terça-feira, 26 de junho de 2012

Small Pleasures [Constantin Pilavios]

E já que tenho tentado ficar sobre minha mesa para ver a vida de forma diferente, trago um dos vídeos mais lindos que vi nos últimos anos, do diretor grego Constantin Pilavios. Dele também recomendo assistir "What's that".

Enjoy. Enjoy your life. Enjoy yourself.


Beijo procês!

domingo, 24 de junho de 2012

Sobre mortes e renascimentos...

Tirei daqui
Eis que Junho se mostrou um mês cheio de aprendizados. Quer dizer, no fundo no fundo, tive um aprendizado: de que as coisas precisam morrer para que em seu lugar outras possam nascer. Pois é... Esse é o Inverno chegando de sola pra me ensinar o que eu já devia ter aprendido há muito tempo...

Há uma semana eu perdi um amigo. Acidente de moto, esse veículo maldito... Há uma semana vi o irmão desse amigo, amigo mais do que querido, parte da minha família de coração, sofrer por dentro, tentar segurar a onda de perder um irmão pra uma brincadeira do destino. Há uma semana encarei a morte de frente, sem aviso prévio, nem notificação com três vias registradas em cartório.

Some-se a isso eu ter lido apenas livros cujo tema principal seja a morte [Os sete enforcados, Andreiev; A Exposição das Rosas, Orkény; A morte de Ivan Ilitch, Tosltói - falo sobre eles depois, num vídeo pra desempoeirar o canal...].

Entrei em parafuso, é claro. Meu corpo esmoreceu e fiquei doente. Minha alma ficou doente. E então o fantasma do "se" veio morar comigo...

E se eu perdesse outras pessoas? E se eu perdesse minha família? E se eu perder meus amigos mais próximos, parte da minha família do coração? E se eu não aguentar?

Porque a morte só é triste pra quem fica. A morte só é insuportável pra quem tem que conviver com a falta, e eu não sei conviver com a falta. Eu ainda não aprendi a viver com a distância, com a ausência, com a saudade.

Mas como eu estava dizendo, o solstício de Inverno veio me lembrar que é preciso morrer para renascer...

Ontem, com febre, tosse, dor no corpo e todas essas outras coisas que vem de brinde numa gripe profissa, fiquei em casa, de cama. Cansei da internet, e resolvi pegar uns filmes pra assistir. Olhei minha humilde videoteca, repleta de Tarantinos e filmes sangrentos [quem não conhece minha "videoteca", pode conferir nos meus vídeos lá no Youtube], e me deu vontade de, pela milésima vez, assistir Curtindo a vida adoidado e Sociedade dos Poetas Mortos.
Tirei daqui

Foi assim, de súbito, sem nem pensar muito, e, talvez, tenha sido uma das decisões mais acertadas do mês...

Comecei com Ferris Bueller, aquele traquinas. E como eu ri. E como eu me diverti. E como eu me vi no Cameron...

[Ps: Se você nunca assistiu Curtindo a vida adoidado, sugiro que você pare o que está fazendo e corra. Sua vida nunca mais, eu disse NUNCA MAIS, será a mesma...]

Ao olhar pro Cameron, doente, desmotivado, quase que vivendo por obrigação, eu vi a mim mesma nos últimos tempos. Vi uma vítima sem reação diante dos problemas. Vi uma pessoa que teria tudo, ou quase tudo, pra ser feliz, e que anda se arrastando por aí...

Sim, essa sou eu. Uma pessoa que se deixou abater pela falta de tempo, mas, principalmente, pela falta de amor pela vida. Uma pessoa que deixou as pedras desviarem a atenção das flores do caminho. Uma pessoa fraca.

Ou melhor, essa era eu até ontem, antes de assistir Sociedade dos Poetas Mortos.

Eu assisti a essa obra prima pela primeira vez quando ainda era adolescente, e a tenho assistido quase que anualmente, sempre que sinto que minhas forças pra lutar estão ficando escassas. Sempre que me vejo desistindo, vou lá, e tomo uma injeção de Carpe Diem. Me submeto ao tratamento Keating de choque.
Tirei daqui

E foi exatamente o que aconteceu ontem: Mr. Keating me salvou de mim mesma.

Se você ainda não assistiu ao filme, peço encarecidamente que o faça, pelo seu próprio bem, pois Sociedade dos Poetas Mortos não é apenas um filme, é um salvador. Ele é capaz de nos resgatar do quarto escuro em que nos trancamos, com medo de enfrentar a vida. Porque é muito fácil, muito cômodo nos fazermos de vítima, nos abandonarmos, nos esquecermos.

Difícil mesmo é continuar em frente, é ver que, apesar de tudo e todos, ainda temos tanto e tantas coisas maravilhosas a viver. Porque a alegria é perigosa. A alegria nos torna melhores, e, muitas vezes, para viver na sociedade em que vivemos, é necessário que sejamos piores, para que o próximo não se sinta incomodado.

E ontem eu decidi não mais ser pior. Decidi aproveitar a vida, decidi estampar na alma o lema de Mr. Keating...

Claro que essa sensação não durará pra sempre, e, no próximo obstáculo, me verei tentada a me esconder na escuridão novamente. Mas quando esse momento chegar, me lembrarei de Ferris, me lembrarei de Mr. Keating, e me lembrarei do quanto é boa a sensação de se sentir bem na própria pele.

Porque a tristeza nos afasta de nós mesmos. A tristeza nos corrói, como se fôssemos metal jogado ao mar. A tristeza alimenta o que de pior existe guardado em nós.

Sei que esse não é um texto pertinente pra um Domingo, véspera de Segunda-feira, afinal, Segunda é o dia oficial do mau humor e da insatisfação de estar vivo. E não, não me tornei repentinamente a Pollyana.

Continuarei casmurrando por aí, pois velhos hábitos não são facilmente deixados para trás. Mas hoje eu quero ter a sensação de que tudo vai dar certo. Hoje eu preciso acreditar que vou conseguir chutar as pedras, mesmo que elas me machuquem os pés. Hoje eu convido você a aprender também com Mr. Keating:

Tirei daqui

Que tenhamos todos uma ótima semana! E que o Inverno não venha apenas para nos lembrar de que o frio está por vir, mas sim que logo logo a Primavera virá cheia de flores a nos enfeitar os caminhos...

Um beijo procês!
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