sábado, 31 de março de 2012

Post its #8

Eis que nessa semana eu consegui a incrível marca de seis [eu disse SEIS!] posts! Praticamente um milagre! E pra comemorar, 'bora pra mais um Post its?

Companhia Musical [Porque hoje é sábado]




Eu gosto por demais do blog da Raquel, o Da Editora. Ele é cheio de informações, super bem escrito e, de quebra, sua dona é uma querida!

Nesse post, ela compilou alguns dos vídeos mais fofos sobre livros e literatura. Diversão garantida pra esse sábado [ou pra qualquer outro dia da semana].


Por falar em vídeos e livros, eu adorei a ideia desse vídeo, do Marcos Felipe. É simples, mas é genial. Porque concordemos que a leitura tem o poder não só de transformar, mas também de salvar nossas vidas.


Niege Borges é uma ilustradora brasileira que tem criatividade e talento incríveis! Os pôsters com ilustrações de danças de filmes e seriados são algumas das artes mais legais. Super recomendado pra quem gosta de arte e coisas bonitas.


Encontrei esse vídeo lá no delícia de blog De Marcela para Ana. É um vídeo falando sobre os esteriótipos e clichês franceses feito por um francês. É uma fofura de vídeo!

Além disso, é bem bacana pra questionarmos essa nossa mania de separar as pessoas em caixinhas pré-determinadas. Afinal, quando é com os outros, tudo bem. Mas e quando é com a gente?


O Rascunho talvez seja uma das melhores publicações literárias dos dias de hoje. Feito em formato de jornal, possui resenhas pra lá de bem escritas e seções pra todos os gostos.

Feito pela Gazeta do Povo, jornal de Curitiba, ele pode ser lido no site ou impresso. Quando eu morava em Curitiba [ah, que saudade...], ele era distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública [no centro]. Não sei se ainda é, mas se você mora em Curitiba vale dar uma olhada.

Se você não tem a sorte de morar naquela cidade linda, ainda tem a opção de assinar ou acessar no site. Nesses tempos em que publicar sinopse virou sinônimo de resenha, é sempre bom ter uma publicação confiável de qualidade.

Ps: A Ju, d'O batom de Clarice, já falou dele lá no canal dela no Youtube.


Eu sei que as coisas andam cada vez piores, e que 'tá cheio de gente dizendo que não adianta fazer nada, mas daí a gente vê uma iniciativa como A Hora do Planeta, e para pra pensar que, talvez, lá no fundo, a humanidade ainda possa provar que se diferencia do resto dos animais por seu raciocínio.

Penso que não custa nada ficar uma horinha sem assistir tv, acessar a internet ou qualquer outra coisa que envolva energia elétrica.

Aproveitemos pra sentar na varanda e contemplar o céu, pensar na vida, fazer planos, resoluções ou só ficar abraçadinho com aqueles que amamos.

'Bora participar também?


Que eu sou fã declarada de Carlos Ruas todo mundo sabe. E nessa semana ele conseguiu ser ainda mais genial, ao fazer sua homenagem ao mestre de nosso humor: Chico Anysio.

Perder um gênio como Chico Anysio é triste, e a única coisa capaz de nos confortar é saber que os gênios nunca morrem de verdade, pois sua obra manterá sua alma viva através da eternidade.

Um viva pra Chico, e um viva para Carlos Ruas!

Fonte: Um Sábado Qualquer [Carlos Ruas]

Tenham um ótimo fim de semana!
Um beijo procês!

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Bando do Velho Jack [Start me up]

Eu já falei muito de música por aqui, mas de uns tempos pra cá passei a dar mais atenção aos livros que aos discos... Durante muito tempo respirei música, fosse cantando, produzindo, ouvindo e isso se refletia no blog. Continuo respirando música, e, como ideia pra post anda em falta, resolvi ressuscitar essa tag e apresentar algumas bandas e músicas das quais mais gosto. Posts bem rapidinhos, com um Top 5 básico, só pra não deixar a música o samba morrer aqui no blog.

E pra voltar em grande estilo, a banda de hoje é a minha número 1. Não, não são os Beatles nem os Stones. Não é Chico Buarque. Hoje eu vou falar dos caras que abriram meus ouvidos pra um tantão de coisa que eu sequer conhecia.

Fonte: O Bando do Velho Jack

O Bando do Velho Jack é uma banda daqui de Campo Grande, Mato Grosso DO SUL [E não, eu não conheço Cuiabá, porque fica longe pra diabo daqui!]. Formada por integrantes de várias partes do país, que acabaram vindo parar aqui no interiorrr, o Bando é uma das melhores misturas sonoras do rock'n roll.

Me lembro do primeiro show que assisti, lá pros idos de 2000. Ficava pensando "Caraca! O que é isso!". Acho que foi a primeira banda de verdade que tive o prazer de ver no palco. Ah sim, eles tocaram no mesmo dia que o Engenheiros do Havaí, mas veja bem, Bando é muito melhor que Humberto Gessinger e sua chatice... [Peço desculpas aos fãs do Engenheiros, mas não há comparação possível entre a energia do Bando no palco e a apatia do Humberto, minha gente!].

Depois de um tempo [e de muita encheção de saco], acabei fazendo parte da equipe de produção, vendendo camisetas e cds nos shows, e aí começou a amizade. Hoje eu tenho uma consideração enorme por esses cinco caras [agora seis, com o novo baterista, seja muitíssimo bem-vindo Adriel!] que ajudaram a formar meu gosto musical. Os trato como amigos, e sinto que a recíproca é verdadeira.

Sempre que me encontro com eles, fico pensando se a sensação que tenho é a mesma que as pessoas que são próximas a grandes astros da música tem: um misto de respeito, amizade e "Caraca! Quanta sorte de estar ao lado desses caras!".

Não, eles não fazem shows pelo mundo e nem tem reconhecimento internacional, mas isso por conta de voltas do destino, porque talento os caras tem de sobra.

Dá uma espiada na biografia disponível lá no site deles:
Em 1995, quatro músicos e amigos se uniram para tocar e ouvir juntos o rock’n’roll dos anos de 1950, 1960 e 1970. O resultado não poderia ser diferente. Surge uma das bandas mais importantes do cenário do rock sul-mato-grossense:


O Bando do Velho Jack, formado, inicialmente por Alex Batata (guitarra e voz), João Bosco (bateria), Marcos Yallouz (baixo) e Fábio Brum (guitarra). Os dois primeiros, ex-integrantes do grupo de heavy metal Alta Tensão, e os dois últimos, da Blues Band. 


Com composições próprias e interpretando sucessos de bandas clássicas do rock, o Bando inicia carreira apresentando-se em bares e eventos em Campo Grande e interior de Mato Grosso do Sul. Em fevereiro de 1997, acontece primeira mudança na composição: Fábio Brum é substituído por Fábio Terra. Em junho, outra mudança, mas que deixou marcas tristes: o vocalista e guitarrista, Alex Batata, é assassinado enquanto estava à espera da esposa na saída de seu  trabalho.


Demorou um tempo para que o grupo voltasse à ativa. Com o apoio dos fãs, iniciam uma nova fase, com a entrada dos músicos Rodrigo Tozzette (guitarra e vocal) e Gilson Júnior (teclados). Em 2000, Gilson deixa o grupo e é substituído por Alex Cavalheri. 


Desde então, O Bando do Velho Jack é composto por: Rodrigo Tozzette, Fábio Terra, Marcos Yallouz, João Bosco e Alex Cavalheri. Sob a influência de grupos como Grand Funk Railroad, Doobie Brothers, Free, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Black Oak Arkansas ou os brasileiros Mutantes, Peso, Casa das Máquinas, Tutti Fruti, Made in Brazil, o grupo reúne estilos diferentes e um trabalho de qualidade traduzido pelos inúmeros shows realizados em Mato Grosso do Sul e outros estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, e pelos cinco CDs produzidos ao longo de sua carreira.


Uma das coisas que mais gosto é que, nos shows, além das músicas próprias, eles também tocam versões de músicas de outras bandas. Muitas vezes, eu acabo preferindo a versão do Bando que a original, mas dizem as más línguas que é porque eu sou fã demais. ;)

Agora deixo vocês com meu Top 5 [É só clicar no nome da música pra ser direcionado ao Youtube]. Impossível escolher só cinco, mas, 'bora deixar assim... Lá no site, dá pra baixar/comprar os cds da banda e conhecer um pouco mais da história.


Beijo procês!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Criança 44 - Tom Rob Smith [pseudoresenha] [Desafio Literário]

Fonte: Record
Confesso que, no início, foi difícil escolher o livro para esse mês do Desafio Literário; rodava pelas listas e não me interessava por nada. Até que li "União Soviética". Pronto. Foi o suficiente pra querer ler Criança 44 ontem!

Eu adoro tudo o que envolva a Rússia e a antiga URSS. Sou apaixonada pela cultura desse povo, e fico impressionada com o modo como a história do Leste Europeu influenciou tão positivamente sua literatura, transformando-a na melhor do planeta, depois de Machado de Assis [isso, é claro, na minha humilde opinião].

Isto posto, confesso que já comecei o livro esperando uma narrativa maravilhosa, mesmo sabendo que o autor, Tom Rob Smith, era inglês, e não russo. O bom é que eu também adoro Literatura Inglesa, que coloco como a terceira melhor do planeta [Sim! Hoje eu estou hiperbólica!]. Assim, minha esperança de que o livro seria ótimo continuou firme e forte.

Eu não sou a maior fã de suspenses ou thrillers, confesso. Minha leitura de suspense se resume a Edgar Allan Poe e alguns outros escritores de literatura fantástica. Além disso, sou uma leitora meio chata pra lançamentos. Dessa forma, quando digo que achei o Criança 44 excepcional, você deve levar em consideração que ele passou - com louvor - na avaliação de uma chata de galochas.

Desde a primeira página, minha vontade era de não largar o livro nunca mais na vida. Queria por todo custo saber o que aconteceria na próxima página, no próximo parágrafo. Tanto, que por diversos dias dormi com ele na mão, pois me forçava a ler até o sono me nocautear.

Nem grifar e destacar as frases das quais gostei mais eu consegui, pois não queria parar a leitura. E grifar me tomaria o tempo de saber o que aconteceria em seguida.

Como sempre, eu não gosto de contar a história do livro. Sobre isso, penso que seja melhor ler a sinopse, pois tenho medo de dar informações que sejam peças-chave da narrativa.

A personagem principal do livro é Liev Demidov, agente do governo. A construção de Liev e de tudo o que acontece ao seu redor me lembrou muito "O Processo", do Kafka. Uma coisa meio surreal, meio "Oi? Como assim?!". Claro que, levando em consideração os traços culturais da Rússia stalinista, tudo o que ocorre é absolutamente justificável. Oi? O que ocorre? É claro que não vou contar, né minha gente!

As demais personagens do livro não são exatamente planas, não se enquadram em esteriótipos, ao menos no meu olhar, não acostumado a narrativas de suspense. São personagens surpreendentes, das quais temos raiva ou pelas quais sentimos compaixão.

E isso é uma das coisas que mais gosto em um livro, me sentir próxima das personagens, vivendo ao seu lado. E que triste viver numa Rússia devastada pela loucura de Stálin. Que triste sentir o cheiro das botas cozinhando, dos pés congelando no frio, das mortes injustificáveis...

Duvido que, ao ler, você também não vá sentir o frio e a fome que senti. Por diversas vezes me vi com o corpo gelado, mesmo fazendo mais de 30° por aqui. A narrativa é minuciosa, mas não enfadonha. Todos os detalhes vão sendo revelados na hora certa, com a meticulosidade de um assassino.

Por falar em assassino, quando, no final, descobri quem era, quase tive um faniquito. Eu nunca chegaria a esse raciocínio! Nunca suspeitaria da possibilidade de ser aquele homem o assassino cruel de mais de 44 crianças... Mais genial ainda é a explicação do porquê dos assassinatos...

No final, a história ficou em mim como se fosse um quebra-cabeças com peças do Criminal Minds e d'O Processo. A recuperação histórica feita por Tom Rob Smith é imprescindível para que se compreenda, e, principalmente, se viva todo aquele período no qual o enredo está ambientado.

É, sem sombra de dúvidas, um livro de tirar o fôlego. Um livro que nos faz agradecer por vivermos onde e como vivemos.

Por vários dias, depois de terminar o livro, eu senti a comida mais saborosa, e até agradeci o sol que queimava minha pele. Porque sou dessas que toma a realidade do outro pra si...

E a realidade de Criança 44, talvez por ser tão verdadeira, é muito dolorida. Dolorida até mesmo pro meu coração de gengibre...

Informações Técnicas:
SMITH, Tom Rob. Criança 44. Rio de Janeiro: Bestbolso, 2011.

Sinopse disponível no site da Editora: 
“Thriller formidável: original e fascinante da primeira à última página.” Scott Turow
“Tom Rob Smith reproduz uma época na qual a justiça não existia e o futuro de famílias inocentes estava nas mãos de criminosos egoístas.” Washington Post Book World
 “Romance de estreia que vem colecionando críticas fabulosas.” USA Today
União Soviética, 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa. Em seu governo, o líder opressor faz o povo acreditar que o país está livre dos crimes. Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, o agente Liev Demidov se surpreende ao saber que a família da criança está convencida de que houve um assassinato. Demidov recebe ordens para ignorar o caso, mas se vê determinado a ir atrás do criminoso, mesmo sabendo que poderá se tornar um inimigo do Estado.

Um beijo procês!



Ps: Para ler a Ficha de Leitura do Desafio Literário é só clicar no link abaixo.

terça-feira, 27 de março de 2012

Não sei paquerar... E você?

Sabe quando é a sua cara? ;)
Depois de escrever o título do post, fiquei pensando... Será que ainda se usa o verbo paquerar? Será que já inventaram outro, e a velha paquera [e as pessoas que ainda usam o termo] ficou fora de moda? O que eu sei é que, independente do nome, eu não sei como se faz. Definitivamente, me falta esse software!

Veja só... Nesse fim de semana saí na sexta-feira pra ouvir a melhor banda do mundo, também conhecida como O Bando do Velho Jack. Como sempre, saí sozinha, com a intenção de ouvir um bom rock'n roll e tomar uma cervejinha.

Sei, já prevejo alguém se indagando: "Mas ela tem coragem de sair sozinha?!" E eu explico... Tenho mais de 10 anos de vida noturna [olha lá, não vá entender essa parada de modo errado, hein!] em CG. Boa parte desse tempo passei trabalhando com música. Isso me garante que, não importa onde eu vá [em bares de rock é claro!], eu vou conhecer, no mínimo, os donos do bar, os músicos e uma dúzia de pessoas. Assim, eu posso até sair sozinha, mas acabo não ficando sozinha...

Enfim... O que acontece é que, quando saio pra ver a banda, nada mais importa além da banda. Ah, sim! A cerveja, é claro! Mas abafa o caso, que pode ter aluno lendo esse post. Fico ali, completamente absorta, envolvida pela música. Danço, canto, bebo sem olhar pro lado. Resultado: nem adianta o cara mais gato do bar olhar porque... eu não vou ver!

Agora, temos uma situação nova: com a lei anti-fumo, nos é relegado um cantinho para que exerçamos nosso direito ao vício fora do bar. Pois bem... eu vou lá e fico com a cabeça na música que toca lá dentro. Nessa hora, se o cara pediu o isqueiro emprestado, eu imagino que é porque ele precisa de um isqueiro e não o que eu descubro depois [com o meu detector de paqueras mais lerdo que internet discada]: que ele queria mesmo era puxar conversa.

Agora me diz... Como demônios eu iria saber?!

O problema mesmo é quando o cara é direto e, via de regra, inconveniente. Esses dias um carinha chegou, me pediu o isqueiro, e disse que havia me observado a noite toda [Nessa hora, já imaginei um episódio de CSI com o cara tentando esconder meu corpo depois de morto!]. Disse que eu ia, sozinha, beber minha cerveja, e achou estranho [Estranho seria eu ir num bar e beber Toddynho, né estrupício!]. No fim, perguntou qual era minha intenção.

Primeiro, perguntei se ele era um psicopata. Ele riu. Depois, eu disse que a minha intenção era das melhores, e, realmente essa: a de tomar minha cerveja e curtir a música sozinha. E enfatizei bem a palavra SOZINHA. Não contente, o cidadão queria meu telefone, e foi chegando mais perto, numa distância absurdamente inaceitável pra estranhos com cara de louco, quando um conhecido veio falar comigo e eu já o abracei como se não houvesse amanhã, ou, até o cara se tocar e ir embora dali...

'Tá bom, eu confesso. Sei que tem gente aí agora dizendo que eu só não me empolguei porque não gostei do cara. Sim! Sou culpada. O cara não fazia o meu tipo. E, mesmo que fizesse... eu falo sério quando digo que o que me importa é a música.

Até hoje não entendo qual é o problema de escutar minha música e tomar minha cerveja sozinha... Se eu fosse homem, alguém acharia estranho? Provavelmente não... [Nem a pau que começarei uma discussão feminista nesse momento! Deixemos isso pra outro post...]

Oi? Ah, sim, é verdade... Acabei fugindo do assunto da paquera. 'Tá vendo como nem falar sobre isso eu sei?!

Se bem que, no fim da noite, acabei conhecendo um rapaz. Ele pediu o isqueiro e se apresentou, mas já eram 4 da manhã, e o departamento de registros de nomes do meu cérebro já estava fechado. Lembro que era moreno, tinha a barba por fazer, e um sorriso daqueles... Ô se lembro! Mas não lembro do nome e, na hora, nem me toquei que ele pegar na minha mão e segurá-la enquanto me devolvia o isqueiro era paquera. Pois é.. Agora eu vejo o quanto é claro, mas na hora, meu bem...

Quem sabe na próxima sexta eu encontro com ele. E, dessa vez, eu é que vou pedir o isqueiro! Mas... vai que ele também não sabe paquerar?!

É... Vida de solteira é assim...

E você, sabe paquerar? Conta pra mim, vai!

Beijo procês!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Abolição e Liberdade - Machado de Assis

Fonte: Folha de São Paulo
Essa crônica é ótima pra estapear com luva de pelica aqueles que dizem que Machado nunca se importou com os problemas de seu país. O que de fato ocorreu foi que os leitores de sua época [e de tantas outras épocas, na verdade] não tinham a capacidade de abstrair de sua galhofa as críticas sociais.

Durante o Modernismo, Machado foi severamente criticado por não ter tomado partido nas discussões sobre o Abolicionismo. A verdade é que Joaquim não queria fazer parte de cotas sociais, não queria ser lido e reconhecido pela cor de sua pele, não queria que tivessem pena de suas doenças.

Penso que não é preciso gritar aos quatro ventos nossas opiniões; principalmente quando isso é feito apenas pra chamar a atenção. Especialmente quando nem se acredita naquilo que se grita.

Ter opinião crítica não é fazer balbúrdia. Ter opinião é saber colocar-se no mundo, coisa que Machado fez mais e melhor que muito representante do Pau Brasil...

Abolição e Liberdade

Bons dias!

Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que tôda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

 Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

 No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as idéias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado. 

Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembléia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz  outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. 

Caí na cadeira e não vi mais nada. De  noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo. No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza: 

- Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que... 

- Oh! meu senhô! fico.  - ...Um ordenado pequeno, mas que há de  crescer. Tudo cresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quando nasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

- Artura não qué dizê nada, não, senhô... 

- Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.  

- Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. 

Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.  

Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio;  daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. 

O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes da abolição legal, já eu, em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a toda a gente que dêle teve notícia; que esse escravo tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples  suposições) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.
Boas noites.  (19/maio/1888)

Referência: ASSIS, Machado. Fuga do Hospício. São Paulo: Ática, 2003 p. 23-25

Que tenhamos todos uma excelente semana!
Beijo procês!

domingo, 25 de março de 2012

Post Its #7

Estamos de volta com nosso Post Its que, sim, deveria ter saído na sexta-feira [ou há alguns bons dias...], mas né... A pessoa aqui anda tão atordoada que até perdeu a noção de dia da semana!


O Página 17 é um blog que foi criado há um bom tempo por mim e dois queridos amigos, Senhores Aris e Degu. Daí que a gente foi seguindo outros caminhos e o pobre blog acabou abandonado.

O bom é que num belo dia de férias, resolvemos ressuscitar o projeto e chamar mais dois parceiros pra completar, Senhores Xis e Super [Não, ninguém tem nome de verdade nessa turma, só nome de herói].

O blog é pra falar de nossas opiniões a respeito de livros, filmes, quadrinhos, enfim... tudo o que consumimos dessa tal "indústria cultural" [discípula de Adorno feelings...]. 'Bora lá conhecer?


Porque é sempre bom parar e descansar um pouquinho a cada 360 quilômetros, né minha gente?

3. Procrastinadores Anônimos

Eu adoro tudo o que a Gabriela Ventura, do Quinas e Cantos, escreve. Ela escreve como ninguém, e de um jeito que não tem como se cansar. Minha única e eterna reclamação é que ela escreve pouco, afinal, ela quer dominar o mundo e faz milhões de coisas ao mesmo tempo. ;)

Assim que li essa história sobre os procrastinadores, fiquei com vontade de espalhar pelo mundo, porque é genial. Super vale a leitura! Não só do texto, como do blog todo.

4. Eu te dedico

Infelizmente, a memória pras bandas de cá anda falhando mais do que devia, o que quer dizer que não lembro onde vi esse link. Mas o importante é que ele é uma delícia!

É um Tumblr com fotos e transcrições de dedicatórias feitas em livros. Não sei vocês, mas eu adoro escarafunchar a vida alheia através de objetos. Tenho cá pra mim que eles falam enquanto seus donos calam.

Enfim, link ótimo pros curiosos e bookaholics de plantão.

5. Enquete e sorteio n'O batom de Clarice

A querida da Ju, O batom de Clarice, está fazendo uma enquete sobre alguns aspectos do blog, e ainda vai sortear um marcador de páginas fofíssimo pra quem participar. Corre lá que é só por uma semaninha!

6. Mulheres que leem são perigosas

E ainda falando na Ju, ela criou uma tag muito bacana no blog, a "Mulheres que leem são perigosas", na qual ela posta fotos de mulheres lendo. A #1 foi com a querida Tati Feltrin, do Tiny little things, e a #2 é comigo!

Ps: As fotos que estão lá são da autoria da minha querida amiga Jolie, pra conferir o talento dela é só clicar  aqui.

7. Quase Nada, Fábio Moon e Gabriel Bá

E os quadrinistas de hoje dispensam apresentações, de tanto que já os citei e elogiei por aqui.

Fonte: 10 Pãezinhos

Um beijo procês!

segunda-feira, 12 de março de 2012

De pai para filho - Domingos Pellegrini

Fonte
Eis que Março chegou e eu ainda não havia feito um post sequer... Nesse 2012 a vida anda me cobrando muito, e por vezes demais acabo por perder a esperança.

E é por isso que hoje trago esse texto de Domingos Pellegrini, que fala exatamente desse sentimento que não podemos perder, pois se não o tivermos, a vida fica dura e pesada além da conta pra nossos ombros suportarem.

Espero que, mesmo nos sentindo como o "amigo" do texto, ainda tenhamos a capacidade de sermos como o pai...

Tenham todos uma excelente semana!

De pai para filho

- Pai, por que a gente existe?
- Pra melhorar. Aliás, perguntaram ao Dalai Lama qual a melhor religião, ele respondeu que a melhor religião é toda aquela que te melhora.
- Isso porque você é otimista, né, pai. Mas um amigo meu, que é pessimista, diz que toda religião é enganação e que a existência não tem finalidade nem sentido.
- Então não é teu amigo.
- Ele diz que a gente não melhora, não, pai, tanto que, por exemplo, sempre existiu e sempre vai existir guerra...
- ... enquanto existir gente que pensa como teu amigo. Mas Nelson Mandela foi preso porque pregava a luta armada e até o terrorismo contra o racismo, e saiu da prisão, quase trinta anos depois, falando em perdão e convivência, e com isso acabou com a guerra civil na África do Sul.
- Meu amigo também diz que sempre vai haver corrupção, e que o ser humano é corrupto por natureza.
- Também é o único ser, nesse planeta, que cuida dos feridos, e também o único que faz arte, cultiva a beleza e pratica a solidariedade.
- Mas meu amigo diz que essa história de responsabilidade social das empresas, por exemplo, é só disfarce pra ganhar simpatia do público e continuar tendo o máximo lucro possível.
- Só que as empresas solidárias sobrevivem, e as outras, mesmo com muito lucro, morrem. Solidariedade não é tática, filho, é espírito, e o espírito sempre vence. Na Segunda Guerra, os nazistas conquistaram vários países, até a França, e aí, entre eles, e a Inglaterra, havia apenas o Canal da Mancha e a aviação da Inglaterra, com muito menos aviões e armas. Mas os pilotos ingleses foram para o céu com o espírito de luta e sacrifício, não com espírito de conquista como os nazistas, e muitos morreram mas causaram tanto estrago que Hitler adiou a invasão para sempre.
- E no fim a vitória foi das democracias, mas meu amigo diz que a democracia é só disfarce para a ditadura do capital, os ricos mandando no  Governo e na Justiça.
- Não enquanto houver gente que acredita na justiça e luta por ela. Aqui no Brasil um advogado católico, Sobral Pinto, defendeu o líder comunista Luiz Carlos Prestes, usando para isso os direitos dos animais, pois até isso negavam ao prisioneiro, e ele acabou solto. E agora mesmo tem gente lutando no Brasil para melhorar a Justiça, para ser menos lenta e para promotores continuarem a investigar a corrupção.
- Mas meu amigo diz que não adianta lutar porque os corruptos ganham sempre.
- Já eu vejo que perdem sempre. Começam perdendo respeito, depois perdem o sono, perdem a saúde, perdem o poder, tudo porque começaram perdendo a alma. Corrupção é, antes de tudo, carência de inteligência.
- Mas meu amigo diz que não tem jeito porque cai um corrupto, cresce outro que estava na sombra daquele.
- Os homens honestos, ao contrário, não se reproduzem nas sombras, mas na claridade, através dos bons exemplos. Você não vê que o povo mais pobre é quem mais paga as contas em dia?
- Não será por bobeira, pai?
- É por crença, filho. Acreditam em ser bons, fazer o certo e viver bem consigo e com os outros. Mas você não tinha hora no dentista? Então vai pensando que, na Idade Média, gente enlouquecia de dor de dente, e mesmo os ricos não podiam pagar um dentista porque nem existia dentista. Hoje, temos serviço odontológico de graça pela saúde pública. Alguma coisa melhorou, não?
- Pai, você devia dar aulas no meu colégio.
- Aula do quê?
- De esperança.

Referência: PINTO, Manuel da Costa (Organização e Apresentação). Crônica Brasileira Contemporânea. São Paulo: Moderna, 2005 p. 214-216.

Beijo procês!
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