domingo, 23 de maio de 2010

Três meses depois...

Companhia Musical
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Companhia Literária
"Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores" (Cora Coralina)

Companhia Quadrinística

Fábio Moon e Gabriel Bá - 10Pãezinhos

Três meses. Exatos três meses separam este texto do último que fora postado no blog. Nesses 90 dias, foram inúmeras as vezes em que sentei em frente à Mafalda para escrever, mas em nenhuma consegui terminar um post. Me parecia que as palavras estavam trancafiadas em minha cachola, e se recusavam a sair para passear. Foram vários os textos que escrevi mentalmente, mas nenhum deles se prontificou a morar em um post.

Muitas vezes quis vir compartilhar um filme assistido, uma dor sentida, um sorriso dado, um arco-íris duplo [Acredita que vi um par de arco-íris dia desses?!], uma frustração, um presente [Luci! Mais uma vez, muito obrigada! Logo a blogosfera vai ver a lindeza do meu presente!], um filme assistido... Mas em todas as vezes me sentia no dever de explicar a ausência. Me sentia obrigada a dar longas explicações, e fazer uma lista com muitas desculpas... E acho que foi aí que errei. Errei ao achar que a explicação era um dever, pois, no fundo, meus leitores são grandes amigos, e amigos sempre compreendem nossas grandes ausências... Por isso, por saber que você compreende, irei me furtar de escrever aqui palavras cheias de desculpas, e deixar claro que a vida me ausentou sem que eu percebesse...


Ontem assisti "O Pequeno Príncipe" (1974). Se você não leu o livro, devo dizer que perdeu uma das mais incríveis experiências literárias que se pode ter. Se você já leu o livro mas ainda não viu o filme, devo dizer que perdeu a oportunidade de ver os personagens do livro criarem vida e cor na tela. O filme é incrível! O garoto que fez o Príncipe é a criança mais adorável que já vi na vida! Diante das lágrimas ou da risada do principezinho, eu me rendi, e, ao menos por 88 minutos, acreditei que esse mundo ainda tem solução... Chorei, me encantei, amei, enfim... senti tudo aquilo que só a boa e velha catarse é capaz de nos proporcionar. [Pra quem quer aproveitar, comprei o dvd na Americanas, pela bagatela de 13 contos! Corre lá!]

O que isso tem a ver com o post? Tudo... Nada... Sabeselá! Esse post de hoje está um tanto nonsense... Só não digo que é um Samba do Crioulo Doido porque não tem o formato certo... Por falar em formato certo... Sabe que uma das coisas que me impediu de escrever foi querer manter o formato das postagens? E escolher as "companhias" certas dá um trabalho danado... No fim, não queria colocar um post pela metade, e acabei não colocando nada...

Confesso que hoje não estou em um bom dia [ou boa noite...]. E talvez esse post seja um tipo de desabafo, ou então um pedido para que você me empreste seus olhos para que eu possa repousar minhas palavras...

Hoje parei pra pensar um pouco em mim, só em mim. Sem pensar em alunos, escolas, pais de alunos, mestrado, concursos, didática, e tudo o mais que tem ocupado minha cabeça nesses últimos meses. E descobri que perdi esse pronomepessoaloblíquo no meio do meu caderno de planejamento... Hoje, sábado à noite, estou fazendo o que me acostumei a fazer em praticamente todos os finais de semana depois que voltei a dar aula: preparando aulas, estudando, pensando em como posso ser uma professora melhor...

Eu sei, seu sei... É a típica imagem daquelas professoras gordas, que usam óculos e que tem apenas um gato como companhia. Gato esse, aliás, que comerá metade de sua cara quando ela morrer de um ataque cardíaco no meio da sala. Mas não! Essa não sou eu! Eu juro! Tudo bem que estou de óculos, e que engordei um número no manequim [já te contei que não subo mais em balanças? Sei que engordei quando os jeans ficam apertados ou então não cabem mais...], mas me recuso a ter gatos, e, acima de tudo, moro com mamãe e papai agora, o que me impede de apodrecer no carpete depois de morta... 'Tá bom... Sei que isso parece meio mórbido, mas juro que na minha cabeça ficou engraçado! Mas enfim...

O que tento dizer é que não estou de todo infeliz com a situação. É claro que minha vida extra-escola praticamente inexiste, mas, nofundonofundo, estou feliz. Não agora, pra falar a verdade. Agora me sinto incompleta. Ao olhar pro esmalte descascado, pra pancinha que insiste em querer sair da calça, pras costas tortas, quase parentes do Quasímodo... Ao olhar pra tudo isso sinto falta da Patrícia. Tenho vivido a vida da Professora Patrícia. Mesmo nas festas, meu assunto principal é a escola. Sabe mãe? Aquela que quando vê uma roupa pensa no filho; que nas conversas com as amigas só fala dos filhos; que antes de dormir pensa em como ser uma mãe melhor? Pois então... Eu me tornei mãe de (mais ou menos) 250 alunos. E como toda boa mãe, me sinto absolutamente insatisfeita! E, é claro, me esqueci de mim...

Talvez seja porque fiquei longe da docência por 3 anos, e me sinta quase marinheira de primeira viagem outra vez. Talvez seja porque me sobrecarreguei de trabalho. Talvez seja porque precisava mesmo de uma desculpa pra me esconder de mim mesma, afinal de contas, forma muitas mudanças em um período muito curto...

Em novembro de 2009, eu morava sozinha em Curitiba. Era mestranda bolsista, e minha vida era estudar literatura e história em quadrinhos dia e noite. Em maio de 2010, moro com meus pais, ministro aulas de Inglês pra alunos do Ensino Fundamental, e minha vida é ser professora. Passei de estudante sozinha a professora rodeada de gente fulltime!

No último post eu já havia falado um pouco sobre essas mudanças, mas agora é que parei pra pensar de verdade sobre elas. Não sei se foi Le Petit Prince... Só sei que passei a ver a vida com outros olhos [os do coração, talvez]. E hoje meu coração está doendo... Sei que amanhã, quando eu acordar, ele doerá menos. E que na segunda, quando dou aula das 7 da manhã às 3 da tarde (com meia-hora de almoço), eu nem me lembrarei que tenho coração. Mas agora dói, e eu precisava que alguém segurasse minha mão, por isso escolhi você...

Você que me acompanhou nesses últimos 2 anos. Você que conheceu minha casa, e que deitou na minha rede tantas vezes. Você, que não é um mero leitor do meu blog, mas um amigo... Você que me deixou recados, que me mandou beijos e reclamou da ausência. Ou então você que vinha aqui e sentia falta das minhas descompromissadas palavras. Mesmo você que acabou de chegar. A você, muito obrigada!

Obrigada por acalentar minhas palavras, meus sorrisos, minhas lágrimas. Obrigada por já ter se esquecido que me ausentei por três meses, e deixar suas palavras cheias de carinho nos comentários assim que o post acabar... Não prometo postar todo dia, afinal de contas, minhas promessas agora têm tanta credibilidade quanto a dos políticos: nenhuma. Mas vou voltar a blogar. Isso é certo...

Mas e você, o que aconteceu com você nesses três últimos meses? Conta pra mim, que estou morta de saudade de ler suas palavras...

"Agora diga tchau, Lilica.
Tchau Lilica!"

17 comentários:

  1. Maneira perfeita de começar o domingo, a semana. Há muito tempo atucalho o marcador do blogroll, para ver algum sinal de fumaça em seu blog e hoje, fiquei surpresa ao ver que ele era o primeiro da lista, com uma atualização recente.
    Paty, vc não pode nos abandonar. Suas palavras fazem muita diferença na blogosfera. Muitas vezes me peguei imaginando que te impedia de postar, o que estava te ocupando tanto. Mas como vc mesma falou, não precisa se justificar.

    Adorei seu retorno e espero que dessa vez não nos deixe tanto tempo sem sua presença.
    Um abração,
    Claudinha.

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  2. Nada melhor poderia acontecer nessa manhã de domingo do que ver seu blog atualizado na minha ista e corri prá cá. Ontem mesmo pensei: aquela danadinha me disse que estava voltando e nada, vou deixar recadinho no orkut...
    Porém conforme fui lendo seu post as lágrimas começaram a cair e o coração a doer mais. Sim, primeiro eu hoje estou muito triste, fui dormir triste na esperança de acordar melhor, mas não. Quem mais amo também consegue me deixar nessa tristeza sem tamanho e me sentir impotente diante da situação deixa tudo pior.
    O coração doeu porque também já me perdi de mim. Foram anos sem saber quem eu era, o que eu queria, se eu realmente existia. Depois veio o processo de reencontro que foi muito difícil também.
    Não temos que justificar nada para os amigos de verdade. Embora amemos seus posts eles não precisam ter a forma correta porque acima de tudo amo você. Quero ler seus posts e vê-la. Eles devem reletir você e seus sentimentos. O blog pode ser uma grande amigo para você nesse momento difícil. Se não tem companhias, o que importa? Importa você, como é e como está.
    Acho que vc já sabe né? Mas vou dizer assim mesmo: aqui tem colo prá hora que quiser, e com direito a cafuné. Afinal sou ou não sou a mãe virtual? Isso vai passar, principalmente que você sabendo como está, saberá ir mudando isso na hora certa. Mas não demora muito a se procurar, hem? Não se acostume a ficar longe da sua essência. E não se acostume, principalmente, a tristeza, pois você nasceu para ser feliz.
    Vou parar por aqui porque esse comentário já virou um post né? hehehe

    Lov u demaisdaconta

    ah já assisti ao filme e é muito lindo mesmo.

    beijo do tamanho de nós duas abraçadas :)

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  3. Ai! ai! Eu ia reclamar..."como esta menina má é má, como ela faz falta", mas depois me perdi nas Companhias Musicais e Literaria...Simon e Garfunkelme levaram pra lembranças doces...lindas, e Cora Coralina pro seu mundo de poesia enterneceu meu coração...Passei quase 2 horas neste deleite...Obrigada Menina!!!Vem mais vezes me fazer sonhar...Bjs.

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  4. Aeeeeeeee! Que bom que você voltou a escrever!! Fiquei mó feliz quando vi sua atualização na minha lista, e há muito tempo vinha pensando no seu sumiço.

    Então, me lembrava de que agora você estava dando aulas e mais aulas e mais aulas, e pensava: bem, é isso; escola consome a gente mesmo, e olha que eu nem sou professora!

    Me reconheci em você quanto aos posts encroados, pensados e não-escritos (parece que são os melhores que compomos, hehehe!) e cheios de desculpas pelo sumiço... Fora a questão da forma, também, que acaba prendendo um pouco a nossa criatividade.

    Boa sorte na sua busca! ^^

    Beijocas e seja bem vinda de volta!

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  5. Que saudade, menina!

    Bom te ler de volta.
    Bom saber que você está trabalhando feliz...
    Ruim saber que nem tudo está tão bem quanto poderia e que você anda deixando o esmalte descascar...
    Só conseguimos fazer o melhor para os outros quando fazemos o melhor pra gente primeiro. Bora lá trocar este esmalte, hidratar as madeixas e sorrir pra dentro... assim o coração ensina os olhos a sorrirem também...

    Bjsss de gengibre...

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  6. ai, que post lindo.
    Você realmente tem o dom de escrever, seu texto é longe de ser cansativo e muito, muito rico, mesmo. Adorei, to feliz por ter encontrado seu blog :) xx

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  7. Desejo ser seu pupilo. Gosto muito de como explora as linhas, e queria aprender e aproximar minha escrita da cultura e riqueza da sua. Se puder, leia alguma coisa que eu escrevi no blog, E se achar que levo algum jeito para a coisa, aceita meu pedido. Ficarei esperando ansiosamente.

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  8. Ah, eu já vi o filme do pequeno príncipe, mas pasmem! nunca li o livro. Até meu pai já leu esse livro. Acho que é uma boa leitura para esses dias que sinto falta do cheirinho das páginas de um livro. Pois é menina, eu senti sua falta, mesmo não passando por aqui e deixando comentários, eu senti. Pensei que você tivesse desistido do blog, ou estivesse realmente sem tempo, afinal, agora eu sou uma universitária e sei como é não ter realmente tempo. E é isso que tem acontecido nesses últimos meses da sua ausência. Estou aprendendo. Aprendendo não só coisas novas, mas tbm uma vida nova, conhecendo coisas que eu nem imaginava que existissem, e estou feliz. Cansada, mas feliz. E fico mt admirada em te ver tão esforçada assim. Queria eu ter mais professores do seu nível! Mas que bom que você está de volta! Fico muito feliz! ^^
    bjusssssss

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  9. Acho que a maior mudança que tenho para compartilhar dos últimos três meses foi a mudança de emprego.
    Não vim aqui cobrar sua presença, mas sempre me lembrava de você. E toda vez que penso na palavra ou alguém fala estrupício, lembro-me de você. Por isso que não esqueço. :p
    Bjitos!

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  10. Ah Paty...
    Tanta coisa acontece nessa vida e a gente não vê. Tanta coisa acontece e a gente vê, mas não percebe. Sinto sua falta por aqui para tomar café e matar soldadinhos! ehuheue...

    Espero que esteja bem, apesar do que não está, aí em cima. Aqui pra baixo tá tudo frio e tudo cinza, mas tá tudo bem! É mais fácil quando o sol é só aparência!

    Beijos de Curitiba!

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Ainda reclamo da tua ausencia
    e tu ainda me deves um café
    bjs
    Nandra

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  13. Patrícia, eu mal a conheço, moramos na mesma cidade e nunca nos vimos mas não nego que a identificação foi surgindo lenta e inevitável ao ler tuas postagens mais antigas, ver tuas experiências e impressões do mundo. É engraçado porque essa virtualidade toda em tese deveria deixar a gente mais próximo, mais comunicativo e menos sozinho mas no fim parece tudo roteiro de filme do Antonioni, a incomunicabilidade entre as pessoas segue presente, no real, no virtual, tanto faz. No fim acho que no virtual, apenas as palavras podem aproximar as pessoas, independente dos n recursos magníficos que se criem pra se interagir e tu, ao menos pra mim, tem o dom de aproximar teus leitores de ti, mesmo longe ou perto, tanto faz. Sabe-se lá o que deixa a gente assim mas sei que todos ficamos perdidos nesse mundo louco, real, virtual, agora é só mais um plano pra gente se perder e se atarefar também. Mas não esquece do que tu disse no post que menciona a beleza do Parque das Nações aqui em Campo Grande, sempre que for pegar as aulas, cedo, dá uma olhada ao teu redor, olha pro parque, pro sol nascendo... lembra do que tu escreveu. Eu sempre que posso, vou correr lá bem cedo, só pra olhar o amanhecer e ver se começo o dia mais feliz, ainda que eu trabalhe de madrugada e vá dormir logo que voltar da corrida... Enfim, fico feliz que tenha voltado à escrever. Ah, e olha, não esqueça nossa prometida sinuca!!! Beijos!

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  14. Te falar que eu senti mt mt mts sds !
    Some mais mt tempo assim não!

    beiijooooooos

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  15. Como diria uma professora minha: irreprensível.
    É isso aí mesmo, quem sou pra discordar? Eu que já pensei tudo que você escreveu, aí embaixo...

    Quer saber o que aconteceu nesses três meses? Bom, iniciei uma pesquisa de iniciação científica sobre o uso do cinema no ensino de geografia (lindo!). Quando me chamavam de louca eu respondia: "Conheço uma pessoa que faz mestrado sobre histórias em quadrinhos, o meu orientador faz doutorado sobre futebol, então qual o problema de eu fazer pesquisa sobre cinema?"

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  16. Uma perguntinha que esqueci: Você quase morreu do coração naquele jogo da Libertadores em que o São Paulo foi pros penaltis?

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  17. Patrícia, sabe o que aprendi como blogueira? Não prometer nada para os leitores, para não me sentir obrigada a nada. Outra coisa, não engessar os posts em formatos definitivos, para não me sentir mal porque resolvi fazer de um jeito diferente.

    Tudo isso para te dizer que foi bom ler sua atualização. Torço para que você continue mesmo blogando, mas, por favor! Seu blog é seu refúgio, sua diversão, não faça com que ele vire obrigação a ponto de você desisitir de blogar porque deve desculpas ou porque o formato não está "dentro do padrão". :)

    Beijos

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