terça-feira, 21 de julho de 2009

Samba do crioulo doido de uma terça qualquer...

Sabe que eu fiquei até saudosa depois dessa coisa toda de cópias e confusões com meus textos... Me lembrei de quando comecei a escrever. Tinha 12 anos. Já gostava muito de ler, e tinha uma professora de Português incrível! A professora Antonia. Lembro direitinho do rosto e do sorriso dela. E também do modo tão gostoso com que elas nos ensinava não apenas as regras como também a paixão pelas palavras.

Meus primeiros poemas foram fruto de um caderninho que ela propôs na sétima série. Nós tínhamos que criar os textos e ilustrá-los. [E claro que a Dona Mãe coruja guarda esse caderno até hoje]. Desde então passei a criar muito gosto pela escrita de poesia. Foram raras as prosas que escrevi até o fim da faculdade, apesar de ler muitas narrativas. No início fazia sonetos, influenciada por Álvares de Azevedo [quem nunca se emocionou com Álvares que atire o primeiro lenço encharcado de lágrimas!]. Quando conheci Drummond passei a fazer versos livres. E na faculdade, quando conheci Manoel de Barros, o Cadáver Delicado e demais técnicas do Surrealismo, os poemas era todos “sem pé nem cabeça”, como dizia minha mãe.

Mas, um dia, a prosa bateu a minha porta. Chegou tímida e depois de um tempo dominou tudo a minha volta. E hoje ela manda em mim. Manda mesmo, porque até quando eu quero dormir a estrupícia fica ali, me aporrinhando, querendo ir logo pro papel. Comentei esses dias que iria começar a andar com um gravador, pois quando estou caminhando é quando tenho mais idéias. Imagina, a desvairada falando com um gravador na rua? Seria manicômio na certa!

Mas sabeselá porque contei tudo isso... Talvez por me dar conta que minha vida são as palavras. Sempre foram. Ainda mais quando eu era uma adolescente loser, que só sabia se expressar através do que escrevia, e que tinha A Marca de uma Lágrima, do Pedro Bandeira, como livro de cabeceira... Mas deixemos de lembrança, porque há tanto ainda por falar... ‘Bora pra um samba do crioulo doido?


Música pra chorar?

Esses dias cheguei a conclusão de que certas músicas foram feitas especialmente pra me fazerem chorar. Sabe aquela música que você não consegue completar nem a primeira frase e a garganta já fica engasgada? Você não precisa nem estar triste, não! Pode estar tudo bem, mas é tocar a música e você desaba em lágrimas. Eu tenho algumas assim, e você? Eu conto quais são as minhas e você me conta quais são as suas, combinado? Mas não vai rir, hein! Já disse que são músicas pra chorar...

Pai – Fábio Júnior [Dá uma saudade do velho e da velha...]
Nossa Senhora – Roberto Carlos [Lá em casa todo mundo é muito devoto da santinha...]
Sangrando – de Gonzaguinha cantada pela Simone [É como se eles colocassem a mão no meu peito e me arrancassem a tristeza]
Valsinha - Chico Buarque [Ah... Chico é puro sentimento...]
Ursinho Pimpão - Balão Mágico [Ai como é gostoso se sentir criança de novo...]

Tai. Cinco, só pra ficar no Top5. E porque eu as escutei, e, como previsto, ja chorei o que devia... Agora é sua vez, hein.


Banhinho é bom, banhinho é muito bom.

Me diga uma coisa... Na hora do banho, você aproveita pra lavar a alma também? Pra entrar em sintonia com seu corpitcho cansado? Pra se sentir bem consigo mesmo?

Ou só cumpre a rotina ali do dia-a-dia? Lava braço direito, braço esquerdo e vai no automático até o fim? Depois se enxuga, sem passar nem um cremezinho, nem dar aquela olhadinha no espelho pra apreciar o quanto a vida tem lhe feito bem?

Pois olhe lá viu! Banho não é só pra tirar a sujeira material do corpo, rapaz! É também pra tirar o cansaço, a tristeza, o tédio, a preguiça. Ou vai me dizer que você não se sente novo depois de um banho bem tomado? Que aquela água morninha não tira o cansaço de um dia inteiro de labuta? Como dizem por aí, "lavou 'tá novo!".

O meu banho é sempre um ritual de entrega. Me desligo do mundo e converso comigo mesma. Porque, por mais que seja uma tarefa corriqueira, é um momento só nosso, em que não temos a obrigação de dar aquele sorriso amarelo e conviver com pessoas as quais gostaríamos que estivessem bem longe. Podemos, tal qual Narciso, nos namorar um pouquinho. Mas, veja se não se afoga viu!

E pra dar uma mãozinha pra você relaxar também, aqui tem um post e uma matéria sobre como aproveitar melhor o seu banho.
1. AQUI tem um post da Hazel, no Casa Claridade, sobre banhos com ervas pra diversos fins.

2. AQUI tem uma matéria na página Bem Estar, do Yahoo, com dicas e receitas pra deixar o banho mais gostoso.

E AQUI tem o vídeo com a delícia do Ratinho do Castelo RáTimBum cantando a musiquinha do banho. Lembram dele? Quem resiste a essa coisa fofa?! ‘Bora tomar banho?

Ps: Enquanto tomava banho, lembrei de outra coisa boa pra diabo de ser fazer sob o chuveiro: cantarolar! Reza a lenda que "quem canta seus males espanta", e ser cantor de chuveiro não tem preço, né não?! Faz até esquecer um pouco do frio, que pras bandas de cá anda faceiro...

De onde veio o tal “Samba do crioulo doido”?

Algumas expressões são consideradas “domínio público”, seja porque são muito antigas, ou porque foram criadas por e para o povo. Uma expressão dita “popular” que gosto por demais é a “samba do crioulo doido”. Gosto tanto, que por muitas vezes já a usei para definir a mim mesma. E acabei usando pra nomear uma seção daqui do cafofo. Mas... De onde veio essa expressão?

De acordo com a “Barsa Moderna”, a Wikipédia, "O Samba do Crioulo Doido é uma paródia composta pelo escritor e jornalista Sérgio Porto, sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, para o Teatro de Revista, em que procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A expressão do título é usado, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo."

Tai. A origem do nosso samba do crioulo doido, totalmente mirabolante...


Sugestões e críticas

Tem gente que não gosta que metam o bedelho no seu trabalho. Eu sou o contrário, gosto muito de opiniões e sugestões no que faço. Claro que se deve usar o bom senso, né minha gente. Mas, geralmente, as opiniões que recebo são sempre muito boas.

Recentemente, recebi uma sugestão da Hazel, do Casa Claridade, dizendo que seria bacana que existissem maiores parágrafos e espaços nos textos, pra tornar a leitura mais prática.

Outra dica foi a da Lidi, do Bicha Fêmea [Eita blog que não sai daqui do cafofo, de tão bom que é, rapaz!]. Na verdade, ela reparou numa mudança no blog e disse que tinha ficado bacana. Isso foi a respeito dos links de vídeos que passei a deixar na Companhia Musical.
Agradeço por demais a opinião de vocês meninas!

E quanto a você? Tem alguma sugestão, reclamação, dica pra melhoria do blog? Afinal de contas, vocês também fazem parte desse trem aqui, uai. E nada mais justo do que poder dar pitacos, né não?

E pra terminar...

Vou deixar aqui um excerto do Bruxo do Cosme Velho. Esse bruxo que, como diria Drummond, "resolve em mim tantos enigmas". Já li tudo o que Machado escreveu. E não contente, reli. E reli. E provavelmente continuarei relendo até o dia em que deixar este mundo e for fazer companhia pra Brá Cubas. Em Machado não importa o que é contado, importa como é contado. Como se ele escondesse alguns mistérios nas entrelinhas de suas histórias, pra que o leitor só pudesse compreender depois de passada certa fase. Esse homem que, com sua pena de galhofa, mostrou tão bem o subsolo do homem [assim como Dostoiévski] e as mazelas do mundo, e que consegue ser absurdamente atual, como na citação abaixo...

"Sejamos justos. A Câmara, não fazendo sessão aos sábados, obedece a um alto fim político: - imitar a Câmara dos Comuns ingleses, que nesse dia também repousa. Deste modo, aproxima-nos da Inglaterra, berço das liberdades parlamentares, como dizia um mestre que tive e que me ensinou as poucas idéias com que vou acudindo as misérias da vida. Dele é que herdei a espada rutilante da justiça, - o timeo Danaos, - o devolvo-lhe intacta a injúria, e outros vinténs mais ou menos magros". [Machado de Assis in Cronica de 19 de julho de 1888].


Companhia Musical:
Samba do grande amor – Chico Buarque e Gal Costa
Berimbau e Canto de Ossanha - Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Toquinho
Samba da Benção - Vinicius de Moraes e Toquinho
Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Ben Jor

Companhia Literária:

"As coisas mais insignificantes têm, às vezes, maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde." [Fiódor Dostoiévski in Crime e Castigo]

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

10 comentários:

  1. Eita, Dona Paty, esse seu texto foi muito bom de ler.

    Não tive uma D. Antonia na minha vida, quisera ter tido.

    Mas ela deve estar orgulhosa da discípula. Assim como sua mãe. Se ela for metade da coruja que eu sou, esse caderno já tá até encadernado com capa dura. rsrs.

    O final do seu texto me lembrou Clarice quando disse: "O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo..."

    Bjks.

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  2. Mas minina, eu sou avexada por demais, comentei antes de terminar de ler o post completo.

    Isso não é um blog, é uma enciclopédia. Muito instrutivo seu post de hoje, tava inspirada hein?

    Ah, Paty, há mp4 bem pequenininho... dá pra gravar sem que o povo perceba, e se notassem, ia parecer que vc tava falando ao celular.

    O que não pode é nos privar de suas inspirações, né?

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  3. Essa das ideias surgirem "do nada" acontecem com muitos e faço parte desse grupo.
    Quando tenho ideias, às vezes, confesso que gravo no celular algumas palavras para lembrar da ideia depois. Esses dias comecei a andar com um caderninho dentro da bolsa para parar de perder meus textos por ai. :)
    Nossa, fazia tempo que eu não lembrava nem ouvia desse livro. Realmente, muito bom!
    Bjitos!

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  4. Oi, Patrícia!
    Acho que você falou do seu apreço inicial por poesia, e depois a mudança para o apego a prosa para instigar minha curiosidade, é que prefiro prosa a poesia, e não poderia deixar de te perguntar: teu livro vai ser como? Prosa, é????? :D

    Ai meu Pai! Deixa ver se eu me lembro de cinco músicas que me façam chorar, tá?

    Aquarela – Toquinho (Lembro da minha sobrinha que Deus já levou. Eu cantava para ela.)

    Leão do Norte – Lenine (Lembro da minha terra, Pernambuco.)

    Voltei, Recife – Alceu Valença (Lembro das minhas idas a Recife ver a família buscapé e amigos.)

    Faltando um Pedaço – Djavan (Lembro do meu amor pelo marido e acho que Djavan chega quase perto da definição do que vem a ser o amor.)

    Ai, só lembrei de quatro. Vale??? Mas, oh! Arrepio tá valendo? Lá fui eu escutar e ver sangrando e me arrepiei do começo ao fim... a interpretação de Simone está linda, né?

    Eita que o trololó hoje tá é bom para se falar de música...kkkk... no meu banho, bonita, eu relaxo mesmo e ponto. Tem horas que eu ponho uma boa música, tem horas que quem se “esguela” cantando sou eu. E hoje eu me “esguelei”. Na minha trilha musical de hoje, cantada por mim, saiu: Como nossos pais (Elis Regina), O mestre-sala dos mares (Elis Regina) e Cordilheira (Djavan). :D

    ...
    Pois é, menina. Esse povo de telemarketing é sem noção mesmo. Dia desses aconteceu coisa semelhante com o marido, a louca que ligou para ele ficou “arretada” porque ele não queria o serviço de jeito nenhum...kkkkk... :D

    Oh, está anotada a dica do copyscape. Até já tentei, mas o site está muito lento por aqui. Vou tentar outra hora...
    Veleu mesmo!
    Beijos

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  5. Vixe! Patrícia! Este post quase virou análise p/mim!:) Sei lá por que, vou logo dizendo, adorava escrever quando pequena e parei, no meio do caminho. Cheguei a ganhar um prêmio de literatura de uma editora na escola, mas com o tempo, fui me afastando das letras e me apaixonando pelas imagens. Estava sempre procurava um porque no que via. Achava interessante interpretar imagens. O engraçado é que sempre tive um pezinho nas artes. Meu irmão, músico por hobby e autodidata, adorava minha voz, e me colocava p/cantar com a bandinha dele. Me empolguei tanto que fiz um rápido curso de canto, mas comecei a achar que o papaguaio do professor estava ficando enciumado, ele cantava junto comigo, mas sempre num tom mais alto, tentando abafar minha voz, e abandonei as aulas. Ou será que ele me achava desafinada por demais? :) Depois resolvi botar, literalmente, a mão na massa. Fazia bijuteiras p/as amigas, me meti a fazer pátina nos móveis da família, e a texturizar a parede lá de casa. Com o avanço da tecnologia, me apaixonei pelos computadores e mais ainda pelos editores de imagem. Amo, de deixar meu marido até meio bravo, o Photoshop. A escrita comecei a retomar agora, com o blog, e a música, sempre me acompanhou. Cantar no banheiro é rotina na minha vida. Acho q minha filha começou a cantarolar antes de soltar as primeiras palavras, de tanto que me ouvir. Tem tantas músicas que me emocionam, me levam às lágrimas! Sou bem emotiva, sabe? A maioria das pessoas me acha séria, mas aqui dentro bate um coraçãozão, mole como manteiga derretida! :) Hum, quanto ao Machado, vou ter que assumir que não gosto dele não. Promete que não fica brava comigo? :) Acho a escrita dele rebuscada demais p/ meu gosto. O texto me cansa um pouco. Será que é trauma de vestibular? :) Mas do Drummond eu gosto. Ficou melhor? :)
    Bem, veja pelo lado bom, você está me fazendo ler o Machado, mesmo sendo uma pequena parte, e rever meus conceitos. Bom, né?
    Então é isso. Parabéns pelo ótimo texto, e fique à vontade p/ aparecer lá pelo meu cantinho,ok?
    Beijão, Fabi.

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  6. Olá Patríca! Já faz um tempo que venho acompanhando seu blog e queria parabenizá-la. É muito bom!
    Hoje me vi obrigada a responder ao tópico "música pra chorar?".
    Duas coincidiram com as suas: Pai e Ursinho Pimpão. Nossa Senhora acho triste mas não me faz chorar.
    O que será (a flor da pele), do Chico;
    Se puder sem medo e Metade, ambas do Oswaldo Montenegro.
    Bjs e até mais.

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  7. QUE BOM QUE TUDO SE RESOLVEU, PLÁGIO É SINNIMO DE INCOMPETENCIA, MAS QUE BOM QUE TODOS ENTENDERAM NO FINAL

    FIQUEI PENSANDO QUE GOSTO MAIS DA PROSA, MAS ESCREVO POESIA, TANTO QUE AS PRIMEIRAS POSTAGENS DO BLOG ERAM POESIAS, ALÍAS ERA PRA TER SÓ POESIA POR AQUI, MAS COMO PROSA E PROSEAR SÃO PARECIDOS?!?!

    MEU BANHO, É TOTALMENTE ANTI ECOLÓGICO, DEMORADO, COM DITEITO O OLEOS E CREMINHOS, A NATUREZA SOFRE, MAS O MARIDÃO AGRADECE

    E MUSICA, GOSTO MUITO DE PIANO, CLÁSSICAS, MAS TENHO UMA QUEDINHA POR VIOLAS, MUSICA DE RAÍZ SABE,
    MAS LET IT BE, ME EMOCIONA E A NONA DE BEETHOVEN É MEIO QUE A HISTÓRIA DA MINHA VIDA

    BEIJO MEU ANJO, PASSA LÁ NO BICHA AMANHÃ QUE EU SOU CONVIDADA, E TÔ MORRENDO DE VERGONHA!!!
    TÉ MAIS

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  8. Paty, passa no meu cantinho que tem um selinho pra vc. Espero que goste. Acho que este vc ainda não tem.
    Bjks.

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  9. Putz, estou atrasado com a leitura aqui.
    O seu saudosismo me deixou nostalgico. Na época em que eu inha um blog eu pensava em andar com um gravador no caminho da faculdade pra casa e vice-versa. Comecei com um caderno. Inúmeras foram as vezes em que eu paraca no meio da calçada para escrever. Depois me sofistiquei e consegui um gravador... eu apoio a sua idéia, facilita bastante o trabalho!

    Quanto ao post anterior... imagina isso... se no meio acadêmico as pessoas se acusam e Prof. Doutores processam uns aos outros por causa de plágio imagina o que "na terra de ninguém" que é a internet as pessoas fazem!!
    Eu apoio totalmenge vc Patrícia quanto à questão da honestidade intelectual.

    Quanto às sugestões, bem, no momento continue apenas escrevendo da forma como vc faz...

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  10. Esqueci de colocar o meu Top 5 (listas rules!!!!!!) de músicas pra chorar

    1-Neither heaven nor space (Nada Surf)

    2-A question of heaven (Iced Earth)

    3-La villa strangiato (Rush)

    4-Twenty Points (Buffalo Tom)

    5-In my life (Versão da Judy Collins)

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Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

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