terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Primavera fora de hora...

Sei que a Primavera já acabou... Com o calor do inferno que anda fazendo, não seria preciso olhar na "folhinha" pra saber que já fomos invadidos pelo verão. Mas hoje, 27 de dezembro de 2010, declaro o início de minha primavera.

Ontem, depois de alguns tweets, notei que meu background ainda mostrava as amareladas folhas de outono caindo. Foi então que, ao olhar no espelho, vi meus olhos mostrarem meus sonhos desfolhados pelo chão.  Então entendi que eu havia estacionado no outono de minha vida...

Nos últimos meses tenho arrastado a mim e a meus desejos como se fossem pesados grilhões... Tenho sorrido pouco, e andado de mãos dadas com o passado. Tenho guardado palavras e distribuído silêncios. Tenho me vestido de outono...

Mas hoje decidi que não quero mais. Hoje decidi que quero plantar e colher as cores que a vida, sempre tão generosa, me oferta diariamente. Decidi que quero entrar no ano que se aproxima leve como uma pluma que cai das asas de um anjo...

Tenho acalentado essa vontade já há algum tempo, e, como sempre, a blogosfera me ajudou a maturá-la até chegar ao ponto de colocar em prática.

Foi ouvindo a minha querida mãe virtual, Dona Luci (@LuciCardinelli) e lendo posts como esse AQUI, da própria Luci, que fala sobre fazer uma faxina não só física quanto mental nesse fim de ano...

Ou esse AQUI, da Elaine (@elainegaspareto), que fala sobre o que fazemos com nossa dor...

Ou esse AQUI, da Ju Gervason (@jugervason), no qual ela faz uma retrospectiva linda, linda do seu 2010, e já em novembro declara seu ano novo...


É claro que li muito mais coisa que me ajudou nessa caminhada, principalmente o maravilhoso "Correio Feminino", da mestra Clarice Lispector. Ao ler aqueles pequenos textos, em que Clarice, com uma poesia que só suas mãos são capazes de fazer brotar, falava sobre o cotidiano feminino, é que vi o quanto estava perdendo de mim mesma.

Percebi que já não exercia meu lado mulher, meu lado sentimento, meu lado sorriso. Tinha mesmo era estancado no meu lado memóriasdosubsolo, e por lá ficado... Soturna. Triste. Sozinha. atéqueamortenossepareamém!.

Você, leitor(a) ixperto(a), já notou que os últimos posts foram quase um muro de lamentações, não é? E mesmo assim continuou vindo aqui, nem que fosse pra mostrar que eu podia contar com você, e isso eu não tenho nem como agradecer. Muito obrigada!

Agora 'bora deixar essa tristeza de lado? 'Bora fazer uma faxina mental? Jogar as tralhas fora, polir os sonhos, reciclar os desejos...

'Bora resolver o que nos prende neste ano, pra poder entrar em 2011 com a alma novinha em folha? Então 'bora...

Lembro novamente da citação de Cecília (que está na imagem com as queridas plantinhas que eu tinha em Curitiba) que plantou em mim essa vontade de estar sempre vestida de primavera: "Aprendi com a primavera a deixa-me cortar para voltar sempre inteira".

A imagem é do Motoca Design (clica AQUI).
Engraçado como Cecília parece ser a dona das primaveras... Além dessa citação, e do texto que termina o post, lembrei de um poema lindo que li quando criança, o "Vestido de Laura". Esse poema, embora infantil, também é pra lá de metafórico... E fiquei aqui, toda tentada, a fazer um vestido desse pra mim... Pois não é também a vida como esse vestido? Se esperarmos demais, as flores morrerm, e ficamos vestidos de outono...

Então cortemos o desnecessário. Vamos nos desapegar do passado, dos sentimentos ruins, das roupas, dos antigos amores, das velhas mágoas, dos velhos medos e de tudo aquilo que nos impede de olhar pra um pôr do sol e agradecer...

Como convite, deixo o texto "Primavera", da própria Cecília. É um texto poético, cheio de imagens e metáforas. Leia-o com os olhos de dentro, que é pra poder acordar os olhos de fora... Foi assim que eu fiz, e, no fim, deu certo...



Primavera (Cecília Meireles)
"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera."
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366. Retirado do site Releituras, desta página AQUI


Antes de terminar, deixo um beijo especial pra mama Luci, que tem enchido minha vida de flores, ainda que distante...


Um beijo cheio de carinho pra um tal Bonito, que reapareceu, e plantou a última flor que faltava pra deixar minha primavera completa...


E um beijo pra você, querido amigo/leitor, que é a razão de existir deste cafofo aqui!


8 comentários:

  1. Você não faz idéia de como me deixou feliz! Acompanhei a SUA decisão de voltar. Acompanhei a tristeza em relação a coisas q nem sabia o q eram, mas sentia sua tristeza e me entristecia também. Ficava aqui preocupada com seus sumiços. Querida, eu conheço bem o que você vem sentindo, conheço bem o que é arrastar correntes, mas um dia eu decidi que não faria mais isso. Nossa vida é feita de escolhas, escolha ser feliz, ser feliz apesar de, pois cada dia é um presente que recebemos e nós escolhemos o que fazer com ele. Mesmo que tenhamos um dia lotado de problemas, podemos enchê-lo com diversos momentos de alegria. Para isso temos que querer, temos que olhar. Você é uma pessoa maravilhosa e nasceu para ser feliz. Gente é para brilhar! Claro que há tristezas em nossa vida, claro que é até necessário que em alguns momentos paremos e a sintamos, para poder resolvê-las, mas jamais dar a elas uma importância maior que os motivos que temos para ser feliz!
    Mais uma vez obrigada pelo carinho :)
    Dessa mama que te ama muito e torce por sua felicidade.
    beijo com muito carinho

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  2. Ah, eu escrevi sobre faxina aqui também :) http://reencontrandoaspalavras.blogspot.com/2010/12/hora-da-faxina.html

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  3. Oi sumida...
    Como vai?
    Como foi de Natal?

    Te desejo um 2011 cheio de alegria e felicidade.


    Abraços

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  4. Ainda bem q voltou, estava sentindo mta falta....Feliz 2011....Bjs.

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  5. Moça bonita tem que ser florida ^^

    Que seja muito bem vinda a sua primavera!

    E, só um ataque de chatice: dá pra se divertir no Subsolo! Basta ele significar batcaverna, garagem do Ironman ou Masmorra de Poções (ai, ai!... *____*)!

    Beijocas!

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  6. Querida

    Passei para desejar um ano de muita paz, realizações e conquistas.

    Super beijo.

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  7. Luci, minha querida...
    Você esteve ao meu lado, mesmo sem estar ao meu lado, durante todo esse ano. Senti sempre sua presença aqui, me dando apoio, carinho...
    E posso, com certeza, dizer que uma boa parte dessa primavera se deve a você, uma pessoa a quem admiro tanto, mais tanto, que queria mesmo que fosse da minha família de sangue. Mas sabemos que a alma cria laços mais profundos, não é? ;)
    Muito obrigada por tudo, sempre. Especialmente por ser você, só você. Amo muito você, mama =)

    Ps: Vou lá conferir esse outro post.

    ********

    Hey, Hugo?
    Tudo bem, querido?
    Foi ótimo, e o seu?
    Desejo o mesmo, em dobro, viu!
    Um beijão!

    ********

    Milu, minha querida!
    Sinto falta de você também, viu...
    Adoro seus comentários e sua presença mais do que querida aqui.
    Um beijão procê!
    E um 2011 inesquecível!

    ********

    Raven!

    Que a primavera chegue pra todas nós ;)

    Mas é claro que o subsolo pode ser bom! Inclusive, o seu é ótimo! xD

    Beijão!

    ********

    Rosi, minha estrupícia querida!
    Obrigada, minha amiga!

    Eu desejo tudo o que há de melhor nesse mundo pra você, viu.
    Ah! Pra você e pra essa pequena que está chegando!

    Beijão!!!

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  8. MeoDeus, é mta coisa que eu quero falar. Peraí. Calma.

    Ao começar a ler seu post eu lembrei que tinha declarado meu ano novo. Mas pensei: poxa, hora de declarar a minha primavera também...
    E continuando a leitura fui pensando: que delícia ler um post que mexe conosco.
    Aí fui quando tive a feliz surpresa de te ver citando meu post de ano novo. E pensei: que fofo. eu a ajudei e ela está me ajudando novamente.
    Porque a grande verdade é que mesmo tendo declarado ano novo, eu ainda estou catando as folhas secas que caíram no jardim, e abaixada que estou ao catá-las no chão, não olhei para cima a tempo de perceber que tem flores lindas na árvore!

    Obrigada. Mesmo.

    Agora, aqui é Ano Novo e Primavera também! =D

    beijos!

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