sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sobre o diferente, o mais do mesmo e os entremeios... [Ou sobre o que anda acontecendo com os blogs]

Escrevi esse post mentalmente por quase uma semana; o que quer dizer que ele não está nem perto do tema inicial, e de que não faço nem idéia de onde queria chegar quando o imaginei. Uma das peculiaridades dos posts mentais é essa: tudo interfere no processo.

Se hoje eu resolver falar sobre a cor amarela, e amanhã eu vir um quadro de Van Gogh, e depois de amanhã vir um quadro de Matisse, e uns três dias depois vir uma camiseta na CeA ou uma bolsa na Marisa, e durante o jornal assistir a uma reportagem sobre a diferenciação das raças... Se tudo isso acontecer, a ideia inicial de falar do amarelo enquanto uma das cores primárias vai ser diluída entre culturas, obras, pessoas, sensações... No fim das contas, não vou mais falar sobre o amarelo, vou falar sobre como eu vejo o amarelo, e sobre como o mundo me mostra o amarelo.

Pois bem... O amarelo desse post foi minha vontade de falar sobre as relações virtuais, sobre o espaço virtual/real, sobre o papel dos blogs, dos blogueiros, sobre nosso direito à liberdade de expressão e nosso dever de respeitar ao próximo. Essas coisas, tão próximas e tão distantes.

Mas daí, no meio do caminho encontrei outros ocorridos que me levaram pra um looping infinito [lembrei do episódio de The Big Bang Theory, em que o Sheldon resolve que quer ser amigo do Kripke... Meio que me lembrou os relacionamentos na blogosfera, mas deixa isso pra lá, por enquanto...] de questionamentos.

No início, queria apenas falar sobre quão triste eu fiquei com o que motivou esse post AQUI da Ju [d'O batom de Clarice] [E antes que alguém diga alguma coisa, não eu não sou paga pra fazer propaganda da Ju, tampouco procuro troca de links ou favores vazios. Faço por gosto, por carinho, por amizade]. Não me lembro bem se fiquei mais triste ou mais revoltada. Penso que a proporção foi de 1 pra 1.

Foi quando passei a questionar a blogosfera/tuitosfera/raioqueopartasfera e a mim mesma.


Fiz meu primeiro blog em 2006. Antes dele, eu escrevia no Fotolog [#velha e poser. Tsctsc]. Criei o blog especificamente porque eu queria participar da galera do Tudo de Blog, ação da Revista Capricho que foi uma excelente sacada, e da qual tenho bastante saudade [Você pode ver meus posts pro Tudo de Blog nessa Tag AQUI].

Não, eu não tenho vergonha de ter escrito pra Capricho, mesmo, na época, eu tendo 24/25 anos e a maioria das meninas ter 16/17. Era gostoso. Enfim, eu estava mostrando meus textos pro mundo. Textos esses que, até então, ficavam trancafiados nos meus milhares de caderninhos...

Com o tempo, fui desenvolvendo o "meu estilo", assim, entre aspas, porque até hoje não faço a mínima ideia de qual seja meu estilo. Fui pegando gosto pela ferramenta, e fui conhecendo pessoas. Depois, fui conhecendo mais pessoas, mas nunca cheguei a ter um blog badalado, cheio de seguidores, super divulgado. Assim como também nunca fiz parte de grupinhos, panelinhas, frigideirinhas e afins...

Tive/Tenho sim pessoas queridas que me apresentaram pra outras pessoas queridas. Que me ajudaram, e continuam me ajudando a divulgar minhas palavras. Mas elas nunca me pediram sequer um link em troca. Nunca exigiram comentários, banner ou certificado de seguidora com três vias registradas em cartório.

E todas essas pessoas que encontrei pelo caminho fazem com que eu continue com vontade de levar o blog adiante...

O que me entristece muito é que parece que essas relações de amizade, de troca espontânea tem se perdido, se vendido. Claro que eu não critico as meninas que tem blogs de conteúdos segmentados [como beleza e moda] e fazem  parceria com empresas! Minha gente, estamos mergulhados no Capitalismo, e esperto daquele que consegue sua parte nos lucros.

Também não critico a moçadinha nova que vem divulgando a leitura como nunca. Muito embora eu não compartilhe do mesmo gosto literário que a maioria dos blogs de leitura, quero mais é que as pessoas leiam, cada vez mais, cada vez um pouco de tudo. Ler é bom, ponto de exclamação.

Eu não critico quem é transparente, quem faz o que gosta e com quem gosta. Não critico pessoas por gostos diferentes dos meus, até porque, se assim o fizesse, não teria tempo pra viver minha própria vida.

O que, muitas vezes, eu questiono é esse vazio das relações. Essa falta de conteúdo, de respeito, de cuidado. Qualquer um pode ter um blog, mas você jura que eu mereço ver/ler certas coisas?

Ah! Se não quer ler, fecha a janelinha! Mas é pra já, camarada! E é isso mesmo que eu faço, sem nem me dar ao trabalho de falar mal, porque, se eu não gostei, tem gente que gosta e ponto, e pronto. É melhor eu gastar meu pequenino tempo comentando em blogs que gosto, que admiro, dos quais tenho coisas boas e gostosas pra falar, e não jogando pedra na janela da sala de jantar alheia.

Depois que descobri o Blogueira Shame e toda a confusão armada sobre ele, fiquei me coçando pra falar sobre isso. Mas fiquei com medo. Juro. Medo. Medo de virem tacar pedra na minha janela pelo simples fato de eu expressar minha opinião.

Mas lembra do post imaginário sobre o amarelo, do qual eu 'tava falando lá em cima? Pois é...

Eu não concordo com tudo o que é dito pela Dona Shame, mas respeito o seu direito de expressão. Ah, mas é porque você ainda não virou post dela! Mesmo se eu virasse. Iria odiá-la internamente, ou odiar-me eternamente caso o erro fosse tão horrendo que até eu ficasse com vergonha.

O que eu achei válido nesse blog foi a abertura que ele dá para que possamos discutir sobre a Inclusão Digital. Minha gente, aqueles posts com erros crassos de gramática insultam até mesmo aos analfabetos! Nem meu querido @naoaoconcerteza consegue ser melhor/pior do que aquilo.

Além disso, também acho que seja necessário discutir até que ponto as resenhas e afins são válidos, além de para quem, como e por quê.

Mas quem você acha que é pra falar sobre isso? Eu? Eu não sou ninguém, fia. Sou blogueira de meia tigela. Sou uma qualquer que tem uma página virtual. Além disso, sou pessoa, pensante, crítica e que acha que discutir é saudável, ao contrário de falar mal, coisa que não faz lá muito bem pro coração.

Muitas moçoilas se sentiram absurdamente ofendidas pela dona Shame. Sim, eu concordo que ela pesa na mão, tal qual o seu Rafinha Bastos [nem pensar que vou falar sobre isso aqui, sob pena de ser processada!]. Mas algumas das pessoas que estrelam posts no blog dela são as mesmas pessoas que possuem tags em seus blogs criticando sem dó nem piedade o estilo alheio. São as mesmas pessoas que dizem que é horrível usar azul porque a cor da moda agora é fúcsia. São as mesmas pessoas que esnobam quem usa [insira sua marquinha amiga/creuza lado B favorita aqui], pois só quem usa Chanel é que merece consideração.

Não, não e não. Não vou começar um discurso sobre a questão dos importados X nacionais; também não vou criticar quem tem dinheiro e gasta com o que bem entender. Mas convenhamos que ficar brava com alguém que faz, guardadas as devidas proporções, o mesmo que você é meio que contraditório, né não?

Eu meio que cansei dessa briga de ego que anda rodando a internet. Cansei de sorrisos photoshopados e expressões vazias em comentários tão vazios quanto. Parei de seguir um tantão de blogs porque percebi que, apesar de algumas resenhas serem boas, as donas das resenhas não eram.

Comecei a perceber que a mesma menina que era toda sorrisinhos no seu próprio blog, também era aquela que entrava como anônimo nos blogs das colegas pra falar mal. Ou então, que jogava indiretas no Twitter. Ou que criticava em plena praça pública o estilo das colegas.

Admiro muito quem consegue falar de moda, beleza, unhas, livros e qualquer coisa que valha sem perder sua própria essência. Sem perder-se no meio da viagem. Sei que uma hora ou outra todos nos perdemos de nós mesmos, mas isso é consequência da nossa busca por um eu que desconhecemos.

Um comentário desagradável só gera energia ruim. Por que é que ao invés de você falar mal de uma pessoa, você não vai treinar caretas no espelho? Ou então ligar praquela sua amiga que não vê há meses. Ou mesmo sentar na varanda e olhar pro céu. Ou limpar atrás da televisão. Ou tanta outra coisa que pode ser feita por você e pra você e que, de quebra, não vai diminuir, magoar nem atormentar outra pessoa.

Eu tenho verdadeiro pavor dessas discussões infundadas sobre fútil/intelectual, rhyca/creuza, fashion/básica e por aí vai. Não acredito que alguém que gaste tubos com maquiagem [seja ela MAC, Natura ou Vult] não seja capaz de ser uma pessoa culta, inteligente. Porque ser culto não é LER Machado de Assis, mas sim ENTENDER e APLICAR Machado de Assis, ou qualquer outro autor, seja ele J.K. Rowling, Stephany Mayer ou Maurício de Souza.

Ser inteligente é saber ler o mundo; saber traçar paralelos entre o objeto [seja ele a roupa, o sapato, o livro, o quadro] e a vida; saber posicionar-se diante de seus gostos sem diminuir ou discriminar os do próximo. Isso é ser culto. Ler/Apreciar José Saramago é gosto, não intelectualidade.

Odeio rótulos sem necessidade. Pra mim, rótulos são feitos pra dizer quais são os componentes, como usar e quais são as reações adversas. Pessoas não tem manuais de como usar. Eu gosto [muito, muito mesmo] de literatura clássica, mas meu gosto foi sendo construído ao longo do tempo. Meu gosto é meu prazer e não parâmetro do ISO pra julgar o gosto alheio. Meu gosto é medida pra julgar o objeto, mas nunca a pessoa que gosta do objeto.

Podemos compartilhar gostos e a partir deles formar segmentos sociais. Aliás, podemos não, devemos, fazemos. Mas não podemos usá-los como forma de exclusão tampouco como modo mais rápido de nos tornarmos melhores do que alguém.

Todos nós temos direito à liberdade de expressão, desde que ela não interfira na liberdade de outrem. Enquanto todos continuarem com a cultura de que é preciso falar mal do próximo pra se promover, de que é preciso jogar na cara os erros cometidos pelo outro pra justificar o seu próprio erro, de que é preciso diminuir alguém pra se pensar grande... Enquanto isso continuar, viveremos cercadas de arame farpado, colocando tábuas na janela pra que nossos vidros não sejam quebrados...

Eu não falei que tinha escrito o post mentalmente? Pois então, me perdi...

Na verdade, na verdade, não acho que tenha me perdido, mas sim que isso é assunto pra mais de um post, pra mais de um dia, pra mais de uma pessoa...

É assunto pra gente debater, mas com civilidade, com educação, com respeito. E assim deveríamos tratar todos aqueles que buscam seu espaço nesse universo virtual...

Continuemos todos nós a pensar, que tal?
E conta pra mim o que você acha disso tudo, porque é sempre bom ter opiniões alheias.

Um beijo, cheio de uma maldade nem tão má assim...

7 comentários:

  1. Eu assinaria e endossaria seu post não fosse um pedacinho que discordo. Mas quem disse que temos que concordar com tudo? =D

    Sobre a "xaime" não acho válido nada do que ela faça ali. Concordo que há muita coisa estranha na net e outras mais que deveriam ser denunciadas (como ela faz de quando em vez).

    O que sempre me incomodou é que ali se fez um espaço de ofensa, agressão e auto afirmação para outra série de pessoas que usam o anonimato pra jogar pedras nas salas alheias. E com que direito, meodeus?

    No mais, sua linda, concordo com tudo tudinho e tudão que você disse. Sempre de forma tão poética, sincera e serena.

    Não tivesse encontrado meia dúzia de gente linda, incluindo você, nesse mundão virtual, ia dizer que a net não serve é pra nada mesmo.

    Mas ômeodeos, como serve! =)

    =*

    E vamos continuar falando de amarelos!

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  2. *suspira fundo*

    Gostei mto do post e em outra época o comentário seria enorme, mas ando de saco cheio disso tudo e muitas outras coisas...
    Se não fosse por algumas pessoas que gosto demais e não quero perder o contato mais de perto...

    Quero destacar: "Todos nós temos direito à liberdade de expressão, desde que ela não interfira na liberdade de outrem"

    beijo e ótimo final de semana :)

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  3. "Parei de seguir um tantão de blogs porque percebi que, apesar de algumas resenhas serem boas, as donas das resenhas não eram."

    E não é que eu também fiz isso? Adorei o post! :)

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  4. Concordo com tudo o que disse, e queria colocar uma questão: sou nova, tenho 17 anos, e vejo as pessoas da minha idade com essa cultura da crítica muito forte... acho que uma pessoa pode, e deve, criticar o que quiser... desde que seja uma crítica construtiva... tudo pode mudar, melhorar e "crescer"... porque uma pessoa não pode, ao invés de simplesmente "falar mal", a esmo, fazer uma crítica construtiva?
    O que tenho visto são pessoas que nem sabem como fazer uma crítica construtiva direito, porque já se tornou tão comum julgar o próximo e só apontar os defeitos, que essas pessoas nem sabem mais como fazer a crítica de outra forma, que não seja, ofendendo e magoando!
    Não sei o "porquê" de estar sendo assim, mas está, infelizmente.

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  5. Excelente post, Patricia, muito bom mesmo. Infelizmente, a net é como o mundo, tem de tudo, coisas boas e ruins. Mas concordo com a Ju, uma pessoa que se esconde atrás do anonimato para ofender os outros não é necessariamente um caso de liberdade de expressão... Tem muita maldade por lá, apesar de ter muitas coisas engraçadas tb.
    Bjs

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  6. Fico triste de ver que o povo não bloga mais no amor, sabe? A gente criava blog achando que teria 5 leitores, pq queria trocar figurinhas, ideias...
    Hj, muitos blogs nascem já visando as parcerias e nem se dão ao trabalho de forjar alguma identidade. São tão impessoais, tão plataforma de propaganda, não cativam!
    O "Xeime" poderia ser um blog ótimo se soubesse filtrar, se tivesse mais discernimento quanto ao que critica. Já vi muita menina legal, bacana, com blogs interessantes serem esculhambadas sem critério, serem injuriadas nos comentários quanto ao biotipo, à suposta falta de beleza, ao caráter. Acho muita pretensão querer bancar a polícia do bom gosto. Elas querem criticar e quando as gongadas se ofendem, dizem que elas se levam muito a sério. E quem controla o que os outros usam ou gostam? Também não levam o mundo muito a sério? A pessoa não pode gostar de rosa ou ter uma postura lúdica diante da moda que é taxada de louca. Não concordo com isso. Deixem as pessoas serem felizes com o que gostam.

    Adoro seus escritos, Pati. Vou fuxicar seus textos pra Capricho.

    Beijinhos!

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  7. Acho isso tudo muito bem posicionado!
    Não conheço esse tal de "xaime" porém, nem faço questão de conhecer! Realmente o mundo virtual tem muitas coisas em que não concordo de maneira alguma.
    Essa coisa de: Ae comenta em meu blog que eu comento no seu.

    Divulga aqui eu divulgo por você me divulgar. Sérioooo que idiotisse plena é essa!!!!

    Eu tenho um blog e lá eu escrevo desabafando, sem intenção alguma de ser famosa virtualmente ou de alguém ler. Tanto que escrevo e não revejo nadinha, não arrumo a ortografia (o que é ruim para minha pessoa logo que o vestibular está chegando) porém, eu não sou nenhuma dessas pessoas fúteis que fico puxando saco alheio para ter vários amigos virtuais (interesseiros de certa forma).

    Podemos escrever o que quiser, cada um tem sua liberdade. Somos livres pessoal, aqui no Brasil o processo de abolição já ocorreu a um tempão, gente. Liberdade é o que há... Não dá para ficar essa coisinha chata de net, essas panelinhas e grupinhos fechados que não se abrem a outras pessoas e se abrem é só para aumentar sua popularidade.

    E Patrícia, achei muito bem sua colocação e o assunto abordado no texto, espero que muitos parem para ler isso e caiam na real!!! De verdade, isso que alguns blogueiros fazem é uma palhaçada e muito desnecessário!!

    Sejam todos mais humanos!!!

    E só para fechar, quero destacar o que você escreveu que foi muito TOP. De mais e merecedor de ser repetido sempre:


    Todos nós temos direito à liberdade de expressão, desde que ela não interfira na liberdade de outrem. Enquanto todos continuarem com a cultura de que é preciso falar mal do próximo pra se promover, de que é preciso jogar na cara os erros cometidos pelo outro pra justificar o seu próprio erro, de que é preciso diminuir alguém pra se pensar grande... Enquanto isso continuar, viveremos cercadas de arame farpado, colocando tábuas na janela pra que nossos vidros não sejam quebrados...


    Obrigada Patrícia por trazer sua opinião sobre isso tudo.

    Beijos imensos,
    Lenice S.

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