sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A pessoa certa... Será?

Companhia Musical
Do fundo do meu coração - Erasmo Carlos e Fernanda Takai [Programa Som Brasil.]
Sentado a beira do caminho - Erasmo Carlos e Fernanda Takai [Programa Som Brasil.]
Homenagem a Elvis Presley - Erasmo e Roberto Carlos [1977]
Olha - Erasmo e Chico Buarque
A carta - Erasmo e Renato Russo

Companhia Literária
"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina [...]. Ou quando começa: certo susto na boca do estômago" [Caio Fernando Abreu in Os sapatinhos vermelhos]

Companhia Quadrinística

Fábio Moon e Gabriel Bá. Fonte: 10 Pãezinhos


Há algum tempo, a Verônica Cobas, do Criative-se, fez um post delicioso [o que, na verdade, configura como pleonasmo, já que todos os posts da Vê são deliciosos] sobre tipos de mulheres e de homens. Não vou aqui reproduzir o post. Faça um favor a você mesma, e leia AQUI.

Comentei no post, tentando dar uma resposta para a pergunta da Vê [o que acham atraente em um homem ou no seu homem?]. Mas a bendita continuou a rondar meus pensamentos, e hoje, depois de um bom jogo de futebol, uma boa crônica da Martha Medeiros, uma boa xícara de café e um mau Marlboro, me sinto compelida a responder mais extensa e intensamente à pergunta...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mãe e Pai na escola? Por favor!

Companhia Musical
Lanterna dos Afogados - Paralamas do Sucesso
Perdendo os dentes - Pato Fu
Gentileza - Marisa Monte
Pro dia nascer feliz - Barão Vermelho
Toda forma de amor - Lulu Santos

Companhia Literária
"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra." [Rubem Alves in A alegria de ensinar]


Hoje, enquanto tomava o café, tive uma alegria muito grande ao ler um post. Mas logo depois da alegria, entrei num estado de reflexão necessário. E como a tagarela aqui não consegue guardar as coisas pra si, vim aqui dividir isso com você.

O post ao qual me refiro é esse AQUI, publicado pela Claudinha, do Feito a mão. Nele, a Claudinha relata sobre as atividades que já realizou na escola de suas pequenas. Não vou contar tudo sobre ele porque o bom mesmo é ir até lá conferir. Ainda mais com as fotos daquelas coisas fofas!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Livros e uma nova paixão.


Companhia Musical
Blue Moon - Ella Fitzgerald
As time goes by - Frank Sinatra
Blues boys tune - B.B. King
Groaning blues - Eric Clapton
Killing me softly - The Fugees
Companhia Literária
"Planejar a vida, ao contrário do que muitos pensam, não é uma forma de evitar emoção. É uma forma de deixar a porta aberta para que ela não precise arrombar você" [Martha Medeiros in Sur-pre-sa!]

Estava eu entrando no "corredor lavagem cerebral" do mercado para pagar a compra semanal de domingo quando... [Oi? Você não sabe o que é o "corredor lavagem cerebral"? É aquela maldição de corredor cheio de tranqueiras calóricas e caras que os supermercados fazem questão de colocar no caminho dos caixas de 30 unidades, pra que, sem que você se dê conta, acabe comprando o que não precisa] olhei um livro perdido no meio de revistas que falavam de assuntos tão importantes quanto a cor do vestido da fulana, ou o casamento do ciclano.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

E pro Bicha Fêmea TUDO!!!

Companhia Musical [escolhida em homenagem à Lidi]

Sina - Djavan e Caetano

Mestre-sala das marés - Elis Regina
O bêbado e a equilibrista - Elis Regina
Ladeira - Orquestra Contemporânea de Olinda
Anunciação - Alceu Valença

Companhia Literária
"Todos nós estamos na sarjeta. Mas alguns de nós olham para as estrelas" [Oscar Wilde]

Lá fora a chuva cai com gosto. Enquanto estou cá, pensando em como participar de uma festa. Oi? Que festa? Mas rapaz! Ontem, 22 de novembro, o Bicha Fêmea fez um aninho. O blog que nos proporciona tanto prazer e aprendizado, sempre com imagens gostosas de ver e textos deliciosos de saborear. É com muito prazer que eu comemoro esse primeiro aniversário do Bicha, e que espero do fundo do meu coração de gengibre que ainda haja muitos e muitos a serem comemorados.

Me lembro do dia em que conheci a Lidi. Assim, de cara, já me afeiçoei com a criatura. E essa afeição se transformou num bem querer tão grande, que hoje, quando penso na Bicha, é como se ela estivesse aqui, bem pertinho de mim... Coisas da vida e dessa tão viva blogosfera...

E por falar em blogosfera, o post de hoje faz parte de uma blogagem coletiva proposta pela bonita, em ocasião do aniversário. Ela quer que falemos sobre nossa experiência com a blogosfera, assim, como um convite pra entrar nessa festa tão gostosa. Quer participar? Corre AQUI que ainda dá tempo!

Agora 'bora lá pro post...

Era uma vez, uma mocinha de 12 anos que adorava as aulas de Português. Sua professora, Antônia, sempre incentivava os alunos a lerem e escreverem. Um dia, como avaliação bimestral, a professora propôs que os alunos criassem um caderno, com textos e ilustrações criados pelos próprios alunos. Cada texto teria que começar com uma letra do alfabeto, e as ilustrações deveriam ter relação com o tema do texto.

A mocinha é a estrupícia aqui, e a partir desse criativo exercício proposto por uma das pessoas mais influentes na minha vida, comecei a escrever e nunca mais parei. Sempre tive diários e cadernos com escritos meus. Me iniciei na poesia, e só comecei meu namoro com a prosa há 3 anos. Coincidentemente, comecei a escrever prosa quando pensei em criar meu primeiro blog, o MininaMá. Logo no começo, eu pensava no blog como um caderno virtual, pra guardar meu textos. Nem pensava em o que os leitores iriam achar, até porque os poucos leitores que eu tinha eram amigos para os quais eu passava o link, e, provavelmente por conta da amizade, me visitavam vez ou outra.

Depois de um ano de blog, em 2007, fui escolhida pra participar do grupo de blogueiras do Tudo de Blog [TDB], uma iniciativa da revista Capricho, do qual faço parte até hoje. O TDB me fez pensar em muitas coisas a respeito do blog, em especial sobre o formato dos textos. Como cada semana nós tínhamos uma pauta a ser seguida, e um número de caracteres máximos (1200), eu precisava revisar melhor o texto, pensar em que iria ler. Além do que, toda quinzena, 3 textos eram escolhidos para serem publicados na revista, então, além da qualidade, o texto tinha que ter adequação editorial.

A experiência com o TDB me fez aprender muita coisa. Mas chegou um momento em que o blog tinha apenas textos para a revista. Além disso, quando vim pra Curitiba, em 2007, atravessei uma crise existencial. Dessas, que fazem a gente rever valores, conceitos, e blábláblá... Foi quando decidi que não queria mais ser a MininaMá. Achei que era hora de deixar a personagem pra trás e tentar ser mais adulta, afinal de contas, eu tinha completado 25 anos.

Foi quando criei o Patrícia Pirota, e passei a escrever mais prosa. Além disso, o exercício de escrever me trouxe também maturidade literária, e pude ir experimentando, até encontrar um estilo só meu. Atravessando outra crise de identidade, dessa vez aos 26, encasquetei que o blog precisava de outra identidade, e foi quando ressucitei a MininaMá, e foi então que nasceu o Ainda MininaMá. E parece que a danada, além de novas idéias, me trouxe leitores também.

Além dos leitores da Capricho, passei a ter a visita de outras pessoas, e me animei pra deixar o blog cada vez melhor. Foi quando conheci a Isabela Kastruppi, dona do lindo Arrumadíssimo, minha madrinha na blogosfera. Depois que a Isa me "apresentou" pra suas leitoras, [nesse texto AQUI] conheci minha segunda madrinha bloguística, a bicha fêmea mais querida, Lidiane Vasconcelos. Ao ser convidada pra escrever um texto pro Bicha [esse AQUI, ó], comecei a interagir com as leitoras de lá, que se tornaram leitoras de cá, e das quais me tornei amigas.

Acredito que a blogosfera é muito mais do que várias janelas abertas, com cada um gritando suas palavras. Além da informação, temos acesso a pedaços vivos de experiência, e podemos criar vínculos, diálogos, amigos...

No fim das contas, o blog se tornou um pedaço da minha vida. Um pedaço muito querido, cheio de gente que admiro e quero bem por demais. Descobri que minhas palavras podem me levar pra perto de outras pessoas, as quais posso trazer pra perto de mim através de suas palavras. O blog me trouxe amigas, mas amigas de verdade, daquelas que a gente escuta os conselhos, sente saudade, imagina o sorriso, e morre de vontade de abraçar. Ter um blog, e, mais do que isso, interagir com outros blogs, é viver o que há de melhor dentro desse emaranhado de teias que é o mundo virtual, e, sem sair de casa, poder ter a companhia de pessoas e idéias inestimáveis...


Mais uma vez, PARABÉNS PRO BICHA FÊMEA! \o/

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E a vencedora da promoção é... [e otras cositas más]

Companhia Musical
De volta pro meu aconchego - Dominguinhos e Elba Ramalho
Tocando em Frente - Almir Sater
Chalana - Almir Sater
Trem do Pantanal - O Bando do Velho Jack
A volta do bohemio - Bebados Habilidosos

Companhia Literária
"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito." [Machado de Assis in Verba Testamentária]

Eu sei, eu sei! Onde já se viu ficar tanto tempo sem dar notícias! E o pior! Não ter revelado o resultado da promoção antes. Tsctsc, estrupícia... Mas deixa eu começar a explicar? Ou melhor, contar...

Logo depois de ter escrito o último post, liguei pra Dona Mãe. E como não poderia ser diferente, ela ficou numa alegria sem tamanho de saber que a filha má e pródiga voltaria pra suas raízes. Papai e irmãs também. E eu também, por que não?

Vou te confessar que foi difícil tomar essa decisão. Mas depois de ler todos os comentários carinhosos e cheios de desejos de felicidade e apoio que me foram abraçados [porque, no fundo, é como se os comentários deixados por você aqui fossem um grande abraço], abracei também minha decisão, e descobri que ela foi sim, a mehor que eu poderia ter tomado.

Mas então por que você não veio aqui correndo contar isso pra gente, estrupícia?! Você me pergunta. Ah... É aí que entra a vida, essa coisa mutante, que não pede licença pra se transformar e correr de um lugar pro outro. Na semana passada aconteceu o III Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, aqui na UTFPR, como eu havia comentado. Pois bem, eu sou bolsista, e bolsista tem que trabalhar. Nada mais justo, aliás. E além de ter que ajudar na organização do evento, eu tinha 3 artigos pra apresentar, em 3 grupos temáticos [conhecidos também como GTs] diferentes. Não, meu bem, você não leu errado. A insana pessoa aqui apresentou TRÊS artigos.

E apresentar artigo é como se colocar em um palco, pronta para receber tanto críticas como elogios. E mesmo a mais desinibida das pessoas não está imune ao medo de ter sua cria rejeitada. Ainda mais depois dos fatídicos episódios do último congresso [Oi? Você ainda não era frequentador do cafofo naquela época? É só conferir AQUI ó]. Mas meus medos acabaram sendo dissipados, e as apresentações foram maravilhosas. Recebi dicas incríveis pra continuar o trabalho. Vi a surpresa nos olhos dos ouvintes, que, atônitos, descobriam que História em Quadrinhos pode ser estudada dentro da academia. E senti um orgulho danado das 3 crias que foram apresentadas à sociedade científica.

Mas a rotina da semana que passou me tirou o chão. Saia de casa todo dia às 7 da manhã e voltava às 10 da noite. Depois de um dia andando de lá pra cá, e ouvindo incontáveis apresentações, chegava em casa com o corpo e a alma em estado de lowbatery. Pra quem ainda não sabe, há 2 anos eu sou estudante em tempo integral. E no último ano fui estudante em cárcere privado. Como não tinha mais créditos para cumprir, passava meus dias, noites e madrugadas em casa, às voltas com meus livros e meus escritos. Tinha me esquecido de como é passar o dia fora de casa...

Sem contar que Curitiba resolveu ficar nuts de uma vez por todas! O sol anda brilhando mais do que os olhos de um recém apaixonado, e o calor facilmente chega a 30 graus. Ah! Mas isso é normal, rapaz! Você pode me dizer. Sim, isso era normal quando eu morava em Campo Grande, cuja temperatura MÉDIA é 35 graus. Mas aqui, onde a média fica em 15 graus... Aiaiai...

Agora me diz uma coisa... Como é que você consegue dar conta de tudo, hein?! Todos os dias quando chegava em casa moída, ficava pensando em você, que trabalha fora, tem marido, filhos, casa , blog e vida... E tentava imaginar como é que você dá conta do recado...

Passado o Simpósio, veio mais uma mudança. Há algum tempo eu estava pensando em trocar o Don Corleone [que, pra quem não sabe, era meu computador] por um notebook. E depois que decidi voltar pra casa dos pais, isso seria necessário, porque lá não tem muito espaço, e Don Corleone acabaria sendo estragado na mundança. Afinal, acho difícil que ele saísse ileso de 1100 quilômetros de "passeio". Pois bem, num ato impensado, achei o telefone de um rapaz que queria trocar um note por um desktop. É esse mesmo! Pensei comigo. E eis que Don Corleone foi levado de minha vida...

Confesso que chorei. E depois ri de mim mesma, ao sentir falta de um objeto inanimado. Mas fiquei imaginando o quanto nossa vida é permeada, e muitas vezes até ditada, por objetos. No fim das contas, eles se tornam parte de nós, como um membro sobressalente, ligado em alguma porta USB virtual. E agora, no lugar de Corleone, está a Mafalda. Sim! Esse é o nome do meu notebook. Quem disse que eu não posso colocar nome de mulher em um computador? Mafalda não é tão potente quanto Don Corleone, mas, que há de se fazer? Ganha-se em um aspecto e perde-se em outro. A vida é assim, né não?

Oi? Ah sim! A ganhadora do sorteio! Péra lá, que isso vou deixar pro final do texto, pra fazer mais um pouquinho de suspense...

Antes, deixa eu te contar uma coisa muito boa? Essa semana, a Luma, do Luz de Luma, deu essa entrevista AQUI . Não é segredo que eu considero a Luma um dos nomes mais importantes de nossa blogosfera, e que a admiro como pessoa e como escritora. E não é que a bonita me deu um presente! Sim, um presente! Quando perguntada sobre quais blogues desconhecidos ela indicaria, a danada deu o nome do cafofo [e, merecidamente, também citou nosso querido Bicha Fêmea]. Eu não me contive de alegria! Luma, muito muito obrigada! Me sinto muito honrada sempre que você cita o Ainda MininaMá, e muito mais de poder fazer parte da sua vida virtual, e ter você fazendo parte da minha. Você ainda não conhece a Luma? Mas rapaz! Corre lá, criatura. AQUI, ó. Mas cuidado! Uma vez presente na festa da Luma, você nunca mais conseguirá sair...

Deixa eu aproveitar, e dar parabéns pra Luma, ainda que atrasado! Feliz Aniversário, minha querida! Que essa volta de sua alma em torno do sol  lhe traga muitas realizações, sorrisos, e lhe dê motivos pra continuar vivendo muito, melhor, e sempre!!!

Agora, eu quero agradecer e ao mesmo tempo pedir desculpas. Agradecer os comentários e a presença de novas carinhas aqui no cafofo. Sejam todos muito bem-vindos! E peço desculpas pelo sumiço daqui e de sua casa também. Não consegui, bonita, dar conta de tudo. Ainda mais agora, com a dissertação presente em minha vida dia e noite, acordada e dormindo. Mas eu prometo que vou fazer um curso de como fazer tudoaomesmotempoagora, e não sumir mais de nossa blogosfera.

Agora, o momento esperado. Antes de revelar a ganhadora, preciso agradecer. Muito obrigada a todos aqueles que participaram da promoção. E não só participaram, mas abriram seu coração pra ela. No fim das contas, percebi que a proposta da promoção se tornou um exercício, e fiquei muito feliz ao ver que foi um bom e saudável exercício. Assim que conseguir, faço um post com os nomes e os links de todos que participaram.

Sobre o sorteio... Fiz daqueles de papelzinho, bem à moda antiga mesmo. Quando abri o papelzinho me coloquei a rir. Muita gente vai achar que é balela o resultado, mas eu juro que foi o primeiro papel que peguei! Não tenho fotos, mas tenho testemunhas! Fiz minha vizinha "presenciar" o sorteio, mesmo a coitada não entendendo muito bem o que eu estava fazendo...

Como eu havia dito, gostaria de dar um prêmio para cada uma das almas que por aqui passeiam. Mas esse não será o último sorteio! Já estou programando um para o Natal, e muitos para o ano que vem. Então, quem não ganhou dessa vez, pode ficar tranquilo, que haverá muitas outras oportunidades.

Oi? Ah sim...A vencedora. A dona vencedora é uma fêmea, sim. Aliás, é uma Bicha Fêmea... Uma das pessoas mais queridas que já tive a oportunidade de conhecer, mesmo que esse conhecer seja virtual... Já deu pra perceber que a ganhadora é a Lidiane Vasconcelos, do Bicha Fêmea, não deu? Por isso disse no início que achariam que o resultado era balela. Ô mulher de sorte, viu! Parabéns, Lidi! Logologo seu presente chegará pelas mãos do correio...

E por enquanto é isso, meus amores... Para aquelas pessoas queridas que se preocuparam comigo, estou bem, viu. Feliz como há muito não ficava. Cheia de sonhos, planos [e coisas pra fazer, é claro]... E morta de vontade de voltar logo pro colo da dona mãe e do dono pai... E depois de alguns sábios conselhos que recebi, descobri que não há nada de vergonhoso em voltar pra debaixo das asas deles. Afinal de contas, não é muito melhor estar feliz lá, do que triste aqui?

O mundo tem exigido demais da gente, não tem não? Precisamos ser super-mulheres, sempre prontas pra enfrentar o mundo com nossas botas lustrosas e nosso cinto apertado. Somos obrigadas a ser independentes, a gritar ao mundo o quanto somos capazes. Mas...Capazes de quê? Penso que a única capacidade que devemos conservar sempre é a de ser feliz [e a de se adaptar, pois, como diria o velho e querido Darwin, o mundo é daqueles que conseguem se adaptar]...

Agora, você vai me dar licença, porque eu tenho muito cafofo bacana pra visitar, uma dissertação pra terminar, e uma vida inteira pra viver...

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre lágrimas, medos e escolhas...

Companhia Musical
Olha - Chico Buarque e Erasmo Carlos
Roda viva - Chico Buarque e MPB4
Sei lá  - Chico Buarque,Tom Jobim e Miucha
O mundo é um moinho - Cartola e seu pai
Samba da Benção - Vinicius e Toquinho

Companhia Literária
"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu" [Chico Buarque in Roda Viva]

"Depois da chegada vem sempre a partida/Porque não há nada sem separação" [Vinicíus e Toquinho in Sei Lá]


Você deve estar se perguntando onde demônios a estrupícia dona deste blog se meteu, e com razão, já que faz uma semana que ela não dá as caras. E eu sou obrigada a admitir que a dona moça se meteu no meio de um furacão, daqueles que passam, arrancam os telhados e as estruturas; daqueles que impedem que se enxergue algo além do caos; daqueles que não deixam que o sol nos abrace e aqueça o frio que a alma sente.

Primeiro veio o trabalho. Muito. Acumulado. Exaustivo. De horas e horas em frente ao computador, amaldiçoando os inventores do pacote Office. Foram horas fazendo listas no Excell, apresentações no PowerPoint, textos no Word. Por quê? Pra quê?você me pergunta. Na semana que vem a UTFPR irá promover o III Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, um evento importantíssimo na área, e para o qual eu estou, e estarei, trabalhando. Aliás, quem for de Curitiba, e tiver interesse, acesse esse site AQUI, ó, pra ter informações sobre as datas e horários.

Mas não pense que estou reclamando de ter que trabalhar não, viu. Estou é feliz pra diabo de poder contribuir com a instituição que me faz tão bem, que me ajudou a crescer não só como profissional, mas também como pessoa. Fico feliz de honrar a minha bolsa em prol da divulgação de uma área tão importante, e que ainda tem tanto a evoluir. A parte do trabalho é bacana, o problema são os programas do inferno!

Bicho! Eu prefiro ter um filho VIADO do que um filho PowerPoint! Estava eu, quebrando a cabeça pra transformar meus 3 artigos em 3 apresentações dessa maldição [Oi? Pois é, rapaz! Vou apresentar 3 trabalhos em um mesmo congresso. Bacana, né? Meu Lattes está todo prosa...], mas ela me tirou do sério! Ai que saudade que eu sinto do retroprojetor, viu. Era tãããão mais fácil... Mas, fazer o quê?! Lutei com o bicho até o fim, e terminei.

Mas o furacão não foi trazido pelo trabalho, não... Ele veio de dentro, assim, como uma lava de vulcão adormecida, pronta pra pegar todo o vilarejo de surpresa...

Quem é cliente assíduo desta saleta já conhece meu problema com as aranhas. Sabe que sou aracnofóbica. E por favor, não confunda fobia com frescura... Frescura eu tenho quando vejo uma barata. Daí me permito ser mulherzinha e subo na cadeira. Fobia eu tenho quando vejo um aracnídeo. Sabe o que é fobia? É quando seu coração acelera, você começa a chorar, sente suas pernas presas ao chão, sente falta de ar, e um enorme sentimento de incapacidade. Isso é fobia. E é isso que eu sinto cada vez que vejo uma aranha.

Pois bem, só essa semana foram 5. CINCO! E a de hoje foi a campeã. Morta [graças ao veneno] ela tinha o diâmetro da palma da minha mão. Agora imagine a bicha viva? Imaginou? Pois bem... Essa é a imagem que tenho todos os dias quando fecho os olhos pra dormir. Há um ano, desde que uma dessas resolveu entrar sem ser convidada em minha casa. Há dias em que fico tão apavorada, normalmente quando elas aparecem, que tenho medo de dormir, porque pra isso tenho que fechar os olhos.

Você deve estar se perguntando por que existem tantos bichos assim no meu cafofo. Falta de limpeza não é, porque elas só vêm quando eu limpo a casa. De verdade! Acho que elas ficam doidonas com o cheiro do desinfetante, só pode! Deve dar barato nas malditas! Há uma bruxa a quem admiro muito que diz que aranhas são sinal de boa sorte. Eu até tento pensar assim, mas, olha, não é fácil não, viu nego! E a única explicação razoável pra existência permanente delas é que na rua de trás existe um miniecossistema, logo, elas se procriam lá. Agora, por que elas escolhem justo a MINHA casa? Ah... Sabedeusquenasceuantes!

Mas é só por causa das bichinhas que você está assim, estrupícia? Você me pergunta... E eu sou obrigada a dizer Senta, que lá vem história... Sabe quando a gente vai chegando ao fim de alguma coisa? Não dá aquela sensação de "E agora, José?"? Não dá uma angústia, um medo, uma sensação de impossibilidade? Uma necessidade de escolhar um caminho, acompanhada de um tremendo medo de escolhar o caminho errado? Escolher deveria ser sinônimo de abdicar. Afinal de contas, quando se escolhe um caminho, se abdica de tantos outros...

Tomar uma decisão significa chamar a responsabilidade do último pênalti da final de uma Copa do Mundo. E a gente não quer fazer igual ao Roberto Baggio, quer? A gente quer poder fazer uma escolha e seguir, de mãos dadas com ela, em paz. Mas isso só acontece em filme enlatado. A vida, assim como a verdadeira arte, não aceita finais felizes. Afinal de contas, se o contrário fosse, o final da vida não seria a morte, seria?

Você deve estar pensando no que aconteceu com a mulher que há poucos posts estava exaltando a vida, e sorrindo sem motivos. Ela continua aqui, não se engane! Não ache que isso é um ataque de pessimismo sem cura! Não! Isso é uma forma de tentar entender que a vida vale cada segundo, e que de nada adianta remoer as escolhas que não foram feitas. Um dia pode ser uma vida inteira!

Dois gênios da literatura já haviam descoberto isso quando escreveram Ms. Dalloway [Virginia Woolf] e Ulysses [James Joice]. Pra quem não conhece as obras, ambas retratam as 24 horas de um dia na vida de algumas personagens. Ao dizer que o livro todo se passa em apenas um dia, pode-se ter a [falsa] impressão de que é muito pouco. Mas não! Basta ler qualquer um desses livros pra se dar conta do quanto de vida cabe em um dia!

Nós somos uma colcha de retalhos, onde cada retalho é feito de um dia de nossa vida. Imagina se pararmos pra observar apenas os retalhos que já costuramos? Acabaríamos nos esquecendo de costurar os que estamos vivendo. Assim, no final, a colcha acabaria incompleta, esfarrapada. Os retalhos antigos estariam gastos, de tanto serem remexidos, e os retalhos novos estariam mal costurados...

E assim como no livro dos gênios, minha vida coube toda no dia de hoje. Desde o encontro com a aranha na porta logo pela manhã, até a constatação de que se eu fosse menos humana, talvez eu conseguisse errar menos. Hoje tive uma conversa muito triste com um amigo. Um amigo de uma vida toda, que, por conta da falta de palavras, se tornou um motivo pra que as lágrimas saíssem pra passear de meus olhos. Como naquelas brincadeiras em que a gente coloca os dominós uns atrás dos outros, sem tentar derrubar, nós acabamos tropeçando em um e derrubamos os outros. Hoje eu parendi que o amor também está nas palavras.... Por um engano meu. Por um erro de tradução. Por uma frase elíptica, acabei sofrendo pela perda, e fazendo com que ele também sofresse. Por calar ao invés de falar, nos magoamos. E um amor tão grande acabou se tornando um piano de cauda a ser carregado...

E depois de ver que uma escolha errada me roubou uma amizade importante, o medo me deu um abraço de urso, e não me soltou mais. Nem a voz do Bonito ao telefone conseguiu tirar de mim aquele nó na garganta de quem sabe que tantos erros foram cometidos, e que nenhum deles pode ser apagado. E como em uma bola de neve, todos os erros dançam cirandinha em minha frente...

E no meio da roda, vendo todos os anéis que haviam sido quebrados, não pude deixar de chorar. E como rezam as lendas, esse choro me lavou a alma. E então pude enxergar além do furacão. E então fazer uma escolha. E por saber o quanto você se importa comigo, e por me importar muito com a sua opinião também, vou lhe contar minha escolha. Ainda que ela não esteja concretizada, pois depende de outras pessoas, mas eu já a abracei e peguei pelas mãos.

Em setembro agora completei dois anos morando em Curitiba. E em dezembro faz um ano que moro só, neste cafofo. Foram dois anos completamente diferentes. No primeiro, fui anestesiada pela novidade, pela descoberta. No segundo, fui atingida pela dor e pelo aprendizado. Estou a alguns meses de terminar o mestrado, e sinto como se minha tarefa em Curitiba estivesse cumprida. Sinto que está na hora de deixar a casinha de bonecas pra trás e voltar pro meu interior. Sinto que preciso recarregar minhas bateria ao lado de minhas raízes...

Ao mesmo tempo, olho ao meu redor e vejo que se voltar, vou deixar pra trás tudo o que construí aqui. Não tenho certeza se meu caso com a cidade já acabou. Não sei se vou conseguir me adaptar à vida antiga. Fico me perguntando se voltar a morar com meus pais não seria retroceder... Fico com medo de me contradizer, pois havia dito que não voltaria mais pra lá. Mas, se até o Excelentíssimo líder do PT retirou o que disse, por que eu, mera estrupícia civil, não posso voltar atrás, né não?

Como bem disseram Vinicius e Toquinho "Depois da chegada vem sempre a partida/Porque não há nada sem separação"...

No fim das contas, não voltarei pra mesma vida, assim como não voltarei a mesma. Será uma nova vida. Uma nova escolha. Com alguns retalhos antigos, mas que merecem uma linha mais bonita... E nesse momento, depois de um dia inteiro em minha vida, depois de uma madrugada em claro, me sinto bem em minha própria pele.

Mesmo que eu tenha cometido erros, ainda que eu não tenha feitos todas as escolhas possíveis, fiz as escolhas certas. Como descobrimos, eu e um amigo, certa vez, não existe escolha errada, todas as escolhas que fazemos são certas, porque são nossas...

Me lembro bem de um amigo, a quem não vejo há muito tempo, que sempre dizia  [citando alguém que não me lembro agora] que "no final tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou ao final". E sabe que o bêbado tinha razão? Todos os nossos momentos têm um final, e nem sempre o certo é o melhor, é só o certo. Pra quem ou sob que ponto de vista,  aí já são outros quinhentos. É certo, é nosso.

E não é que no final do texto, tudo deu certo, rapaz?


*******
Patrícia está esperando amanhecer pra ligar pros pais e avisar que resolveu voltar pra casa deles. Já consegue ver o sorriso dos velhos e  o abraço que espera o retorno da filha pródiga.

Patrícia queria muito dar um abraço no Bonito, e agradecer pelo sorriso, ainda que distante. [E nem adianta me perguntar quem é o tal Bonito, que não revelo nem sob tortura!]

Ah sim! Ela jura que hoje vai fazer o sorteio da promoção. E pede desculpas pelo mistério. Mas, ó, cá entre nós [você e o Narrador  estrupício aqui] ela está é com medo de desapontar os outros leitores que não ganharam o prêmio. Mas sabe que você vai entender se não ganhar, não vai?

Ela não sabe como será o amanhã, mas pede que quem souber não diga. Quer descobrir com sua própria humanidade, que pode ser sim, cheia de erros, mas que também é feita de muitos sorrisos de aprendizado.


"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"
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