passar uma semana sem lavar roupa eu não saio de casa. Considerando meu ÙNICO par de all star e uma rasteirinha que eu uso como chinelo e como sandália pra sair [e era da minha irmã.. ela me deu uma havaiana de Natal só que, quando a dela arrebentou, ela pegou a minha emprestada pra sempre].. fora minhas únicas 6 blusas e duas calças [uma de malha e uma jeans velha]... Sério, tenho até vergonha de contar, mas vou contar, fazer o que né?? Eu tenho que ter uma criatividade muito boa pra combinar e deixar as coisas com uma cara diferente, e preciso comprar roupa.
    Não é que eu não seja consumista, mas eu realmente uso meu tempo livre pra ficar de pernas pro ar, e depois acumula tudo e eu não tenho dinheiro pra comprar tudo que preciso, mas semana que vem eu vou ter que gastar o salário do papis... =P necessitando mt... mas nem sou de comprar, sério... adoro fazer as coisas... daí sai uma camiseta por 4 e eu mesma customizo..
    Adorei o post!! =]]]
    bjussss

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  6. É, Patrícia... matamos a saudade física das nossas mães quando der.
    Afff! E quem me dera a minha mãe perdesse o medo do computador para falar comigo no skype. Mas não rola, mainha (como chamo a minha mãe porque sou de PE) é avessa a tecnologia. COM-PLE-TA-MEN-TE!

    Aqui só telefone e encontros esporádicos mesmo... é a vida.

    Beijos!!!

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  7. esse é meu mal. Mas deve ser o mal do século. Acho que hoje as coisas estão muito baratass, por isso, compramos sem pensar. Eu tenho certo problema com quantidades, não consigo comprar unidades, compro várias coisas ao mesmo tempo. Nunca fui a uma loja e saí de lá só com 1 par de calçados, ou só com 1 peça de roupa, ou 1 pacote de biscoito. Sempre tem que ser 2 ou mais rs. Minha mãe fica apavorada com o meu armário de comida, ela sempre me pergunta se estou esperando por alguma crise mundial, epidemia ou enchente rs, e o pior de tudo, muita coisa estraga sem nem mesmo eu ter aberto. Mas já melhorei muito. E quanto ao desapego, a cada dia estou fazendo mais.

    Bom fds

    bjks

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  8. como não trabalho fora de casa, dependo dos pais pra tudo, e minha mãe e´mega bizarra e consumista, ela fez uma compra de roupas pra ela e meu irmão e nem um par e meias para mim, faz mais de um ano que não ganho roupa!
    isso e não ser consumista e não estar nem ai

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