segunda-feira, 18 de maio de 2009

O fim das desventuras em série...

Resolvi juntar os dois dias num post só. Assim acaba logo a odisséia... E 'bora começar do começo. Que, aliás, foi às 6 da manhã! Como a primeira conferência só começaria às 8:30h, coloquei o despertador pras 8h, porque o pensionato era pertinho da UEL. Quem dera se eu tivesse sido acordada pelo despertador! Às 6 da matina a cambada começou a acordar. E dá-lhe bater porta, acender luz, andar de um lado pro outro, conversar alto. Logo, adeus sono! Fiquei lá, esperando os estrupícios saírem pra eu ir tomar café. E o meu mau humor matinal que já é grande, só aumentou. Além do que, ao levantar, eu tinha a nítida sensação de ter levado uma surra daquelas bem dadas, de tanto que meu corpo doía de cansaço...
Pra variar, a conferência começou com, pelo menos, uma hora de atraso. Mas, dessa vez, o atraso valeu a pena. A primeira era de um dos motivos pelo qual havia me dignado a ir ao congresso, a palesta da Dra. Ana Cláudia Oliveira. Isso sim é apresentação! Eu precisava ter mais uns dois braços pra dar conta de tanta informação que saia da boca da mulher. Simples, pontual, apaixonada pelo que estava falando. Além do que, os estudos dela são parte importante da minha dissertação. Pena que acabou. E logo vieram mais leituras... Ô povo que gosta de ler...
Mas, pra aliviar a decepção da leitura, logo avistei minha querida orientadora, que foi pra assistir as conferências da quarta. Acabou a conferência e fomos almoçar. Acho que desde as férias na casa da mãe que eu não almoçava no horário certo em dois dias seguidos. Sabe que até me senti saudável? [e resolvi tentar isso mais dias...]
Contei pra orientadora sobre o ocorrido da terça e ela ficou estupefada! 'Tadinha! Até ficou se culpando por ter me mandado ir pro congresso... Bom, depois do almoço, e de uma conversa ótima com a dona orientadora, 'bora pras palestras da tarde.
Eu anotei o nome de, pelo menos, uns dois doutores que nunca mais quero ouvir falar na vida!!! Um, por ser muito chato, e fazer com que, de uma vez só, Saussere, Greimas e mais uma porrada de semioticistas e linguísticos se revirassem na tumba! Outro por ser muito esquisito! Mas, fiquei impressionada com o quanto um dos componentes da mesa era bonito. Pode parecer preconceito, mas nunca havia visto um Phd tão novo e tão bonito! Jurava que isso fosse lenda...
De tardezinha, começaram a distribuir os certificados. E advinha quem não tinha um?! É claro que sou eu, né! Meu certificado, assim como as programações, saíram no nome de minha orientadora. Ou seja, certificado só daqui umas semanas, e pelo correio... Mas, no fim das contas, acabei virando a celebridade do congresso. As pessoas passaram a me chamar pelo nome, umas até mais íntimas, me chamavam de Patty. Já havia se espalhado a história de terça, e que eu era a doida que estuda história em quadrinhos. Até o professor coordenador do evento veio me pedir desculpas, e dizer que iria falar com a tal senhora, colocando-a em seu lugar. Eu pedi que não o fizesse. Afinal de contas, já havia passado, e eu havia sobrevivido. Não havia necessidade nenhuma de fazer a mulher passar por uma situação tão ruim quanto a que eu passei... Além do que, eu sempre levo muito em conta a tal da máxima "não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem a você".
No final, acabei conhecendo um contato de uma Dra. que trabalha com Machado de Assis em Curitiba, e que será deveras útil pra minha dissertação. Voltei pro pensionato, louca pra dormir e tentar me acalmar pra apresentação do outro dia. Só que quarta é dia de jogo, e os estrupícios que normalmente são barulhentos, conseguiram a façanha de se multiplicar em 100! Ou seja, dormir nem pensar né!
Acordei na quinta sem tantas dores, mas com um frio do cão! Porque é claro que Londrina não ia me deixar sair de lá sem passar frio. E dá-lhe chuva! [Há muitas coisas que eu odeio nesse mundo. Mas uma das principais é andar na chuva!] Cheguei na UEL quase enxarcada, e as conferências [que dúvida!] começaram atrasadas novamente. E como se pra coroar o evento, conseguiram ser piores que todas as outras!!! Primeiro a decepção, com uma Dra. que escreve livros ótimos, mas que não desgrudou os olhos do papel e leu durante a sua uma hora de apresentação. E então veio a cereja do bolo: um conferencista metido a descolado, falando palavrões durante sua palestra, e que, outofnowhere, solta o comentário [e eu cito] "Eu adoro Caras! Acho que todo mundo tinha que ler! Aliás, eu sigo a vida da Adriane Galisteu pela revista!". Me levantei e saí. Como assim um cientista faz apologia ao uso de drogas?! É claro que todos nós lemos revistas populares, e temos nossos passatempos, mas é necessário que um Dr. confesse isso em uma conferência?! Na minha humilde opinião não. Eu mereço?! Mereço sair de Curitiba pra ouvir um ser falando que Caras é bom?! Devo merecer, só pode...
O bom de ter me ausentado da palestra foi que acabei conversando com o tal Phd bonitão, que, além de bonito, é inteligente e gente boa! Me deu várias dicas de livros, e ainda discutiu quadrinhos comigo, coisa rara nessse mundo acadêmico. [um dia ainda faço um post sobre o preconceito contra os quadrinhos...].
Chegava a hora de minha apresentação... E advinha quem é que não tinha o nome na programação ainda?! Pois é... Qual não foi minha surpresa ao ver que na mesa de comunicação em que fui apresentar havia 14 pessoas assistindo. Pode parecer pouco, mas, devido ao histórico do congresso, isso era quase uma multidão! Os outros apresentadores falaram sobre coisas super bacanas, como as relações entre caricatura, cartoons e política. E todos ficaram muito atentos à minha apresentação. Além de anotarem o que eu estava falando! Ora, uma das melhores sensações de quem apresenta alguma coisa é ver que os ouvintes estão anotando suas palavras. E dessa vez ninguém me interrompeu. E o computador também não travou. Além disso, um Dr. ficou bastante interassado na pesquisa, e disse que iria entrar em contato comigo [Vai que eu já consigo uma vaga no doutorado?!]. No fim das contas, foi até bom a dona senhora ter feito o que fez...
À tardezinha a chuva cessou, e fomos [eu e as meninas de João Pessoa] dar um passeio pela UEL, que é linda, isso tenho que admitir... E , numa grata surpresa, o encerramento do congresso contou com a participação de um grupo de samba formado por mulheres, a maioria senhoras professoras da universidade. Incrível a qulidade do som! Se alguém de Londrina estiver lendo, procure pelo grupo Entretantas. É de encher os ouvidos, de tão bom!
No fim das contas, saímos felizes do congresso. Mesmo depois de tantas presepadas. Fiz contatos, fiz amigos, e ganhei muitas histórias pra contar... Parecia que até o céu estava sorrindo... Maaaaas, não pensem vocês que a história acabou bem! Estamos falando do ser da nuvenzinha cinza!
Fomos pro pensionato pegar nossas coisas. Nos despedimos da dona, muito querida sim, mas que passou meia-hora nos contado sobre sua história com deus e a Igreja Universal [quem me conhece sabe bem minha opinião sobre instituições como essa!]. E então fez-se a hora de dar adeus a Londrina. Chegamos na rodoviária, me despedi das meninas, e entrei em meu ônibus cheiroso e quentinho. Só que havia um senhor sentado em minha poltrona. Muito educado, pediu desculpas e saiu. Só que, ao olhar em sua passagem, descobriu que o número da poltrona era o mesmo que o meu. Fomos então ver qual era o problema. Com o senhor não havia problema nenhum, a passagem dele estava correta...
Mas é claro que o problema tinha que ser comigo! Minha passagem estava marcada pro dia anterior!!! Ou seja, eu devia ter pego o ônibus na quarta! Putaqueopariu!!! Como eu não percebi isso, cacete?! Mas os caras da Viação Garcia foram super bacanas. Tentaram me arrumar um lugar no leito, mas ele estava lotado. E então me conseguiram um lugar que estava sobrando no executivo, que saía no mesmo horário. Se fosse qualquer outra empresa, teria me feito pagar uma nova passagem, e ficar esperando o próximo ônibus. Mas eles não! Ainda me pediram desculpa por não conseguirem me colocar no leito. Isso sim é que é serviço, viu!!!
Agora, pra quem imaginou que eu tive uma viagem tranquila, pode ir perdendo as esperanças... O único lugar vago no outro ônibus era a poltrona 40. A última poltrona, bem ao lado do banheiro e do trem de água. Devo dizer que esse lugar não tem o cheiro muito agradável. Mas, como se fosse uma brincadeira do mundo comigo, o cheiro da senhorita que estava na poltrona ao lado da minha, conseguia ser pior do que o que vinha do banheiro [Acho que banho ali passou longe!]. Além disso, a minha poltrona não deitava, logo, passei a viagem sentada em 90°. Ah! E nas duas poltronas da frente, havia um a casal e um edredon. Os estrupícios resolveram deitar suas poltronas ao máximo, sem deixar espaço pras minhas pernas, que tiveram que ficar no corredor, e apanhar toda vez que alguém abria a porra da porta do banheiro. E, como se pra coroar tudo, o referido casal resolveu que não tinha problema fazer sexo no ônibus, afinal de contas, eles tinham um edredon! E ali, rezando pra que meu nariz entupisse, pra que eu não sentisse o cheiro ruim ao meu lado... Que, de repente eu ficasse surda, pra não ouvir os gemidos do casal da frente, ou o choro da porra da criança do lado... Ali, naquele lugar feito pra pagar pecados, eu chorei de raiva! Sabe aquelas lágrimas mornas que vão saindo sem pedir licença? Ali, no escuro e no frio, eu chorei por tudo o que me havia acontecido durante aqueles três dias de situações surreais...
O cansaço me venceu e acabei dormindo durante toda a viagem. Acordei em Curitiba. Minha terra prometida. Num frio de 6° graus, Curitiba me recebeu de braços abertos. Maaaas, antes de achar que tudo terminou bem, 'bora pra última presepada. Ao pegar o táxi pra voltar pra casa, o lazarento do taxista não sabia como chegar na minha casa. Como assim um filhodumaputa de um cara que leva pessoas pela cidade não sabe onde fica minha casa?! Percebi, depois de um tempo, que o caboclo queria era me passar a perna. E fui indicando o caminho. Senão, eu teria dado um bom passeio pela cidade...
E por fim cheguei a minha casinha... Intacta, quentinha, e morta de saudades da dona... Falei com minhas plantinhas, que estavam até murchinhas de saudade. Fiz meu café. Deitei em minha rede. E sorri. Afinal de contas, a vida é feita de histórias. Às vezes alegres, às vezes tristes. E, no meu caso, sempre engraçadas. De nada adianta amaldiçoar a vida por coisas que nos acontecem. O melhor é sempre tirar lições. Transformá-las em boas histórias de natal. Ou então em posts de blog...

Companhia Musical: O mundo é um moinho / Preciso de encontrar - Cartola

Minha gente! Desculpa o sumiço... Mas, depois de tudo isso, eu precisava de um descanso. Além do que, minha casa estava um caos, e o cesto de roupa transbordando. E o fim de semana foi recheado de histórias pra contar... Que é claro, compartilharei com vocês logo logo... Como disse um amigo meu, quando eu reclamei que minha vida é um amontoado de acontecimentos surreais, "Ah Patty! Isso só acontece pra você ter o que escrever no blog!". E sabe que ele tem alguma razão... =)

6 comentários:

  1. Nossa, que saga! rsrsrs
    Agora que passou já dá pra rir né?
    Eu ia pra Curitiba em julho mas acho que o encontro que eu ia furou, é uma pena, sou doida pra conhecer o sul.

    A gente podia ter uma notícia boa na Libertadores, né? To precisando de uma coisa boa pra alegrar meus dias. Eu sou mineira, vou assistir o jogo do São Paulo ao lado de dezenas de cruzeirenses em um algum bar da cidade...

    Boa semana!

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  2. Oi, Patrícia!

    Ei, CARAS é bom... para ver foto no salão de beleza ou na espera do médico. Ponto. “Cruz Credo”! Não creio que o homem no congresso disse o que disse. Tô chocada!

    Patrícia, que saga essa ida ao congresso, hein? O bom é que você agora vê tudo com os olhos do bom humor. Isso é bom, a gente sempre aprende com tudo. E pelo menos agora você vai ficar bem mais atenta a marcação da passagem do ônibus, né? Ninguém merece viajar como você viajou... afff!!!! :o :(

    Pôxa! Muito massa que você também tenha resolvido aderir e entrar na blogagem coletiva. ;)

    Sobre a vida acadêmica, durante a graduação em História, trabalhei como pesquisadora no Arquivo Público de PE e era bolsista pelo PIBIC/CNPQ. Durante esse período, de quase 3 anos, estava sempre participando de congressos expondo o projeto em apresentações, mesas redondas, etc. Se ouvisse falar que tinha uma conferência ali na esquina, um mini-curso interessante acolá, um debate ali na frente, eu estava dentro. :D

    Ah! E eu não lia não, tá? Estudava direitinho e me preparava... apesar no nervosismo, ia lá e mandava ver!

    Depois de formada, teria que dar aulas num primeiro momento, porque meu curso era licenciatura. Já na metade do curso, sabia que não queria dar aulas, mas resolvi concluí-lo. Depois de formada, precisava trabalhar o quanto antes. Até tentei o mestrado, mas a gente sempre tem notícias das panelinhas qua acontecem nesse meio e a entrada+a bolsa é sempre muito difícil. Comecei então a trabalhar em ambiente corporativo, e para me qualificar no que eu fazia, fiz pós-graduação em gestão de pessoas. Foi por aí que fui largando a vida acadêmica.

    Ah! Hoje achei nos meus arquivos a sua companhia musical, que virou a minha enquanto redigia o comentário... ;)
    Tenha uma ótima semana você também!
    Beijos

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  3. Nossa Patty vc sofreu heim,
    coisas assim desagradavéis já aconteçeu cmg também.Mais que bom, que tudo correu bem, e você chegou na sua casinha. :)

    Beijão.

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  4. OÔO DOCINHO, AS VEZES PERCEBO NESSA MENINA MÁ UM POUQUINHO DAQUELAS SINGELAS PLANTAS QUE PRECISAM DE ESPAÇO E AR PURO E SOL PLENO PRA SOBREVIVER
    E OLHA QUE NEM É O FATO DE TER ACABADO,O MELHOR É VC TEM UM LUGARZINHO ONDE A NUVENZINHA CINZA NÃO ALCANÇA E ISSO FAZ TODA A DIFERÊNÇA, SEMPRE QUE ALGO NÃO VAI BEM COMIGO, OU QUE TUDO DÁ ERRADO, EU DANÇO FEITO LOUCA, RIO MUITO E LEMBRO DAS COISAS BOAS, DOS MOMENTOS BACANAS E DAS PESSOAS QUE AMO
    BEIJOKAS
    MUITAS DELAS

    PS: A SUA CURITIBA ANDA DE MAL COMIGO, ANDO PROCURANDO DESESPERADAMENTE UM LUGAR PRA INSTALAR MINHA GARDEN E NÃO CONSIGO NADA
    SNIFFFF

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  5. Que galeria de presepadas heins! Acho que dá pra escrever um livro, tipo "como sobreviver em congressos"... hahahaha.. mas fiquem com dó da sua volta, tipo, odeio ficar 3 horas num ônibus, imagina 6, nessas condições!!! Uma vez fui pra Sampa com o papis num bus lotado. Foram 9 horas do lado de um moiçolo que tbm não estava com um cheiro agradável e nem tinha noção de espaço, pegando boa parte da minha poltroninha. Me rendeu uma dor no pescoço inesquecível. E eu tbm odeio andar em chuva, ainda mais agora que apareceu um furo na sola do meu all star [e minha única sandália arrebentou]... ai ai.. .tbm ando numa maré de acontecimentos trágicos, mas um dia eu animo de contar. Ao menos você ficou conhecida e tirou várias coisas boas dessa viagem!
    bjussss

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  6. Pat Pat Pat, só você para me fazer rir e me emocionar assim. O importante é que apesar de todas as presepadas, você fez amigos e aprendeu importantes lições, né? ADOREI o post!
    Super beijo,
    ISA

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