quinta-feira, 4 de junho de 2009

Just another cold day... [Estréia do "Podia ser ficção"]

Patrícia ouviu o som de Mercedita no despertador, e, sem abrir os olhos, o desligou. Não quero levantar!!! Deitou para o lado, sentindo o frio que fazia na cama e em tudo ao seu redor. Depois de quinze minutos, eis que toca o Hino do São Paulo, e esse ela não resiste. Abre os olhos. Tenta espreguiçar por debaixo das cobertas, mas, descoordenada como sempre, consegue derrubar a coberta e o travesseiro no chão. Ao olhar por entre as cortinas, vê alguns tímidos raios de sol. Levantou ainda se espreguiçando, ligou o botão da cafeteira [que ela já deixa preparada com o café e a água na noite anterior, depois de tantas e tantas vezes que derrubou pó de café no chão logo de manhã], toma quase meio litro de água [costume herdado das áureas épocas de bêbada] e vai se olhar no espelho. Dá bom dia pra si mesma, percebe que o tal do creme dental branqueador funciona que é uma beleza, e que, às vezes, a propaganda não é tão enganosa.
Pega seu café, liga o computador, coloca o álbum da Velha Guarda da Portela pra tocar e acende um cigarro. Decide que o dia será bom, E que se foda a vontade do mundo! Mas, se esquece que o mundo é um trem tinhoso, e gosta de colocar pedras no caminho, que, infelizmente, nem sempre são as de Drummond... Onde está a internet? Sumiu, é claro! Toca ligar pra provedora de internet. A moça, aparentemente de mau humor, do outro lado da linha diz que a falta de sinal é em ocasião de manutenção e que, talvez, estará voltando em 2 horas. Tenta imaginar o que seriam das empresas de telefone se não existisse o talvez e o gerúndio? Provavelmente não seriam...
Resolve então encostar-se na rede, e estudar. Sorri pela presença do sol. Agradece ao astro-rei. E comprova que quando se está fazendo algo bom, o tempo voa. Hora do almoço, abre a geladeira [Tããão bom ter uma geladeira pra abrir!] e esquenta a comida do dia anteiror. Tenta imaginar como diabos conseguiu viver 5 meses sem uma geladeira e um fogão... Mas está frio demais pra colocar a imaginação na ativa. Almoça, enquanto assiste pela milésima vez algum episódio de Gilmore Girls. Lava a louça, e, em algum momento, já não sente mais as mãos, de tão gelada que a água jorra da torneira. Olha pra sua janela da cozinha [pregada com durex, já que a massinha que prende o vidro inexiste, e, aparentemente, a imobiliária acha que não tem problema em se ter uma janela pregada com durex e fita crepe] e dá risada.
Ao ir para o quarto trocar de roupa, Patrícia se olha no espelho. É, essa coisa de vida saudável até que me fez perder uns quilinhos... Resolve então não ir tão mulamba, e até passa batom! Sai faceira de casa, com seus fones de ouvidos e sua trilha sonora de ida [rock, blues e metal]. Anda traquinas no sol, Só em Curitiba pras pessoas andarem de casaco até o pescoço e óculos escuros... Espera pelo ônibus, ao entrar já prevê mais pedras no caminho. Ônibus lotado. Gente sem tomar banho [afinal de contas, 'tá frio! O que não impede as pessoas de federem, é claro...]. Motorista louquíssimo. E então chega inteira e atrasada para o estágio.
Assiste as apresentações dos alunos. Assiste com brilhos no olhos as explicações da orientadora. Na hora do recreio [que ela se recusa a chamar de intervalo! Gosta de relembrar as coisas boas da infância o quanto pode...] resolve tomar café com leite. Sabedeusporque... O frio tem dessas coisas, faz as pessoas ficarem malucas... Conversa com a orientadora sobre a qualificação. E então sente um frio que não vem de fora, mas de dentro. Fim do estágio. Passeio na biblioteca. Sentar nas banquetas frias pra ler um pouco. Patrícia observa os grupinhos, os sorrisos, as divagações daquelas mentes tão jovens. Sente saudades da faculdade. Da inocência de achar que iria mudar o mundo. E assume que, no fim das contas, acabou sendo mudada por ele... Logo chega um pedreirinho amigo, e eles tomam café, comem bolachas que patrocinam a guerra do Iraque [Mais um soldadinho morto? Yes, please!], falam sobre as pessoas, sobre as coisas, dão risadas.
Chegada a hora de voltar pra casa, passa por entre moradores de rua deitados embaixo das construções, pensa que talvez eles já tenham se tornado parte da arquitetura, parte do cenário da grande cidade. Mas não gostaria que fosse assim. Preferia que houvesse flores onde há miséria. Preferia que houvesse cores onde há pobreza. Preferia que houvesse educação onde há estresse. Entra no ônibus que destrói as leis da física, com mais pessoas que um espaço pode comportar. É empurrada, cotovelada, sente odores pútridos. Mas está ali, olhando para fora da janela, absorta com Cartola lhe dizendo sempre que o mundo é um moinho, e vê que a vida passa rápido por demais quando se está olhando de fora. Mas imagina que quando se olha de dentro ela passe em câmera lenta. E é em câmera lenta que sobe em mais um ônibus. E mais leis da física quebradas. E mais leis da moral e dos bons costumes jogadas no lixo [porque em Curitiba ninguém joga lixo no chão!] [Será que esses estrupícios não tem um quarto em casa pra ficarem se amassando não, caralho?!]. Desce do ônibus num frio de 9°. Caminha até a casa dos amigos que não vê há alguns dias. Ó, eu vou hibernar! Não posso falar com ninguém enquanto não terminar de ler tudo o que tenho que ler! É claro que, como bons amigos, eles não obedeceram! Conversaram, tomaram chá [Fuma aqui, toma um chá]. E é chegada a hora de voltar definitivamente pra casinha.
Corre até em casa. Parte pelo frio, parte pelo medo de ser assaltada. Vê um brilho estranho na varanda, e ao olhar pra cima, a lua grande lhe sorri. Pára por uns instantes pra admirar a lua, mesmo com o frio, mesmo com o cansaço. Conversa com as plantas. Pede desculpas por não lhes inventar um cobertor que as proteja do frio. Se sente ao mesmo tempo só e feliz. Sabe que tem uma boa vida. É independente, tem um dos melhores empregos do mundo, tem sua casa, seu espaço pra guardar suas coisas e manias, é feliz assim. Ao ver as plantinhas ali, bonitas, lembra da mãe, e logo do sorriso do pai e da irmã. Sente saudade. Mas ao entrar em casa, e ver as borboletas penduradas no canto da sala, lembra que a saudade existe porque preenche a falta de momentos bons e pessoas queridas. Por falar em saudade, se sente inquieta pela falta de notícias de um bonito. Se preocupa por não saber se está tudo bem. Sente a falta de seus sorrisos.
Patrícia então deita em sua rede, com sua xícara de café e seu cigarro, e sorri. Mesmo que as pedras insistam em ficar espalhadas pelo caminho, sempre se pode fazer delas um jogo de amarelinha, e ir pulando os quadradinhos, ora com os dois pés, ora com um só. Ora acompanhada, ora sozinha. Mesmo que pessoas ou acontecimentos nos façam duvidar de que o final pode dar certo, é importante saber que se está fazendo a caminhada da melhor forma possível. O que importa mesmo não é o final. Acho mesmo que nunca há um final...

Ps: Resolvi hoje criar mais uma sessão no blog, a Podia ser ficção. Ando tendo idéias pro livreto [lembram que falei que criei vergonha na cara para, enfim, escrever um livro inteiro, de verdade?], e resolvi fazer umas experimentações por aqui. Espero que dê certo... E logologo posto umas partes do livro que já estão prontas, só pra atiçar a curiosidade de vocês, e, quem sabe, conseguir um editor =)

Companhia Musical: Ursinho Pimpão - Balão Mágico / Abertura da novela Carrossel [Porque eu nasci nos anos 80 e tenho orgulho disso!]

8 comentários:

  1. Pois é minininha, eu havia escrito um comentário aí acabou a energia...perdi tudo..impossível recuperar
    Olha, te segui na leitura, como um " encosto", teu ghost, refazendo cada passo teu silenciosamente. Entrei no clima de despertar com o hino nacional e em seguida, com a xícara de café muito quente, escutamos a velha guarda da Portela..Caraca, isso que é versatilidade mas te entendo bem; sou como vc indo 8 a 80.000em segundos.
    Ai, nos vestimos e fomos aguardar o onibus; noto tua maneira curiosa em observar os transeuntes, os outros passageiros e ainda bem que no interior do busão o ar era mais aquecido por tantos bafos, por tantos virus circulando que sadicamente cercavam suas próximas vítimas.
    Claro que o encosto desgrudou na hora da aula..tô fora!!!! mas na saída o momento "D"(demais) foi o encontrar o pedreirinho tomando um café com biscoitos sabe Deus se aquele café não foi coado em um meião saído de dentro de algum coturno militar, fedido e quase detonado! finalmente ao anoitecer aquela luz vindo dos céus, inundando tua cabecinha de bons pensamentos, de nostalgia da mamma e quem sabe daquele amor bastardo, ingrato que não dá notícias..Assim,salto para ver as pobres plantinhas doidas por um calorzinho e vc só se desculpando..menina, faz uma cobertura para elas! amarra um pano, mete uns pregos na parede caso contrário elas sucumbirão com a massa polar gelada que persistirá ainda por boas semanas!
    No frigir dos ovos, a vida continua; você aí e eu aqui com os mesmos delírios, as mesmas sandices, as mesmas carências..
    O que temos em comum? a rede, o café e o cigarro fiel amigo! os sonhos, o romantismo, a poesia que jamais nos deixarão...uma estrada a trilhar, mundos novos a explorar grandes sonhos a serem concretizados..duas mulheres, dois mundos, duas idades mas lá no fundinho acabo descobrindo que felicidade não tem idade (ainda bem)e que sonhar libera serotonina!
    beijocas, até o próximo post
    CacomDeus!

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  2. .


    Pelo que vejo, você e a cama têm grandes afinidades, já que dormir é importante para, entre tantas coisas, acelerar o metabolismo e você “metaboliza”, com certeza. A bebida do final de semana desidrata o corpo deixando a sensação de sede para o outro dia. Nada que um meio litro de água não resolva. Prefiro as pessoas ressacadas, que caretas. Torço para que um ou mais capítulos do seu livro sejam escritos em estágios diferentes do seu comportamento, como; de pilequinho, gripada e depressiva ou exultando de felicidade. Eu explico; o bêbado desconhece o perigo e arrisca mais. O depressivo não quer e talvez não possa escrever, mas se o faz, é exuberante e verdadeiro e no caso da felicidade extrema, é quando os contos de fada e da carochinha são feitos e todos têm final feliz.

    silvioafonso.






    .

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  3. Eu gosto tanto de ler essas coisas. Fico imaginando como eu estaria se vivesse aquilo que as pessoas vivem. Daí me peguei pensando "e se eu fosse a Patrícia".. hehehehehe.. muito bom... apesar das pedras consegue aproveitar muito o dia!!! Isso é bom.. eu tbm aproveito o meu, mas hoje realmente não tô afim nem de atravessar a rua pra almoçar. Pedi algo aí por telefone. Minhas costas doem, meu corpo todo dói. Isso é o resultado de decidir começar a ter uma vida mais saudável... hahahahaha.. mas eu sei que isso é pela falta de prática e semana que vem eu engreno de vez, daí vou todos os dias malhar e ver meu instrutor.. ui ui... meu namorado que me perdoe.. hahahahaha... mas hoje não, tô morrendo, então o dia vai ser assim: caminha e filme, e estudar um pouco pra disfarçar, senão meu pai me mata. AI, como minhas costas doem... =P
    Que bom que gosta dos meus comentário. Quando abro as insanidades já vou seca pelo Patrícia Pirota.. Adoro seus comentários tbm!!! =]]
    bjussss

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  4. "Logo chega um pedreirinho amigo, e eles tomam café, comem bolachas que patrocinam a guerra do Iraque [Mais um soldadinho morto? Yes, please!], falam sobre as pessoas, sobre as coisas, dão risadas."

    =))

    Cafeína é sempre melhor, quando acompanhada de sorrisos! =)

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  5. Menina... não fumo desde o dia 24 de fevereiro... e é CLARO que sinto vontade de fumar todos os dias... rsrsrs...
    Mas juro que até senti o gosto do meu ex (Marlboro) lendo o seu post.
    Tá.... o comentário para quem odeia cigarros não deve ser de muito bom gosto... mas o que quis dizer é que você escreve muito bem... parabéns!! Adoro esse blog.
    Um excelente final de semana.

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  6. Adoro seus textos, vc sabe disso né?

    Obrigada pelo selinho!

    Bjos

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  7. Cadê a minina intelectual????
    deixei um selinho para vc, quando puder passa lá, ok?
    bjs e bom domingo

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  8. Fiquei imaginando tudo, tudinho conforme você foi descrevendo.

    Foi bom acompanhar um dia teu. :D
    Cheguei ao final do texto e pensei: já acabou? :o
    Isso quer dizer que o livro vai ser bom, muito bom. Mas disso eu não tinha dúvida, para falar a verdade.

    Ô, Patrícia! Dava um bom post esclarecer para pessoas limitadas como eu como se vive sem geladeira e fogão... nussa! Pelamor, bonita! Haja criatividade, viu?

    Oh! A gente sempre ouve falar que Curitiba parece primeiro mundo, sabe como é? Fico bege quando você diz que o povo joga lixo no chão! Aff!!! :(

    PS.: Será que o bonito lê teu blog???

    Beijos!!!

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