sexta-feira, 29 de julho de 2011

'Tá na mão: Uma professora fora de série e Red Expresso

No 'Tá na mão de hoje, eu, orgulhosamente, apresento o livro Uma professora fora de série, de Esmé Raji Codell, e o esmalte Red Expresso, da Ludurana [presente da minha amiga querida Juliana Gervason, dona d'O Batom de Clarice. Por falar na Ju, 'bora lá dar um coraçãozinho pra ela no concurso Eu amo escrever? Só clicar AQUI e doar um sorriso praquela linda].

Uma professora fora de série [Esmé Codell] + Red Expresso
e Paixão no anelar [ambos Ludurana] +
Anel de Coruja [Marisa]


O esmalte: é vermelho, e como todo vermelho que se preze, é um escândalo de lindo! Super fácil de passar, precisei de duas mãos, e não empelotou nem nada. Passei o extra-brilho da Risqué só por força do hábito também, porque o brilho do bichinho é absurdo. Também é tranquilo de limpar... O do anelar é indecente, e, provavelmente, estrelará o próximo 'Tá na mão em versão "sem cortes"...

A escolha do esmalte foi influenciada pela volta às aulas. Tenho um semestre novinho me esperando, e tenho cá pra mim que o primeiro dia é sempre muito importante. Queria um esmalte bonito, forte, que me trouxesse energia e sorte [uia! Rimou!]. Nada mais propício do que o vermelho, que é uma das cores que eu mais gosto [haja vista minha pequena coleção de batons e esmaltes vermelhos].

Então... O flash estourou, mas ao menos mostrou o  quanto esse trem brilha horrores!


O livro: Em raras ocasiões, eu acredito num trem chamado destino; mas assim, acredito desacreditando... E meu encontro com esse livro talvez tenha sido obra do tal. Logo que voltei pra Campo Grande, peguei algumas aulas do Curso Normal Médio, e não tinha muito material teórico em casa [pois dei a maioria antes de me mudar pra Curitiba, mas isso conto no vídeo da BookShelf tour, que você também pode participar, só clicar AQUI].

Fui dar uma volta no Maciel [um dos únicos sebos daqui] pra ver se encontrava algo, e, enquanto esperava o atendente [um velhinho dos mais interessantes do mundo dos sebos. Nunca lembro o nome dele, só sei que é algo do tipo "ezequiel"; ele é genial, mas, cuidado, é capaz de você ficar mais de uma hora só ouvindo as histórias que ele tem pra contar...], olhei pra estante e me deparei com o título do livro.

Como havia ficado sem dar aula por três anos, achei que seria interessante ler um livro escrito por uma professora. Na verdade, na verdade, nunca havia lido livros do tipo. Assisti muitos filmes com histórias de professores, mas livros, só havia lido "Uma professora muito maluquinha", do Ziraldo, que é clássico.

Pois bem, mesmo nunca tendo ouvido falar da escritora, eu não ia recusar um livro pela bagatela de dez contos. Resultado: li o livro em um único dia. Foi daquelas leituras ávidas, cheia de desejos, de lágrimas, de sorrisos, e de "meu deus, por que diabos eu não li esse livro antes?!"...

O livro é uma delícia de ler. Acredito que até aqueles que não vivem no mundo da educação ficarão encantados com a Madame Esmé. Quanto àqueles que vivem no mundo docente... Ela nos faz lembrar de quando começamos a lecionar. Da esperança, das milhares de idéias que jurávamos que mudariam o mundo, do desespero, da raiva, do desapontamento, da frustração quando descobrimos que não iríamos mudar o mundo coisa alguma...

Sempre que eu tenho alguma decepção em sala [ou extra-sala, bastante recorrente também], corro reler as palavra de Esmé. Subitamente, elas são capazes de amornar meu coração já tão calejado da estrada que nem sempre é de tijolos amarelos.

Acho ótima essa descrição que vem na capa do livro: "Embora possa facilmente ser lido em uma tarde, suas páginas ficarão na memória por muito tempo. Qualquer pessoa que se interesse pelo futuro do ensino deveria ler" (Boston Phoenix Literary Section]

Deixa eu mostrar alguns trechos que grifei, e que acho que representam bem o diário de Madame Esmé:

"Estou mirando muito alto, com certeza. Mas, se não mirar, como poderei acertar o alvo?" (p. 13)

Festival de Contos de Fadas (p. 13-14) [Idéia genial pra fazer na escola!]

"- A senhora é casada? - perguntei.
- Não. Tenho crianças suficientes pra cuidar sem um marido" (p. 18)

"Ismene me ensinou o básico: ignorar o mau comportamento enquanto puder suportá-lo. Manter a tranquilidade. Como uma voz suave pode ser muito mais eficaz do que uma voz alta. Começar com os comentários positivos para os pais antes de dar as más notícias. Esperar pacientemente que as crianças respondam às perguntas" (p. 19)

"Não se pode ter tudo o que se quer... Só tudo o que importa" (p. 43)

"Fiquei acordada no meio da noite, pensando:  "Por que eu me importo? Será que sou louca?". Um pouco, talvez." (p. 142)

"As pessoas comentam: "Os que não sabem fazer ensinam". Ah, e como estão certas. Eu nunca, nunca poderia fazer tudo o que sonho em fazer. Nunca poderia ser estrela de ópera, cientista, astronauta, [...] Buda ou milhares de outras aspirações que tive, já que só recebi um bilhete bem fininho nessa loteria da vida! No intervalo, enquanto olho pra eles, os meus, os que eu amava, encho-me da alegre cobiça de um homem rico contando suas moedas. Cheguei a pensar, equivocadamente, que lecionar me rebaixou algumas vezes, mas agora experimento a grande euforia de um professor, a sabedoria que, como uma droga, vai me fazer seguir em frente: trinta e uma crianças. Trinta e uma oportunidades. Trinta e um futuros, nossos futuros. É uma sensação quase psicótica acreditar que parte de suas vidas me pertence. Tudo o que elas se tornarem eu também me tornarei. E tudo o que sou elas ajudaram a criar" (p. 153)

E sim, há muitos outros trechos que foram grifados, comentados, assimilados... Um aspecto que acho importante é o de o livro não mostrar só o lado ruim de ser professor, mas mostrar também como dá pra contornar algumas situações com um pouquinho de amor e um pouquinho de criatividade.

Claro que, na nossa profissão, há dias em que tudo fica cinza, principalmente porque nosso trabalho não depende só de nós, e tudo aquilo que envolve o ser humano é cheio de caminhos tortuosos. Mas sempre acreditei que devemos fazer o que está ao nosso alcance.

Infelizmente, não encontrei o livro à venda nas "grandes livrarias". Provavelmente, acabaram as edições, e não foram publicadas mais; mas nessa página AQUI do salvadordapátria Estante Virtual, ainda há alguns exemplares.

Leitura recomendadíssima! Seja você professora ou não.

Pra terminar, espero que o meu [e o seu também...] próximo semestre seja cheio de histórias boas pra viver e contar. Espero conseguir passar por cima das pedras do cotidiano, e ser a melhor professora que posso ser. Espero que meus alunos me ajudem nessa tarefa, e que possamos dar as mãos e caminhar pela estrada de tijolos amarelos. Porque nunca é demais querer o melhor...

Ps: Ficha técnica do livro - CODELL, Esmé Raji. Uma professora fora de série. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

Ps2: Nesse link AQUI tem uma matéria que fala sobre o livro e sobre ser professor. Achei bem bacana.

Um beijo, cheio de uma maldade nem tão má assim...
@patriciapirota

2 comentários:

  1. Vou passar sim.
    Aproveito pra te desejar um ótimo final de semana.


    abraços

    ResponderExcluir
  2. Oi Patricia Pirota!

    Eu vi uma recomendação sua sobre esse livro no seu vlog. Então, eu corri e o achei e li e me deliciei e também pensei que deveria ter lido antes. Talvez também fosse o destino me colocando para ver seus vídeos. Hoje estou lendo seus posts sobre professores e me identifico e me tranquilizo, há ocasiões que uma palavra escrita aqui que nem é pra você parece que é! Obrigada por prosear com a gente!

    ResponderExcluir

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Obrigada por sua visita, e por sua opinião.
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