sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pare um pouquinho, descanse um pouquinho...

Companhia Musical
Por onde andei - Nando Reis
Pra você guardei o amor - Nando Reis e Ana Cañas
Sereníssima - Legião Urbana
O caderno - Toquinho (Animação fofíssima! Vale a pena ver...)
Sinal Fechado - Paulinho da Viola

Companhia Literária
"Quanto mais nos relacionamos com os outros, mais conhecemos a nós mesmos, e é uma boa surpresa descobrir que, afinal, gostamos de quem a gente é, e quando isso acontece fica mais fácil voltar ao nosso local de origem, onde tudo começou" (Martha Medeiros in Doidas e Santas, p.223)

Companhia Quadrinística
Mafalda, de Quino

Você deve estar pensando agora: ainda bem que a estrupícia não é política, pois se fosse, jamais cumpriria suas promessas. Ou será que sou eu que estou pensando assim? Ou será que, no fundo, sou mesmo política? Sabe-se lá... Só sei mesmo é que queria muito ter postado aqui tudo o que aconteceu nos últimos 15 dias, queria ter podido digitar todos os textos que criei nas longas viagens de ônibus até o trabalho, queria ter pedido desculpas por não conseguir dar conta de, ao menos, ligar o computador, tão grande era o cansaço que me tomou conta.

Oi? Quer saber o porquê do sumiço desta vez? Essa imensa e imprevisível caixa de pandora que é a vida. No dia do último post, eu estava praticamente de férias, sem emprego, com a dissertação terminada, só esperando a correção, e cheia de madrugadas em claro e manhãs no escuro do quarto. Passados 3 dias, recebi 3 ofertas de emprego, chegou a correção da dissertação, que deveria ser feita praontem, e então passei a acordar e dormir no escuro da noite. Como se o furacão de Doroty tivesse me dado uma carona até a casa da Bruxa Má do Leste, fui me arrastando, da cama pras escolas e das escolas pra cama.


Tinha me esquecido de como é trabalhar... Não lembrava mais o que era acordar cedo, dar conta de uma sala de aula cheinha de hormônios à flor da pele, ter que preparar aula, e ainda viver. Quer dizer... viver eu vivi, só não consegui parar o mundo pra descer um pouquinho que fosse, até ontem...

Às cinco da manhã meu despertador toca, e eu só não o jogo contra a parede porque não tenho forças nem pra abrir os olhos. Me corpo reclama de ter dormido apenas 3 horas [como se não tivesse feito isso nas últimas duas semanas, oras!]. Às 5:40h  já estou dentro de um ônibus lotado de gente que também adoraria ter jogado o despertador na parede. Fico em pé. É inacreditável o tamanho da multidão das 5 da manhã! [me lembra o episódio de Gilmore Girls em que a Rory arrastou Lorelai da cama num sábado de manhãzinha...]

Desço no terminal e lá vou correndo tomar mais um ônibus; esse, menos lotado, talvez por ser um pouco maior... Chego no ponto da descida, e o sol ainda se espreguiça, como quem diz Péra lá que já ilumino o caminho pra você! Deixa eu acordar primeiro. Enquanto caminho o quilômetro e meio do ponto até a escola, tentando domar o sono e o cansaço, olho pro céu em minha frente e vejo o sol surgir por trás das árvores do parque. Todo dia é assim, dou bom-dia ao sol. Nos outros dias, ficava lembrando daquelas pessoas que dizem que é preciso ver um nascer do sol pelo menos uma vez por mês... Internamente eu as mandava pra putaqueopariu! Experimenta então ver o nascer do sol todo dia, vai!

Mas ontem não. Ontem eu olhei pro nascer do sol e me senti privilegiada. Lembrei da saudade que eu sentia dele quando morava em Curitiba. Olhei praquela aquarela de vermelhos, e agradeci por presenciar um espetáculo tão trivial, e, talvez por isso mesmo tão bonito. Cheguei à escola e dei aula pra duas turmas. Na verdade, "dei aula" é só expressão de conveniência, porque numa delas passei mais da metade do tempo dando sermões e pedindo silêncio. Quando consegui o silêncio, BUM, o sinal bateu me livrando da guerra.

Sai da escola cabisbaixa e já totalmente esquecida do nascer do sol. Nascer do sol é o caralho! Só conseguia pensar no sol que me aguardava no quilômetro e meio de volta até o ponto, que eu ainda tinha que dar aula a noite toda [Poxa! Em plena sexta-feira!]. Foi quando vi um oásis: uma árvore imensa e uma barraca de água de coco, bem ali, a uma quadra da escola. Sentei numa das cadeiras, pedi uma água de coco, e olhei ao redor. Porra! O parque está aí! Aliás, ele esteve aí todos esses dia, [no meio do caminho tinha um parque, tinha um parque no meio do caminho...] e eu nem sequer notei sua presença. À minha frente, o lago e todo o verde que diz baixinho respira...inspira...

Enquanto tomava a água geladinha, pensei no quanto as caminhadas estavam me fazendo bem, afinal de contas, com tanto trabalho, eu nunca que ia ter tempo pra andar 3 quilômetros por dia. Pensei também no quanto estava feliz de ter voltado a dar aula, apesar de até aquele momento não ter tido tempo de dar um sorriso sequer por conta disso. Pensei que não custava nada acreditar no amor, ainda que ele não tenha se materializado em minha frente [tampouco esteja sendo vendido no Mercado Livre com frete grátis]. Pensei que não estava me relacionando com os outros, talvez por isso, tenha me esquecido de mim também... E decidi que preciso aprender a administrar o tempo, o meu tempo. Afinal de contas, ele é meu, e só cabe a mim decidir como usufrui-lo.

É, acho que a palavra certa é usufruir... Não quero mais gastar o meu tempo, tampouco perder tempo. Quero sorver cada gota de cada segundo que ganho de presente todos os dias... Mas não quero, desenfreadamente, atropelar o silêncio que me abraça, nem a solidão que me pede colo. Quero também ter alguns minutos de descanso. Algumas horas de sono. Um ou outro dia em que só o que me importará serão as cores do céu e dos meu pensamentos.

Em Doidas e Santas, de Martha Medeiros, no meio de tantas crônicas sensacionais, há uma ("Os olhos da cara") que casa direitinho com essa história de mudar, na qual em certa altura diz assim: "Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e a recompensa fica escancarada na face" (p.226). No fundo, esse mudar é também um pouco de voltar pro nosso lugar de origem, como Dona Martha já nos disse lá na companhia literária. 





Quer saber? Acho que, de uma vez por todas, descobri que essa coisa de mudar é incrível. Não só bom, mas necessário e parte intrínseca da vida. Só não quero mais ser carregada pelo furacão do Mágico de Oz. Prefiro ser levada pela brisa da manhã, e, de preferência, pra bem longe da casa da Bruxa Má, esteja ela no ponto cardeal em que estiver. Mas... Se o furacão me fizer viver uma aventura tão divertida, e trouxer consigo o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão Covarde para passearmos pela estrada de tijolos amarelos, então podem me incluir na carona do furacão, que eu topo até tomar chá com as quatro bruxas de uma vez ...

Oi? Você achou esse post fofo e muherzinha demais? Até parece que estou mais apaixonada pela vida? Ou então que decidi que o amor nem é aquele bicho de sete cabeças que eu pintava? Pois é... Uma hora a gente muda. Oi? Será que a tal mininamá do coração de gengibre não existe mais? Ah... Também não é pra tanto, afinal, tem coisas que nunca mudam, né não?

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

16 comentários:

  1. Mudanças são necessários em alguns momentos de nossa vida, desde que sejam mudanças boas, claro. Que bom que a mininamá não acabou auhuahs.

    Beijo.

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  2. É sim, algumas coisas nunca mudam, a essência. De resto... ainda bem que existem as mudanças e que nos entregamos a elas. Eu posso falar de diversas Lucis que conheci nesses 50 anos. Mudar não é fácil, ainda mais grandes mudanças como a sua e que eu já vivi pelo menos 2 vezes. Depois dela feita vem o período de adaptação, de acomodação, colocar tudo no lugar, nossas coisas materiais e nossas coisas emocionais.
    Nesse texto você falou de algo muito importante, o olhar que temos em relação a vida. Podemos escolher o que queremos olhar e como queremos olhar.
    Nossa, prá um domingo de manhã tou danada hem? hahaha vou ali pegar outro café e acender outro cigarro e reler seu texto. AAhh como gosto de ler você, viu?
    Te gosto um tantão assim, viu?

    beijo grande e cheio de carinho.

    ps quando tomar água de côco no parque e olhar para o lago, lembra que eu ía adorar estar ali com vc :)

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  3. Pronto!!!
    Embora tenha falado contigo por e-mail e Orkut, preciso dizer que estava com saudades de te ler por aqui. :)

    Até te perguntei no Orkut sobre trabalho, mas esse post já me respondeu. Pelo visto, surgiu trabalho até demais, né? Caramba!!

    Bom, pelo menos entre mortos e feridos, você está bem. Que bom que você sobrevive, mas decidiu que quer mesmo é viver. Se é possível escolher viver, viva, bonita!!! Nem que para isso seja necessário uma mudança, uma senhora mudança. Ás vezes é preciso que seja assim mesmo. E a gente até se assusta e chora com tudo o que vem com ela, mas sorri ao entender quando ela é boa. Espero que as mudanças que você planeja venham cheias de benefícios, e que não demore muito você reconhecê-los. :)

    Fique bem.
    Beijos.

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  4. Oi ! Quanto tempo !!! Eu tava mesmo com saudade de 'te ler'. É bom saber que você tá bem. Por aqui sinto aquele marasmo que precede as grandes tempestades... Nessa hora a gente prende a respiração, como quando, no mar, vê uma onda enorme vindo direto pra cima da gente e sabe inevitável o caixote ! Que venha a mudança !

    bjobjo

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  5. Eu AMEI esse post. E posso falar ? Estava MORRENDO de saudades das suas escritas. Elas não são nem um pouco soberbas, são de uma simplicidade que me faz rir e esquecer por alguns momentos a minha vida.

    beijos.

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  6. Eita, que eu estava com saudades!!!!!!1

    Paty, que legal que surgiram 3 propostas de emprego! Fico feliz que esteja consuindo ver o lado bom das coisas corriqueiras da vida. No final de contas, é isso o que importa. Felicidade é consguir parar e ver a vida pela janeila, como vc está fazendo. Tudo passa tão depressa, se a gente bobear, perde a vista mais linda do lado de fora, preocupada com as "besteiras do lado de dentro".

    Já disse que adoro seu jeito de escrever? Já? Então, eu repito. Não custa nada. Sei que vc deve gostar de ouvir.

    Eu me vejo em seus textos, eu sinto exatamente isso quando estou num corre-corre. Paro e olho em volta tudo o que há de bom.

    Há cerca de 20 dias, por causa de uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça, o Tribunal passou a funcionar com uma hora a mais por dia. Senti a mudança, passei a almoçar às 15h. Meu relógio biológico reclamou. Mas depois eu percebi quantos insritos tinham no concurso que estamos fazendo. Quase 3 mil pessoas disputando "uma" das vagas que hoje eu ocupo. Eu parei de reclamar e agradeci a Deus pelo meu emprego. Tem coisas mais importantes que reclamar de nossos problemas. Tem sempre alguém em situação pior. E no fim das contas, nossos problemas nem são tão grandes, se olharmos um pôr-do-sol (de vez em quando, não precisa ser diariamente, vá lá...)

    Estou ansiosa para que com essa correria toda vc encontre tempo para escrever seu livro. Serei uma das primeiras a comprá-lo.
    Bjks

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  7. Eita, que sua rotina me lembrou uma cena de O Iluminado, quando Jack Torrance olha para a sua máquina de escrever e vê uma só frase escrita zilhões de vezes nas folhas de papel: muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão...

    Bom dia, Sol? Na-não. Sou um ser da noite, como meus heróis e meus vilões de estimação. Por isso que eu escolhi trabalhar onde Judas perdeu as meias, mas com a prerrogativa de ter um horário de 14:00 às 22:00!...

    Mas, tem horas em que a vida nos pega num furacão daqueles, mesmo, e tudo o que você consegue fazer nesses momentos é se deixar levar, além de torcer para que nossas pessoas queridas compreendam nossos sumiços (no mais da vezes) involuntários... XD

    Se, por acaso, você achar de novo o portal para a Estrada de Tijolos Amarelos, você me leva junto? E deixa o Homem de Lata para mim? XD

    Bração procê e boa sorte em sua correria diária!...

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  8. A música O Caderno é muito linda, sempre lembro dos meus professores.

    Linka meu blog ai amiga.

    abraços


    Hugo

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  9. Triste essa rotina de acordar cedo, mais faz parte de quem mora em cidade grande, aprendemos a tirar o maior proveito desse tempo.. não o tornar perdido e sim aprender a somar ele no dia a dia...

    uma caminhada faz bem e como.. mais bate uma preguiçaaaa.. vontade de piscar e parar na frente do trabalho...

    adorei seu trabalho aqui no blog... vou aparecer mais vezes..

    bjs

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  10. Oi Patricia
    Que saudade! Preciso ler Doidas e santas, kkkkk, por aqui tem gente dizendo que o titulo é perfeito pra mim!!!
    Tive que esperar os 20minutinhos habituais pra carregar a janela de comentários, só pra dizer que vc fugiu de mim! Quer dizer que quando eu saio da toda ensolarada e tropical Antonina e caio de paraquedas em Quatro Barras ( aqui é mais frio que em Ctba), você foge pra Campo Grande? Como pode isso?
    Olha, senti todo o peso da mudança, que no meu caso aconteceu num momento muito complicado da familia, mas to aqui redescobrindo as possibilidades!
    beijosss
    Muito bom te ler de novo!

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  11. Bonitas,
    Muito muito obrigada pelo carinho e pela presença, viu!
    Juro que assim que puder respondo com calma os comentários, e corro pra dar um beijo em cada uma de vocês [infelizmente não pessoalmente]...

    Descobri a tal da postagem agendada, então já preparei posts pra uns dias, até dar tempo de eu respirar e voltar pra falar com vocês.

    Tenham todas uma ótima semana!
    Um beijo beeem grandão procês!

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  12. Menina, eu tô é doida. Chamei de pôr-do-sol a alvorada... eita!!!! Foi mal.

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  13. Amiga

    Vi que vc tinha voltado, postado e até me feito visita. Mas ler seus posts e comentar requer tempo para ler e digerir a informação. Gosto disso, parece que fica melhor já que imagino vc escrevendo sobre, rsss.

    Fico feliz de ver vc feliz, apesar de todas essas mudanças. Sei que vc é adaptável e logo tirará isso de letra. Que bom que voltou às salas de aula. O sistema de Educação precisa de vc, desperdício deixar de compartilhar efetivamente esse conhecimento com as crianças e jovens.

    Tb tô numa fase de mudança e estou aprendendo na marra a uma nova realidade. Mas estou tentando, vivendo um dia (e resolvendo um problema) de cada vez.

    Qto ao perregue dos coletivos, bem-vinda ao clube, passo por isso todo dia e também tento olhar pro sol e ver algo de bom nisso tudo.

    Abraços.

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  14. Patrícia
    Adorei o seu post... não o achei demais apaixonado ou emocionado. Achei sincero. Também tem dias que me emociono com algumas coisas simples, como um sol lindo pela janela do escritório e tudo vai por água abaixo (literalmente, com a chuva de ontem em SP, perdi totalmente meu humor depois 1h e meia no trânsito, tendo que colocar o carro em pontos de alagamento). Chego em casa esgotada, a ponto de não ir para o ballet, isso é, de me negar uma coisa que me dá um prazer absurdo...
    Enfim, acho que temos este altos e baixos em relação ao que vemos. É normal.
    Beijos
    lelê

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  15. Mudanças...sempre será bem vinda...acredito de verdade q nunca vem por mau...sempre vejo o lado positivo, pois sou daquelas q acredita na esperaça de dia melhor...sempre.

    Adorei..seu blog...estou navegando pra divulgar meu blog.

    Visite meu blog e se gostar vai ser um prazer ter sua companhia.

    bjs

    www.tatidesignercake.blogspot.com

    ResponderExcluir

Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
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Um beijo procê!

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