segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Felicidade realista - Martha Medeiros

Fonte: A casa está cheia de flores
Ando falando bastante sobre Felicidade ultimamente, não é? É que os 30 me trouxeram uma certa urgência em ser feliz, em viver mais, em...

Gosto desse texto da Martha porque ela fala de uma felicidade possível, e não daquela dos contos de fadas ou dos filmes da Disney... Mas pra ser possível é necessário que arregacemos as mangas e sigamos em frente. Será que somos capazes? ;)

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Felicidade realista

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos pra pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Loius Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isto é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três maridos, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para sentir-se seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Referência: MEDEIROS, Martha. Montanha Russa. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009 p. 54-55

4 comentários:

  1. Há muito tempo que eu deixei de buscar essa felicidade que é vendida pelas propagandas de carro e banco na tv. O que eu luto constantemente é para não deixar o medo me paralisar, porque algo que eu percebi é que o medo é o maior rival da verdadeira felicidade.
    Muito bonito o texto da Martha. É daquelas coisas que a gente sabe, mas parece que some de vez em quando né?
    Beijos
    boa semana ;)
    Tati

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    Respostas
    1. Ótimo seu comentário, Tati!
      Também tenho medo do medo. ;)
      Por isso que eu gosto tanto dela... Ela fala coisas que a gente sabe, mas faz questão de esquecer, né?
      Boa semana procê também!
      Beijo!

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  2. Olha Pati, acabei de ler seu post e me deparei com essa entrevista aqui:

    http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/01/permissao-para-ser-infeliz.html

    Vale a pena dar uma olhada para continuar sua reflexão ;)
    Beijo

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    Respostas
    1. Uia! 'Brigada pela indicação! =D
      Adoro quando vocês [pessoas que visitam o blog] contribuem comigo! *-*
      Vou lá ler.
      Beijo!

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