quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Noite em claro - Martha Medeiros [Resenha - ou quase]

Fonte da Imagem: L&PM


 Título:

Noite em claro

Autora:
Martha Medeiros

Editora:
L&PM Pocket

Ano de Lançamento: 2012

Ano da minha edição: 2012
 "Na solidão de seu apartamento, uma mulher escreve sobre a sua história numa noite de insônia. Uma história plena de relacionamentos marcados por frustrações, dor e prazer. Encorajada pelo champanhe, sem nenhuma censura, ela vai contando sua vida enquanto chove lá fora. O livro só terminará com o último pingo de chuva". [Sinopse do livro]

Noite em claro é o último romance de Martha Medeiros. Foi criado para fazer parte da Coleção 64 páginas, da L&PM Pocket, e tem, é claro, 64 páginas. Eu gostei bastante dessa proposta da L&PM [que todo mundo sabe que é a editora que mora no meu coração, né!], e o texto da Martha ficou na medida, lindo, poético e perfeito pra ler numa noite chuvosa ou não.

"Foi o maior striptease da minha vida. Não tirei luvas, meias, sutiãs. Tirei minha alma pra fora." [p. 48]

Eu o li em menos de uma tarde. Não conseguia desgrudar meus olhos das páginas, pois a cada frase a narradora parecia me descrever um pouco mais.


"Hoje meu inferno chama-se falta de paciência." [p. 42]

Essa é uma das características mais marcantes em Martha Medeiros: a capacidade de nos descrever mesmo sem saber quem somos. As personagens de Martha parecem sempre tão reais, tão "next door", que nos identificamos com elas logo no primeiro contato.

"Comi uma barra de chocolate só pra fingir que nada me importa, mas tudo me importa como nunca me importou nesta noite em que estou sozinha, tentando ficar bêbada, prestes a ser gorda, infernizada por recordações do passado e impaciente para inventar um futuro." [p. 3]

Há no livro uma capacidade de envolver o leitor a tal ponto que ele faça parte da história, embora ela não use um narrador "intrometido" e falante. O livro é a história de uma mulher vazia, que tem que comprar flores pra si mesma. Me lembrou muito a Mrs. Dalloway, de As Horas, e toda aquela amargura disfarçada em flores coloridas e festas vazias.

"Hoje meu sentimento é uma pedra. No dia dos namorados, é esta pedra que me habita." [p. 12]

O texto fala de relacionamentos, de todos os tipos. A personagem principal, que passa praticamente todo o texto sem nome, é uma mulher em busca de algo que possa lhe preencher o vazio, e que vai se relacionando com os homens errados, nas horas erradas.

"A gente se apaixona pelo que é impossível em nós." [p. 23]

Percebi uma certa influência - ou seria um reflexo? - de Caio F., especialmente no que diz respeito ao sexo. E o sexo tem um papel bastante importante na narrativa, porque faz parte da insatisfação e da satisfação da personagem.

"Todas as pessoas trazem o mesmo rosto melancólico de quem viveu tudo e não encontrou o que procurava." [p. 27]

É um texto doído, mas poético... É um texto marcado pela rotina, pelo dia-a-dia, pelas gotas da chuva que caem na janela enquanto ela conta sua história cheia de estilhaços que ficaram perdidos pelo caminho.

É um livro para se ler de um fôlego só, num dia chuvoso ou não, mas, de preferência, num dia em que você possa se permitir ficar sozinha com suas dores e suas saudades, pois elas virão lhe fazer companhia assim que a noite em claro terminar...

Um beijo procês!

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