sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o tempo dos desprazeres...

Hoje, a tal da história de que talento é 1% inspiração e 99% transpiração me faz mais sentido do que nunca. Não só porque Campo Grande decidiu se tornar a filial mundial do inferno, mas porque tenho trabalhado mais do que dou conta.

Sim, eu sei, eu sei. Você não aguenta mais ler sobre meu trabalho. Mas, veja bem... Se esse blog é sobre minha vida, e minha vida é trabalho, logo...

Eu até me afastei daqui, porque, por mais que tivesse idéias, me faltava a transpiração. Me faltava a coragem pra escrever, a vontade de editar, tirar fotos, me traduzir em palavras. Me faltava uma definição de o que eu quero com esse espaço. Sobre o que quero falar. Sobre o que quero calar... E, pra falar bem a verdade, ainda me falta.

Nem no twitter ando dando as caras mais. Meio que cansei de falar com caracteres contados. Meio que tenho tanto a dizer em tão pouco tempo. Meio que ando me sentindo e me vivendo pela metade.

Daí que até pensei em comprar um desses livros de soluções mágicas da vida for dummies. Mas entendi que às vezes é necessário ficar de saco cheio. Temos essa cultura de que tudo tem que ser lindo. De que o céu precisa ser azul Faber Castell, de que sorrisos abrem portas e pessoas descontentes e rabugentas não vão para o céu.

Sempre procuramos formas de nos livrarmos da insatisfação, da tristeza, da solidão que, lentamente, nos devora a alma. Vivemos num mercado negro atrás de pílulas mágicas, sejam elas livros, filmes, cervejas, bares, amores ou aquelas mesmo, da tal tarja preta.

Às vezes eu me pergunto se toda essa busca desenfreada pela felicidade não é um dos fatores que mais nos deixam infelizes. Vamos ser sinceros aqui: será que a alegria não cansa? Será que a realização não esgota? Será que existe alguém que não sente nem um tiquinho de raiva, descontentamento, tristeza, nojo, solidão, revolta durante as tantas horas que tecem um dia [dizem por aí que são 24, mas ando querendo saber quem é que roubou as minhas, pois meu dia anda durando, no máximo, 12!]?!

Cheguei à conclusão de que é importante nos sentirmos mal. É, isso mesmo que eu disse. É importante vivermos os sentimentos ruins, sejam eles a dor pela morte de um ente amado, seja a frustração no trabalho, seja a tristeza de se saber mulher, mas não se saber amada.

É importante nos vermos como humanos. E humanos erram, choram, se rasgam inteiros. Humanos gritam, fecham a cara e mandam tudo à putaqueopariu quando é preciso. Humanos vivem, não fingem viver.

Ontem, eu chorei. Chorei de soluçar, de escorrer lágrimas, de pedir que o mundo acabasse só pra não ter que explicar os olhos vermelhos. Mas a libertação só veio muito tempo depois que a garganta começou a doer de tantos sapos engolidos.

A gente vai levando a vida, mas tem horas que o melhor mesmo é deixar a vida nos levar. Há momentos em que precisamos aceitar que o rio no qual navegamos não aceita senhores, pois ele é senhor de si mesmo e de todos os que nele estão.

Essa semana me deixei levar. Vivi minhas tristezas e raivas cotidianas, e devo dizer que me fez bem. Não me deixei fingir que estava tudo bem. Não, fiz questão de mostrar a língua pro mundo e mandar teorias de "como ser mais feliz" e "como não ter problemas" pro raioqueasparta.

Quanto mais tentamos deixar os problemas e as tristezas de lado, mas esses filhosdumaputa nos perseguem. E, no fim das contas, a vida é um problema! Um puta de um problema, do qual estamos sempre procurando a solução. E a tal solução, resposta, seja lá o que perseguimos, pode tanto ser 42 quanto nada.

Não importa a resposta! O que importa mesmo é saber fazer as perguntas, e, principalmente, saber a hora certa de não fazer perguntas. Por enquanto não quero perguntar nada.

Hoje, quase nada está conseguindo me fazer sorrir. Irônico, porque mais tarde vou a uma festa de Halloween fantasiada de Death, a personagem da obra Sandman, criada por Neil Gaiman [idéia linda da fofa da Raven, lá do Memórias do Subsolo]. Irônico porque ela é uma das criaturas mais fofas do mundo dos Perpétuos [depois farei um post sobre Sandman e sobre o lindo do Gaiman, 'tá?], mesmo que seja aquela que leva as pessoas da vida.

Espero que ela leve embora essa minha frustração, que já anda me dando no saco. E não, antes que alguém pergunte, não é TPM. Só se eu fui premiada com o cuponzinho de TPM mês integral... Mas não, não é.

Death, by Neil Gaiman [Tirei DAQUI ]

E não quero saber o que é também. Vivi meu luto, e isso me basta. Porque precisamos sim viver os desprazeres da vida, mas não o tempo todo, não para quase todo o sempre amém. Porque no dia em que ela vier me buscar, eu quero poder ir com a alma leve, e pra que isso aconteça, eu tenho que viver tudo...

Um beijo, cheio de uma maldade nem tão má assim...

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com você, que devemos nos aborrecer sim, reclamar sim, chorar sim; não adianta maquiar os problemas da vida, porque eles continuarão todos lá, só disfarçados de cores e sabores.

    Vamos fazer um movimento a favor do Taqueoparil Sempre Que Necessário? Aposto que a venda de narcóticos e psicotrópicos cairia uns 50%.

    Boa festa para você, não se esqueça das fotos e, quanto à idéia que lhe dei de fantasia, ela veio despretensiosamente, numa inspiração... Um Transmimento de Pensação Gaimaniano? E por que não?

    Beijocas!!

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  2. Um dia você vai morrer e todo esse sofrimento sessará quando chegares ao céu e contemplar a mensagem definitiva de deus para a Humanidade: “Desculpe-nos o transtorno”.

    [E E quando quiser reclamar é só chamar, eu sou um bom ouvinte =)]
    Sup3r

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  3. Bem, eu tenho temido mudar, Porque eu construí minha vida ao seu redor, Mas o tempo traz coragem; crianças envelhecem, Estou envelhecendo também.(sinopse do meu blog)
    Acessa o meu blog?
    "Crianças Envelhecem"

    http://criancasenvelhecem.blogspot.com/

    Espero a sua visita, se gostar do meu blog, segue lá, ficarei muito feliz.
    Desde já obrigada, tenha uma ótima semana.
    Atenciosamente Dinha".

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