sábado, 7 de setembro de 2013

Finais (in)felizes...

Eram 8 da manhã, quando um dos meus alunos - daqueles com as duas fases ligadas no 220, sabe? - começou a reclamar dos filmes infantis. Tudo porque eu falei que ele parecia o bichinho de "Onde vivem os monstros".

Ele disse - agitando mãos, pés, olhos e vida - que odiava filmes infantis porque neles as personagens passavam a vida sofrendo para, só no final, serem felizes para sempre. Lembrou do pobrecito do Happy Feet, e de todas as dificuldades pelas quais ele passou pra, só lá no fim, quando os créditos do filme já estavam quase rolando, ser aceito e poder sorrir.

Essa criaturinha genial [meu aluno, gente! Orgulho!], disse ainda que preferia a história do Edward Mãos de Tesoura, pois eles foram felizes durante o filme, e só no final que, cada um, a seu lado, sofreu do seu jeito. Disse que gostava de história assim, pois com elas ele próprio não sofria tanto...

Não sei o que me deixou mais feliz: perceber tamanha sensibilidade num menino de apenas 15 anos, ou eu, macaca velha, enfim descobrir a fórmula da felicidade, ao menos a felicidade da qual eu precisava naquele momento.

Pontequepartiu! Pontequepartiu! [Das tristezas de não poder escrever palavrão...]

Por quê?! Por que a Disney, a Pixar, os Grimm, Perrault e toda essa corja de inventadores de histórias fez isso com a gente?! Por que passamos a vida acreditando que o normal era se ferrar durante todo o caminho para, só no final, ganhar a recompensa?

O final da vida é a morte! Não quero ser feliz só quando morrer! Quero ser feliz agora, cada minuto, cada momento que puder! Daí no final a gente morre, e pronto, não sofre.

Ontem eu estava me questionando sobre o quanto sou imediatista e espero o futuro com a avidez de um faminto que espera por um 'cadinho de pão.

E veja você, a culpa é daqueles malditos contos de fadas que me enfiaram na cachola que no final vai dar tudo certo. Por que tamanha crueldade de nossos tão queridos inventadores de histórias?

"Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores" (Cora Coralina)

Quisera eu ter aprendido antes o verso de Cora que só agora entendo... O que importa é plantar as flores, e não quantas pedras tenhamos que retirar do caminho...

Porque, afinal, não há final na vida real, meu bem! Só um recomeço infinito, para mais um novo dia que se abre para todas as felicidades do mundo...

[Ps: Dei um abraço no aluno fofo, e agradeci por me fazer continuar acreditando... na juventude e na vida, não necessariamente nessa mesma ordem...]

Beijo procês!

7 comentários:

  1. que aluno mas fofo!

    e o comentário é bem realista, mesmo! tem hora que as coisas apertam e a cabeça tende a pensar: "vai dar tudo certo no final..."

    mas por que só no final?!

    'bora ser feliz agora, então:)

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  2. Outro dia em uma formação (sou responsável por formações a respeito de educação sexual no município em que trabalho) houve uma polêmica que eu fiquei abismada com a proporção que tomou: afirmei que muitas vezes a gente aprende com os alunos. Mas umas duas criaturinhas, que ainda se encontrarm na fase arcaica da educação em que só o professor é que sabe tudo e tudo que o jovem sabe é errado.
    Essa situação vivida por você, Patrícia. É uma prova de que minha concepção é válida. A gente pode, sim, aprender com o jovem, essa posturar de que sabemos tudo não tem fundamento, precisamos estar aberto para aprender sempre, em todas as situações, com todas as pessoas que nos deparamos. Só basta sensibilidade para que essa aprendizagem aconteça.

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  3. Que lindo Patrícia...pra que ser feliz só no fim, não é mesmo meu povo?! E seu texto me deu mais vontade ainda de ser professora, porque são momentos como esses que fazem a gente ter certeza que essa profissão ainda vale muito a pena. Beijo procê linda! <3

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  4. Eu adorei a filosofia do menino! E sempre tirei uma onda de novelas, em que o casal principal só ficava junto nos 3 últimos minutos do último capítulo, hahaha.
    Beijo.

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  5. Muito bom! Não conhecia esse verso da Cora Coralina, achei interessante. Me fez refletir... Quantas vezes passamos a maior parte do tempo apenas removendo pedras, sem plantar quaisquer flores porque pensamos que vamos chegar no topo da montanha onde há um topo florido, mas a verdade é que o topo da montanha é igualzinho ao resto, e quando chegamos lá nem podemos aproveitar porque tem um maldito de um helicóptero esperando pra levar a gente pra baixo, e quando olhamos lá de cima do heli percebemos que o nosso caminho podia estar florido agora, se destacando e embelezando a subida dos outros, mas tá a mesma merda que todo o resto. Eita... hehehe
    Beijos Pati, adoro seu canal!

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  6. Que lindo, né? Vivemos aprendendo...

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