segunda-feira, 29 de junho de 2009

Roupas que contam histórias...

Já falei o quanto gosto de roupas por aqui. Mas acho que não falei o quanto adoro roupas que tenham história, roupas que falam por si, falam sobre os donos, sobre os lugares por onde andaram... Eu tenho muitas roupas que foram de minha mãe antes de ela casar e ter filhas [porque mamãe teve 3 meninas, e nenhum menino pra contar história]. A maioria casacos, blusas de linha e lã, e algumas saias. Ninguém me tira da cabeça que as roupas de antigamente [uns 30 anos atrás] eram feitas com um material muito melhor do que as de hoje em dia. Sem contar o corte, o caimento, as cores...
E por falar em roupas que contam histórias... Eu tenho um trendcoach roxo que foi de mamãe na época em que ela ainda era uma mocinha que estava no 1° ano do [então] colegial. É lindo, com um estilão meio hollywoodiano, e esquenta horrores. Esses dias, resolvi botar a cara pra fora de casa um pouco, e vesti o casaco. Estava parada, esperando os meninos pra irmos pra sinuca, quando bateu um vento e o forro do casaco virou. Qual não é minha supresa quando vejo algumas coisas escritas na dobrinha do forro, que estava meio descosturada! Fui pra luz, pra ver melhor, e então descubro que aqueles escritos eram uma cola de geografia!!! Vários nomes de cidades, informações geográficas, e do ladinho, em um coração, o nome de meu pai.
Eu não conseguia parar de rir! Minha mãe colando na escola! E ainda dentro de um casaco! Era como se alguém tivesse me contado a piada mais engraçada do mundo! Ao mesmo tempo em que eu descubro que Dona mãe era uma mocinha traquinas. Ela sempre me disse que não gostava de estudar, o que, é claro, não lhe impedia de dizer que o estudo é muito importante. Mas eu nunca imaginei a santidade de mamãe, sempre tão correta, colando na escola. Na hora liguei pra casa, e danei a tirar sarro da cara dela. E ela, assim como eu, se matava de rir. Era tão bom rir junto com minha mãe, mesmo que separadas por 1100 quilômetros de distância.
Quando cheguei em casa, fui vasculhar mais algum rastro de juventude em suas outras roupas herdadas por mim. Não encontrei mais nenhuma marca de caneta [por falar nisso, que caneta potente rapaz! Durou 30 anos!!! E sim! O casaco já foi lavado incontáveis vezes!], mas encontrei marcas silenciosas, que não são vistas, mas sentidas... Quando fiquei mocinha, ela me deu o conjuntinho de saia e blazer que usou na cerimônia civil de seu casamento. É lindo, de seda, num bom gosto que só minha mãe consegue ter. Eu o usei pouquíssimas vezes, um tanto pelo fato de não poder usá-lo pra ir bater perna à toa, outro tanto porque ele me faz ficar melancólica, não triste, mas me pego absorta tentando lembrar de uma cerimônia que não vi, mas da qual fui fruto.
Nunca me vesti como uma menininha. Lembro de quando adolescente minha mãe tentando me fazer usar saias, e então entrávamos numa briga sem tamanho. E quando fiquei adulta, que ia dar aula de jeans, camiseta e All Star [na verdade, fiquei adulta aos 16 anos, que foi quando comecei a lecionar, mas isso fica pra outro post...], e ela implorava que eu fosse mais arrumada, mais "responsável". E o que dizer da fase das camisetas pretas e calças rasgadas, então? Quantas e quantas roupas minhas dona Maria jogou fora, e, com a cara mais lavada do mundo, dizia que eu devia ter emprestado pra alguém.
Mas o fato é que adoro roupas antigas. Adoro passear em brechós, e ficar imaginando quem foram os donos de todas aquelas roupas, inventar histórias, imaginar porque os donos não as quiseram mais. Porque, embora silenciosa, a materialidade que nos cerca tem um discurso. Ela fala muito aos olhos daqueles que as conseguem escutar... E eu sempre apuro os ouvidos da alma para lhes saber da história...

E vocês, também gostam de roupas antigas? Ou detestam e só usam roupas novas e que nunca tenham sido de ninguém? Conta pra mim, vai!

Ps: Por falar na Senhora Dona minha Mãe, hoje é seu aniversário... Há 48 anos nascia a criatura que se tornou a mulher mais importante de minha vida. E há 26 [quase 27, meudeus!], ela deixou de ser apenas a Maria Rosa, e se tornou a mãe da Patrícia. Mas hoje eu comemoro não apenas a minha mãe, mas também a mulher Maria, uma mulher forte, inteligente, carinhosa do seu jeito português de ser, que sempre me deu tantos exemplos, tantas lições, e tanto amor. Uma mulher que já superou e continua a superar tanta coisa nessa vida. Feliz aniversário, mãe! E apesar do dia de festa ser seu, o presente é todo meu, de ter em uma só pessoa a melhor mãe a a melhor amiga do mundo! Pode parecer clichê, mas, como diria o tal do Rei, "eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você"...

Companhia Musical: Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa

Companhia Literária: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos" [Saint-Exupéry]

15 comentários:

  1. Obrigada pelo comentário! Por esse motivo mesmo fiz o blog, tenho tantos problemas e acho que está tudo tão errado, que pelo visto se eu não fizer nada, ninguém faz rsrsrs.
    Amei seu texto. Minha mãe também tem umas roupas lindas de moça, pena que não me servem =/

    ResponderExcluir
  2. adoro roupas que contam histórias...
    Parabéns para a sua mãe!!!
    Beijos e uma excelente semana.

    ResponderExcluir
  3. Putz, muito bom esse texto... deu uma certa inveja porque eu nunca usei roupa que contasse uma história de alguém, mas eu guardei minhas calças rasgadas e camisetas pretas da época de metaleiro... essas vão contar a minha história :))

    super parabéns pra sua mãe!

    ResponderExcluir
  4. Ah, me matei de rir aqui tbm!! Caneta potente mesmo hein! Durar 30 anos é record, mas deve que durou justamente pra ser vista por você né?? Ah, aqui em casa não tem muito roupas antigas, apesar de que eu tenho uma camiseta desde os 10 anos de idade, e ela cabe em mim até hoje, eeu adoro ela... kakakakakaka... as roupas da minha mãe não fazem meu estilo, então eu roubei um vestidinho rodado e uns bolerinhos, fora as camisas pra ficar em casa, porque sim, ainda guardam o cheirinho dela, e é como se ela ainda estivesse aqui comigo [apesar de saber que em espírito está].. às vezes herdava algo da minha irmã, mas desde que criei personalidade parei com isso, pq ela é bem maior que eu, e sempre sobra pano demais... hehehehe
    AH, eu li o post de ontem na casa do namorado, mas como não deu pra comentar, vou falar um pouquinho aqui. Sabe, eu tbm tenho preguiça de banho nesse frio, mas ao mesmo tempo não fico sem me banhar né??? O maior problema é sair no chuveiro depois... kakakaka... ah, preguiça me domina. tô lutando mt pra ela me deixar definitivamente... xD
    bjus pra vc!!! ^^

    ResponderExcluir
  5. pequena grande mininamá...se gosto de roupas que contam histórias??? tudo o que tenho tem histórias das mais variadas; amo herdar, amo brechós e dou maior valor às roupas de época já que nossa moda vai e vem!
    Infelizmente nem todos pensam assim e tenho certeza, não sabem o real valor das coisas
    beijocas, boa semana

    ResponderExcluir
  6. Oi, Patrícia!
    Ei! Fala para tua mãe que desejo tudo de bom para ela? Desejo saúde, tranquilidade, muitos anos de vida e paz de espírito. :D

    Sobre roupas, eu uso roupas que foram de outros sim. Tenho roupas que foram da minha irmã e também tenho roupa que foi de uma amiga. Ela engordou e me deu. É uma camisa cinza que acho muito bonita e saio por aí, serelepe e saltitante com ela. Sem nóia alguma. :D

    Parabéns pelo texto tão sensível, Patrícia. Tu é danada com as palavras mesmo. “Benza Deus”! :D

    Oh! Fiquei feliz de saber que o post (sobre doações) serviu, de forma prática, para você. :D
    E sobre a mesinha, é por aí mesmo. Eu também invento novos usos com embalagens que sirvam para uma outra coisa. Acho importante reutilizar. E doação de livros, brinquedos e roupas já faz parte da minha vida desde a idade da pedra... kkkkk...

    Ótima semana para você também, bonita!

    ResponderExcluir
  7. Pat lindona, como sempre sensível, né? Adorei a bela homengagem que fez para sua mãe e como sempre me diverti!!
    Falando nisso, quando a senhora vai aparecer? Estou te esperando!!
    Beijos e uma linda semana!

    ResponderExcluir
  8. eh.. graças ao mundo corporativo eu me visto como uma virgem... SOFRO!.. se pudesse viveria com um vestidinho qualquer de malha e havaianas... mas o mundo me fez trilhar outros caminhos.. e sim.. eles envolvem sapatos desconfortaveis, mas lindissimos.. haha
    Beijos!

    ResponderExcluir
  9. Patrícia, parabéns para a mamy!! Que ela continue romântica, faceira e feliz!!

    Não tenho nada no meu armário que já tenha sido de alguém, não atualmente, mas quando ainda adolescente, eu e minha irmã vivíamos fazendo trocas que enlouqueciam a minha mãe. Ela nunca sabia roupa de quem era de quem e no final, quase nunca eu e minha irmã sabíamos, daí algumas briguinhas por isso. Mamãe sempre, sempre com a mesma frase: "Olha, quando eu era solteira, até agulha cada uma tinha a sua, ninguém usava nada de ninguém"

    Dá pra perceber que a minha mãe odiava que pegássemos algo dela sem avisar ou mesmo avisando hehehehe. Mas que eu me lembre, era criança ainda, mamãe saia e lá ia eu em seu guarda-roupas. Eu adorava uma camisola (ou seria outra coisa?) de cetim, longa, toda cheia de rodas, que mais parecia um vestido de festa. O peito era todo bordado com renda guipire e quando eu vestia, ela ficava arrastando no chão por causa da minha altura e para sanar isto, eu rodava, rodava, rodava, girava sobre o meu corpo, até ela subir, fazer um arco e eu ficar bem tonta. Daí eu sentava no chão, com aquela roda espalhada a minha volta, deitava por cima dela e ficava olhando o teto girar. Era uma sensação bem boa, até que um dia mamy descobriu! :((( acabou a festa!

    Mas antigamente sim, as roupas eram bem acabadas, tecidos com boa estrutura, corte exclusivo, sob medida, as pessoas investiam em uma boa peça e ao invés do que acontece hoje, era valorizada a qualidade e não a quantidade. Uma peça durava anos; veja essas que herdou da sua mãe.

    Boa semana! Beijus

    ResponderExcluir
  10. Frids,
    Eu achei muito bacana mesmo a sua proposta do blog. E aposto como ela vai ser importante pra bastante gente.
    Bjo procê.

    ResponderExcluir
  11. Teka,
    Ô nega. Estou há tempos tentando comentar no seu blog, mas não consigo!!! ¬¬
    Obrigada pelos parabéns pra mamãe!
    Bjão procê!

    ResponderExcluir
  12. Fábio,
    'Brigadão pela visita!
    E aposto como a sua herança de camisetas pretas e calças rasgadas vai fazer a alegria de alguém =)
    Queria ter ido ao seu blog. Mas o seu perfil está indisponível =(
    'Brigada pelos parabéns pra Dona mãe!
    Bjo procê!

    ResponderExcluir
  13. Um parabéns atrasado para sua mamãe.
    Eu não tenho problemas em usar roupas "velhas", usadas, mas não gosto de brechós essas coisas.
    Para usar roupas usadas, só quando me dão mesmo.
    Bjitos!

    ResponderExcluir
  14. Dolly!
    Ô minha amiga, eu não consigo comentar nos teus blogs =(
    Fico feliz que esteja voltando à ativa, viu. Adorei os teus últimos posts do MaryaMariah! E amei descobrir os teus outros dois blogs!
    Tenha um ótimo dia, minha Chicabum!
    Bjão procê!

    ResponderExcluir
  15. Patrícia

    E teu banheiro tem espaço para tantos enfeitinhos? É. Ele não é pequeno. Oh! Jardim zen e cristais me pareceram bem a tua cara. ;)

    Beijos, bonita!

    ResponderExcluir

Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...