segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Como água para chocolate - Laura Esquivel [Pseudoresenha] [Desafio Literário]

Fonte: Editora Martins Fontes
Ao me deparar com o tema do primeiro mês do Desafio Literário, senti um certo estranhamento. Pra falar bem a verdade, senti foi mesmo um baita desconforto. Fiquei imaginando como demônios eu leria e gostaria de um livro classificado como "Literatura Gastronômica"...

Como ainda estava inebriada pela literatura latino-americana, por conta do Señor García Márquez, acabei escolhendo o livro da mexicana Julia Laura Esquivel. Escolhi assim, no susto, no escuro.

E essa delícia de livro me tirou do escuro. Ouso dizer que ele será um dos melhores e mais fortes livros lidos em 2012. Sim, ainda estamos em Janeiro, mas penso que não esquecerei tão cedo todas as sensações, emoções, lágrimas e sorrisos [praticamente uma novela mexicana!] que esse livro me causou...

Não consigo escolher algo que tenha me marcado mais... Não sei se foram os sabores que eu imaginava sentir cada vez que lia as descrições das comidas de Tita; se foi o cheiro das rosas, quando Gertrudis tornou-se uma alma livre e um corpo em brasa; se foi o ódio que eu sentia escorrer de meus olhos cada vez que Mamãe Elena era... ela mesma; ou se foram as lágrimas que brotavam dos meus olhos sem pedir licença, cada vez que eu via a história de Tita se confundir com a história de minha família.

O livro retrata toda a força da alma feminina que perdura durante tantas gerações e por tantas localidades. Em "Como água para chocolate", não importa a geografia, pois as mulheres ali retratadas podemos ser eu, você, nossas mães e avós.

Eu li o livro em uma noite. Ia virando cada página, com uma sofreguidão que há muito não me tomava conta. A cada página eu queria matar a maldita da Rosaura, sentir o cheiro da cozinha de Tita e dar uma surra em Mamãe Elena.

Aliás, penso que Julia Laura Esquivel fez escola com Garcia Márquez, viu... Não sei se foi a proximidade entre uma leitura e outra, se é a temática latino-americana, mas vi muita coisa em comum entre ambos os livros [Falo aqui de "Do amor e outros demônios", cuja resenha sairá na quarta-feira]. Principalmente a capacidade de criar personagens detestáveis. Ah, sim! Esquivel também tem uma veia meio serial killer ali, mas não vou contar muito senão estrago o seu paladar, digo, sua leitura.

O livro é triste, mas ao mesmo tempo nos conforta. Não sei se me confortou pelo fato de eu ter alguém com quem compartilhar minhas dores, pois me senti acompanhada durante toda a leitura.

Não é uma história previsível, ao contrário, é cheia de reviravoltas, e, principalmente, feita de pessoas de carne e osso, das quais nunca podemos prever o próximo movimento.

No fim das contas, ler "Como água para chocolate" foi como experimentar uma comida que eu não conhecia. Primeiro veio o estranhamento, e depois o prazer que sempre temos ao nos render ao novo...

Informações Técnicas
ESQUIVEL, Laura. Como água para chocolate. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

Sinopse da Editora: "Neste surpreendente romance que tem como subtítulo Romance em fascículos mensais com receitas, amores e remédios caseiros, tudo gira em torno da cozinha. Cada capítulo é aberto com uma extraordinária (e perfeitamente realizável) receita, em torno da qual não só se aglutinam os comensais que as consomem como também se cozinham e coalham amores e desamores, risos e prantos (sobretudo risos)."

Um beijo procês!

Ps: Clique no link abaixo para ler a Ficha de Leitura do Desafio Literário.


Ps2: Um muito obrigada à Tábata, Dona Happy Batatinha, que me avisou, de forma fofa e educada, sobre o meu erro com o nome da autora. 'Brigadão, viu!

Crônica 1 [Bons dias!] - Machado de Assis

Essa é a primeira crônica do livro Bons Dias!, do querido Bruxo do Cosme Velho. E hoje, nem vou me estender muito na introdução, porque diante de tanta genialidade, só me resta calar e aprender...

5 de abril de 1888

BONS DIAS!

Hão de reconhecer que sou bem criado. Podia entrar aqui, chapéu à banda, e ir logo dizendo o que me parecesse; depois ia-me embora, para voltar na outra semana. Mas não, senhor; chego à porta, e o meu primeiro cuidado é dar-lhe os bons dias. Agora, se o leitor não me disser a mesma coisa, em resposta, é porque é um grande malcriado, um grosseirão de borla e capelo; ficando, todavia, entendido que há leitor e leitor, e que eu, explicando-me com tão nobre franqueza, não me refiro ao leitor, que está agora com este papel na mão, mas ao seu vizinho. Ora bem!

Feito esse comprimento, que não é do estilo, mas é honesto, declaro que não apresento programa. Depois de um recente discurso proferido no Beethoven, acho perigoso que uma pessoa diga claramente o que é que vai fazer; o melhor é fazer calado. Nisto pareço-me com o príncipe (sempre é bom parecer-se com príncipes, em alguma coisa, dá certa dignidade e faz lembrar um sujeito muito alto e louro, parecidíssimo com o imperador, que há cerca de trinta anos ia a todas as festas da Capela Imperial, pour étonner le bourgeois; os fiéis levavam olhar para um e para outro, e a compará-os admirados, e ele teso, grave, movendo a cabeça à maneira de Sua Majestade. São gostos.) de Bismarck. O Príncipe de Bismarck tem feito de tudo sem programa público; a única orelha que o ouviu, foi a do finado Imperador, - e talvez só a direita, com ordem de o não repetir à esquerda. O parlamento e o país viram só o resto.

Deus fez programa, é verdade (E Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, para que presida etc Gênese, I, 26); mas é preciso ler esse programa com muita cautela. Rigorosamente, era um modo de persuadir ao homem a alta linhagem de seu nariz. Sem aquele texto, nunca o homem atribuiria ao criador nem a sua gaforinha, nem a sua fraude. É certo que a fraude, e, a rigor, a gaforinha são obra do diabo, segundo as melhores interpretações; mas não é menos certo que essa opinião é só dos homens bons; os maus creem-se filhos do céu - tudo por causa do versículo da Escritura.
Portanto, bico calado. No mais é o que se está vendo; cá virei uma vez por semana, com o meu chapéu na mão, e os bons dias na boca. Se lhes disser já, que não tenho papas na língua, não me tomem por homem despachado, que vem dizer coisas amargas aos outros. Não, senhor; não tenho papas na língua, e é pra vir a tê-las que escrevo. Se as tivesse, engolia-as e estava acabado. Mas aqui está o que é; eu sou um pobre relojoeiro que, cansado de ver que os relógios deste mundo não marcam a mesma hora, descri do ofício. A única explicação dos relógios era serem iguaizinhos, sem discrepância; desde que discrepam, fica-se sem saber nada, porque tão certo pode ser o meu relógio, como o do meu barbeiro.

Um exemplo. O Partido Liberal, segundo li, estava encasacado e pronto pra sair, com o relógio na mão, porque a hora pingava. Faltava-lhe só o chapéu, que seria o chapéu Dantas ou o chapéu Saraiva (ambos da Chapelaria Aristocrata); era só pô-lo na cabeça, e sair. Nisto passa o carro do paço com outra pessoa, e ele descobre que ou o seu relógio estava adiantado, ou o de Sua Alteza é que se atrasara. Quem os porá de acordo?

Foi por essas e outras que descri do ofício; e, na alternativa de ir à fava ou ser escritor, preferi o segundo alvitre; é mais fácil e vexa menos. Aqui me terão, portanto, com certeza até a chegada do Bendegó, mas provavelmente até a escolha do Sr. Guaí, e talvez mais tarde. Não digo mais nada para os não aborrecer, e porque já me chamaram para o almoço.

Talvez o que aí fica, saia muito curtinho depois de impresso. Como eu não tenho o hábito de periódicos, não posso calcular entre a letra de mão e a letra de forma. Se aqui estivesse o meu amigo Fulano (não ponho o nome, para que cada um tome para si essa lembrança delicada), diria agora que ele só pode calcular com letras de câmbio - trocadilho que fede como o diabo. Já falei três vezes no diabo em tão poucas linhas; e mais esta, quatro; é demais.
BOAS NOITES.

ASSIS, Machado. (Introdução e Notas de John Gledson) Bons Dias! São Paulo: Editora Hucitec, 1997 p. 35-38

Um beijo procês!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Post its #5

E eis que depois de três lindas semanas postando certinho, Lady Murphy veio me visitar e eu deixei de postar a semana toda. Não vou ficar aqui  de blábláblá tomando seu tempo, estrupicinho querido, pra explicar minha ausência. Porque né, ninguém merece!

Então 'bora lá pro Post its dessa semana...

Companhia Musical [Porque hoje é dia de Bêbados Habilidosos, banda de blues daqui de Campo Grande, formada por músicos queridíssimos e absurdamente talentosos]



Essa imagem é uma das mais lindas que já vi na blogosfera. Na verdade, a história por trás dela a torna ainda mais bonita. É sobre o rabino Yossi Raichik, e como ele ajudou as crianças do acidente de Chernobyl.

Vi lá no Menos um na Estante, da Márcia Lira, que é um blog muito bacana sobre o mundo literário.


Eu adoro os posts "Estantes de Quinta" do blog Bibliophile! E esse é um dos que mais gostei, afinal de contas, são as estantes do gênio Neil Gaiman. Tem como não amar?


E dona Ju Gervason, d'O batom de Clarice, fez um dos vídeos mais lindos já feitos sobre Clarice Lispector...

Durante o vídeo, Ju fala sobre a sua relação com a obra de Clarice. Fala do seu amor, dos seus sentimentos, dos seus trabalhos sobre ela.

Não assista ao vídeo esperando resenhas. Não. Ela faz mais do que isso. Ela compartilha sua paixão literária enquanto mostra, um a um, os livros escritos e publicados por Clarice. Assista e se apaixone.


Você gosta de Harry Potter? [Oi? Você não gosta de Harry Potter? Então pule esse post it e vá direto pro cinco. ;)] Você gosta de marcadores de páginas? Então você PRECISA fazer uma visitinha a essa página do Potterish!

Nela, estão disponíveis para impressão mais de quinze tipos de marcadores com ilustrações tanto dos livros quanto dos filmes. Todos lindos!

Descobri o link em um dos Marcadores de Quinta, do blog Happy Batatinha. Aliás, essa seção do blog da Tábata é um paraíso pra quem gosta de marcadores! Vale a pena conferir!


Achei essa ideia da Camila Kehl, do blog Livros Abertos, muito boa! Praticamente uma seção de utilidade pública!

Na tag "E-commerce", ela se propôs a contar sua experiência com compras de livros em lojas virtuais. Os posts são completíssimos e bastante úteis.

Nessa época em que os livros andam mais baratos nas prateleiras virtuais do que nas estantes reais, é sempre bom saber em quem confiar, né não?

Aliás, além da tag, o blog [descoberto n'O batom de Clarice] também é ótimo e vale a visita!


Não é novidade pra ninguém que eu sou apaixonada pelo Casa Chaucha, né minha gente? Um dos blogs sobre decoração mais lindos do mundo, e que me faz ter comichões de decorar até aquele cantinho mais escondido da casa.

Esses dias entrei na tag Epacios de Trabajo, e fiquei enlouquecida pra ter um escritório bem lindo, cheio de coisas fofas. Por enquanto, fico na vontade...

Se você está procurando ideias pra deixar seu cantinho de trabalho ou seu escritório mais bonitos, corre lá pra ver as lindezas que eles disponibilizaram...


O PhD [Piled Higher and Deeper] Comics é o tipo de tirinha perfeita pra quem vive ou já viveu dentro do caos que é o mundo acadêmico!

Criado por Jorge Cham [PhD em Engenharia Mecânica pela Universidade de Stanford], o PhD Comics conta com um desenho bacana, e situações que retratam de forma bem humorada as dores e delícias de fazer parte da academia.

As tirinhas são em inglês, e nessa página estão todas listadas com nome e por ordem cronológica.

"Piled Higher and Deeper" by Jorge Cham www.phdcomics.com

Um beijo procês!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Post its #4

Se tem uma coisa que eu acho peculiar nos dias da semana é que eles trazem consigo sempre sua aura única. Quero dizer, mesmo que eu esteja de férias, a segunda-feira é sempre um porre e a sexta-feira sempre uma alegria. E mesmo que eu não more no Rio [onde hoje é feriado], sinto a delícia que é essa sexta-feira de descanso.

Na verdade, escrevo esse post na quinta-feira [Sim! Eu aprendi a programar posts. Aleluia!] - dia bem mais ou menos, na minha casmurra opinião -, porque amanhã [ou hoje, ou depois de amanhã, dependendo de quando você vai ler esses rabiscos virtuais] eu passarei o dia na companhia de um dos meus melhores amigos, que veio passar uns dias aqui em CampohellGrande.

Isso quer dizer que estarei irradiando aquela alegria que a gente só tem quando está ao lado de quem ama. E eu espero, de todo o meu coração de gengibre, que você também esteja sentindo essa alegria.

Agora chega de blablablá, e 'bora pro Post Its de hoje!

Companhia Musical [Porque hoje é dia de O Bando do Velho Jack, aqueles queridos da melhor banda do mundo!]


Um dos primeiros blogs voltados pra moda que visitei [e me apaixonei] foi o Hoje vou assim off, da Ana. Eu adoro o modo divertido e leve com que ela vê a moda e o mundo ao seu redor.

Só de ver as produções que ela faz em seu Look do Dia, dá vontade de sair experimentando cores, formas, tamanhos e chutar a monotonia fashion pra bem longe.

Além disso, Ana é uma querida, e sempre posta textos muito bacanas depois das fotos do seu look. E esse texto em particular me chamou a atenção. Nele, Ana fala sobre o quanto as empresas de moda ainda não abriram os olhos pras padronagens brasileiras, e continuam fazendo roupas pra corpos idealizados.

As brasileiras são grandes. Seja no quadril, seja na bunda, seja na pancinha... Mesmo aquelas que são magras possuem formas avantajadas. Somos um país farto e ainda temos que ficar nos espremendo em roupas que não nos caem bem. Já passou da hora de as empresas fazerem roupas que sirvam em corpos como os nossos, e não nos manequins das lojas.

Eu tenho o mesmo peso [com variações de 2% pra mais ou pra menos, dependendo da época do ano] há uns 10 anos. Só que tenho corpo de brasileira: pernas de mulherfruta [que eu odeio com todas as forças do meu ser], e tronco pequenino, claro que com uma leve pancinha que fui cultivando ao longo dos bares, quero dizer, anos... E olha, quanta dificuldade de achar uma roupa que eu vista e diga: caiu como uma luva.

O que eu achei mais legal nesse post da Ana é que ela é magra, mas ainda assim se preocupou em falar sobre os tantos outros estilos de corpo que desfilam por esse nosso país.

Enfim... Recomendo o post e recomendo o blog, que é uma delícia!


Essa semana, a queridíssima Lia, do blog coisa mais fofa Quero Morar em uma livraria, fez um post falando sobre seus canais literários favoritos. E eis que aquela linda citou o meu humilde e atrapalhado muquifinho.

Lia, minha querida, mais uma vez muito obrigada pela gentileza, viu! ;)

Pois bem... Além do meu, Lia citou também outros canais literários que adoro: da Ju Gervason, da Tati Feltrin e da Luara Franca.

Fico feliz que a quantidade de vlogs [ou seja lá que diabo for o nome que se dê pra esse tipo de formato] falando sobre Literatura tenha aumentado consideravelmente, e me sinto mais feliz ainda de poder participar da divulgação da Literatura, nem que seja pra poucas pessoas...

E você? Assiste aos canais literários no Youtube? Tem algum canal favorito? Já se animou a fazer um canal também? Conta pra mim, vai!


Assim como a grande maioria das pessoas que utiliza a internet, estou pra lá de preocupada com essa nova pataquada do governo americano. E achei ótima essa carta escrita pelo Neil Gaiman [aquele lindo!] protestando contra o projeto SOPA/PIPA.

Se você não lê em inglês, a Luara [aquela fofa!], do blog Isaac Sabe, foi boazinha e traduziu a carta nesse post aqui.

Nesse post, o Jerri Dias postou uma entrevista do Neil Gaiman [*suspiros*] falando sobre a pirataria na internet, assunto bastante relacionado ao projeto do governo.

E se você não sabe o que é o SOPA/PIPA, sugiro que dê uma pesquisada e ajude no protesto contra, a não ser que você esteja com saudades dos tempos da ditadura, porque né, tem gosto pra tudo nessa vida...


Relendo algumas postagens do sempre incrível Luz de Luma, da minha querida Luma, reencontrei esse post, no qual ela fala sobre o Movimento Slow Blog.

A cada dia que passa, mais e mais pessoas criam blogs e páginas na internet. Me parece até que blogar is the new atacar de DJ, porque qualquer um com um computador e uma conexão de internet se propõe a criar páginas pra falar do que quer que seja.

Eu não sei se é uma busca desenfreada pelos tais 15 minutos de fama, se é a falta de noção que, finalmente, se apoderou da mente da maioria das pessoas, ou se é um surto. Não sei, mas me preocupo.

Me preocupo porque vejo blogs que não tem um mínimo de cuidado seja com a Santa Mãe Gramática, seja com os direitos autorais de imagem e texto, seja com o bem estar mental de quem os lê.

Eu não sou, nem de longe, exemplo de blogueira. Estou mais pra blogueira de meia pataca, se muito. Mas me preocupo com o que vou escrever nessa caixinha que agora vejo em branco, mas que depois vai viajar pelo mundo e pela casa das pessoas.

Penso que já passou da hora de se abandonar o frenesi de geração de conteúdo a cada minuto [deixemos isso para os jornais e suas notícias de última hora], e é chegada a hora de refletir sobre o que é importante se jogar nas teias virtuais.

Enfim... O que você pensa sobre isso? Já conhecia o Movimento Slow Blog? Também faz parte dele? Ou prefere a vida cheia de Fast Blogs?


Não é de hoje que eu conheço esse teste do site Educar para Crescer, que, aliás, é um site excelente! E não é de hoje que meu resultado atesta que eu sou Brás Cubas. Sim, quanta ironia...

É um teste pequeno e bobo, como o são todos os testes desde a época em que a gente os fazia na revista Carícia [Arrá! Se você sorriu ao ler revista Carícia, quer dizer que também a leu, e que acabou de entregar a idade.], mas é gostoso.

Gostoso por aproximar nossas características da Literatura, e bom pra distrair um cadinho a cabeça naqueles dias em que parece que ela vai explodir.


Todo ano, quando as minhas férias estão acabando, eu procuro me rodear de coisas boas ligadas à minha profissão. Leio livros que falam de histórias bonitas sobre professores, e assisto aos mesmos filmes, como uma espécie de ritual para começar bem mais um ano letivo.

Tempos atrás encontrei essa página, que lista alguns filmes sobre professores. Alguns eu assisto religiosamente, outros, sou louca pra assistir mas ainda não consegui achar.

Se você é professor(a), penso que é um modo bem bacana de voltar às aulas. Se não é, ainda assim são bons filmes, cheios de reflexões.

E se você conhece algum filme que não está nessa lista, compartilha com a gente, vai!


Conheci o Mulher de 30, da Cibele Santos, há um bom tempo; e desde então tenho me deliciado com suas tirinhas cheias de humor e neuras femininas.

No início, elas me lembraram muito os quadrinhos da Maitena e da Radical Chic, mas penso que seja por conta da temática feminina, porque os desenhos da Cibele são bastante originais.

As tirinhas retratam esse nosso mundo feminino, que, de tão cheio de neuras, é engraçado pra diabo. Duvido uma mulher não se reconhecer em ao menos algumas situações.

Recomendo dicumforça, e deixo aqui uma das tirinhas que mais gostei.


Um beijo procês!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Blog Solidário 2012 - 'Bora ajudar?

O Blog Solidário é uma iniciativa de duas das pessoas mais queridas desse mundo virtual: Luci Cardinelli [dos blogs Vida, Postando sobre Artes e Artes da Luci] e Elaine Gaspareto [do blog Um pouco de mim].

A ideia do blog nasceu junto com as tragédias causadas pela chuva no Rio de Janeiro. Luci e Elaine se dispuseram a encabeçar uma campanha que conta com a ajuda de blogueiras, artesãs, artistas e todo mundo que tiver um cadinho de solidariedade.

Infelizmente, por mais que as chuvas já tenham mostrado aos governantes que elas não deixarão de fazer estragos enquanto não forem feitas melhorias, ainda hoje vemos nos meios de comunicação a quantidade de pessoas que sofrem com a falta de atitude daqueles que deveriam trabalhar pelo bem estar da população de nosso país.

Felizmente, há muita gente com o coração grande, e que se dispõe a dar uma mãozinha a quem precisa.

Por falar em mãozinha, o Blog Solidário acabou de começar sua Quarta Campanha Solidária, e está vendendo números da Rifa - que tem prêmios incríveis! - para poder ajudar as famílias que tiveram suas vidas transformadas por conta das tragédias.

Vá lá, veja a proposta do blog, e ajude, nem que seja divulgando a iniciativa. As meninas são super sérias, e, além de terem todo o trabalho de organizar e distribuir aquilo que foi arrecadado, prestam contas de tudo o que fizeram. Ou seja, dão exemplo de como deveria ser a atitude de nossos governantes.

Praqueles que pensam não ter nada a ver com isso, e que se negam a ajudar, imagine que nossa vida é um reflexo de nossas escolhas. Escolha fazer o bem, pra que esse bem possa ser refletido em sua vida.

Um beijo procês!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mr. Punch - a Comédia trágica ou a Tragédia Cômica [Pseudoresenha]

Imagem tirada do site da Editora Conrad
Eu li Mr. Punch quando ainda não tinha recuperado o fôlego depois da surra que levei de Sinal e Ruído. Bem feito! Quem mandou não ter ido ler qualquer coisa bonitinha, fofinha e cheia de Ursinhos Carinhosos? Resultado: tomei outra surra.

Nessa Graphic Novel, o estilo tanto da narrativa quanto da técnica artística é muito parecido com o de Sinal e Ruído, que acabou se tornando marca registrada da parceria entre Neil Gaiman e Dave McKean.

Discurso baseado em fragmentos de memórias, imagens entrecortadas, técnicas diversas compondo um mesmo requadro, cores escuras, traço por vezes disforme. Todas essas características acabam, em maior ou menos grau, compondo todas as parcerias entre Gaiman e McKean.

Mr. Punch também não é uma HQ bonitinha. Ao contrário, é feita de imagens soturnas, desconexas, escuras. Por vezes eu achava até que estava sentindo o cheiro de mofo vindo da casa do avós do menino.

Suas personagens mostram o quanto de anormal existe nesse mundo, o que acaba nos fazendo questionar as definições do que é normal ou não. Ao ser apresentada para as personagens, senti um certo desconforto, que ao mesmo tempo vinha em forma de reconhecimento. Por que reconhecimento? Porque as personagens de Mr. Punch podem ser qualquer um daqueles nossos parentes dos quais temos esmaecidas lembranças das festas em família. Aquele tio estranho que vivia num canto, afastado. Aqueles conversas das quais só participavam adultos, e as quais as crianças eram proibidas de escutar.

"Mas essas coisas estão mortas e não podem falar. Agora que quero revirar o passado, não posso."

Acredito que o espaço da narrativa também contribua para que tenhamos a sensação de desconforto que nos dá a mão durante a leitura. Um velho parque temático, com atrações que há muito deixaram de ser atrações. A casa dos avós, perdida no meio do nada. A praia, sempre escura.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o próprio Mr. Punch, e aqui abro um parênteses para a importância de se compreender um 'cadinho da cultura impregnada nas páginas dessa HQ. Mr. Punch é um fantoche - um show de fantoches - descendente do estilo da Commedia Dell'arte italiana. Vejam, não vou me atrever a explicar a estética desses fantoches aqui porque não tenho envergadura moral para tanto, mas sugiro que pesquisar sobre o que ela significa ajuda a compreender um pouco da importância que Punch e Judy tem na história de Gaiman e McKean.

Aliás, eu fiquei com um medo tremendo do Mr. Punch! Minha gente, que personagem medonho. ME-DO-NHO! Penso que ele personifica todas as lembranças ruins que temos do nosso passado, e que tentamos guardar num lugar bem fundo e esquecido de nossas memórias.

No fim das contas, a história de Gaiman e McKean fala de perdas e memórias.  Fala sobre os sentimentos que vamos perdendo pelo caminho, e as memórias que vez ou outra ressurgem para nos atormentar.

"Fiquei com medo. Não, essa não é a palavra. Não estava com medo, estava perturbado. Queria correr até lá e mandá-los parar de gritar, porque aquilo estava me incomodando."

Todos nós as temos. Todos nós vez em quando nos encontramos num quarto escuro, remoendo lembranças e chorando perdas. E é exatamente por isso que Mr. Punch é tão triste, porque ele nos parece real, absolutamente real.

Informações Técnicas
A comédia trágica ou a tragédia cômica de Mr. Punch: um romance [The tragical comedy or comical tragedy of Mr. Punch: a romance]. Neil Gaiman, Dave McKean [Tradução: Ludimila Hashimoto]. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2010.

Sinopse disponível no site da editora: "Em Portsmouth, cinzenta cidade do litoral da Inglaterra, um garoto passa uma temporada inesquecível na casa dos avós.

Um período de amadurecimento e descobertas, reveladas por personagens insólitos: seu tio-avô Morton, marcado desde a infância por uma deficiência física; uma misteriosa mulher, que ganha a vida interpretando uma sereia, e Swatchell, um artista com um passado obscuro.

À medida que as histórias desses personagens se entrelaçam e se desdobram, o garoto é forçado a confrontar segredos de família, estranhos fantoches e um pesadelo de violência e traição, em uma sombria fábula sobre o fim da infância - e da inocência - e a passagem para a vida adulta.

MR. PUNCH foi escrito por Neil Gaiman, aclamado autor de SANDMAN, DEUSES AMERICANOS E COISAS FRÁGEIS, e ilustrado por Dave McKean, premiado artista de Asilo Arkham e Cages. Parceiros de longa data, já realizaram diversos trabalhos juntos, entre eles a graphic novel SINAL E RUÍDO."

Obs.: todas as citações em itálico foram retiradas do livro. Infelizmente, ele não possui numeração de páginas, desta forma não pude indicar as páginas das quais as citações foram retiradas.

Um beijo procês!

Clique no link abaixo para ver algumas páginas da HQ retiradas do site da Livraria da Folha

Sinal e Ruído - Neil Gaiman e Dave MacKean [Pseudoresenha]

Tirei daqui
Perturbadora. Penso que não exista em nossa língua adjetivo melhor para definir essa HQ dos gênios Gaiman e MacKean. Ela é tão perturbadora que, no meio da leitura, eu me vi obrigada a parar. Há muito que um livro não me expulsava dessa forma. E uso o termo expulsar, pois não conseguia entrar mais na história. Aquilo doía, era como se algo dentro de mim estivesse sangrando.

Eu tive que parar de ler porque não aguentava mais. A cada página, tanto o roteiro de Gaiman quanto a ilustração de MacKean me davam uma surra homérica.

No outro dia voltei, ainda com a lembrança de todas as páginas que havia lido no dia anterior. Voltei porque precisava, mas não porque fosse agradável.

Aliás, Sinal e Ruído não é agradável, exatamente como o mundo não é agradável. É uma história que, ao invés de mostrar o pote de ouro no final do arco-íris, ou ao menos nos dar a esperança de sua existência, joga na nossa cara que essa coisa toda de arco-íris é só um ruído pra nos distrair dos sinais de que a vida vai mal.

É um trabalho brilhante. Genial. Único. Talvez um dos mais bem feitos que já li. A forma como o roteiro do Gaiman se funde com a miscelânea de técnicas usadas por MacKean é incrível. As palavras duras de Neil Gaiman dão as mãos ao desenho áspero e dolorido de David MacKean e nos levam pra fazer um passeio pelo mundo dos sonhos e pesadelos que temos todos os dias, quando estamos acordados.

Caso se queira resumir a coisa toda, Sinal e Ruído trata do Apocalipse, do fim do mundo. Mas não é só isso... Pra mim, é uma história sobre como nós percebemos o mundo e sobre como, a cada dia que passa, o nosso próprio mundo vai tendo seu fim.

"E eu me pergunto: Por que estou escrevendo um filme que nunca vou filmar? Criando algo que ninguém vai ver? O mundo está sempre acabando para alguém."

Todos nós estamos tão centrados em nós mesmos, que nos esquecemos que em cada um há um mundo diferente. Hoje, um dia que pra mim não passa de mais um dia de férias, há várias pessoas morrendo ou tendo seu mundo despedaçado pela perda de alguém. Mas eu não me dou conta disso, até que isso me seja jogado na cara.

E foi exatamente isso que Sinal e Ruído fez: me jogou na cara que eu sou apenas uma poeira microcósmica dentro desse macrocosmo que é a Vida, o Universo e tudo o mais.

"Logo depois ele foi embora, e eu fiquei sentado no escuro pensando: o grande apocalipse não existe. Só uma procissão de pequenos apocalipses".

Diariamente sofremos com a perda de algo. Diariamente vamos nos desfazendo e refazendo, como se a vida toda tivesse apenas 24 horas. E Sinal e Ruído me mostrou que não haverá um fim, porque não há um começo. O que há é apenas uma infinita continuidade, na qual são trocadas apenas as peças.

Hoje eu sou uma peça, amanhã haverá outra peça em meu lugar. Hoje, meus sofrimentos, minhas dores, meus gritos abafados no escuro da noite são os ruídos que me impedem de ver os sinais de que a vida continua, sempre, porque...

"Eu não vou morrer. Sei que não vou morrer. Sou importante demais - pelo menos pra mim. Mesmo se eu estiver frio e enterrado, não vou morrer. Não posso."

Informações Técnicas:
Sinal e Ruído [Signal to noise]. Roteiro de Neil Gaiman; arte e design de Dave MacKean; tradução de Alexandre Boide. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2011.

Sinopse disponível no site da editora: "Um dos primeiros trabalhos conjuntos de Neil Gaiman e Dave McKean, Sinal e Ruído é considerado a obra-prima da dupla.
O premiado escritor e roteirista Neil Gaiman e o também premiado desenhista Dave McKean iniciaram juntos suas carreiras no mundo dos quadrinhos. Juntos ajudaram a revolucionar o gênero, trazendo para esse uma erudição gráfica inédita. Se foi Gaiman que criou o Sandman, de tanto sucesso, foi McKean que criou a imagem do personagem, inspirado em astros do rock inglês dos anos 80, como Ian McCulloch, vocalista da banda Echo and The Bunnymen.
Neste Sinal e Ruído a ousadia da dupla chega talvez a seu ponto máximo. Tanto no aspecto gráfico como no roteiro que descreve os últimos dias de um cineasta e, ao mesmo tempo, os últimos dias do ano 999 d.C.
Sinal e Ruído foi publicado originalmente em 1989, na badalada revista inglesa The Face, quase que como a consagração dos quadrinhos como arte. Esta edição que a Conrad traz agora foi revisada pelos autores e ampliada com novos desenhos e novos textos.
Um livro que irá surpreender mesmo os mais apaixonados fãs de Neil Gaiman "

Obs.: todas as citações em itálico foram retiradas do livro. Infelizmente, ele não possui numeração de páginas, desta forma não pude indicar as páginas das quais as citações foram retiradas.

Um beijo procês!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Por entre quadros e uma pena de galhofa [Vídeo sobre minha dissertação de Mestrado]

Depois de tomar doses homeopáticas de coragem, decidi fazer um vídeo a partir de uma sugestão da fofa da Luara, do Isaac Sabe. Ela havia sugerido que eu falasse da minha dissertação de Mestrado. E eu fiquei ruminando essa ideia até me sentir confortável pra falar sobre ela.

Quem fez algum tipo de trabalho acadêmico deve entender a sensação da garganta travando, das palavras saindo gaguejadas, da vergonha e do medo. Porque é fácil falar sobre o que foi realizado pelos outros, difícil é falarmos sobre nós mesmos. E, no fim das contas, nossos trabalhos tomam a forma de nossos filhos, pois foram gestados e gerados com amor e sofrimento.

O Mestrado foi uma das etapas mais importantes de minha vida. Em dois anos cresci como pessoa, pesquisadora, acadêmica e leitora. Em dois anos descobri diversos caminhos novos se abrindo a minha frente.

É claro que o trabalho não ficou como eu queria, pois assim são todas as pesquisas, que sempre terminam com aquelas reticências que nos fazem querer pesquisar mais e mais...

Pois bem, dividi o vídeo em duas partes [porque eu sou praticamente o Jack Estripador do Youtube], e nelas falo sobre o programa de pós-graduação, sobre minha pesquisa e sobre algumas coisas relacionadas ao universo das Histórias em Quadrinhos. Abaixo os links para os vídeos:



Durante os vídeos, fiz várias referências, tanto a autores quanto a páginas da internet. Vou colocá-las aqui. Ao clicar nos nomes, você será direcionado para a página em questão.

1. Referências da Internet
Coloco aqui as principais páginas citadas durante os vídeos.
2. Base teórica do trabalho
Vou colocar aqui os principais teóricos que usei durante o trabalho. Embora eu tenha estudado tantos outros, foram esses que nortearam minha pesquisa.
  • Estudos sobre História em Quadrinhos: Will Eisner, Paulo Ramos, Waldomiro Vergueiro, Moacy Cirne, Scott McCloud e Gonçalo Júnior;
  • Estudos Literários e da Narrativa: Roland Barthes, Alfredo Bosi, Nadia Gotlib, Kátia Muricy, Antonio Candido, Amálio Pinheiro e Terry Eagleton;
  • Estudos Semióticos: Umberto Eco, Ana Cláudia Mei de Oliveira e Marilda L. P. Queluz;
  • Estudos de Tecnologia e Cultura: Michel Foucault, Ruth Cowan, Néstor Garcia Canclini e Jesus Martin-Barbero
3. Resumo da ópera
Abaixo, um resumo sobre o que é o meu trabalho, que, carinhosamente foi chamado de "Um olhar por entre quadros e uma pena de galhofa: diálogos entre Tecnologia, Ciência e Linguagem nas adaptações para os quadrinhos do conto O Alienista, de Machado de Assis".

Não, eu não tenho o menor talento pra resumir as coisas, exatamente por isso que vou usar o resumo disponível na própria dissertação pra colocar aqui...

Esta pesquisa traz uma proposta de se repensar quais são os diálogos estabelecidos entre a linguagem da Literatura e da História em Quadrinhos, com base nas quatro adaptações para os quadrinhos – publicadas por Francisco Vilachã e Fernando Rodrigues (Editora Escala Educacional 2006); Fábio Moon e Gabriel Bá (Editora Agir 2007); César Lobo e Luiz Aguiar (Editora Ática 2008) e Lailson Cavalcanti (Companhia Editora Nacional 2008) - do conto O Alienista, publicado por Machado de Assis em 1882. Além do estudo da forma, percebe-se também ser necessário um estudo daquilo que perspassa os elementos estruturais de uma obra, ou seja, seus aspectos sociais, históricos e econômicos. Objetivou-se pensar sobre os aspectos visuais que pudessem auxiliar nas discussões sobre espaço, tempo e caracterização das personagens. Espera-se poder demonstrar que a interpretação de um texto, seja ele visual ou verbal, interage com fatores sociais e materiais, os quais permeiam a existência tanto do artista quanto do leitor; e que as técnicas utilizadas para a produção influenciam no modo como o discurso será interpretado.
Palavras-chave: O Alienista. História em Quadrinhos. Literatura. Linguagem. Tecnologia.

E é isso, minha gente!

Espero que esse post e meus vídeos possam ajudar a divulgar um pouco mais os estudos sobre Histórias em Quadrinhos que, a cada dia que passa, se desenvolvem mais.

E se você tiver alguma pergunta, sugestão, opinião ou crítica fique à vontade pra usar a caixinha de comentários.

Um beijo procês!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Mil vezes Clarice", Martha Medeiros

Ultimamente tenho ficado preocupada com um fenômeno que cresce vertiginosamente: os leitores de frases. Quero dizer, não apenas os leitores de frases, mas, principalmente, os atribuidores de frases.

Parece que ser leitor está na moda, e, como toda moda, tem o seu pior e o seu melhor.

Há aqueles que, pra não ficarem de fora da moda, lançam mão de frases tiradas de páginas nem um pouco confiáveis, e as penduram em seus pára-choques de caminhões virtuais. Esses se dizem leitores de "Clarisse Linspector" e "Caio Fernandes de Abreu". Vivem usando frases que sequer foram escritas por Clarice ou Caio, como se fossem minutos de sabedoria ou qualquer coisa assim.

Fico preocupada com essa banalização dos recortes, porque, no fim das contas, uma citação nada mais é do que um recorte. Só que as citações precisam de seu contexto, do contrário, jamais serão compreendidas como deveriam.

Não, eu não vejo problema em utilizar recortes literários. Eu mesma tenho citações que cabem em infinitos momentos de minha vida. Mas eu os recortei da fonte em que foram produzidos. Eu sei da sua história, sei quem é seu criador, sei pra onde deverei retornar para entendê-los melhor.

Façamos uma campanha pela não banalização das citações. Avisemos às pessoas que acham que 'Clarice Linspector" é uma boa escritora, que essa tal de "Linspector" sequer existe, e que a outra, a verdadeira, a Lispector jamais falaria tanta bobagem como as que veiculam em seu nome.

Entender Clarice, pra mim, é uma tarefa pra heróis e heroínas. Eu a tenho vivido, e deixado que ela viva em mim há quase duas décadas. Mesmo assim, não me sinto confortável para defini-la ou dizer que a compreendo.

E por tudo o que disse até agora que resolvi trazer esse texto da Martha Medeiros, no qual ela fala sobre Clarice. Quem sabe ele nos ajude a compreender um pouco mais o abismo clariceano, e, ao mesmo tempo, faça com que os citadores da tal Linspector entendam que há muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que pode supor o seu vão Ctrl C + Ctrl V...


Mil vezes Clarice

Em dezembro do ano passado, comemorou-se os 20 anos de sua morte. No entanto, Clarice Lispector nunca esteve tão viva nas bibliotecas, salas de aula, cabeceiras e palcos do país. Quem assistiu à peça Clarice, Coração Selvagem, encenada na última quinta-feira no Theatro São Pedro e protagonizada por Aracy Balabanian, clone da escritora, entendeu melhor a razão de Clarice Lispector ter se transformado no mito que é.

Perturbadora. Enigmática. Insolúvel. Hermética. Bruxa. Esses são alguns dos adjetivos que não desgrudam do seu nome. Nunca houve uma palavra, dita ou escrita por Clarice, que não funcionasse como um soco no estômago. Nada é fácil em sua obra, cada frase sua merece uma releitura, duas, três, até que a compreensão do que foi dito deixe de doer. No entanto, ela própria achava que escrevia de uma maneira simples, e de fato: para ela o simples escondia-se no hiato que existe entre uma coisa e outra. "Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois". Simples e enlouquecedor. Todos nós buscamos definições inatingíveis, que não se deixam capturar pelas mãos e muito menos pelas palavras. Clarice foi quem chegou mais perto.

Vida e obra de Clarice resume-se a esta apreensão do instante, daquilo que existe entre o dia e a noite, entre o sim e o não, daquilo que Sartre chamou de "a náusea", daquilo que nos causa insônia e medo, daquilo que nos deixa no limiar da loucura, daquilo que nos faz lembrar que o mundo, afinal, não é assim tão bem costurado. "Não tem pessoas que cosem pra fora? Eu coso pra dentro".

Clarice Lispector é traduzida e estudada no Brasil e fora dele. Seus livros tornaram-se universais porque é universal a sua angústia, a sua maneira de refletir o revés do espelho. Do livro de contos Laços de Família: "A vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver". Qualquer um de nós, num exercício de livre pensar, concordará que as regras impostas pela sociedade, a obediência servil, a lobotomia autorizada com que conduzimos nossas vidas, tudo isso é muito mais demente do que seguir os próprios instintos e tentar iluminar o breu que há dentro de nós. Traduzindo para um exemplo banal: louco é Bill Clinton por obedecer a um desejo transgressor dentro da Casa Branca ou loucos somos nós de dar tanta atenção a um assunto que não nos diz respeito? Clarice Lispector definiria o affair presidencial assim: "Seu coração enchera-se com a pior vontade de viver".

Saber onde fica o norte e o sul, saber se amanhã vai chover, saber a parada do ônibus em que devemos saltar, tudo isso nos dá a falsa sensação de estarmos protegidos. No entanto, estaremos sempre em perigo enquanto soubermos tão pouco sobre nós mesmos. Clarice Lispector, em sua literatura de auto-investigação, entendeu-se dentro do possível e aceitou-se no impossível. A platéia aplaude por dentro.

Setembro de 1998

[MEDEIROS, Martha. Montanha Russa. Porto Alegre: L&PM, 2007 p.129-131]

Um beijo procês!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Post its #3

Pois muito bem! [Como diria a fofa da Julia Petit] Hoje é sexta-feira, e que se dane se é 13, porque o importante é que é sexta, né não, minha gente?

E 'bora pra mais um Post Its, que essa semana 'tá bem com cara de samba do crioulo doido.

Companhia Musical [Porque hoje é dia de Chico Buarque, aquele perfeito!]
  1. Cotidiano 
  2. Construção
  3. Conversa de Botequim 
  4. Homenagem ao malandro
  5. Samba do Grande amor [com Gal Costa]


Eu ainda não caí nas graças do tal do Tumblr, mas vez ou outra encontro umas coisas muito bacanas por lá...

Exemplo disso é o Awesome People Reading, uma página na qual há fotos de gente de todo tipo [desde escritores, atores até desenhos animados] lendo.

Coisa linda! Porque a literatura, além de salvar vidas, também embeleza tudo ao seu redor.


Por falar em Tumblrs... Eu achei a ideia desse genial. Não pelo fato de expor a graus microscópicos os defeitos das pessoas famosas, mas por mostrar que nossos defeitos nada mais são do que pequenos detalhes que nos fazem humanos e especiais.


Não é novidade pra ninguém o tamanho do meu carinho pela dona Ju Gervason. Penso nela como uma amiga que trago desde a infância, embora nos conheçamos apenas através das virtualidades dessa vida.

Pois bem... Ju escreveu um post lindo lindo, declarando seu amor pelos livros. Duvido que exista algum apaixonado por Literatura que não vá querer assinar embaixo desse texto dela.


Esse é um dos vídeos mais fofos que eu vi nos últimos tempos. Mostra o quanto a Literatura está viva não apenas dentro de nós. É curtinho, mas grande o suficiente pra ganhar nossa admiração.


Esse período entre o fim do ano que nos deu adeus e o início de um ano novinho em folha é perfeito pra gente dar uma geral na casa e na vida, e descartar aquilo que já não nos serve ou que não nos faz bem.

Por isso, acho esse post da Thais, do Vida Organizada, um serviço de utilidade pública. Dê uma olhadinha lá, e veja como você pode doar ou reciclar aquilo que já não lhe serve mais. Porque, vamos combinar, ninguém merece uma casa e uma vida cheia de tralhas do passado, né não?


Em tempos de culto à beleza de um lado e gongação extrema de outro, penso que esse post da Aline, do Little Doll House, vem bem a calhar.

É importante que se discuta até onde a exacerbação dos padrões nos leva, pois cada dia aparece alguém querendo ser o dono da verdade, e que acaba desconsiderando o fato de sermos todos diferentes, com opiniões, conceitos e padrões singulares.

No post, Aline aquela fofa fala um pouquinho sobre esses conceitos de beleza e feiura que estão ao nosso lado desde os contos de fadas. Vale muito a leitura!


Quem frequenta há mais tempo este muquifo, já tem conhecimento do quanto eu gosto das tirinhas do André Dahmer.

É genial, minha gente! Não tenho outra palavra pra descrever o trabalho de um cidadão que, em uma tirinha, consegue discutir e alfinetar o mundo. E, o melhor, com um desenho que, por si só, já questiona todos os padrões do que é bonito ou não.

Como eu já disse em outras ocasiões, Malvados não é uma espécie de quadrinhos bonitinhos. Não. Ele é dedo na ferida, mesmo. Sem escrúpulos. Por isso não recomendo pra pessoas que gostam de unicórnios e todas essas coisas do mundo da fofolândia...

No site do Malvados , Dahmer publica tirinhas diárias [apesar de, até o dia 15, o traquinas estar de férias]. Lá também dá pra saber sobre os livros e outros produtos que ele criou.

Recomendo dicumforça, sempre. E deixo uma tirinha meio antiga dele, pra fechar o Post Its de hoje.

Tirinha em homenagem só que ao contrário aos anônimos, que, ao invés de fazerem sua estada na Terra valer a pena, perdem seu tempo se tornando cada vez piores do que já são.

Tirei daqui


Um beijo procês!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Leituras de MininaMá #5 e #6

Post rapidinho, rapidinho só pra avisar que os vídeos sobre as leituras que fiz na primeira semana desse ano [que dizem por aí que vai acabar, mas eu não 'tô ligando não, viu...] já estão no ar lá no meu canal no Youtube.

São dois vídeos pra falar da mesma semana, porque eu já comecei o ano toda faceira enfiando o pé na jaca.

'Bora lá?


Os livros que já me deram uma surra logo no início do ano:

  1. Viagem Sentimental - Laurence Sterne
  2. Sinal e Ruído - Neil Gaiman e Dave MacKean
  3. Mr. Punch -  Neil Gaiman e Dave MacKean
  4. Dos amor e outros Demônios - Gabriel García Márquez




Especial adaptação literária para os quadrinhos:


  1. Triste Fim de Policarpo Quaresma [Clássicos Brasileiros em HQ] - César Lobo (arte) e Luiz Antonio Aguiar (roteiro)
  2. Memórias de um sargento de milícias  [Clássicos Brasileiros em HQ] - Rodrigo Rosa (arte) e Ivan Jaf (roteiro)
  3. O Cortiço  [Clássicos Brasileiros em HQ] -  Rodrigo Rosa (arte) e Ivan Jaf (roteiro)
  4. A escrava Isaura  [Clássicos Brasileiros em HQ] - Guazzelli (arte) e Ivan Jaf (roteiro)
  5. O pagador de promessas [Grandes Clássicos em Graphic Novel] - Eloar Guazzelli


Espero que gostem! Qualquer dúvida, pergunta, sugestão ou crítica fiquem à vontade pra usar a caixinha de comentários.

Daqui a pouco vem resenha sobre os livros de Mr. Gaiman e Mr. MacKean por aí.

Um beijo procês!


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sobre lâmpadas e coisas qualquer coisa...

Tirei daqui
Anteontem, a lâmpada do meu quarto queimou. Ela não se apagou apenas; fez um barulho, um estalo e despediu-se dessa vida para ir pra onde quer que a alma das lâmpadas [ou lâmpidas, pra ficar com mais cara de Adoniran] vão.

Daí que fomos, eu e minha mãe, procurar uma lâmpada pra colocar no lugar, e a única que estava disposta a trabalhar consegue ser mais fraca que a luminária que tenho no criado-mudo. Mas né, vai essa mesma, porque a janela do meu quarto é ínfima, e a luz que vem de fora não dá pra quase nada.

A lâmpada 'tá ali, na dela, me quebrando um galho, pra modo de meus pés e minha canela não saírem lépidos pelo quarto se encontrando com cama, mesa, cadeiras e outros móveis com comportamento violento.

Mas eu não gosto dessa lâmpada. Agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, ela está me deixando irritada.Vejo essa luz fraca, com seu jeito qualquer coisa de ser, e, mesmo sabendo que ela está fazendo sua parte, ela não me convence.

E daí que na semana que passou eu estava mesmo pensando sobre as qualquer coisas que nós aceitamos em nossas vidas, e que vão ficando, e ficando pelo simples fato de, ninguém sabe por que, terem chegado ali. Às vezes pra quebrar um galho, às vezes porque era o que tinha pra ontem.

E ao olhar pra essa maldita lâmpada, eu me lembro de quantas coisas qualquer coisa eu já deixei irem ficando em minha vida, apenas pra não ter o trabalho de procurar algo que as substituísse. Ou pra evitar a fadiga de procurar, procurar, achar que achei o certo e, no fim das contas, perceber que vou ter que procurar de novo, porque aquele não serviu.

Quantas roupas eu já comprei pensando em ajustar uns dois dedinhos. Quantos sapatos já vieram morar no meu armário porque eu pensei que, depois de um certo tempo de uso, eles iriam lacear. Quantos livros eu já comprei só porque eu precisava comprar um livro, e o que eu queria não estava disponível na hora, então resolvi pegar qualquer um, só pra preencher o vazio, só pra matar a vontade.

Já faz algum tempo que tenho evitado esse tipo de comportamento. Um bom tempo, na verdade. Tento não achar substitutos mais fáceis, rápidos e cômodos pra colocar no lugar de outra coisa que queria tanto, mas que hoje não tem, quem sabe amanhã?

Não são raros os dias em que reclamamos de que algo nos falta, até porque, somos todos uma falta infinita. E é isso que nos move, nos impele a continuar buscando. Mas hoje, perto dos meus 3.0, penso que há certas coisas que não compensam ser caçadas. Ou mesmo substituídas por outras mais cômodas, mais prateleira de baixo...

Sim, do meu torto modo, tento falar de amor. Há muito que parei de procurá-lo em cada esquina, em cada olhar. Há muito que tenho me contentado com esse vazio, que às vezes vem em forma de fome insaciável. Há muito que espero que ele venha por si só, sem que eu tenha que ir atrás dele.

Tenho me contentado com todos os outros amores que me alimentam, e, em sua maioria, eles não são qualquer coisa. Meus amigos, meus livros, minhas músicas, meu trabalho, meu rock'n roll de fim de semana. Eles são o que me impede de buscar uma lâmpada menos potente pra colocar no lugar daquela que há muito se queimou.

Não é a mesma coisa, mas ao mesmo tempo não é qualquer coisa. É um quebra-cabeça no qual sempre há de faltar uma peça, mas uma peça que não dá pra achar em qualquer lojinha de 1,99. Um peça que não dá pra trocar por outra, porque o resultado nunca será o mesmo, e é capaz de a peça estragar com todo o resto do desenho.

Engraçado é que percebo os olhos de "por que ela está há tanto tempo sozinha?". Ninguém fala, mas todo mundo se pergunta. E pra falar a verdade, eu também me pergunto, mas não falo. Penso que prefiro ficar assim, com essa peça faltando, até o dia em que, num baú escondido, eu vá achar aquela que vai encaixar certinho no vazio da figura.

Não vou promover mutirões, como também não vou abrir caixa por caixa atrás dela. Muito menos aceitar uma peça qualquer coisa, só pra dizer olha! consegui! também tenho uma peça pra chamar de minha!

Quando se trata de amor, lâmpadas e quebra-cabeças não aceito nada menos do que o necessário.

É por isso que vou terminar esse texto sem sentido agora, e ir até o mercado comprar uma lâmpada. Porque, depois que eu me acostumar com essa meia-luz, com essa escuridão disfarçada, vai ser difícil ter coragem de procurar a lâmpada ideal de novo.

Um beijo procês.

Quindins na portaria - Martha Medeiros

Como eu havia comentado no vídeo, acho essa crônica da Martha uma delícia! Além disso, acho que é uma ótima forma de refletirmos sobre a quantas andam nossos relacionamentos.

Ela fala de algo que tem se perdido na selva de pedra em que estamos alojados, sabe-se lá até quando. Algo que anda em falta nos olhares, nos abraços. Algo que, com certeza, deixaria nosso mundo mais fácil de se viver: a delicadeza.

Hoje, vivemos no mundo do eu. Eu preciso, eu quero, eu faço e aconteço. Muitas vezes nos esquecemos de pensar no outro. Naquele que estava dormindo quando ligamos. Naquele que gostaria de poder chorar em paz, escondido no seu cobertor. Naquele que precisava fazer todas as tarefas de casa, mas teve que ficar a nossa disposição, pois resolvemos que era ali que passaríamos nosso sábado, sem nem ao menos perguntar se não incomodaríamos.

Se tem uma coisa na qual sempre acreditei é que não é preciso estar junto pra amar e demonstrar amor. Não é preciso cobrança. Não é preciso bater ponto.

Amores e amizades são sabidos nos olhares, nos gestos pequenos, nos sorrisos, e não em telefonemas de uma em uma hora. É claro que precisamos, sempre que possível, mostrar a uma pessoa o quanto ela é querida, do contrário acabaremos duros, presos em nosso eu, e perderemos o carinho...

Mas é preciso gentileza. É preciso delicadeza. Duas palavras que, infelizmente, andam esquecidas por aí...

E essa crônica da dona Martha Medeiros nos mostra que mesmo pequenos gestos são capazes de trazer o afeto de volta às nossas vidas...

Quindins na portaria

Estava lendo o livro de Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mario Quintana "para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nessa frase porque não pesar os outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.

Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura. Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individual e solitário.

Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados. Eu bato na porta antes de entrar no quarto de minhas filhas e no meu próprio quarto, se sei que está ocupado. Eu pergunto pra minha mãe se está livre antes de prosseguir uma conversa por telefone. Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.

Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando. Pessoas estão assistindo seu programa de tevê favorito. Pessoas estão se amando. Avise que está a caminho.

Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja. Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribui-los sabendo que nada interromperei do lado de lá. Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade. Dizemos pelo computador coisas que face a face seriam mais trabalhosas. Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?

Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios. Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela. Quando mando flores, vou junto com o cartão. Já visitei um lugarejo só para sentir impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

[MEDEIROS, Martha. Montanha Russa. Porto Alegre: L&PM, 2009 p. 18-19]

Um beijo procês!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Post Its #2

Sexta-feira bonita, toda trabalhada na vontade de sentar num bar com os amigos, voltamos com o nosso Post its.

E hoje não tem enrolação, porque o calor está quase me transformando em Bruxa Má do Oeste, toda derretidinha...

Companhia Musical de hoje [porque hoje é dia de Stones!]



1. Tomando café com a Bicha Fêmea

Dona Lidiane Vasconcelos, criadora e editora do blog Bicha Fêmea, é uma das minhas amigas mais queridas e antigas desse universo da blogosfera. Eu admiro por demais tudo o que ela faz em sua página, e não me canso de dizer isso...

Dessa vez, a Bonita me fez um desafio [na verdade, ela me sugeriu escrever um post, mas eu encarei como desafio, porque né... tango argentino feelings]. Ela pediu para que eu indicasse cinco blogs inteligentes, feitos por mulheres.

E o resultado você pode ver nesse post aqui, ó. 'Bora lá ver? E se você não conhece, aproveite e se delicie com um blog com alma feminina.


Eu gostei por demais da reflexão que Elaine Gaspareto, do blog Um pouco de mim, fez nesse post.

Porque, no fundo, é mais fácil a gente procurar por coisas que estão no exterior, do que vasculharmos a nós mesmos em busca de mudanças.

Vale a leitura! Não só o post, como o blog todo!


Depois de um bom tempo sem sequer me olhar no espelho, um dos primeiros blogs que me ajudou a redescobrir a beleza em mim mesma foi o Deveria estar estudando!!!, blog delicioso da Mel.

Ao ver aquela moçoila toda fofa, e ao mesmo tempo cheia de atitude, voltei a me animar com o meu guarda-roupa e com a beleza exterior.

Sempre achei a Mel uma querida, e sempre tive uma identificação bastante grande com ela. E ao ler esse post, a minha identificação só aumentou.

Eu fui uma daquelas garotas na qual ninguém prestava atenção. Andava como se fosse uma sombra. Vivia no meu mundo e no mundo dos livros, pois era o único no qual ninguém me tratava mal. E foram as palavras que me ajudaram a descobrir que eu era capaz de ser mais do que eu achava que era...

Esse post da Mel me fez lembrar do quanto é ruim ser julgado sem ao menos ser conhecido. E em tempos como os nossos, em que 140 caracteres parecem bastantes para julgar e apedrejar alguém, se colocar no lugar do outro me parece uma ótima pedida.


Eu fico admirada com a capacidade da Nospheratt, do Blosque [sim! Eu adoro esse blog!], de criar títulos instigantes, e mais ainda com a capacidade de criar posts extremamente claros e úteis!

Eu sou mais uma dessas doidas por listas. Penso que, daqui uns dias, se eu não me policiar, minha vida será uma lista gigante, cheia de coisas pra fazer.

Daí vem a Nospheratt nesse post, e fala sobre listas do que NÃO fazer. Eu achei ótimo! Principalmente porque preguiça a gente sente todo dia, né não? Então, não custa nada fazer a estrupícia trabalhar a nosso favor.


Embora eu não fale sobre beleza pras bandas de cá, eu até que me cuido direitinho. Não sou a louca das maquiagens e dos cremes, mas tenho meu humilde estoquinho.

Tempos atrás, vi a Ju [O batom de Clarice] mostrando umas comprinhas que tinha feito na lojinha virtual da Van Machado. Dei uma olhadinha, gostei de umas coisas, e mandei e-mail pra ela.

Conversa vai, conversa vem, ela me indicou esse Pó Matificante da Pond's AQUI, que promete o mundo. Curiosa e dona de uma pele ensebadinha que sou, quis pagar pra ver.

E devo fazer minha confissão de fé, meninas. Isso não é um pó, isso é milagre engarrafado. Usei um tiquinho de nada ontem. Passei o trem, depois do filtro solar, lá pela uma da tarde. Andei feito uma desvairada, num calor de 35 graus [NA SOMBRA!], e, às 6 da tarde meu rosto ainda estava digno.

Não, eu não disse que estava bonito, mas a oleosidade minha amiga de fé minha irmã camarada que costuma me acompanhar não estava lá. Fala se não é um milagre! O único problema dessa belezura é que ele não é vendido no Brasil...

Vejam... Eu não sou especialista em beleza, e não tenho um blog sobre isso. Só estou contando um causo que me aconteceu. Se alguém quiser ver swatches e aquelas coisas todas bonitas que a mulherada faz por aí, melhor procurar quem entenda da parada.

Eu falei dele apenas porque fiquei maravilhada, e estou pensando em estocar pras próximas duas encarnações. For real!

Além disso, a Van é uma fofa, e eu super recomendo a lojinha, viu gente. Não é jabá, não. É que com tanto lugar e atendimento ruim, quando a gente experimenta coisa boa, tem mais é que divulgar prasamiga, né não?


Se eu não me engano, descobri esse link no Pinterest da Tábata, do blog Happy Batatinha [que é ótimo, by the way].

Aliás, tenho pensado em criar um Pinterest pra mim... Me pareceu uma ideia tão bacana. Alguém aí usa?

Enfim... Ao chegar no site, foi amor à primeira e todas as vistas. É lindo, minha gente! Lindo!

Se você gosta de corujas, corra! Mas corra dicumforça, porque o My Owl Barn é o templo das corujas.

Tem pra todos os gostos, de todas as cores, em todos os moldes. Tem free printables, tem calendários, papelaria... Tudo fofo e ótimo pra quem gosta de se aventurar no faça você mesmo da vida...


Depois que descobri a genialidade do Carlos Ruas, deus mudou minha vida!

Sim! Piadinha infame, só pra introduzir esse que é um dos meus quadrinistas favoritos dos últimos tempos.

Um Sábado Qualquer não é um tipo de história em quadrinhos pra todo mundo. Afinal, o seu Ruas resolveu mexer com um assunto um tantinho polêmico: religião. E ele faz isso de forma divina! sim, hoje estou infame!

As tirinhas são recheadas de humor, crítica, reflexões; tudo isso somado a um bom desenho.

Visitem a página e deleitem-se. É de ler rezando! 'Tá bom! 'Tá bom! Foi a última, eu juro!

Por hoje, eu termino o Post its com um dos últimos trabalhos dele.

Tire daqui


Um beijo procês!
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