quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dos pequenos sorrisos da vida...

Companhia Musical
Sobre o tempo - Pato Fu
Sometimes - Rivets
Diz que fui por aí - Fernanda Takai
Mais uma canção - Los Hermanos
To grow old - The Cleaners
Companhia Literária
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada." [Clarice Lispector in A paixão segundo G.H.]

Era um dia atípico em Curitiba. O Sol desde muito cedo se mostrou radiante, e não quis brincar de esconde-esconde com as nuvens como de costume. Patrícia abriu os olhos e sentiu cada músculo adormecido de seu corpo reclamar ao tentar se espreguiçar. Por um instante, pensou que tivesse levado uma surra. Mas diante da caoticidade da idéia, recobrou a consciência e lembrou que havia decidido retomar os exercícios de yoga na noite anterior.

Ai meu pai... Eu só lembro de porquê paro de fazer exercícios no dia posterior a ter voltado a fazê-los... Por quê?! Por que dói tanto? Oi corpo? Ah, sim... Você está me castigando. Mas era só o que me faltava, estrupício! Sabia que eu já sou maior de idade? E que não posso mais ser colocada de castigo? Aiaiai... 'Tá bom, já entendi o recado, seu malacabado! Não é só meu coração que é um músculo involuntário. E ao invés de pulsar por mim, meu corpo bate em mim...

Patrícia se levantou, V-A-G-A-R-O-S-A-M-E-N-T-E, pois é assim que mandam os manuais de yoga, e antes de ir ao banheiro, colocou a água no fogo, para fazer o café. Sorriu ao olhar para seu novo coador, que lhe lembra um tiquinho do coador e do café da mãe.

Acho que uma das minhas melhores compras foi esse coador de pano. Além de não gastar mais energia elétrica com a cafeteira, tenho a impressão de que o café é mais gostoso. Não tão gostoso quanto o da mãe, mas imagino que elas devam ganhar essa característica de brinde do mestre, quando iniciam uma nova campanha, no papel de mães...

Depois de lavar o rosto com uma água tão fria quanto a da geladeira, Patrícia mostra a língua pro espelho.

Rá, seu traquininhas! Mostrei a língua pra você primeiro! Agora não tem mais graça se você mostrar a língua pra mim, bobão.

Faz o café, liga o rádio, senta-se em seu sofá, e acende o primeiro cigarro do dia. Dá bom dia pra Mia e pra sua nova planta ainda sem nome.

Será que é loucura demais dar bom dia pra um quadro? Acho que não. Afinal de contas, tem gente que dá todo o dinheiro que tem pra uma igreja, achando que está comprando a benção de deus, e acham tudo isso normal. Perto disso, dar bom dia pro meu quadro é a mais pura manifestação da sanidade. Dona Planta, qual nome eu vou dar a você, hein? Manifeste-se, filha! Ou vai ter que aceitar o nome que eu escolher...

Depois de tomar seu café da manhã, arrumar a cama, lavar a louça,  e regar cada uma de suas 15 plantas, dando bom dia a cada uma em especial, Patrícia senta-se em frente ao computador.

Será que alguém nesse mundo consegue se manter sentado certinho o dia todo? Eu juro que tento, mas minhas costas dóem! Isso é que dá não prestar atenção na postura! Daqui uns dias eu vou estar parecendo o Quasímodo. É capaz de sair de casa e encontrar a Esmeralda dançando na varanda. Ops! 'Tá na hora do jornal.



Hein? Mas ainda estão falando do tal cartão vermelho do Suplicy? O mais triste de assistir 3 jornais por dia, é que a gente acaba vendo toda essa pataquada do governo 3 vezes. Ao menos eles têm a vergonha de apresentar uma edição diferente em cada jornal. 

Quem dera se fosse fácil assim tirar um árvore velha do jardim do Senado... Os troncos do Sarney já se tornaram fortes demais. E se tentarem arrancá-lo, todo o cimento que está em volta irá ruir e ser destruído... Mas que barulho é esse? Ai senhor, o arroz!

Ao escrever um artigo que tem que enviar pra um congresso, Patrícia dá risada de si mesma.

Mas só comigo acontecem essas coisas. Se qualquer outra pessoa enviasse três resumos para serem avaliados em um congresso, teria tido apenas um escolhido. Mas eu não, eu tenho que ter os três! E agora tenho que me virar em três para escrever os artigos... Mas isso é bom, né estrupícia! Não posso reclamar de barriga cheia, ou melhor, de Currículo Lates cheio...

Patrícia pára por um instante, e olha seu esmalte vermelho descascado. Olha pela janela, e vê o sol brilhando, o céu azul liberto de nuvens, e tem vontade de também se sentir liberta. Desliga o computador, coloca o tênis que mora ao lado da porta, põe os fones no ouvido, e resolve sair.

Decide ir até o Bosque de Portugal, sentir um pouco do ar fresco, o cheiro das flores, o morno do sol de inverno...

E a dor nas pernas também, né meu filho?! Esse narrador só vê o lado bom da vida, viu! Vou te contar... Além de todas essas coisas bonitas, eu também vejo as clássicas calçadas de Curitiba, que no fim das contas, não calçam é nada. Servem só pra gente tropeçar, e pra fazer os outros rirem. Ops! Maldito paralelepípedo! Ou então, fazer com que a gente ria de nós mesmos... Pode continuar, seu narrador. Eu cansei de falar e andar ao mesmo tempo...

Patrícia observa o Bosque enquanto caminha ao redor dele. Se lamenta de ter um lugar tão bonito tão perto de casa, e raramente visitá-lo. Passa por velhinhos em seus conjuntos de jogging, que correm tentando recuperar o tempo perdido. Passa por um moço que corre pra não perder tempo. Passa por um grupo de idosos, que caminham contra o tempo. Enquanto isso, sente a presença da natureza, que é imune ao tempo.

Enquanto ouve seu playlist, e tenta cantar sem ocasionar vibrações vocais que possam originar som, pois do contrário as pessoas iriam a olhar com cara de "Coitadinha... Tão moça e já enlouqueceu"... Patrícia sorri, e a cada passo o sorriso se torna maior. Oi? Por que ela sorri? Bom, melhor perguntar pra ela. Vai que eu conto o que não posso e ela me demite! Está difícil encontrar emprego de narrador onipresente, viu. Os escritores e os cineastas não nos valorizam mais, como antigamente. E o cara do Mais estranho que a ficção não vai se aposentar tão cedo... Então, melhor eu garantir o emprego na vida dessa...

Dessa o quê, mané?! Está reclamando, é? Olha que eu demito você, hein! Eu estou sorrindo porque não tenho motivos pra chorar, oras. Na verdade, essa semana ganhei muito mais motivos pra sorrir... E é bom sorrir pro Sol, antes que ele resolva sumir de novo. Além do mais, eu tenho sorte de poder, às 4 da tarde de uma quarta-feira, resolver sair pra bater perna...

E o que mais, criatura? Ah, sim... Ficou quietinha porque o mocinho passou olhando pra você, não é? Ah, sapequinha! Vai lá correr com ele, vai!

Ô seu narrador! Você está muito intrometido hoje, hein mano! Sossega seu facho aí! Ó, se os juízes podem ressucitar a lei da censura com um jornal tão importante, e sem razão plausível, eu posso muito bem aplicar a lei da censura em você também! Não se aquieta não, pra ver o que é bom pra tosse!

'Tá bom! 'Tá bom! Já entendi. Patrícia havia parado de falar não por causa do moço que corria, o qual, aliás, ela não havia notado, a não ser quando ele quase tropeçou nela. Patrícia havia suspirado com a lembrança de outro... Bom, deixa isso pra lá. Você ja viu que ela me ameaçou, né? Pois então. Depois de uma volta no Bosque, Patrícia voltou para casa. No caminho, percebeu algumas flores na calçada, e, depois de pedir licença, retirou uma. Foi, no resto do caminho, cheirando a flor e sorrindo.

Ao passar por uma senhora e um senhor que limpavam uma calçada, Patrícia percebeu que eles a olharam com cara de "Que menina esquisita!", mas não se importou. Queria dizer pra eles que não devia ser esquisito encontrar as pessoas sorrindo na rua. Que cheirar uma flor não devia ser considerado loucura. E que a tristeza podia transformá-los em pedra. Com mais poder do que a Medusa.

Ao chegar em casa, colocou a flor em um vaso com água, pegou o resto de café da garrafa, acendeu um cigarro. Aliás, porque será que ela não fumou no caminho?

Mas, rapaz! Como você está curioso hoje, mermão! Não fumei no caminho, UM: porque é feio fumar onde as pessoas vão pra se sentirem mais saudáveis, né filho! DOIS: porque decidi não fumar mais na rua. Afinal de contas, ao fumar na rua, eu acabo tendo que jogar a bituca do cigarro no chão, e isso é lixo. E seria muito contraditório da minha parte fazer campanha contra as pessoas que jogam lixo na rua, e fazer o mesmo que elas, não é? 'Tá satisfeito? Agora termina logo esse trem, senão não pago seu salário!

Deitou em sua rede, e sorriu. Pensou que a vida podia ser assim, com mais sorrisos, mais vezes. Pensou que seria muito melhor que seu coração não se enchesse de raiva, revolta,  e tristeza com tanta frequência. Queria poder fazer uma faxina no cérebro. Praticamente um C: FORMAT. Sabe que não pode. Mas acredita que a cada sorriso, apaga uma memória ruim. E isso já é um grande começo...


Patrícia fala sozinha, e tem medo que as pessoas a comparem com o menino da novela. O narrador não foi despedido, mas teve que assinar uma advertência, e já foi avisado que se continuar a ser tão intrometido, será enviado pra trabalhar junto com os narradores da Família Sarney. Com medo de morar no inferno, prometeu que vai se comportar direitinho.

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A namorada do meu amigo...me odeia!

Companhia Musical
Jorge da Capadócia - Jorge Ben Jor
Maria do Socorro - Maria Rita
Canto de Ossanha - Casuarina
Quase sem querer - Zélia Duncan
Por onde andei - Nando Reis e Os Infernais

Companhia Literária
"A amizade é uma espécie de amor que nunca morre..." [Mário Quintana in Porta Giratória]


Na verdade, o título deveria estar no plural, porque praticamente todas as namoradas dos meus amigos me odeiam. Salvo uma ou outra raridade, que geralmente era conhecida minha antes de se tornar patroa, todas elas me olham com aquela cara de nojo, e rezam para que, de uma hora pra outra, eu desapareça da face da Terra sem deixar vestígios.

É provável que o meu jeito pouco mocinha de ser atraia mais amigos homens que amigas mulheres. Afinal de contas, eu gosto de jogar bola, sou apaixonada por futebol, bebo tanto quanto um bardo e sou desprovida de frescuras femininas [Rá! E tenho o super poder de me arrumar pra sair em míseros 15 minutos!]. Assim, o único adicional de fábrica que me faz ser diferente dos meninos é minha heterossexualidade [e a genitália, of course...]. No resto, somos  tal e qual.

Sempre valorizei minhas amizades masculinas. Não tanto por aquela velha história de que mulheres não são amigas de verdade, porque tenho poucas e ótimas amigas mulheres. [E, for the record, os namorados/maridos delas também não vão muito com a minha cara...]. Como nos suportamos é outra história. Mas nosso amor ultrapassa o fato de que enquanto a maioria delas está casada e com filhos, eu continuo minha vidinha de assistir futebol aos domingos, beber cerveja e xingar o juiz.

Desde que entrei pra faculdade, meu círculo de amizades masculinas só aumentou. Logo me tornei parte do grupo de Computação, que era recheado de nerds e zerado de mulheres. Passávamos o tempo todo jogando vídeo-game no CA, e falando nerdices. Mas uma hora os nerds se rebelaram, e começaram a namorar. E nossas festinhas, que antes eram frequentadas apenas por meninos e amigas assexuadas, passou a ter a presença de fêmeas. E um pouco depois de fêmeas namoradas.

Na frente dos namorados elas sempre fingiam que iam com minha cara. Me tratavam educadamente. Mas, quando juntava um grupinho delas, eu já sabia que minha orelha iria começar a queimar. Era um tal de ficarem me olhando de soslaio. Umas mãozinhas na boca pra “esconder” o que falavam. E tantas outras atitudes abomináveis das fofoletes.

Confesso que nunca tentei ser amiga das estrupícias. Aí já era pedir demais, né?! Queriam que eu ficasse lá com elas conversando sobre chapinhas e esmaltes, ou então o clássico “Ai, eu ‘to gorda” e a outra “Nossa, não está não! Eu que ‘tô”, e blábláblá; enquanto meus amigos estavam conversando sobre futebol e nerdices? É claro que ficava no meio dos meninos, uai. E elas juravam que eu fazia isso porque queria roubar o namorado delas. TscTsc...

Pois bem. Como hoje convivo longe dos meus amigos, e a maioria já trocou de namorada, vou contar umas coisinhas que as mocinhas nem sonham em saber...

Eu dormia direto na casa dos namorados delas, inclusive na mesma cama que eles, e ainda havia dias em que dormia com as roupas deles porque não levava roupa pra tomar banho. Em muitas, mas muitas vezes, meus amigos diziam pras fofuras que iam dormir, mas na verdade ficávamos até de manhã jogando vídeo game ou enchendo a cara em algum boteco. Eu já fui na zona com meus amigos. Inclusive em um dia que elas nem sonhariam com a minha presença, pois era o dia “dos meninos” e ninguém levaria namorada.

Eu poderia contar outras tantas coisas que as senhoritas que me detestam nem sonham! Mas vou parar por aqui... Porque o fato é que nunca quis namorar um de meus amigos. Pois se quisesse, o teria feito. Sempre convivemos como uma família, e eu sempre fui considerada por eles tão macho quanto qualquer outro menino do grupo.

Tem gente que diz que as namoradas se sentem ameaçadas por mim. E desde quando eu sou ameaça pra alguém?! Sou um dos seres menos frescurentos e femininos que conheço! E perto delas, todas lépidas, garbosas e peraltinhas, sou apenas mais um moleque.

Espero que um dia elas entendam isso. Ou ao menos parem de me odiar com tanta intensidade. Porque não! Eu não quero roubar o namorado de vocês, meninas! Até porque ele já e meu. Lálálá. Porque amigos não são condicionados por um compromisso estabelecido. Amigos se amam e ficam juntos porque e na hora que querem, e não porque alguém vai ceder o corpitcho pra eles toda noite. Aliás, quando vocês regulam a mixaria, adivinha com quem eles saem pra beber?!

E vocês, também tem problemas com as/os namoradas/os dos amigos? Ou estão no time que odeia a amiga do/a namorado/a? Conta pra mim, vai!


Ps: Peço desculpas pelas tantas lágrimas que lhe fiz derramar no último post. Mas agradeço todas as palavras de carinho, e, em especial, toda a presença. Muito obrigada, por você fazer do Ainda MininaMá um lugar mais completo.

Ps2: Deixa eu dividir com você minha alegria? A Rosi, do Mundinho Particular, me convidou para ser entrevistada! Fiquei faceira que só. Obrigada mais uma vez por me dar a honra de fazer parte do seu Mundinho, Rosi!

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

domingo, 23 de agosto de 2009

Carta aberta a meus pais...

Companhia Musical
Pai - Fábio Júnior
O mundo é um moinho - Cartola e seu pai
A Rosa - Marisa Monte
Ovelha Negra - Rita Lee
Como nossos pais - Elis Regina

Companhia Literária
"Aprendi com as primaveras/a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira" [Cecília Meireles in Mar Absoluto]

Essa semana que passou, parece que a "patota blogueira" [como diria a Claudinha] entrou em sintonia. Não foram raros os posts falando sobre o mesmo assunto. Tenho cá pra mim que isso mostra que sim!, temos uma convivência. Convivência essa que me tem sido muito cara e frutífera.

Tive esse post AQUI linkado pela Lidi, do Bicha Fêmea, e pela Claudinha, do Feito a mão. Agradeço mais uma vez às duas. Não pelo link em si, mas por pegarem minhas palavras pelas mãos, e permitirem que elas passeassem em suas vidas. Agradeço a você também, que chegou por aqui e se identificou.

Há algum tempo queria fazer esse post. E graças a alguns posts que li neste semana, isso se tornou inadiável. Li muitos posts de mães falando, de um modo tão belo, de seus filhos. Me emocionei com os textos [como esse AQUI, da Claudinha, e esse AQUI, da Verônica]. E apesar de não ter filhos, e de não entender nada sobre a nobre arte de ser mãe, eu sei o que é ser filha. Não uma filha perfeita, mas uma simples filha que se orgulha tanto de seus pais.

Este ano, não consegui escrever na ocasião do dia das mães e dia dos pais. Confesso que depois que me mudei pra Curitiba, não tenho mais alegria em celebrar datas comemorativas. Longe de meus velhos, elas perderam todo o sentido. E no dia das mães e dos pais, em especial, me pego quietinha, quase um caramujo escondido, um tanto pela saudade que me toma conta, um tanto pela vontade de voar pra perto do casal que me deu a vida.

Hoje, mesmo que me custe, vou falar pra esses dois, Seu Gilberto e Dona Maria, sem os quais, a estrupícia que vos fala não seria, literalmente. Há muita coisa que não falo aos meus pais. Mesmo que todo mês eu lhes escreva uma carta, agradecendo por tudo, há sentimentos que, de tão grandes, não cabem nas palavras, que ficam pequeninas frente ao amor. Então, me perdoe por usar o espaço que sempre dedico a nossa prosa, pra, dessa vez, dedicar aos meus pais e às minhas lembranças, que saltam de meus olhos em forma líquida e cristalina...

Queridos Pai e Mãe...
Não presenciei o dia em que vocês se conheceram. Mas já escutei a história tantas vezes, que é como se eu estivesse lá. Assim como uma parte de minha vida, que minha memória é insuficiente pra reproduzir. Mas parece que a memória de vocês não se esquece de nenhum detalhe. E é graças a essa memória, que posso contar minhas histórias. E é graças ao seu amor, que estou viva para contá-las.

Eu não lembro dos meus primeiros passos. Mas lembro da Senhora me carregando no colo, mãe. Mesmo eu tendo muito mais peso que uma criança normal. Lembro da Senhora tentando me ajudar a andar com as botinhas ortopédicas, pois sem elas meu pé não tinha curvatura o suficiente para me sustentar. Lembro que a Senhora nos carregava no colo, eu e as botinhas, que me pareciam pesadas demais. Mas a senhora nunca reclamou do meu peso. Me carregava com um sorriso no rosto, como se eu fosse uma pluma...

Não me lembro do seu sorriso no dia em que nasci, pai. Mas lembro do senhor me levando à banca todos os domingos pra comprar um gibi. Lembro do senhor lendo os livrinhos de história pra mim. Já cansado, não exitava em ler uma, duas, três vezes a mesma história. O Senhor sempre se mostrou criança o suficiente pra ficar ali, comigo, brincando com a vida, pai...

Lembra quando aprendi a escrever, mãe? Com as letras todas ao contrário. A senhora ria, como se lhe tivessem contado uma piada. Mas não ria de mim. Ao contrário, ria comigo. A gente nem sabia o que era dislexia naquela época, né mãe? E mesmo sem saber, a senhora me ajudou a vencê-la. E hoje escrevo certinho, graças a você e ao papai.

Eu me lembro de quando a gente se mudou pra Campo Grande pela primeira vez. Lembra o quanto eu chorava, mãe? Queria meus avós, queria meu pai. Mas você conseguiu se transformar em mãe, pai e avós ao mesmo tempo.

Lembra dos dias de chuva, mãe? Nos quais a senhora me levava pra escola, e eu só tinha um chinelinho. Era verdinho, de borracha. Eu me lembro dele até hoje! Nos dias de chuva, a senhora levava uma toalhinha, pra poder limpar o barro de meu pé quando chegasse na escola. Lembra de quando comprou um sapatinho pra mim? Um vermelhinho, de pano. Teve que pedir pra dona da venda lhe vender fiado. Mas não teve vergonha. Afinal de contas, o único chinelinho de sua filha havia arrebentado, e ela não tinha o que calçar pra ir a escola. E você sabia o quanto ela gostava da escola.

Lembra quando você chegava em casa das viagens, pai? Meu coração não se aguentava de saudades, de você ter que passar quase um mês na estrada, pra poder nos dar o sustento. Quando eu ouvia o barulho do seu caminhão ao longe, meu coração já disparava. E era só você chegar em casa, que eu via você escondendo sua capa de super herói. Porque pra mim você sempre foi um super herói, pai. Com capa e tudo!

Lembra quando eu descobri que era míope, mãe? Você ficou assustada! Sua filha de 6 anos tinha uma deficiência visual de 3 graus, e nunca mais poderia enxergar o mundo por completo. Mas você foi lá, me comprou um óculos, e fez o possível pra me mostrar que isso não me tornaria diferente das outras crianças.

Mas, infelizmente, as outras crianças não pensavam assim, mãe. Elas me davam apelidos horríveis. Roubavam meu lanche. Me batiam, porque eu era branca demais. Me xingavam, porque eu era boa aluna demais. Mas quando eu chegava em casa, era como se chegasse em um castelo encantado, porque eu sentia o cheiro de suas rosas, sempre tão bem cultivadas. Porque eu via o seu sorriso de rainha, sempre tão iluminado, apesar de todas as dificuldades, mãe...

Lembra de quando eu fiquei mocinha, mãe? Eu lembro de você chorando quando perguntei o que era aquilo em minha calcinha. Acho que você não conseguia acreditar que aquela bolinha loira que saiu de dentro de você, apenas aos 10 anos já estava se preparando pra se tornar uma mulher. E o mais engraçado, é que foi o senhor, pai, que me explicou o que era aquilo, e como eu devia me portar dali pra frente...

Sabe, mãe... Eu me lembro de quando a vovó, sua mãe, foi morar conosco. Nunca consegui entender porque ela tratava a senhora tão mal. Aliás, foi naquela época que fiquei em dúvida sobre o significado de ser mãe. Porque enquanto a senhora era carinhosa com a gente, a vovó mais parecia um furacão, que passava derrubando sua estrutura, mãe. Mas todas as maldades que ela lhe fez em vida, não foram suficientes para lhe impedir a dor e o choro no dia de sua morte. Me lembro do dia em que vovó morreu, dentro de nossa casa. Foi a primeira vez que eu vi a morte tão de perto, que eu senti a morte pegando em minha mão, porque vovó morreu segurando minha mão, logo depois de eu ter terminado de rezar o terço que ela havia pedido para que eu rezasse. E mesmo tendo conhecido a morte, eu não queria admitir que todos nós éramos finitos, mãe. Eu não podia admitir que um dia a senhora e o pai não estariam mais perto de mim...

Lembra quando eu comecei a jogar futebol, pai? Você ficava puto da vida, dizia que era coisa de moleque. Queria que sua filha fosse uma menininha. Desculpa se te decepcionei, pai. Se nunca consegui ser uma menininha de sainha. Se ao invés de brincar de boneca, eu queria mesmo era brincar de bola. Se ao invés de pensar em casar e ter filhos, eu queria ser uma profissional de sucesso.

Lembra de quando eu pedi pra senhora comprar os livros da escola, e a senhora, com dor no coração, disse que não podia, mãe? Eu lembro das tantas vezes em que tive que fazer a tarefa dos meus colegas, pra poder levar o livro pra casa e fazer as minhas também. Mas isso não me doía, pois ao ver a cara da senhora e do pai diante dos meus 10 no boletim, me esquecia de tudo, e só pensava em o quanto era bom poder fazer vocês sentirem orgulho de mim.

Sabe do que eu lembro? De uma vez em que uns parentes do papai foram em casa, e disseram pra senhora que não sabiam como que uma mulher iria conseguir criar suas duas filhas sozinhas, pois o pai passava mais de um mês na estrada. Mal sabiam eles que a senhora também é uma super heroína com capa, mãe.

Lembram de quando eu estava prestes a fazer vestibular? Minha única chance era passar na Federal. Lembro de vocês contando o dinheiro suado pra pagar minha inscrição. Me dando força pra estudar. Apoiando minha decisão em fazer Letras, mesmo com toda a família me dizendo que eu iria passar fome. Mesmo que seu sonho fosse que eu fizesse medicina, mãe.

Lembra quando eu passei no vestibular? Eu, uma menina pobre, que nunca teve sequer livros pra estudar, passei no vestibular de uma faculdade pública. Eu lembro do seu choro de orgulho, mãe. E sei que o senhor também chorou, pai. Mesmo que estivesse a muitos quilômetros de casa. Eu lembro do senhor me levando, de mãos dadas, pra fazer a matrícula na faculdade. E vou te contar um segredo, pai. Se não fosse o senhor ali, me dando a mão, eu não teria tido forças. Me sentia uma estranha no ninho, sentia medo. E não senti vergonha nenhuma de, aos 17 anos, estar de mãos dadas com meu pai. Na verdade, sentia era orgulho!

Lembra quando eu comecei a dar aula, mãe? Mesmo que eu chegasse em casa chorando, assustada, a senhora nunca me deixou desistir. Sempre disse que o ofício de professor era o mais bonito do mundo. Mesmo quando eu trabalhei 6 meses sem receber, naquela escola do Estado. Eu lembro de reclamar que tinha que andar 12 quilômetros, todo dia, pra ir dar aula, porque não tinha dinheiro pra pegar ônibus. Mas a senhora nunca deixou de me dar forças, mãe.

Lembra quando vocês descobriram que eu fumava? Eu lembro do desapontamento estampado no rosto de vocês. Desapontamento esse que eu veria se repetir durante todo o ano de meus 19 anos. Lembro de quando eu passei a beber demais, e a senhora, num ato de desespero, comprou cerveja e disse que se eu quisesse beber, que bebesse em casa. Sinto muito, mãe, que a senhora tenha que ter passado por isso. Mas o pior estava por vir, né Dona Maria.

Naquele dia, em que a senhora ficou sabendo por outra pessoa, que eu tinha reprovado por falta na faculdade. Eu não tinha forças pra lhe explicar, mãe. Eu não conseguia lhe olhar nos olhos, os olhos de uma mulher tão forte, que havia vencido os maltratos, o mundo, e dizer que eu tinha problemas e era fraca demais para enfrentá-los. Como eu ia lhe dizer, mãe, que eu não ia pra faculdade porque ficava escondida embaixo da cama? Como eu ia lhe explicar o que era Síndrome do Pânico, Depressão, Borderline, se nem eu sabia direito? Era muito difícil admitir que eu era doente, mãe. E era muito mais doído admitir que eu tinha decepcionado vocês dois.

Mas vocês não me deixaram cair, mãe. Vocês foram lá, no fundo do poço onde eu estava escondida, e, pela segunda vez, me deram a vida.

Eu me lembro da minha formatura. Vocês ali, tão felizes, tão orgulhosos. Lembro da senhora puta da vida pela música que escolhi pra minha entrada na colação, mãe. Me desculpa, mas eu não podia escolher outra música que não fosse Ovelha Negra. Porque, naquele momento, era assim que eu me sentia...

Lembra dos quantos dias a senhora foi me buscar no ponto de ônibus, meia-noite, pra que eu não voltasse sozinha, mãe? Eu dava aula naquela escola da periferia, chegava em casa no último ônibus. Chegava cansada, porque no outro dia tinha que levantar às 5 horas, pra dar aula em outra escola. Mas nunca me dei conta de que a senhora também estava cansada. E sabe porque, mãe? Porque a senhora sempre ia me buscar com um sorriso no rosto.

Lembra de quando o senhor deixou o caminhão, pai? E passou a trabalhar na administração da empresa? Eu tinha um orgulho tão grande de ver que meu pai, aquele que não tinha terminado nem o primeiro grau, estava ali, evoluindo, dando conta do recado, graças a sua força de vontade, ao seu esforço, a sua competência. Mas nossos dias não foram fáceis, né seu Gilberto? A gente tinha se desacostumado a ter o senhor em casa. E o senhor já não lembrava como era voltar pra casa todo dia. Desculpa, pai, se muitas vezes eu não tive paciência o suficiente pra me adaptar a essa nova situação. Desculpa por resolver sair de casa tão recente a sua volta.

Lembra de quando resolvi, por toda lei, que iria embora pra Goiânia? Fui. E o senhor ficou com medo, mas não disse nada, pai. Nem quando fui pra São Paulo. O senhor só me disse pra tomar cuidado, e que eu já era grande o suficiente pra saber o que eu queria da vida. Mas eu não era, meu pai. Eu não soube ver que a única coisa que eu queria da vida era ficar ao lado do senhor e da mamãe.

E acabei tomando a decisão de vir embora. Eu lembro do seu olhar de tristeza quando eu disse que, dessa vez, iria embora de mala e cuia pra Curitiba. O senhor não me questionou. Mas eu via os seus olhos marejados. Eu via sua expressão cabisbaixa, tentando entender porque sua filha queria ficar longe de casa. Eu nunca lhe expliquei, meu pai. Mas não foi por falta de vontade, não viu. Nunca lhe expliquei porque eu também não sabia. Só sentia, lá no fundo, que eu precisava sair daí, sair dessa cidade.

Eu me lembro do senhor e da mãe me ajudando com minha humilde mudança. Eram só livros, roupas e sapatos. Lembro da viagem até Curitiba. Eu chorava baixinho no carro, pra não deixar vocês verem o tamanho de minha tristeza. Por que as coisas são assim, pai? Por que eu só me dei conta do quanto vocês me fariam falta no dia em que eu os deixei? Me lembro da gente chegando em Curitiba, da névoa que cobria tudo, do meu medo. Mas o senhor e a mãe me pegaram pela mão, e me ajudaram a dar os primeiros passos. Lembro do rostinho da Gigi me pedindo pra voltar. Ninguém chorou. Nem a pequenina. Mas depois que vocês foram embora, deitada numa cidade estranha, numa cama que não era minha, eu me transformei em lágrimas.

Lembra de quando consegui meu primeiro emprego aqui? Vendedora de uma loja de camisetas. Passava 10 horas em pé, dobrando camisetas. Mas vocês não me deixaram ficar abatida. Não foram poucos os dias em que eu quis voltar pra sua casa. Voltar pro meu trabalho no concurso. Voltar pra minha vida que já estava montada. Mas eu não podia. Não podia decepcionar vocês. Afinal de contas, tinha vindo pra Curitiba pra continuar os estudos. Pra melhorar de vida. Mas no calor da decisão, não me dei conta de que sem vocês, minha vida jamais seria inteira...

Lembra de quando eu passei no Mestrado, mãe? Explodi de alegria. Mas a explosão não foi completa, porque eu não tinha vocês por perto pra comemorar. E depois da alegria vieram as dificuldades. Porque o mestrado era diurno e diário, e eu não podia trabalhar. Mas vocês não me deixaram desistir. Pensaram em vender o carro, pra me mandar dinheiro. Mas parece que os céus nos ajudaram, e papai recebeu um aumento. E vocês não pensaram duas vezes em me dar esse aumento. É pouco, vocês diziam. Mas pra mim era uma fortuna. Mesmo que o dinheiro desse só pra pagar as contas, e comer uma vez por dia. Mas os céus viram o seu esforço, e eu ganhei a bolsa de estudos. E pude comprar meu primeiro computador. E pude me mudar pra uma casa só minha.

E vocês sempre se alegraram com minhas conquistas. Assim como se entristeceram com minhas tristezas. Penso que somos só um, nós três. Penso que essa é a verdadeira trindade santa.

Lembra quando você escasquetou que queria publicar meus primeiros poemas, mãe? Aqueles, dos quais sinto vergonha, porque os escrevi tão jovem, mas nos quais a senhora vê uma beleza que eu não vejo. Na verdade, acho que a senhora vê neles a minha imagem, e como mãe maravilhosa que é, vê beleza até na pedra bruta que é sua filha. Hoje eu tenho um blog, mãe. E eu sempre falo de vocês, sabia? As pessoas já conhecem a senhora, o papai, e a Gigi. Conhecem até a estrupícia da Priscilla. Hoje minha palavras passeiam, mãe. E eu estou quase terminando meu livro.

Por falar em terminar, estou quase terminando o mestrado também. E estou com medo, pai. Estou com muito medo. Não sei o que vou fazer daqui pra frente. Me sinto como no final da faculdade, sem saber o que viria após o diploma. Mas naquele momento eu tinha vocês por perto. E agora eu só tenho minha saudade, que preenche a sua falta.

Sinto muito, pai e mãe, por ter precisado ficar a 1100 quilômetros de vocês, pra poder aprender quem eu sou, e, o mais importante, quem vocês são. Sinto muito que eu tenha precisado passar frio, fome, solidão, pra aprender a ser uma pessoa melhor. Sinto muito ter feito vocês tão tristes com a minha partida, pra que eu pudesse, de tão longe, encontrar um modo de lhes dar orgulho.

Sinto muito que ao invés de estar comendo o macarrão da senhora nesse domingo, mãe, eu esteja em frente ao computador lembrando de nossa história e chorando. Sinto muito que ao invés de estar de short e camiseta no calor de Campo Grande, rindo das piadas do senhor, pai, e tomando aquela nossa cerveja; eu esteja enrolada no cobertor, passando frio em Curitiba.

Tenho tantas lembranças... Afinal de contas, são 27 anos de lembranças... Mas agradeço a vocês, meu pais, por me proporcionarem tantas histórias bonitas pra contar. Eu sei que o senhor não lembra de muita coisa, pai. Mas eu agradeço por o senhor ter superado tanto nossa falta, para que nunca nos faltasse o sustento. Hoje eu entendo a solidão que o senhor sentia naquele caminhão, pai, a tantos quilômetros longe da nossa casa. Mas o senhor sabe que sempre esteve conosco, não sabe? Assim como o senhor e a mãe sabem que estão comigo todos os dias...

Eu só queria que vocês soubessem o quanto eu me orgulho de tê-los como pais. E não só pais; mas também amigos, heróis, modelos de vida. Vocês são, e sempre foram, mesmo que minha miopia não me deixasse enxergar, o pilar que me mantém em pé. Vocês são o motivo que eu tenho pra abrir os olhos todos os dias de manhã. Vocês são tudo aquilo que eu nunca vou conseguir ser. Mas ainda assim, eu tento ser melhor a cada dia, porque vocês merecem ter alguém de quem se orgulhar.

Na semana que vem, vai fazer 2 anos que vim embora. E nesses dois anos, não teve um dia sequer que eu não tivesse a vontade de voltar correndo pro seu colo, mãe. Não teve um dia sequer que eu não ouvisse sua risada, pai. E em todos esses dias, meu amor parece que só aumentou.

Agora eu vou terminar essa carta, meus pais. Porque ela já está grande demais pra publicar no blog. É, isso mesmo, vou publicá-la no blog, pois quero que o mundo inteiro saiba quem são os gigantes por trás dessa pequena mulher. Mas antes de terminar, preciso dizer obrigada. Não só por todas essas lembranças, mas por vocês exisitirem. Por terem me escolhido. Por terem feito de mim a continuação de seus sonhos. E por me permitirem voar. Obrigada, Dona Maria e Seu Gilberto, por me darem asas. E por transformarem seu amor no meu melhor e mais bonito motivo pra continuar vivendo...

Dessa filha que os ama mais do que consegue dizer,
Patrícia Pirota.

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Samba do crioulo doido de cara nova.

Companhia Musical
Nós - Cássia Eller
Sina - Djavan
Lanterna dos Afogados - Paralamas do Sucesso e Djavan
Os cegos do Castelo - Titãs
Canção pra você viver mais - Pato Fu

Companhia Literária
"O que há de mais admirável nas democracias é a facilidade com que qualquer pessoa pode passar da crônica policial para a crônica social" [Mário Quintana in Caderno H]


Como a querida Ruby [do Meu canto, minha prosa] disse que o cafofo havia se tornado um fanzine [e eu adorei a idéia!] decidi aumentar o Samba do crioulo doido, que já falava de muita coisa, e a partir de agora vai falar de muito mais. Vou publicá-lo sempre às sextas. Assim, posso falar sobre os ocorridos da semana, e você tem o final de semana todo pra ler e pra gente poder prosear.
'Bora lá?

Top5 Brega Pride

Quem me conhece, sabe que eu tenho um certo apreço por música brega. Talvez seja porque sou uma cria dos anos 80. Mas o fato é que me divirto horrores escutando as velharias que muita gente considera ruim, mas que eu considero produto de uma época.

Depois de ver um vídeo da Ana Carolina, no qual ela explica o que é "cara de caneca" ao escolher uma música brega pra cantar, decidi fazer um Top5 de músicas bregas.

E você, faça sua lista também! A partir de agora, vou atualizar com as listas dos leitores. Assim, o Top5 pode virar um Top50!

1. Evidências - de José Augusto interpretada pro Ana Carolina [o vídeo da "cara de caneca"] [Eu ADORO essa música! Não cantada pelo Chitão e Xororó, que fique bem claro...]

2. Fogo e Paixão - Wando [Wando é o rei da mulherada, rapaz! Até já joguei calcinha pra ele! Calma criatura! Chega de rir senão vai doer a barriga!]

3. Chorando se foi/Preta - de Kahoma e Beto Barbosa, respectivamente, interpretadas por Ivete Sangalo [Eita lelê! Quem não se matou de dançar lambada com essas músicas que atire a primeira sainha rodada horrorosa!]

4. O amor e o poder - Rosana [Quem nunca cantou essa música no Videokê que atire a primeira fita k7!] [Se você nasceu na década de 90, desconsidere a afirmação]

5. O meu sangue ferve por você - Sidney Magal [Não podia faltar um dos reis do brega, né! Nosso legítimo cigano]

Rapaz! Esse foi difícil! Pressinto que haverá Brega Pride-O retorno, viu...

[ATUALIZANDO: A Waniza, do Coisa de Louca, incluiu a Por que brigamos - Diana, na listinha.
A Lidi, do Bicha Fêmea, incluiu Cadê Você - Odair José, na listinha. E eu aprovo!

Faça parte do Ainda MininaMá você também!]

Top5 Cinema - Robert De Niro

Como nem só de música vive a estrupícia que vos fala. E como percebi que mais gente é apaixonada por listinhas e Top5, 'bora criar mais dois Top5: o cinema e o literatura.

E o Top5 Cinema vai começar com o cara que mais admiro nesse mundo cinematográfico. Aquele com o qual, se eu estivesse viva na década de 70, teria me casado sem pestanejar. Pra mim, o melhor ator do mundo: Mr. Robert De Niro.

Eu sou apaixonada por De Niro, desde que vi O Poderoso Chefão pela primeira vez, lá pelos meus 10 anos. Por isso, a estréia do Top5 cinema vai ser com os que considero os melhores filmes desse monstro das telas...

Ah sim... Se você clicar nos nomes dos filmes, vai ser levado até a página que possui informações sobre ele. Optei por deixar o link do Adoro Cinema, pois é em português, e nem todo mundo tem paciência ou conhecimento pra ler em inglês.

'Bora pra lista? Ah! Ela é toda de filmes de sangue, máfia, violência e suor. Porque, pra mim, essa é a melhor catarse do cinema...

1. O Poderoso Chefão II [Além de fazer parte da melhor Trilogia do cinema, De Niro está lindo e perfeito nesse filme!]

2. Táxi Driver [A combinação De Niro+Martin Scorcese é uma das melhores do mundo!]

3. Touro Indomável [Oi? De Niro+Scorcese de novo? Isso mesmo!]

4. Fogo contra fogo [Primeiro filme em que De Niro e Al Pacino, outra paixão minha, contracenam. Perfeito do começo ao fim!]

5. Os Bons Companheiros [Oi? De Niro+Scorcese de novo? Filme de máfia de novo? Lindo!]


Top5 Livros para não ler na escola

E lá vamos nós pra mais um Top5! O primeiro é o Livros pra não ler na escola. Parafraseando o ótimo livro de Luis Fernando Veríssimo, quero saber quais são os livros que você não deveria ter lido na escola. Seja porque eram inadequados pro seu gosto literário [ou, em bom português, chatos pra diabo], seja porque você acha que não tinha maturidade o suficiente pra tê-los lido...

'Bora lá?

1. Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis [Li pela primeira vez quando tinha 13 anos. Aos 18 tornei a lê-lo, e o releio todo ano desde então. Percebi que é um sacrilégio fazer um adolescente ler esse texto do Machado. Afinal de contas, Memórias Póstumas é o divisor de águas da literatura brasileira, e nem os próprios contemporâneos de Machado tiveram maturidade o suficiente pra compreendê-lo em toda sua essência. Imagina um adolescente?!]

2. A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector [Mesmo caso de Memórias Póstumas...]

3. Marília de Dirceu - Tomás Antônio Gonzaga [Senhor! Quanto sofrimento pra ler os escritores árcades! E o pior é que os textos "ocultos" do Arcadismo são bacanas. Só que os professores se esquecem deles, e enfiam goela abaixo o bucolismo chaaaato de Marília de Dirceu]

4. Sermão da Sexagésima - Padre Antônio Vieira [Hoje eu sou fã absoluta da retórica do Padre Vieira, mas isso aconteceu depois de eu ter feito faculdade de Letras, e ter sido obrigada a ler toda a obra do vigário. Agora, imagina um adolescente de 14/15 anos tendo que entender o que o velho dizia? Haja café pra não dormir, viu!]

5. O Guarani - José de Alencar [Além de "maquiar" os indígenas de nossa terra, esse livro do Alencar dá vontade de dormir... pra sempre!]

[ATUALIZANDO: A Verônica, do Criative-se, deixou um comentário "totalmente excelente!", sobre a questão de ler Machado na escola. 'Bora ler?

"E no caso dos livros, mais uma coincidência: li todos os romances de Machado de Assis entre os 13 e 14 anos, e além de Dom Casmurro, amo Helena, Iaiá Garcia, A Mão e a Luva, Quincas Borba e, é claro, Memórias Póstumas. Se eu li e curti com essa idade, e você também, acho que daria sim para ler na escola. Não com a face da obrigação, mas com o olhar da análise sobre como as relações humanas e os sentimentos são iguais. A forma de expô-los e a facilidade de fazê-lo é que tem se transformado através do tempo."

Eu concordo plenamente com ela, sobre a questão da obrigação. Acho que empurrar textos tão bons como esses goela abaixo dos pestinhas [forma carinhosa com a qual sempre tratei meus alunos] não é a melhor forma de fazer com que eles o apreciem. Como professora de Literatura, sempre tentei fazer com que meu s alunos fossem críticos e analíticos com relação às obras literárias. Queria que eles as considerassem uma forma de aprender sobre a vida.

E Verônica pensa como eu. 'Brigada pelo comentário tão bacana, Vê [Olha a intimidade da estrupícia!]. ]

[ATUALIZANDO: A Claudinha, do Feito a mão, disse "Eu incluiria O Ateneu à sua listinha de livros para não ler na escola... esse sim me deu vontade de dormir para sempre." Incluído, Claudinha!]


MTV Apresenta Casuarina

Hoje, sexta-feira 21/08, às 22:30h [com reprise no domingo, 23/08, às 19:15h] a MTV vai apresentar o show do Casuarina. Conjunto de samba e chorinho dos porretas. Quer saber mais sobre os caras? AQUI, ó.
[Não! Não ganhei jabá pra fazer propaganda. Infelizmente...]

[ATUALIZANDO: Acabei de assistir ao show do Casuarina. Uma delícia, rapaz! Tão bom que até dancei sozinha na sala!

E fiquei apaixonada pelo vocal, o João Cavalcanti, [com todo o respeito, claro! Porque o moçoilo é bem casado...] filho de Lenine. Adoro Lenine! Além de um super músico, é um charme só... Além disso, devo confessar que tenho uma quedinha ['tá bom, não é uma quedinha! É um tombo mesmo!] por cariocas...

Você perdeu. Mas ainda dá pra ver a reprise viu!]

Se essa rua, se essa rua fosse minha

Esses dias, numa sessão nostálgica procurando cantigas de roda, encontrei esse curta AQUI baseado na música Se essa rua fosse minha. Achei de uma delicadeza e de uma beleza absurdas! Eles fizeram uma histórinha de amor com a música de fundo. Vale a pena ver. E muito!

Vale a pena ler

Normalmente eu indico blogs nesse espaço. Mas vou ampliar, e passar a indicar sites também. E o de hoje é um dos sites que visito diariamente. Muitas vezes, mais de uma vez por dia. Falo do Memória Viva - Carlos Drummond de Andrade, site dedicado ao Drummond.

Eu sou apaixonada por esse poeta mineiro, que mostrou que o mundo não precisa de arabescos e rimas rococó pra ser representado. E que fez de seus poemas uma doce prosa. Vai ver, e ouvir, porque há alguns poemas na versão MP3, declamados pelo próprio Drummond.


Política, pra quê te quero?!

*E as representações contra Vossa Excelência Sarney foram arquivadas. O fator decisivo para o arquivamento foram os votos do PT, que foram a favor, mesmo contradizendo a opinião do Presidente do partido, Aloísio Mercadante. Como foi dito pela imprensa, a decisão veio diretamente do Palácio do Planalto, ou seja, do torcedor do curíntia. E depois ele tem a pachorra de dizer que não tem nada a ver com o que se passa no Senado!

E apesar de parecer trocadilho infame, no caso Sarney, literalmente deu PT: perda total. Mas dessa vez pra população, ou pros "contribuintes", como eles gostam de nos chamar...

*Ainda falando sobre o velho Coronel. Essa semana, em mais uma de suas defesas, ele citou o livro O Processo, de Franz Kakfa, para fazer uma analogia ao fato de o estarem condenando injustamente. Achei irônico, visto que o livro de Kafka foi escrito justamente pra criticar o modo de se fazer política no leste europeu de sua época, que se baseava na total autonomia dos governantes em relação às atitudes tomadas; e que desconsiderava de todo a palavra do cidadão civil. Na verdade, acho que Sarney não podia se colocar no lugar do injustamente condenado; mas sim no lugar dos autoritários e descabidos governantes.

*E a Dona Dilma, fanfarrona que só ela, anda brincando de esconde-esconde com a imprensa. É possível que seja por dever as explicações no caso Lina Vieira. Mas tenho cá pra mim que também por ela ter se olhado no espelho, e se dado conta de que o Botox não a deixou mais bonita. Afinal de contas, isso seria tão impossível quanto existir um Presidente do Senado que não seja um corrupto safardano.

*Achei digno a Marina Silva ter se livrado do PT. Mas tenho cá pra mim que ela vai acabar se tornando a Eloísa Helena-O Retorno. Com um discurso chato, franciscano, baseado na "pobreza". O que, convenhamos, ninguém merece! Nem o eleitorado brasileiro, em sua maior parte "lulista" e dependente de bolsa-esmola...


Esporte

*Eu tenho MEDO do Usain Bolt!!! O quê diabos é aquele homem?! Uma máquina?! Vai correr assim no inferno, menino... Mas, andei pensando com minhas teclas... Sabe que o governo podia incentivar os trombadinhas a fazerem atletismo? Afinal de contas, eles já têm uma experiência danada em correr da polícia. Estão desperdiçando talento, viu...

*Eô, o Capitão voltou!!! Não pude conter minhas lágrimas na volta de Rogério Ceni! A volta de nosso capitão representa essa nova fase do São Paulo; uma fase de pura força de vontade e superação. Seja bem-vindo de volta ao seu lugar, Capitão!

*Ah, moleque! E os adversários estão tremendo! Depois de uma rodada do brasileirão que conspirou a nosso favor, o São Paulo conseguiu a vice-liderança, está há 9 jogos sem perder, e com 7 vitórias consecutivas. Pra quem achou que o Jason estava morto. Corre que o bicho vai pegar, meu filho!!!

*E eu acho que já está na hora de parar de pegar no pé do Richarlison, viu. Não nego que eu sempre fiz campanha contra o cara. Mas venho aqui, humildemente, reconhecer que ele é um dos responsáveis pela cara nova do meu Tricolor Paulista. Além de estar em ótima forma, o Ricky [como gosta de ser chamado] dá o sangue no gramado pela nossa bandeira. E isso tem que ser reconhecido, oras!

*Agora...Com relação ao senhor Washington... Acho difícil que ele ganhe um voto de confiança da torcida. Pra quem não lembra, ele foi o responsável por tirar o São Paulo das finais da Libertadores de 2008, no jogo contra o Fluminense, além de ter falado bem mal do nosso time.

Agora quer que todo mundo passe uma borracha, e se esqueça disso. Felizmente, eu não vou ter a mesma atitude do Excelentíssimo Collor, que se esqueceu do que Sarney fez ao nosso país. Por mim, que o Washington vá fazer seus gols de sorte e canela bem longe do Morumbi...

Palavras Alheias

Conheci as palavras de Mário Quintana ainda muito jovem. E com elas fui crescendo. Quintana é o poeta do sorriso de canto de lábios. É o homem das palavras duplas, triplas, quádruplas. Suas palavras nunca se prendem a um só olhar, a uma só interepretação. E ele consegue tudo isso por exercer sua simplicidade tão plena.

Tenho cá pra mim que todos no mundo deveriam ler Quintana, pra aprender a olhar pra vida de um modo mais leve, mas não menos crítico. Pra aprender a fazer gracejo com as mazelas. A murmurar a doçura dos sentimentos. Pra brincar com nossa inexorável condição de transeuntes da grande calçada da vida... Quer saber um pouco mais sobre esse fazedor de sorrisos? AQUI, ó. E abaixo um poema dele que até parece uma confissão minha...
"Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!"

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dez "verdades" sobre morar sozinha.

Companhia Musical
Abrigo de Vagabundo - Clara Nunes e Adoniran Barbosa
Vá morar com o diabo - Cássia Eller
Partido Alto - Cássia Eller
Satisfeito - Marisa Monte
Ave Cruz - Céu

Companhia Literária
"Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa" [Guimarães Rosa]


Existem vários blogs e sites espalhados pela internet que falam sobre como é morar sozinho. Eu mesma tenho uma série aqui no blog, a Vida de solteira é assim. Mas percebi que apesar de ter mostrado nos posts um pouco do que é morar sozinha, nunca cheguei a falar diretamente sobre o assunto. Então hoje decidi fazer um post com algumas afirmações de quem quer morar sozinho, dando a minha opinião sobre...
‘Bora lá?

1. Você vai poder chegar em casa na hora que quiser e ninguém vai te encher o saco.

Pode sim. Mas, situemos bem esse “a hora que quiser”. Se você trabalha, ou estuda, não rola chegar de madrugada e ir no outro dia parecendo um cão de tão malcabada, né.

“Ah! Mas no sábado vou poder chegar de manhã, porque no domingo não trabalho”. Opa! Claro que vai. Mas... a que horas você vai limpar a casa? Lavar a roupa? Fazer os trabalhos da faculdade [se estiver na faculdade]? Acha que vai poder chegar a hora que quiser e passar o dia todo dormindo?


2. A louça não é auto limpante e não sai da pia sozinha.

Que ela não é auto limpante, isso lá é verdade. Agora, sobre a parte de não sair da pia, depende. Se você mora com mais gente [amigos ou república] é capaz de haver uma alma bondosa que lave a louça que você sujou.

Ou então, há os casos em que a louça vira Gremilin, que é quando você deixa um prato sujo na pia e no outro dia aparece outro, e mais outro, assim, milagrosamente!

3. Eu vou adorar o silêncio da casa.

Ah vai... Pode ter certeza que vai... Você não vai mais ter sua irmã escutando sertanejo, nem sua mãe reclamando da bagunça do quarto, mas, em contrapartida, vai ouvir: o vizinho crente cantando o dia inteiro aquela música que você DETESTA; as discussões do casal de vizinhos de cima; os cachorros da vizinhança, especialmente na hora em que você quer dormir; e, se como eu, você for picado por uma aranha radioativa, vai ouvir até a água correndo pelos tubos do prédio. Porque, sim! Você desenvolverá uma audição fora do normal, devido ao medo de ser assaltado e outras paranóias comuns a quem mora sozinho.

4. Vou poder andar de calcinha/cueca pela casa

Isso vai. Contanto que você não more em Curitiba, porque, se esse for o caso, vai ter que andar com dois casacos, duas calças, e é capaz de ter que andar com duas calcinhas, tamanho é o frio! E se você morar com mais pessoas, é bom ter uma conversinha sobre isso, pois é capaz de seus roomates não gostarem de ver sua calcinha da Capricho pela casa...

5. Vou poder beber todo dia e me alimentar só de tranqueiras.

Quanto a isso, vamos separar em itens?
Sim, você pode beber todo dia, mas isso se chama alcoolismo, meu filho! Além do que, se gastar todo o dinheiro em cerveja, é melhor ir se acostumando com a idéia de morar embaixo da ponte, porque desse jeito não sobra dinheiro pro aluguel.

Quanto ao se alimentar de tranqueiras. Ninguém se alimenta com tranqueiras. Sei que dá pra passar dias comendo só bolacha e tomando Coca-Cola, mas isso, na minha terra, não é se alimentar. Ah! E café e cigarro também não conta como comida, viu. Eu também achava que conta, mas descobri, depois de passar mal diversas vezes, e de ter uma conversinha com o corpitcho, que não rola viver só disso.

Além do quê, você aprende que é muito mais barato comer que nem gente grande. Que fazer comida gasta menos do que comer fora. E que pode até se divertir cozinhando, por que não?!

6. Nem vou me preocupar com a roupa. Vou mandar lavar na lavanderia.

Meu amigo. Deixa eu te contar uma coisa. Ir a lavanderia é a mesma coisa que rasgar dinheiro. Por quê? Porque lavar roupa nem é um bicho de sete cabeças, mermão; especialmente se você tem uma máquina. É só não deixar a parada acumular. Lava uma vez por semana, e pronto. Sobra o troco pra cerveja.

E se você não tiver uma máquina? Uai, tem braço pra quê, estrupício?! Eu não tenho máquina de lavar, e lavo a roupa numa boa. Além do que, lavar roupa deixa os braços fortinhos, e você não precisa gastar dinheiro em academia, logo, mais trocados pra cerveja.

Como é que lava roupa na mão? Mas essa sua mãe não te ensinou nada mesmo, viu! Procura no DeusGoogle que já teve um bando de gente boa dando tutorial de como lavar roupa. Ou então espera meu próximo post com dicas.

7. Não vou me preocupar com a limpeza da casa. Contrato uma diarista pra vir de 15 em 15 dias e ‘tá tranqüilo.

Ah sim. E nos outros 14 dias? Vai viver num chiqueiro?Não vai matar dar uma organizada no cafofo, né. Jogar as latas de cerveja, as caixas de pizza, e o lixo fora diariamente. Tirar a roupa da sala e colocar no cesto de roupa suja. Não cai a mão não! Eu juro!

Não precisa ser como eu, neurótico com limpeza e organização. Mas não é saudável deixar a casa suja e fedendo, viu.


8. É melhor eu morar com os amigos do que sozinho. Assim não vou me sentir solitário.

Pois então. Eu sou suspeita pra falar sobre isso. Morei 1 ano com mais 2 amigos, e decidi que nunca mais nessa vida moro acompanhada de novo [a não ser que eu encontre o Shrek perfeito! Mas isso é outra história]! Por quê? Porque você descobre que as pessoas têm hábitos e manias só delas, e como elas não são seu irmão, você não vai poder xingar e bater quando der na telha. Vai ter que conversar, e conversar, e se a conversa não der certo vai ter que engolir seco. Ou, como eu, dar no pé e ir morar sozinho.

Sobre a solidão. As pessoas que moram com você não têm a obrigação de te darem atenção, isso é fato. Há também os dias em que, mesmo se trombando na casa várias vezes, ninguém troca nenhuma palavra. Por quê? Porque não tem obrigação. Simples assim.

9. Eu vou poder levar quem eu quiser pra dormir em casa.

Vai. Sossegado que vai. Mas, me responde uma coisa... Você acha mesmo que é uma boa idéia trazer pra sua casa aquela menina gostosa que conheceu na balada? Ou então aquele cara que conheceu na festa do amigo de um amigo seu? Na melhor das hipóteses você vai acordar sem a carteira. Na pior? Sem o rim!

‘Tá rindo e achando que eu estou exagerando? Então a gente faz assim, você experimenta e depois de conta. Isso é, se sobrar alguma coisa de você nesse “depois”.

Pode parecer piada, mas isso deve ser encarado com bastante seriedade. São raras as pessoas em que podemos confiar hoje em dia, e, muitas vezes, não podemos confiar nem em nós mesmos, principalmente quando o Sr. Álcool está envolvido na história. Ficar bêbado na casa dos amigos é divertido. Você dorme lá e vai pra casa de ressaca no outro dia. Agora, ficar bêbado em boteco e sair de lá com um estranho? Você jura que isso é uma atitude inteligente?!

10. Eu nem vou sentir saudades dos meus pais.

Ah tá! Jura né?! No primeiro mês você vai perceber que o silêncio te incomoda, principalmente se você veio de uma família italiana como eu, que fala alto e pelos cotovelos. Depois do segundo mês, você vai contar os dias pra ir pra casa de mamãe, meu bem. Não só porque a comida dela é a melhor do mundo, ou porque ela vai lavar a sua roupa, mas porque, apesar de você, no alto de sua prepotência, não querer admitir, vai estar com saudades! Daquelas que dói. E muito viu.


Por hoje é só, velhinho. Claro que eu tentei dar um panorama divertido disso tudo. Mas, quem acompanha o blog, sabe dos perrengues que eu passo nessa vida de solteira que mora sozinha...

Não é fácil, mas também não é impossível. E é pensando nas pessoas que estão loucas pra sair da casa de mamãe, ou então acabaram de se mudar, ou mesmo as que já são “macacasvelhas”, que vez ou outra vou fazer um post falando dessa “odisséia” que é morar sozinho, dando dicas, contando causos e dividindo histórias. Por que o mais bacana de se morar sozinho é ter histórias pra contar...

Pra quem quer mais dicas, tem uma comunidade no orkut, A Odisséia de morar sozinho, que tem várias dicas bacanas, e na qual o pessoal compartilha as experiências sobre essa vida nossa de dar boa noite pro casal Bonner e Bernardes...

E você, ficou com alguma dúvida? Tem alguma pergunta? Tem alguma história de “morar sozinho” pra compartilhar? Conta pra mim, vai!

Os quadrinhos que ilustram o post são da autoria de Samanta Flôor, ilustradora talentosíssima. Os outros trabalhos dela podem ser conferidos no site Conrflake [vale a pena!].

Ps: Pra visualizar melhor as imagens, é só clicar nelas.

"Agora diga tchau, Lilica!
Tchau Lilica!"

sábado, 15 de agosto de 2009

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz"...


Companhia Musical

É e O que é, o que é - Gonzaguinha
Ensaboa e Quantas Lágrimas - Marisa Monte e Pastoras da Velha Guarda da Portela [Tia Doca, Tia Surica e Tia Eunice]
Gracias a la vida - Mercedes Sosa
Filtro Solar - Pedro Bial
Non, je ne regrette rien - Cássia Eller

Companhia Literária
"Há impossibilidade de ser além do que se é - no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu, quase normalmente - tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação de meu começo. [...] A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais...." [Clarice Lispector in A Paixão segundo G.H.]


Sabe aqueles dias em que você acorda sorrindo? Dá aqueeeela espreguiçada na cama, e ao passar pelo espelho dá aquele sorrisão largo e gostoso? E então sente o cheirinho do café quentinho saindo do coador, senta pra ver o sol, e sorri?

Mas eu não estou falando da sensação de alegria produzida por algum acontecimento bom [e nem por algum psicotrópico, que fique bem claro]. Há dias em que a gente acorda sorrindo porque recebeu uma promoção no emprego. Porque conseguiu terminar uma tarefa há muito em execução. Porque teve uma boa noite de sono. Porque teve uma boa noite de amor. Porque o filho disse a primeira palavra [embora incompreensível para os falantes de língua portuguesa, mas linda na língua dos pais]. Porque é aniversário da mãe. Não, eu falo daqueles dias em que você sorri pelo simples [e tão complexo] fato de estar vivo.

A gente vive uma vida de atleta, mesmo sem se dar conta. Como se todos os dias tivesse que correr uma maratona com barreiras. E vai, com a força máxima, pulando os obstáculos, sem olhar pros lados, ganhando medalhas. Chega a noite, deita a cabeça cansada no travesseiro, e dorme como uma pedra.

E a gente se esquece de agradecer. Seja agradecer a uma entidade, a um deus, às pessoas que estão ao nosso lado, ou a nós mesmos. A gente esquece que a vida é sim uma dádiva, um presente; talvez o melhor presente que nossos pais no deram [melhor até que aquele que você pediu ao Papai Noel no alto de sua ingenuidade infantil].

Nunca li um livro de "auto-ajuda" inteiro. Não que eu os despreze. De modo algum. Acho que qualquer leitura é válida desde que enriqueça e preencha a alma daquele que a lê. Mas prefiro a ajuda das personagens de livros de ficção. Prefiro aprender a não ser desconfiada do mundo com o Bentinho. Aprender que a loucura é apenas mais uma das características de qualquer humano com o Dr. Bacamarte. Aprender que muitas vezes o homem é sujo e desprezível com o homem do subsolo de Dostoiévski.

Aquela coisa de catarse, sabe? Oi? Ah, não sabe? Então... Os gregos inventaram o teatro, a tragédia e a comédia, com a intenção de ensinar valores às pessoas. Assim, sempre que um espectador visse as características de uma personagem, ele iria se reconhecer. Se a personagem fosse má, ela teria um triste fim, para ensinar aos cidadãos que as maldades são pagas com dor e morte. E ao se reconhecer na personagem, o espectador sofreria uma catarse, um sentimento daqueles que vem lá do fundo, embrulhando nosso estômago, e acende a luzinha da nossa cachola, nos fazendo refletir.

Por que falei dos livros de auto-ajuda? Porque acredito, que eles são, na verdade, uma fonte pras pessoas lembrarem daquilo que já sabem, ou daquilo que já lhes foi ensinado. Muitos discursos presentes nesses livros saíram da boca de nossos avós, de nossos pais, ou de pessoas mais sábias do que nós.

E um desses discursos é o velho [mas não caduco] "não faça ao próximo aquilo que não gostaria que fizessem com você", que aprendi com papai e mamãe desde muito pequena, e que, se eu precisasse escolher um lema de vida, ele o seria. Discurso esse também apropriado pelos "segredos editoriais".

Me parece tão simples pensar que aquilo que eu faço será refletido. Como se o mundo fosse um espelho, que reflete aquilo que fazemos a ele. Se sorrirmos pro espelho, ele devolverá nosso sorriso, ainda mais brilhante. Se metermos a mão na cara dele, ele nos devolverá o soco em forma de dor e sangue.

E há algum tempo, eu escolhi dar ao espelho sorrisos. Sorrisos de gratidão, de alegria, de aprendizado. Deixei de reclamar ao léu, pra reclamar sobre aquilo que precisa ser mudado, e ajudar a mudar. Porque, de nada adianta fazer cara feia pro problema se você não tem uma solução pra ele. É gasto de energia à toa. Assim como deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes. É tão melhor economizar água, como economizar descontentamento.

Decidi retribuir os presentes do mundo com minha alegria. Com meu sorriso sincero de saber que estou viva, VIVA! Em constante mutação. Como uma alquimista, transformando o sofrimento e a dor em aprendizado.

Não que a gente deva tomar placebos imaginários, e viver sorrindo pra tudo. Mas é tão bom sentir, lá no fundo, que somos sortudos, eu e você, por estarmos participando da construção do mundo. Talvez nossos nomes não figurem nos livros de História de daqui a cem anos; mas ainda assim, é bom saber que a gente ajudou em alguma coisa, não é?

Que seja não atrapalhando. Que seja botando a boca no trombone e recobrando a lucidez daqueles que acham que o governo atual é o melhor que podemos ter. Que seja ensinado pra uma criança que ela deve ter respeito com os mais velhos, pois eles são sua fonte de sabedoria mais próxima. Que seja cuidando da própria vida e deixando o outro cuidar da dele.

É por isso que estou procurando uma instituição pra ser voluntária. Afinal de contas, hoje eu tenho o que sempre aleguei me faltar: tempo. E quero ajudar em algum asilo de idosos, pois acredito que eles têm tanto a me ensinar, e ao mesmo tempo, são tratados como quinquilharias. Claro que existem idosos que desonram a classe, mas isso acontece com qualquer espécie de classificação deste mundo. Mas, de modo geral, acredito que ouvir os idosos é uma forma de conhecer o passado. De saber de histórias que não vivemos, mas que tem tanto a nos ensinar.

Esse é um dos tantos outros modos que encontrei de ajudar, de fazer parte do mundo. Porque eu não posso, e não vou, ficar aqui, sentada em minha cadeira confortável, reclamando que o mundo vai de mal a pior sem fazer nada. E também não vou "chorar de barriga cheia". [como diria o mestre Pagodinho]. Afinal de contas, [in]felizmente, eu sei o que é passar fome. Eu sei o que é dormir num colchão no chão. Eu sei o que é passar frio. Eu senti na pele o que é a pobreza material. Mas nunca soube o que é a pobreza espiritual. Mesmo nos momentos em que a fome me tomava conta, me lembrava que tenho minha [in]sanidade intacta, e que sou capaz de lutar sempre, pra ser mais e melhor, e pra ajudar o mundo a ser melhor também.

Não falo isso pra me vangloriar por ter superado as tristezas e mazelas da vida, não viu. Afinal de contas, tem gente muito pior. Falo porque não sei falar sobre o mundo sem me incluir nele. E porque não consigo engolir o discurso da "minoria" de que é difícil conseguir ser alguém na vida. É claro que é difícil, uai! Ser qualquer um é fácil, é cômodo. Basta chamar todo mundo de companheiro e fingir que o país é uma grande favela. Agora, pra ser alguém, e pra se orgulhar de ser alguém, é preciso muita coragem e muito talento. Quem disse que não é preciso ter talento pra viver?!

E não é porque existem pedras no caminho, que iremos ficar cabisbaixos e casmurros esperando que alguém as retire. Vá lá e faça uma coleção de pedras. Ou então pegue as pedras e construa uma casinha pros seus sonhos. Só não deixe nunca de sorrir e agradecer. Não espere pra agradecer por sua saúde quando vir aquelas matérias sobre deficientes físicos ou doentes terminais. Não espere pra agradecer por seu alimento quando vir uma matéria sobre a fome na África. Não espere pra dizer aos seus pais que você os ama quando eles estiverem serenos deitados em um caixão.

Não espere pra viver! Viva agora! 'Tá cansado do seu cabelo? Corta! 'Tá cansado do seu trabalho? Estude mais, procure outras oportunidades! 'Tá cansado da sua vida? Reinvente-a! Só não deixe de viver, de se sentir sempre incomodado, de sempre ter perguntas, não importando se encontrará as respostas. Porque a vida, esse substantivo de uma abstração tão concreta, nos é dada quando nascemos. Mas o viver, verbo difícil, tinhoso, danado, esse precisa de um sujeito ativo que o conjugue, do contrário vira só mais uma palavra no reino distante dos verbos regulares da segunda conjugação...


Crédito da imagem: Da senhora minha mãe, em 1986, registrando o momento em que a pequenina Patrícia Pirota aprendia que a vida é uma alegria tão simples e bonita quanto uma flor.

Crédito por eu começar a colocar imagens nos posts: Fabi, do Favas Design. 'Brigada pela dica, Fabi! Comecei com uma, depois a gente evolui, né.

[Atualizando: Ontem, no Altas Horas, o Dan Stulbach disse uma frase de seu personagem de Tempos de Paz que me parece muito propícia pra esse post: "Eu não vivi. Eu estive presente. Eu colecionei lembranças".

Achei lindo! E me deu mais vontade ainda de assistir o filme. Decidi, de uma vez por todas, que não quero colecionar lembranças. Quero mesmo é ter histórias vividas e vívidas pra contar...]

[Atualizando 2: Estava aqui, ouvindo Vinícius, e não pude deixar de relacionar o Samba da Benção com o post. Por isso, abaixo vai uma das estrofes dessa música que mais gosto. Além de ser uma das maiores genialidades do Vinícius, na minha modesta opinião...
"Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida"
[Vinícius de Moraes in Samba da Benção]

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mudar pra ser mais feliz.


Companhia Musical [It's only rockn roll, but I love it!].
Jessica - The Allman Brothers Band
Heartbreaker - Grand Funk Railroad
Free Bird - Lynyrd Skynyrd
Sunshine of your love - Cream
Behind blue eyes - The Who

Companhia Literária.
"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada" [Clarice Lispector in A Paixão segundo G.H.]


Pronto. Já tomei banho, estou cheirosinha e limpinha, e posso sentar sossegada pra falar com você. Espero que a faxina não tenha atrapalhado sua visita. E tomara que você goste da nova disposição dos móveis do cafofo. Agora, deixa eu te contar o que aconteceu?

Já faz um tempo que ando pensando em mudar as coisas por aqui. Tenho a mania de mudar os móveis de lugar, de transformar colcha de cama em cortina, de dar novos usos pras coisas. Acho que todos temos ciclos de mudanças. Precisamos, de tempos em tempos, mudar o cabelo, o estilo, a cor do esmalte, o tamanho da barba... Isso é bom, porque faz com que a nossa energia se expanda, circule mais livre. Faz com que nossa alma se alegre em ver que sempre existe a possibilidade de ser melhor. E essa semana fiz isso na minha casa real. Logo pensei que nada mais justo fazer na minha casa virtual também.

Além disso, depois que descobri que o blog se transformou em uma sala, e que a cada dia recebe mais visitas, achei por bem deixar o espaço digno de receber tantos olhos inteligentes e queridos. O que me ajudou a pensar na arrumação do cafofo foi essa cartilha AQUI, criada pelo blog Blosque, que conheci através do Luz de Luma, yes party.

O Blosque é um espaço bacaníssimo, cheio de dicas pra tornar melhor o blog nosso de cada dia. E o melhor é que ele não é doutrinário, sabe? Não tem aquela cara de "Eu sou a verdade, a luz e a vida!". Os textos são bem escritos, e são fruto da experiência e da observação da dona dele, a Nospheratt.

Não vou mentir, e dizer que segui a cartilha inteira. Afinal de contas, certos hábitos são difíceis de serem desarraigados. Mas o texto me ajudou a pensar em muita coisa bacana, pra poder tornar o Ainda MininaMá um lugar confortável pra receber você.

Mas o que mudou? A primeira mudança foi na imagem do cabeçalho. Troquei a roxinha por essa tricolor paulista, também porque queria mudar a cor das paredes. Tinha cansado do roxo, e achei que o vermelho/preto/branco, além de homenagear o meu tricolor, ficaria mais a minha cara atual.

Sobre a imagem, ela é uma "adaptação" dessa arte AQUI, feita pelo Felipe Leoni, um designer gráfico incrível, que além de tudo, é meu amigo. Nesse link também dá pra ver as outras artes dele.

[ATUALIZANDO: A Fabi, do Favas Design, foi conferir a imagem original da qual tirei o cabeçalho, e deu a idéia de adicionar a menina. Achei ótima a dica, e tentei, com toda a minha inabilidade no Paint, fazer uma montagem. Aí está Fabi. 'Brigadão mais uma vez!
Oi? Você não conhece a Fabi? Mas rapaz! Vá . Ela é arteira, e das boas, viu!
Ps: Essa menininha sou eu aos 4 anos. E sim! Eu já tinha cara de má.]

Queria ter feito, com minhas próprias mãos, uma imagem bacana, mas definitivamente não nasci pra manipular imagens. Sou um desastre! Trabalho com palavras, e só com elas, porque as bichas são ciumentas e possessivas.

O que nos leva ao segundo ponto. Eu juro que tentei escolher um template bacana. Mas quem disse que consegui escolher?! No fim das contas, fiquei com esse mesmo. Mas mudei as cores e a disposição das coisas. E tentei deixar o visual mais "clean", sem muitos elementos. Adicionei um post apresentando a mim e o blog, que está AQUI do ladinho, logo no início da barra lateral.

O que mais mudou, na verdade, é meu "espírito" blogueiro. Percebi que preciso ser mais presente, afinal de contas, não posso ser "blogueira de fim de semana". Por isso, agora teremos uma "grade de programação" nesse trem! Faça dissertação ou faça dia de faxina, estarei aqui, no mínimo, 3 vezes por semana. Decidi postar dia sim/dia não pra poder dar tempo de interagir, de fazer atualizações, de responder os comentários.

Essa última decisão foi influenciada pela Lidi e o Bicha Fêmea, porque além de minha admiração absolutamente pública pela criadora e pela criatura, acho que a gente tem que aprender com os melhores. E a cada blog que visito, aprendo não só sobre os assuntos, mas também sobre o gerenciamento dos blogs, sobre a linguagem, sobre o estilo próprio de cada um... É o velho "vivendo e aprendendo" sendo colocado em prática.

Vou manter as séries atuais, e adicionar mais coisas. Preparem-se porque vem por aí mais Tops5, mais imagens e mais assuntos. Porque eu não consigo deixar de falar sobre tudo aquilo que está a minha volta.

No fundo, as coisas por aqui continuarão as mesmas, só que com uma carinha nova. E eu conto com a sua opinião, pra me dizer o que gosta e não gosta neste cafofo que também é seu.

Pra terminar, preciso da sua ajuda, pro meu "conhecimento bloguístico" [como diria a Lidi]. Conta pra mim como você veio parar aqui e o que te fez voltar? Além disso, me diz qual foi o post que você mais gostou?

Oi? Eu estou pedindo demais? A gente faz uma troca, uai. Você me conta e eu te faço um café. Combinado?

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estamos em obras! Cuidado, layout escorregadio!

Para melhor atender a todos nós - eu, a estrupícia que vos fala, e você querido leitor, que faz com que a sala do Ainda MininaMá tenha vida - estou aqui, no melhor estilo peão de obras, tentando dar uma cara melhor pro cafofo.

Por isso o layout vai ficar estranho por um tempo [bem pequeno, eu espero]. Mas logo voltamos com a programação normal e com muitas novidades. E assim que eu me livrar da poeira, vou visitar todos vocês e logologo conto o que vem por aí.

Por agora, conto com a sua compreensão. E não repare na bagunça, viu. Já já fica tudo limpinho pra gente voltar a prosear.


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Samba do crioulo doido liberto da Dissertação.

Companhia Musical

Roots blood Roots - Sepultura e Luciano Pavarotti

Fear of the dark - Iron Maiden

The Boxer
- Simon and Garfunkel

Every Breath you take - The Police

Losing my religion - REM

Companhia Literária
"Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juízo" [Machado de Assis in O Alienista]


Elaiá! A Patrícia sumiu de novo?
Pois é... Infelizmente, depois de terminada a Dona Dissertação, tinha correções a fazer. E depois das correções dei de cara com o caos que se tornou minha casa. Imagina uma casa sem ver faxina há duas semanas. Imaginou? Agora imagina um cesto de roupa suja sem ser lavado há 3 semanas. Imaginou? Essa era a situação da minha pobre casa...

Quando disse que nos últimos 15 dias comi, bebi e respirei Dissertação, não estava sendo hiperbólica. Mas, depois de ver a bichinha ali, toda bonitona e coloridinha [pela bagatela de 150 contos por 3 cópias], dei um suspiro de orgulho. E então foi a vez de suspirar com o furacão que passou pela minha casa.

Quem toma conta da casa sabe bem que a danada requer manutenção diária. Não adianta achar que o trabalho é só na faxina de sábado. Todo dia tem coisa pra limpar, lavar, arrumar. O sábado foi feito pra pegar no pesado, o que não quer dizer que não haja “leve” pra fazer todo dia. Porque se a gente vai deixando, deixando, deixando, chega uma hora em que a coisa vira uma bola de poeira. Ainda mais aqui no cafofo, onde mofa até pensamento.

Toda semana eu tenho que jogar alguma coisa fora, ou, no caso das roupas, dou pra alguém que queira ter o trabalho de limpar o mofo delas. No fim das contas, isso até que foi bom, porque aprendi a me desapegar das coisas.

E também desenvolvi um esquema. Só coloco alguma coisa dentro de casa se for útil [decoração é utilidade também, viu], ou se ela for entrar no lugar de outra que vai sair, como as roupas. Dei um basta na vida de comprar coisas só pela necessidade de comprar. Descobri que isso era uma compulsão, e beirava a doença do consumismo desenfreado. Mas me safei, quando vi que não precisava de tanta coisa pra ser feliz.

E essa descoberta se deu graças à distância que fiquei das pessoas que amo. Na hora em que vi que nenhuma roupa, nenhum livro, e nenhum sapato traria a risada dos meus pais pra perto de mim, parei de dar tanto valor ao consumo.

É claro que como toda boa fêmea, adoro comprar coisas bonitas. Mas aprendi a dar vida nova às coisas, e reutilizar objetos que, em outros tempos, iriam pro lixo. Por isso me tornei a rainha das gambiarras, e com orgulho.

Por falar em gambiarras, essa semana vou fazer um post sobre minha sala, porque vi que vocês ficaram curiosos sobre o sofá. E não vou ser maldosa e deixar todo mundo querendo saber como é, né. Eu sou a MininaMá, mas, como dizem as boas línguas, não sou tão má assim...

Mas isso fica pra quando eu tirar as fotos. Por enquanto, ‘bora pro nosso samba do crioulo doido?


Top5 Músicas com nome de lugares

Andei pensando cá com as minhas teclas, e descobri que, assim como existem várias músicas com nome de mulheres, também tem uma porção de músicas com nomes de lugares.

Infelizmente, não encontrei nenhuma listinha na internet com elas. Mas se alguém souber de alguma lista, me avise que coloco aqui. E abaixo o meu TOP5. Espero o de vocês!

Sampa - Caetano Veloso [Essa é uma das minhas músicas preferidas. Não sei se é porque fala de uma forma tão linda da cidade que admiro tanto, ou porque a música é linda por si...]

New York, New York - Frank Sinatra [Ah... A combinação de Sinatra com Nova Iorque é um charme só...]

Brasil - Cazuza e Gal Costa [Cazuza falando de um país que a gente conhece tão bem, e que desde 80 não mudou nada...]

Mi Buenos Aires Querido - Carlos Gardel [Não é novidade que sou apaixonada por Carlos Gardel. Quanto a Buenos Aires... Pra mim, o único problema da Argentina são os argentinos... Brincadeira, hermanos!]

Sweet home Alabama - Lynyrd Skynyrd [Southern Rock é o que há!]


Vale a pena ler

Faz bastante tempo que conheço o blog da Maíra, o Mah e suas aleatórias divagações. E não teve uma vez sequer que eu não saísse de lá com a barriga doendo de tanto dar risada.

Ela escreve sobre suas odisséias cotidianas. E as odisséias da Mah se assemelham muito a minha nuvem cinza. É impressionante como ela consegue, sem querer, se meter em tanta presepada.

Se você gosta de um texto gostoso, que flui, e que é motivo de risada certa, dá uma passadinha lá.


Dicas pra melhorar o blog? Opa!

É sempre bom melhorar nossa vida, né não? E melhorar aquilo que a gente faz? Também, uai.

Esses dias falei sobre um post da Luma [do Luz de Luma, yes party!] com dicas pra dar um upgrade no blog. E essa semana, a Rosi, do Mundinho Particular, fez um post com dicas pra dar aqueeela melhorada no bloguito nosso de cada dia [AQUI].

Há pouco conheci a Rosi, graças ao nosso querido Bicha Fêmea, que, além de ser um blog maravilhoso, e ter uma dona idem, é um espaço de interação incrível, onde a gente conhece tantas bichas fêmeas inteligentes e interessantes. Passei a ler constantemente o Mundinho Particular, porque, além de ter uma dona queridíssima, é um blog super diversificado e inteligente. Confere lá, rapaz!


Arte e Música

Faz um tempo, eu dei a dica do Labuat, um site maravilhoso. Como o número de leitores aumentou de lá pra cá, decidi falar sobre ele de novo.

Acho a idéia do Labuat incrível. Os caras uniram música e desenho de uma forma graciosa.

No Pintando una canción, você pode fazer uma obra de arte com o mouse, ao som da música Soy el aire, que é de uma delicadeza absurda.

É ótimo praqueles momentos de raiva ou tristeza, porque a música acalma e traz uma felicidade... Daquelas que a gente não sabe de onde vem, sabe? Dá uma olhadinha , e depois me diz se não é bom.

Um minuto de silêncio

Em homenagem a John Hugues.

Oi? Você não faz a mínima idéia de quem é [era, na verdade] o cidadão? Talvez você não tenha sido apresentado formamelmente a ele, mas se é da década de 80, ou das décadas anteriores, pode ter certeza que é fã do cara.

Hugues é o criador de Curtindo a vida adoidado, Clube dos Cinco e da Trilogia Esqueceram de Mim, ícones supremos do cinema adolescente.

Morreu nesse dia 6, de ataque cardíaco, aos 59 anos. Felizmente Hugues nunca será esquecido, afinal de contas, quem nunca quis ser o Ferris Bueller, ou não deu gargalhadas com o Macaulay Culkin?

Política, pra quê te quero?

*O Política, pra quê te quero? está de luto em virtude da morte da descência, da moral, da honestidade e da vergonha na cara do Governo brasileiro.

Por isso, a única nota de hoje será a citação de um discurso de Fernando Collor, realizado em 1989, na campanha eleitoral. Depois dele, e da posição atual de Collor na "Tropa de Choque" em defesa de Sarney, minhas palavras não seriam suficientes... Faço das palavras daquele Collor de 1989 as minhas:

“Minha Gente, a nação brasileira não merecia ter seu instante final manchado pela ambição e falta de grandeza de um dos piores presidentes que o nosso país teve a infelicidade de ter. O Sr. Sarney sempre foi um político de segunda classe; O Sr. Sarney nunca teve uma atitude de coragem; O Sr. Sarney pegou uma carona na história; O Sr Sarney é responsável pela maior inflação de todos os tempos; o Sr. Sarney arrochou os salários do trabalhador brasileiro. Eu quero que a nação saiba que estou falando de um cidadão de más intenções e que não dignifica o cargo que ocupa. O Sr. Sarney passou todo o tempo apadrinhando seus amigos e seus familiares muitos estão sendo processados por atos de corrupção. Eu gostaria de tratar o Sr. José Sarney com elegância e respeito, mas não posso porque estou falando com um irresponsável, omisso, um devastado, e um fraco”. [Fernando Collor de Mello, 1989. Fonte: Coluna do Arnaldo Jabor no Jornal da Globo]

Ainda MininaMá no esporte.

*E o [in]digníssimo Presidente da República resolveu meter o bedelho onde não foi chamado! E onde não devia, mano!

O torcedor do Curíntia que viaja pro exterior a nossas custas, mandou Ricardo Teixeira, presidente da CBF, mudar o calendário do futebol brasileiro. Agora, ao invés de serem de fevereiro a dezembro, os jogos ocorrerão de agosto a junho, mesmo período do campeonato europeu.

Por que ele deu essa ordem? Porque está puto com os jogadores que seu time do coração perdeu em ocasião da última janela européia.

Agora, por pura birra, ele vai fazer com que os clubes brasileiros ganhem menos dinheiro na venda de jogadores, além de assumir que o Brasil é mais fraco que a Europa.

Claro que eu não fico feliz quando meu time vende jogadores importantes. Mas, como torcedora consciente, eu sei que os times também dependem da venda dos jogadores. Além disso, os próprios jogadores merecem trabalhar onde ganham mais.

O próprio Emerson, do Flamengo, no jogo de domingo contra o Corínthians, disse que é difícil recusar as propostas européias. O jogador disse que o reconhecimento da torcida brasileira é muito importante, e que em nenhum lugar do mundo um jogador se sente tão realizado como no Brasil. Mas lembrou que tem uma família, e é obrigado a pensar no dinheiro também.

Ao mudar nosso calendário, o Presidente irá dar trabalho pra todo mundo, menos pra si mesmo. No fundo, ele quer fazer com o futebol o mesmo que fez com o Brasil: agradar a população pobre, garantir o seu lucro, e mandar o resto das pessoas pra putaqueopariu...

*Schumacher afirmou que não está em sua melhor forma física, e por ainda sentir dores, devido ao acidente de moto que sofreu em fevereiro, não irá mais substituir Massa na Ferrari... Alegria de pobre dura pouco, viu...


Palavras Alheias

Ainda em ritmo de Quadrinhos, o Palavras Alheias de hoje é de um dos quadrinistas que mais admiro. Quino, cartunista argentino, conseguiu fazer com que uma de suas personagens criasse vida e saísse do papel pra se tornar um mito.

Mafalda, criada em 1962, no início era apenas a personagem de uma campanha feita por Quino para o jornal Clarín. No entanto, o jornal recusou a campanha, e pra sorte do mundo todo, Mafalda se tornou uma personagem fixa em 1964.

Não sei o que gosto mais na Mafalda. Se é a crítica ferrenha a sociedade, a inteligência, a ironia ou o fato de uma menina de 7 anos ser mais sã e coerente do que uma multidão de adultos... Acho mesmo que é o quanto me vejo nela, e o quanto a acho parecida comigo. Porque, quando eu crescer, quero ser a Mafalda.

Pra quem quiser se esbaldar, AQUI tem um site com todas as tirinhas da Mafalda. E abaixo um gostinho da delícia que é essa menina [Fonte].



"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"
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