sexta-feira, 19 de junho de 2009

Samba do crioulo doido de sexta.

Não sei o que anda acontecendo, mas parece que os editores de texto estão de mal de mim. Cada vez que enfrento essas telinhas em branco com esse maldito tracinho piscando, o estrupício do meu cérebro congela [talvez isso também se deva ao frio do inferno que faz nesta cidade]. Fato é que ontem sentei para postar no blog, pelo menos, umas 3 vezes. E em todas eu escrevia umas 4 linhas e depois apagava tudo. Tomava café, fumava, voltava pra frente do computador e... nada! O mesmo aconteceu com minha dissertação. Estava ali, com todas as idéias prontinhas, tudo bonitinho na cachola, mas era só sentar em frente do editor de texto que hasta la vista, baby.
Normalmente eu sou verborrágica, falo e escrevo por uma multidão. Mas, vez ou outra, minha boca e meus dedos se recusam a acompanhar o ritmo frenético do meu cérebro. Vai ver eles se cansam, e esse é o modo de eles dizerem que 'tá na hora de uma pausa pra respirar. Mas, deixa eu aproveitar a volta da atividade dos dedos e começar o samba do crioulo doido de hoje.
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É claro que não posso deixar de falar sobre o jogo de ontem. Não o vi, mas ouvi pela rádio [que é uma experiência impagável!!!] e acompanhei os lances pela internet. Pra quem ainda não sabe, sou são paulina doente, mas doente mesmo. Daquelas que prefere assistir o jogo a ficar com o namorado [e depois acham que isso é exclusividade masculina...Quá!]. E todos podem imaginar o estado em que fiquei depois da vergonhosa derrota [ou dar uma olhada no meu twitter, que me acompanhou durante todo o jogo]. O gosto amargo que ficou não foi o da derrota para o Cruzeiro. Os caras jogaram bem, mereceram ganhar. E aquele gol do Henrique foi uma pintura! E eu gosto de futebol, então seria hipocrisia não admitir a superioridade do Cruzeiro em campo. Mas a dor da derrota não foi pela bela atuação da Raposa; foi sim pela mediocridade que o São Paulo apresentou em campo. O que me lembrou aquela fatídica Copa do Mundo na qual o Brasil perdeu pra França. Como se o time tivesse deixado a alma no vestiário e ido só com o corpo pro campo. [Mas que fique bem claro que não lamento nenhum arranhãozinho sequer que possa ter sido feito no estrupício do Kléber. Se é gladiador, que use armadura da próxima vez!]
Não vou ficar culpando ninguém. Nem o técnico, nem os jogadores, nem a diretoria. Como bem disse o Muricy, "o futebol é muitas pessoas juntas, que tem que estar bem juntas pra dar resultado. E quando não tem essa unidade, não acontece nada". Não adianta pedir a saída do Muricy. Primeiro porque isso abalaria toda a estrutura e o esquema do clube, e em meio de campeonato isso é impensável. Segundo porque o cara merece um crédito. Aliás, um não, três. Não concordo com a parte da torcida que avacalha o Muricy, e se esquece que se hoje nós podemos gritar a plenos pulmões que somos hexacampeões brasileiros, é, em partes, graças ao Sr. Ramalho. Não podemos fazer como os colegas róseos, que estão a pedir a cabeça do Luxembrugo como prêmio. É muita filhadaputagem deles com o Luxa, na minha opinião. Eu concordo que o cara é arrogante, um tanto quanto controverso, mas é um dos treinadores mais competentes do mundo. Além do que, os palmeirenses não poderiam se orgulhar de metade do que se orgulham sem lembrar que quem elevou o nome do Palmeiras a um dos melhores times do futebol brasileiro foi o próprio Vanderlei Luxemburgo. Mas parece que os brasileiros gostam de se esquecer do passado quando lhes convém...
O jeito agora é tocar o barco. Estou triste sim, mas não posso me deixar abater. Assim como o São Paulo também não pode se deixar abater. Erraram o ano todo? Erraram pra caralho! Mas o ano ainda não acabou, e foi nessa época do ano passado que começamos a caminhada rumo ao hexa. E digo começamos porque acho que a torcida tem que fazer parte do time também. Temos todo o direito de reclamar, ficarmos revoltados, mas não podemos nos esquecer que assim como os resultados do time nos afetam, aquilo que nós fazemos afeta os jogadores também. Não adianta ficar xingando os jogadores [Richarlyson não conta como jogador. Period.], pixando o muro do CT, falando barbaridades por aí. Adianta sim continuarmos dando força pro time. Sem fecharmos os olhos pras coisas erradas, é claro. Mas sempre apoiando, porque torcida contra já tem todas as outras dos times que não são o Maior do Mundo...
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Minha gente! Descobri o tal do Twitter. Ô negócio do inferno! Não páro de ir lá conferir os twitters alheios e postar no meu. E olha que eu tinha a certeza de que nunca conseguiria me expressar em míseros 140 caracteres. E não é que aprendi?! Confesso que no começo fiquei meio com receio de que fosse só mais uma ferramenta internética à toa, mas me enganei. Já acompanhei discussões que inclusive servirão pra minha dissertação. Além disso, poder "falar pras paredes" e vez ou outra ser ouvida por elas é impagável. E vocês, já se renderam ao novo ueridinho da internet?
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E pra alegrar minha sexta-feira com gosto de derrota, ganhei um selinho da fofa da Taah Oliveira, do Energia Simpática. Taah, muito muito obrigada, meu bem! É uma delícia ganhar presentes, ainda mais quando eles vêm em dias cinzentos assim... Um beijo enorme procê. Aqui o selinho ó:

As regras do selinho são:
1)Colocar no post o nome do blog que te indicou ao Prêmio.
2)Escrever uma mensagem de agradecimento ao Blogueiro que te indicou.
3)Postar o selo.
4)Abaixo do selo descrever 5 características suas.
5)Indicar o prémio a 5 ou mais blogs para receber o selo.

Pois bem. As cinco características que escolhi compartilhar são:
1. Sou tão fria e calculista quanto um sociopata. Raramente demonstro raiva ou revolta em público. Prefiro não gastar meu tempo com gente medíocre. [A não ser que eu tenha uma 12 em mãos].
2. O futebol é a minha religião. Assim como existem fanáticos de igreja, eu sou fanática de estádio.
3. Há algum tempo me tornei solitária por escolha própria. Enquanto a maioria das pessoas se encontra na corrida por relacionamentos, eu resolvi ficar sozinha com meus eus-líricos.
4. Se pudesse passaria o resto da vida sendo bolsista da Capes e desenvolvendo pesquisas acadêmicas sobre literatura e história em quadrinhos. [Oi? Isso não é característica? Claro que é, uai!]
5. Sou nerd, mas tão nerd que até o Bill Gates olharia pra mim e diria, "Get a life, dude!".

É isso. Não vou escolher blogs para indicar dessa vez. Pois devo confessar que é sempre uma luta escolher entre tantos blogs queridos apenas uns poucos para ganharem presentes. E como hoje estou sentimental [não do jeito tradicional, mas mesmo assim], prefiro não passar por escolhas. Mas, please, fiquem à vontade para pegarem o selinho. Afinal de contas, ter leitores como vocês, não tem preço!!!
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Vou terminar com um texto da fofa da Cecília Meireles. Porque há horas em que eu preciso aprender a olhar pela janela e ver a felicidade das pequenas coisas...

A arte de ser feliz
Cecília Meireles
"Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê- las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".


Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!

Companhia musical: Toda forma de amor - Lulu Santos / Hino do São Paulo - Andreas Kisser

Companhia Literária: "Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas" [Oscar Wilde]

7 comentários:

  1. doce Pat, deixei um selinho para você!
    bjs
    P.S.depois volto para comentar!!!!

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  2. SABE QUE EU TO CHORANDO POR SUA CAUSA, PELO SEU TEXTO
    SÓ TENDO E SENDO IRMÃO PRA SABER COMO É NÉ
    BEIJO

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  3. Têm alguma coisa no seu Blog que eu não sei explicar... vou voltar mais vezes e quando descobrir o que é deixo um comentário sobre...

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  4. Oi!

    Como vai a dissertação? Tá, é sobre Lit e HQs, mas qual exatamente é o ângulo dela?

    No livro COMO FAZER UMA TESE do Umberto Eco ele diz que os governos deveraim sustentar aquelas pessoas que gostaria de passar sua vida estudando e pesquisando porque pessoas assim são extremamente importantes para um país, principalmente porque são raras.

    Ah, tu é mulher fanática por futebol e eu sou um homem que não gosta de futebol. Quer dizer, de futebol até gosto, mas sou um alien no que concerne entender o motivo pelo qual as pessoas se afeiçoam aos times de tal forma. Minha mulher agora virou do Intenacional, apesar de meus anos de esforço em doutriná-la para odiar times ;)
    Até no estádio ela já foi!

    Eu entrei poro Twitter, mas estou tão cheio de coisas que ainda não consegui apreciar a coisa toda, embora esteja seguindo o David Lynch e umas pessoas que gosto basatante. Mas minha mulher super twitta!

    Esse texto da Cecília é meio zen budista... Gostei!

    Que bom que vc curtiu o PÉ NA PORTA!

    O Batman tem histórias mais bacanas que o Superman, mas o IDENTIDADE SECRETA é a melhor história do Superman de todos os tempos!

    Acho que tu vai curtir a Picabu, encomenda um exemplar com os caras!

    Como tu reparou, só agora estou respondendo posts de março... :(

    Abraço!

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  5. Minininha, você e seus questionamentos!!!! viu porque preciso escolher o momento certo de parar aqui? entrar nesse teu mundo requer disponibilidade de tempo e cabeça sem tumulto para alcançar a essência de teus momentos.
    Gosto de futebol mas não assisti ao jogo de quarta-feira, assim no comments!
    Sabe que a modernidade por vezes me assusta mas procurei saber o que era o tal twitter e nem me aprofundei após ler sobre os 140 caracteres..eu escrevo demais, falo demais não combinaria com meu perfil mas, se vc que ama escrever conseguiu devo rever minha posição!
    Um mega beijo
    Chicabum

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  6. Querida, quanto tempo, né? Que saudade!! Passei por uma fase complicada, mas agora as coisas já estão mais resolvidas. Depois me passa o seu msn para a gente papear um pouquinho. Quanto ao post, estou impressionada em como vc entende de futebol, adorei. Amei tb o textinho da Cecília Meireles, arrasou na escolha!
    Beijos e um lindo fim de semana!
    Isa

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  7. Eu até ia tirar uma com a sua cara por conta de jogo do São Paulo contra o Corinthians (sou corinthiana), mas por você ser tão são paulina, talvez fique brava... Então é melhor deixar pra lá.
    E nem me fale nessa crise com os editores de texto... Minha cabeça anda fervendo de idéias, mas não tenho conseguido colocar no papel nada que me agrade.
    Bjitos!

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