sábado, 12 de janeiro de 2013

Solidão...

Fonte: Pinterest

- Como é triste estar sozinha...

Era o que ela pensava enquanto suas lágrimas se misturavam com as gotas da chuva que, mansamente, ia embora.

Ela não lembrava como havia ido parar naquele banco. Só lembrava daquela dor no peito. Seria saudade? Angústia? Medo? Não... O que a levou até aquele banco, no meio da praça mais movimentada daquela cidade que ela ainda desconhecia, era a solidão.

Ao olhar os amigos que riam em grupo, envoltos pela magia que só as boas amizades conseguem produzir. Ao olhar para os casais de mãos dadas, quase um só, de tanto amor que lhes arrebentava o peito. Ao olhar pra fora, ela tentava lembrar onde é que havia se perdido.

Onde havia deixado os sorrisos, as mãos dadas, os amigos... Onde havia deixado a si mesma?

No lugar daquela, que sorria e cantava, sobrou essa, casmurra e cinzenta como uma tarde de Outono na São Paulo coberta de desilusões frias.

Ela não sentia, ou sentia e fingia não sentir...

Aquele era mais um daqueles dias em que ela ia buscar fora de si o que já há muito não encontrava. Precisava de ar puro, precisava de pessoas, precisava de um pedaço da humanidade ali, ao seu lado.

Então lembrou-se como fora parar no banquinho. Mas a lembrança doía por demais, e ela tentou apagá-la fechando os olhos. Mas ao fechar os olhos, olhou pra si mesma, e os abriu com força, quase que numa prece, pedindo a qualquer deus que estivesse de plantão que a afastasse de si mesma.

A ponte. Os pés. Os gritos. Seria tudo ilusão? Ou era ela mesma ali naquela ponte, sentindo os pés tocarem o ar, pronta pra pular em direção... Em direção a quê, mesmo? Ela não sabia, e, talvez, por isso mesmo não tenha pulado.

Então veio a imagem do café.

-Açúcar ou adoçante, senhora?

-Amargo como esse gosto que me toma conta, pensou ela...

Depois, só conseguia lembrar da Avenida infinita, dos prédios sem cor, do brilho dos faróis que lhe faziam ver estrelas.

Estrelas... Há quanto tempo não olhava pro céu para vê-las? Há quanto tempo não fazia como Bilac, e entretida ficava, pálida de espanto, ao ouvi-las?

Talvez porque já não amasse era incapaz de ouvir estrelas. Talvez fosse isso. Talvez a falta de amor a tenha levado até aquele banco.

Aquele banco no qual sentou da primeira vez em que chegou à cidade, cheia de esperanças e sonhos.

Foi naquele banco que jurou começar tudo de novo, e era ali, mais de um ano depois, que, sentada, via o mundo girar ao seu redor sem que ela conseguisse lhe acompanhar.

Tem dias que a gente se sente como quem quer partir ou morrer. Mas a gente é duro, a gente não morre. E o que resta é continuar caminhando, até outro banco, até outra esquina, até outra vida, na qual, quem sabe, se volte a ouvir estrelas...

4 comentários:

  1. Muito bonito Paty, muito mesmo!
    Seguir caminhando. E também só tomo café amargo...
    =**
    Tati

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Tati! =)
      A gente tem sempre que seguir, né.
      Beijo procê!

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  2. Como conseguiu expressar tão bem esse sentimento ! Me pegou direitinho menina nada má! Acabo de conversar comigo mesma dizendo para parar com isso. Mas como? E ai abro o email e tropeço nessa pérola!

    Obrigada por compartilhar!

    Bj

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô querida, muito obrigada...
      Força aí, viu. ;)
      Beijo procê!

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