quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Escola dos sabores - Erica Bauermeister [Pseudo resenha]

Capa do livro em Português
Fonte: Site da Editora
Capa do livro em Inglês
Fonte: Site da autora
Título em Português:
Escola dos Sabores

Título original: The School of essential ingredients

Autora: Erica Bauermeister

Editora: Sextante

Ano de lançamento: 2009

Ano da minha edição: 2010









Me lembro bem do porquê peguei Escola dos Sabores pra ler: havia acabado de ler dois livros de filosofia do Sêneca [Tem vídeo sobre ele no canal: Sêneca], e estava infectada até a alma com todos aqueles questionamentos, aquelas indagações, aquela "náusea" [Ah, Sartre, assim você me mata! ;)] de existir e de ser humana.

Então fui até a estante em busca de algo que me desintoxicasse, e foi quando Escola dos Sabores sorriu pra mim.

Iniciei o livro sem expectativas, até porque eu o havia comprado sem expectativas. Dá dó dizer isso, porque, como você vai perceber ao longo desse texto, eu me apaixonei pelo livro, mas só o comprei porque ele estava na promoção por R$5,90. Feio dizer isso, né? Mas é a pura verdade.

Pois bem, agora que já contei como comecei meu relacionamento com o livro [tenho dessas manias que achar que tenho um relacionamento com cada livro meu], vamos ao livro.

O livro é composto por um prólogo, nove capítulos e um epílogo. Cada capítulo diz respeito a uma das personagens do enredo, e no início há uma ilustração de um dos ingredientes principais para a receita, como na figura abaixo.

Figura que ilustra o capítulo sobre a Lilian.


Lilian é a personagem principal. Ela é a dona do restaurante Lilian's, onde, todas as segundas-feiras, acontecem aulas de um curso de culinário do qual ela é a professora.

No primeiro capítulo, a autora narra a vida de Lilian quando ainda era pequena. Quando ela tinha 4 anos, seu pai abandonou a ela e a sua mãe. A mãe, que não soube lidar com o abandono, se escondeu nos livros, e a única coisa que fazia era ler, ler e ler. Para sua própria mãe, Lilian não existia.

"[...] a mãe mergulhava a tal ponto na leitura que a personalidade de cada protagonista passava a envolvê-la como um perfume usado em excesso". [p. 11]

Enquanto ia crescendo, ao mesmo tempo em que tentava se virar praticamente sozinha, Lilian também procurava ajudar a mãe, especialmente através da comida. A relação que a autora faz entre comida e Literatura é maravilhosa!

"Além disso, Lilian achava que ovos mexidos cinco noites seguidas pareciam uma troca justa em uma semana dominada por James Joyce." [p. 16]

O primeiro capítulo me lembrou muito o Como água para chocolate [tem resenha dele AQUI], por conta da relação poética que a autora fez com os alimentos. Em cada descrição de um ingrediente ou de um prato pronto, eu conseguia sentir os cheiros, ver as cores e quase sentir os sabores do que ela estava narrando. Ela usa e abusa da sinestesia, o que influencia na forma como "degustamos" o livro.

"Às vezes nossos maiores presentes são aquilo que não nos dão, niña." [p. 30]

Em cada capítulo há uma receita. Em cada capítulo há a história de uma das personagens sendo entrelaçada com o feitio de um prato, com os sorrisos ou as lágrimas de quem frequenta aquela escola, todas as segundas-feiras.

As personagens de Bauermeister são cativantes, claras, quase palpáveis. Ainda que cada capítulo seja dedicado a uma delas, os flashbacks mostram tanto o passado e o presente da "personagem da vez" quanto as aulas de segunda-feira e a interação entre as personagens.

Claire é uma mulher casada, mãe de dois filhos e que já não consegue se imaginar mais como apenas "mulher". É a típica esposa/mãe que um belo dia percebe a necessidade de se reconhecer, de se conhecer de novo e, principalmente, de se amar de novo.

"Quando somos honestos em relação ao que fazemos, o cuidado e o respeito surgem mais facilmente" [p. 47]

Carl e Helen são o casal mais fofo da paróquia! Casados há 50 anos, cada um ganhou um capítulo pra si. Em cada capítulo, a autora mostra o olhar de um sobre o outro e sobre os acontecimentos do passado. É uma história de amor, mas um amor real, que às vezes também machuca, mesmo que sem querer.

"A vida é linda. Algumas pessoas simplesmente fazem você se lembrar disso mais do que outras." [p. 150]

Antonia é uma italiana que mora há 4 anos nos Estados Unidos e trabalha como design de interiores. Linda e segura de si, o capítulo de Antonia mostra como nem sempre somos aquilo que parecemos ser, ou que julgamos ser.

"Mas, na minha opinião, todos os dias merecem aplauso." [p. 146]

Tom é uma personagem que, desde o primeiro capítulo chama atenção por sua tristeza. E daí que, quando chega o capítulo dele, você desidrata de tanto chorar. É um capítulo lindo, mas muito Nicholas Sparks way of life, sabe? Tem muita coisa bonita, mas também tem muita tristeza, muito sofrimento e muitas e muitas lágrimas.

"Na cadeira seguinte, quase escondido no canto do aposento, estava um homem cuja camisa parecia ter sido engomada com sua tristeza." [p. 39]

Chloe é uma mocinha, que eu imagino que tenha entre 18 e 21 anos. [No livro não há dados da idade dela, mas como há uma passagem em que ela não pode comprar bebida, deve ter menos de 21. E como já trabalha e mora com o namorado, deve ter mais de 18. Sim, isso sou eu chutando!!!] Ela é toda insegura, atrapalhada, parecendo um cachorrinho perdido. E além de tudo isso, ainda encontra com o Jake, a personagem com a menor aparição em um livro que me fez odiá-la como se tivesse sido a personagem principal de Ulisses!

"[...] é preciso um motivo para deixar algo para trás e ir embora. Mas às vezes eu acho que aquilo que move as pessoas é tão grande que elas talvez nem se lembrem do que estão deixando pra trás: elas simplesmente seguem adiante." [p. 206]

Isabelle é uma senhorinha fofa com uma história triste. [Não posso contar a história dela, senão dou spoiler.] A forma como ela ajuda as outras personagens, e como é ajudada dá aquele sopro de esperança de que a humanidade ainda tem um 'cadinho que seja de bondade, sabe?

"Pra que possamos, conscientemente, fazer algo que nos deixe feliz, é preciso saber quem somos." [p. 51]

Ian é um engenheiro de softwares [Nerd Pride!] todo bonzinho, mas com uma vida nada boazinha. Ele é solitário e inseguro, pra piorar a situação. Mas é um cara generoso, que mostra que nem sempre o exterior reflete o interior.

E são essas as personagens cujas vidas vão sendo contadas enquanto os ingredientes são colocados nos pratos principais.

Erica Bauermeister
Fonte da imagem: Site da autora
Falando em ingredientes, acredito que o título original do livro seja muito mais condizente com o enredo, pois é exatamente disso que a Bauermeister trata: dos ingredientes essenciais de cada um. Do que cada um de nós precisa para viver, se recriar, aprender, amar e continuar o caminho.

Não é um livro com uma trama narrativa complexa, tampouco com reviravoltas extraordinárias. É um livro simples, e, por isso mesmo, bonito. Porque a gente se esquece da beleza que existe nas coisas mais simples. Nos gestos mais corriqueiros. Nas palavras mais usadas. Nos sorrisos mais cotidianos.

A gente se acostuma a vencer o difícil, a almejar o impossível, e não para pra aproveitar e ver que são essas coisas pequenas, simples e singelas que formam nossa colcha de retalhos.

É... Talvez esse seja também um livro sobre retalhos. Como cada um é um pequeno retalho que vai sendo costurado a outro pra formar essa grande colcha que é a humanidade. Pena que muitos se esqueçam de algo simples, como linha e agulha.

Se eu recomendo o livro? Com certeza. Mas, por favor, faça como eu e relacione-se com ele sem expectativas. Deixe que Bauermeister lhe envolva nos seus sabores, sem esperar quais. Apenas experimente e aproveite. ;)

************

Ps: E não é que a estrupícia nunca tinha falado por aqui do livro que está sendo sorteado neste muquifo?
Já está participando do sorteio? É só clicar aqui ó: Sorteio de aniversário de 5 anos

Ps2: Eu já havia feito uma resenha em vídeo lá no canal. Pra quem ainda não viu, ou quem quiser rever, 'tá aqui ó: Escolas dos Sabores - Erica Bauermeister 

4 comentários:

  1. Nossa amei mesmo a resenha, e eu acredito que se for um livro simples ou mesmo espetacular ele pode tocar muita gente!! hahushauhsu Beijos
    http://palavras-digitadas.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Que bom que gostou, Karen! Fico muito feliz! =)
      É verdade! Não importa se é simples ou complexo, mas o quanto nos faz bem, né.
      Beijo procê!

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  2. Peguei esse livro emprestado com uma amiga e li sem pretensão alguma.
    Achei muito bom! Muito fofo!! E tenho que dizer que o livro serviu para me esclarecer uma dúvida de muito tempo: o motivo de colocarmos leite no molho a bolonhesa. Pois é! Shame on me, mas eu não sabia.
    Adorei a resenha!

    Bjs

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    Respostas
    1. É fofo mesmo!
      Ah, menina... Tanta coisa que a gente não sabe! ;)
      'Brigada!
      Beijo procê!

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