segunda-feira, 25 de julho de 2011

'Tá na mão: Divã e Rosa Fosco

Faz um tempinho, peguei o costume de fotografar o esmalte que estava usando na semana. Depois que minha caixinha de esmaltes lotou, me pareceu bem bacana a idéia de ter uma "esmaltoteca", pra eu visualizar as cores ao invés de ter que passá-las novamente pra testar. Somou-se a isso minha imensa paixão por livros, e por um tempo eu postei no meu quase falecido twitipic uma sessão de fotos onde eu mostrava o esmalte da semana e indicava um livro.

Pois bem... Resolvi trazer essa sessão cá pras bandas do Ainda MininaMá. Antes disso, eu havia pensado em fazê-la no Tumblr. Até criei uma conta lá, pois achava que imagens não combinavam com o blog. Mas nessa minha via crucis de reflexões, pensei cá comigo, Quer saber, por que diabos não posso postar imagens também?

No início, achei que despersonalizaria a proposta do blog, mas... nem eu sei qual é a proposta do blog. Na verdade, na verdade, não tenho uma proposta. Este não é um blog específico. É só uma colcha feita com meus retalhos. E meus retalhos incluem livros e esmaltes. E assim, nasce mais uma sessão do blog, a 'Tá na mão.

E no 'Tá na mão de hoje, eu orgulhosamente apresento o livro Divã, da minha mais que querida Martha Medeiros, e o esmalte Rosa Fosco, da 5Cinco [presente da minha amiga querida Juliana Gervason, dona d'O Batom de Clarice. Por falar na Ju, 'bora lá dar um coraçãozinho pra ela no concurso Eu amo escrever? Só clicar AQUI e doar um sorriso praquela linda].


Divã [Martha Medeiros] + Rosa Fosco [5Cinco] e Maravilha no anelar [Guga] + Anel de flor Renner
+ eu mostrando minha imensa falta de habilidade em editores de foto...

Sobre o esmalte: é lindo que dói! Eu não sou a maior das amantes de cor-de-rosa. Uso lá uma vez a cada seis meses; não sei se foi a textura [um fosco meio emborrachado], ou a cor em si, mas me apaixonei por ele. Dá vontade de morder os dedos de tão fofo que é o bichinho. No anelar, pra fazer graça, passei o Maravilha, da Guga, que é indecente de lindo também. E, bom... Eu definitivamente não sei falar de esmaltes. Tampouco sei tirar fotos deles. Mas se quiser uma definição melhor, e fotos lindas, é só visitar o Unhas Sempre Coloridas, blog da Margareth Gervason [mãe da Ju. Eita família talentosa, rapaz!].

Sobre o livro: há alguns posts falei sobre Divã. Demorei pra ler esse livro em particular. Não sei se foi pelo burburinho do filme, pelo preço da edição. Enfim... Só sei que quando encontrei o bonito na minha banca de revistas favoritas [Rua Treze de Maio quase esquina com a Afonso Pena. Eles tem de tudo, e o tio Japa é super gente boa. O quiosque que fica no Shopping também é super bacana, e o dono mega querido. Até reserva as revistas se você pedir] [Pronto, momento divulgação terminado] pela bagatela de dez reais, eu disse DEZ REAIS, não tive dúvida e o trouxe pra casa.

Dois dias. Ou melhor, duas noites. Foi quanto demorei pra devorá-lo. Ao mesmo tempo em que me identificava com Mercedes, ficava me perguntando como é que o chamado "fora do padrão" acabou se tornando um padrão... Explico: a personagem é a personificação de muitas mulheres que existem neste mundo. Seja você, sua vizinha, a professora do seu filho, sua colega de trabalho... Essa coisa toda de questionamento, de "Penso como um homem, mas sinto como mulher" [Divã p. 9] , que antes era quase que marginal, hoje é praticamente um caminho certo.

Quer dizer... Se fôssemos utilizar a velha história de dividir o mundo dicotomicamente, teríamos as mães de família e todo o esteriótipo de propaganda de margarina de um lado, e as Mercedes de outro. Claaaaro que eu não quero iniciar uma discussão desse porte aqui, num humilde post de um humilde blog, mas o que me fez pensar por dias após o término da leitura foi o fato de que hoje eu não sou mais uma excluída, de que não sou mais "sozinha no mundo".

No fim das contas, essa "descoberta" não se deu apenas com Mercedes, mas com os outros textos de Martha. Desde que a descobri com Trem Bala [do qual falei nesse post AQUI], até Divã [relacionamento de 1 ano e meio, mais ou menos] vejo essa mulher não-padrão estampada nas palavras de Martha. E não só! Vejo nos programas de tv, nos blogs, nas crônicas do jornal, nas ruas...

Me parece que, enfim!, descobriram que ser mulher é ser muitas, e que já não há como mantê-la em uma gaveta de classificação qualquer. Sim, são divagações quase feministas... Mas deixe-mo-las [sou APAIXONADA por mesóclise, gente! Ô coisa mais linda desse nosso vernáculo!] de lado, e voltemos ao livro...

Eu tive que me conter pra não sublinhar o livro todo! Depois que me libertei da paranóia de não sublinhar ou escrever nas margens dos livros, sou uma pessoa bem mais feliz, viu. Antes eu achava um sacrilégio riscar o livro, fosse novo ou antigo. Hoje, se eu não puder sublinhar, rabiscar, desenhar, tenho um siricutico! Claro que não faço isso nos livros alheios, né estrupicinhos! Só nos meus...

Deixa eu mostrar alguns dos excertos que achei que mereciam uma atenção maior por parte do meu lápis de oncinha [Yeap! Não tenho blusa, cardigã, sapato e nem bolsa de oncinha... Mas tenho um lápis, e ele, por hora, me basta]:

"Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas" (p.9)

"São tantas que mal consigo me distinguir. [...] São muitas mulheres numa só, e alguns homens também" (p.11)

"[...]sou mezzo mulherzinha, mezzo cabra da peste" (p. 24) [Adoro essa!]

"Saudade a gente tem é dos pedaços de nós que ficam pelo caminho" (p.88)

"A loucura mora tão perto que sinto o cheiro do seu feijão" (p.112)

"E o nosso lado serial killer, marilyn monroe, al capone, simone de beauvoir, ku klux klan? Pra onde vai tudo o que a gente pensa e reprime, tudo o que a gente ouve e estoca, tudo o que a gente lê e compreende, tudo o que a gente vê e não toca?" (p.114)

"O fato de eu mergulhar fundo no meu entendimento não pode me privar da leveza de viver também pra fora" (p. 120)

"Sozinha a gente apenas se preserva. A nossa existência pra valer se confirma através dos outros" (p.165)

E eu poderia passar horas citando outras partes do livro. Partes, inclusive, que estão grifadas, mas que são tão doloridas, que não as quis reviver aqui. Frases que bateram uma estaca na dor que eu estava sentindo bem naquele momento.

Pode ser que você não se reconheça na Mercedes. Pode ser até que você não sinta empatia por ela, mas, ainda assim, eu acredito que a leitura seja válida. Confesso que Divã não conseguiu tirar o lugar de Doidas e Santas do meu coração de gengibre, mas fica ali, um pouquinho depois de Top Less [outro livro genial, e que eu tive que rodar meio mundo pra conseguir!].

E por hoje termina nosso 'Tá na mão... Você já leu Divã? Já usou o Rosa Fosco? 'Bora contar pra gente o que você achou, vai...


Ps: Amanhã eu volto pra contar o porquê de eu ter abandonado a internet por mais de uma semana. Aguarde resumo dos últimos capítulos...

Um beijo cheio de uma maldade nem tão má assim...


3 comentários:

  1. ah sua linda
    linda e linda
    mandei o rosa sem muita certeza se ele iria caber em você, que me parece ser mulher vermelha, que nem eu, que nem capitu, mulheres doidas.

    mas santas também e por que não? por isso o rosa foi. e foi o rosa que eu acho mais lindo do mundo, mas que por conta da alergia, não posso e não devo usar.

    sabe, sempre tive preconceito com marta. mas depois do seu post, confesso que deixe uma frestinha aberta pra ela.

    depois eu conto como voltei do divã.

    beijos sua linda. estalantes =*

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  2. Oi quelida ficou linda suas unhas e sua mão, obrigada pelas palavras de carinho!

    Ótima semana para vc quelida
    Beijos coloridos!

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  3. Ju, sua fofa!

    Pois acho que você escolheu o único rosa que cabe em mim nesse mundo!
    Ele é lindo, lindo! Quase que passei ele de novo hoje xD

    Mas sou mesmo uma muher de vermelhos. Unhas, boca, [cabelos já foram], sentimentos...

    Assim como você, também busco meu lado santa, embora sempre me divirta mais com o lado doida ;)

    No início eu virava a cara pra Martha. Não sei, alguma coisa não ia. Mas depois que li "Trem Bala", me entreguei.
    É uma escritora de seu tempo. Escreve crônicas como niguém. Sempre leve, sem pretensões, sabe... E isso é gostoso.

    Beijo barulhento na bochecha =*

    *************************

    Margareth,

    Ô querida! Eu é que agradeço suas palavras!
    'Brigada, viu.
    Adoro, adoro seu blog! Nunca vi mãos tão lindas, nem fotos tão bem tiradas!

    Um beijo!

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Um beijo procê!

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