sexta-feira, 24 de julho de 2009

Samba do crioulo doido com medo do travesseiro...

Começo a ter uma certa desconfiança de que meu travesseiro é mágico. É eu botar a cabeça no bicho pro meu cérebro trabalhar feito louco! Essa noite, enquanto tentava inutilmente dormir, meu cérebro escreveu 3 posts pro blog, um capítulo do meu livro e umas 10 páginas da dissertação. Isso, num intervalo de 2 horas, depois das quais fiquei puta e levantei pra fumar um cigarro.

Eu não sei o que meu travesseiro tem. Não importa se eu vou deitar podre de cansada ou bem descansadinha. Não adianta fazer exercício de respiração, posições de yoga, alongamento, NADA! O travesseiro se recusa a deixar minha cachola descansar!

Tem gente que antes de dormir pensa nos problemas, nas contas a pagar, nas coisas boas do dia. Eu escrevo textos mentalmente. E é impressionante a velocidade com a qual ele escreve! Nem com 10 mãos eu conseguiria digitar tudo o que ele produz tão rapidamente. E não adianta eu mandar ele calar a boca, na esperança de ele ficar magoado e fazer bico. Não! Ele tem vida própria. Ele não me obedece!

Antes, quando eu tinha idéias enquanto caminhava, achava normal, afinal de contas, caminhar aumenta a circulação, aumentando a freqüência do cérebro. Mas agora o malacabado se descontrolou. "Escrevo" enquanto lavo a louça, enquanto cozinho, enquanto assisto televisão! E eu que achava que assistir TV fosse bom pra relaxar o cérebro... Ledo engano, ledo engano. Se eu assisto jornal então, aí danou-se! Os textos são produzidos a cada minuto. E não adianta eu bater o pé e dizer que não vou pensar. Não adianta! Até comecei a assistir novela, porque reza a lenda que novela deixa as pessoas alienadas. MENTIRA! Quem é o estrupício que disse isso? É mentira, meu filho!

Deve ter gente pensando que eu preciso de sexo. Pois é, meu caro. Precisar eu até preciso, mas a maré não ‘tá pra peixe, mermão. As coisas não são fáceis assim. Ao menos não pra mim, que não sou muito afeita a essa coisa de fastsex.

O que eu mais queria é que meu cérebro tivesse uma entrada USB, pra eu poder transferir os arquivos pro computador. Se assim fosse, até minha tese de doutorado já estaria pronta. Porque eu tenho a impressão de que não adianta mais andar com caderno e caneta, nem com gravador, nem ficar pra sempre na frente do computador. Nem assim as idéias vão acabar.

Mas ó, não pense que eu acho isso ruim não! É ótimo ter muitas idéias, escrever tanto. O único problema é que nem falar direito ando conseguindo. Acho que tenho desenvolvido problemas de dicção, porque ao tentar falar na mesma velocidade em que o cérebro processa, falo tudo errado, junto uma palavra na outra. Não consigo!

Claro que quero que o estrupício do meu cérebro funcione para todoosempreamém! Mas, será que é pedir muito que ele me deixe ao menos dormir um pouquinho?!

Mas como não adianta reclamar, e, na verdade, tenho é que agradecer, ‘bora pra um samba do crioulo doido?

Top5 Música instrumental

Yey! Esse Top5 é o primeiro [de muitos, espero], fruto da sugestão de leitores. A dica é do Fábio, um leitor assíduo e bacana do cafofo, que, infelizmente, não tem blog. Digo infelizmente,porque os comentários dele são "totalmente excelentes!" [como diram Marco Bianchi e Paulo Bonfá], e aposto que ele deve escrever bem horrores. 'Brigadão Fabio! Pelos comentários sempre tão bacanas e pelas dicas. Todas anotadíssimas! [Eu já falei que vale a pena ler os comentários, não falei?]

Eu gosto muito de música instrumental. Me lembro de ser bem pequenina e ouvir os discos junto com mamãe, que é apaixonada por esse tipo de música. Com ela e meu pai aprendi a gostar de Chorinho, ritmo que considero, ao lado do samba, um dos mais bonitos do mundo. E tem também as instrumentais "hermanas", que fazem um sucesso danado lá pros lados do interiorzão em que nasci, como a Polca Paraguaia e o Chamamé, os quais aprendi a dançar antes mesmo de aprender a andar direito. Não posso esquecer também do Tango, esse ritmo tão passional. Ou então da música erudita.

Mas chega de prosa, e 'bora pra lista? Não se esqueça de me dizer a sua, hein!

Mercedita - com Marcelo Loureiro [Essa música é essencial pra todo pantaneiro que se preze. E esse menino é lá de Mato Grosso DO SUL. Orgulho do estado, rapaz!]

Kilometro 11 - com Dino Rocha [um dos mitos da música sul-matogrossense] e Renato Borguetti [Chamamé dos bons que me faz lembrar quando eu era bem pequena e meu avo dançava comigo no colo. Além de me dar uma saudade danada de casa...]

Nona Sinfonia - Beethoven [Uma das mais bonitas e apaixonadas músicas do mundo feita por um dos artistas mais brilhantes de todos os tempos]

Tico-tico no fubá - com Hermeto Pascoal e Sivuca [Não há palavras pra descrever esses dois gigantes da música!]

Por una cabeza - Carlos Gardel [É ou nao é o tango mais bonito de todos?!]

Rapaz! Essa foi mais difícil do que eu pensava... Algumas das músicas citadas não são originalmente apenas instrumentais. Mas, como gosto mais delas na versão instrumental, foram pra lista. E é claro que faltou uma porrada de música. Mas, essa é a única desvantagem do Top5.

Por falar em música...

Nas andanças pelo Youtube, encontrei esse moleque, Nicolas Silva. Um alagoano de 9 anos que se tornou um prodígio tocando violão. A criaturinha começou a estudar teoria musical aos 2 anos e meio, e toca Villa-Lobos, Bach, entre outros grandes nomes da música clássica. Além de tocar Gardel e Pixinguinha.

Nessa entrevista AQUI, ele fala sobre a paixão pela música clássica, da paixão pelo futebol, e dá show não só com o violão, mas com a desenvoltura com que fala. Dá medo de pensar do que ele será capaz quando crescer. E ao mesmo tempo é bom demais ver que o mundo ainda tem salvação... Por menor que seja...


Política, pra que te quero?!

Podem acusá-lo do que quiserem, mas uma coisa é fato: o velho Fidel tinha carisma. Ainda mais se comparado a Raúl Castro, seu bonequinho de estimação. E além de fraco, Raul também é desinformado. Alguém viu ele, em visita a Bahia, dizendo que tinha as mesmas crenças dos bahianos e mostrando um terço jesuíta pra provar?! Elaiá...

Me digam uma coisa... Não chega a ser um paradoxo o Senado ter um Conselho de Ética?!

Ah! E alguém me explica pra que diabos o Senado precisa de SETECENTOS copeiros?! É isso mesmo! Setecentos copeiros! E cada um ganha, NO MÍNIMO, 1200 contos. Vou largar mão de estudar e virar copeira do Senado, mermão...

Ao comentar a notícia de que um professor negro de Harvard havia sido preso, Barack Obama disse em rede nacional que havia achado a atitude da polícia de Cambridge estúpida. Mas, será que se o professor fosse branco ele teria dito a mesma coisa? Além disso, será que o policial não tem direito de processar o presidente por discriminação? Afinal de contas, discriminação com base na cor da pele não é crime? Ou isso só acontece quando a cor da pele é a mesma do presidente?

Gente! Aprendi que o vocábulo “trabalho” adquiriu mais um significado. Tem que avisar pros editores de dicionário que eles têm alterações a fazer. Quer saber por quê? Essa semana o nosso excelentíssimo presidente declarou, em ocasião de mais um pedido de afastamento do chefe de família [ou seria de quadrilha?!] do Senado, o seguinte: “Enquanto a oposição grita, eu trabalho!”. Se ele não usou trabalho como metáfora, a definição de trabalho mudou. Afinal de contas, dá pra dizer que o que ele faz é trabalho?!

E a última, mas não menos importante. Ontem, o Governo anunciou a criação do Bolsa Cultura. Agora, além do Bolsa Família, do Bolsa Escola, do Bolsa Gás e do Bolsa putaqueopariu, os trabalhadores de baixa renda terão direito a 50 reais mensais para gastarem com cultura. Olha como nosso presidente é bonzinho. Enquanto a classe média se fode pagando impostos, ele quer posar de Papai Noel para os pobres. Oi? Eleição no próximo ano? ‘Magina, rapaz! Só coincidência...


Futebol [e política, por que não?].

E o pobre do Cuca não resistiu a pressão da torcida do “Framengo” e foi demitido. É o décimo técnico que cai em 13 rodadas do Brasileirão. Aparentemente, quando o time está perdendo, a culpa é do técnico, e não dos jogadores. Afinal de contas, é o técnico que coloca os jogadores em campo.

E sabe que não seria má idéia adotar essa “política” do futebol em nosso Governo?! Se o Senado anda mal das pernas, troca o técnico, uai! Se o Governo anda mal das pernas, troca o técnico! Se funciona pro futebol porque não pode funcionar na política?!


Tenho cá pra mim que o Ronaldo anda saindo pra balada com o Imperador. O bicho não consegue nem parar em pé no gramado! Não viu o tombo dele no jogo contra o Náutico ontem? Ah, menino! Olha AQUI ó. E pode rir, porque nessa ele pediu!

E o Sr. Ricardo Gomes insiste em manter o W9 no ataque. Eu não entendo. O cara fica a quase 10 jogos sem fazer gol. Anda mais devagar que uma tartaruga em campo. Leva mais cartão amarelo que zagueiro. E não vai pro banco! Será que o São Paulo anda imitando o Senado e colocando parentes pra jogar?


Vale a pena ler

Há pouco tempo descobri o blog da Silmara Franco, o Fio da Meada. Lembro de um post linkando pra ele no Hoje vou Assim [blog da Cristina Guerra, mesma autora do lindíssimo Para Francisco, do qual vou falar em outra oportunidade]. O primeiro post que li, sobre colocar cor na nossa vida, já me ganhou. E os seguintes só serviram pra aumentar minha admiração pela escrita da Silmara.
Ela escreve crônicas, cartas e contos. Daqueles que você fica pensando Será que ela viveu? Será que é invenção? Numa mistura entre ficção e realidade tão boa que não se sabe onde uma começa e a outra termina.
Vai lá ver, e depois me diga se não vale a pena ler. [Mas espera acabar meu post, uai!]


Palavras alheias pra terminar...

Esses dias citei o nome de Manoel de Barros. Esse poeta mato-grossense, que descobri aos 14 anos, é uma das expressões máximas da poesia do fim do século XX. Mas, infelizmente, Manoel é pouco conhecido. Talvez porque seja um caramujo que vive em sua concha, pois não dá entrevistas e não faz muita divulgação de seus livros, graças a um “pequeno desafeto” com a crítica brasileira.

O que importa é que Manoel de Barros é a personificação da desconstrução, da poesia que se quer apenas poesia. A maioria diz sempre a mesma coisa sobre ele “Ah! Isso é sem pé nem cabeça!”. Mas o sem pé nem cabeça de Manoel de Barros é genial! É claro que há gente que não goste, afinal de contas, nada nesse mundo é feito pra ser admirado por todos. Aquela velha questão de gosto, sabe...

Mas praqueles que gostam de sentir e ver as imagens da poesia. Praqueles que gostam de ouvir o barulho das palavras. De dançar com o ritmo dos versos. De brincar de ser criança com as palavras. Praqueles nascidos e orgulhosos do Pantanal. Pra esses, Manoel de Barros é indispensável, e tem os pés e cabeça no lugar certinho...

Abaixo um pequeno escrito do “poeta do Pantanal”. Quer saber mais sobre ele? Clica AQUI ó.

"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Foi o que escreveu Flaubert a uma sua amiga em 1852. Li nas Cartas exemplares organizadas por Duda Machado. Ali se vê que o nada de Flaubert não seria o nada existencial, o nada metafísico. Ele queria o livro que não tem quase tema e se sustente só pelo estilo. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora." [Manoel de Barros – Livro sobre o nada]

Companhia Musical:

Malandragem dá um tempo – Bezerra da Silva e Barão Vermelho.

Iracema/Um samba no Bexiga/Saudosa maloca – encontro de Adoniran Barbosa com Elis Regina [1978] [Lindo!]

Onde a dor não tem razão - Velha Guarda da Portela e Vanessa da Matta

Timoneiro - Paulinho da Viola

Rosa - de Pixinguinha com Marisa Monte


Companhia Literária:

"Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo." [Clarice Lispector in A paixão segundo G.H.]

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Samba do Crioulo Doido embalado pela chuva.

Uma das coisas mais bacanas de se ter um blog é poder experimentar. A gente pode experimentar o layout, as cores, e o jeito de escrever. Claro que tem aqueles blogueiros que “nascem feitos”, sabe? Que acertam tudo desde o começo, e o blog deles cria uma identidade, e acaba virando referência.

O que não é o meu caso. Eu vivo inventado moda, experimentando formatos, mudando as coisas de lugar. O que, aliás, é um hábito meu na “vida real”. Mas o fato é que o Ainda MininaMá não está pronto. Na verdade, me parece que ele vai ficar assim, “em obras”, pra sempre...

Eu bem queria ser disciplinada, postar todo dia, bonitinho. Fazer uma “grade de programação”. Ter um layout bacana. E até andei pensando em mudar o nome. Porque, no fim das contas, esse espaço que criei apenas pra “arquivar publicamente” meus textos, se tornou uma extensão da minha casa, praticamente uma sala de estar virtual, na qual eu sento na companhia dos amigos praquele bate papo de fim de tarde, com direito a musiquinha ambiente e uma cervejinha, porque o santo é de barro!

Uia! Acho que acabei de encontrar a identidade que me fazia falta! Descobri, enfim, o que quero pra esse espaço que me é tão querido. Ah, moleque! Queria mesmo que ele fosse assim, um lugar pra prosear, trocar informações, contar os "causos". Tudo de um jeito bem descontraído, com a gente deitada na rede da sala e falando sobre a vida.

Assim, o cafofo vai passar por algumas reformulações. Nada que atrapalhe a visita de vocês, é claro! Porque, de que diabos me adianta ter a sala decoradinha, a cerveja gelada, a música, se eu não tiver boas companhias?

Agora, ‘bora pro nosso sambo do crioulo doido?

E o Top5 veio pra ficar.

Já devo ter comentado que sou fã absoluta de Alta Fidelidade, livro de Nick Hornby que virou filme com o fofo do John Cuzac no papel principal. E é de lá que vem minha paixão por listinhas. E como me pareceu que vocês gostaram do último, o músicas pra chorar, isso vai se tornar um pedacinho fixo do Samba do Crioulo Doido. Em cada um, vou escolher um tema e listar meu Top5. E, se você quiser dar pitaco, e escolher o tema do próximo, fique a vontade. Senta aí na rede, porque minha sala ainda não tem sofá, e me conte tudo!

E o Top5 de hoje é: Músicas pra acordar

Não sei quanto a vocês, mas a primeira coisa que faço assim que levanto da cama é botar alguma música pra tocar. Necessito de música o dia inteiro, mas, de manhã ela é essencial. E fica o combinado. Eu conto as minhas e você me conta as suas.

Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor

Tema do Poderoso Chefão - solo de guitarra do Slash

War Pigs - Black Sabbath [Live in Paris 1970]

Rockn roll - Led Zeppelin

Jailhouse of Rock - Elvis Presley



Tetris como terapia

Sabe o Tetris, aquele joguinho que ficou popular nos anos 80/90, com os minigames? Não? Aquele, que você tem que encaixar as pecinhas. Não! Não é o Lego. Lembrou? Pois então. Esses dias li uma matéria que afirmava a eficácia do Tetris no tratamento de estresse pós-traumático. Acredita, rapaz?! AQUI tem a matéria publicada na Folha de São Paulo sobre isso.

Quem diria que esse jogo inventado pelos russos iria acabar se tornando aliado da medicina? Eu já passei a usar o Tetris como terapia. Na última vez que encontrei uma estrupícia de uma aranha aqui em casa, e surtei, fui correndo jogar Tetris pra me acalmar.

E sabe o que é mais legal? Se você estiver muito estressado no trabalho, pode se dar ao luxo de jogar Tetris e dizer ao patrão, com bases científicas, que está trabalhando na sua produtividade. Veja como a tecnologia é uma beleza, menino!


Eba! Presente!

Já disse o quanto fico faceira com presentes. Especialmente quando eles vem de pessoas por quem temos muito carinho. Hoje, vou divulgar aqui um selinho que ganhei da Cláudia, do Feito a mão. 'Brigada, viu Claudinha! Fiquei numa faceirice só com sua lembrança e suas palavras sobre mim.

Preciso falar um pouco sobre a Claudinha [porque já somos íntimas, bem!], e sobre o seu espaço.

Primeiro que a mulher é um poço sem fundo de criatividade. Segundo que é uma pessoa doce, e que fica mais doce ainda quando fala das filhotas, que são uma fofura! Então, se você ainda não conhece, faça-me o favor de ir lá, rapaz! Sua satisfação garantida ou seu dinheiro de volta!

E o blog da Claudinha me fez refletir a respeito de uma coisa... Eu freqüento muitos blogs, e a maioria deles é feita por moçoilas casadas e com filhotes, ou então de adolescentes/jovens que ainda moram com os pais. O que poderia, de alguma forma, fazer com que eu não me interessasse pelo blog delas ou vice-versa. Mas não! Parece que há algo que nos une, e, tenho a audácia de afirmar, que é o amor pela vida. Essa que muita gente acha que é ingrata, mas, como diria Gonzaguinha, “é bonita, é bonita, é bonita”.


Mas, agora dá licença pra eu mostrar meu presente?!

Esse aqui é o selinho que ganhei. A regra é que eu tenho que listar as coisas que mais gosto. Eita nóis! Como não tem um número específico, vou ficar no Top5. ‘Bora lá?

1. Ler, ler, ler ad infinitum! Porque quando leio, não só descubro novos mundos, mas também redescubro a mim mesma.

2. Escutar música. Música é vida, é sentimento.

3. Escrever. Já é conhecido meu amor pelas palavras, né não?

4. Prosear. Como toda “bicha fêmea” que se preze, eu falo horrores. E como é bom ter alguém pra conversar! Adoro sentar na varanda lá da casa da mãe, com um cafezinho, um cigarrinho, e ficar falando da vida com meu pai e minha mãe, que são meus maiores amores do mundo. Ah! E prosear com os amigos também é o que há, né minha gente!

5. Assistir futebol. Qualquer jogo. Claro que, em especial, os do meu Tricolor Paulista. Mas é futebol, eu já grudo na frente da TV, e lá fico. Ah! Quando meu pulmão ainda permitia, adorava jogar bola também [sabia que já fui atleta?!], mas agora, prefiro ficar no conforto da minha redinha, vendo os caras correrem.

É claro que eu poderia ficar o resto da vida falando de coisas que gosto de fazer, mas ainda tenho uma porrada de coisas pra falar. Então fiquemos por aqui. Mas, antes, tenho que presentear alguém.

E meu selinho vai pra uma pessoa muito querida, por quem, desde o início, senti um carinho muito grande. Falo da Isabela Kastrup, do Arrumadíssimo. Conheci a Isa na blogosfera há um tempo atrás. E foi amizade a primeira vista! E, não sei se ela sabe, mas foi a Isa uma das maiores responsáveis por eu ter comecado a levar o blog mais a sério. Depois de um post que ela fez sobre o cafofo [AQUI ó], ganhei mais leitoras e também mais folego pra fazer desse trem aqui um lugar melhor. Além do que, tambem ganhei a amizade dessa mulher tão sensível e tão querida. Se você não sabe, a Isa é arteira. Faz arte como poucas, e tem umas idéias geniais, daquelas que você pensa "Gente! Que coisa simples e útil! Eu quero! Eu quero!". E se você ainda não conhece o cantinho dela, 'tá esperando o que, uai?!


Política, pra quê te quero?!

Eu assumo que não sou a pessoa mais politizada do mundo. Na verdade, não sou é politiqueira, isso sim. Mas gosto muito de conversar sobre política, que, contrariando o que a lenda reza, se discute sim!

Então, outro item “fixo” do "Samba" será o Política, pra quê te quero?! Mas não se preocupe, nego. Não vou querer dar uma de comentarista de jornal, não. É só pra deixar uns comentariozinhos, bem pequenos, sobre o que anda rolando nesse mundo afora.

Ontem, li no jornal a respeito das vagas que o Governo está abrindo para formação de professores. Fui me inteirar, e descobri que muita, mas muita gente que está lá, no comando das salas de aula, não tem formação específica pra tal. Como pode?!

Quando comecei a dar aulas, há dez anos atrás, isso era bastante normal, pois a demanda de alunos era muito maior que a de professores formados. Mas, depois de um tempo, foi instituída uma lei que regulamentava isso. Além do quê, existem os concursos, nos quais só passam aqueles que têm formação, ainda que a formação de alguns seja aquele curso de férias, que me dá nos nervos!

Eu não entendo como diabos ainda tem gente a frente do nosso ensino público que não é formado. Depois, os caboclos saem da escola sabendo menos do que quando entraram, e o Governo tem a pachorra de dizer que a culpa é do professor. Claro que é do professor! A culpa é dele por se sujeitar a trabalhar pras instituições públicas que não prezam mais a educação, e só os números, especialmente os números de verbas que receberão.

Ah! E li uma matéria que mostra que a maioria dos professores sem formação não está nem aí pra paçoca, e nem de longe se interessaram pelo "curso maquiagem"...

Mas, o assunto educação dá muito pano pra manga. Por agora, só quero saber a opinião de vocês. O que acham dessa pataquada?


Futebol

Eu sei que a maioria dos meus leitores não dá a mínima pro assunto futebol. Mas, eu não consigo não falar disso, minha gente!!! Então, se você não gosta de futebol, pula essa parte, tá? Ou então, aproveita pra surpreender o namorado ou o maridão , assim, como quem não quer nada, com comentários sobre o esporte que eles mais gostam, que tal?

E eis que o Palmeiras conseguiu arrebanhar o Muricy pro Parque Antártica. É claro que não estou feliz de todo, porque queria mesmo que ele tivesse continuado no São Paulo. Maaaaas, como não adianta chorar pelo técnico demitido...

No fim das contas, fico feliz que ele tenha voltado à ativa, porque as entrevistas do Muricy são impagáveis! E que ele não seja tratado pelos róseos com a filhadaputagem com que os dirigentes do São Paulo o trataram...

“Aqui é trabalho, meu filho!!!” [Muricy Ramalho]

E por falar em trabalho, hoje tem um jogo duríssimo contra o Inter, lá no Beira Rio. Espero que os jogadores não apresentem o futebol pífio e sofrível que tem apresentado nos últimos jogos. E que o Sr. R. Gomes saia daquela máscara de técnico calmo e chame os jogadores na “chincha”. Porque, meu amigo, jogador não é feito pra conversar e passar a mãozinha na cabeça não, viu! Tem que gritar e botar os caboclos pra darem o sangue no gramado!
E vamos ver se o W9 tem a sorte de fazer gols de novo. Porque, sinto muito meu bem, mas aquilo não foi competência, foi oportunismo. Mas, antes gol de oportunismo do que gol nenhum!

Atualizando
Quem acompanha meu twitter já deve ter visto a quantidade de coisas com as quais eu me irritei durante o jogo. Mas, depois de passada a raiva, vou comentar aqui apenas sobre a ineficácia [ pra não dizer absoluta incompetência] da arbitragem. E não apenas da arbitragem de hoje. Porque, na minha opinião, time não pode ficar usando a falha da arbitragem como desculpa. Tem que jogar bola e ponto final. Coisa que o São Paulo fez muito pouco, aliás.

Mas sabe o que a arbitragem brasileira anda parecendo? O Senado. Onde errar é aceito como normal. Onde prejudicar as pessoas é lei. E onde as regras são apenas um livro chato guardado na estante. Guardadas as devidas proporções, é claro, já que o Senado atinge, e aflige, uma quantidade maior de pessoas.
Mas, tanto no Senado quanto na arbitragem “da história deste país”, tudo acaba em pizza...


Palavras alheias pra terminar...

Já há mais de 10 anos leio Dostoievski. Confesso que de início travei uma luta muito grande com a escrita desse russo. Mas, depois de um tempo, ele se tornou parte de mim. Sou apaixonada por Literatura Russa. Acho que eles, como ninguém, conseguiram retratar o subsolo da humanidade, as dores de ter a identidade perdida, a podridão da alma humana.

E me parece que quanto mais leio sobre as mazelas da vida, mais tenho amor pela minha, como se os personagens russos se transformassem em atores de tragédia grega, prontos para me expurgar da alma o que não deve ser feito ou sentido. E pra ilustrar bem essa catarse a que sou submetida, abaixo um trecho de “Noites Brancas”, novela escrita por Dostoievski na ocasião em que foi condenado ao fuzilamento, da qual já falei AQUI.

“[...] escrava das primeiras nuvenzinhas que de súbito cobrem o sol e nos oprimem com credor o coração, que tanto ama o sol. E já na dor, que fantasia! Sentimos que, afinal, se cansará e se esgotará essa sua eterna tensão, que parecia inesgotável, pois nos tornamos mais maduros e viris e superamos nossos ideais antigos, os quais se desvanecem e se reduzem a pó e cascalho. E se não houver depois outra vida, temos de unir os pedaços desse entulho, para com ele voltar a refazer a vida. E diante de tudo isso, nossa alma reclama e anela algo totalmente diferente. E em vão remove o sonhador como um brazido seus antigos sonhos e busca nas cinzas uma centelhazinha, uma só, por pequena que seja, para nela soprar, e com a nova luz assim criada, acalentar o inteiriçado coração e despertar de novo nele o que antes lhe era tão caro, o que comovia nossa alma e nos arrebata o sangue, aquilo que fazia afluir as lágrimas aos olhos e que era uma ilusão tão magnífica”. [Dostoievski in Noites Brancas]


Companhia Musical: Hoje todo feminino e forte como Pagu...

Desde que o samba é samba - cantada por Ivete Sangalo e Daniela Mercury [Esse vídeo é lindo! Enquanto toca a música, vão aparecendo fotos de artistas que marcaram a história do samba]
Fullgás - Marina Lima [Acústico MTV]
Pagu - com Rita Lee e Zélia Duncan [impagável!]
Desculpe o Auê - Rita Lee e Paula Toller [Acústico MTV]
Luz del Fuego - Rita Lee e Cássia Eller [Acústico MTV]


Companhia Literária: "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem" [Mário Quintana in Caderno H]


"Agora diga tchau, Lilica!
Tchau Lilica!"

terça-feira, 21 de julho de 2009

Samba do crioulo doido de uma terça qualquer...

Sabe que eu fiquei até saudosa depois dessa coisa toda de cópias e confusões com meus textos... Me lembrei de quando comecei a escrever. Tinha 12 anos. Já gostava muito de ler, e tinha uma professora de Português incrível! A professora Antonia. Lembro direitinho do rosto e do sorriso dela. E também do modo tão gostoso com que elas nos ensinava não apenas as regras como também a paixão pelas palavras.

Meus primeiros poemas foram fruto de um caderninho que ela propôs na sétima série. Nós tínhamos que criar os textos e ilustrá-los. [E claro que a Dona Mãe coruja guarda esse caderno até hoje]. Desde então passei a criar muito gosto pela escrita de poesia. Foram raras as prosas que escrevi até o fim da faculdade, apesar de ler muitas narrativas. No início fazia sonetos, influenciada por Álvares de Azevedo [quem nunca se emocionou com Álvares que atire o primeiro lenço encharcado de lágrimas!]. Quando conheci Drummond passei a fazer versos livres. E na faculdade, quando conheci Manoel de Barros, o Cadáver Delicado e demais técnicas do Surrealismo, os poemas era todos “sem pé nem cabeça”, como dizia minha mãe.

Mas, um dia, a prosa bateu a minha porta. Chegou tímida e depois de um tempo dominou tudo a minha volta. E hoje ela manda em mim. Manda mesmo, porque até quando eu quero dormir a estrupícia fica ali, me aporrinhando, querendo ir logo pro papel. Comentei esses dias que iria começar a andar com um gravador, pois quando estou caminhando é quando tenho mais idéias. Imagina, a desvairada falando com um gravador na rua? Seria manicômio na certa!

Mas sabeselá porque contei tudo isso... Talvez por me dar conta que minha vida são as palavras. Sempre foram. Ainda mais quando eu era uma adolescente loser, que só sabia se expressar através do que escrevia, e que tinha A Marca de uma Lágrima, do Pedro Bandeira, como livro de cabeceira... Mas deixemos de lembrança, porque há tanto ainda por falar... ‘Bora pra um samba do crioulo doido?


Música pra chorar?

Esses dias cheguei a conclusão de que certas músicas foram feitas especialmente pra me fazerem chorar. Sabe aquela música que você não consegue completar nem a primeira frase e a garganta já fica engasgada? Você não precisa nem estar triste, não! Pode estar tudo bem, mas é tocar a música e você desaba em lágrimas. Eu tenho algumas assim, e você? Eu conto quais são as minhas e você me conta quais são as suas, combinado? Mas não vai rir, hein! Já disse que são músicas pra chorar...

Pai – Fábio Júnior [Dá uma saudade do velho e da velha...]
Nossa Senhora – Roberto Carlos [Lá em casa todo mundo é muito devoto da santinha...]
Sangrando – de Gonzaguinha cantada pela Simone [É como se eles colocassem a mão no meu peito e me arrancassem a tristeza]
Valsinha - Chico Buarque [Ah... Chico é puro sentimento...]
Ursinho Pimpão - Balão Mágico [Ai como é gostoso se sentir criança de novo...]

Tai. Cinco, só pra ficar no Top5. E porque eu as escutei, e, como previsto, ja chorei o que devia... Agora é sua vez, hein.


Banhinho é bom, banhinho é muito bom.

Me diga uma coisa... Na hora do banho, você aproveita pra lavar a alma também? Pra entrar em sintonia com seu corpitcho cansado? Pra se sentir bem consigo mesmo?

Ou só cumpre a rotina ali do dia-a-dia? Lava braço direito, braço esquerdo e vai no automático até o fim? Depois se enxuga, sem passar nem um cremezinho, nem dar aquela olhadinha no espelho pra apreciar o quanto a vida tem lhe feito bem?

Pois olhe lá viu! Banho não é só pra tirar a sujeira material do corpo, rapaz! É também pra tirar o cansaço, a tristeza, o tédio, a preguiça. Ou vai me dizer que você não se sente novo depois de um banho bem tomado? Que aquela água morninha não tira o cansaço de um dia inteiro de labuta? Como dizem por aí, "lavou 'tá novo!".

O meu banho é sempre um ritual de entrega. Me desligo do mundo e converso comigo mesma. Porque, por mais que seja uma tarefa corriqueira, é um momento só nosso, em que não temos a obrigação de dar aquele sorriso amarelo e conviver com pessoas as quais gostaríamos que estivessem bem longe. Podemos, tal qual Narciso, nos namorar um pouquinho. Mas, veja se não se afoga viu!

E pra dar uma mãozinha pra você relaxar também, aqui tem um post e uma matéria sobre como aproveitar melhor o seu banho.
1. AQUI tem um post da Hazel, no Casa Claridade, sobre banhos com ervas pra diversos fins.

2. AQUI tem uma matéria na página Bem Estar, do Yahoo, com dicas e receitas pra deixar o banho mais gostoso.

E AQUI tem o vídeo com a delícia do Ratinho do Castelo RáTimBum cantando a musiquinha do banho. Lembram dele? Quem resiste a essa coisa fofa?! ‘Bora tomar banho?

Ps: Enquanto tomava banho, lembrei de outra coisa boa pra diabo de ser fazer sob o chuveiro: cantarolar! Reza a lenda que "quem canta seus males espanta", e ser cantor de chuveiro não tem preço, né não?! Faz até esquecer um pouco do frio, que pras bandas de cá anda faceiro...

De onde veio o tal “Samba do crioulo doido”?

Algumas expressões são consideradas “domínio público”, seja porque são muito antigas, ou porque foram criadas por e para o povo. Uma expressão dita “popular” que gosto por demais é a “samba do crioulo doido”. Gosto tanto, que por muitas vezes já a usei para definir a mim mesma. E acabei usando pra nomear uma seção daqui do cafofo. Mas... De onde veio essa expressão?

De acordo com a “Barsa Moderna”, a Wikipédia, "O Samba do Crioulo Doido é uma paródia composta pelo escritor e jornalista Sérgio Porto, sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, para o Teatro de Revista, em que procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A expressão do título é usado, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo."

Tai. A origem do nosso samba do crioulo doido, totalmente mirabolante...


Sugestões e críticas

Tem gente que não gosta que metam o bedelho no seu trabalho. Eu sou o contrário, gosto muito de opiniões e sugestões no que faço. Claro que se deve usar o bom senso, né minha gente. Mas, geralmente, as opiniões que recebo são sempre muito boas.

Recentemente, recebi uma sugestão da Hazel, do Casa Claridade, dizendo que seria bacana que existissem maiores parágrafos e espaços nos textos, pra tornar a leitura mais prática.

Outra dica foi a da Lidi, do Bicha Fêmea [Eita blog que não sai daqui do cafofo, de tão bom que é, rapaz!]. Na verdade, ela reparou numa mudança no blog e disse que tinha ficado bacana. Isso foi a respeito dos links de vídeos que passei a deixar na Companhia Musical.
Agradeço por demais a opinião de vocês meninas!

E quanto a você? Tem alguma sugestão, reclamação, dica pra melhoria do blog? Afinal de contas, vocês também fazem parte desse trem aqui, uai. E nada mais justo do que poder dar pitacos, né não?

E pra terminar...

Vou deixar aqui um excerto do Bruxo do Cosme Velho. Esse bruxo que, como diria Drummond, "resolve em mim tantos enigmas". Já li tudo o que Machado escreveu. E não contente, reli. E reli. E provavelmente continuarei relendo até o dia em que deixar este mundo e for fazer companhia pra Brá Cubas. Em Machado não importa o que é contado, importa como é contado. Como se ele escondesse alguns mistérios nas entrelinhas de suas histórias, pra que o leitor só pudesse compreender depois de passada certa fase. Esse homem que, com sua pena de galhofa, mostrou tão bem o subsolo do homem [assim como Dostoiévski] e as mazelas do mundo, e que consegue ser absurdamente atual, como na citação abaixo...

"Sejamos justos. A Câmara, não fazendo sessão aos sábados, obedece a um alto fim político: - imitar a Câmara dos Comuns ingleses, que nesse dia também repousa. Deste modo, aproxima-nos da Inglaterra, berço das liberdades parlamentares, como dizia um mestre que tive e que me ensinou as poucas idéias com que vou acudindo as misérias da vida. Dele é que herdei a espada rutilante da justiça, - o timeo Danaos, - o devolvo-lhe intacta a injúria, e outros vinténs mais ou menos magros". [Machado de Assis in Cronica de 19 de julho de 1888].


Companhia Musical:
Samba do grande amor – Chico Buarque e Gal Costa
Berimbau e Canto de Ossanha - Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Toquinho
Samba da Benção - Vinicius de Moraes e Toquinho
Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor

Companhia Literária:

"As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde." [Fiódor Dostoiévski in Crime e Castigo]

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Último capítulo da novela da cópia.

No último post recebi vários comentários concordando e se solidarizando comigo. Agradeço muito, pois pude contar com o apoio de vocês numa hora que me foi bastante ruim. Aliás, tenho que agradecer, porque sempre posso contar com o apoio de vocês. Mas voltemos ao assunto... Tenho conhecimento do quanto esse assunto já foi explorado por demais pela blogosfera afora, mas preciso colocar um ponto final nisso.
Depois de meu post, a mocinha que copiou os textos, fez um post em seu blog explicando que ela não vê nada de mal na cópia de textos alheios. Post esse que será parcialmente reproduzido abaixo:

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante,do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.Nossa,mentira.Eu gosto das minhas velhas opiniões,misturo com opiniões novas,mesclo com os sonhos,e acabo me assustando como EU deveria ser,porque sei que alguém além de mim,já sonhou em ser outra pessoa,fui acusada por algumas pessoas de copiar textos,caramba,fiquei pensando...Eu vejo frases e textos legais na net,e vejo merdas também,certas frases e ideias acabo colocando em meus textos e tudo mais,mas não dou refêrencia e nem fico lambendo a bunda das pessoas que escreveram como muita gente faz por ai,se a ideia é legal porque diabos não posso colocar em meu Blog,a galera coloca frases de autores europeus e livros sem noção e eu coloco em alguns textos frases de pessoas que escrevem nesse mundão de Blogs.Qual o problema?Eles se sentem roubados,mas caramba,isso não é roubo,isso é ploriferação informação[Ai mais você não me deu os créditos,e colocou como se fosse você que estava escrevendo].Sim eu fiz isso,porque muitas vezes me sinto assim com certas frases que coloco e que não foram pensamentos meus,mas eu penso assim,esse negócio de cópia é uma merda...se alguém me copiar...Não estou nem ai,píor e se ninguém gostasse dessa merdinha de blog,tem um monte de gente que pegou textos meus,tutoriais,frases,e nunca liguei,mas isso vai da personalidade de cada um,se isso é ser desonesta,sim,eu fui desonesta e coloquei frases,cortei textos e adequei palavras ao meu cotidiano em alguns textos.
Mamãe me ensinou a ser educada,e como a galera gosta de tipo ser colocado como o autor,de hoje em diante antes de postar no Subentendido ou em qualquer outro Blog,vou usar um verificador e dar os créditos para os autores e tudo mais...Já que eu não posso mais ploriferar ideias,vejo um monte de gente postando matérias iguais em diversos Blogs...E quando a Flor posta,ela é acusada de cópia,ok,ok...Minhas sinceras desculpas...Não farei mais isso,e nem vou excluir o blog e nem nada,porque tipo muitos e muitos textos daqui são meus,e são a minha realidade.Se postei ideias de outras pessoas,foi porque gostei literalmente ,como adoro os autores Modernos e tantos outros.Errei e foi muito mal[Mas não fiz com maldade].Espero que entendam e possam me desculpar...”
[Postado em 19/07/09 por Flor no blog Subentendido]


Há muita gente que pensa como a Flor. Pois já vi inúmeros posts e comentários nessa blogosfera denenhumdeus criticando as pessoas que exigem os direitos autorais de seus textos. A maioria alega que se as pessoas não querem ser copiadas, que não escrevam. Respeito a opinião de quem pensa assim, mas não concordo. E se por não concordar eu deva ser taxada de egoísta, tudo bem. Fico com o troféu de egoistinha da estrela.
Mas continuemos. Eu, além de blogueira, sou escritora. Vivo de minhas palavras, acadêmicas por enquanto, e sonho um dia viver da minha ficção também. Aprendi, no meio acadêmico, que, embora o conhecimento deva ser divulgado, suas fontes devem ser mantidas, questão de honestidade intelectual, sabe. Do contrário, não haveria motivos para citar Aristóteles e ainda lhe dar os créditos pela invenção. Afinal de contas, o homem ‘tá morto mesmo. Mas, de alguma forma, todos os grandes gênios mortos ainda vivem em suas palavras. E dar-lhes os créditos é demonstrar respeito.
Se existem pessoas que não se importam em copiar e ter seus textos copiados, que seja feita a vontade delas. Mas, em contrapartida, vemos cada dia mais os ícones de proteção como o Creative Commons e o MyCopyright espalhados pela blogosfera. Por quê? Porque eles são bonitinhos e decoram a página? Não, uai! Eles estão lá porque é um modo de o dono do blog dizer: Olha filho, eu não quero que você copie o que escrevo. É um direito de quem escreve, pois quando se cria uma página na internet, é o nome do criador que vai ali na assinatura. E não me venham com “Ah! Você acha que está no patamar dos grandes escritores pra querer que as pessoas te reconheçam?”. Não, não estou no patamar dos grandes escritores, mas, enquanto pessoa, tenho direito de exigir que as palavras as quais dei vida sejam minhas.
Muitas pessoas acreditam que a cópia de imagens também não é ilegal. O que reforça a idéia de que, quando se trata de criação intelectual, não existe dono. Bicho, até hoje dizem que deus criou o mundo, e olha que nem existem fatos concretos pra afirmar isso. Mas ele ainda assina ali, onde diz criador. Por que uma pessoa que dedicou seu tempo para criar uma imagem, um texto, uma obra de arte, não pode também exigir que lhe seja dado o direito de “assinar” a obra?
Essa coisa de “é de todo mundo” é muito comunista pro meu gosto. E vejam só onde o comunismo foi parar, nosquintosdosinfernos. Hoje, conseguimos ser mais individualistas do que no século XVIII, época da retomada do famoso Antropocentrismo. Se naquela época os caras inventaram o conceito de homem como o centro do mundo, hoje nós conseguimos colocá-la em prática e lhe dar sentido real.
É bacana que alguém goste tanto do que você escreveu que chegue ao ponto de lhe copiar? Acho que por isso gosto tanto do título da ferramenta de busca de cópias, a Quem me ama. É bacana ser reconhecida sim. Não adianta vir com essa historia de “Ai, eu escrevo pra humanidade, e não me importo com reconhecimento”. Duvideodó, mermão! Dá me um ser que não se importa com o reconhecimento e eu o enviarei de mala e cuia pra junto dos monges budistas!
A arte, seja ela a visual ou escrita, é pra ser apreciada por todos ,sim. Esse é o desejo de quem cria, que aquilo que ele criou seja bom o suficiente para, além de lhe exprimir a alma, chegar a outras almas e ser reconhecido. As histórias de hoje não são como os contos de fadas de antigamente, que eram inventados em noites de ebriedade para seguirem adiante por tantas bocas fossem possíveis, como uma representação coletiva da humanidade. As histórias de hoje tem donos, pois há muito a arte se tornou um bem material, tanto quanto uma casa, uma geladeira ou uma TV. Por isso existe a indústria da arte. E, embora a minha seja um pedaço bem pequeno dessa indústria, ela também é regida pelas leis, que, apesar de parecerem ineficazes no que diz respeito à política, existem e devem ser cumpridas. [Não vou aumentar demais o post falando sobre a pirataria da arte de um modo geral. Deixo isso pra outra hora...]
Lhe desculpo sim, Flor. Afinal de contas, um pedido de desculpas em praça pública, deve ser considerado. Mas continuo não concordando em ceder meus textos sem minha assinatura. Minhas palavras são minhas filhas, eu as gestei por muito tempo, e lhes dei a vida. Como me disse uma vez no Twitter, a Ângela Dutra de Menezes, “são meus filhotes-livros, sim. Com todos os direitos dos filhotes de carne e osso. Pari todos. [...] Livro lançado é igualzinho a filho q nasceu. Nossos filhos, nossos livros são feitos da mesma emoção.” E apesar de minhas palavras não terem sido publicadas em livro, elas foram publicadas aqui, nesse espaço que considero como meu livro virtual.
E pra colocar um ponto final nessa novela toda, deixo claro que não autorizo cópias que não estejam vinculadas ao meu nome. E apesar de concordar com Lavoisier, que disse que “nada se cria, tudo se transforma”, e com o saudoso Chacrinha, que disse que “nada se cria, tudo se copia”, acho que podemos encontrar um modo de sermos originais sem a necessidade de nos escondermos sob a sombra de fantasmas. Pois quando uma pessoa copia o texto de outra sem lhe dar os créditos, fica sob a sombra desse autor-fantasma, que irá lhe assombrar para todoosempreamém! Mas quando cita alguém de forma respeitosa, dando os devidos créditos, fica sob o guarda-chuva de um outro criador. E, nessa cidade onde só chove, eu prefiro ficar sob o guarda-chuva...

E vocês, já estão de saco cheio de ouvirem falar sobre plágio e cópias na internet? Não concordam comigo? Tem algo a acrescentar? Conta pra mim, vai!

Atualizando: Acabei de receber um e-mail da Flor, a dona do Subentendido. Fiquei bastante feliz com o que ela disse no e-mail. E digo mais uma vez que o pedido de desculpas foi aceito, Flor. Felizmente, você entendeu o porquê de minha “raiva”, e eu pude entender o porquê de sua atitude. Estamos em paz. Contanto que a senhorita não queira roubar mais nenhuma laranja de meu quintal, é claro! =)

Companhia Musical:
Fever – Elvis Presley
Superstition – Stevie Wonder
Something Stupid – Frank Sinatra e Nancy Sinatra
Somewhere over the rainbow – Eric Clapton

Companhia Literária:
“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.” [Clarice Lispector in A Paixão Segundo G.H.]

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Samba do crioulo doido com direito a presentinhos e ROUBO!

Hoje, depois de fazer um bolo, e ter chegado à receita quase-perfeita de bolos caseiros que ficam iguais aos bolos de caixinha, fui faceira com meu pedaço de bolo em mãos e boca xeretar na net. E num misto de alegria por ter recebido presentinhos e raiva por ter sido ROUBADA, tive que escrever esse post. Pois então ‘bora lá pra um samba do crioulo doido de última hora...

Do ROUBO!
Não faz muito tempo, escrevi um post a respeito do roubo de idéias. Hoje, xeretando pelo universo internético, li um post do Vende na Farmácia, que acho um blog ótimo, denunciando que seus posts haviam sido copiados sem autorização e sem os créditos. Lá também, encontrei esse link, do blog Blosque, com várias informações e leis a respeito de direitos autorais.
Um pouco depois, descobri o Quem me ama, um site que verifica por toda a rede blogger se existem cópias dos textos, e cujo ícone já foi morar ali no canto do blog. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que uma mocinha, integrante de um blog coletivo que parece sério e bacana, intitulado Dedo Duro, no qual ela possui uma tag chamada TPM, copiou textos meus, assinou em seu nome e nem de longe fez referência ao meu blog. Além disso, li comentários de outras pessoas que haviam tido seus posts afanados por ela também. Ai, minha gente! Na hora me subiu o sangue a cabeça! Mas não quis proferir impropérios contra a tal menina, tampouco contra o blog. Pensei em deixar apenas um recado pedindo para que ela retirasse o post, ou então desse o crédito. Mas não pude deixar de falar sobre isso aqui, pois hoje aconteceu comigo e diariamente acontece com outros blogs. Se abaixarmos a cabeça, e pensarmos que é algo normal, estaremos fazendo como a maioria dos brasileiros, que acha que o Brasil é assim mesmo, e não há nada que se possa fazer. Sempre há algo a ser feito sim, e devemos colocar a boca no trombone, porque, como disse no outro post, minhas palavras são minhas filhas, e não posso deixar elas irem morar em outra casa sem minha companhia...
A prova da cópia está aqui ó:
Post MEU sobre as cotas e as desigualdades raciais: AQUI
CÓPIA: AQUI
Post MEU sobre mudanças de planos: AQUI
CÓPIA: AQUI
Depois de me refazer do susto, fui dar uma olhada no blog da moçoila, Subentendido, e encontrei vários pedaços de textos meus no meio dos textos dela. Aparentemente, ela é fã do Jack Estripador, pois pega meus textos, recorta pedaços e vai colocando onde bem entender. E o pior é que ela escreve bem, o que me admira a necessidade de usar as minhas palavras, e não as dela mesma.
Eu compreendo que a moçoila possa gostar do que escrevo, e que, provavelmente, é visita constante aqui do cafofo, pois as postagens são recentes. Dessa forma, peço que, da próxima vez que gostar de algo que escrevi, peça minha autorização para publicar, e me dê os devidos créditos.
Porque se eu escrevi, os textos são MEUS. E que se foda se tem gente que acha que a internet é terra de ninguém. O meu blog é terra minha, e daqui nada sai sem que eu permita. E se pular o muro pra tentar roubar laranja, vai levar tiro de espingarda, mesmo se for o Chico Bento, porque THIS IS SPARTA, mermão!
Além disso, já deixo avisado de antemão que o blog está protegido pela Lei do Creative Commons, e tem Copyright fornecido pelo Myfreecopyright. Ou seja, essas porras desses ícones ali no canto não são decorativos, caralho!
Se você gosta do que escrevo, fico muito feliz. Quer colocar meus textos no seu espaço? Peça minha autorização, e então publique minhas palavras com a minha assinatura. Acha que eu não tenho o direito de reclamar, ou não gostou do que eu falei? Vá pra putaqueopariu!
Como diria Seu Lili, “eu fico puto, bicho!”

Descoberta de última hora: Procurando cópias de meu falecido blog, eis que encontro várias cópias de um poema meu, só que ao invés de as pessoas colocarem o meu nome como autora, colocaram o da Clarice Lispector!!! Gente, como assim alguém diz que um texto meu é da Clarice?! Não fosse um absurdo, seria uma honra! AQUI a página com as cópias do poema. E quanto a isso, não sei o que fazer. Alguém tem alguma idéia de como eu explico pras pessoas que o poema é meu e não da querida Lispector?!
AQUI é a página do meu antigo blog com o meu poema. E abaixo é o poema em si. Estou zonza com isso! Será que se eu mostrar o guardanapo em que escrevi esse poema há 3 anos atrás alguém acredita que o trem é meu?! Será que o arquivo em Word prova alguma coisa?! Só sendo "assinado" pela Clarice pra um poema meu fazer sucesso mesmo, viu...Elaiá!
Cada pedaço de mim
sabe o inferno que é
ser sol em noites de chuva
ser cor nos cinzas dos edifícios
ser luz na escuridão das manhãs
Cada todo de ti
sabe a delícia que é
ser flor nas asas do vento
ser cristal nos olhos das fadas
ser azul no fundo do mar
Cada suspiro de nós
sabe a angústia que é
ser só na multidão dos dias
ser muito na pobreza da esquina
ser ninguém na roda da vida
Enquanto isso
os relógios se vão e vêem
aqueles que sabem o que é
apenas ser na ausência do nada.
Patrícia Pirota nov./2006


Presentinhos
Agora vamos deixar de raiva, ou pelo menos tentar, porque raiva faz mal pro coração e eu sou fumante.
Essa semana, ganhei 3 selinhos da Taah Oliveira, do Energia Simpática. ‘Brigada pela lembrança e pelo carinho Taah!!!
Mas, antes de mostrá-los e cumprir todo o ritual, quero falar um pouco a respeito desse hábito.
Sempre que recebo um selinho, ou um meme, fico toda faceira. Primeiro porque fui lembrada e presenteada por alguém. Segundo, porque vou ter a oportunidade de presentear também. Tem muito blogueiro que não gosta de selos, uns porque acham que é “puxasaquismo”; outros por pensarem que é algo que irá desvirtuar sua página; outros porque não tem saco pra interação social. Enfim... Cada um tem sua opinião a respeito disso, e todas estão certas partindo do principio que cada um tem o direito de pensar do modo que lhe convier.
Eu gosto dos selos, e quando os repasso, o faço, pois acredito que se alguém teve o trabalho e o carinho de confeccioná-lo, não me custa aceitar de bom grado o presente e ofertá-lo a pessoas de quem gosto. Mas agora chega de conversa, e ‘bora pros presentinhos.
Cinco coisas
Regras: Postar 5 coisas que fiz e me arrependi e passar o selo para 5 blogs.

Dessa vida não tenho arrependimentos. Muitas vezes sinto de ter pego um ou outro caminho, mas aceito o que fiz com bons olhos, porque as escolhas que tomamos são sempre as certas...

Teu blog é tri legal
Regras: Postar 5 características minhas e 5 desejos meu. E indicar para 5 blogs

Desejos
Terminar o mestrado, fazer o doutorado e, pelo menos, um PhD.
Ter uma casa só minha, sem ter que pagar aluguel.
Assistir pelo menos um jogo de futebol em cada um dos grandes estádios do mundo [E não posso morrer sem pisar no Maracanã!].
Assistir um show na quadra da Velha Guarda da Portela, com direito a presença de Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola e Marisa Monte.
Publicar um livro.

Características
Fria e calculista como uma assassina de Tarantino.
Desalmada como uma vilã de Shakespeare.
Instrospectiva como uma mocinha de Clarice.
Cheia de graça como a garota de Vinícus.



Sonhei com esse blog
Regras: Postar 5 sonhos impossíveis e indicar para 5 blogs

Todos os meus sonhos são possíveis, pois mesmo que às vezes minha alma voe mais do que meus pés, eles sempre dão um jeito de alcançá-la...

Os 5 blogs queridos que ganharão, assim como eu, um triplo presente, são:
Isabela Kastrup e seu lindo Arrumadíssimo; Lidiane e o querido Bicha Femea; Dolly e o delícia do MaryaMariah; Debbys e a loucura do seu Cotidiano Insano; e Karol e a fofura d' A Dona do mundo.

Ufa... Tai, missão cumprida.

Perfume de Mulher e de Al Pacino.
Perfume de Mulher é um dos filmes que mais admiro. Figura facilmente em meu Top10. Além de ter um enredo genial, ter Por Una Cabeza, um dos tangos de Gardel que mais gosto, na trilha sonora, tem Al Pacino. E pra mim, qualquer filme com Mr. Pacino é merecedor de minha atenção. Já assisti Perfume de Mulher tantas vezes que parei de contar. E hoje encontrei esse vídeo [com a imagem perfeita!] no Youtube com a cena que sempre me emociona, em que Pacino dança com a moçoila, e na qual toca Por una cabeza. Pra quem já viu e quer rever, pra quem nunca viu, e não tem noção do que está perdendo, AQUI o vídeo.

Tchau Lilica!
A maioria ja deve ter percebido que em todos os "sambas do crioulo...", eu termino com um "Agora diga tchau, Lilica. Tchau Lilica". Pra quem não sabe, esse era um diálogo do desenho Tiny Toon, em que o Pernalonga, no final dos episódios, pedia pra Lilica dar tchau, e ela dizia tchau Lilica. Pra quem quiser matar a saudade do desenho, tem um episódio [em ingles e ótima qualidade] AQUI.

Pra terminar...
Um dos autores brasileiros que mais gosto é Caio Fernando Abreu. Já falei sobre um livro dele AQUI, e nunca me canso de ler as palavras desse cara que viveu na época da ditadura, e que conseguiu transformar o horror, a dor e a falta de liberdade em palavras de aço e fel presentes em textos cheios de cores, luzes e movimento. Pra quem quiser saber mais sobre esse mágico das palavras, AQUI é a página dedicada a ele no site Releituras. Abaixo, vou deixar um excerto de um dos contos de Caio que mais gosto, Lixo e Purpurina, do livro Ovelhas Negras.

"28 de janeiro
Hoje é dia de mudar de casa, de rua, de vida. As malas sufocam os corredores. Pelo chão restam plumas amassadas, restos de purpurina, frangalhos de echarpes indianas roubadas, pontas de cigarro (Players Number Six, o mais barato). Chico toca violão e canta London,London: no, nowhere to go. Poucos ainda sorriem e olham nos olhos.
Hoje é dia, mais uma vez, de mudar de casa e de vida. Os olhos buscam signos, avisos, o coração resiste (até quando?) e o rosto se banha de estrelas dormidas de ontem, estrelas vagabundas encontradas pelas latas de lixo abundantes de London, London, Babylon city. Alguém pergunta: "O que é que se diz quando se está precisando morrer?". Eu não digo nada. É a minha resposta.Sento no chão e contemplo os estragos de Sodoma e Gomorra.
Amanhã é dia de nascer de novo.Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias.Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro.Estamos encalhados sobre estas malas e tapetes com nossos vinte anos de amor desperdiçado, longe do país que não nos quis. Mas amanhã será quem sabe o acerto de contas e Jesuzinho nos pagará todas as dívidas?Só que já não sei mais se acredito nele.
(...)
Só espero, não penso nada. Tento me concentrar numa daquelas antigas sensações como alegria ou fé ou esperança.Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.
(...)
Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva.Vida?Bem, seja lá o que for isto que nós temos..."

Ps: Gente. Essas palavras "coloridinhas" são todas links, viu. É só clicar que automaticamente serão direcionados pras páginas da web.

Companhia Musical: Hoje toda dedicada a terrinha. Meu Mato Grosso DO SUL, do qual , de uma forma ou outra, sinto tanta saudade...
Palavras Erradas - O Bando do Velho Jack
Sangue Latino - O Bando do Velho Jack
A volta do Boemio - Bebados Habilidosos
Tocando em frente - Almir Sater
Chalana - Almir Sater
Mercedita
- com Gabriel Sater [Eita família bonita, viu!]

Companhia Literária: “Se a realidade nos alimenta com lixo, a alma pode nos alimentar com flores” [Caio Fernando Abreu em Lixo e Purpurina]

Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!

A magia da vida real...

Patrícia acordou com o toque do telefone ao longe. Pensou por um instante se levantaria para atender. Saiu correndo, e ao chegar perto do telefone, quedúvida!, o estrupício parou de tocar! De repente, sentiu um frio do diabo, e então se lembrou que no meio da noite se viu obrigada a tirar toda a roupa pois ardia em febre. Pensou em voltar pra cama, pois tivera uma noite horrível, sem conseguir dormir, com as narinas trancadas, a garganta doendo e o cérebro inquieto. Mas se lembrou que havia muito a ser feito, além do que, já era uma da tarde!
Fez café, botou um cd pra tocar, acendeu um cigarro e sentou-se em frente ao note. Leu seus e-mails, ficou feliz em saber que um artigo seu fora aceito para publicação e apresentação em um congresso. Começou a ler os jornais diários...
Ai meu São Jorge! Eu tenho que parar com essa coisa de ler jornal logo de manhã! Desse jeito, meu dia já começa com uma nuvem negra! É só morte, roubo, violência, sangue, corrupção... Opa! Péra lá! Uma boa notícia: Cruzeiro perde a final da Libertadores e Kleber chora feito uma criancinha! Vai, malacabado! Bem feito! Quem mandou tirar sarro da nossa cara?! Agora eu quero ver o caboclo oferecer o VICE pro Palmeiras... Lálálá.
Patrícia se levanta pra pegar mais café e cigarro, se espreguiça, troca o cd, e continua lendo os jornais.
Ah pronto! Não me diga que o Collor e o Lula viraram coleguinhas agora! Que diabo de abraço é esse, companheiro?! Eu vou te falar viu... Melhor mesmo é tomar um banho e, como diria a sábia senhora minha mãe, cuidar da vida.
Ao ir trocar de roupa, ela se dá conta de que não tem uma calça jeans que não esteja caindo. E é claro que também não tem nenhum cinto, já que todos mofaram no fatídico episódio das férias.
Que horror! Parece que eu peguei as roupas da irmã, de tanto pano que tem sobrando! Acho melhor parar de emagrecer, antes que eu suma. E é bom colocar duas blusas pra não passar frio, porque sol que é bom, niente!
Patrícia então rega as plantas, pede para que se comportem e cuidem da casa, e então parte pra odisséia de pegar ônibus.
Putaqueopariu, bicho! Três da tarde e esse povo já está fedendo! O governo podia fazer uma campanha em prol do banho, viu! E aproveitar, e criar uma lei que proíba as pessoas de passarem aqueles cremes fedidos do cão no cabelo e depois andar no mesmo ônibus que eu!
Chegando ao centro, ela desce e vai caminhando até a assistência técnica buscar o backup que pediu de uns arquivos, pois o pobre Don Corleone só voltara pra casa depois de 15 dias. Por ironia do destino, e filhadaputagem de Murphy, a assistência fica a 3 quadras do apartamento em que morava. Enquanto refazia o caminho que fez por quase um ano da faculdade até a antiga casa, foi se lembrando de seus primeiros passos por ali. Passa em frente do lugar em que foi assaltada pela primeira e única vez, assim que chegou em Curitiba. Lembra das lágrimas, da arma apontada na cabeça, da vontade de voltar correndo pro colo da mãe.
Ao caminhar mais um pouco, passa em frente ao terreno ao lado do prédio em que morava, e que pegou fogo. Patrícia se lembra da agonia ao ver as chamas devorando o lugar, e do medo de que elas se espalhassem para sua casa.
Então chega em frente ao portão de seu antigo lar. Se vê cheia de tristeza e saudade. Sente nunca ter voltado lá, e não ter mais falado com os amigos que ainda moravam ali. Sente vontade de vê-los, mas imagina que estejam todos trabalhando. E não sabe se eles gostariam de falar com ela...
Na volta da assistência, passa em frente a uma casa esotérica, na qual costumava comprar incenso e velas. Pede um pacote de velas verdes, e pergunta ao dono se ele não sabe onde ela poderia encontrar mudas de guiné pra comprar, pois tem procurado há muito tempo.
Eu tenho uma plantação de 13 metros de guiné vindo de Uganda aqui no meu quintal.
Mentira moço! E o senhor vende?
Não. Se você quiser, posso te dar umas 3 mudas, não me custa nada.
Ai moço! ‘Brigada! Era a única que estava me faltando pra fazer o vaso de sete ervas!
Patrícia sai lépida e faceira da loja. Vai caminhando até o shopping, pois decidiu por toda lei que iria ao cinema assistir Harry Potter, pois não voltaria mais ao centro até o próximo mês. Precisava relaxar um pouco a cachola, e esquecer um pouco a Dona Dissertação.
Mas, ao pisar na porta do dito cujo, dá de cara com um professor do mestrado. Ele pergunta se ela está produzindo bastante, como anda a dissertação. E ela, com um sorriso meio amarelo, e com vergonha de dizer que tem sido nocauteada pela bendita, diz que está tudo bem, quase terminado já. Deseja boas férias ao professor, e vai rindo de si mesma até o cinema.
E então, na companhia eterna de Murphy, dá de cara com uma fila quilométrica, infestada de crianças. Pensa em desistir, mas resolve ficar pra pagar um pouco de pecados...
Meia hora e uma quase alergia ao batalhão de crianças depois...
Boa tarde! Uma meia entrada pro próximo Harry Potter legendado, por favor.
O próximo é as 18:40.
Poutz! Agora são 16:40... Mas vá lá. Fazer o quê...
Com o ingresso suado na mão, resolve ir ao seu Café favorito matar o tempo. Mas é o tempo que a mata. Decide dar uma volta na livraria; ao passar em frente as lojas de roupa, sente saudades...
Bons tempos em que eu gastava meu dinheiro em sapatos e blusas, e não em Seguro Fiança e Fundo de Conservação de Imóvel... Mas tem uma coisa que não entendo, viu. ‘Tá todo mundo reclamando da crise, mas não tem uma criatura sem sacola aqui. Além de mim, é claro....
Patrícia sente suas mãos tremerem, mas não sente frio. Lembra-se então que a última vez que ingeriu algo que não fosse café, fora na noite anterior. Apesar de não gostar de junkiefood, vai comer na Subway. Ao pedir seu rosbifede30cm, instantaneamente se lembra de quando os amigos vieram visitá-la, para assistirem juntos ao show do Iron Maiden. Sente saudades daqueles dias de risadas, passeios e overdose de comida. Sente muita falta dos amigos. Queria que não estivessem separados por uma distância tão grande...
Depois de comer, se dirige até o cinema. No caminho, se lembra de quando comprou os DVDs de Harry Potter pra irmãzinha, que então tinha 6 anos, e foi iniciada na magia potteriana. Sente saudades das milhares de vezes em que assistiram HP juntas, e gostaria muito que ela estivesse ao seu lado naquele momento.
Fica triste por não poder acompanhar o crescimento de sua pequena princesa, que logo fará 12 anos. Se lembra das várias vezes em que foi confundida como mãe de Gigi, mesmo tendo 15 anos quando ela nasceu. No fundo, se sente um pouco mãe mesmo. Se lembra das tantas vezes em que deitava no colo da pequena, e recebia carinho na cabeça. E quando se dá conta, já está na portaria do cinema, prestes a enfrentar uma overdose de HP.
Patrícia sente falta das tantas madrugadas em que ela, T. e C. passaram jogando HP no Playstation, e discutindo os filmes e livros. Queria tê-los convidado para assistirem o filme juntos. Mas não sabe se deveria. Se poderia. E antes que a tristeza lhe fizesse companhia, a tela foi tomada pelo mundo mágico, e ela se desliga por 3 horas da realidade fria que congela o mundo fora da tela, como um dementador...
Passados 10 minutos do inicio do filme, um casal chega atrasado. Escolhem justamente os locais vagos ao lado de Patrícia, e começam a fazer barulho e conversar.
Ah se eu tivesse uma varinha agora! Era só um petrificus totalis e adeus encheção de saco!!!
Acabado o filme, ela vai absorta em direção a saída. Sonha com uma Firebolt que lhe possa levar pra casa sem a necessidade de ônibus. Até a habilidade de aparatar seria de grande utilidade. Mas se dá conta de que é uma mera mortal, cujo único poder mágico é sonhar. E depois de dois ônibus, chega a sua casa, que a ela parece mágica. Toma o que restou de café na garrafa, deitada na rede, e imagina o quanto uma Penseira seria útil para guardar todas as lembranças que teve durante o dia.
Tenta não se deixar ficar triste, pois sabe que o passado tem o poder de acinzentar o presente quando quer. Olha pro colorido de sua sala, espalhado nas velas, nas flores, nas borboletas penduradas em fitas de cetim, na toalha de chita, nos lápis de cor, na rede... Pensa que é sempre necessário que carreguemos conosco um caleidoscópio invisível, para dar cor ao mundo que se quer negro. Vai dormir pra sonhar com Hogwarts, ou qualquer mundo mágico que não tenha dor, solidão e tristeza. Mas no fundo ela sabe que pra que sua vida seja mágica, basta que ela a queira assim. E então se rende aos encantos do belo Morpheu, e não sonha, pois sabe que os sonhos que se sonha acordado, e que se pode tornar reais com as mãos, são mais valiosos do que aqueles que ficam perdidos no espaço-tempo de mundos inventados...

Companhia Musical: [lembrando que se clicar nos nomes da músicas, dá pra ver os vídeos no Youtube]
O mundo é um moinho – Cartola e seu pai
Chega de Saudade – Chico Buarque
Força Estranha – de Caetano com Ana Carolina
Wasted Years - Iron Maiden

Companhia Literária: “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.” [Fernando Pessoa]

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Samba do crioulo doido de uma quarta-feira gelada e cinza.

E cá estou eu, ainda sem o meu querido computador. O pobrezinho está lá, a essa hora, solitário, no meio de outros tantos computadores, esperando por uma peça que lhe devolva a vida por inteiro. Enquanto isso, fico aqui, travando guerra com o note, lutando desesperadamente com a minha dissertação, e tentando não entregar os pontos. Porque, na maioria das vezes, é mais fácil se acomodar, ficar com a cara escondida sob o cobertor, e esperar impacientemente que o mundo acabe. Ontem, quando me arrastei da cama até o banheiro, ao me olhar no espelho, levei um susto! O rosto parecendo um cemitério, de tanta células mortas que abrigava, o cabelo quase tão oleoso quanto o do Kurt Cobain, as unhas das mãos parecendo as do Zé do Caixão de tão grandes... Enfim, um desastre humano! Infelizmente, no meio do temporal de problemas, me esqueci que tenho um corpo.
Tenho vivido de café e cigarros, noites mal dormidas, dias corridos e cheios de stress e cansaço... Mas depois de uma boa olhada no espelho de dentro, aquele que mostra os cantos escondidos de nossa alma, resolvi botar a mão na massa. Tomei um daqueles banhos de meia hora, que fazem um mal danado pra natureza, mas um bem sem igual pra alma, passei creminhos, fiz as unhas, tirei o pijama, botei uma roupa com menos cara de passeiodiaassistindotvnacama, e fiz um jantar daqueles de dar água na boca.
É sempre bom poder olhar no espelho e gostar de nossa imagem. Mas muitas vezes a gente até evita olhar no espelho, porque sabe que se der aquela encarada na realidade, vai ficar triste, e vai ter preguiça de mudar. Mas mudanças são sempre boas e necessárias.
E por falar em mudanças boas, ‘bora lá pra um samba do crioulo doido cheio dicas pra mudar os ares.

Fofura publicitária.
Provavelmente você já deve ter visto, mas eu preciso falar da nova peça publicitária da Rexona, sobre o Rexona Naturals. Achei de uma delicadeza e de um bom gosto incríveis. Pra quem quiser conferir as árvores em roupas de gala, e uma música fofíssima, AQUI o vídeo no youtube. Enjoy.

Por uma vida melhor!
É de conhecimento público meu apreço pelo Bicha Fêmea, blog da Lidiane, porque ela consegue falar sobre tudo de um jeito bem simples e gostoso, e cheio de informações úteis. Como num bate papo entre amigas, recheado de risadas e opiniões. Mas, essa menção ao Bicha não é só pra rasgar seda, não. No dia 7, ela publicou um POST sobre atitudes simples que podem nos proporcionar uma qualidade de vida maior. É bem bacana ver que, com mudanças simples, somos capazes de diminuir o cansaço, o stress e a tristeza. No post, também tem o link pra matéria da revista Cláudia, com as 53 dicas nas quais a Lidi se inspirou pra fazer o post. Se eu fosse você ia dar uma conferida. Afinal de contas, quem não quer ter uma vida melhor, né não?!

Como ser um blogueiro de verdade!
Outro blog pelo qual eu tenho uma admiração muito grande é o Luz de Luma, Yes party!, da Luma. Os posts dela são sempre recheados de informações, e super bem pesquisados. Além do que, a Luma sabe escrever de uma forma que nos faz ter vontade de continuar lendo, mesmo depois que acaba o texto, indo atrás das referências que ela citou ou vendo os vídeos relacionados. O que me fez falar sobre o blog dela hoje, são dois posts dos quais gostei muito. Um deles dá dicas de como melhorar nosso papel de blogueiras, porque, convenhamos, é sempre bom melhorar aquilo que a gente faz, e quando se tem uma mãozinha, melhor ainda. [AQUI o post com as dicas]. O outro, postado recentemente, entre outros assuntos, fala sobre os comentários feitos nos blogs alheios. Achei de uma pontualidade incrível o modo como a Luma falou sobre isso. [AQUI o post sobre os comentários]. Eu a considero referência quando o assunto é blog, porque além de ela estar sempre antenada com os recursos disponíveis, consegue fazer parte de vários movimentos, e mostrar que o blog não é apenas um "diariozinho virtual", como muita gente ainda o rotula, mas que sim, nós podemos criar um espaço virtual com tanta qualidade quanto outros veículos literários e de comunicação"

Por quê?
Esta semana fiquei me perguntando porque diabos o Senado precisa de férias se eles não trabalham nunca... Vai ver roubar cansa, né não?!

O mistério do samba
No ano passado, foi lançado o filme “O Mistério do Samba”, documentário produzido pela Marisa Monte sobre a Velha Guarda da Portela. Quem freqüenta aqui o cafofo, já deve ter notado a presença constante da Velha Guarda da Portela no meu playlist, e isso se dá pela minha enorme paixão por esse conjunto não só de música, mas de emoções. Assisti ao filme no cinema umas 3 vezes, e chorei horrores em todas, porque, como diria Noel “o samba vem do coração”. Pra quem gosta de samba de raiz, o filme é imprescindível. AQUI o site do filme, com vídeos, trilha sonora e informações. Além da Marisa, tem as participações especialíssimas de Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, e, claro, todas as figuras mitológicas da Velha Guarda. O preço do DVD está meio salgado, pelo menos pra mim, que não disponho de 50 contos assim, à toa. Mas me recuso a comprar pirateado, porque o projeto, além de ser brasileiro, promove a nossa cultura. Assim, vou juntar minhas moedinhas, e, quem sabe, me dar de presente de aniversário em outubro...

Em tempo
Passeando pelo Youtube, encontrei esse vídeo do Especial 50 anos de carreira do Roberto Carlos. Eu assisti ao show [Sim! Eu adoro o Tremendão! E gosto de RC, rapaz! Ele fez parte de minha história, já que mamãe é super fã dele... Mas um dia conto isso direito.], e achei lindo o encontro de Roberto e Erasmo. Acabei de achar esse vídeo AQUI com a música Amigo, cantada por eles. Pra quem não viu, ou pra quem quer rever... Taí...

Pra terminar...
Vou deixar aqui uma citação da querida Clarice Lispector, retirada do livro Correio Feminino, compilação de crônicas escritas por Clarice para, entre outros, o Correio da Manhã. Esse livro é lindo, cheio de dicas femininas dadas pelas mãos tão especiais de Clarice [e um de meus sonhos de consumo literário]. Pra quem quiser saber mais sobre o livro, AQUI tem uma nota, no site dedicado a Clarice, que além de informações sobre a escritora, tem cartas escritas por ela e para ela, que vale a pena serem lidas.

"As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas.”

Espero que fiquemos todos com nossa alma em estado de felicidade...

Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!

Companhia musical:
Que Pena - Jorge Ben Jor
Ensaboa/Quantas Lágrimas – Marisa Monte e Velha Guarda da Portela
Carinhoso – Marisa Monte e Paulinho da Viola [cena do filme O Mistério do Samba] [Clicando nos nomes, você pode ver os vídeos das músicas no Youtube].


Companhia Literária: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento” [Clarice Lispector]

Ps: Peço, por favor, para aqueles que não tem blog, mas comentam aqui, que deixem seus endereços de e-mail para que eu possa responder. Thanx.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

E a nuvem cinza ataca novamente!

Patrícia terminou seu jantar, feito com os dois últimos ovos sobreviventes da crise de fim de mês. Ao ir tomar água, e reparar em o quanto a geladeira estava praticamente uma irmã gêmea do Pólo Norte, deu um tabefe em si mesma, e esbravejou pras paredes.
Vai, estrupícia! Quem mandou fumar todo o seu dinheiro, hein?! Agora, se a Capes não for bondosa, e depositar o dinheiro amanhã, você vai viver de vento, pra ver o que que é bom pra tosse! E nem adianta querer viver de luz do sol, porque não faz sol em Curitiba!
Ela resolve então fazer um café e ligar o computador, seu querido companheiro de todas as horas. Depois de um gole de café de macho Café fraco é coisa de mulherzinha!, e um trago de seu cigarro, É Marlboro Vermelho Maço! Eu disse maço!, aperta o botão de seu aparelho milagroso.
Uai! Porque será que não quer ligar?
Aperta então o resete. E nada. Novamente. E nada. Resete. Resete. Resete. Se fosse o BeatleJuice já teria aparecido a essa hora...
Putaqueopariu! Será que o Don Corleone morreu?! Já não bastava ter morrido 2 vezes no filme, porra?!
Quase em estado de desespero, vai pegar café e acende mais um cigarro. Na volta, tropeça e, ao olhar pra baixo, vê que sua Havaianas roxa de estimação arrebentou!
Ah não! Justo você, bonita! Isso é hora de arrebentar estrupícia?!
Tenta respirar fundo e vai, com calma e fé, apertar o botão novamente. E então um barulhinho e nada!
Ai meu São Jorge! Agora danou-se!
Resolve que está nervosa o suficiente pra ligar pra Net, reclamar da fatura. Depois de apertar infinitas teclas [“Bicho! Prefiro ter um filho viado do que um filho teclinha!”], e escutar aquela máquina maldita que parece drogada de Valium, porque está sempre com uma voz serelepe, consegue fazer contato com algo que parece humano.
Boa noite, eu gostaria de reclamar de minha fatura, pois ela veio com o valor errado.
Pois não. Só um instante enquanto localizo o cadastro.
Sim.
Só mais um instante.
Uhum.
Só mais um instante.
...
Vinte “só mais um instante” e dois cigarros depois...
Senhora, a sua fatura é composta de blábláblá e uma visita técnica.
Como assim visita técnica?!
Consta que o técnico foi a sua casa, pois a senhora havia reclamado de falha no aparelho, e ele constatou que o problema era no sistema de seu computador. Por isso foi cobrado o adicional de 35 reais.
Mas moça, ele veio aqui e trocou um cabo, e nem passou perto do meu computador.
Senhora, segundo o relatório do técnico, havia falha no seu sistema e não em nosso produto.
Moça! Ele só trocou um cabo!!!
Infelizmente, não há nada que eu possa fazer senhora.
Putaqueopariu! Agora, além de não ter um real no bolso, da minha Havaianas de estimação ter morrido, do meu computador ter ido pro saco, de eu não poder entrar na internet, ainda vou ter que pagar 35 pilas por uma coisa que eu não devia! Ai meu deus! Como é que vou fazer a dissertação agora?! Tenho que entregar no dia 27, e se eu contar pra orientadora que o computador deu pau ela vai rir da minha cara! E agora, José?!
Patrícia pega mais uma xícara de café, acende um cigarro, e vai se deitar na rede. E então começa a chorar. Não sabe se chora por raiva, por tristeza, por ter perdido o companheiro Core2Duo de 250G, por não saber se vai ter o que comer no outro dia, ou se chora apenas para não pensar. Porque, as vezes, pensar machuca, pensar dói.
Lembra então que quando o amigo foi viajar, deixou com ela o notebook, pra caso ela precisasse. Olha pro note como quem vê o pote de ouro no fim do arco-íris. E, assim como um perdido sedento no deserto, vai até o seu poço de água. Lembra também que o seu computador ainda não tem um ano, logo, ainda está na garantia. E ao tentar ligá-lo novamente, tem quase certeza que o que estragou foi a fonte, o que lhe deixa aliviada por não correr o risco de perder os seus 250G de dados.
Ah, moleque! Nem tudo esta perdido!
Corre ligar o notebook. Leva um baile do teclado e do pseudo mouse, com os quais não se dá bem. Descobre que o diabo do teclado não tem til, acento agudo ou cedilha, porque é made in London. E, pra coroar, ela se lembra que esqueceu de fazer backup das últimas páginas que escreveu da dissertação. A essa altura, já se sente tão cansada e sem forças, que vai se arrastando pra cama, como os soldados que perdem uma batalha. Mas resolve que não será qualquer soldado. Afinal de contas, THIS IS SPARTA, budy!!! Mas, vai deixar pra dar uma de espartana depois do sono merecido...
Ao acordar, com o corpo tão dolorido como se tivesse levado uma surra, vai correndo ao telefone ligar pro banco. Na hora em que a maquininha disse que a conta não estava mais negativa, se pudesse, Patrícia lhe teria dado um beijo. Não fosse também sua aversão a máquinas que moram no telefone. Faz café e acende um cigarro. Liga então pro fabricante do computador. Se alegra por ver que tudo se resolveu rápido, sem a necessidade de “Só mais um instante, senhora”. Liga pra autorizada, e então começa a sentir a nuvenzinha cinza se aproximando.
Moça, não tem como um funcionário daí vir buscar meu desktop? Eu não tenho carro, e é impossível carregar o pobrezinho do computador no ônibus.
Infelizmente, como será um serviço de garantia de balcão, a senhora tem que trazer o equipamento até o balcão.
Esse povo leva essa coisa muito ao pé da letra, viu. Custava virem buscar o pobrezinho do Don Corleone aqui? Agora lá vou eu gastar 20 contos de táxi pra levar o bichinho lá. Vou aproveitar e ir logo antes que mais alguma coisa me aconteça...
Ao entrar em seu banheiro, e se aproximar da pia, sente uma coisa estranha no chão. Ao olhar atentamente, descobre que o rejunte que havia sido passado pelo pseudo encanador já não estava mais segurando o fluxo de água do vaso. Resultado: banheiro quase inundado.
Ah! Mas aí já é palhaçada, né mano! Orra, bicho! Qual é a de vocês aí de cima, hein?! Tão querendo curtir com a minha cara?! Vão tudo prosquintosdosinfernos!!!
Se olha no espelho, e começa a rir de si mesma. Pensa que talvez estivesse certo quem disse que rir é o melhor remédio. Afinal de contas, o que diabos ela poderia fazer?! Mas, ao olhar pela janela, Patrícia não vê apenas uma nuvem cinza, mas milhares de nuvens pretas, carregadas de chuva. Dá uma olhada pro seu pé de arruda, e balança a cabeça...
Alguma coisa está errada hein Dona Cerridwen! Você está aí, crescendo toda bonitona e verdinha, e nada de pegar o mau olhado da minha vida pra você, né sem vergonha! Deve é estar rindo dessa sua dona louca, que fala com as paredes...
Depois de um passeio de táxi que lhe custou 20 dinheiros, Patrícia chega a assistência técnica. Conversa com a atendente, que lhe parece muito bacana, até a hora que diz que vai demorar em média 15 dias para chegar a peça do fabricante. Com sua melhor cara de Gato de Botas, Patrícia explica a situação calamitosa para a moça, e então recebe a resposta.
Já que você tem tanta urgência, o que a gente pode fazer é colocar uma fonte nossa, e quando chegar a fonte da empresa, você fica com uma fonte reserva. Daí fica pronto até segunda.
E qual será a bagatela dessa fonte nova?
Setenta reais.
Mas você jura que me entrega na segunda?
Pode deixar. Vou explicar sua situação pro técnico, e pedir urgência.
Obrigada moça.
Patrícia dá um beijo de despedida em Don Corleone, e sai cabisbaixa. Fica feliz por ter cessado a chuva, e vai caminhando até o Largo da Ordem, onde prometeu encontrar uma amiga. Ao chegar ao local combinado, senta em um banquinho e começa a observar ao redor. Então percebe a quantidade enorme de pessoas se drogando, moradores de rua, sujeira e miséria. Ao ver um dos seres do esgoto se aproximando, corre ao orelhão pra ligar pra amiga.
Magali! Onde você ‘tá?!
Tita, eu disse que ia me atrasar meia hora.
Não disse não! E eu não vou ficar mais um minuto nesse lugar.
Tá. Então me encontra em frente ao cinema.
Patrícia sai esbaforida em direção ao cinema. No meio do caminho, além das pedras, a chuva resolve voltar faceira. Ao tentar não tomar tanta chuva, anda sob as marquises dos prédios, e quase é cegada pela ponta de um guarda-chuva.
Bicho! “Prefiro ter um filho viado do que um filho” que anda com guarda-chuva embaixo das marquises. Porra! Se tem guarda-chuva é pra andar na chuva, cacete! E não no lugar onde os coitados do MSGC [Movimento dos sem guarda-chuva] tentam se esconder.
E então Patrícia encontra a amiga que não via há muito tempo. Lhe dá um daqueles abraços que tentam personificar a saudade, e sorri. Pede, desesperadamente, para irem a um café onde ela possa fumar. Descobre uma xícara de café gigante, que, segundo o garçom, precisa de uma escadinha pra ser tomada. Toma o café, fuma, ri, conta da tragicomédia do congresso de Londrina. E as duas, mais um outro amigo vão ao cinema.
Ao ver o Clive Owen, daquele seu jeitão macho com m maiúsculo de sempre, até se esquece um tanto dos últimos acontecimentos. Decreta que Trama Internacional é um filme incrível, que merece ser visto mais de uma vez. E pára pra mais um café e mais um pouco de conversa com a amiga Magali, que, por ironia do destino, na verdade se chama Ana Paula, mas foi oficialmente declarada Magali no instante em que Patrícia a conheceu.
Ali, ao lado da amiga, tenta entender porque diabos gosta de viver numa bolha e se afastar das pessoas que lhe fazem tanto bem. Pede desculpas pelo tempo de sumiço, deseja boa sorte no estágio que a amiga vai fazer na terra da corrupção, e volta pra casa.
A entrar em casa, e ver o lugar que sempre fora ocupado pelo desktop vazio, Patrícia sente-se vazia também. Fica pensando em o quanto um retângulo tão pequeno, Mas não tão pequeno que de pra carregar na porra do ônibus, pode conter tanto de sua vida. Ali, naquele pedacinho de metal, estão suas músicas favoritas, seus filmes, seus seriados, seus escritos, todas as anotações do mestrado, suas fotos, o livro que um dia sonha em publicar.
É engraçado como as pessoas passaram a criar suas próprias horcruxes [menos do mal, é claro] sem nem se darem conta. Como se a vida não fosse o suficiente, e fosse preciso espalhar pedaços nossos por ai, seja em aparelhos eletrônicos, papéis, objetos ou pessoas. É como se a alma não estivesse contente apenas com um corpo, mas necessitasse sempre de mais... Mais espaço, mais tempo, mais vida...
Patrícia não sabe se um dia vai deixar de espalhar suas horcruxes por aí. Mas sabe que a nuvem cinza nunca a irá abandonar, porque lhe parece que a maldita é mais fiel que torcedor do Curíntia... Mas ela não se importa. Se lembra do amigo falando, Patty! Isso só acontece pra você ter o que escrever no blog! E então vai correndo contar tudo pras suas horcruxes virtuais. Que podem não lhe conhecer o rosto, mas são amigas de suas palavras, e a ela, isso basta.


Companhia Musical: O Bando do Velho Jack [A melhor banda do Universo!] – Como ser feliz ganhando pouco

Companhia Literária: “Vida é luta! Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal” [Machado de Assis in Memórias Póstumas de Brás Cubas]

Ps: Minha gente! Esse é o motivo por trás de eu não ter comentado nos blogs de vocês nesses últimos dias.
Quero aproveitar e agradecer a minha bicha fêmea mais querida, a Lidiane, do Bicha Fêmea, e a fofura da Karol, do A Dona do Mundo, pelas palavras tao queridas que escreveram sobre mim e sobre o meu cafofo lá no espaço delas!
Meninas! Eu fiquei faceira que só de ver pessoas talentosas e queridas como vocês escreverem assim, tão bem, dos meus rabiscos. Muito obrigada viu, bonitas!
E sim! Isso é rasgação de seda, porque eu ADORO a Lidi e o Bicha Fêmea, e a Karol e o A dona do mundo. E se você, PSIU, você mesmo, nunca foi lá, corre e aproveita!

Ps2: Acho que nunca fiz um post tão grande nessa vida! Mas decidi não cortá-lo ao meio só pra sacanear e fazer vocês ficarem curiosos. Se você leu tudo até aqui, merece um abraço daqueles bem dados. Mas, eu aconselho a ficarem longe da minha pessoa física. Vai que essa coisa de nuvem cinza pega, rapá! =)
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