sábado, 18 de agosto de 2012

A morte em Andreiev, Tolstói, Örkény e Lessa [Leituras de MininaMá #14]

Oi! Tudo bem com você? ;)

E não é que faz um tempão que não divulgo meus vídeos aqui no blog?! Acho que acabei meio que trocando um pelo outro temporariamente... Andei cheia de amores pelo Youtube, mas agora estou voltando pro bloguito velho de guerra.

E o post e hoje é pra falar sobre o último vídeo [clica que ele te dá a mão e te leva pro Youtube]


Nesse vídeo eu faço considerações sobre quatro livros que falam, cada um sob uma ótica diferente, da Morte. Não a Morte de Gaiman, mas a morte-morte, aquela maldita que nos espera no fim da estrada.

Os livros sobre os quais falei são:
  1. Os sete enforcados - Leonid Andreiev [Editora Rocco Jovens Leitores]
  2. A exposição das rosas - István Örkény [Editora 34]
  3. A morte de Ivan Ilitch - Leon Tolstói [L&PM Pocket]
  4. A desintegração da morte - Orígenes Lessa [Editora Moderna]


Foram citados no vídeo:



Durante o vídeo, eu li uma passagem da "Introdução à edição americana", escrita pelo Andreiev em ocasião do lançamento do livro nos Estados Unidos. Vou escrever abaixo a passagem que li, pois é um daqueles textos capazes de nos fazer encarar o mundo de outra forma. Espero que gostem tanto quanto eu...

Introdução à edição americana
"Fico muito feliz de ver Os Sete Enforcados publicado em inglês. O infortúnio de todos nós é conhecermos tão pouco, ou mesmo nada, uns aos outros. A Literatura, a quem tenho a honra de servir, é importante exatamente porque a tarefa mais nobre que ela se impõe é a de anular fronteiras e distâncias.

Como uma casca espessa, todo ser humano está encerrado em uma capa de corpo, roupa e vida. Quem é o homem? Podemos apenas conjeturar. Que constitui sua alegria ou tristeza? Podemos adivinhar apenas, por seus atos, que com frequência são enigmáticos, e por seu riso e suas lágrimas, que muitas vezes nos são inteiramente incompreensíveis. E se nós, russos, que vivemos tão unidos em constante miséria, compreendemos tão mal uns aos outros a ponto de matarmos sem piedade aqueles que deveriam ser lamentados ou mesmo recompensados, e elogiamos aqueles que deveriam ser castigados, muito mais difícil é pra vocês, americanos, compreender a distante Rússia. Entretanto, para nós, russos, é igualmente difícil compreender a distante América, com a qual sonhamos em nossa juventude e sobre a qual refletimos tão profundamente em nossos anos de maturidade.

Os massacres dos judeus e a fome; um Parlamento e execuções, saques e o maior heroísmo; A Centena Negra e Léon Tolstói - que mistura de figuras e conceitos, que fonte fecunda de todo tipo de equívocos! A verdade da vida silencia, consternada, e a falsidade atrevida grita bem alto perguntas urgentes e dolorosas: 'Com quem serei solidário? Em quem confiarei? A quem amarei?'.

[...] E se minha história real de sete dos milhares de enforcados ajudar a destruir pelo menos uma das barreiras que separam uma nação da outra, um ser humano do outro, uma alma de outra alma, eu me considerarei satisfeito."

[Referência: ANDREIEV, Leonid. Tradução Eliana Sabino. Os sete enforcados. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2011 p. 11-15]

Um beijo procês!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Canção da tarde no campo - Cecília Meireles

Fonte da imagem: Releituras
Recebi esse poema por e-mail da minha mais do que querida Juliana Gervason, e ele ficou ecoando em mim desde então.

Daí que o trouxe pra cá, pra que ele ecoe em você também...

Pra que você não se esqueça que estar sozinha não quer dizer deixar-se abandonar....

Pra que você não perca a esperança no amor, mesmo que seja o seu próprio...

Pra que nessa semana que começa, você carregue consigo sua  tarde, sua flor, sua fonte e sua estrela...

Pra que a vida que ecoa nas palavras e no sorriso de Cecília também possa fazer-lhe companhia.




Canção da tarde no campo

Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cercas de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

            (Eu ando sozinha
            no meio do vale.
            Mas a tarde é minha.)

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

            (Eu ando sozinha
            por cima de pedras.
            Mas a flor é minha.)

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua:
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

            (Eu ando sozinha
            por dentro dos bosques.
            Mas a fonte é minha.)

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.

            (Eu ando sozinha,
            ao longo da noite.
            Mas a estrela é minha.)

Referência: MEIRELES, Cecília. Obra poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958,
p. 229-30.

Ps: Me desculpem pela ausência do blog, meus queridos... Essa semana eu volto a aparecer por aqui.
Enquanto isso, meu muito obrigada a quem, mesmo no meu vazio, continua preenchendo minhas palavras.

Tenham todos uma excelente semana!
Um beijo procês!
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