segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por uma Educação mais doce...

Quem me acompanha no Twitter [olha eu aqui mãe: @patriciapirota] deve ter visto meu descontrole ontem, quando falava sobre Educação. Na verdade, sobre a falta de respeito com nossa Educação. Eu já havia lido sobre o infortúnio do Governador do Ceará, mas só ontem fiquei sabendo sobre a situação do ensino público em Minas. Ao ir pesquisar um cadim sobre esse assunto, e ler que um professor pras bandas de MG ganha míseros 396 reais por 24 h/a semanais, meu estopim estourou de vez!

Fiquei revoltada, tuitei desaforos, e fui dormir com a cabeça doendo e com o coração entristecido. Por mais anos de estrada que eu tenha, não consigo me conformar com o modo como a Educação é tratada em nosso país... Poxa, dizer que deveríamos dar aula apenas por amor?! E vamos viver de quê? Ah, sim... Da esmola que eles chamam de salário, é verdade...

Nenhum sacripantas precisa nos dizer pra darmos aula com amor, pois fazemos isso diariamente. Eu amo o que faço, e é por isso que continuo no caminho. Mesmo com as pedras, mesmo com as bruxas más de leste a oeste, mesmo com o cansaço, com as dores, com a tristeza... Sigo por amor.

Mas o fato de amar o que faço não exclui minhas necessidades enquanto cidadã de uma sociedade capitalista, ou seja, trabalho = salário, e ponto final. Desde antes de eu entrar nessa profissão, vejo a guerra entre governos e professores. Aqueles sempre alegam que estes exigem demais. Mas será que pedir o que é justo é exigir demais? Será que querer receber um salário íntegro e que supra nossas necessidades é exigir demais? Será que esperar receber um salário digno de quem terminou o Ensino Superior é exigir demais?

Às vezes fico me perguntando por que diabos os funcionários públicos dos tribunais federais [com apenas ensino médio] ganham em torno de 4000 contos, enquanto professores tem seu piso salarial em  1.187,97 reais pra quase o dobro de trabalho...

Mas não quero mais falar sobre tristezas. Não hoje. Não no dia em que recebi doçura...

Logo pela manhã, uma aluna chegou pertinho de mim, com a mão fechadinha e com o sorriso aberto, e me disse que tinha viajado no final de semana e lembrado de mim. Então ela me entregou isso:


Até a minha Amelie sorriu... Vejam que delicadeza! É um potinho de Nutella de 30 gramas, pequetito pequetito...

Eu a abracei até apertar todos aqueles ossinhos fofos, e, pelo resto do dia, dei aula com um sorriso no rosto. Mesmo nas aulas da tarde, em que os alunos do cursinho resolveram seguir o manual de maneiras idiotas, e conversaram como se não houvesse amanhã. Mesmo lendo manchetes de professoras apanhando, sendo ameaçadas de morte. Mesmo o cansaço pesando toneladas sobre meus ombros. Mesmo com tudo isso, meu dia foi doce.

E o mais importante, na verdade, nem foi o presente em si [claro que essa delícia é de encher o coração de doçura!]. Poderia ter sido um chiclete. Uma flor roubada do jardim. Um adesivo. Um abraço. Poderia ter sido qualquer demonstração de carinho, porque é isso o que importa.

Porque o que me importa é saber que uma mocinha de 13 anos viajou e lembrou de mim. O que importa é ver o brilho nos olhos dos meus alunos, e lhes abraçar, e sentir que eles também me abraçam com a alma.

Além de tudo! O mais importante mesmo foi saber que essa mesma fofurinha que adoçou meu dia, vai quase todos os dias em um orfanato ajudar a cuidar de crianças junto com a mãe. Isso ela me contou enquanto mostrava a foto de uma das crianças do orfanato, e perguntava se não era linda.

Me deu um orgulho tão grande de ser professora de uma mini adultinha que já ajuda a fazer desse nosso mundo um mundo menos sofrido... E com isso ela me adoçou o dia duas vezes. Primeiro pela fofura em potinho, segundo por me fazer acreditar que ainda podemos ter esperanças no futuro...

No fim das contas, acabei esquecendo um pouquinho das minhas lamúrias de ontem. Claro que ainda não me conformo, mas não posso ficar presa à revolta, do contrário não continuo a caminhada.

Hoje, minha segunda-feira foi um cadinho mais doce. E eu termino o dia agradecendo aos deuses por me proporcionarem momentos tão gostosos, e, ao mesmo tempo, pedindo sabedoria pra poder continuar levando os dias.

Agora, pra adoçar mais um tiquinho seu restinho de segunda-feira, dá mais uma olhadinha no potinho de doçura. Coloquei ao lado de um mini-esmalte da Orly, pra mostrar o quanto é pequenininho o vidro:


É por isso que digo que não preciso de grandes acontecimentos... Preciso, sim, de pequenos acontecimentos que importem... Preciso de um pouquinho de doçura vez ou outra pra quebrar um pouco do amargo de meu coração de gengibre...


Um beijo, cheio de uma maldade nem tão má assim...

8 comentários:

  1. Eu penso o seguinte: sem educação nada vai pra frente, ponto final! Olhe os países "desenvolvidos" do mundo, os com melhores IDH's e qualidade de vida... veja se todos eles não investiram e investem pesadamente em educação! Como pode o Brasil querer ser "potência do futuro" se temos taxas de analfabetismo e analfabetismo funcional tão altas!?
    Não espero nunca ser professora, mas se tem uma profissão que admiro é essa, porque acho que uma pessoa que trabalha de manhã, tarde e noite, finais de semana e feriados corrigindo provas, trabalhos, preparando aulas e etc, só pode mesmo ser um ser humano totalmente preenchido de amor, e ainda por cima, esses heróis tem que nos aguentar nas salas de aula, o que convenhamos, eu como aluna admito, não é de tudo ótimo, porque alunos, em geral, são muitíssimo chatos! Tenho a sorte de ter professores maravilhosos que me consideram e eu considero como amigos, e acho que posso dizer: ser professor é ser amor pela profissão...inteiramente, porque mesmo que os salários de escolas particulares sejam mais altos, ainda acho que não pagam o trabalho que um professor presta!
    Acho que atitudes como essa da sua aluna só mostram o quanto os professores são importantes em nossas vidas, e como deveriam ser mais valorizados!

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  2. Eu larguei o magistério na rede pública pra ser técnica federal. Realmente, é indecente a discrepância salarial. Eu amava o que fazia, mas estava ficando doente com os vícios do sistema, o desinteresse generalizado, a desvalorização da profissão.
    Investimos tanto na nossa formação, na atualização do conteúdo, na constante revisão de métodos, mas nos tomam por sacerdotes, como se devêssemos morrer tentando. É injusto demais!
    Também recebi mostras de carinhos de meus alunos. Pequenos gestos que faziam diferença.
    Mas a verdade é que os dirigentes desse país não se interessam por pessoas educadas, autônomas. E são poucas as pessoas que reconhecem nosso valor.

    Força e doçura na sua jornada!

    Beijo!

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  3. Estava revendo sua Bookshelf Tour hoje e fiquei muito curiosa com os livros da Martha Medeiros, seria pedir muito um vídeo só sobre os livros dela? :x

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  4. Pois é, a situação aqui em Minas não tá nada boa mesmo.. mas vou te falar que os professores estão lutando e não estão abaixando a cabela não.. a greve dos profs públicos já deve estar completando mais de 2 meses... é uma luta, o governo não dá o braço a torcer, todo dia tem manifestação, mas é assim que tem q ser, pq é uma das maiores vergonhas do Estado dizer que professor aqui ganha o maior salário de todos...

    bjsss

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  5. Pois é, te entendo muito. Semana passada vivi um dilema em relação a minha profissão(vai virar um post,rss) e foi uma aluna minha, após um momento desabafo que me abraçou e me deu um beijo na testa(sou baixinha) que salvou meu dia.

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  6. Oi. Estive por aqui dando uma olhada. Muito interessante. Gostei. Apareça por la. Abraços.

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  7. Minha filha de 13 anos estava aqui discutindo comigo outro dia sobre a greve dos profesores de MG e eu disse pra ela que modifiquei meus parâmetros de governante. A partir de agora, independente de partido, será um bom governante somente aquele que der prioridade absoluta em educação e saúde. Fora isso, não vejo outro parâmetro e disse a ela para ir refletindo até ela chegar aos dezesseis , quando começará a votar. Não dá mais para ouvirmos dizer que o sujeito foi um bom governante e quando ele sai e vamos olhar para tras, observarmos o caos que deixou na saúde e educação (Acho que isso é um fenômeno nacional, né?).

    Ainda bem que vocÊ recebe esses afagos de alunos que é o que mantém acesa uma chama de vontade de prosseguir . Abraços. Paz e bem.

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  8. Acho o Rio o pior Estado do Brasil nas questões básicas necessárias para um cidadão viver bem, como reza a nossa constituição. Temos direitos, onde estão?
    Praticamente os habitantes do Estado crescem fazendo concursos públicos, pois é o Estado brasileiro que mais tem funcionário público e você quer saber porque o piso salarial é alto? Pense que tudo que tem piso, tem teto - e os que tem teto salarial, este é proporcional ao piso, captou?
    Que orgulho deve sentir da sua aluna! Não é todo jovem que quer fazer trabalho social espontaneamente!! Parabéns pelo mimo!!
    Beijus,

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