domingo, 23 de dezembro de 2012

Da economia do tempo - Sêneca


A persistência da memória - Salvador Dali
Eu descobri Sêneca em 2012, o ano em que tantas pessoas estavam preocupadas com o tal do fim do mundo. E foi com Sêneca que aprendi que o mundo acaba todos os dias, todos os segundos, e que o tempo é um de nossos bens mais preciosos.

A carta abaixo, destinada a Lucílio, está no livro "Aprendendo a viver", compilação de cartas feitas por Lúcia Sá Rebello, para a Editora L&PM Pocket. Uma de minhas melhores leituras de 2012. Uma de minhas melhores leituras da vida.

Espero que, assim como aconteceu comigo, Sêneca também mostre a você o quanto estamos desperdiçando nosso tempo pensando no quanto desperdiçamos tempo. Penso que essa reflexão seja bastante propícia nessa época de festas de fim de ano, na qual fazemos promessas, renovamos votos e todas essas coisas boas que, infelizmente, acabamos deixando só pro fim do ano.

Que tomemos consciência do quanto cada dia é único e importante. E do quanto precisamos tomar conta de nós mesmos todos os dias...

I - Da economia do tempo
Sêneca saúda o amigo Lucílio

Comporta-te assim, meu Lucílio, reivindica o teu direito sobre ti mesmo e o tempo que até hoje foi levado embora, foi roubado ou fugiu, recolhe e aproveita esse tempo. Convence-te de que é assim como te escrevo: certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento. Mas a coisa mais lamentável é perder tempo por negligência. Se pensares bem, passamos grande parte da vida agindo mal, a maior parte sem fazer nada, ou fazendo algo diferente do que se deveria fazer.

Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.

Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso. A natureza deu-nos posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez dos mortais que, por coisas insignificantes e desprezíveis, as quais certamente se podem recuperar, concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando, na verdade, ele é único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolver esse tempo de quem tirou.

Talvez me perguntes o que faço para te dar esses conselhos. Eu te direi francamente: tenho consciência de que vivo de modo requintado, porém cuidadoso. Não posso dizer que não perco nada, mas posso dizer o que perco, o porquê e como; e te darei as razões pelas quais me considero miserável. No entanto, a mim acontece o que ocorre com a maioria que está na miséria não por culpa própria: todos estão prontos a desculpar, ninguém a dar a mão.

E agora? A uma pessoa para a qual basta o pouco que lhe resta, não a considero pobre. Mas é melhor que tu conserves os teus pertences, e começaras em tempo hábil. Porque, como diz um sábio ditado, é tarde para poupar quando só resta o fundo da garrafa. E o que sobra é muito pouco, é o pior. Passa bem!

Referência: Sêneca. Aprendendo a Viver. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2012 p. 15-16.

Ps: Se você quiser saber o que eu achei da leitura de Sêneca, é só assistir a esse vídeo AQUI, ó. ;)

Beijo procês!

6 comentários:

  1. ADOREI!!!!! ALGO PRA SE PENSAR NESTE FINAL E INICIO DE ANO. BJS E OBRIGADO POR COMPARTILHAR...

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  2. Será que entendi direito, que talvez o nosso melhor tempo é aquele que perdemos com as pessoas? Pois sim que os solitários possuem mais tempo para dedicarem-se a si mesmos... Tenho que concordar com a frase "todos estão prontos a desculpar, ninguém a dar a mão".
    Feliz ano novo!!

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  3. Eu amei. Li sobre o tempo, o passado e o futuro (que não existem) em um livro de "autoajuda". Li porque gosto desse tema, mas lendo assim é muito mais gostoso e me interessei muito por esse livro. Literatura é realmente um sabor a mais na nossa vida né?
    Obrigada xará por me apresentar este fragmento, amei!
    - Paty

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