quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vira homem, rapá!

Andei lendo meus últimos posts [porque blogueiro que é blogueiro lambe a cria] e percebi o quanto andei tristonha e sentimental nos últimos tempos. O mais curioso é que não havia notado essa diferença em mim, até dar de cara com a tristeza ali, estampada em minhas palavras. Confesso que tenho me isolado do mundo, e que tenho me afastado um tanto até do mundo virtual. Mas até então eu estava crente de que era por causa do meu casamento com a senhora Dissertação. Essa safada, tal qual um namorado que se preze, tem me tomado um tempo do diabo! Tem me feito perder o sono. Não me deixa assistir os jogos de futebol direito. Proibe minha cervejinha de fim de semana. Faz com que eu queira me descabelar. Um perfeito relacionamento! Tirando, é claro, a parte em que só há um ser de carne e osso nessa parada, logo, nada de sexo pra compensar a encheção...
Além disso, andei dando uma olhada no meu falecido fotolog, que tem mais teias de aranha que minha casa [já que agora os aracnídeos, a-pa-ren-te-men-te, resolveram me deixar em paz]. Fiquei com uma saudade do cacete da época em que as minhas fotos eram todas de festas,com amigos e eu sempre com o copinho de cerveja numa mão e o companheiro MarlboroVermelhoMaço na outra. Embora eu nunca tire fotos sorrindo [o que estragaria minha fama de MininaMá, oras!], eu sempre estava feliz.
Parei pra pensar no quanto mudei de dois anos pra cá. E percebi o quanto CuritibaCity me transformou em uma outra pessoa. Não apenas a cidade, mas tudo o que me aconteceu desde então. A Patrícia que vivia falando palavrões, zoando os amigos e enchendo a cara, deu lugar a uma tiazona que passa o sábado à noite em casa lendo Foucault e escutando Beethoven. Putaqueopariu! Vira homem, rapá! Diriam meus amigos se soubessem disso. E eu mesma acabei de dizer isso pra minha imagem no espelho, que, é difícil aceitar, mas está absolutamente deplorável!
Eu sempre fui nerd. Como disse em outro post, tão nerd que é capaz de o Sr. Gates olhar pra mim e dizer "What a nerd! Get a life, dude!". Mas depois que entrei na faculdade, aprendi a ser uma nerd social. Que pode parecer lenda urbana, mas existe aos montes. E desde então passei a dividir meu tempo entre os livros, o computador, os amigos, os moçoilos e a cachaça [velha e querida companheira!]. Chegou uma época em que eu conhecia tanta gente em minha antiga cidade, que cogitei a idéia de andar com um gravador com as frases "Hey!Tudo bem? Comigo tudo bem!", de tanto que eu me cansava de responder isso...
Mas depois que me mudei pra cá, me tornei um fantasma. Não apenas no tom de pele, que passou de branca para brancoquasedacordaBjork. Mas porque posso andar desapercebida pelas ruas. No começo achava que isso era a tão sonhada liberdade. Mas depois de um tempo comecei a perceber que eu havia me transformado numa bolha. Me isolei de tal forma, que nem com os meus antigos roomates eu me socializava mais. Tanto é que hoje moro só. E sabedeusquenasceuantes porque, meus antigos companheiros se afastaram. Talvez porque eu tenha me afastado antes, sem nem perceber. Mas essa é uma questão que ficarei, talvez, pra sempre sem saber a resposta...
E depois de tanto ouvir que eu havia me tornado uma tiachataquedormecedo [de uma amigo do msn, que mora em Curitiba, e que até hoje eu não tive a descência de conhecer ao vivo], e de ler comentários me dizendo pra aproveitar a vida ['Brigada Dolly!], ou então gente me lembrando que a graça do meu blog é fazer as pessoas rirem e não chorarem ['Brigada Debbys!], ou mesmo meu pai me chamando de velha [a que ponto chegamos, meodeus! Meu pai, meu velho, me mandando sair de casa e ir encher a cara!]...
Confesso que acho que embarquei demais nessa coisa toda de aproveitar a própria companhia. É claro que não suporto o discurso de que um ser só seja feliz se tiver a aceitação e o amor de determinado caboclo. Mas sou obrigada a admitir que pesei a mão ao me trancar em uma ilha. E hoje fui obrigada a engolir a seco quando vi que uma amiga me marcou numa daquelas fotinhos do orkut, do tipo Todo mundo tem um amigo, sabe? E advinha qual era o meu tipo?! A isolada. Porra, mano! Logo eu que era a Miss notinhadeumrealdaestrela?! Pois é... Logo eu.
O grande problema é que não me sinto tristetriste por isso... Gosto deveras de minha vida. Mas me bateu uma incerteza se não gostava mais de minha vida antes. Sei que os ciclos acabam, como sabiamente me alertou o Sr. Pessoa [no texto que postei no post anterior. Quem ainda não leu, faça me o favor de ler!]. Mas acho que 'tá na hora de eu começar um novo ciclo, numa mistura de antes e depois. Acho que assim vai funcionar. Porque, pra ser bem sincera, também tenho saudades da Patrícia desbocada, putadacara, irônica e que ri da vida...
Gosto muito de algumas partes dessa nova Patrícia, mais madura, mais sensata, mais pé no chão que me tornei. No fim das contas, ela é uma evolução natural. Porque se não tivesse adquirido esses adicionais de fábrica, não teria chegado onde cheguei hoje. Estou feliz por ter descoberto tudo isso, mas o pior é que não tenho uma porra de uma cerveja pra comemorar a descoberta!
Fato é que a partir de agora esse blog, quase que um órgão adjacente dessa estrupícia que vos fala, terá roupagem nova. Não layout novo, porque se minha vida dependesse de eu fazer um diabo de um layout eu já estaria bebendo cerveja quente com o demo. Mas é possível que os textos sejam menos tristonhos e mais desbundados [gosto taaanto dessa palavra!]. Acho que meus leitores não se importarão de ler sobre coisas mais politicamente incorretas, assim como não ficarão chocados ao se depararem com algumas palavras de baixo calão aqui e acolá.
Confesso que por muito tempo me contive, pensando em quem leria o blog. Pensava se algo seria inadequado, se esse ou aquele assunto iria chocar os desavisados que resolvessem passear aqui pelo cafofo. Mas acho que todos já nos conhecemos o suficiente para que vocês, pessoas que fazem meus textos terem sentido de existir, não se espantem com minhas palavras. Assim como acredito que aqueles leitores desconhecidos [que eu só sei da existência graças aos contadores de visitas e dos mostradores de locais, mas que nunca me deixaram um oizinho sequer, humpft!] não se importarão com uma pequena mudança de foco.
Afinal de contas, a dona do blog mudou. Logo é natural que o blog mude. E é melhor eu mudar, e parar com essa choradeira toda, e deixar essas frescuras de mulherzinha de lado, antes que um dia eu acorde, e o espelho resolva lembrar meus amigos, e grite pra mim "Vira homem, rapá!"...


Mas e vocês, preferem o blog mais sentimental ou mais desbocado? Preferem ler sobre minhas lágrimas na rede ou sobre as odisséias com os estrupícios no ônibus? Conta pra mim, vai!

Companhia musical: Jorge Ben Jor Acústico MTV

Companhia Literária: "Lhe parecia muito chato e sem graça que a vida continuasse da maneira mais comum" [Lewis Carrol]

9 comentários:

  1. querida, também sou do TDB.. preciso falar contigo.. se você não chegou a receber meu recado, me avisa no orkut, o link tá no meu blog (:

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  2. Bom dia, Patrícia!

    Adorei o "vira homem, rapá!"!!!!! Kakakakak
    Olha... todos nós temos fases. Umas, mais sociais, e outras, em que parece que estamos sós no mundo. Todas são necessárias para a nossa evolução pessoal, para o nosso amadurecimento.

    Não olhes para trás... olha em frente esperançosa. O futuro pode estar recheado de surpresas boas para ti... ;-)

    Beijos mágicos

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  3. DOCINHO, ESTAS PRECISANDO DE UMA DOSE DE CATAIA...
    E QUEM LER NÃO PROTESTE, MULHER TAMBÉM PRECISA RELAXAR DE VEZ EM QUANDO, E SE VC QUER SABER É MUITO MAIS DIFICIL VIRAR MULHER QUE HOMEM, PQ A GENTE LIDA COM UM TRILHÃO DE HORMONIOS E MAIS DOIS TRILHÕES DE DE PENAMENTOS( PODEMOS ATÉ TER DOIS NEURÔNIOS, MAS ELES VALEM POR TRILHÕES)
    QUANTO AO QUE EU PREFIRO, ACHO QUE PREFIRO VC, NÃO ME IMPORTO EM DIVIDIR AS TRISTEZAS E DAR MUITA RISADA COM SUAS HISTÓRIAS
    TAMBÉM FICO ASSIM DE VEZ EM QUANDO, ACHO QUE TODAS FICAMOS, E SEI QUE DE VEZ EM QUANDO PRECISAMOS MESMO É DE COLO....
    BEIJO...

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  4. Eita que a bicha ficou revoltada!

    Oh! Deixa eu te falar, eu não tenho preferência. Juro! Vou te explicar o porquê: é que eu acho que o blog deve ter a tua cara. Imagina se todos sugerem algo sobre o que você não está a fim de escrever. Vai fazer o quê? Se violentar? :o

    Você até pode assumir esse risco, mas pessoalmente eu não arriscaria. Lá no Bicha, salvo os posts escritos pelas bichas convidadas, tudo que sai é espontâneo. Digo no sentido de sair o que é para sair naturalmente, não porque a maioria quer ler isso ou aquilo. Eu atribuo o sucesso (relativo, porque tudo nessa vida é relativo, não é?) do Bicha ao fato de naturalmente eu gostar de falar de tudo um pouco quando se trata de universo feminino, já que essa é a proposta do Bicha. Aí eu acho que, justamente por isso, consigo agradar a gregos e troianos.

    No teu caso, o blog parece ter mesmo uma conotação mais pessoal, e não consigo imaginar um blog com essa proposta atendendo aos desejos dos leitores e não exclusivamente o estado de espírito da blogueira. Será que me fiz entender, meu Pai?!? :o

    O fato é que não vou deixar de vir te ler, independentemente da linha que você tome. Ponto. E também quero lê-la bem, serelepe e saltitante, não porque a maioria pediu que fosse assim, mas porque naturalmente você está assim, got it? ;)

    Ah! É, Patrícia! As férias me fizeram muito bem também, apesar de eu ter tido saudades imensas da blogosfera. Há que se ter tempo para tudo, não é? E que tudo seja muito bem aproveitado. ;)

    Beijos, bonita!

    Ah! Quando eu ler o livro “de cabo a rabo” te digo se é bom sim. Mas pelo que a Laély já falou, acho muito difícil que não seja. ;)

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  5. A verdade é que eu gosto de ler tudo o que você escreve, e acho que fazer posts sentimentais é legal, porque o blog tem a nossa cara, não tem como ser só um lugar pra fazer textos interessantes, a gente acaba falando da nossa vida né? Só que, o que eu mais gosto nos textos aqui é que você consegue juntar informação, opinião, revolta com uma pitada de humor... hehehehehe.. escreva sobre tudo... o que vier na sua cabeça, poste... assim que é bom, né??
    bjusssssss

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  6. Olha, eu gosto tanto do jeito que você escreve, que com sentimentalidades ou bobeiras, estarei aqui lhe acompanhando. ;)
    Sabe, eu sei mais ou menos o que é isso que você descreveu aqui no texto. Quando olho para a Luisa de alguns anos atrás sinto tanta falta (e dói!). E não só de mim, na verdade, sinto mais falta dos momentos e das pessoas do que do meu eu do passado.
    Mas gosto mais da Luisa de hoje, inevitavelmente.
    Bjitos!

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  7. A desbocada condiz mais com a menina que toma café comigo =)
    mas eu gosto de saber que você tem coração!
    hehe...
    beijo Paty!

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  8. Vc conheceu o meu mundo, rs. Sou assim desde sempre. Não que eu goste, mas não sei como fazer pra mudar. Enfim, não estamos falando de mim. Por mais q vc goste da sua vida como é agora, nada consegue substituir a companhia dos outros (amigos, namorados, até mesmo inimigos). Socializar-se faz muito bem. E depois, é mto triste estar sempre sozinho. Se não da pra voltar a ser a antiga Patrícia, pelo menos compra um gato ou um cão, ou um peixe... espera, vc já tem plantas, elas fazem companhia =P
    Ou então da um jeito de misturar as duas Patrícias, a de antes e a de agora. Afinal, a vida é isso. Misturar tudo e ver no que vai dar.
    Bjs

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  9. Gosto de ler seu dia-a-dia... se está triste, feliz, desbocada... não interessa... essa mistura é a sua vida e como você a descreve. Por isso seu blog é bacana.
    Beijos

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