sexta-feira, 15 de maio de 2009

Terça disfarçada de segunda-feira [a.k.a o início da odisséia!]

Pois cá estou eu, como prometido, pra contar sobre a viagem. Infelizmente não sou o Kerouac, que, além de escrever melhor, tinha mais aventuras pra contar. As minhas são só fatos cotidianos. Se bem que, só do meu cotidiano mesmo, porque parece que tem coisa que só acontece comigo! E 'bora lá pras pataquadas...
Vou dividir em 3 dias. Primeiro porque há muuuuito o que contar. Segundo, porque sempre gostei do formato folhetim. Terceiro, porque assim vocês vem me fazer companhia mais vezes!
Saí de Curitiba na segunda-feira, no ônibus das 23:59h. E, acreditem ou não, o ônibus saiu pontualmente no horário! Além do que, me deram uma caixinha com lanche, e havia travesseiro e edredon, ambos limpíssimos e cheirosos. Eu gosto de descer o pau quando algum serviço não é bom, mas também gosto de elogiar serviços bem feitos. O transporte que peguei foi da Viação Garcia [que, infelizmente, não faz viagens pra Campo Grande]. Os funcionários são educadíssimos, o serviço de primeira e a pontualidade britânica! Então, se puderem escolher o ônibus leito dessa viação, o façam. Selo MininaMá de qualidade [e ainda tem mais coisas boas pra falar sobre os caras, mas isso é no final da viagem].
Cheguei em Londrina às 6 da manhã. Peguei um táxi pra ir pra pousada na qual havia reservado lugar. E não é que o estrupício do taxista queria me passar a perna?! Discretamente, o caboclo colocou bandeira 2, sendo que após as 6 da manhã a bandeira é 1. Quando perguntei a respeito, ele se fez de desentendido e trocou. Veja só! Se eu não presto atenção, o filhodumaputa já ia me roubar uns bons centavos! Ainda bem que eu sempre faço questão de mostrar que, apesar de ser "de fora", eu conheço a cidade. Nunca deixe um taxista achar que você está perdido, senão, os estrupícios se aproveitam mesmo!
Cheguei à pousada, que logo descobri ser um pensionato. Êlaiá! Aquele monte de universitários barulhentos, cheios de energia, falando como se tivessem uma porra de um amplificador na goela! Mas a dona do lugar é uma querida! [Se alguém um dia for pra Londrina, e quiser um lugar bem baratinho pra ficar, com uma dona queridíssima, vá à Pousada Igapó. Mas, fiquem avisados da cambulha de jovens abastecidos com pilha energizer!].
Deixei as malas na beliche [fazia sééééculos que não dormia em uma beliche!], e fui pra UEL. No caminho já comecei a me arrepender da mala que havia feito. Como o site de previsão do tempo me disse que estava frio e chovendo na semana anterior, coloquei um monte de blusas de lã na mochila, e só umas duas camisetas. ["Prefiro ter um filho viado do que um filho que trabalha no serviço de meteorologia!"] Mas eu havia me esquecido que Londrina tem um clima lazarento! De manhã faz uma névoa e um friozinho, e de tarde o sol vem que vem faceiro! E dá-lhe sol na moleira! E a criatura aqui com blusa de manga comprida preta! Chegou na hora do almoço, e eu já estava assando!!!
Cheguei na UEL às 8 em ponto, pois a programação dizia que o evento começaria às 8, e eu não gosto de me atrasar. Pois bem... A porra da primeira conferência só começou às 10 da manhã! Além disso, foi realizada por uma doutora colombiana, cujo sotaque era praticamente incompreensível, e que era como música de ninar aos meus ouvidos. Passei o tempo todo lutando
contra o cansaço, o sono e a vontade de voltar pra casa!
Congressos são sempre bons pra intercâmbio de culturas, pra se fazer contatos, e, quando se dá sorte, fazer amigos. E não é que pelo menos nisso eu tive sorte? Conheci 4 moçoilas de João Pessoa, das quais duas estavam na mesma pousada que eu. E uma de Araraquara. Inteligentíssimas, divertidas e companheiras.
Chegou a tarde, e se aproximava a hora de minha apresentação. Às 3 da tarde eu já havia tomado 2 litros de café. Contadinhos. E tinha a sensação de ter esquecido todo o conteúdo do artigo. Então descobri que meu nome não estava na programação. Por quê? Porque colocaram só o nome de minha orientadora. Afinal de contas, pra quê diabos eu preciso ter meu nome na MINHA apresentação, não é mesmo? Ou seja, ninguém sabia quem era Patrícia Pirota! [pelo menos até à terça, mas isso fica pro próximo post].
No horário, fomos pra mesa de comunicação [fomos pois a moça de Araraquara estava na mesma mesa que eu]. Chegando lá, havia 4 pessoas, entre elas, duas senhoras que iriam apresentar também. É claro que eu não esperava uma multidão de ouvintes pra uma mesa intitulada Imagem e Literatura, mas, putaqueopariu, duas pessoas?! A senhorinha começou as apresentações, com uma fala sobre estrelas [bem pouco científica, em minha opinião, mas...]. Logo depois, uma Doutora apresentou correndo, gabando-se que havia conhecido Drummond, Tarsila, Mário, e tantos outros. E, enquanto eu me contorcia de inveja, ficava imaginando quando é que ela começaria a falar sobre a metodologia de pesquisa. Fato é que falou bem pouco e saiu correndo, sem ficar para a minha apresentação.
E então o ser aqui foi apresentar. Coloquei o cd com a apresentação no notebook e ele travou. Enquanto tentava manter a calma e consertar o computador, ia falando sobre a pesquisa. E, depois de longos 5 minutos de inferno, a senhora [que apresentou primeiro] levanta a voz, sem pedir licença, e diz [e eu cito]: "Ah! Deixa isso pra lá! Sua apresentação é irrelevante mesmo. E se alguém quiser pode ver depois no cd dos Anais, não tem importância nenhuma se você não apresentar". Na hora me subiu o sangue, e, se eu tivesse porte de arma, seria menos uma filhadaputa no mundo! Mas, como eu tenho sangue frio de assassina, apenas sentei em minha cadeira para esperar a apresentação de Magna [a amiga de Araraquara]. Ela estava falando sobre o trabalho de doutorado, uma pesquisa bem bacana, bem fundamentada e original, quando, depois de 10 minutos, a mesma senhora a interrompe e diz [e eu cito]: "Olha! Eu sei que a discussão deve ser no final, mas eu 'tô com pressa e quero ir embora, por isso vou falar logo. [e não, ela não pediu licença para falar] Você tem muito o que aprender ainda sobre isso que está falando, e não pode sair por aí falando sobre coisas que não sabe. [...] Agora vamos todos embora!". Ela e os outros dois ouvintes, que então descobri serem seus acompanhantes, pegaram seus materiais e sairam, sem pedir desculpas pela interrupção, sem dar tchau, sem educação total! Bicho, prefiro ter um filho VIADO do que um filho velha!!! Ficamos eu e Magna ali, olhando uma pra outra, atônitas. Gente, como assim alguém da academia se presta a tomar uma atitude dessas?! Como um cientista, que deveria estar aberto para compartilhar dos trabalhos de seus colegas, pode dizer que alguém é irrelevante?! Ficamos chocadas, mas, aparentemente, não tanto quanto as outras pessoas...
Quando contei o ocorrido pros alunos organizadores do congresso, eles esbugalharam os olhos, e uma das meninas quase chorou, 'tadinha. Perguntou se eu estava bem, se eles podiam fazer alguma coisa, e disse que não sabia como eu não havia chorado, ou então feito um escândalo com a coordenação. Eu agradeci a preocupação, e disse que apenas gostaria de apresentar o trabalho em outra mesa, porque eu não havia viajado 6 horas pra ficar à toa em Londrina [até porque não tem porra nenhuma pra se fazer em Londrina!]. Também disse que não iria adiantar eu ter feito um escândalo, primeiro porque eles não haviam tido culpa, segundo porque faz mal pro coração [como eu sou fumante, é capaz de eu ter um infarto se começar a ficar muito estressada! E eu ainda tenho muito trabalho pra dar a este mundo!]. Ela remarcou minha apresentação e pediu milhares de desculpas.
Depois fomos pra conferência da noite, e eis que a dona Doutora começou a ler seu artigo numa voz monótona. Gente! Qual é o propósito de se sair lá da putaqueopariu pra ir ler um texto em um congresso nacional?! Eu sei ler, caralho!!! Não preciso que alguém leia pra mim já há 22 anos [porque mamãe me ensinou a ler aos 4]! E o pior é que você chega cheia de expectativa, pensando em o quanto vai aprender com a fala de uma pessoa que estudou mais que você. Você chega até a respeitá-la! Daí vem a estrupícia e lê a porra do artigo! Acho isso uma falta de respeito! Os outros senhores doutores que leram também que me desculpem. Admito que os textos sejam bem escritos e contenham informações válidas, mas não se viaja tantos quilômetros pra assistir alguém lendo! Uma conferência, palestra, whatever, parte do princípio que a pessoa que irá se pronunciar dará suas impressões, teorias, de forma interativa, olhando nos olhos dos espectadores, que esperam, ansiosos, por um pouco mais de conhecimento! E não sentar, pregar os olhos no papel e ler, sem ao menos se dar conta das outras pessoas! [Eu, que sou uma mera mestranda, apresento sem ler, dando outras visões a respeito do texto...]
No fim das contas, estávamos todas esgotadíssimas e putas com toda a desorganização [eu estava fedendo, graças à minha blusa preta e ao calor do cacete!]... Acabamos indo embora antes de a palestra terminar. Chegamos no pensionato esgotadíssimas, com dores em todas as partes do corpo, como se tivéssemos levado uma surra, depois de passar o dia inteirinho na universidade, depois de ter passado a noite viajando... Tomei aquele banho que lava até a alma, e fui dormir. Ao menos tentar, porque, aparentemente, mesmo tendo que acordar às 6 da matina, aqueles estrupícios daqueles estudantes não dormem antes da meia-noite. E também não sossegam o facho! Mas, uma hora meu corpo se rendeu a Morpheu, que me fez companhia, e me embalou até o outro dia...

Não percam as cenas do próximo capítulo! ;)

Companhia musical: Tiro ao Álvaro - Adoniran Barbosa

Minha gente! 'Brigada pelas boas-vindas! Também senti horrores de saudades disto aqui, e de vocês!

Ps: Graças ao comentário de minha orientadora, resolvi criar mais uma "seção" de textos, a As aventuras de Patrícia no país da nuvem cinza. Afinal de contas, só comigo pra acontecer tanta coisa errada assim! Então essa seção vai ficar pras presepadas dessa minha vida de cão... E, é claro, pras risadas de vocês!

12 comentários:

  1. è muito bom voltar ao teu blog. Teu modo inteligente, bem humorado, bem escrito de postar. Gosto daqui.
    Tenha um feliz final de semana.
    Maurizio

    ResponderExcluir
  2. Que bom que voltou Paty.
    Coitada de você heim, teve que aguentar
    essa "tal" senhora horrenda. kkkkkk


    Quero ler mais textos heim.

    bjão e bem-vida de volta.

    ResponderExcluir
  3. Ave, Patrícia! Eterna discípula de Horácio (o bom velhinho).
    Legal ter notícias suas.
    Olha, realmente o título da sua apresentação não era nenhuma grande jogada de marketing, mas, se os congressistas a conhecessem, saberiam que teria muito conteúdo.
    Eu, que tive o prazer de não apenas conhecê-la, mas também de ser "batizado" por vc durante o trote, além de ser extremamente auxiliado por V.S.ª ao burlar um sacal estágio obrigatório da facul, certamente a prestigiaria.
    Tudo bem que literatura nunca foi meu forte, mas valeria pelos "velhos tempos" (rsrs).

    Valeu!

    Emerson Ribeiro (ou Pikachu)!

    Abraço

    ResponderExcluir
  4. Nossa, faz tempo que não passo por aqui :/
    Gosto muito do seu blog, e eu também ficaria muito furiosa com o fato de não deixarem apresentar!
    Quero ler a continuação!
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Pat, minha amiga, que cilada! Fiquei chocada com essa velha mal amada. Por que vc não interrompeu a leitura dela e falou que não foi para lá para ouvir uma pessoa lendo um artigo? Ou alguma outra coisa? Estou com muuuita raiva dessa vaca velha, rs. E curiosíssima para saber mais detalhes dessa viagem louca.
    Beijos lindona!

    ResponderExcluir
  6. Oi, Patrícia!!!!!!!
    Mas é lógico que vim matar minha curiosidade, néam?! Quem mais quer saber os babados que rolaram no congresso sou eu, bonita!

    Vixe! O episódio do táxi me fez lembrar uma “alma sebosa” de um taxista em Buenos Aires, que me passou uma nota falsa. Aff!! Aliás, diz a lenda que os taxistas argentinos tem uma péssima fama. Pena que só soube disso depois que caí no “conto do vigário”... humpf! 

    Ai, ai... deixa eu te falar, já vi tanto desse filme horroroso de congressos cheios de miseráveis que acham que são estrelas, têm o rei na barriga e que podem desrespeitar os colegas de trabalho. Já estive muito envolvida com a vida acadêmica, há milhares de anos-luz atrás (hoje tenho 30 anos. Não sou “véia”, pelamorrrrr!!!!) e também já me contorci em cólicas vendo certos despropósitos. Sou solidária... humpf! 

    Vou ficar daqui esperando as cenas dos próximos capítulos e, oh! Sabia que agora fico lendo o post até o fim esperando tua trilha musical? Aí, vou no meu acervo musical do note e vejo se tenho o que você estava ouvindo... e geralmente tenho. Aí é que escrevo meu comentário “no clima”... kkkkk....

    Beijos!!!!

    ResponderExcluir
  7. Ah, pois eu não aguentaria, com certeza ía começar a chorar de raiva e a berrar feito uma louca, jogar coisas do chão, sair batendo porta, essas coisas sabe??/ Preciso muito aprender a ter controle cm vc teve... Ninguém merece esse povo que acha que só pq é velho pode fazer td q quer.... q ódio que me dá...!!!
    Realmente, já vi que os próximos capítulos serão emocionantes! hahahahahaha
    Tadinha de vc viu.. Viajar 6 horas de busão, ecat... num tenho mais idade pra isso.. kakakaka.. num guento nem 3....
    Enfim, doida pro próximo capítulo.. hehehe
    bjusssss

    ResponderExcluir
  8. Que situação! Realmente conhecimento não é sinônimo de educação!!! Carol*.*

    ResponderExcluir
  9. Gostei de ter vindo aqui e conhecido seu blog.
    Muito bom... pelo que percebo cheguei em boa hora ! Sua volta ! Estou com sorte.... risos...
    Parabéns !

    Beijo,

    Solange Maia

    Quando puder visite meu “Eucaliptos” :

    http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

    ResponderExcluir
  10. HUASHAUSHAUSH
    eu ri muito. tipo, mulher doida. o.o
    tem um selo pra ti no meu blog.
    bjs :*

    ResponderExcluir
  11. Pati, realmente não tem nada para se fazer nessa porra de Londrina. Quero sair daqui :'(

    Que velha mal comida essa, hein o.O

    Nunca peguei ônibus leito do garcia, somente os executivos. O edredon fornecido no leito seria de grande utilidade nas minha viagens =)

    Diogo Rossi

    ResponderExcluir
  12. amiga, como eu bem disse no meu blog, a alma infantil é sempre da paz!! Fiquei de cara um a alma velha-enferrujada-feia... volto para ler a continuação tá? bjobjo.

    ResponderExcluir

Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...