terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre tristezas e surpresas cotidianas...

É engraçado o quanto a roda da vida nos supreende diariamente... Hoje, depois de espernear pra acordar, graças ao frio, à falta de sol e à chuva, meu dia se arrastou meio cinzento, meio preguiçoso. Passei a manhã toda lutando contra a vontade de voltar pra cama e a preguiça de ler as toneladas de coisas que tenho pra fichar. E dá-lhe chuva! Aquela chuva fininha, molhabobo, que não sabe se vai ou se fica, e perfeita pra me deixar de mau humor! À tarde tive que me esforçar horrores pra sair de casa, pois precisava fazer a matrícula trimestral do mestrado, e entregar o relatório. E assim que coloquei os pezinhos pra fora de casa, começou o pesadelo!
Pegar ônibus tem se tornado uma das coisas que mais odeio na vida! Acima até do Jota Quest! É sempre a mesma coisa. Pouco lugar e muita gente. Falta educação. Sobra gente que não sabe o que é banho ou desodorante. O motorista com o pé de chumbo. O trânsito caótico. O malabarismo de tentar não cair cada vez que o estrupício faz uma curva. As pessoas tentando quebrar a lei da física de que um mesmo espaço não pode ser ocupado por mais de um corpo. E hoje, pra coroar o dia, o ônibus foi invadido por uma cambada de adolescentes malditos, que cantavam em coro uma porra de um rap, ou um grito de guerra, ou qualquer coisa inaudível e incompreensível! E alto! Como se todo mundo fosse obrigado a escutar! Nem meu metal no último volume tocado em meus fones de ouvido salvadoresdapátria conseguia esconder o barulho! E na hora de descer do ônibus, então?! É um empurraempurra, cotovelada pra lá, trombadas pra cá... E quando desço do ônibus, naquela porra daquela chuva do inferno, sou abordada por um hippie! O encardido queria porque queria que eu comprasse uma maldição de uma pulseirinha, Dá uma forcinha aí! Pra ajudar na comida, mina! Ajudar na comida é o caralho! Vai trabalhar, vagabundo! [já diria Chico Buarque] Bicho! Eu prefiro ter um filho viado do que um filho hippie sujo! Eu preciso parar de estudar quadrinhos e começar a desenvolver um projeto de teletransporte logologo... Antes que eu compre uma 12 e saia explodindo miolos por aí...
Cheguei na faculdade super em cima da hora! Corri 3 andares de escadas, e cheguei na secretaria ofegante. E então descubro que tirei B em uma matéria. Justo a matéria em que a professora havia elogiado meu projeto, e dito que estava ótimo. Pra, no final, me dar um cacete de um B! E é claro que a perfeccionista nerd aqui não aceitou isso muito bem! Eu nunca me permiti ficar satisfeita com nada menos do que dez! Aliás, desde pequena, quando tirava 9, ou 9,5 meu pai me dizia que eu não devia me contentar, e que, se era capaz de tirar 9,5 também era capaz de tirar 10. E sim! Eu chorava quando tirava 9 nas provas da escola! [aliás, logo esse passado nerdloserquelanchavaescondidanobanheiro vira um post...]
Saí da faculdade num misto de tristeza e raiva, meio desorientada, até. E então resolvi tomar um café. Sentei no Kauf [um dos únicos lugares em que os fumantes não foram banidos ainda], e ao olhar ao redor, observei vários grupos de pessoas conversando, sorrindo, interagindo umas com as outras... E eu ali, na companhia de meus fones de ouvido, meu café e meu cigarro. Me bateu uma solidão...
Não que eu nunca saia sozinha. Aliás, adoro sair sozinha! Sentar num café, num banco de praça, ou num boteco, e desfrutar de minha própria companhia. Da qual eu gosto muito, por sinal. Mas é difícil se estar sozinha quando se deseja a companhia de alguém. É triste ter que conversar consigo mesmo, quando se quer compartilhar sorrisos e lágrimas. É triste não ter aquela pessoa em específico, da qual você queria tanto um abraço, que seria perfeita pra te fazer esquecer a nota ruim, o ônibus do inferno, e te faria sorrir...
Mas a roda da vida gira numa velocidade impressionante... Do nada, um amigo do mestrado estava passando em frente ao café, me viu e resolveu tomar café também. E logo começamos a dar risada. Um tempo depois, mais um amigo querido nos encontrou. E, graças ao sr. acaso, ganhei companhia; não a pela qual eu suspirava, mas a do número certinho da qual precisava! E, depois de mais de hora de conversas sobre a filosofia da vida, sobre o quanto Anjos e Demônios é um filme terrível, sobre qual personagem de quadrinhos nós gostaríamos de ser, sobre como o amor pode ser um câncer [by Liber], sobre como eu gostaria de casar com o Tony Stark [Homem de Ferro], sobre tantas coisas interessantes e divertidas... Depois dessa hora, já até havia esquecido que um pouco antes eu estava prestes a sentir pena de mim mesma. E, mesmo sem saber, meus amigos me salvaram.
Voltei pra casa, num ônibus menos lotado, mas não menos cheio de gente mal educada. E, como não pude dar minha caminhada diária graças a dona chuva, botei um sambinha pra tocar e fui dançar, lépida e faceira. Se alguém olhasse pela janela, pensaria que ali estava uma louca. E não chego a discordar, na verdade. Minha loucura por vezes pode ser minha salvação. E depois do sambinha, do banho quente e da sopa, me senti melhor. Não menos saudosa, admito. Porque é difícil se acostumar com a falta. Há pessoas que preenchem os nossos dias, que preenchem a nossa vida, e a falta delas traz consigo uma sensação de impotência, uma sensação de metade.
Sempre fui mimada pela presença das pessoas que amo. Sempre tive muitos amigos a minha volta. Muitas pessoas que me faziam sorrir pelo simples fato de sorrirem pra mim. E é difícil estar longe disso. É difícil contornar a distância. É difícil não poder contar mais com a presença de algumas dessas pessoas; algumas porque decidiram se afastar por livre e espontânea vontade, algumas que foram afastadas pela distância e pelo tempo... É difícil não ver mais certos sorrisos. É sim dificil, mas não é impossível.!A gente vai se acostumando, e como eu disse certa vez, transformando a saudade em borboletas ou em estrelas...
O que importa é saber que a vida está em constante mutação. E de que de nada adianta nos rendermos às lágrimas, ou então ficarmos amuados em um canto escuro quando as coisas não acontecem do jeito que gostaríamos. Não adianta se perder em lamentos e lamúrios sem fim. Há que se viver muito, e da melhor maneira possível. Mesmo com faltas a serem preenchidas. Mesmo com filhadaputagens a serem superadas. Mesmo com tristezas que nos marejem os olhos. Afinal de contas, essa vida é uma batalha, que só estará perdida quando esse coração de gengibre aqui parar de bater.

Companhia musical: o querido, charmoso e companheiro de todas as horas, Frank Sinatra.

19 comentários:

  1. Oi, Patrícia!
    Antes de mais nada preciso dizer que acho o máximo suas reflexões após a descrições de coisas ruins, como foi esse dia que relatou. Entendi que teus amigos salvaram você da sensação ruim de solidão, mas ela esteve ali, e foi um gosto amargo. Mas mesmo tendo sentido o gosto amargo que sentiu, você buscou refletir e encontrar algo positivo ou uma lição a ser aprendida.

    Uma vez uma amiga minha me falou que achava engraçado o meu hábito de chegar a uma conclusão (propositalemte refletida) ao fim de tudo, e ver qual o saldo final com o qual ficamos. Vai ver que tenho características parecidas com as suas, talvez. O fato é que dentre outras coisas, gosto de seus relatos e suas reflexões por isso, porque você analisa o que se passa e o que ficou da situação. Isso é ótimo, no meu ponto de vista. :D

    Sobre a discussão em torno da reutilização de mateirias, a gente tem que sacudir mesmo, né? O pouco que a gente fale e pense a respeito, sendo sobre coisas que toquem o nosso dia-a-dia de alguma forma, é sempre válido.

    Beijos ao som de Frank. ;)

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  2. Me identifiquei DEMAIS com esse seu texto. Ultimamente tenho me sentido muito sozinho... a diferença é q moro na cidade onde nasci, rs. Mas é q sempre fui sozinho mesmo, isso nunca foi um problema... até eu começar a ter a companhia das pessoas... só q essas pessoas acabaram se afastando. Dae fico aqui, só esperando a página virar e acontecer uma nova coisa emocionante nos capítulos da minha vida.
    Ah, e se eu te visse dançando sozinha pela janela, não ia pensar q se tratava de uma louca, e sim de uma pessoa que sabe tirar felicidade das pequenas coisas.

    Bjos

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  3. Lidi,

    Ah!!!Fiquei tão feliz com seu comentário, bonita!
    Acho que a gente sempre tem que racionalizar as coisas que nos acontecem, e então refletir e aprender... Do contrário, não viveríamos, seríamos apenas levados pela correnteza...

    Bjão procê!!!

    ********************

    Alexandre,
    Ao mesmo tempo em que fico feliz de você ter se identificado com meu texto, fico triste, porque sei [muito bem] o quanto se sentir sozinho dói...
    Mas uma hora a página vai virar sim! Nem que seja na marra! xD
    É...Eu acho que ver felicidade nas pequenas coisas é um dos atos que mantém minha sanidade intacta, mesmo =)
    Bjo procê!

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  4. É mesmo, Patrícia. Eu não havia pensado por essa ótica. Acordar, e viver, chorar e sorrir, sem nem mesmo pensar a respeito dessas sensações, dá mesmo a impressão que a pessoa está sendo levada vida afora, como numa correnteza de um rio. Há que se parar um pouco e pensar no propósito e lições disso tudo.

    Beijos.

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  5. E verdade com o passar do tempo,nossas
    amizades de antes rão perto,mais se distâncinado.Já aconteceu cmg e tive q aprender a suporta.Mas Graças à Deus tenho duas belas amigas, e vamos tentar de tudo para não nos afastarmos,apesar de uma Casar esse ano.Vamos tentar nos encontra sempre.Sei que vai aconteçe muito mudança (já ta aconteçendo)mais tudo vai correr bem...Eu acho.Rs

    Beijão Patty.

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  6. Ônibus lotados e grandes pedaços de solidão.
    Cotovelos e punhos, mas não abraços.
    Mil pessoas passando e nenhuma...
    Vida moderna é uma bosta.

    Mas de vez em quando a gente olha um pouco pro céu e consegue ver um sorriso, um brilho no olho ou uma xícara de café...só pra revitalizar...

    (p.s. Segundo a desciclopédia...Tony Stark é formado aqui na UT) huahuahua

    Beijos e verdades sorridas!

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  7. Legal, eu tbm ODEIO ônibus... pq eu sempre passo a roleta duas vezes!! Mas a culpa não é minha... é da mochila, da pasta, do trocador apressado, na spessoas me empurrando pra frente e do motorista que comprou a carteira... ninguém merece isso... haUahuAHUAHAUA
    Ah, fiquei imaginando isso, de se sentir só, pq apesar de saber que de noite eu vou rezar pra ficar sozinha [aff], eu fico o dia td assim, esperando alguma amiga que não está trabalhando ou estudando lembre meu tel e me ligue... hahahaha... tem vez que fico segurando o telefone só pra pensar que vou ligar pra alguém... sou dependente de companhia.. xD
    bjuss querida!!

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  8. Patrícia, a gente sempre vai sentir saudade daquele instante em que foi mais felizes (lembrando Adriana Calcanhoto). E os amigos, os amores, invariavelmente nos proporciona momentos assim. Quando esse vínculo é cortado ao meio, dá a sensação de coisa inacabada, vazio! Por isso essa sensação de solidão. Enquanto não se retornar e quebra os paradigmas, essa solidão sempre voltará. Eu gosto da solidão, nela eu me refaço. Aprendi isso estando no meio de muita gente, estranho não? É porque muita gente pode também te vampirizar, momentos de introspecção são necessários. Acho que deve aproveitar! Um dia pode sentir saudade desses momentos solitários, pensou nisso?

    Aham!! Então estava a ouvir o traidor do rock? :) Show!! Frank também é meu amigo em algumas horas. Beijus

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  9. Querida, que saudade das suas reflexões,pensamentos e ironia que tanto adoro! Sabe que entendo perfeitamente essa sensação. Como sempre arrasou!
    Beijos mil e uma linda quinta!

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  10. É por essas e outras que agradeço a Deus não precisar mais enfrentar ônibus nessa cidade.
    E olha como Deus é bom e está sempre olhando pela gente. Logo tratou de lhe rodear de pessoas do bem e lhe fazer sorrir um pouco. Gosto desses pequenos "acasos" da vida. :)
    Bjitos!

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  11. A vida é uma mutação constante.. o problema é que muitas vezes não estamos preparados pra lidar com isso, por não saber qual vai ser a próxima rodada, o próximo giro que a vida vai dar.. a direção do giro, e a velocidade importam muito porque são eles que determinam a forma como vamos lidar e o resultado daquilo.
    Saudades suas flor!
    beijos

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  12. .

    Você foi maravilhosa comparando a sua vida a "maximoro", que é uma expressão frequente na poesia mística e na poesia amorosa por tratar-se de uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão formando assim um terceiro dependendo da interpretação de cada um.
    Eu me lembro de alguns exemplos:
    - Inocente culpa,
    Lúcida loucura,
    Silêncio eloquente,
    Gelo fervente e entre outros;
    Ilustre desconhecido.
    Sem nenhuma pretensão eu afirmaria que se você não fosse maximoro, certamente seria pleonasmo.

    Adorei o perfil e a maneira como você o descreveu.

    silvioafonso.





    .

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  13. suas ultimas frases me atingiram em cheio :) sei como dói a ausencia de alguns. e nao importa qnts apareçam, pq vc ainda nao pode dizer 'eu te amo', 'adoro calcinha velha', 'mentruei', 'ele terminou cmg'. sinto falta de tante gente, que nunca me deixariam só e nem perto de lagrimas

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  14. Patricia, Deixei no meu blog um selinho para você
    BJS, BOM DOMINGO!

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  15. E SABIA QUE O GENGIBRE AQUEÇE O CORPO, FAZ O SANGUE CIRCULAR, O CORAÇÃO BATER MAIS FORTE...
    SE É DE GENGIBRE VAI SER DIFICIL FAZER ESSE CORAÇÃO PARAR DE BATER, MAS SEI O QUE QUER DIZER SOBRE SENTIR SAUDADE E SOBRE PESSOAS ESPECIAIS
    BEIJO MIUDA, BEIJO GRANDE

    AH!!! POR FIM RESPONDI SEU DESAFIO E POSTEI OS SELINHOS

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  16. Amiga! Lendo seu post cheguei a conclusão que você é igualzinho achei que fosse: uma pessoa divertida que quando fica brava não pensa duas vezes antes de soltar um palavrão... que gosta de café e ainda ascende um cigarro... que aprecia Chico, Sinatra mas pero no mucho os chatos do Jota Quest e mais, que gostaria de se casar com o homem de ferro! Você é uma fofa Patrícia, tenho muito orgulho em ser sua amiga virtual. Uma pessoa inteligente e de personalidade. Adoro como você escreve! Bjokas flor.
    Obs: Ah, já ia me esquecendo, incrível como você comparou as saudades como borboletas e estrelas, achei digno!

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  17. Pati, incrível texto. Adorei.
    Senti uma certa identificação quando se referiu ao passado nerdloserquelanchavaescondidonobanheiro haha!

    Beijo, querida

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  18. Oi, Patrícia!
    Saudades...
    Espero que esteja tudo bem.
    Beijos

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  19. Ai que legal esse seu texto!!! Eu tbm me sinto assim em ônibus, mas amo ficar só, com meus fones, rocks antigos e pensamentos constantes...
    MAS AMIGOS SÃO PRECISOS!!! Mas que você tem razão em relação as pessoas dos ônibus, ah tem... Hahaha beijos

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