segunda-feira, 29 de junho de 2009

Roupas que contam histórias...

Já falei o quanto gosto de roupas por aqui. Mas acho que não falei o quanto adoro roupas que tenham história, roupas que falam por si, falam sobre os donos, sobre os lugares por onde andaram... Eu tenho muitas roupas que foram de minha mãe antes de ela casar e ter filhas [porque mamãe teve 3 meninas, e nenhum menino pra contar história]. A maioria casacos, blusas de linha e lã, e algumas saias. Ninguém me tira da cabeça que as roupas de antigamente [uns 30 anos atrás] eram feitas com um material muito melhor do que as de hoje em dia. Sem contar o corte, o caimento, as cores...
E por falar em roupas que contam histórias... Eu tenho um trendcoach roxo que foi de mamãe na época em que ela ainda era uma mocinha que estava no 1° ano do [então] colegial. É lindo, com um estilão meio hollywoodiano, e esquenta horrores. Esses dias, resolvi botar a cara pra fora de casa um pouco, e vesti o casaco. Estava parada, esperando os meninos pra irmos pra sinuca, quando bateu um vento e o forro do casaco virou. Qual não é minha supresa quando vejo algumas coisas escritas na dobrinha do forro, que estava meio descosturada! Fui pra luz, pra ver melhor, e então descubro que aqueles escritos eram uma cola de geografia!!! Vários nomes de cidades, informações geográficas, e do ladinho, em um coração, o nome de meu pai.
Eu não conseguia parar de rir! Minha mãe colando na escola! E ainda dentro de um casaco! Era como se alguém tivesse me contado a piada mais engraçada do mundo! Ao mesmo tempo em que eu descubro que Dona mãe era uma mocinha traquinas. Ela sempre me disse que não gostava de estudar, o que, é claro, não lhe impedia de dizer que o estudo é muito importante. Mas eu nunca imaginei a santidade de mamãe, sempre tão correta, colando na escola. Na hora liguei pra casa, e danei a tirar sarro da cara dela. E ela, assim como eu, se matava de rir. Era tão bom rir junto com minha mãe, mesmo que separadas por 1100 quilômetros de distância.
Quando cheguei em casa, fui vasculhar mais algum rastro de juventude em suas outras roupas herdadas por mim. Não encontrei mais nenhuma marca de caneta [por falar nisso, que caneta potente rapaz! Durou 30 anos!!! E sim! O casaco já foi lavado incontáveis vezes!], mas encontrei marcas silenciosas, que não são vistas, mas sentidas... Quando fiquei mocinha, ela me deu o conjuntinho de saia e blazer que usou na cerimônia civil de seu casamento. É lindo, de seda, num bom gosto que só minha mãe consegue ter. Eu o usei pouquíssimas vezes, um tanto pelo fato de não poder usá-lo pra ir bater perna à toa, outro tanto porque ele me faz ficar melancólica, não triste, mas me pego absorta tentando lembrar de uma cerimônia que não vi, mas da qual fui fruto.
Nunca me vesti como uma menininha. Lembro de quando adolescente minha mãe tentando me fazer usar saias, e então entrávamos numa briga sem tamanho. E quando fiquei adulta, que ia dar aula de jeans, camiseta e All Star [na verdade, fiquei adulta aos 16 anos, que foi quando comecei a lecionar, mas isso fica pra outro post...], e ela implorava que eu fosse mais arrumada, mais "responsável". E o que dizer da fase das camisetas pretas e calças rasgadas, então? Quantas e quantas roupas minhas dona Maria jogou fora, e, com a cara mais lavada do mundo, dizia que eu devia ter emprestado pra alguém.
Mas o fato é que adoro roupas antigas. Adoro passear em brechós, e ficar imaginando quem foram os donos de todas aquelas roupas, inventar histórias, imaginar porque os donos não as quiseram mais. Porque, embora silenciosa, a materialidade que nos cerca tem um discurso. Ela fala muito aos olhos daqueles que as conseguem escutar... E eu sempre apuro os ouvidos da alma para lhes saber da história...

E vocês, também gostam de roupas antigas? Ou detestam e só usam roupas novas e que nunca tenham sido de ninguém? Conta pra mim, vai!

Ps: Por falar na Senhora Dona minha Mãe, hoje é seu aniversário... Há 48 anos nascia a criatura que se tornou a mulher mais importante de minha vida. E há 26 [quase 27, meudeus!], ela deixou de ser apenas a Maria Rosa, e se tornou a mãe da Patrícia. Mas hoje eu comemoro não apenas a minha mãe, mas também a mulher Maria, uma mulher forte, inteligente, carinhosa do seu jeito português de ser, que sempre me deu tantos exemplos, tantas lições, e tanto amor. Uma mulher que já superou e continua a superar tanta coisa nessa vida. Feliz aniversário, mãe! E apesar do dia de festa ser seu, o presente é todo meu, de ter em uma só pessoa a melhor mãe a a melhor amiga do mundo! Pode parecer clichê, mas, como diria o tal do Rei, "eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você"...

Companhia Musical: Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa

Companhia Literária: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos" [Saint-Exupéry]

domingo, 28 de junho de 2009

De quando a coragem se esconde embaixo das cobertas...

Que atire o primeiro sabonete [Dove, de preferência] quem nunca ficou sem coragem de tomar banho no frio! Ou então a primeira latinha de cerveja [porque estou com vontade de beber] quem nunca deixou uma obrigação abandonada pra ir fazer qualquer outra coisa que o livrasse do sentimento de dever descumprido. Fato é que, quando se trata de afazeres, a tal procrastinação não atinge apenas nossa vida profissional. E, muitas vezes, em especial nesse frio do cão, nossa coragem se esconde muito bem escondidinha embaixo das cobertas; lugar no qual a dona dela também queria estar.
Todosantodia encontramos alguma coisa que teste nossa coragem. Seja lavar o rosto de manhã numa água mais gelada que a da geladeira. Seja enxotar a preguiça e caminhar 20 quadras até o mercado porque o açúcar acabou [Porque café sem açúcar é um martírio!]. Seja arrumar aquela papelada que se acumula na gaveta da escrivaninha [que saudade que eu tenho daquelas escrivaninhas de verdade... Essas mesinhas de computador de hoje não tem o mesmo glamour daquelas mesas pesadas de madeira de antigamente]. Seja tirar as teias de aranha do teto [que no meu caso nem é tão difícil, já que consigo alcançar o teto sem a ajuda de banquinhos, de tão baixo que o trem é]. Seja tomar vergonha na cara e depilar as pernas, que já estão parecendo de um macho.
Quando se trata de coisas a fazer, sempre nos vemos diante de duas alternativas: fazer o que deve ser feito na hora, ou então arrumar uma desculpa e deixar pra depois. É claaaaro que deixar pra depois é mais confortável, mais cômodo, e, dentro de nossa mente tomada pela estrupícia da preguiça, é até mais prático. Mas, uma hora o tal do depois chega! E se tivermos deixado tanta coisa pra depois, vamos acabar não dando conta, e a vida vai virar uma zona. Veja só nosso país, que sempre foi o país do futuro. Sendo o futuro apenas um tempo verbal da nossa querida língua, nosso país nunca é, nesse nosso tempo presente, que é o único que importa, que é o único que faz com que o abstrato futuro um dia se torne presente.
O jeito é ser forte, e resistir até o fim à vontade de nos juntarmos à dona coragem embaixo do cobertor. E ir arrumando alternativas, às vezes simples, às vezes malucas, pra não deixar que o futuro tome conta de nossas vidas.
É feio dizer isso, mas nesse frio que congela meu cérebro, a vontade de tomar banho é diminuida graças ao medo de ter uma hipotermia. Mas, como eu não consigo ficar sem um abençoado banho, que além de lavar o corpitcho, me lava também a alma [Por falar em banho pra lavar a alma, a Hazel, do Casa Claridade deu umas dicas ÓTIMAS de banhos pra alma, nesse post AQUI ó!], tive que fazer umas gambiarras na vida, pra me adaptar ao frio. Sempre tomo banho antes de o sol se pôr [isso é, quando o sol resolve dar às caras por aqui]; além disso, faço exercícios de alongamento, que além de fazerem bem pros meus quase inexistentes músculos, esquentam o corpo. Daí, depois do alongamento, vou correndo pra debaixo do chuveiro, e me delicio com a água quente.
E o que dizer da preguiça de passar hidratante no corpo depois do banho?! O pior é que é no inverno que nossa maltratada pele mais precisa de hidratação. Mas depois que você sai do chuveiro, a única coisa que quer é enfiar a roupa no corpo, com a rapidez de um velocista de 100 metros! E a pele, coitada, fica mais seca que o Deserto do Saara. Mas, sempre há um jeito. Eu descobri os óleos corporais, daqueles pra passar no banho, e que fazem um milagre e tanto! É só passar o trem enquanto ainda está ali, embaixo da água quentinha, que a pele já agradece. E se não der pra comprar aqueles óleos cheirosíssimos da Natura ou similares, [que é o meu caso] vai de óleo de amêndoas mesmo, que vende na farmácia, é super baratinho e faz um serviço tão bom quanto.
Quanto a gaveta abarrotada de papéis, criei um esquema que me parece bastante eficiente. Abarrotei a gaveta de coisas úteis - cabos do computador, itens que carrego na bolsa [e que sempre que chego coloco na gaveta, porque tenho mais bolsas do que uma pessoa normal deveria ter. E, ao deixar as coisas nas gavetas, não fico puta ao chegar em algum lugar e descobrir que esqueci o que estava precisando], coisas de papelaria, e afins - desse jeito, não sobra espaço pros papéis, e sou obrigada a me livrar deles assim que chego em casa.
Quanto aos afazeres. Bom, esses eu ainda não consegui dar um jeito de todo. Tanto é que ao invés de escrever a dissertação, estou aqui, escrevendo no blog. Mas me dou um desconto, afinal de contas, se reduziram o IPI, porque diabos eu não posso reduzir minha cota de culpa?!
O importante é criar uma rotina, essa, tão temida pela maioria das pessoas, mas que, quando bem utilizada, é uma mão na roda nessa nossa caótica vida! E sempre que eu resolvo derrubar minha rotina, o companheiro Murphy se aproxima e avacalha com meu dia. Tanto que ontem, resolvi que não ia deixar o café pronto na cafeteira, só esperando pra ligar o botão, porque fui me arrastanto pra cama, de cansaço. E então hoje, ao ir, sonolenta, fazer meu café, o estrupício do Murphy me fez derrubar pó de café no chão! Filhodaputa! Mas também, bem feito!, quem me mandou querer derrubar o sistema?!

E vocês, também brigam com a preguiça e vez ou outra vão se esconder debaixo das cobertas com ela? Ou nunca deixam nada pra depois? E se a resposta for a segunda, me ensina como faz?! Conta pra mim, vai!


Ps: Minha gente, obrigada pelos comentários no último post [e em todos os posts!]. Devo dizer que me delicio sempre com as palavras de minhas queridas [e às vezes meus queridos] amigas/leitoras. É como se em meu texto ficassem reticências e os comentários fossem os responsáveis por completá-lo, enriquecendo a discussão. Então, se você não tem o costume de comentar, mesmo assim vá até a página de comentários, e leia as maldades alheias! Garanto que vale muito a pena!

Ps2: Será que alguém percebeu minha sutil tática de deixar o link dos comentários lá em cima, pra ver se mais gente se sente animada a participar? =)

Ps3: Dolly! Bem vinda de volta ao mundo virtual, minha Chicabum!!! Você fez uma falta danada, e morri de saudades de seus posts e sua presença! Espero que esteja tudo bem, e que você não se comporte mais como uma MininaMá e nos deixe morrendo de saudades =)

Ps de última hora: Minha gente! Não sei o que demônios anda acontecendo com o Blogger. Mas o fato é que não consigo comentar em muitos blogs. Alguém sabe o que acontece? Será que ele 'tá cansado?


Companhia musical: Zeca Baleiro - Perfil

Companhia Literária: "Deixem o futuro dormir como merece. Se o acordarem antes do tempo, teremos um presente sonolento" [Franz Kafka]

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Beleza interior é uma ova!

Como diria o mestre Vinícius [e toda a humanidade depois dele], "as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental!". É claro que não falo aqui de uma beleza universal, de um tipo único e com código de barras. Mas sim daquela beleza que nos enche os olhos, que nos faz suspirar e quase quebrar o pescoço ao vê-la passar... Acho hipócrita demais toda essa balela de "ai, o que importa é a beleza interior". Se é o interior que importa, então vira do avesso, uai! E, nesse caso, o que se faz com o exterior? Ignora? Finge que foi só um acidente de percurso?
Algumas pessoas me reprimem quando digo que nunca namoraria, beijaria, iria pra cama [e toda a sorte de relacionamentos com o sexo oposto, porque sim, eu sou heterossexual], se não o achasse bonito e atraente o suficiente. Dizem que não podemos julgar as pessoas apenas pelo exterior, mas devemos dar valor ao conteúdo. Agora me digam, alguém compra uma roupa horrorosa e com defeito só porque é feita de linho? Não sei os outros, mas eu não.
E se fosse realmente verdade que o que importa é o conteúdo, o que explica essa idolatria toda por artistas? O que explica a audiência de programas de tv que mostram apenas rostinhos bonitos? O que explica a imensa quantidade de revistas de moda vendidas? O que explica que a Avon venda pra diabo? Pane no sistema? Ou será que as pessoas querem passar por politicamente corretas, mas nofundonofundo queriam que o namorado, aquele com a barriguinha de chopp, fosse o Brad Pitt, ou a namorada, aquela com uns furinhos de celulite, fosse a Jolie?
Se a aparência é assim tão irrelevante, porque tomar banho todos os dias? Pra quê passar batom? Pra quê pentear o cabelo? Pra quê comprar roupas da moda? Se uma pessoa se importa tanto assim com o conteúdo, que vire hippie, ou monge budista! Aqueles lá não se importam nem um pouco com a aparência [E, for the record, eu tenho nojo de hippies!].
Não aceito esse papinho de "Ai, se você me conhecer melhor vai se apaixonar por mim, independente da minha aparência". O diabo!!! Já cansei de escutar isso de caboclos que queriam, a todo custo, me conquistar. E eu sempre perguntava, "Então, se você não se importa com a aparência, porque diabos quer ficar comigo, e não com uma estrupícia descuidada que tem só dois dentes, um coração de ouro e é inteligentíssima?". E sempre recebia o silêncio como resposta. Ou seja, o papinho de beleza interior só se aplica quando convém ao rejeitado.
E mais uma vez digo aqui que não acedito em um padrão de beleza. E minhas escolhas masculinas não me deixam mentir. Visto que a maioria esmagadora de meus casos/namorados nunca figuraria numa revista de moda. Sempre fui atraída por um tipo mais magrelo, mais com a barba por fazer, mais desalinhado, mais com cara de cafajeste. Tanto que pra mim, um dos homens mais bonitos do mundo é o John Cuzac. Sim, aquele narigudo! E eu o acho lindo! Não nego a beleza existente no Brad Pitt, por exemplo. O cara é bonito pra diabo! Mas se fosse pra colocar na minha cama, preferiria ter a beleza do Johnny Deep...
É claro que o conteúdo é importante. Que é muito melhor ter ao lado um cara divertido, companheiro, inteligente do que apenas um rostinho bonito. [Na verdade, isso depende da intenção. Se for pra apenas one night stand, é melhor o rostinho bonito. Que vai ser mais fácil de dispensar depois...] Mas, se se pode ter ambos, porque demônios se contentar apenas com um dos lados da moeda? Essa resignação pública da maioria das pessoas me parece uma forma de se conformar, de usar uma máscara, de se fazer de boa gente.
E eu me recuso a fazer parte dessa massa resignada. E que se dane essa coisa de politicamente correto. Aliás, politicamente correto pra mim é um oxímoro por excelência. Afinal de contas, o que de correto existe na política?!
Não posso afirmar que sei o quanto de verdade existe nesse discurso de beleza interior. Afinal de contas, se já é difícil conhecer a mim mesma, que dirá o outro. Mas posso afirmar que sou feliz não fazendo parte desse discurso. Além de não fazer parte nem do rol de belezas de capa de revista. E não é por isso que vou ficar por aí fazendo propaganda da minha inteligência, ora bolas! Assim como a maioria das pessoas diz não querer só um rostinho bonito, eu também não quero só um cérebro potente. Quero o pacote potência completo, com direito a adicionais exclusivos de fábrica!
Reza a lenda, que quem ama o feio, bonito lhe parece. Mas eu não acho que parece seria o verbo correto nesse caso. Pra quem ama alguém, essa pessoa não parece bonita, ela É bonita. Que seja uma beleza que os outros não entendam, mas aos olhos dela, existe. Porque no fim das contas, a beleza está sempre nos olhos de quem vê. E esse ver é externo, é exterior, transparece não só na alma, mas nos olhos, na boca, no corpo, no cheiro. O ser humano é feito de corpo e alma. Então, porque diabos tem que se escolher entre um e outro? Por que não se pode aproveitar os prazeres do corpo tanto quanto os da alma? Pra mim a beleza é completa, existe no sorriso, nos gestos, nas palavras, no caminhar, no calor do abraço, e não só num inteiror escuro e desconhecido que não se vê...


E vocês? São partidários da beleza interior? Ou também acham que a beleza é relativa e visual? Conta pra mim, vai!

Companhia musical: Vinicius de Moraes - Série Millenium

Companhia Literária: "Nossa personalidade é uma invenção dos outros." [Marcel Proust]


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vira homem, rapá!

Andei lendo meus últimos posts [porque blogueiro que é blogueiro lambe a cria] e percebi o quanto andei tristonha e sentimental nos últimos tempos. O mais curioso é que não havia notado essa diferença em mim, até dar de cara com a tristeza ali, estampada em minhas palavras. Confesso que tenho me isolado do mundo, e que tenho me afastado um tanto até do mundo virtual. Mas até então eu estava crente de que era por causa do meu casamento com a senhora Dissertação. Essa safada, tal qual um namorado que se preze, tem me tomado um tempo do diabo! Tem me feito perder o sono. Não me deixa assistir os jogos de futebol direito. Proibe minha cervejinha de fim de semana. Faz com que eu queira me descabelar. Um perfeito relacionamento! Tirando, é claro, a parte em que só há um ser de carne e osso nessa parada, logo, nada de sexo pra compensar a encheção...
Além disso, andei dando uma olhada no meu falecido fotolog, que tem mais teias de aranha que minha casa [já que agora os aracnídeos, a-pa-ren-te-men-te, resolveram me deixar em paz]. Fiquei com uma saudade do cacete da época em que as minhas fotos eram todas de festas,com amigos e eu sempre com o copinho de cerveja numa mão e o companheiro MarlboroVermelhoMaço na outra. Embora eu nunca tire fotos sorrindo [o que estragaria minha fama de MininaMá, oras!], eu sempre estava feliz.
Parei pra pensar no quanto mudei de dois anos pra cá. E percebi o quanto CuritibaCity me transformou em uma outra pessoa. Não apenas a cidade, mas tudo o que me aconteceu desde então. A Patrícia que vivia falando palavrões, zoando os amigos e enchendo a cara, deu lugar a uma tiazona que passa o sábado à noite em casa lendo Foucault e escutando Beethoven. Putaqueopariu! Vira homem, rapá! Diriam meus amigos se soubessem disso. E eu mesma acabei de dizer isso pra minha imagem no espelho, que, é difícil aceitar, mas está absolutamente deplorável!
Eu sempre fui nerd. Como disse em outro post, tão nerd que é capaz de o Sr. Gates olhar pra mim e dizer "What a nerd! Get a life, dude!". Mas depois que entrei na faculdade, aprendi a ser uma nerd social. Que pode parecer lenda urbana, mas existe aos montes. E desde então passei a dividir meu tempo entre os livros, o computador, os amigos, os moçoilos e a cachaça [velha e querida companheira!]. Chegou uma época em que eu conhecia tanta gente em minha antiga cidade, que cogitei a idéia de andar com um gravador com as frases "Hey!Tudo bem? Comigo tudo bem!", de tanto que eu me cansava de responder isso...
Mas depois que me mudei pra cá, me tornei um fantasma. Não apenas no tom de pele, que passou de branca para brancoquasedacordaBjork. Mas porque posso andar desapercebida pelas ruas. No começo achava que isso era a tão sonhada liberdade. Mas depois de um tempo comecei a perceber que eu havia me transformado numa bolha. Me isolei de tal forma, que nem com os meus antigos roomates eu me socializava mais. Tanto é que hoje moro só. E sabedeusquenasceuantes porque, meus antigos companheiros se afastaram. Talvez porque eu tenha me afastado antes, sem nem perceber. Mas essa é uma questão que ficarei, talvez, pra sempre sem saber a resposta...
E depois de tanto ouvir que eu havia me tornado uma tiachataquedormecedo [de uma amigo do msn, que mora em Curitiba, e que até hoje eu não tive a descência de conhecer ao vivo], e de ler comentários me dizendo pra aproveitar a vida ['Brigada Dolly!], ou então gente me lembrando que a graça do meu blog é fazer as pessoas rirem e não chorarem ['Brigada Debbys!], ou mesmo meu pai me chamando de velha [a que ponto chegamos, meodeus! Meu pai, meu velho, me mandando sair de casa e ir encher a cara!]...
Confesso que acho que embarquei demais nessa coisa toda de aproveitar a própria companhia. É claro que não suporto o discurso de que um ser só seja feliz se tiver a aceitação e o amor de determinado caboclo. Mas sou obrigada a admitir que pesei a mão ao me trancar em uma ilha. E hoje fui obrigada a engolir a seco quando vi que uma amiga me marcou numa daquelas fotinhos do orkut, do tipo Todo mundo tem um amigo, sabe? E advinha qual era o meu tipo?! A isolada. Porra, mano! Logo eu que era a Miss notinhadeumrealdaestrela?! Pois é... Logo eu.
O grande problema é que não me sinto tristetriste por isso... Gosto deveras de minha vida. Mas me bateu uma incerteza se não gostava mais de minha vida antes. Sei que os ciclos acabam, como sabiamente me alertou o Sr. Pessoa [no texto que postei no post anterior. Quem ainda não leu, faça me o favor de ler!]. Mas acho que 'tá na hora de eu começar um novo ciclo, numa mistura de antes e depois. Acho que assim vai funcionar. Porque, pra ser bem sincera, também tenho saudades da Patrícia desbocada, putadacara, irônica e que ri da vida...
Gosto muito de algumas partes dessa nova Patrícia, mais madura, mais sensata, mais pé no chão que me tornei. No fim das contas, ela é uma evolução natural. Porque se não tivesse adquirido esses adicionais de fábrica, não teria chegado onde cheguei hoje. Estou feliz por ter descoberto tudo isso, mas o pior é que não tenho uma porra de uma cerveja pra comemorar a descoberta!
Fato é que a partir de agora esse blog, quase que um órgão adjacente dessa estrupícia que vos fala, terá roupagem nova. Não layout novo, porque se minha vida dependesse de eu fazer um diabo de um layout eu já estaria bebendo cerveja quente com o demo. Mas é possível que os textos sejam menos tristonhos e mais desbundados [gosto taaanto dessa palavra!]. Acho que meus leitores não se importarão de ler sobre coisas mais politicamente incorretas, assim como não ficarão chocados ao se depararem com algumas palavras de baixo calão aqui e acolá.
Confesso que por muito tempo me contive, pensando em quem leria o blog. Pensava se algo seria inadequado, se esse ou aquele assunto iria chocar os desavisados que resolvessem passear aqui pelo cafofo. Mas acho que todos já nos conhecemos o suficiente para que vocês, pessoas que fazem meus textos terem sentido de existir, não se espantem com minhas palavras. Assim como acredito que aqueles leitores desconhecidos [que eu só sei da existência graças aos contadores de visitas e dos mostradores de locais, mas que nunca me deixaram um oizinho sequer, humpft!] não se importarão com uma pequena mudança de foco.
Afinal de contas, a dona do blog mudou. Logo é natural que o blog mude. E é melhor eu mudar, e parar com essa choradeira toda, e deixar essas frescuras de mulherzinha de lado, antes que um dia eu acorde, e o espelho resolva lembrar meus amigos, e grite pra mim "Vira homem, rapá!"...


Mas e vocês, preferem o blog mais sentimental ou mais desbocado? Preferem ler sobre minhas lágrimas na rede ou sobre as odisséias com os estrupícios no ônibus? Conta pra mim, vai!

Companhia musical: Jorge Ben Jor Acústico MTV

Companhia Literária: "Lhe parecia muito chato e sem graça que a vida continuasse da maneira mais comum" [Lewis Carrol]

terça-feira, 23 de junho de 2009

Samba do crioulo doido pós-tempestade.

Cá estou eu, sequinhadasilva, depois de passada a tempestade. E embora o dia esteja cinza em Curitiba, minha alma está cheia de cores...
Há momentos na vida em que precisamos nos entregar ao escuro, para que na volta possamos apreciar a luz. Há momentos em que precisamos calar, pois as palavras não sairiam como gostaríamos, e nesses casos o silêncio fala por si mesmo. Há momentos em que o fim é necessário, seja ele o fim de semana, o fim de uma amizade ou o fim de uma era. Reza a lenda que o fim é, na verdade, um começo. Mas pra mim o fim não existe. Existem metamorfoses, modificações, transmutações. E é por isso que estou aqui, metamorfoseada, seguindo em frente.
Percebi que não eram apenas meus olhos que passavam por uma tempestade... Mas espero que, assim como a minha passou, a de vocês também passe. E sempre passa. Talvez não com um arco-íris no final, mas uma hora passa...
Muito obrigada pelos conselhos, pelas palavras e, principalmente, pela presença. É por essas, e tantas outras, que não entendo quando as pessoas dizem que a internet é um meio de comunicação frio. Pois através dessa tela, recebi muito do calor que estava precisando...
Mas, deixemos de tristeza! Como bem cantou o querido Vinicius, "É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe". E 'bora pra um samba do crioulo doido pós-tempestade!

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Presente: Ganhei um presente da Dolly, do MaryaMariah! Já é conhecida aqui a minha admiração e o meu carinho enorme por essa paulista que por um desvio no destino foi parar lá no nordeste, e que pelas mãos dos deuses veio parar aqui no meu blog. Obrigada, Dolly! Não apenas pelo selinho [que significou muito pra mim, e ajudou a alumiar esses meus dias escuros] mas, principalmente, por sua presença que ilumina este cafofo aqui. Um beijo procê, minha Chicabum favorita!
E o selinho é esse aqui ó:
As regras são as seguintes:
1. Exibir a imagem do selinho no blog;
2. repassar para 10 amigas blogueiras;
3. avisar as pessoas que receberam o mimo!

E as minhas presenteadas são: Isa, do Arrumadíssimo; Debbys, do Cotidiano Insano; Lusinha, do Unsettle Thoughts; Karol, do A dona do mundo; Hazel, do Casa Claridade; Luma, do Luz de Luma; Maíra, do Blog da Mah; Thata, do Sem Firulas.
Não são 10 nomes, porque eu e Dolly temos amigas em comum. Assim, alguns nomes que eu queria colocar na minha lista, já estão na dela. Por isso, aqueles leitores que quiserem, fiquem à vontade para pegar o selinho também, viu.

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E lá vem papo sobre futebol...
Eu confesso que uma das coisas que me fez ficar cabisbaixa nos últimos dias foram os acontecimentos com o São Paulo. Primeiro nossa humilhante desclassificação. Depois a saída do Muricy. E por último a nomeação do desconhecido Ricardo Gomes para técnico do Maior do Mundo. É difícil explicar como isso me afeta. Para que se possa entender a paixão por futebol, é preciso se estar emaranhado nos braços dela. Assim como aquela nossa amiga, que cai de amores por um cara que achamos ridículo. Não entendemos o porquê, mas ela entende, e isso é o suficiente. Eu, um poço de racionalidade, quando se trata do meu tricolor, sou irracional até os 46 do segundo tempo. Por isso, na sexta-feira, quando soube que haviam demitido o Muricy [abençoado Twitter], fiquei num misto de revolta e tristeza! Sentei milhares de vezes para escrever um texto, mas sabem como é a paixão...nos tira a lógica da linguagem. Eu admiro muito o Muricy. Não só por ele ter nos ajudado a ganhar 3 títulos brasileiros seguidos. Mas porque ele tinha amor ao nosso manto. Porque ele tinha garra, força e coragem pra aguentar todas as exigências de nossa diretoria e de nossa torcida. Porque ele mandava os repórteres a putaqueopariu sem pestanejar. E porque ele era a cara do São Paulo.
E agora nosso time está sem cara. Não vou malhar o Ricardo Gomes antes de ver do que o cara é capaz. Isso seria injustiça. Mas ainda não consegui engolir a decisão de nossa diretoria. Eles vão ter que melhorar muito o clube para que eu possa voltar a sorrir para eles. E espero que eles se lembrem que um clube não é feito apenas de títulos, mas, principalmente de torcida. E que essa torcida aqui não está nada contente...
E outra. Se o sr. Washington acha que ele já chegou ao nível do Romário e do Ronaldo, que podem se dar ao luxo de ficar esperando a bola nos pés, ele que tome um comprimido de realidade. Se quiser fazer gol que vá atrás da bola, e não fique reclamando como uma mocinha no banco de reservas. E se não estiver contente, que procure outro clube!

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Num dos comentários do post passado, a Maíra me deixou uma citação [Obrigada Mah!!!]. Achei bacana e fui procurar na rede pra ver de quem era. Achei não apenas o dono da citação, como o texto inteiro. E devo confessar que esse texto foi um dos responsáveis pelo fim da tempestade.
É engraçado como, às vezes, é preciso ler e escutar palavras alheias para que se possa dar conta do que queremos. No fundo, é como se os outros fossem um espelho menos embaçado que o nosso. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual eu amo tanto literatura. A capacidade que ela tem de me revelar a alma sem me conhecer. A capacidade que os escritores tem de desatar os nós da minha vida com um simples verso. A mágica que cada combinação de palavras têm...
O texto de que falei é o "Ciclos", do querido Fernando Pessoa. E achei por bem compartilhar com vocês. Espero que ele também lhes traga a bonança, ou lhes provoque tempestades necessárias...

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão" [Fernando Pessoa]

Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!

Companhia Musical: Tocando em frente / Um violeiro toca - Almir Sater

Companhia literária: "É melhor vencermos a nós mesmos, do que ao mundo." [Jean Paul Sartre]

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tem dias que não dá...

Quem me conhece sabe que eu não reclamo da vida à toa. Mesmo passando pelas mais insólitas situações [afinal de contas, eu sou o ser da nuvem cinza!], sempre tento dar risada, racionalizar, descobrir coisas boas por trás das peças que a vida me prega... Mas tem dias que não dá! Tem dias que eu choro, deitada na minha rede, e derramo daquelas lágrimas bem grossas, que dóem quando saem dos olhos, de tantos sentimentos que elas carregam em si. Parece que há dias em que não basta ser forte. Que a vida nos exige mais do que conseguimos dar. Que nem uma muralha consegue se manter em pé.
Parece que minhas lágrimas vêm em estações. Passa um período de seca, de estiagem, e então começam a chover sentimentos em meus olhos. É como se eles fossem se acumulando, se acumulando, e uma hora não coubessem mais e resolvessem sair pra brincar todos juntos.
Sei que as lágrimas não duram pra sempre. Aliás, essa é uma das coisas que discordo do mestre Vinícius... Pra mim, tristeza tem fim sim. Ela vem, como uma tempestade daquelas de inundar as ruas, mas depois passa. Muitas vezes deixando destroços, mas passa. E quando vier a próxima, já não vai ser igual, já não vai ser a mesma...
Mas o difícil é enfrentar a tempestade sozinha. Sem nenhum guarda-chuva. Só você ali, andando a esmo, tentando achar um lugar pra se esconder. Molhando a alma... É difícil. E, por muitas vezes, dá vontade de pensar que é impossível. Porque, talvez, pensar que é impossível reconforte. Se acomodar é sempre reconfortante. Mas nunca o suficiente. Mesmo com os olhos nublados pela tempestade eu me impeço de me acomodar. De me acostumar.
Tem dias que não dá pra sorrir. Por mais que você queira. Por mais que você tente. Por mais que você esbraveje com o espelho. Tem dias que nem o companheiro Marlboro lhe alivia a solidão. Tem dias que nem a cerveja gelada lhe tirar o engasgado da garganta. Tem dias que a única saída é se render à tempestade... Se entregar a ela e esperar, de olhos fechados, que ela passe.
E nessas tempestades minha racionalidade se esvai. De nada adianta meu sobrecarregado cérebro dizer que são hormônios, que são conexões entre córtex, que deve ser apenas um pane elétrico no sistema nervoso. Não adianta o pobre cérebro se esgoelar pra me dizer que não é nada, que logo a manutenção acaba. Porque o barulho dos trovões me impedem de escutá-lo. Porque os raios me fazer tapar os olhos pra qualquer lógica que me impeça de sair da tempestade.
Enquanto isso fico eu ali, sentada no meio-fio, esperando a chuva passar. Sem guarda-chuva, e sem coragem de procurar algum. Você não grita, porque tem medo de alguém escutar e vir te ajudar. E se alguém vier, você vai ter que explicar o porquê do grito. Mas você é forte demais pra admitir que gritou. Diz que deve ter sido alguém da rua de trás. Ou da vida de trás.
Essa noite tive um pesadelo. Daqueles em que você acorda gritando, suada, sentindo no corpo, assustada. Era como se meu cérebro estivesse reagindo, tentando me avisar que a tempestade viria. Mas eu apenas tomei um copo d'água, e, sonolenta voltei a dormir. Sem dar ouvidos ao cérebro que se matava de gritar tentando me avisar sobre a tempestade. Acordei como se tivesse levado uma surra. Mas resolvi que devolveria a surra pro dia, e que ele não me faria ficar dolorida sozinha. Mas tem dias que não dá...
Reza a lenda que depois da tempestade vem a bonança. O problema é esperar no escuro, sentada na chuva, enquanto a promessa da bonança fica no futuro. O problema é ser capaz de não notar as gotas que caem enquanto seu corpo treme de frio. O problema é sentir as pernas paralisadas enquanto se tem vontade de correr até o futuro pra encontrar a tal da bonança. Mas você não corre. Você se resigna e continua sentada debaixo da tempestade. Você se tranca em si mesma, e reza pra que nenhum príncipe a queira salvar de seu sono. Você queria apenas dormir. Mas tem medo dos mundos que irá visitar enquanto seus olhos estiverem fechados.
Nessas horas, você se sente o próprio José... Acha que Drummond olha direto em seus olhos enquanto lhe pergunta...
"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos, que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,

você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"
[Carlos Drummond de Andrade]

E então você já não sabe mais pra onde vai. Só sabe que tem que se levantar e ir. E vai indo. Vai indo. Até encontrar um caminho menos errado. Ou um caminho qualquer, no qual possa se livrar da tempestade. E então o dia amanhece, e vem o sol. Seus olhos cansados o reconhecem, mas se esquecem de agradecer. Você apenas tenta não cair. Você apenas tenta não fugir. Você tenta apenas continuar o caminho...
Mas tem dias...Ah...Tem dias que não dá...

Companhia musical: Nada pra mim - Pato Fu / José - recitado por Drummond [aqui]

Companhia literária: "Na minha casa hoje, nenhuma cadeira continua como estava ontem, pois eu já não sou o mesmo" [Fiódor Dostoiévski]

Samba do crioulo doido de sexta.

Não sei o que anda acontecendo, mas parece que os editores de texto estão de mal de mim. Cada vez que enfrento essas telinhas em branco com esse maldito tracinho piscando, o estrupício do meu cérebro congela [talvez isso também se deva ao frio do inferno que faz nesta cidade]. Fato é que ontem sentei para postar no blog, pelo menos, umas 3 vezes. E em todas eu escrevia umas 4 linhas e depois apagava tudo. Tomava café, fumava, voltava pra frente do computador e... nada! O mesmo aconteceu com minha dissertação. Estava ali, com todas as idéias prontinhas, tudo bonitinho na cachola, mas era só sentar em frente do editor de texto que hasta la vista, baby.
Normalmente eu sou verborrágica, falo e escrevo por uma multidão. Mas, vez ou outra, minha boca e meus dedos se recusam a acompanhar o ritmo frenético do meu cérebro. Vai ver eles se cansam, e esse é o modo de eles dizerem que 'tá na hora de uma pausa pra respirar. Mas, deixa eu aproveitar a volta da atividade dos dedos e começar o samba do crioulo doido de hoje.
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É claro que não posso deixar de falar sobre o jogo de ontem. Não o vi, mas ouvi pela rádio [que é uma experiência impagável!!!] e acompanhei os lances pela internet. Pra quem ainda não sabe, sou são paulina doente, mas doente mesmo. Daquelas que prefere assistir o jogo a ficar com o namorado [e depois acham que isso é exclusividade masculina...Quá!]. E todos podem imaginar o estado em que fiquei depois da vergonhosa derrota [ou dar uma olhada no meu twitter, que me acompanhou durante todo o jogo]. O gosto amargo que ficou não foi o da derrota para o Cruzeiro. Os caras jogaram bem, mereceram ganhar. E aquele gol do Henrique foi uma pintura! E eu gosto de futebol, então seria hipocrisia não admitir a superioridade do Cruzeiro em campo. Mas a dor da derrota não foi pela bela atuação da Raposa; foi sim pela mediocridade que o São Paulo apresentou em campo. O que me lembrou aquela fatídica Copa do Mundo na qual o Brasil perdeu pra França. Como se o time tivesse deixado a alma no vestiário e ido só com o corpo pro campo. [Mas que fique bem claro que não lamento nenhum arranhãozinho sequer que possa ter sido feito no estrupício do Kléber. Se é gladiador, que use armadura da próxima vez!]
Não vou ficar culpando ninguém. Nem o técnico, nem os jogadores, nem a diretoria. Como bem disse o Muricy, "o futebol é muitas pessoas juntas, que tem que estar bem juntas pra dar resultado. E quando não tem essa unidade, não acontece nada". Não adianta pedir a saída do Muricy. Primeiro porque isso abalaria toda a estrutura e o esquema do clube, e em meio de campeonato isso é impensável. Segundo porque o cara merece um crédito. Aliás, um não, três. Não concordo com a parte da torcida que avacalha o Muricy, e se esquece que se hoje nós podemos gritar a plenos pulmões que somos hexacampeões brasileiros, é, em partes, graças ao Sr. Ramalho. Não podemos fazer como os colegas róseos, que estão a pedir a cabeça do Luxembrugo como prêmio. É muita filhadaputagem deles com o Luxa, na minha opinião. Eu concordo que o cara é arrogante, um tanto quanto controverso, mas é um dos treinadores mais competentes do mundo. Além do que, os palmeirenses não poderiam se orgulhar de metade do que se orgulham sem lembrar que quem elevou o nome do Palmeiras a um dos melhores times do futebol brasileiro foi o próprio Vanderlei Luxemburgo. Mas parece que os brasileiros gostam de se esquecer do passado quando lhes convém...
O jeito agora é tocar o barco. Estou triste sim, mas não posso me deixar abater. Assim como o São Paulo também não pode se deixar abater. Erraram o ano todo? Erraram pra caralho! Mas o ano ainda não acabou, e foi nessa época do ano passado que começamos a caminhada rumo ao hexa. E digo começamos porque acho que a torcida tem que fazer parte do time também. Temos todo o direito de reclamar, ficarmos revoltados, mas não podemos nos esquecer que assim como os resultados do time nos afetam, aquilo que nós fazemos afeta os jogadores também. Não adianta ficar xingando os jogadores [Richarlyson não conta como jogador. Period.], pixando o muro do CT, falando barbaridades por aí. Adianta sim continuarmos dando força pro time. Sem fecharmos os olhos pras coisas erradas, é claro. Mas sempre apoiando, porque torcida contra já tem todas as outras dos times que não são o Maior do Mundo...
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Minha gente! Descobri o tal do Twitter. Ô negócio do inferno! Não páro de ir lá conferir os twitters alheios e postar no meu. E olha que eu tinha a certeza de que nunca conseguiria me expressar em míseros 140 caracteres. E não é que aprendi?! Confesso que no começo fiquei meio com receio de que fosse só mais uma ferramenta internética à toa, mas me enganei. Já acompanhei discussões que inclusive servirão pra minha dissertação. Além disso, poder "falar pras paredes" e vez ou outra ser ouvida por elas é impagável. E vocês, já se renderam ao novo ueridinho da internet?
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E pra alegrar minha sexta-feira com gosto de derrota, ganhei um selinho da fofa da Taah Oliveira, do Energia Simpática. Taah, muito muito obrigada, meu bem! É uma delícia ganhar presentes, ainda mais quando eles vêm em dias cinzentos assim... Um beijo enorme procê. Aqui o selinho ó:

As regras do selinho são:
1)Colocar no post o nome do blog que te indicou ao Prêmio.
2)Escrever uma mensagem de agradecimento ao Blogueiro que te indicou.
3)Postar o selo.
4)Abaixo do selo descrever 5 características suas.
5)Indicar o prémio a 5 ou mais blogs para receber o selo.

Pois bem. As cinco características que escolhi compartilhar são:
1. Sou tão fria e calculista quanto um sociopata. Raramente demonstro raiva ou revolta em público. Prefiro não gastar meu tempo com gente medíocre. [A não ser que eu tenha uma 12 em mãos].
2. O futebol é a minha religião. Assim como existem fanáticos de igreja, eu sou fanática de estádio.
3. Há algum tempo me tornei solitária por escolha própria. Enquanto a maioria das pessoas se encontra na corrida por relacionamentos, eu resolvi ficar sozinha com meus eus-líricos.
4. Se pudesse passaria o resto da vida sendo bolsista da Capes e desenvolvendo pesquisas acadêmicas sobre literatura e história em quadrinhos. [Oi? Isso não é característica? Claro que é, uai!]
5. Sou nerd, mas tão nerd que até o Bill Gates olharia pra mim e diria, "Get a life, dude!".

É isso. Não vou escolher blogs para indicar dessa vez. Pois devo confessar que é sempre uma luta escolher entre tantos blogs queridos apenas uns poucos para ganharem presentes. E como hoje estou sentimental [não do jeito tradicional, mas mesmo assim], prefiro não passar por escolhas. Mas, please, fiquem à vontade para pegarem o selinho. Afinal de contas, ter leitores como vocês, não tem preço!!!
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Vou terminar com um texto da fofa da Cecília Meireles. Porque há horas em que eu preciso aprender a olhar pela janela e ver a felicidade das pequenas coisas...

A arte de ser feliz
Cecília Meireles
"Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê- las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".


Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!

Companhia musical: Toda forma de amor - Lulu Santos / Hino do São Paulo - Andreas Kisser

Companhia Literária: "Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas" [Oscar Wilde]

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Honestidade Intelectual [Roubar palavras também é crime!]

No meio acadêmico, dá-se o nome de honestidade intelectual ao ato de se referenciar qualquer frase que pertença a outro estudioso e que possua, no mínimo, três palavras. É sabido que utilizar palavras de outras pessoas, sem lhes atribuir a criação, é considerado plágio, e que plágio é crime. No entanto, a internet está repleta de gente que não considera nem um pouco contraventora a atitude de copiar textos alheios sem lhes citar as fontes.
Quem vem aqui com frequência, já deve ter reparado em dois novos ícones que adicionei na barra lateral. Um deles é o Creative Commons, e o outro, o Myfreecopyright. [Os conheci num dia em que estava passeando pelo blog da Luma, o Luz de Luma, yes party!]. Ambos são modos legais de proteger meus textos. Formas que encontrei de estar amparada pela lei caso algum estrupício resolva que pode roubar minhas idéias. Há uma polêmica muito grande sobre isso na rede. Muita gente acredita que, se um blogueiro não ganha dinheiro com isso, não há necessidade nenhuma em reivindicar sua autoria. Já li em muitos fóruns, pessoas declarando que se algo é publicado na internet, é de domínio público. Domínio Público é o caralho! Se eu gasto meu tempo, meus neurônios e minha criatividade pra colocar um texto no ar, eu tenho todo o direito de querer que meu nome seja vinculado a ele! O fato de eu decidir compartilhar minhas palavras com outras pessoas, não quer dizer que eu as esteja doando para a comunidade virtual. Se assim fosse, escreveria no topo do blog "Fiquem à vontade para pegar meus textos e fingir que são seus". E nem venha com a balela de "Ai, foi você que inventou as palavras também?!" Não, eu não as inventei, mas reinventei um modo de colocá-las juntas...
É incrível como a maioria das pessoas ainda não se deu conta de que a vida não é feita apenas de bens materiais. Aliás, se a maioria das pessoas acredita que não há problema nenhum em comprar dvds piratas nas calçadas, dando dinheiro pra filhosdumaputa que estão burlando as leis, como eu posso exigir que elas respeitem meus bens intelectuais?!
Fato é que todo blogueiro que se preze tem orgulho de sua cria. Há muito tempo que o blog deixou de ser apenas um diário virtual, e vem caminhando cada vez mais para meio de publicação e comunicação. Quando alguém publica uma imagem ou um texto num blog, essa pessoa colocou um pouco de si ali. Na escolha das cores, das fontes, do layout. Na cuidadosa escolha das palavras. Ao se roubar um texto de alguém, se rouba um pouco da pessoa que o escreveu.
Muito desse comportamento pode ser atribuído ao nosso pífio sistema de educação [aliás, que mazelas de nossa sociedade não podem ser atribuídas a nosso sistema de educação?!]. Desde criança, o moleque aprende que fazer trabalho é dar um CtrlC+CtrlV no Wikipédia e imprimir. Não se ensina mais a fazer pesquisa, a analisar o que outros escreveram, a formar uma opinião crítica. Assim, as criaturas acham que não tem problema nenhum copiar parágrafos inteiros de livros e não citar a fonte. Pra quê? Perguntam elas. E ninguém nunca responde. E então o moleque acha que não tem problema pegar aquele texto bacana que ele viu num blog e escrever no seu próprio. Por que eu não posso? E ninguém responde. E o caboclo acaba crescendo, e continua achando que não há mal nenhum em assinar textos que não são seus.
Depois que coloquei a tal "proteção legal" no meu blog, resolvi que precisava falar disso. Desde que decidi postar aqui algumas partes do livro que estou escrevendo, fiquei pensando "E se algum filhodumaégua roubar minha idéia?". Imagina se eu chego um dia na livraria e vejo um livro exatamente igual ao meu? Depois de passar horas em frente ao computador, e tantas outras horas dando vida as palavras, vai lá um lazarento e rouba o que eu criei com tanto amor. E o pior aqui não é a perda material, não é o dinheiro que eu deixaria de ganhar, mas a perda intelectual, a perda de minhas idéias...
Mas não é só no meu caso que isso se aplica. Não é só para quem tem aspirações literárias ou jornalísticas. Cada página da internet [que está se tornando cada vez mais terra de ninguém!] é um pedacinho de seu criador. As minhas palavras são como filhas, as quais eu dei vida, nutri e criei. Assim como os filhos de verdade, uma hora elas têm que ganhar o mundo, mas isso não quer dizer que se deva esquecer o nome de sua mãe, ora bolas!
Eu já passei pela experiência de ser roubada. Um dia, lendo um blog, me deparei com palavras que me pareciam muito familiares. Quando as olhei atentamente, vi que eram minhas! Pedi, educadamente, para a dona do blog dizer quem havia criado as palavras. Ela não ficou nem um pouco satisfeita e retirou o texto do blog. Como se eu não tivesse o direito de exigir que minhas palavras levassem a minha assinatura! Ah pronto!
Eu sei que meus leitores nunca teriam a pachorra de roubar um texto meu. Porque [aqueles que conheço] são blogueiros conscientes e inteligentes. Mas acredito que a gente tenha que falar sobre isso. Já li alguns textos falando sobre o assunto, como esse AQUI, em que lançaram uma campanha pela originalidade dos blogs. Alguns comentários são odiosos! Tem gente que teve a pachorra de dizer que, se alguém não quer que seus textos sejam copiados, que lance um livro! Como se adiantasse... Tem também esse POST, no blog da Sandra Pontes, que falou super bem sobre o assunto. E sei que existem mais. Afinal de contas, temos o direito de querer que nossa criação seja respeitada!

E vocês, já passaram pela terrível situação de terem seus blogs roubados? Já escreveram a respeito? Conta pra mim, vai!

Companhia musical: Apesar de você - Chico Buarque

Companhia literária: "Nada lhe pertence mais que seus sonhos." [Friedrich Nietzsche]

sábado, 13 de junho de 2009

Irmãs.

Patrícia pegou sua xícara de chá de canela [Acho melhor parar de tomar tanto café à noite...] e sentou em frente ao computador. Já era hora de seu encontro diário com a família pela tela do computador. Assim que entrou no msn, a mãe já pediu pra ligar o microfone e a câmera [Ê preguiça hein Dona Maria!]. Ao ver as primeiras imagens da webcam, Patrícia percebe que sua irmã está deitada no sofá, mas ao olhar atentamente, vê em seu pé um gesso. É o pai que lhe dá o boa noite, enquanto vê sua mãe levantando a irmã do sofá. Pergunta o que aconteceu. -Sua irmã resolveu bater num caminhão. -Como assim num caminhão? - Ela estava voltando pra casa, e o caminhão bateu nela na rotatória. Esqueceu que a moto é menor que o caminhão. Agora 'tá aqui, enchendo o saco porque 'tá com dor.
Patrícia conhece bem o pai. Sabe que o velho nunca deixa as emoções escaparem, e que sempre faz piadas para que os outros não percebam o quanto ele está sofrendo por dentro. Conhece e se reconhece, porque também é assim. - Ainda bem que a irmã é gorda! A gordura deve ter ajudado a não ter tanto dano! Todos riem, inclusive a irmã, ali, deitada no sofá. O pai conta exatamente o que aconteceu. Diz que a irmã quebrou uma parte da perna que prende o tornozelo ao pé, e que vai ser obrigatório fazer cirurgia. Mostra pela câmera o estrago feito nas costas, nos braços e nas pernas, que estão em carne viva, devido ao tombo. Diz que a moto deu perda total. Patrícia brinca, -Quem sabe depois do tombo o cérebro não cria um pouco mais de juízo! O pai ri, enquanto conta que teve que dar banho na irmã, porque ela não consegue ficar em pé sozinha. Enquanto isso vê a mãe passando anti-séptico nas costas da irmã, e essa chora e faz cara feia. A mãe assopra, na esperança de diminuir a dor da filha. Patrícia sabe que se pudesse, a mãe tomaria a dor toda pra ela.
Conversa então com a mãe. -A senhora 'tá bem, mãe? Tem que cuidar da pressão! - 'Tô bem sim. Já tomei dois calmantes de uma vez. O pai brinca, dizendo que quase que teve que levar a mãe pro hospital também. E então conversam sobre o tempo, de como é bom que faça calor em Campo Grande, pois se o acidente fosse no frio, poderia doer mais. A irmã reclama de dor. Patrícia diz que ela é muito reclamona. -É porque não é você que está sentindo a dor! - É claro que não sou eu! Eu não ando de moto, uai! A mãe dá risada. Patrícia diz que está tarde, que tem que dormir. - Se precisar de alguma coisa, me avisa mãe! Se despede de todo mundo. Diz boa noite e fecha a janela do msn.
E então Patrícia pega uma xícara de café [Que se foda essa história de não tomar café à noite!], acende um cigarro e desaba. Lágrimas grossas e quentes começam a descer de seus olhos, nublando sua visão. Na verdade Patrícia não precisava dormir. Sabia que não ia conseguir dormir tão cedo. Mas o sangue dos Pirota não chora em público, principalmente quando o público é a família, que também tenta ser forte apesar de tudo.
Patrícia se lembra de quando a irmã nasceu. Ela tinha 3 anos. Se escondeu debaixo da cama [costume comum quando era criança] , e logo que a irmãzinha chegou em casa fez cara feia e disse que queria um irmão pra brincar de bola! Se lembra de quando eram crianças, e moravam num bairro muito humilde, numa cidade estranha, longe dos avós, longe do pai que tinha que trabalhar a semana toda em um caminhão para lhes sustentar. Era só ela, a mãe e a pequena irmã. Nessa época a irmã era muito fraca, muito doente. E Patrícia era muito sozinha, não podia brincar como uma criança normal, pois tinha uma mancha no cérebro, que podia lhe matar caso levasse algum tombo; passava a maior parte do tempo brincando de escolinha com as bonecas, e os livros que, para ela, tinham vida.
Patrícia se lembra de quando cresceram, e se tornaram mais diferentes do que nunca. Patrícia sempre às voltas com livros e mais livros, e a irmã sempre em companhia de namorados. E então na adolescência as guerras se tornaram constantes, e as diferenças abismais. Enquanto Patrícia escutava rocknroll, a irmã dançava em bailes sertanejos. Enquanto Patrícia se preparava para o vestibular, a irmã pensava em casar com o namorado de muito tempo. Patrícia terminou a faculdade, e a irmã declarou que não iria fazer vestibular. As guerras aumentaram cada vez mais.
Patrícia pensa em o quanto as escolhas as afastaram. Lembra de quantas vezes criticou a irmã por dar mais valor ao namorado do que à vida acadêmica. Lembra de quantas vezes criticou as roupas da irmã [Você 'tá parecendo aquelas vileirinhas funkeiras da novela!]. Lembra da única vez em que ela e a irmã saíram juntas depois de adultas. E então as lágrimas voltam. Com a força e a intensidade que só os laços de sangue são capazes de produzir.
Patrícia então se dá conta de que poderia ter perdido a irmã. De que não poderia ter sido só um pé quebrado, e sim uma vida quebrada. Nesse momento esquece as diferenças. Sorri ao lembrar de quando ensinou a irmã a jogar bola. De quando fez com que ela se tornasse são-paulina também. Das poucas vezes em que brincaram quando crianças. De como aquela menina mirradinha se tornou um mulherão forte. E as lágrimas não cessam.
Patrícia queria poder dizer pra irmã o quanto a ama. Que apesar de todas as diferenças, ela sente orgulho da irmã. Que mesmo que elas não tenham feito as mesmas escolhas, isso não importa, já que a irmã é feliz com o caminho que escolheu. Queria abraçar a irmã, e dizer que toda a dor vai passar. Queria dizer que sem ela a vida não faria o menor sentido. Queria dizer que as piadas, as tirações de sarro, são um modo meio dosavessos de dizer eu amo você. Queria pedir desculpas por não ter sido a melhor irmã mais velha do mundo. Queria estar lá, ao lado da mãe e do pai, para ajudar a diminuir o fardo. Queria não estar sozinha, e longe da família. Queria dizer pro pai e pra mãe, que apesar de estar feliz com tudo o que está conseguindo, sua vida não tem a menor graça longe das asas da família. Queria dizer que vive pela metade, e que a outra metade estava ali, do outro lado da tela, a mil quilômetros de distância. Queria dizer que apesar de sempre falar que está tudo bem, nunca está tudo bem, porque sente muita falta de casa.
Mas Patrícia não diz. Se lembra do dia em que se mudou para Curitiba. Era muito cedo, a irmã ainda estava dormindo. Mas ficou meio acordada pra dar tchau. Nenhuma das duas chorou. Nenhuma das duas disse eu te amo. Apesar de as lágrimas e as palavras terem ficado ali, entaladas na garganta. Patrícia sabia que a vida não teria mais graça sem as brigas com a irmã, porque aquele era um modo que elas tinham descoberto pra dizer o quanto amavam uma a outra. Lembra de quando os pais e a Gigi a deixaram em Curitiba. Da despedida sem lágrimas. Mas assim que se viu sozinha no quarto, Patrícia chorou uma vida. Não sabia se ia conseguir caminhar longe daqueles que sempre a levaram pelas mãos.
Mas Patrícia não disse nada disso a irmã, e nem aos pais. E enquanto escrevia esse texto, ficava pensando que talvez nunca tivesse a oportunidade de dizer. Pensava que hoje, num sábado em que o sol brinda o céu de Curitiba, poderia estar chorando pela perda irreparável. E o que mais lhe dói não é o fato do que poderia ter sido, mas o de nunca ter dito à irmã o quanto a ama. Sabe que ainda terá muitas oportunidades. Mas também sabe que quando for pra casa dos pais, e encontrar a irmã lá, na cama [pois vai ter que ficar de cama pelo menos três meses depois da cirurgia] vai fazer piadas, dar uns tapinhas na cabeça dela, e implicar com aquela cor de cabelo horrorosa que ela escolheu.
Mas Patrícia sabe que a irmã vai reconhecer o gesto, e vai saber que aquilo é amor. Pois em sua família, o amor é expresso em forma de gestos, e não de palavras. É através das coisas feitas, e não ditas, que sua família mostra o quanto se ama. E mesmo Patrícia, que vive no mundo das palavras, quando se trata da família, é apenas sentimentos...

Companhia musical: More than words - Extreme / The blower's daugther - Damien Rice

Companhia literária: "De cada luta ou repouso me levantarei forte como um cavalo jovem" (Clarice Lispector)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mudança de planos... [e um poema que me bateu à porta]

Nós passamos a vida toda fazendo planos, sejam eles a longo ou a curto prazo. Lá no comecinho da vida, os planos já nos chegam prontos [terminar a escola, se formar na universidade, casar, ter filhos, envelhecer, morrer]. E com o passar do tempo, vamos fazendo uma listinha com nossos próprios... Quando chegarem as férias eu vou pra casa da vó; Quando eu fizer 15 anos vou ser quase uma adulta!; Quando eu entrar na faculdade, vou ser independente; Quando eu tiver minha casa, vou pintar a parede de amarelo; Quando eu tiver meus filhos vou encher eles de amor... Já repararam na quantidade de vezes em que usamos a palavra quando nessa vida?!
E toca fazer planos! Só que, muitas vezes, nos esquecemos que planos são expectativas, previsões, que precisam de esforço para serem colocados em prática, e que, por vezes, estão destinados a não dar certo. O importante é saber que, caso eles não dêem certo, seja por uma falha, porque dependiam de outra pessoa para que acontecessem, ou pela eterna lei de Murphy, há sempre alternativas...
Quando entrei na faculdade, planejei terminar o doutorado aos 27. Pois bem, cá estou eu há 4 meses de completar 27, e terminando o mestrado. Esse ano planejei passar as férias de julho na casa dos pais, mas tenho que qualificar a dissertação em agosto, o que significa que não posso arredar meus pés de Curitiba dejeitomaneira. Planejei chegar aos 30 já sendo reconhecida como escritora. Planejei caminhar uma hora todos os dias, mas a chuva já se tornou parte da decoração de CuritibaCity...
Sei que é triste ver nossos planos não darem certo. Até eu e meu coração de gengibre nos entristecemos. Mas de nada adianta fazermos da vida um muro de lamentações. A graça dessa roda viva em que estamos hospedados é sua imprevisibilidade. Mas pra podermos aproveitar as surpresas, precisamos sempre estar amparados por planos que aliviem o tombo.
Encontrei pedras no meio do caminho de meus planos, mas estou retirando-as e seguindo em frente. Não vou terminar o doutorado aos 27, mas sim aos 31. Não vou passar as férias na casa dos pais, mas assim que eu me qualificar, vou correndo pra lá, pra desacansar a cachola de tanta pressão. Não posso caminhar todos os dias, mas posso dançar meia hora de samba dentro de casa. Posso não chegar aos 30 com livros publicados e como uma escritora reconhecida, mas tenho meu blog, no qual posso espalhar minhas idéias e ver pessoas se reconhecendo nelas.
No fim das contas, encontrei alternativas. Algumas forçadas, admito. Mas acho que o que importa não é aquilo que acontece conosco, mas sim o que fazemos com o que nos acontece. Isso sim é o que torna nossa história única, e digna de ser contada pros netos [ou, no meu caso, pros livros...].

E vocês? Já fizeram planos pro próximo fim de semana? Ou vivem um dia de cada vez, sem nenhuma listinha de planos infalíveis? Conta pra mim, vai!

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Há muito tempo que eu não escrevia um poema... Passei a adolescência e a juventude dedicada à poesia, e um tanto alheia à prosa. Me parecia, até, que os poemas resolveram ficar guardados em meu passado. Mas hoje um me bateu à porta, e decidi convidá-lo para entrar, e compartilhar com vocês. Afinal de contas, minhas palavras merecem ser livres para voar em outras olhos...

O que seria dos poetas, se não fossem os finais infelizes?
Sobre o que seriam as mais tristes e belas canções?
Para quem cantaríamos as dores de um coração partido?
As estrelas do amor só se prestam à poesia
quando metamorfoseiam-se em saudades...
Os beijos só se prestam à poesia
quando vestem-se de passado.
Não há poemas sobre os beijos que serão dados amanhã!
Só há poesia no encontro de lábios de outrora.
O futuro não interessa à poesia!
A poesia quer imortalizar o momento vivido
que de tão vivo, se rejeita a morrer de outra forma
que não a de sepultado em palavras.

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Companhia musical: Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa.

Companhia literária: "Se a realidade nos alimenta com lixo, a alma pode nos alimentar com flores" [Caio Fernando Abreu em Lixo e Purpurina]

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Samba do crioulo doido de quinta.

Não de quinta categoria, é claro! Chuva, frio e preguiça. Isso sim é um feriado típico de Curitiba. Hoje, como a previsão do tempo disse que vai fazer mais calor que amanhã [Máxima hoje: 17°/Máxima amanhã 13°], resolvi aproveitar pra fazer a faxina da semana. Porque eu sou amélia, sim senhor! Sabe que andei pensando que não tenho vontade e nem coragem de ter uma empregada doméstica? Não sei se é pelo costume e exemplo, já que minha mãe sempre foi amélia de verdade, ou se pela veia turca, que não me deixa gastar dinheiro com esse tipo de coisa. No fim das contas, prefiro passar a tarde limpando os azulejos do banheiro com escova de dentes, e depois ter dinheiro pra comprar livros; do que passar uma tarde observando a faxineira limpar e depois ficar lisa e lesa... E por falar em faxina, alguém tem alguma dica pra acabar com aquelas mosquinhas de umidade? Aquelas pretinhas, pequeninas, que se amontoam onde tem muita umidade. Já não sei mais o que fazer pra acabar com as bichas... Mas, nofundonofundo, eu fico feliz que elas estejam por aqui, porque isso quer dizer que não tem aranhas. Pois se tivesse, elas já teriam sido comidas pelos aracnídeos do inferno...
Enfim, 'bora pros tópicos de hoje...

A Luma, do Luz de Luma, yes party!, me passou uma brincadeira bem bacana! Obrigada, querida! Adorei a brincadeira! E eu também morro de curiosidade de saber como é a letra das minhas amigas blogueiras. Vou aproveitar, e indicar a leitura do blog da Luma. Depois que conheci, não consegui mais parar de visitar. Ô mulher que escreve sobre tudo, e bem!
A brincadeira é a Do jeito que você escreve, e tem algumas regras a serem seguidas:
Você deve ter em mãos: Lápis ou caneta; papel/agenda/caderno; uma máquina digital.
Agora o passo-a-passo: Escreva no papel e assine seu nome; Fotografe; Faça um post com a sua caligrafia; Link quem te desafiou; Escolha cinco vítimas para desafiar; Vá ao blog de cada uma das vítimas e avise que as desafiou; Vá ao blog de quem te desafiou e avise que o desafio foi cumprido.

Aqui a foto [se clicar na imagem, ela amplia]. É uma cópia de uma oração pra São Jorge. Porque eu acredito no Santo Guerreiro! Não sou cristã, mas acho que a gente tem que ter fé em alguma coisa nesse mundo. E como minha fé é tão samba do crioulo doido quanto eu, São Jorge é um dos meus suportes espirituais...
E o desafio vai para:
Dolly, do MaryahMariah.
Debbys, do Cotidiano Insano [nome novo super bacana]
Isa, do Arrumadíssimo.
Lidi, do Bicha Fêmea [que anda parado, mas não vejo a hora de a Lidi voltar à ativa!]
Karol, do A dona do mundo.

Agora é com vocês meninas! Enjoy!
E se alguém que não está na listinha, quiser brincar também, fique à vontade! Mas com uma condição: eu quero ver o resultado, oras!

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Por vezes eu visito um blog daqui de Curitiba, o Latitude 25°25 Sul. É um blog bacana, que fala sobre a história da cidade, os lugares, mostra imagens. E hoje não me contive, e me senti compelida a citar o blog aqui. O dono do blog, que assina como Harry, tirou algums fotos do Parque Barigui, aqui em Curitiba city. E todas ficaram lindas!!! Depois de ver as fotos, nem dá mais coragem de reclamar do frio. Porque por aqui, até o frio é bonito. Dêem uma olhada nesse post AQUI. E apreciem a beleza com a qual o inverno pode brindar nossos olhos...
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Agora, vou colocar um memê que peguei lá no blog da Debbys. Sabe que eu gosto desses memês?! É uma forma bacana de ir descobrindo mais sobre os outros e nós mesmos. Então vocês, leitores queridos, sintam-se convidados a participar do memê também, viu!
  • Uma mania? De limpeza e organização. Se alguma coisa estiver cinco milímetros fora do lugar que deixei, não sossego enquanto não arrumo. Ah! E de arrumar tapetes que estão dobrados, ainda que não sejam os meus [cansei de arrumar os tapetes dos vizinhos no corredor do prédio]!
  • Seu Pecado Capital? Preguiça.
  • Melhor cheiro do mundo? Da roupa lavada e passada de mamãe. Ah! E do arroz com feijão da Dona Mãe também.
  • Se Dinheiro não fosse o problema eu...? Já teria conhecido o mundo todo com uma mochila nas costas.
  • Casos de Infância? Quanto tempo eu tenho pra falar sobre isso? Uma vida?
  • Habilidade como Dona de Casa? Sou amélia, sim senhor!
  • Frase? "Vida é luta! Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal" [Do querido Bruxo do Cosme Velho]
  • Passeio para Alma? Bibliotecas.
  • Frase ou palavra que fala muito? Trem [tudo nessa vida é trem! Substituto pra coisa, no meu caso].
  • Palavrão mais usado? Putaqueopariu!!! [Pra mim, palavrões já viraram expressões normais, sem nenhuma conotação pejorativa. Mas é claro que eu evito falar em frente de pessoas desconhecidas!].
  • Desce do salto e sobe o morro quando? Nunca desço do salto! Subo o morro de salto e tudo!
  • Perfume que uso no momento? Salvador Dalí e Marina de Bourbon.
  • Elogio Favorito? Quando alguém elogia meus textos.
  • Talento Oculto? Se é oculto é porque eu não conheço, uai.
  • Eu sou extremamente? Sistemática e metódica.
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E parece que atéqueenfimamém a nossa Seleção de Futebol está engrenando! O jogo contra o Paraguai ontem foi difícil, mas o Brasil conseguiu um resultado positivo. Fico feliz! Confesso que andei descrente com o Dunga e Cia. Mas não custa dar uma chance pros caras, né não? Afinal de contas, aquela camisa amarelinha ali tem história!

Agora diga tchau, Lilica!
Tchau Lilica!

Companhia musical: Raridades - Zeca Pagodinho [Porque nada melhor que um sambinha pra alegrar um dia frio]


terça-feira, 9 de junho de 2009

Ô lá em casa! [Post duplo TDB]

I - Como é o(a) namorado(a) dos seus sonhos??? O que ele(a) precisa ser / ter para se tornar o bofe (ou a bófia!) mais perfeita do mundo inteiro???

O Shrek dos meus sonhos é aquele que tenha cara de traquinas e olhos sempre brilhando. Que esteja sempre ao meu lado, mesmo que distante. Que me faça sorrir com uma simples lembrança de seu sorriso. Que me mostre que o amor é chama, ainda que os ventos a insistam em apagar. E que tenha um pouco de Einstein, um pouco de John Keating, um pouco de Don Corleone, um pouco de Mickey Knox, um pouco de Travis Bickle, um pouco de Tyler Durden, um pouco de Tony Stark e muito de si mesmo...

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II - Como é a cantada perfeita? Estilo romântico? Divertido? Ousado? O que eles(as) dizem que deixam vocês bem impressionadas(os)???

Se tem uma coisa que eu acho divertidíssima nessa vida é cantada de pedreiro! Vai dizer que você não sai toda serelepe quando passa em frente a uma obra e os caras proferem aquelas pérolas que só eles conseguem inventar?! Como a clássica "Ô lá em casa... Essa muié e mais um saco de bolacha, eu passo um mês...". E, no fundo, o que uma cantada precisa é ser divertida. Não que alguém vá me ganhar com uma cantada de pedreiro. Aliás, ninguém nunca me ganhou com uma cantada verbal, já que prefiro aquelas silenciosas, em que os olhos e os sorrisos se comunicam em harmonia. Mas, antes receber um "Ôôô melancia! 'Tá rachando de tão boa!", e ter histórias engraçadas pra contar pros amigos, do que um "Você vem sempre aqui?", ou, em nossa era virtual, um "Seu avatar do orkut é lindo! Tem webcam?" [Prefiro ter um filho VIADO, do que um filho que me pede pra ligar a cam no "primeiro encontro"!].

Destilado especialmente para o Tudo de Blog da Capricho.

E vocês, já receberam boas cantadas? Já racharam de rir com cantadas de pedreiro? Conta pra mim, vai...


domingo, 7 de junho de 2009

Samba do crioulo doido dominical.

Não sei o que anda acontecendo com o tempo. Acho que o safado anda treinando para alguma prova de velocistas, porque está correndo rápido por demais!!! Tenho tido a impressão de estar correndo contra o tempo. Não sei se porque falta tão pouco para qualificar minha dissertação. Ou se falta tão pouco para eu me tornar uma balzaca. "Só sei que foi assim..."
'Bora pra um samba do crioulo doido dominical...

Presente: Eu já disse o quanto gosto de ganhar presentinhos, né! Ainda mais quando esses são dados por pessoas queridas, as quais admiramos por demais. Estou falando da Dolly, do MaryaMariah. Uma pessoa que conheço a pouco, mas que já me faz um bem danado. Essa nordestina consegue me arrancar sorrisos sempre, com seus comentários, posts e presença. Se eu fosse você, visitaria sempre o espaço da Dolly. Além de dicas utilíssimas, sempre tem umas imagens lindas, e textos inspiradores. E foi dela que ganhei o selinho abaixo:

"É um prémio que homenageia os melhores blogs e tem a sua simbologia nas cores que utiliza.
A cor azul representa paz, profundidade e imensidão. A cor dourada a sabedoria, a riqueza e a claridade das ideias.
O prémio em si representa a união entre os blogueiros.

As regras são:
Temos de publicar o prémio, o nome da pessoa que nos premiou e o link do blog."

O selo é lindo! E representa muitas coisas boas. Muito muito obrigada Dolly! Como não há regra para repassar o selo, vou deixar ele pra quem quiser pegar. Fiquem à vontade!

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Site/teste: Encontrei em minhas andanças um teste que diz qual livro você é. É rapidinho, e bom praqueles momentos de tédio, ou pra quando se tem tanta coisa a fazer e não se sabe por onde começar. O teste está disponível AQUI. Segundo o teste, eu sou "A Paixão segundo GH", da Clarice Lispector, e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", do Machado de Assis. Não podia ficar mais feliz e satisfeita! São os escritores que mais gosto neste mundo. Além do que, parece que o tal do teste me conhece deveras! Vejam só as descrições:

"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

Moral da história: eu sou uma pessoa intragável e de difícil convivência e entendimento. Mas, quem me entende, me ama. Olha só que coisa boa...

Vão lá, façam o teste e depois me contem, 'tá?

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Poemeto: Vou terminar deixando aqui um poema do Sr. Pessoa. Um dos escritores que conseguem desatar os nós de minha alma.

Não tenho ambições nem desejos.
Fernando Pessoa

Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.
...
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...
...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
...
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Ps: Sabedeusquenasceuantes porquê diabos eu não consegui tirar o itálico das palavras. Por isso, e porque estou sem paciência pra travar uma batalha com o blogger, vai ficar tudo meio tortinho, tal qual o anjo torto de Drummond.

Companhia Musical: Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben / Jorge da Capadócia - Jorge Ben [Salve São Jorge!]


Agora diga tchau, Lilica!

Tchau Lilica!

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