segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A arte de ser feliz - Cecília Meireles [Ipsis Literis]

Estamos todos - eu, tu, eles - buscando a tal da felicidade. O tempo todo nos perguntamos se estamos no caminho certo para sermos felizes, ou então ficamos choramingando de mãos dadas com a tristeza.

No fim das contas, ser feliz é uma arte, e não é sempre que a gente consegue ser artista.

Cecília conseguiu, nessa crônica, mostrar quanto o mais importante não é o que se olha, mas sim como se olha. As janelas são sempre as mesmas; é nos olhares que a felicidade está escondida.

Então, 'bora aprender a olhar? ;)

A arte de ser feliz
[Cecília Meireles]

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos,quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça,o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança,achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz. 

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava história. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que ouvisse, não entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias–e me sentia completamente feliz. 

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Maribondos que sempre parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. 

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Fonte: MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho, 1964

domingo, 29 de setembro de 2013

Borboletas...

Tweetconto:
Ela sentiu as borboletas. Imediatamente as capturou, guardou num vidro, fechou e ficou observando até que morressem. Todas.
[Patrícia Pirota]

Desire [Personagem de Sandman] - Criação de Neil Gaiman

sábado, 28 de setembro de 2013

Semana de MininaMá #3 [Especial Bienal do Rio]

Eita que acabei me perdendo em tantas fotos naquele meu Instagram que mais parece um samba do crioulo doido, e parei com o Semana de MininaMá... Mas voltemos, e voltemos com um especial sobre minha viagem ao Rio de Janeiro, para encontrar Juliana Gervason e Tatiana Feltrin, e, é claro, passear com elas pela Bienal. 'Bora ver? ;)


Da direita pra esquerda:
Aeroporto de Campo Grande, fazia tempo que não pisava nele, viu... Quero ver se volto a vê-lo com mais frequência...

Aeroporto de Guarulhos. Fazer escala é uó!

E o tal do Terminal 2 do Galeão, que eu nunca na vida conseguia achar! Era mais fácil eu ter achado um caminho alternativo pro Ministério da Magia, porque olha...


E a minha alegria em conhecer, assim, de pertinho inho, Tatiana Feltrin e Juliana Gervason, gente?! Indescritível! Aí as duas lindas na entrada da pousada [do horror!] em que ficamos.

E ao lado esse boneco gigante do Superman no Galeão. Até hoje não entendo o porquê dessa parada... De verdade...


E enfim eu conheci o tal do mar! Ó, bonitão o trem, hein! Dá uma sensação boa, menino! Que só é dissipada pelo Sol do capeta que faz acima dele.

Tati e Ju conectadas. E lindas! ;)


Café da Manhã na Barra, modiquê soou ryca e phyna, mermão!  Uma delícia o café da manhã desse lugar, gente! Só achei estranha a salada de fruta... Bastante diferente da que a gente come por aqui. Enquanto aqui comemos banana, mamão e maçã, lá rola melancia, manga e uva. Mas esse pãozinho com requeijão aí é coisa divina!

Espia a caipira na praia! Eu e meu bronzeado palmito suuuuuper combinamos com a praia, 'cês não acham? ;)


Livros do Quintaninha no estande da livraria que não se deve nomear. Não sabe por quê? Veja os nossos vídeos sobre a Bienal.

Depois do que pareceram anos, enfim conseguimos entrar na Bienal. Olha, foi difícil, viu... Muito difícil!


Estande da L&PM. Amor em forma de livros e atendimento.

O trio parada dura. Olho pra essa foto e morro de saudades, e orgulho de poder dizer que sou amiga dessas duas feras aí.


A espertona aqui jurou que passaria o dia todo de sapatilha sem problemas. Resultado: no Barra Shopping, entrei numa loja da Havaianas e já saí de lá com as minhas no pé. Sim, eu passeei por um dos shoppings mais phynos do Rio de Havaianas. Me julguem!

Ao lado, nosso singelo almoço no Burguer King. Reparem que eu disse singelo. ;)


Aqui duas coisas que eu nunca tinha visto, nem comido, só ouvido falar. :)

A loja da MAC é coisa linda de deus!!! Não resisti, e saí de lá com um batom, que acabou virando meu segundo favorito [logo depois do Russian Red]: Impassioned. Essa cor é amor em forma de batom, minha gente!

Ao lado nossos copinhos na tal da Starbucks. Olha, não sei se era o cansaço, mas não achei tão sensacional quanto dizem por aí, viu. O Frappuciono do Fran's Café 'tá em páreo de igualdade ali, se não for melhor. Mas confesso que o apelo visual da loja é coisa de gênio.


Gustavo Duarte, fofíssimo, autografando meu exemplar do mais fofo ainda Pavor Espaciar. Já falei sobre ele em vídeo AQUI.

Um pedacinho de um dos lugares mais lindos nos quais já entrei: Livraria da Travessa do Barra Shopping. Aquilo é o céu! O céu!


Meu último café no Rio de Janeiro...

Uma última olhada na lindeza que é a Cidade Maravilhosa...


Meu All Star, companheiro velho de guerra, e uma fotinho do Look do Dia no Aeroporto de Guarulhos.


À direita, café de boas-vindas em Campo Grande.

Desfazendo as malas e admirando a lindeza que é o Impassioned.

Minha melhor compra na Bienal. O livro pelo qual eu tanto esperei e o qual eu tanto desejei: Daytripper, dos gênios Moon e Bá.

E o autógrafo lindo que Gustavo Duarte fez no meu Pavor Espaciar.

E acabou... Não tirei tantas fotos quanto gostaria, porque a viagem foi tão rápida e tão intensa, que acabei deixando a câmera de lado pra poder fotografar com os olhos da alma.

O Rio de Janeiro continua lindo. Tatiana Feltrin e Juliana Gervason são amor em forma de gente. E a Bienal foi uma das melhores viagens que já fiz.

Semana que vem volto com a programação normal dessa tag mequetrefe.

Um bom final de semana procês todos!
Beijo!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Um pedra no sapato...

Dia desses eu estava voltando do trabalho, quando senti um certo incômodo por entre os dedos. Deve ser uma pedrinha, pensei, mas como estava andando debaixo de um sol de mil graus [Hipérbole, dá cá um abraço, sua linda!], não queria parar no meio da rua pra tirar a tal pedra, e, dependendo da hora, ela nem incomodava tanto...

Fato é que andei, andei e andei... E aquela maldita pedrinha ficava sambando no meu pé. E eu continuava andando, mesmo com aquele objeto estranho que ora parava ora incomodava.

Ao chegar ao outro trabalho, tirei o sapato e então joguei fora a tal pedrinha. E era inha mesmo, mas como incomodava!

Depois, na volta pra casa, fiquei pensando em quantas pedrinhas no sapato carregamos durante a vida toda. Aquela conversa que tivemos com alguém, e que continua nos incomodando. Aquela amizade que já não dá mais frutos. Aquele projeto que há muito continua na gaveta, de onde a gente nunca tirou. Aquele amor que de amor só tem a lembrança do que um dia foi. Aquele emprego que só dá dor de cabeça. Aquela paixão que já deixou de ser chama há tantos anos. Aquele vestido lindo que você nunca teve coragem de usar, mas que, ainda assim, não tem coragem de se desfazer.

São tantas as pedras no sapato, que me pergunto o que nos impede de parar no meio do caminho e retirá-las. Afinal, o alívio é tão grande depois que tiramos de nós aquilo que nos incomoda. É tão bom poder caminhar livres, sem a sensação de que algo nos impede de continuar.

Pode ser que você tenha medo de se desapegar, mas ó, a gente precisa desapegar daquilo que não nos faz bem, viu. É difícil parar no meio dessa rua movimentada e ensolarada que é a vida, eu sei que é duro, mas a gente precisa parar e tirar essas tantas pedras que nos atravancam a caminhada.

Sei que é difícil colocar um ponto final numa conversa que ficou pela metade. Ou então pensar que aquela pessoa a quem se tanto amou - seja como amigo, seja como amante - já não cabe mais em você, e você não cabe mais nela. Ou mudar de emprego a essa altura da vida, depois de seu emprego atual já ter o formato do seu comodismo. Ou deixar de investir num projeto - seja do trabalho, seja pessoal -, mesmo que ele já não faça mais sentido pra você. Ou aceitar que, mesmo lindo, aquele vestido não foi feito pra você.

É difícil pra diabo, eu sei! E falo isso como pessoa que vive carregando pedras no sapato. Só que uma hora a gente precisa desapegar dessa dor que já se acostumou a sentir. Do contrário, os calos que essas pedras formam lhe impedirão de seguir em frente.

Que tal retirar uma pedra de cada vez? Hoje aquela conversa, amanhã aquele amor, depois de amanhã aquele projeto... Quem sabe assim dói menos. Porque eu bem sei que desapegar dói.

A gente se acostuma aos incômodos da vida, já reparou? Chega uma hora em que eles parecem fazer parte do que somos. E lá vamos nós, ganhando gastrites e tantas outras ites por conta dessas pedrinhas que, antes pequenas, já se transformaram em muros inteiros pesando em nossos ombros.

Da próxima vez em que uma estrupícia dessas penetrar sorrateiramente em seu sapato, pare um pouquinho, descanse um pouquinho, jogue o que te incomoda pra bem longe, e sinta o quão gostoso é poder caminhar leve, livre e solta dessas traquinagens que a vida, vezenquando, nos faz...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Start me up #15

O Start me up dessa semana está total e absolutamente influenciado pelo último dia do Rock in Rio. Eu passei o Domingo IN-TEI-RO com a tv ligada, assistindo aos shows monstruosos do Metal, enquanto corrigia provas.

Claro que mais assisti show do que corrigi prova, mas isso é perdoável, afinal, em que outro dia eu veria os shows de André Matos, Viper, Destruction, Krisium, Helloween, Sepultura e Zé Ramalho, Slayer e Iron Maiden, tudo assim, seguidinho?! Bati cabeça sozinha em casa, e, como boa velha, acordei na segunda-feira com o pescoço doendo.

Então, 'bora lá pra minha seleção de "melhores momentos" do Rock in Rio? Aqui estão as minhas cinco músicas favoritas das que rolaram no Domingo [e na quinta, afinal, o show do Metallica também foi genial!]. E olha que eu tive que me segurar pra não ouvir só Iron Maiden essa semana, porque o show foi animal!!!

Dessa vez nem farei comentários sobre as músicas... Elas são sensacionais. Ponto.

1. Phantom of the Opera - Iron Maiden


2. Enter Sandman - Metallica


3. Power - Helloween


4. Raining Blood - Slayer


5. Carry on - André Matos (Shaman)


E é isso... Eu passei a semana embalada pelo Metal. E você, o que escutou?

Beijo procês!


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quino e Mafalda

Confesso que passei as últimas duas horas tentando escrever esse post. Assim como aconteceu com o post sobre Machado de Assis, esse meu imenso amor por Mafaldinha e seu pai parece que tem o poder de bloquear todas as palavras.

 Joaquín Salvador Lavado nasceu em Mendonza, na Argentina, em 17 de julho de 1932. Desde cedo foi chamado de Quino, para distingui-lo de seu tio, Joaquín Tejón, pintor e publicitário com o qual Quino acabou descobrindo sua vocação.


Em 1963, Quino publicou seu primeiro livro, Mundo Quino, uma compilação de seus desenhos de humor gráfico. Nesse mesmo ano, Quino foi chamado para fazer a campanha publicitária da empresa de eletrodomésticos Mansfield, cuja solicitação era que fosse uma história em quadrinhos que misturasse Blondie e Peanuts. Foi aí que nasceu, dos pincéis de Quino, Mafalda. Só que a empresa não aprovou a campanha [Papafritas ellos, no? ;)], e Mafaldinha acabou esperando até 1964 para ser apresentada ao mundo.


Aqui uma página de historieta criada por Quino
Fonte: Comic strip of the day

Embora Mafalda seja sua criação mais famosa, Quino também mostra toda a ironia e a crítica à sociedade em seus demais trabalhos. Um dos assuntos prediletos das historietas de Quino é a Política, assim como podemos ver no quadrinho acima, no qual o pobre cão cai no conto do candidato.

Outras publicações de Quino
[Montagem feita com imagens retiradas do site oficial do Quino]

E depois de falarmos do criador, falemos da criatura. Sim, a personagem que eu gostaria de ser, a criança mais crítica e irônica [e fofa!] dos quadrinhos: Mafalda.

Como foi dito um cadinho ali pra cima, Mafalda nasceu para uma campanha de eletrodomésticos, mas ainda bem que os papafritas da Mansfield recusaram a campanha de Quino, pois foi assim que ela nos foi dada de presente. Em 1964, foram publicadas três tiras no suplemento humorístico da revista argentina Leoplan. E em 29 de setembro do mesmo ano, o semanário Primera Plana passou a publicar as tirinhas regularmente, sendo esta sua "data de nascimento". Pra tristeza geral das nações - porque Mafalda já não é mais Argentina, mas Universal - as últimas tirinhas inéditas de Mafalda desenhadas por Quino são datadas de 1973.


Provavelmente ouvindo Beatles. ;)
Fonte: Toda Mafalda

Se você quiser saber toda a trajetória das publicações de Mafalda, sugiro que vá até a página oficial do Quino [AQUI], em que há uma cronologia detalhada e confiável. E se quiser saber um pouquinho sobre a história de Mafalda e sobre seu "currículo vitae" [Sim! Ela tem!], sugiro que leia essa matéria AQUI, publicada pelo Estadão. Ah, e pra quem ainda não conhece, existe o Clube da Mafalda, blog com muitas tirinhas da Mafalda publicadas online.

Mas por que eu sou apaixonada por Mafalda? Quando foi que minha história e a dela se cruzaram? Dá cá a mão, e vamos voltar no tempo...


Eu sempre gostei de quadrinhos, muito embora meu universo quadrinístico se resumisse a Turma da Mônica e Turma da Disney. Só que quando me tornei adolescente, eu sentia falta de alguma coisa naqueles meus gibis lidos e relidos tantas e tantas vezes. Foi quando, perdida em um livro didático, estava a Mafalda. E ela sorriu pra mim. E então eu vi minha desilusão com o mundo [que adolescente que não é desiludido com o mundo, minha gente?!] refletida naquele sorrisinho traquinas daquela menina que, ainda tão pequena, sabia mais do mundo que muito adulto.
  
E então eu cresci lendo Mafalda nos livros didáticos, porque naquela época não havia internet [É, eu sei, 'tô velha!] e os quadrinhos que não fossem gibis eram difíceis de serem conseguidos, ainda mais por uma menina pobre como eu. E daí a menina pobre cresceu e começou a trabalhar, e pode comprar sua Mafalda todinha pra ela.

O dia em que o Toda Mafalda chegou na minha casa [eu comprei online] foi, possivelmente, um dos dias mais felizes da minha vida. Só de pensar que eu teria ai todas as tirinhas da Mafaldita, e que eu poderia conversar com ela quando quisesse, era muita alegria pra uma pessoa só! Fiquei namorando o livro por dias e dias... E ainda hoje, quando o dia está cinzento demais até pro meu coração de gengibre, sento com Mafaldinha na cama, e peço pra ela me ensinar mais sobre a vida.

Porque acho que é isso mesmo que Mafalda faz: ela ensina sobre a vida. Com esse jeito questionador, ácido, às vezes até ranzinza, ela consegue mostrar verdades que nós, adultos, acabamos deixando passarem desapercebidas, ou então jogamos pra debaixo do tapete. Muitas vezes, o que mais nos encanta em Mafalda, ou nas demais personagens, é que ela é capaz de falar aquilo que deixamos engasgado, pois já estamos grandes demais pra tanta verdade.

E não é apenas a Mafalda que se destaca em toda aquela turminha. Susanita é a crítica encarnada [ou seria desenhada?] das mulheres que abdicam de seus direitos feministas, e querem apenas ser boas mães e não pensar em guerras, pobreza ou fome; Susanita é a própria mulher de classe média dos anos 60!

Aliás, se tem uma coisa que ainda me espanta é o fato de, mesmo tendo sido escrita entre os anos 60-70, Mafalda ainda ser absolutamente atual. Por isso ela é considerada um clássico, porque, embora ela tenha elementos datados, o argumento e a crítica continuam fazendo sentido nos dias de hoje!

E o que dizer da fofura do Miguelito e todo o seu jeitinho perdido? E do jeitão perdido e sofrido do Felipe? E do Capitalismo tomando todos os poros do pobre Manolito? E dos pais de Mafalda, retratos fieis de uma família que tenta ensinar os melhores valores pros seus filhos, mas que, definitivamente, não está preparada pra um Tsunami no lugar de uma criança.


Fonte: Toda Mafalda

Ah... Eu ficaria falando horas e horas sobre Mafalda! [Inclusive, já falei dela em vídeo, já viu? AQUI, ó] E veja você, aquele branco lá do começo passou. No fundo, era uma mistura de admiração com respeito...

E você já viu a animação que fizeram com as historietas dela, a Mafalda - La PelículaAQUI nesse link você pode ver Mafaldinha falando e dando bronca no mundo.

Mas me conta, você gosta de Mafaldinha também? Já conhecia os outros trabalhos do Quino? Compartilha aí com a gente sua história com la enfant terrible. ;)

E agora que me dei conta de que nunca havia feito um texto tão ilustrado... Culpa do Quino, que me faz ver o mundo através de traços, cores e tintas totalmente diferentes...




Um beijo procês!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Acalento à solidão [Poemetos]

Construí todas as imagens
com restos de palavras
respingadas em café.
Subordinei todos os desejos
à existência de irregulares particípios.
Acho que sei o que quero...
mas dias como esse
sopram minhas cinzas
escondidas nos cantos do mundo.
Conjuguei todas as possibilidades
em meus tempos infinitos
Tudo para tentar compor vozes
que pudessem renovar minhas almas
e acalentar minhas solidões.

Patrícia Pirota
2006

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Para Maria da Graça - Paulo Mendes Campos [Ipsis Literis]

Essa é, com toda a certeza que se é possível ter nesse mundo de dúvidas, uma das crônicas mais lindas do Universo! É tanta poesia e aprendizado, que passar incólume por ela é o mesmo que presenciar o pôr-do-sol e não esboçar sequer um sorriso de agradecimento por estar vivo...

Para Maria da Graça - Paulo Mendes Campos

Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.A realidade, Maria, é louca.Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave. 

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste.Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria. 

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo" Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuido tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor`.Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões. 

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas". Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.


domingo, 22 de setembro de 2013

Liberdade...

Tweetconto:
Era Terça, mas vestida de Segunda. Era ela, mas vestida de vazio. Era a vida, mas vestida de tristeza. Só a liberdade é nua...
[Patrícia Pirota]

Fonte: Daniel Cramer - Sushi de Kriptonita




sábado, 21 de setembro de 2013

Maus - Art Spiegelman [Quadrinhos na Cia]

Eis o vídeo em que falo sobre minha impressões de leitura de um dos Quadrinhos mais geniais já escritos e, possivelmente, que serão escritos: Maus, de Art Spiegelman. Sobre ele só tenho uma coisa a dizer: é amor em requadros.



Beijo procê!


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Qualquer [Poemetos]

Qualquer

Numa noite nua
qualquer
grito de bondade
será punido
se não pela impaciência
que é trem
pela discordância
de verbos no imperativo
A primeira pessoa foi abolida
no singular
pelos edifícios em cinza
no plural,
pelo tecnológico avanço do não-ser.
Numa noite crua
qualquer
expressão de amor
será banida
se não pela solidão
que é muro
pela discordância
de sujeitos no singular
O primeiro não concorda com a ação
que realiza o segundo triunfante
sem dizer que eram dois.
Numa noite sua
qualquer
adeus será compreendido
se não pela incerteza do amanhã
que não bate ponto
pela pluma da perfeição
que é só palavra.

Patrícia Pirota
2006

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Start me up #14

Essa semana eu nem vi as horas passarem... Oi? É, pois é, disse isso na semana passada... As coisas não mudaram muito de lá pra cá, assim como o que andei escutando. Pra ser sincera, nessa semana só escutei Nando Reis. Em versão plugada e acústica. E vou deixar aí procês se divertirem, modiquê o Ruivão é o cara!

Nando Reis e Os Infernais - Acústico MTV




E você, o que andou ouvindo essa semana?

Beijo procê!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Machado de Assis e eu: uma história de amor.


Joaquim Maria Machado de Assis. Eis o nome do maior escritor da Língua Portuguesa. Que me perdoem Pessoa, Camões, Eça, Alencar [e todos os seus leitores amantes ;)] e tantos outros que, maravilhosamente, fotografaram o mundo em palavras, mas, na minha humilde e nada parcial opinião, Machado é o grande fotógrafo do real.

A história da vida do Bruxo do Cosme Velho, por si só, já dá um grande romance. Nascido pobre, mulato, doente; tendo enfrentado ainda tão jovem a morte da mãe, da irmã, do pai; lutado com as únicas forças das quais dispunha - o intelecto e o caráter -, sem precisar usar muletas morais, Machado de Assis é o grande vencedor de sua época.

Ainda em vida foi aclamado como gênio, e mesmo depois de cem anos de nos ter deixado para ir tomar chá com Brás Cubas, sua obra ainda ecoa, ainda retumba por aqui.


Mas por que essa minha paixão pelo escritor de Dom Casmurro e tantos outros romances imortais, você me pergunta, cansado leitor? Senta, que lá vem história...

Comecei a ler Machado ainda menina, aos 12 anos. O primeiro romance que li foi "A mão e a luva", e já naquela primeira experiência, me encantei com o fato de suas mocinhas não serem assim tão mocinhas. Me fascinei com sua Helena, tão diferente da Helena de Alencar. Me apaixonei por seu Luis Garcia, tão diferente dos mocinhos de outrora...

Porque sim, eu era uma adolescente que vivia à margem. Eu preferia os finais shakespeareanos, as Madames Bovarys, as tavernas de Azevedo.

Mas com os idos da adolescência, acabei deixando o velho Bruxo de lado. Na verdade, tivemos uma briga, ele e eu. Aos 14, tentei ler Memórias Póstumas. Não conseguia. Briguei por dias e dias com o Brás Cubas e sua ácida visão do mundo. Vejam, naquela época eu escrevia poesia inspirada em Álvares de Azevedo, já tinha, inclusive, escrito o poema da minha lápide, então dá pra entender o porquê de eu não ter me entendido com Brás, né?

Dois anos depois, entrei pra faculdade, conheci Manoel de Barros, Poe e tantos outros autores que me fizeram guardar aquele meu amor à primeira vista por Machado em um baú, junto com as lembranças [tristes] da minha adolescência.

Eis que num belo dia de férias, passeando pela livraria, resolvi comprar Memórias Póstumas. Estava me sentindo corajosa, e há muito que não conseguia escrever um sonetinho sequer... E foi numa tarde de Janeiro que eu me apaixonei por Machado novamente.

Foi ali, em plena rua [antigamente eu conseguia ler enquanto andava, hoje em dia, se eu tentar, é tombo na certa!] que eu sorri pro Brás e todo aquele seu cinismo encantador, e então me entreguei apaixonada e perdidamente a Machado de Assis.

Depois disso, veio o mestrado e O Alienista. Foi quando, pela primeira vez, mergulhei fundo na biografia machadiana. E cada pequeno detalhe que eu descobria fazia com que eu me apaixonasse mais e mais.

Lembro como se fosse hoje que, ao terminar de escrever o capítulo sobre Machado pra dissertação, ao colocar o último ponto, chorei. Chorei em frente ao computador como quem chora em frente ao corpo inerte de um ente querido.

Hoje eu sou a louca do Machado de Assis. Faço o Projeto Machado de Assis Cronológico [quer saber mais, clica AQUI]; tento completar minha coleção de suas obras; mas, principalmente, me tornei machadiana. Penso que cheguei naquele estágio em que o leitor já não consegue se desvencilhar do escritor, tão grande é minha cumplicidade com o criador de Quincas Borba.

Mas e você, por que você tem que ler Machado de Assis? Afinal de contas, dizem por aí que ele é só literatura [chata] de escola. E eu grito pra que você me escute: Machado de Assis não é literatura de escola, é literatura de vida!!!

Vou pegar emprestadas as palavras de Ayrton Marcondes, estudioso que escreveu a que, na minha opinião, é uma das melhores biografias sobre Machado, a "Machado de Assis: Exercício de Admiração" [Editora Girafa, 2008]. Assim como eu, Marcondes também tem aquele brilho nos olhos quando fala sobre nosso escritor das Laranjeiras...

"Há muito de devoção na busca de um escritor. De fato, não se remexem velhos papéis por acaso. Estranho o caminho de um homem que aos poucos mergulha nas obras de um escritor e, para salvar-se do afogamento, decide estabelecer um pacto de intimidade com ele. Pacto esse unilateral, aliás, porque, em geral, quando isso acontece o escritor já está bem morto e a ele não é dada, nem mesmo, a recusa à parceria que lhe é imposta.
Talvez seja bem esse o caso de Machado de Assis. Ícone máximo da literatura brasileira e falecido há cem anos, talvez Machado nunca venha a descansar em paz. E, pensando bem, pode-se atribuir a Machado parte da culpa por esse fato: ele não descansará porque mais dia, menos dias, sua obra enfeitiçará alguém e o atrairá para a teia que ele mesmo, Machado, qual aranha de enormes pedipalpos, deixou bem armada antes de finar-se deste mundo". (MARCONDES 2008, p.11)

E é isso... Espero que você dê uma chance ao nosso querido Bruxo. Garanto que ele transformará sua vida em magia. ;)

[Esse post foi originalmente escrito para o blog 365 Escritores.]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Brincando de Fadas [Poemetos]

As tranças foram cortadas
O príncipe não apareceu
O lobo mau foi ao analista
A chapeuzinho virou cafetina
A vovó vive no bingo
A neve derreteu
O sapatinho se quebrou
A casinha de doces amargou
Os três porquinhos foram para o México
tomar tequila com os sete anões
a bela adormeceu de overdose
o país não é mais maravilhas
os irmãos Grimm morreram
o Andersen morreu
mas em algum lugar
- não encantado - 
há algum sonho
com um livro sujo nas mãos
brincando de fadas...

Patrícia Pirota
2004

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O que acontece no meio - Martha Medeiros [Ipsis Literis]

Essa crônica faz parte do último livro de Martha Medeiros, o A graça da coisa. É uma das minhas preferidas, tanto por me lembrar que estou nesse tal de "meio" aí, e que tenho desperdiçado chances incontáveis de ser mais feliz do que sou. Espero que você goste, e que, assim como eu, aprenda que não podemos passar pela vida à toa, do contrário, isso que chamamos de meio, vai ser sempre um fim.

O que acontece no meio

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar para casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo. Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade para o fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa-preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam - o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida - todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença. Que adultos se divertem mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte - mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do cartão do banco, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo). Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que nos leva toda uma vida, esse meio todo.

04 de dezembro de 2011.

Fonte: MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. Porto Alegre: L&PM, 2013 p. 47-48

PS: Os grifos no textos são meus, e não da autora.

domingo, 15 de setembro de 2013

Coragem! ;)

Tweetconto: Era uma vez uma borboleta. Ao olhar pela fresta do casulo, decidiu que não queria enfrentar o mundo. Morreu com medo. E sem asas. [Patrícia Pirota]


Moon e Bá - 10 Pãezinhos

sábado, 14 de setembro de 2013

Vídeos da semana [Ainda MininaMá no Youtube]

Hey! Eis que o lindo do final de semana chegou, minha gente! E você, viu o que rolou durante a semana lá no Canal do Youtube? Não?! Não tem problema, modiquê eu faço um resumão aqui procê. 'Bora lá? ;)

Post Its #21 Sobre o que li e um cadinho de discussão


O lixo da história - Angeli [Quadrinhos na Cia]


Pavor Espaciar - Gustavo Duarte [Panini Comics]


Comentários sobre os Trends do Twitter [10.09.13]


Beijo procês!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Parece [Poemetos]

Parece que foi ontem
que te dei o primeiro beijo.
Doce, trêmulo, sentido.
Parece que foi hoje
que ouvi sua voz me dizendo
que gostar de mim já não era tão bom.
Parece que será amanhã
que minhas lágrimas serão derramadas
sobre um chão de cinzentas ilusões.
Já não consigo enxergar em mim
a menina que sorria toda vez que via tua estrela.
Já não consigo ver em você
o menino que brilhava cada vez que ouvia minha canção.
Então pra quê?
Pra que continuar tentando
esconder o que já não é mais segredo.
Não sei se você percebeu
mas nossa lua já não mais sorri.
Ela apenas é. Apagada. Triste. Só.
Parece que foi ontem
que você não mais me olhou
nem que fosse pra dizer adeus.
Parece que foi hoje
que senti teus lábios frios me dizendo que acabou.
Parece que será amanhã
que vou te ver de mãos dadas com outro sonho.
Então pra quê?
Pra que continuar tentando
esconder o que já não é mais segredo.
Que eu não nasci pra ser sua
e você não nasceu pra ser meu.

Patrícia Pirota
2007

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Start me up #13

Olha, eu não sei vocês, mas eu não tenho conseguido ver o tempo voar, modiquê parece que o trem 'tá é voando na velocidade dos trens japoneses!!! Parece que foi ontem que fiz um Start me up, gente! Mas 'bora deixar de conversa, e ir pro Top 5 das músicas que eu mais escutei na última semana?

1. Ruas Cruas - Bêbados Habilidosos

Já falei do Bêbados várias vezes por aqui. E nessa semana [dia 14], eles voltarão depois de um tempão longe dos palcos. Imagina a ansiedade da fã aqui?! Só ouvindo eles pra acalmar...


2. Como ser feliz ganhando pouco - O Bando do Velho Jack

Minha banda preferida. Uma das minhas músicas preferidas. E ponto.


3. Meu Carnaval - Guga Borba, Guilherme Cruz, Rodrigo Tozzette, Jerry Espíndola e Daniel Freitas

Essa música do Filho dos Livres é linda por si só. E na voz desse time de feras da música sul-matogrossense então, é de acalentar o coração e os ouvidos...


4. I can see clearly now - Nando Reis

Sim! Eu estou definitivamente viciada no Ruivão! Escuto todo santo dia, minha gente!


5. Metal contra as nuvens - Legião Urbana

Sou fã confessa de Legião, e parecia que eu precisava de uma dose dessa música todo dia pra continuar o caminho...


E você, o que mais escutou na última semana?

Conta pra gente! ;)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um dia - David Nicholls [Leituras de MininaMá no Youtube]

Nessa semana que passou eu falei sobre as impressões que tive ao ler [o lindo!] Um dia, de David Nicholls. E agora convido você a papear comigo sobre ele. Mas prest'enção quem ainda não leu o livro: no meio do vídeo eu aviso que vou falar sobre o final. Quando eu avisar, você sinta-se beijado e feche o vídeo. Se continuar, é por sua conta e risco. ;)


Beijo procês!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tapete de horas [Poemeto]

Sobre o tapete das horas
formam-se as respostas
buscadoras de mim.
Pedacinhos de sonhos
que colei na parede
derrubada pelo caos.
Será que as páginas
obedientes e pálidas
sabem a dor 
que jorra do sangue 
que lhes percorre...
Num soluço
entre dor
e esperança
está o tempo de tudo.

Patrícia Pirota
2005

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A moça tecelã – Marina Colasanti [Ipsis Literis]

Nessa segunda-feira, eu convido você a sair do óbvio, dar as mãos às palavras e tirá-las do estado de dicionário. 'Bora sonhar um 'cadinho com a tecelã das palavras, dona Marina Colasanti. ;)

A moça tecelã

       Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear. Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Fonte: COLASANTI, Marina. “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”. Global Editora: Rio de Janeiro, 2000.

domingo, 8 de setembro de 2013

Favoritos de Beleza e Maquiagem em vídeo [Ainda MininaMá no Youtube]

Eis que essa semana resolvi me arriscar e fazer algo diferente: vídeos sobre produtos de beleza. Não, não tem absolutamente nada a ver com um canal de livros, mas levando em consideração que meu próprio blog é um samba do crioulo doido, que é que tem, não é?

Fiquei com vontade de compartilhar as coisas que uso pra ficar menos ogrinha no cotidiano. E cá estão os dois vídeos, com a lista de produtos utilizada em ordem de aparição.

Fiquem à vontade para comentar, dar sugestões, criticar. Enfim, o espaço é d'ocês também. ;)

Favoritos de Beleza - Agosto.2013


Produtos mostrados no vídeo:

1. Shampoo e Condicionador Brilho Extremo - Pantene
2. Ampola 3 minutos - Pantene
3. Super Óleo 8 - Garnier Fructis
4. Color Intense Conhaque - Celso Kamura
5. Tinta Alfaparf Evolution 8.4
6. Sabonete Líquido Effaclar - La Roche Posay
7. Hidratante Peach - Bavitphat
8. Revitalift Rollon pros olhos - L'Oreal
9.Rice Mask Wash Off - Skin Food
10. Água Termal - Vichy
11. Renew Reversalist Illuminating Eye - Avon
12. Revitalift Clareador - L'Oreal
13. Toalhas Demaquilantes para o rosto - Farmacity
14. Demaquilante Bi Facil - Lancôme

Sites e pessoas citados no vídeo:

Tati Feltrin  - Tiny Little Things
Carol - Elektra's Bazar 
Carol - Loja Momoji 
Ju Gervason - O batom de Clarice

Favoritos de Maquiagem - Agosto.2013


Produtos mostrados no vídeo:

1. Bloqueador Solar Tonalizante - Gel Creme Facial [FPS 40] - Cor Peach - Adcos
2. Filtro Solar - Fluid Tonalizante - Loção Fluida [FPS 40] - Cor Peach - Adcos
3. Filtro Solar - Fator 30 - Pó Compacto - Cor Peach - Adcos
4. BB Cream 5 em 1 - Cor Clara - L'Oreal
5. Blush Intense - Cor 1 - Boticário
6. Máscara para cílios The Collossal - Maybelline
7. Máscara para cílios One by One - Maybelline
8. Sombra Summer Bronze - Cor Soft Sand - Avon
9. Paleta de Sombras - Cor 249 Vanity - Wet'n Wild
10. Iluminador Girl meets pearl - Benefit
11. Carmex
12. Lápis de Olhos 24/7 - Cor Perversion - Urban Decay
13. Corretivo Erase Paste - Cor Medium - Benefit
14. Batom Intense - Cor 331 - Boticário
15. Batom Prolongwear - Cor Unlimited - MAC
16. Batom Matte - Cor Russian Red - MAC
17. Pincéis EcoTools

Sites e pessoas citados no vídeo:

Isa - Lido Lendo
Tati Feltrin  - Tiny Little Things
Carol - Elektra's Bazar 
Ju Gervason - O batom de Clarice

Um beijo procês!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...