quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"I think we're not in Kansas anymore..."

10pãezinhos - Moon e Bá
Já perdi as contas de quantos parágrafos escrevi e deleitei desde que comecei este post. O playlist já foi de Adoniran Barbosa a Black Sabbat, passando por Cartola e dando um beijinho em Chico Buarque [ah se fosse um de verdade.... quem me dera!]... Eu queria poder pedir desculpas, mas... pra quem? Pra você, leitora fofa, que sempre entende minhas ausências? Ou pra você, leitor novo, que está vivendo de meus velhos posts? Ou ainda pra você, aluno/aluna, que descobriu que a professora chata tem um blog que pode até ser legal?

No fundo, desculpas não levam a lugar algum... Totalmente o oposto do que me aconteceu no último mês. Outubro é sempre um mês de mudanças pra mim. Primeiro a Primavera, que em Setembro começa tímida, vemquevem explodindo cores e perfumes; depois, é o mês do meu aniversário, e, bom, mês de aniversário é sempre um período de reflexão, tenhamos 15 ["ai que saudades que tenho, da aurora da minha vida"...] ou 28.

Quer saber o que mais aconteceu?! Então segura na minha mãozinha cheia de cerinha Granado, e clica aqui, rapaz...


O início do mês foi cheio de coisas boas. Viajei pra Campinas, pro casamento do amigo Feio [ops...Ivan]. E não é que o estrupício resolveu casar justo no dia do meu aniversário? Melhor pra mim, que ganhei vários presentes: a alegria de um amigo, o abraço de muitos outros, e uma festa! Claro que a festa não era pra mim, mas que eu aproveitei, ô se aproveitei...

E por falar em presentes, nessa mesma viagem me esbaldei na Saraiva e na Cultura! Deusépai que esses dois paraísos não existem em CGhellcity! Sim! Eu sei que há poucos posts eu estava reclamando disso, mas, veja só, em um dia eu gastei 150 dinheirinhos nas duas, imagina se pudesse ir lá todo fim de semana?! Oi? Falência é meu novo nome, prazer!

Eu parecia uma louca na Saraiva, com aquela sacolinha [idéia genial, aliás, oferecer uma sacola pra carregarmos os livros dentro do lugar...] abarrotada de livros da Penguin. Me diz, minha gente, por que diabos nossas editoras também não fazem livro naquele papel e os vendem a preço mais barato que banana?!  Por quê, editoras? Por quê?! [depois faço um post sobre meus novos filhotes...]

Hum... Aí está você pensando... Se aconteceu tudo isso de bacana, por que é que a estrupícia não veio aqui correndo fazer companhia pra gente? Ah, amores meus... Nem a mais criativa [ou pessimista] das mentes imaginaria o que veio a seguir...

Estávamos reunidos em família; eu, num raro momento fazendo as unhas da irmã estrupicinha, quando ouvimos um puta de um barulho. Na hora, corremos pra fora de casa, e então o terror começa. Agora, menos chocada, posso fazer o trocadilho de "'Tá lá, um homem estendido no chão!", mas na hora, o único trocadilho possível era entre minha taquicardia e uma bateria de escola de samba...

Fato é que um rapaz [que descobriu-se depois, estava alcoolizado] [aproinferno! Alcoolizado é o cac*! O mano 'tava podre de bêbado, mermo!] em uma moto resolveu bater a 100 por hora na quina da carreta do meu pai, e, com o impacto, bater no carro que vinha passando ao lado. Resultado: morte instantânea e uma fotografia digna do "Primeira Hora" [a cada letra um litro de sangue de brinde...].

Devo confessar que não lido muito bem com a morte. Principalmente se ela vier assim, de uma forma tão estúpida e brutal. Quando ouvi os gritos dos familiares do rapaz, foi como se eu estivesse levando porradas do Tyson. Cada grito era um nocaute.

Apesar de eu ser uma filhadaputa, e de ter o coração de gengibre, eu me compadeço da dor alheia. De verdade! Mesmo que aquelas pessoas me fossem desconhecidas, me doía ver seu sofrimento; e doía ainda mais ver o pavor da minha irmã, transformado em lágrimas, ao lembrar de seu próprio acidente [não sabe do que 'tô falando? Lê AQUI. ó!].

Mas bem que dizem que não podemos esperar dos outros o mesmo que pensamos ou fazemos... Depois do choque de ver o rapaz ali, a família decidiu que alguém teria que pagar pelo que aconteceu; eles precisavam colocar a culpa em alguém. E advinha só quem foi escolhido?! Bingo! A nossa família, mais precisamente o caminhão do meu velho. Na hora, eles queriam botar fogo no caminhão, e, não fosse a presença da polícia [aliás, deixa eu abrir um colchete aqui pra falar da eficiência e do respeito dos policiais. Homens dignos, educados e inteligentes que desfazem a má impressão que temos do todo] o ganha pão do meu pai teria se transformado em cinzas.

Agora pára tudo e imagina o meu estado! Chorava feito uma criança, tremia, e só depois de muitos e muitos cigarros consegui parar de chorar. No final da noite, os policiais escoltaram meu pai e seu caminhão até um lugar longe, e ficamos nós e o medo. Quem disse que alguém conseguiu dormir? No outro dia [na verdade, umas 4 horas depois] sai pra trabalhar com medo. Dei aula durante todo o dia ainda adormecida, anestesiada. Ligava o tempo todo pra casa, pois além de toda aquela situação, Dona Mãe tem problemas de pressão, e poderia, não fosse a tonelada de remédios, ter tido um...

No outro dia, várias motos ficavam passando e acelerando em frente de nossa casa, nos aterrorizando. Comer era a última coisa que eu conseguiria fazer. Dormir então? Luxo, meu bem... Queria apenas sair dali, pra longe, muito longe... Foi então que o mano lá de cima resolveu dar uma mão, e alugamos uma casa em um dia. No outro, estávamos nós, fazendo uma mudança de anos em minutos. Tudo jogado, desembalado, como se estivéssemos fugindo da polícia. Aliás, a polícia também estava ali, justincase...

Isso foi na quarta-feira. Dei aula na quinta e na sexta. Ainda anestesiada, ainda com dores no corpo e na alma. Tentando não deixar transparecer que estava corroída por dentro, tentando não descontar nos meus alunos, mas, como diriam os sábios do futebol, quem não faz, leva! Parece que os alunos resolveram que aquela era a semana de "vamos enlouquecer a professora!", e então o desrespeito aumentou, as más respostas, o vagabundismo... E eu ali, tentando ser a maldição de adulta que minha imagem de 28 anos no espelho me obriga a ser.

Queria mesmo era sair correndo e gritar que não aguentava mais! Queria colo, mas minha mãe, coitada, estava mais atordoada que eu, com sua farmacinha diária... Me sobrava a alienação... Não queria escrever, nem ler, nem comer [aliás, emagreci 5 quilos em duas semanas], nem nada! Queria só que aquele medo e aquela dor passassem...

Mas eles não passaram. Eles ainda estão aqui. Sonho com minha casa pegando fogo. Sonho com uma caça às bruxas, à minhas bruxas... E como é triste... Como é triste ser culpado de algo que não é nosso. Mesmo depois do que aconteceu, sinto pena dos filhos que perderam o pai, sinto pena dos pais que perderam o filho. Mesmo depois de quase ter nosso sustendo incinerado, me sinto comovida com a perda deles... Mas fico me perguntando, até quando?

Fui obrigada a rir quando contei pra um colega professor, e ele [motociclista], espantado, me perguntou "E se o cara tivesse batido no poste, eles iriam queimar o poste também?!". Pois é... Provavelmente não...

Até quando os motoristas sairão alcoolizados, numa velocidade mortal, e colocarão em risco suas vidas e dos demais?! Imagina se este rapaz [que deus, sinceramente, o tenha!] bate em uma outra moto, na qual estivesse um pai, uma mãe e uma criança sem capacetes [fato absurdamente comum na periferia da cidade]? Imagina se sua imprudência tivesse causado a morte de inocentes? Não precisamos imaginar, pois os noticiários estão aí, com outros personagens, pra mostrar até onde vai a humanidade...

Só sei que agora não estamos mais em Kansas, Totó... No fundo, a vida está melhor. Moro mais perto do trabalho, e agora tenho tempo até de passar rímel I'm sorry, mas "máscara de cílios" não tem metade da "poesia" de rímel...], como brincou uma colega...

Ainda estou me curando... Estou tentando, ao menos. E o blog será parte fundamental desse processo. Porque é aqui, nesse diário virtual, que sempre me libertei das minhas tristezas e dos meus medos. Foi falando deles, ou de tantas outras coisas, que pude me recuperar dos tantos tombos que já levei nesses últimos 3 anos de reinações de MininaMá. [que tal esse ser o novo nome do blog?]

Sei que o post está compridaço, e, se você chegou até aqui, obrigada! Aliás, obrigada sempre, porque este cafofo não tem o menor sentido sem você...

Iremos passar por algumas reformas, mas, tirando a sujeira e a bagunça, você está convidado a voltar aqui sempre que quiser, pois agora vai ter cafezinho fresco todo dia... Porque, 'bora combinar, ninguém merece café velho, né minha gente?!

Quero aproveitar, e deixar um beijo do tamanho do mundo pra minha mãe virtual, Luci. Ela é dona do Vida [e se você não conhece, corre lá, que não sabe o que 'tá perdendo!]. Luci, queria mesmo era te dar um abraço ao vivo, com direito a cafés e cigarros durante noites infinitas adentro, mas, como ainda não posso, deixo aqui registrado meu amor por você...

E não posso deixar de falar da Luma, do Luz de Luma [brilhante, brilhante!]. Luma é, além da amiga que considero, uma blogueira que me dá muita força sempre. E se um dia eu tiver metade do talento dela, me darei por satisfeita. 'Brigada, viu!

E por hoje é só, velhinho! Tenho toneladas de redações [olha a hipérbole aí, minha gente!] pra corrigir, e uma vida que não me espera se eu não a acompanhar...

Um beijo cheio de uma maldade nem tão má assim...
MininaMá [Mas minha mãe insiste em me chamar de Patrícia Pirota]

7 comentários:

  1. Que alegria ver que tinha post novo aqui!!! Minha alma cresce quando vejo isso. Que ninguém fique com ciume, mas seu blog é o meu preferido.
    Filhota querida, vc não imagina como tenho pensado em você. Não passa um dia sem que em algum momento eu me lembre da minha mininamá que é boa demaisdaconta. Porém não fiquei escrevendo para respeitar seu silencio. Lendo tudo isso sinto um aperto no coração e queria muito estar aí e lhe dar colo e muito cafuné. Muito triste tudo isso. Poderia escrever muitas coisas, mas ficaria do tamanho do seu post. O que importa é que vocês estão bem e olha só que teve coisas positivas, eu também chamo de rímel hehehe sou uma romântica antiquada.
    Diante de tudo isso você ainda arruma espaço para me dar carinho, eita coisa gostosa!!!
    Estou lendo a biografia da Clarice Lispector e amando. Estou fugindo de livrarias porque tenhomais de 20 aqui para ler.
    Depois vou lhe mandar email pro mininama.

    beijo grande com muito carinho e amor.

    Lov u!!!

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  2. Que coisa menina...

    Tamanha ignorância desse povo. O rapaz morreu, triste... Mas, irresponsável foi ele... Que reação é essa?
    Feliz que tenha voltado...

    Beijos

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  3. Tragédias a parte, é sempre mto bom ter novo post pra ler. Menina tu escreves bem pra c...!!!!!Ñ demora mto a escrever pois teus seguidores sentem saudades!!!Bjs..

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  4. Nossa! Não esperava por essa declaração no final! Até me fez esquecer metade do que ia comentar! Obrigada!! Saiba que te gosto muito e a talentosa aqui é você!

    Seu amigo professor está corretíssimo no exemplo que deu e não sei porque cargas d'água tiveram que mudar de casa, afinal, a família é toda de bêbados? Porque somente isto justifica a insanidade de querer culpar pela morte objetos parados. Quem estava em movimento e chocou, foi a moto.

    Entendo que a revolta inicial das pessoas por perderem alguém querido as levam a tomar atitudes impensadas, mas que cabecinha deste motociclista! Mas que cabecinha tem certos brasileirinhos que trocam a família por copos de bebida? A lei é clara e mesmo com tanta propaganda educativa, as pessoas se sentem "espertas" burlando o sistema. Bebam em casa, se não conseguem se controlar.

    O pior passou e o tempo esfria os ânimos. Não sei quando foi o seu aniversário, parabéns assim mesmo! Vale o ganho de experiências e a soma de pequenas felicidades. Um dia fará diferença, se não faz agora.

    Amore, você que gosta tanto de ler, poderia aderir ao bookcrossing. Acho que em Campinas tem um ponto de coleta e você poderá se reciclar gratuitamente com a leitura. Ah, também dia 08 acontece o bookcrossing blogueiro. Tem um banner lá no "Luz" que dá acesso a postagem da Isa, que promove a brincadeira. Vai lá!!

    Bom restinho de semana! Beijus,

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  5. Luci,
    Mãe virtual, amor da minha vida! =)
    Obrigada por tudo, viu...
    Preciso ir lá no Vida saber como andam as coisas contigo. Agora voltei e quero saber TUDO!
    Aiás, semana que vem SEM falta, você vai receber meu pacotinho. Só 'tava esperando a mãe terminar de costurar um dos presentinhos...
    E agora vai ser com endereço novo!
    Um beijo do tamanho do mundo!!!

    ******

    Silvia,
    A raça humana e assim mesmo. Quando a gente pensa que evoluiu, vem alguém e mostra que ainda estamos na era da pedra lascada =)
    Beijo!
    'Brigada pela visita!

    *******

    Milu, minha querida!

    Muitíssimo obrigada pelos elogios e pelo teu carinho de sempre aqui no cafofo, viu.
    Vou tentar não sumir.
    Um beijão procê!

    *******

    Raven
    'Brigada pelo carinho, querida!
    Retrubuo todo ele, viu ;)
    Beijo procê!

    *******

    Luma!!!

    Ah! De nada! Pode até parecer rasgação de seda pra quem vê, mas eu gosto de elogiar as pessoas que admiro... São tão poucas...

    E você acertou em cheio! A galera da família estava mega embriagada também, e reza a lenda que não são muito amigáveis...
    Mas, literalmente, há males que vem pra bem ;)

    Que dica bacana essa do Bookcrossing! Eu ia comentar em um post seu sobre isso...
    Vou pesquisar melhor, ler os posts de novo e postar sobre aqui também!
    'Brigada pela dica!

    Um beijo cheio de luz procê =)

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  6. Reinações de MininaMá, nem pá.

    E não é Patricia Pirota, é Patty.

    Keep walking...

    Quando algum aluno for preguiçoso, teimoso ou quiser desistir lembre-se.

    Sua família vai ficar bem, eles tem você.

    Amo você.

    ResponderExcluir

Entre e fique à vontade!
'Bora prosear, porque esse blog também é seu.
Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
Seu comentário será respondido aqui, nesse espacinho, assim que possível.
Um beijo procê!

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