sábado, 11 de setembro de 2010

Sobre solterices e sábado à noite...

Mafalda, de Quino
Mais um sábado à noite em casa. Não digo que perdi a conta de quantos já se passaram nos últimos anos porque, pra ser sincera, nem me dei ao trabalho de contar. Não tenho tido ânimo + saco + vontade+ vassourameiodelocomoção pra sair no fim de semana. Sabe-se lá se é a idade, o cansaço do trabalho ou a lei de Murphy. Vai ver é culpa do sistema, já que tudo nessa vida é culpa do sistema mesmo...

Fato é que hoje é sábado. Dia de se montar, botar a cara na rua, dançar, beber, beijar, viver. E eu decidi ficar em casa, lendo, tuitando, nerdeando, vivendo. Sim, eu sei! Ando mais anti-social do que nunca, e vai ver isso se deva ao fato de eu trabalhar com muita [mas muita gente mesmo] durante a semana. Daí que chega o fim de semana, e eu mal aguento olhar pra minha cara no espelho.

E ainda tem o trabalho, que sou obrigada a trazer pra casa, porque professora que é professora, de carteirinha registrada no sanatório e tudo, SEMPRE trabalha no fim de semana! E no feriado. E à noite. E quando deveria estar dormindo. Ou comendo. Ou passeando pelo parque numa tarde de sol. Ou fazendo tantas outras coisas que fazem tão bem pra vida quanto trabalhar.

Sempre que penso em sair, milhares de senões se alojam em minha mente já abarrotada de caraminholas. Vamos a um TOP10 delas, só pra ver se não estou só neste mundo...



1. Não tenho roupa: Rá! Se você for mulher e nunquinha nessa sua vida fez esse comentário, faça-me o favor de se inscrever no Mitômanos Anônimos! Porque É CLARO que a senhorita está mentindo descaradamente. E ó, mentir pra si mesma é muito feio! Embora eu tenha uma quantidade razoável [a.k.a. mais do que necessária] de roupas, sempre acho que não há nada decente no guarda-roupa pra ir a um boteco sequer.

2. Não tenho condução/meio de transporte: Não, eu não tenho carro. E mesmo se tivesse, não adiantaria niente, porque a estrupícia que vos fala não tem carta de motorista. Oi? Não, rapaz, eu não sei dirigir. Nunca liguei um carro em toda a vida, e, a essa altura, duvido que seja capaz de tal façanha. Pra quem já ia começar a dizer Mas é tão fácil, peço que imagine aquela cena do Big Bang Theory em que o Sheldon tenta aprender a dirigir em um simulador [olha ela AQUI ó]. Pois bem, sou um pouco pior com joguinhos de carro e afins. Logo, melhor não insistir em algo que já sei, de antemão, que não vai dar nada certo.

Como não tenho carta de motorista, só me restam duas opções: carona e táxi. A primeira é maldade com os amigos, porque moro longe pra cacete, e fazê-los me trazer em casa, semi-bêbados, às cincodamatina não é coisa de gentededeus. A segunda é quase a mesma coisa que um assalto consentido, porque um táxi do centro da cidade até a minha casa dá, em média, 40 contos! Ou seja, ida e volta = 80 contos! Tudo isso pra um percurso de, mais ou menos, 20 minutos. Daí fico pensando na promoção de livros do Submarino (que, decididamente, resolveu me falir com tanta promoção de livro bacana), e calculo que com 80 pilas consigo comprar, pelo menos, uns 6 livros [Aliás! Comprei a coleção toda do Harry Potter, com 7 livros, por R$59,90!].
Mafalda, de Quino

Logo, ou eu fico milionária e contrato um motorista particular, ou eu ganho uma Firebolt do Papai Noel/Dumbledore. Oi? Ah, sim, claro... Tem sempre a opção de eu tomar vergonha nessa minha cara e aprender a dirigir.

3. Money: acho um absurdo uma long neck custar 5 contos. ABSURDO! Com cincoreaus eu posso comprar pelo menos umas 4 latinhas da amiga Brahma; o suficiente pra me deixar de good mood. E não adianta, não consigo ter a mentalidade de que o fato de estar num lugar "descolado", ao lado de pessoas "descoladas", me obriga a pagar uma cerveja superfaturada. Oi? Ah sim... Há sempre a opção de não beber. Mas, definitivamente, essa opção não existe no meu mundo.

4. Lugar lotado: tenho verdadeiro pavor de lugares cheios. Tirando estádios de futebol, me irrita ter que andar "de ladinho", ou não ter espaço pra ficar confortável sem ter alguém me empurrando ou derramando cerveja no meu pé.

5. Lei anti-fumo: ahhhh, prefiro ter um filho viado do que um filho lei anti-fumo! Que inferno! Ter que sair do boteco pra fumar, e, ainda por cima sozinha, já que meus amigos são pessoas sãs e não fumam, é um diabo de chato! Oi? Sim, eu sei que cigarro faz mal e blábláblá. Mas ó! Antes de vir me dar sermão, dá uma lidinha nesse post AQUI e neste AQUI. Clica sem medo pra não vir me evangelizar depois.

6. Homens: Não, minha filha! Eu não sou homossexual. Sou hetero pra car*** [trocadilho infame e de mau gosto], e isso é o pior. Não é de hoje que vejo a qualidade dos homens "disponíveis" (como se homem fosse mercadoria, mas isso é assunto pra outro post...) cair cada dia mais. Ou são bonitos de menos, ou metrossexuais demais. Machos de menos, ou acéfalos demais. Sempre de menos ou demais.

E, vou te falar uma coisa, não saio pra canto nenhum pra "caçar" homem; mas, convenhamos, sou uma pessoa encalhada solteira, logo, não faria mal nenhum encontrar um exemplar masculino pra possíveis trocas de idéias e silêncios.

Fábio Moon em 10 pãezinhos
7. Amigos: tenho alguns bons amigos, mas, em sua maioria, estão praticamente casados, o que os torna indisponíveis para noitadas de bebedeira sem noção. Os que não estão enforcados comprometidos nos levam ao próximo item...

8. Anti-socialidade total: os amigos solteiros possuem outros amigos e amigas, e eu ando anti-social [a.k.a. chata] pra diabo pra me dar ao luxo de sorrir para pessoas desconhecidas. Além disso, sou amarga demais, e isso tende a gerar reações de desagrado por parte de pessoas normais.

9. Recente mudança: desde que voltei pra Campo Grande, saí pouquíssimas vezes. O que faz com que nem todas [na verdade, a maioria] das pessoas saiba que voltei. Assim, toda vez que encontro alguém sou obrigada a explicar porque demônios eu troquei Curitiba por Campo Grande, e contar o que estou fazendo, e blábláblá. E, pra falar a verdade, não gosto de pensar nisso, porque fico deprimida, o que me faz beber mais, logo, gastar mais, e assim sucessivamente...

10. Internet, livros e Tarantino: O fato é que se eu não tivesse banda larga/wifi/notebook [pra ficar na net, enquanto fumo na varanda] , uma porrada de livros, e todos os filmes do Tarantino, eu não teria tantas desculpas pra ficar em casa. A essa hora, já estaria em algum boteco, e todos os itens acima seriam deixados de lado num piscar de olhos cheios de rímel. Mas eu tenho, logo...

Logo fico aqui, inventando desculpas pra não viver a vida lá fora. Porque se você achou que o fim de post teria um final feliz e divertido, sinto muito. Não vou receber nenhuma oferta de carona pelo Twitter, nem descobrir que tenho uma roupa incrível escondida na gaveta, muito menos encontrar um Ogro Encantado pelo meio do caminho.

Vou botar meu pijama, e me deitar com Tarantino. Não sem antes ler mais um capítulo de Martha Medeiros e tomar uma Brahma enquanto escuto um pouco de Chico Buarque, ou Grand Funk Railroad, ou Velha Guarda da Portela.

Mafalda, de Quino
Por mais que a vida em sociedade seja o que move o mundo; por mais que seja uma delícia compartilhar sorriso com os amigos; por mais que queiramos fazer parte de alguma coisa... Às vezes, o melhor que temos a fazer é ficar conosco mesmos, aproveitando a nossa própria companhia, desfrutando dos nossos prazeres solitários...

Porque a solidão também é uma boa companheira, principalmente quando não estamos confortáveis em nossa própria pele, e precisamos descobrir quem somos, antes de vender nossa imagem pro mundo lá fora...




Um beijo cheio de uma maldade nem tão má assim...

8 comentários:

  1. Paty
    Eu vivi momentos assim também... pensava tudo isso que vc falou, mesmo morando em SP, tendo carro e morando perto das baladas... resumindo, não tava a fim! Pegava meu carro, um monte de livros, meu laptop e ia para a praia sozinha... ficava lá, o fim de semana todo em silêncio, lendo, escrevendo, sendo antisocial... Por que? Não tenho a menor idéia, mas me fazia um bem do caralho... voltava nova!
    Não vou dizer que mudou, porque não conheci meu marido na balada... mas já estava numa fase mais social, quando comecei a namorar... rs.
    É assi mesmo... eu precisei disso... rs.
    Beijos
    lelê
    PS> saudades dos seus posts... preciso reler uns antigos!

    ResponderExcluir
  2. Amiga, que saudade por que sumiu?
    Da uma passada lá em meu espaço depois.

    abraços
    de luz e paz

    Hugo

    ResponderExcluir
  3. Eita, essa mulher some demais.

    Tomara que as coisas estejam bem.

    Entendo perfeitamente essa fase antissocial. Enquanto há momentos que a gente quer enfiar o pé na jaca e agarrar o capeta já que estamos no inferno, há outros que nada nos atrai.

    Curta esse momento, mas não deixe de se divertir, seja acompanhada ou sozinha. Vc decide.

    Realmente, nesse meio tempo, eu fiquei grávida, meio tempo nada, já entrei no 5º mês de gestação. E vc desnaturada, sumiu, rsssssssss.

    A verdade é que estou feliz pra caramba. Planejei tudo, e descobri que estava gravidíssima no dia da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, em muito bom estilo, hehehe.

    Ainda não consegui descobrir o sexo, mas algo me diz que é o Eduardo que está a caminho.

    Vamos nos falando, e prometa não sumir, ô estrupícia.

    Ah, mandei o endereço pelo e-mail.

    Bjs, bjs, bjs

    ResponderExcluir
  4. Impressionante, mas a maioria dos itens que você citou cabem a mim tbm... eu até ando com vontade de sair, relembrar os velhos tempos, mas ando tão sem saco pra isso, e tão cansada, que no final fico em casa com minhas nerdices mesmo... e é bom!

    bjss

    ResponderExcluir
  5. "precisamos descobrir quem somos, antes de vender nossa imagem pro mundo lá fora..." Essa frase faz TODO o sentido...
    Quantas vezes vc viu um fulano enchendo a cara sem saber o q eu estava fazendo? Tem gente que a gente olha e diz 'esse aí deveria ter ficado em csa hoje"... Eu prefiro mil vezes ficar em casa curtindo meus 'prazeres solitários' como vc diz, a me obrigar a sair num dia de indefinição... Adoro vc! Bjão da Dona Lua

    ResponderExcluir
  6. Eu adoro ficar sozinha, mas também porque tenho a disponibilidade de pessoas a minha volta, então como você - é uma solidão por escolha. Diferente de pessoas que presenciam o lado negro da solidão - porque existem solidões e solidões.
    Acho que todos nós temos um lado crítico e sarcástico, tipo: Se estamos sozinhas em um sábado a noite, a exigência social fica martelando em nossa cabeça. Se saímos contra a nossa vontade e em meio a tantos "tipos", achamos tudo artificial, até mesmo alguém muito alegre.
    Patrícia, desgostei de baladas e só de vez em quando saio com a turma para dançar, daí danço a noite toda. Mas só com gente conhecida. Aqui no Rio não é legal sair e enfrentar balada sozinha. Outro lance que peso é que apesar de estar com o pessoal que gosto, não gosto mais de perder noites de sono, prefiro reunir o pessoal em casa para um almoço ou jantar, assistir um filme ou simplesmente papear na sala ouvindo música. Estou contigo! Bom fim de semana! Beijus,

    ResponderExcluir
  7. olá!

    cheguei por acaso aqui e senti enorme afinidade com sua história, tive uma fase anti-social q durou alguns anos, vc descrevendo sua solidão do sábado a noite me trouxe lembranças impagaveis!

    apesar de toda conotação de ser uma coisa ruim, adorava aqueles momentos, foram de gde importância pro q veio depois...

    aproveite bem tudo aí :)

    bjs.

    ResponderExcluir
  8. Primeiramente seu blog é fantastico, vc escreve como uma verdadeira escritora com humaor e verdade. Sou tão anti-social quanto vc, apenas não fumo e ao em vez de brahma e Tarantino bebo itaipava, gosto do Tarantino, mas prefiro Denzel Washington e Russell Crowe. Quando vc falou do site submarino e das excelentes promoções me vi exposto em teu texto, tbm sou viciado em livros e maior parte são do submarino, graças a internet não preciso enfrentar o anacronismo lá fora. Muito bom mesmo teu texto abraços!

    ResponderExcluir

Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...