domingo, 24 de junho de 2012

Sobre mortes e renascimentos...

Tirei daqui
Eis que Junho se mostrou um mês cheio de aprendizados. Quer dizer, no fundo no fundo, tive um aprendizado: de que as coisas precisam morrer para que em seu lugar outras possam nascer. Pois é... Esse é o Inverno chegando de sola pra me ensinar o que eu já devia ter aprendido há muito tempo...

Há uma semana eu perdi um amigo. Acidente de moto, esse veículo maldito... Há uma semana vi o irmão desse amigo, amigo mais do que querido, parte da minha família de coração, sofrer por dentro, tentar segurar a onda de perder um irmão pra uma brincadeira do destino. Há uma semana encarei a morte de frente, sem aviso prévio, nem notificação com três vias registradas em cartório.

Some-se a isso eu ter lido apenas livros cujo tema principal seja a morte [Os sete enforcados, Andreiev; A Exposição das Rosas, Orkény; A morte de Ivan Ilitch, Tosltói - falo sobre eles depois, num vídeo pra desempoeirar o canal...].

Entrei em parafuso, é claro. Meu corpo esmoreceu e fiquei doente. Minha alma ficou doente. E então o fantasma do "se" veio morar comigo...

E se eu perdesse outras pessoas? E se eu perdesse minha família? E se eu perder meus amigos mais próximos, parte da minha família do coração? E se eu não aguentar?

Porque a morte só é triste pra quem fica. A morte só é insuportável pra quem tem que conviver com a falta, e eu não sei conviver com a falta. Eu ainda não aprendi a viver com a distância, com a ausência, com a saudade.

Mas como eu estava dizendo, o solstício de Inverno veio me lembrar que é preciso morrer para renascer...

Ontem, com febre, tosse, dor no corpo e todas essas outras coisas que vem de brinde numa gripe profissa, fiquei em casa, de cama. Cansei da internet, e resolvi pegar uns filmes pra assistir. Olhei minha humilde videoteca, repleta de Tarantinos e filmes sangrentos [quem não conhece minha "videoteca", pode conferir nos meus vídeos lá no Youtube], e me deu vontade de, pela milésima vez, assistir Curtindo a vida adoidado e Sociedade dos Poetas Mortos.
Tirei daqui

Foi assim, de súbito, sem nem pensar muito, e, talvez, tenha sido uma das decisões mais acertadas do mês...

Comecei com Ferris Bueller, aquele traquinas. E como eu ri. E como eu me diverti. E como eu me vi no Cameron...

[Ps: Se você nunca assistiu Curtindo a vida adoidado, sugiro que você pare o que está fazendo e corra. Sua vida nunca mais, eu disse NUNCA MAIS, será a mesma...]

Ao olhar pro Cameron, doente, desmotivado, quase que vivendo por obrigação, eu vi a mim mesma nos últimos tempos. Vi uma vítima sem reação diante dos problemas. Vi uma pessoa que teria tudo, ou quase tudo, pra ser feliz, e que anda se arrastando por aí...

Sim, essa sou eu. Uma pessoa que se deixou abater pela falta de tempo, mas, principalmente, pela falta de amor pela vida. Uma pessoa que deixou as pedras desviarem a atenção das flores do caminho. Uma pessoa fraca.

Ou melhor, essa era eu até ontem, antes de assistir Sociedade dos Poetas Mortos.

Eu assisti a essa obra prima pela primeira vez quando ainda era adolescente, e a tenho assistido quase que anualmente, sempre que sinto que minhas forças pra lutar estão ficando escassas. Sempre que me vejo desistindo, vou lá, e tomo uma injeção de Carpe Diem. Me submeto ao tratamento Keating de choque.
Tirei daqui

E foi exatamente o que aconteceu ontem: Mr. Keating me salvou de mim mesma.

Se você ainda não assistiu ao filme, peço encarecidamente que o faça, pelo seu próprio bem, pois Sociedade dos Poetas Mortos não é apenas um filme, é um salvador. Ele é capaz de nos resgatar do quarto escuro em que nos trancamos, com medo de enfrentar a vida. Porque é muito fácil, muito cômodo nos fazermos de vítima, nos abandonarmos, nos esquecermos.

Difícil mesmo é continuar em frente, é ver que, apesar de tudo e todos, ainda temos tanto e tantas coisas maravilhosas a viver. Porque a alegria é perigosa. A alegria nos torna melhores, e, muitas vezes, para viver na sociedade em que vivemos, é necessário que sejamos piores, para que o próximo não se sinta incomodado.

E ontem eu decidi não mais ser pior. Decidi aproveitar a vida, decidi estampar na alma o lema de Mr. Keating...

Claro que essa sensação não durará pra sempre, e, no próximo obstáculo, me verei tentada a me esconder na escuridão novamente. Mas quando esse momento chegar, me lembrarei de Ferris, me lembrarei de Mr. Keating, e me lembrarei do quanto é boa a sensação de se sentir bem na própria pele.

Porque a tristeza nos afasta de nós mesmos. A tristeza nos corrói, como se fôssemos metal jogado ao mar. A tristeza alimenta o que de pior existe guardado em nós.

Sei que esse não é um texto pertinente pra um Domingo, véspera de Segunda-feira, afinal, Segunda é o dia oficial do mau humor e da insatisfação de estar vivo. E não, não me tornei repentinamente a Pollyana.

Continuarei casmurrando por aí, pois velhos hábitos não são facilmente deixados para trás. Mas hoje eu quero ter a sensação de que tudo vai dar certo. Hoje eu preciso acreditar que vou conseguir chutar as pedras, mesmo que elas me machuquem os pés. Hoje eu convido você a aprender também com Mr. Keating:

Tirei daqui

Que tenhamos todos uma ótima semana! E que o Inverno não venha apenas para nos lembrar de que o frio está por vir, mas sim que logo logo a Primavera virá cheia de flores a nos enfeitar os caminhos...

Um beijo procês!

22 comentários:

  1. Lindo texto, estava me sentindo exatamente como você, e isso me animou um pouco já. Tenho que ver de novo Sociedade dos Poetas Mortos. Agorinha.

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    1. Assista, sim, Niih...
      Me fez muito, muito bem. Espero que faça o mesmo por você.
      E que bom que se animou. ;)

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  2. Sinto muito pela sua perda, Patrícia.
    Espero que Deus venha suprir em vc e na família, o consolo que a gente não consegue oferecer.
    E eu agradeço a Deus também pelo conforto que vc encontrou nesses dois filmes. Porque né, tem gente que nem gosta de Sociedades. Eu posso assistir e nada acontecer. Mas com vc funcionou! \o/
    Tem um quote do Camus que costuma rolar muito por aqui, quando a gente está há semanas sem experimentar uma temperatura positiva:
    "In the middle of winter I at last discovered that there was in me an invincible summer."
    Que nessa semana vc consiga aproveitar o que há de melhor no inverno.
    Beijos com carinho.

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    1. Mimi, querida...
      Muito obrigada pelo seu comentário tão gentil...
      Mas olha, penso que dei a entender no texto que perdi minha irmã, o que, graças a deus não aconteceu. Até dei uma arrumada ali no texto... Ela sofreu sim um acidente, mas continua viva e chata, graças a deus. =P
      Sociedade é meu salvador, sempre!
      Eu adorei essa citação do Camus!!! Vai pra listinha de coisas pra ler sempre, obrigada!
      Que você também tenha uma semana maravilhosa!
      Um beijo enorme procê!

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    2. Eu tinha entendido isso mesmo, vai ver eu que me expressei errado. =P
      Eu também tenho uma irma (ex) chata. Assim, ela ERA chata, até eu ir morar longe. Agora ela é a mais linda, rs. =**

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    3. Por que diabos as irmãs são assim, né?
      Um bando de chatas, mas que a gente ama! ;)

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  3. Que lindo texto Patricia!! E que bom você ter ressurgido em meio a essa perda com essa vontade de alegria. Eu perdi meus dois avós ano passado e fiquei meio assim como você: e se mais alguém morrer? minha mãe, minha irmã, meu namorido? Cheguei ao absurdo de ir com ele para todos os lugares de tanto medo que eu estava. Aí, como você, não foi vendo esses filmes (que também acho fabulosos, repito a recomendação e falo como meu orientador: se você ainda não viu, vá corrigir essa falha de caráter grave no seu histórico, e assista!!), foi lendo um trecho de um livro que eu entendi estar tão preocupada com a morte que estava esquecendo de viver. Claro que é importante ficar triste, enlutar, se ensimesmar, deixar o corpo adoecer, como você deixou, mas ficar assim só vai trazer mais tristeza. A saudade, nesse contexto, é um sentimento mais bonito e melhor de se sentir.
    Beijos e tenha uma boa semana!
    Tati

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    1. Obrigada, Tati!
      Concordo com você, a gente precisa sentir a tristeza e depois deixá-la ir embora.
      Tenha uma ótima semana!
      Beijo procê!

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  4. Lindo texto... me senti assim meses atrás... é tão ruim quando você sabe que tem que enfrentar as dificuldades, mas a nossa mente falha, é covarde muitas vezes.
    Que bom que filmes possam acender uma centelha de esperança... não vi o Sociedade dos Poetas Mortos (eu acho, costumo esquecer os filmes), porém Curtindo a Vida Adoidado é um santo antidepressivo! Adoro, e rio só de lembrar.

    Enfim, força nesse inverno, não deixe ele ser mais escuro do que já é... :)

    Beijos

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    1. 'Brigada, Bruna.
      Menina! Vá ver Sociedade AGORA! =P
      Realmente, Curtindo a vida adoidado é melhor que tarja preta. ;)
      Beijão procê!

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  5. Lindo post Patrícia.

    A gente sempre se sente assim em algum momento da vida, e como vc disse é mto mais fácil continuarmos nos fazendo de vítimas. O importante é saber levantar, o que infelizmente poucas pessoas sabem.

    Espero que melhore logo da gripe
    Beijos

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    1. 'Brigada, Carol!
      É sempre difícil levantar, mas a gente não pode ficar caída, né? ;)
      A gripe me ama. x)
      Beijo procê!

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  6. Ai, Pati! Bom ver que vc está se reerguendo, que encontrou força e sentido pra recomeçar.
    Quando a morte cai na nossa cabeça igual a uma bigorna acme, parece que todo o resto perde o sentido. É só crueza e vazio. Perdi uns entes queridos recentemente tb, mas sou grata pelo que vivi de bom com eles. E, sabendo que posso empacotar a qualquer momento tb, tento viver bem cada dia, buscando não sofrer por antecipação. Nada como um dia depois do outro. Um cliché danado, mas que funciona que é uma beleza.
    Esses dois filmes que vc citou são ótimos, adoro! O Sociedade é meio que o filme da minha vida. Se hoje eu teimo em escrever e estudar literatura, é pq Mr. Keating gave me the push.
    Eu passei por uma fossa apocalíptica certa vez, e tomada por um desejo de renascer fênix-vitaminada de novo, tatuei carpe diem no pé. Doeu à beça junto com as dores da alma, mas tá lá esse outro cliché (oh, god!) gravado nos pezinhos, pra eles continuarem andando, correndo atrás de uma vida de verdade.
    É importante chorar as mágoas todas, invernar e hibernar um pouco, pra acordar mais forte. Mete um batom vermelho nessa boca linda, ergue uma bitch face e cai matando, amiga. Conquista o que é seu!
    Te adoro! Força!

    Beijocas muitas!

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    1. Aline, minha querida...
      Adorei a comparação da morte com a bigorna acme! Muito! x)
      Então somos duas "empurradas" por Mr. Keating...
      Obrigada pela força, amiga querida.
      É nas palavras das amigas que, muitas vezes, encontramos forças pra continuar. ;)
      Adoro você!
      Um beijo enorme!

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  7. Lindo texto Patricia!
    Sinto por sua perda... não é fácil aprender a lidar com a falta, e provavelmente nunca encontraremos a fórmula perfeita para o que fazer nesses momentos, e principalmente o que falar... mas fico muito feliz de ver que você conseguiu reunir forças para se reerguer com essa vontade de viver!
    Passe aquele batom carmim lindo e vá viver, querida *-*
    Força!
    Beijooooos!

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    1. 'Brigada, My!
      'Bora todo mundo passar batom vermelho e ser feliz, porque daqui a pouco esse trem acaba! x)
      Beijão, sua linda!

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  8. Patrícia, que seus dias sejam cheios de luz.

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    1. Obrigada, Maira!
      Também desejo dias iluminados procê!
      Beijão!

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  9. Que lindo, Patrícia!
    Acho que estou passando por essa fase também, preciso de um chacoalhão.
    Vou procurar esses filmes pra ver se levantam meu astral.
    A gente chega lá!! Xô desânimo! kkkk...

    Bjs =)

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    1. Obrigada, Renata!
      Assista Sociedade dos Poetas mortos, fia. Ele faz a gente querer viver mais e melhor. ;)
      'Bora deixar esse desânimo pra lá!
      Beijo procê!

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  10. Oi Paty!

    Belo texto. Somente há pouco fiquei sabendo do Golinho. Ainda estou na fase do "Não acredito!"...

    Bjo

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  11. Oi Paty!

    Belo texto!

    Fiquei sabendo do Golinho há pouco. Ainda estou na fase do "não acredito"...

    Bjo

    ResponderExcluir

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