terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre livros, livrarias e "O Clube do filme" [e coisas de Luci]...

Amo livros. Amo livrarias. E recentemente me apaixonei perdidamente pelo "Clube do Filme", de David Gilmour. Mas devagar com o andor, que o frio chegou pras bandas daqui do mato [Halleluja!] e meus dedos estão mais duros que minhas quase balzaquianas "juntas"...

Primeiro falemos do "Clube do Livro". Fiquei uns dois meses namorando esse exemplar na livraria [uma das únicas na cidade, bytheway. Mas disso falamos daqui a pouco...]. Eis que este mês ele estava ali, na prateleira, piscando seus olhos [sim! Eu personifico coisas! Não à toa ainda me chamam de prosopopéia] pra mim, cheio de dengo e com um preço lindo! A-DO-RO livros por menos de 20 contos. Me sinto o ser mais feliz do mundo quando encontro um livro que realmente goste, e que dê pra comprar com um Mico-leão [no máximo]. Pois bem, o ditocujo estava R$14,90, e me senti impossibilitada de sair de lá sem o bonito nas mãos. Resultado: devorei o livro em DOIS dias! Agorinha terminei o último parágrafo, com lágrimas disfarçadas escorrendo no canto dos olhos.


A história é incrível! E dá até um frio na barriga de pensar que é "de verdade". O livro fala sobre um pai [o próprio David Gilmour] e seu filho adolescente [Jesse Gilmour] que não quer mais frequentar a escola. Num ato que seria considerado por quase todos os adultos "responsáveis" como merecedor de um telefonema ao "Conselho Tutelar", Mr. Gilmour permite que seu filho não frequente mais a escola, contanto que assista com o pai 3 filmes por semana e não se envolva com drogas.

A lista de filmes vai desde Bonequinha de Luxo à Rocky 3. Passa por quase todos os filmes do Tarantino [desde Amor à Queima Roupa, seu primeiro roteiro, até Jack Brown] [Ps: amoamoamo Tarantino!], e por uma lista imensa da Nouvelle Vague e do Cinema Noir, chegando até meu amor supremo da sétima arte: O Poderoso Chefão. Ou seja, uma verdadeira aula de cinema, e - por que não?! - de como tentar educar um filho.

David Gilmour escreveu um relato tão sensível, e ao mesmo tempo tão real [tem horas em que penso que não há mais lugar pra sensibilidade no mundo real...], que nenhuma pessoa seria capaz de passar imune pelo livro. A cada filme que ele citava, eu ficava na esperança de ser algum que eu gostasse, como que pra ter meu gosto cinematográfico "abençoado" por seu genial clube. Livro recomendadíssimo. Não só para cinéfilos, mas pra qualquer um que esteja procurando um bom livro pra ler nessas [ou em outras] férias [geladas ou não].

Agora, falando sobre livrarias... Uma das coisas que eu mais gostava de fazer em Curitiba City era passear nas livrarias, fossem elas Sebos [que lá são super vintage] ou MegaStores. Sentia um conforto tão grande, mesmo que eu não tivesse um real no bolso, em saber que eu poderia passar uma tarde inteira na Fnac, na Saraiva, ou em um dos incríveis sebos próximos do Shopping Crystal. Penso que talvez essa seja um das coisas das quais eu mais sinta falta de morar em Cold City...

Aqui em Campo Grande [MS e não RJ, viu estrupício!] não há muitas livrarias. Digo isso pra ser minimamente educada, pois pode-se contar nos dedos de UMA mão os estabelecimentos que vendem livros nesta cidade, incluindo os Sebos! Analisando detalhadamente, entendo que a falta de livrarias se deve à falta de leitores. Não estou dizendo que não existem leitores em CG! Isso seria burrice; vezououtra posso ser estúpida, mas burra não! Vejo com olhos esperançosos que os adolescentes lêem cada vez mais. E que se dane se lêem bestsellers ou whatever. O importante é que eles leiam! Mas, [in]felizmente, a única "grande" livraria que temos na cidade dá conta do recado.

O problema, é que quando se trata de não-bestsellers, o lugar fica devendo, e muito. Geralmente não há muita coisa que fuja dos clássicos/auto-ajuda, e, quando há, os preços são impraticáveis. Tempos atrás, fiquei faceira ao encontrar um livro do Nick Hornby [autor de Alta Fidelidade e outras obras incríveis! Se não conhece, confira!], maaaaaas, quando bati o olho no preço... SETENTA REAIS?! Isso chega a ser pornográfico, rapaz! Namoro esse livro desde janeiro, e até hoje ele nem saiu de lá e nem ficou mais barato... Resta saber quem será vencida pelo cansaço, a loja ou eu...

Mas, falando sobre as outras três livrarias da cidade... Duas são sebos, os quais existem desde antes de eu aprender a ler, provavelmente... O mais irônico é que estão localizadas uma ao lado da outra, assim, bem juntinhas mesmo. Como se fosse um local restrito pra um grupo de estranhos que gosta de gastar dinheiro com livro [Povo doido, como diz minha irmã].

Eu gosto de ir até lá, mas é difícil achar alguma coisa boa no meio do pó, dos pernilongos e das milhares de edições de autores americanos que não devem ter vendido livro nem pra mãe, e só foram comprados por aqui porque na década de 80 era trés chic ter a estante de jacarandá da sala repleta de livros.

Há dias, como hoje [férias, um friozinho gostoso, bom pra sair todatoda pelas ruas, sem derreter no sol desértico], em que me sinto frustrada de não ter livrarias bacanas pra visitar. Além de sentir uma certa inveja dos paulistanos que podem comprar livro numa máquina "de refrigerante" em pleno metrô. Pra dissipar um pouco essa frustração, hoje dei uma de Laura Brown [As Horas] e passei a manhã toda lendo na cama. Não precisei fugir pra nenhum hotel, embora tenha ficado com a sensação de que deveria estar fazendo algo mais útil. Sensação essa corroborada pela visão de minha mãe lavando a varanda. Mas a cada linha de "O Clube do Filme" essa sensação ia ficando cada vez mais distante, e, no fundo do meu coração de gengibre, eu sentia que, naquele momento, não haveria nada mais útil do que ler...

E você, o que tem lido ultimamente? Gostou? Recomenda? Conta pra mim, vai.

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Vou aproveitar o post e falar sobre algo que deveria ter falado há exatos 4 meses atrás! Ainda não me perdôo por ter demorado tanto, mas há muitas coisas das quais estou tentando me perdoar ultimamente, então, uma coisa de cada vez.

No dia em que estava indo viajar pra defender minha dissertação [mais nervosa que  Comensal da Morte preso em Azkaban], chegou um pacotinho pelo correio. No remetente, o nome da Luci [dona do Vida], amiga querida e mãe virtual. Com o pacote nas mãos eu chorei. De alegria, de gratidão, de carinho... Todas lágrimas boas, causadas por esse ser iluminado que é a Luci.

Adivinha o que tinha dentro do pacotinho? Um livro!!! Mas não era apenas um livro, era o "História das Canções: Chico Buarque". O cara que eu amo, que admiro, e com quem me casaria, se um dia ele ao menos olhasse pra mim. E ao olhar aqueles olhos verdes do Chico, chorei novamente. Mas chorei com um sorriso enorme no rosto, ao ler que Luci havia se lembrado de mim enquanto lia o livro, e decidiu, generosamente, me presentear com ele. Me senti indigna de tanto carinho, confesso [em especial pela minha falta com a Lidi, que me puxa a orelha todas as vezes que peço desculpas...].

Diversas vezes ouvi de um Bonito que carinho a gente não agradece. Mas não tenho como não agradecer publicamente esse carinho "material" que me foi dado pela Luci, além de todo o carinho emocional/virtual que recebo dela sempre... Luci, minha mãezona, muito muito obrigada! Por tudo sempre! Acho que não seria inoportuno dizer o quanto amo você...

E ó, pra você [estrupício leitor querido] ver os mimos que ganhei, abaixo vão umas fotinhos dos presentes e do livro [bem mal tiradas e mal editadas, do jeitinho tosco que só eu sei fazer...]. Além do livro, ganhei marcadores LINDOS e chiquérrimos, e um coração fofíssimo, o qual coloco perto do peito sempre que a tristeza vem me visitar...


















Um beijo cheio de uma maldade nem tão má assim.

8 comentários:

  1. Paty
    Com uma indicação de livro sua, posso com certeza comprar. Vou gostar na certa! rsss.
    Saudades dos seus posts!
    Beijos
    lelê

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  2. Ei, moça!

    Me diga, o que seria de nós sem a Literatura? Eu já teria desistido desse mundo há muito tempo se ela não existisse.

    Sua resenha de O Clube do Filme me deixou com mais vontade ainda de lê-lo. Já tinha lido sobre ele na internet e também numa reportagem que saiu numa edição da Nova Escola, e me interessei; agora, com seu aval, o livro ficou meio que necessário! ^^

    Curioso como nossos gostos batem... Também AMO Tarantino e Dom Corleone.

    Quanto ao preço absurdo dos livros, isso também me deprime... Mas, acho que tenho uma opção pra você, principalmente quando o assunto são livros do Hornby, do Pratchett, do Gaiman e afins: por que você não compra pela internet os pockets em inglês da Penguin Books? Eles são de excelente qualidade, são baratos (15, 20 reais) e sempre estão disponíveis no site da Saraiva e no Submarino. Vale a pena!

    Quanto à Luci, ela é assim mesmo, uma pessoa muito querida, sensível e generosa, que adora mimar as pessoas de que gosta. Eu que o diga, que a tenho como prima-amiga-irmã-mãe!...

    Beijocas!

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  3. Salve, salve...doce minima má...

    Sabe aquelas momentos em que te dá um branco na cabeça - e olha que não são os cabelos que teimam em trocar de cor - e por mais que tentemos lembrar como fazíamos aquilo que fazíamos não conseguimos colocar as rodas nos trilhos? O prefácio é só para dizer que tenho tentado te ler faz tempo. Mas minhas orelhas fizeram sombra sobre o meu cérebro e tentava insistentemente escrever "aindamininama.blogspot.com". Claro que não me levava à lugar alguem. Hoje, lendo seu recado no Orkut, a luz fez-se verdade e eu lembrei que simplesmente colocando seu nome do google, te acharia.
    Que bom, então! Que bom reler-te! Deliciosas palavras aventurescas e ainda mais falando de livros.
    Sou daquelas que ama cheiro de livraria, que se delicia e reenergiza com o toque no papel, sentir a capa, digitalizar na alma a textura e gramatura onde tudo aquilo virou história.
    Sua dica? Vou hoje mesmo na Livraria da Travessa, que aqui no Rio de Janeiro é a minha preferida, e me embrenhar entre os corredores à procura.
    Bom saber que posso retomar o trilho de seus escritos e fazê-los também, e novamente, minha leitura.
    O que estou lendo agora? Com a sede voraz dos que atravessam o deserto das palavras, leio muito e sempre. E de vez em quando mesclo as leituras com aventuras mais escapistas. Estou com A Vingança, que é uma continuação do livro A Farsa. São de Christopher Reich, escritor americano de livros medianos, mas cujo personagem principal, um médico, chamado Jonathan Ramson, tem uma história tão interessante quanto o roteiro de um filme. Depois de anos de vida em comum ele desccobre que é casado com uma agente de um serviço secreto do Pentágono e que, dentre outros atributos, realiza ações de contra-terrorismo. Escapista, mas muito bem amarrado. Como dizem, inclusive os jornalistas, nem tudo precisa ser verdade. Apenas coerente.

    Beijos mil

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  4. Oi!!! :)
    Sinto informar que pelas bandas de Campinas temos FNAC, Cultura e Saraiva (minha preferida), “de modos” que desse aperto seu (pela falta de boas livrarias) não passo... cof cof cof... :D

    Agora, o que ando lendo? Tocaia Grande, de Jorge Amado. Ainda não havia lido, e estou gostando... :)

    E você pensa que não li suas letrinhas miudinhas falando sobre aquilo? ... tsc tsc tsc ... sem comentários... :D

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  5. Ei, meu bem!

    Que post lindo, faço da suas palavras as minhas. Já li "O clube do filme" e é maravilhoso! Hoje tento convencer as pessoas que podemos educar alunos na escola utilizando o cinema. Cada vez que avanço na minha pesquisa me convenço mais disso. Aliás, será que não foi esse livro que deu idéia pra minha pesquisa? Talvez, viu? Nem sei de onde tive a idéia maluca de juntar geografia e cinema...

    O livro do Chico é lindo, já li também, sou louca com ele.

    Na minha cidade tem 3 livrarias e nenhum sebo: uma vende só livros sobre a cidade; a outra tem preços absurdos; a terceira vende livros apenas da editora de uma universidade... Enfim, compro pela internet, muito mais barato e com mais opções.

    Ah!Comecei a fazer 'listas' lá no blog, quero muito fazer uma de "Prazeres Culpados" (conceito perfeito criado pelo David Gilmour!!), estou selecionando os filmes (risos).

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  6. Não acredito!!! Nem sei como começar a me desculpar pelo sumiço.. dias atrás estava pensando "a patrícia sumiu de novo, saudades do blog dela.."... E vc? Vc estava aqui o tempo todo... na verdade o link do minina má que não estava no cotidiano... quando mudei de lay perdi alguns blogs que seguia e o seu estava no meio!! sorry, achei q vc não aparecia atualizada, naum pensei que vc não estava lá.. ok, agora vou comentar sobre o post!

    A última vez que li um livro foi em fevereiro. Ando sem grana e, como vc mesma falou, os livros que eu quero andam caros, tipo, mais de 50 reais... e eu enrolo e nunca vou no sebo, mas cm minhas férias estão chatas, vou fuçar em livros que naum me agradam daki de ksa e parar com esse preconceito de livros clássicos... é bom quebrar a cara ne?? vc vai ver, proxima vez que nos falarmos te conto qual foi o escolhido!
    bjussss

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  7. Querida, vim aqui agradecer o carinho que vc deixou no Vida (naquele momento eu estava mesmo precisando) e encontro esse post (como deixei passar?)
    Estou emocionada aqui e nem sei direito o que dizer a não ser lhe agradecer e dizer que também te amo!!!

    beijo bem carinhoso

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  8. SUPER coincidência! Ontem mesmo eu vi esse livro e fiquei muuuito curiosa! Agora então, mais ainda! Já entrou pra minha lista de livros das férias! o/
    bjoooooo

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